MÃE FORA DA CAIXA

Ter filho é muito bom, mas dura…“, recita Miá Mello logo no início do espetáculo Mãe Fora da Caixa, que traz aos palcos uma mãe sem medo de falar sobre os diversos dilemas que envolvem a maternidade. Dúvidas, alegrias, conflitos, amamentação, o puerpério e todas as mudanças que acontecem neste novo ciclo.

Depois de uma temporada carioca bem-sucedida,que começou com oito semanas e se transformou em cinco meses em cartaz, o solo com a atriz e humorista Miá Mello (protagonista no filme Meu Passado Me Condena), tem sua estreia paulistana marcada para o dia 10 de janeiro de 2020 no Teatro das Artes, no Shopping Eldorado. A peça é inspirada no best-seller homônimo de Thaís Vilarino e tem direção de Joana Lebreiro e texto de Cláudia Gomes (roteirista da Rede Globo e criadora do blog Humor de Mãe).

Na trama, uma mulher que já tem uma filha com sete anos aguarda ansiosa em seu banheiro pelo resultado de um novo teste de gravidez. “A grande sacada da peça para mim é se passar nesses 5 minutos que a protagonista está no banheiro. São instantes em que cabe uma vida inteira, o mundo de pensamentos, as lembranças, os pensamentos contraditórios. É isso que acontece na cabeça e no coração de uma mãe e foi o que tentamos trazer para a encenação”, revela a diretora Joana Lebreiro.

Uma das maiores dificuldades da mãe contemporânea é o acúmulo de tarefas, conta a atriz Miá Mello. “Temos essa sobrecarga mental provocada pela cobrança de ter que fazer um monte de coisas: ser boa mãe, ser boa profissional, ver as amigas, estar com o marido, ir ao mercado etc. Tem aquele bom e velho ditado que diz que para criar uma criança é preciso de uma aldeia. E cada vez estamos mais isolados em uma ilha de nossas famílias modernas individuais. A peça tem essa força de mostrar que não estamos sozinhas de verdade. Eu começo dizendo que não é a minha história, mas poderia ser e acho que isso acontece com todo mundo. Tem um grande poder de identificação”.

O espetáculo surgiu quando o ator e produtor Pablo Sanábio (que atua na série Sob Pressão, na TV Globo) se deparou com uma série de questionamentos sobre paternidade e acabou encontrando o livro Mãe Fora da Caixa, de Thaís Vilarino. A autora é conhecida nas redes sociais por mostrar o lado real da maternidade e oferecer um ombro amigo para os pais e mães que se sentem pressionados com tantos desafios.

O desejo de Vilarino de escrever sobre maternidade aflorou com o nascimento de seu primeiro filho. “Lembro do sentimento de indignação quando percebi que não se falava sobre as dores e as dificuldades. Doze anos atrás não se falava sobre baby blues, sobre puerpério e nem sobre a mudança radical que acontece na vida da mulher que se torna mãe. Então, escrever foi necessário, terapêutico. Um processo de cura mesmo. Fico muito feliz que esteja, de certa forma, ‘curando’ outras mães. A peça expande o livro, expande as ideias em uma outra forma de comunicação. Sou muito grata por isso, pois, assim, o conceito chega em cada vez mais mães. O que eu mais gosto na peça é a entrega da Miá. A vontade que ela tem de gritar sobre o assunto. É a entrega dela que faz a peça ter esse potencial gigante”, revela Thaís Vilarino.

Já MiáMello conta que o tema da maternidade sempre foi algo latente para ela, mas mantido em seu círculo íntimo. “Quando tive meu segundo filho, fiquei absolutamente mexida. Eu achei que fosse tirar de letra porque já era mãe, mas não foi bem assim. Estava longe dos meus pais, da minha sogra, das minhas amigas de infância. E como não tinha uma rede de apoio, tudo foi mais difícil. Passei a viver a maternidade com muita intensidade, mas não tinha com quem falar sobre isso. Quando o Pablo me ligou, topei participar do projeto antes mesmo que ele me explicasse como seria. Logo comprei e devorei o livro da Thaís e fui anotando coisas sobre a minha maternidade. Tínhamos essa conexão muito forte e tudo foi desenrolando a partir dessa necessidade de falar sobre isso de forma real”.

A encenação foi criada a partir de um diálogo entre o livro e o perfil no Instagram de Taís Vilarino com as experiências pessoais de Miá, Joana e Cláudia. “Queríamos um espetáculo que juntasse esse papo reto e real sobre maternidade com a sensação de acolhimento às mães, sem deixar de lado esse humor ‘pé na porta’ que é a marca da Claudia. Uma coisa que conversamos desde o início e que permeou a escrita dela é ter um espetáculo que fosse bem aberto, bem direto para o público. E que não ficasse fechado na história, no sentido de ter uma personagem falando sozinha. Ela está conversando com aquelas pessoas que estão ali assistindo. Eu gosto muito das peças que deixam a plateia como parte atuante do jogo cênico”, esclarece Joana Lebreiro.

Na prática, a voz da personagem se mistura com a voz da atriz, que interfere ativamente na história e compartilha sua experiência com o público. “A Miá entra e sai do personagem livremente e na hora que ela quiser. Achamos que o mais legal para a peça seria explodir qualquer fronteira entre a personagem e a atriz. O que importa é o que está sendo contado e compartilhado. E essa ‘bagunça’, que também acontece com o cenário – o banheiro retratado no palco também funciona como se fosse a cabeça da personagem –, serve para mostrar como tudo na nossa vida muda quando viramos mãe. Quando nasce um filho, tudo vira bagunça e contradição na vida concreta, nos nossos sentimentos”, acrescenta a diretora.

O espetáculo ainda conta com produção de Carlos Grun (responsável por sucessos como Selfie, com Mateus Solano; e O Escândalo Philippe Dussaert, com Marcos Caruso). E a equipe técnica traz Paulo César Medeiros (luz), Mina Quental (cenário) e os irmãos Vilarouca (videografismo).

Sessão Bebê Bem-Vindo

Os pequenos também podem assistir à peça nas sessões Bebê Bem-Vindo, que acontecem aos domingos, às 11h, a cada 15 dias, sempre acompanhadas dos responsáveis. Trata-se de uma experiência que transforma ainda mais o ambiente harmônico da peça, além de proporcionar cenas belíssimas para os pequenos.

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Mãe Fora da Caixa

Com Miá Mello

Teatro das Artes – Shopping Eldorado (Av. Rebouças, 3970, Pinheiros, São Paulo)

Duração 80 minutos

10/01 até 26/04

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 18h (Sessões Bebê Bem-vindo aos domingos, às 11h – 15 em 15 dias)

$80/$90

Classificação 12 anos

O VENDEDOR DE SONHOS

Peça baseada no romance mais vendido do escritor Augusto Cury, O Vendedor de Sonhos faz nova temporada em São Paulo, no Teatro Fernando Torres, de 17 de janeiro a 29 de março de 2020. A adaptação do best-seller para o palco é de Augusto Cury, Erikah Barbin e Cristiane Natale, a direção é de Cristiane Natale e o elenco é formado pelos atores Luiz Amorim, Mateus Carrieri, Marcus Veríssimo, Maurício Colatoni, Adriano Merlini, Guilherme Carrasco e Fernanda Mariano.

A trama conta a história do personagem Júlio César (Mateus Carrieri), que tenta o suicídio e é impedido de cometer o ato por intermédio de um mendigo, o Mestre (Luiz Amorim), que lhe vende uma vírgula, para que continue a escrever a sua história. Juntos encontram Bartolomeu, um bêbado boa-praça que decide unir-se a eles na missão de vender sonhos e de despertar a sociedade doente. Mas a revelação de um passado conflituoso do Mestre pode destroçar a grande missão do Vendedor de Sonhos.

O livro O Vendedor de Sonhos já foi traduzido para mais de 60 idiomas e também virou filme – e é a primeira obra de Augusto Cury receber uma adaptação para o teatro. “Ver os atores interpretando no palco os personagens que eu construí nas mais diversas situações estressantes em que eles passaram, levando o espectador a fazer uma viagem para dentro de si mesmo para encontrar o mais importante endereço que poucos encontram, o endereço em sua própria mente, é de fato um grande prazer”, conta Cury.

Entre as diversas apresentações pelo Brasil, a peça vem atingindo em cheio os espectadores”, conta a diretora Cristiane Natale. Para ela, a correria no dia a dia acaba reprimindo a demonstração dos sentimentos, principalmente os medos. “Muitas pessoas não conseguem lidar com desafios e fracassos e acabam por viver um caos emocional“, enfatiza ela, que, entre os seus trabalhos de destaque, estão os infantis “A Bailarina Azul”, de Cecília Meireles, como autora e figurinista; e “Arca de Noé”, de Vinicius de Moraes, como produtora; atualmente, ela está em pré-produção do espetáculo “O Nome da Rosa”, de Umberto Eco, como autora e diretora; e em breve irá estrear “O Homem mais Inteligente da História”, parceria com Augusto Cury.

Para Luiz Amorim, que interpreta o Mestre, o texto tem uma função além da literatura. “É uma história muito humana, bonita, que nos traz identificação. Propõe uma reflexão, instiga pensamentos. Tudo isso me atrai bastante no texto”, diz ele, que esmiúça o seu personagem, o Vendedor de Sonhos: “Ele é riquíssimo, um homem que passou por muitas experiências, traumas na vida e desafios. Ele propõe caminhos que transformam a vida das pessoas. Você pode mudar o mundo através de sua própria mudança“.

Sentimos a boa recepção do público quando as pessoas contam suas experiências e como a peça, de alguma forma, modificou a vida delas“, conta Amorim, que coleciona em sua carreira grandes trabalhos, como as peças “Deus lhe pague” e “Sete minutos”, com Bibi Ferreira; o musical “Di repente”, com o Grupo Luz e Ribalta; entre outros. Além de passagens pela TV, como nas novelas “Chiquititas” e “Maria do Bairro” (SBT); e no cinema, em “Corda bamba” e “Sábado”.

Na pele de Julio César, Mateus Carrieri vem encarando um desafio. “Fazer esse texto, carro-chefe do Augusto Cury, me encanta. E é um desafio porque muitos espectadores vão assistir à peça já tendo lido o livro. É uma responsabilidade“, acredita ele, que interpreta o personagem que tenta se matar. “É um personagem que tem muitos problemas que afligem o homem moderno: a ansiedade, depressão, tristeza profunda e a tentativa de suicídio, que são males que assolam o nosso tempo. São temas que o Augusto Cury trata com maestria“, pontua.

Carrieri confessa que o texto mexeu com sua vida. “É claro que a gente leva para a nossa vida, refletindo sobre o que está dizendo no palco. Acho que é o pulo do gato da obra do Augusto Cury: fazer a gente refletir e tentar melhorar“, frisa ele, que na TV fez “Amor com amor se paga”, “De quina pra lua” e “Salomé” (Globo); “Chiquititas” (SBT); e “Louca paixão” e “Estrela de fogo” (Record); e no teatro, por quatro anos atuou no Centro de Pesquisa Teatral (CPT), com Antunes Filho, em “Nossa cidade”, que ganhou o Prêmio APCA, em 2013, como melhor espetáculo.

Como nasceu a adaptação do livro para o teatro

A ideia de transformar o livro “O Vendedor de Sonhos” para o teatro nasceu durante a realização das palestras do Dr. Augusto Cury, pela Applaus, com direção de Luciano Cardoso, com mais de 25 anos de experiência nos cenários musical e das artes. “Eu vinha percebendo que estava em franca expansão a questão de as pessoas discutirem as suas emoções, em especial um tema muito delicado, que é a prevenção ao suicídio. E sabendo da relação muito próxima de atores e plateia, o que poderia ser positivo para que tocasse as pessoas, como vem tocando pelo Brasil afora, apostamos. Para nós, é muito gratificante”.

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O Vendedor de Sonhos

Com Luiz Amorim, Mateus Carrieri, Adriano Merlini, Fernanda Mariano, Marcus Veríssimo, Maurício Colatoni e Guilherme Carrasco

Teatro Fernando Torres (Rua Padre Estevão Pernet, 588 – Tatuapé, São Paulo)

Duração 70 anos

17/01 até 29/03

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$80/$120

Classificação 10 anos

CASSINO

Maurício Dollenz é um chileno nascido na Argentina, conhecido por unir a mágica e a comédia. Trabalhou durante anos em cruzeiros ao redor do mundo e, nos últimos 10 anos, mora em São Paulo e faz shows em todo o Brasil.

Coleciona diversas apresentações em teatros e comedy clubs pelo país, além de ter sido destaque como atração internacional do Domingão do Faustão e entrevistado, por duas vezes, no programa The Noite com Danilo Gentili.

No dia 23 de janeiro de 2020, às 21h, Mauricio Dollenz apresenta o espetáculo Cassino no Paris 6 Burlesque. Os ingressos custam R$70 (couvert artístico) e estão disponíveis pelo link https://bileto.sympla.com.br/event/63532/d/77259.

Neste show, Mauricio vai mostrar tudo que acontece dentro de um cassino. Será uma noite surpreendente com trapaças, cartomagia, comédia e truques utilizando objetos do cotidiano.

Cassinos podem ser conhecidos pelos jogos de azar, mas neste caso será uma experiência extraordinária e divertida onde você só tem a ganhar.

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Cassino
Com Maurício Dollenz
Paris 6 Burlesque Music Hall & Night Bistro (Rua Augusta, 2809 – Jardins, São Paulo)
Duração 70 minutos
23/01
Quinta – 21h (abertura da casa – 20h)
$70
Classificação 14 anos

PARADA DAS LUZES

Idealizado pelos produtores Taís Somaio (Valentina Produções) e Fernando Vieira (Vagalume Light Performance), a capital paulista recebe a 1ª Parada das Luzes nos dias 14 e 21 de dezembro, com saída em frente ao Shopping Light para um desfile pelo centro da cidade a partir das 18 horas. A Parada das Luzes faz parte do projeto Festival de Natal de São Paulo e acontece no Triângulo SP, que traz um recorte especial do centro paulistano onde se situam os principais prédios históricos da cidade, entre eles o Largo São Bento, Pateo do Collegio e Largo São Francisco.

Levando a magia do Natal através de um espetáculo surpreendente, único e emocionante, artistas e bailarinos desfilam interpretando 60 personagens do mundo imaginário caracterizados como Fadas, Cristhmas Girls, Duendes, Soldados, Bailarinas, Flocos de Neve, Príncipes, Reis e Rainhas, Papai e Mamãe Noel entre outras criaturas mágicas iluminadas por centenas de lâmpadas. Os figurinos, confeccionados na Alemanha, chegam a pesar 15 quilos cada um e são feitos à mão, com aplicação de pedraria e luzes de led, cerca de 200 a 400 em cada roupa, que somam aproximadamente 20 mil lâmpadas.

Paulista de Guarulhos, Fernando Vieira, que vive na Alemanha, em Colônia, há 20 anos, é apaixonado por circo e teatro e idealizou o projeto nas ruas da Alemanha. Na época teve a ideia de reciclar os figurinos e iluminá-los com o maior número possível de lâmpadas de led. Graduado pela Escola Internacional de Circo em São Paulo onde ganhou experiência no palco, no cinema e na televisão, realiza com uma equipe internacional e multidisciplinar performances e shows em diversos festivais e parques temáticos em toda a Europa, como: Bélgica, Alemanha, Estônia, Islândia, Itália, Portugal, Escócia, entre outros.

Recolhi vários figurinos em teatros alemães. Eram figurinos usados em óperas. Dei a eles novas cores, novos formatos e acrescentei as luzes. Em cada figurino aplicamos cerca de 200 a 400 lâmpadas. Em 2004 começamos a viajar a Europa. Esse tipo de evento é muito tradicional por aqui e une música e performances teatrais e circenses.” Conta Fernando. No Brasil, Fernando, em parceria com a também produtora Taís Somaio, somaram forças para realizar a primeira edição da parada na capital.

Valentina Produções trouxe o projeto para o Brasil em 2017. Percorremos diversas cidades brasileiras e agora é o momento de mostrar esse trabalho incrível para a cidade de São Paulo.” Afirma Taís que pretende nos próximos anos percorrer vários estados brasileiros.

Trazemos o espetáculo para as ruas para que todos possam contemplar, de forma gratuita, a beleza desse evento, é o nosso presente para a cidade de São Paulo. É um acontecimento que reforça o espírito natalino, que emociona, une as pessoas, traz paz, reflexão e sobretudo, o espírito da solidariedade.

É um colorido incrível, fantástico. As pessoas ficam encantadas nessa época natalina. Para a confecção desses figurinos, peças únicas, leva-se até 2 meses para o resultado final. A parte elétrica aplicada possui um sistema de baterias que garante segurança e sustentabilidade a eles. As luzes dão um efeito maravilhoso nos nossos figurinos.” Conclui Taís.

O evento começa em frente ao Shopping Light, centro da cidade, e percorre as ruas do entorno até o Pateo do Colégio. Durante esse percursos, os artistas desenvolvem performances e ao final, de volta ao Shopping Light, acontece um show no local.

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Parada Das Luzes

14 e 21/12

Sábado – a partir das 18h

Saída em frente ao Shopping Light (R. Cel Xavier de Toledo, 23 – Centro Histórico, São Paulo)

Grátis

Classificação Livre

FALE SOBRE MIM

Transformar memórias, anseios e dores de estudantes da escola pública em arte. Esse é o objetivo da atriz, diretora e professora de Artes Cênicas Luiza Rangel que, junto com seus ex-alunos da Escola Municipal Vera Lúcia Chaves da Costa, no Conjunto Urucânia, localizado entre os bairros de Paciência e Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, formou um grupo de teatro. No dia 14 de dezembro (sábado), eles apresentam o espetáculo “Fale sobre mim” na Sala Paschoal Carlos Magno, na UNIRIO. No elenco estão a professora e os alunos Analya Britney (13 anos), Brenda Laura Coelho (13), Caio Nunes (13), Lucas Reis (14), Maria Paula dos Santos (13) e Wilson Ruan (15).

O espetáculo surgiu dentro da escola que a artista-docente leciona desde 2017. No último ano, ela propôs um trabalho focado em Teatro Documentário e no uso de narrativas autobiográficas na cena a partir da escuta dos alunos. Ao final do ano letivo, a professora reuniu um grupo de estudantes que frequentemente demonstrava interesse em se aprofundar na linguagem do teatro para encontros semanais fora do horário de aula. A pesquisa com adolescentes se mostrou um solo fértil e, durante o processo de criação de “Fale sobre mim”, a professora Luiza também se colocou na experiência de criar uma cena autobiográfica. A ação dissolveu a hierarquia entre os alunos e a educadora já que ambos assumiram o exercício de compartilhar suas narrativas e expor sua história pessoal.

O objetivo é convocar os estudantes a olhar as metáforas do mundo e a encontrar novos sentidos em seu cotidiano e em sua história de vida”, explica a professora Luiza Rangel. “Ainda existe pouca abertura para a experiência de escuta no espaço da escola.  Precisamos ouvir mais os alunos, suas famílias e valorizar suas contribuições. É importante proporcionar relações mais plurais, afetivas e humanas na escola”, defende a professora que, aos 27 anos, dá aulas para 580 alunos de 18 turmas do ensino fundamental.

Tendo como foco o trabalho com a memória, a autobiografia e o uso de arquivos em cena, a dramaturgia de “Fale sobre mim”, escrita pela professora e pelos alunos, está estruturada em dois atos. O primeiro é o ponto de vista da docente, suas impressões ao entrar em sala de aula, seu encantamento com a potência artística dos estudantes e também seu estranhamento diante de uma realidade árida e violenta. Já o segundo ato é a criação dos alunos, que tecem seu olhar sobre a adolescência, a escola, a família, a cidade, os sonhos e o tempo. O espetáculo traz também o olhar para um período de conflito pelo domínio de territórios entre grupos rivais, que assolou o conjunto Urucânia em 2018, uma região, até então, sem tantos relatos de violência. “Foi um período complicado e a escola chegou a fechar por dias. Isso afetou a vida de toda a comunidade. Tínhamos que falar sobre o que estava acontecendo. Eu precisava muito mais ouvir do que trazer propostas”, lembra a professora Luiza Rangel.

A partir daí, os alunos começaram a produzir textos e cenas, que foram costurados pela professora. “Além das narrativas oficiais, há os relatos dessas crianças da periferia, que têm pouco acesso aos equipamentos culturais, mas que estão produzindo com muita potência artística. Eu olho para a escola e vejo uma incrível pulsão de vida, alegria e potencial artístico em meio ao caos. Parte do meu trabalho é mostrar para os alunos que o teatro também é lugar deles, que o que eles fazem não é algo menor. A história desses jovens reflete uma questão mais ampla, que é social, cultural e econômica; por isso é importante de ser contada sob o ponto de vista deles”, diz a professora.

Para os alunos, o espetáculo “Fale sobre mim” é como um desabafo. Maria Paula, por exemplo, leva para a cena relatos e reflexões sobre racismo. Já Brenda, durante o processo criativo, começou a investigar suas origens, assunto que até então a deixava em dúvida. Wilson considera que montar a peça foi uma oportunidade de conhecer as diferentes histórias dos amigos, identificar-se e sentir empatia. Estar em cena é a melhor coisa que aconteceu na vida de Caio e ele acha que a professora Luiza é uma amiga especial, que extrai o melhor de cada aluno. Analya cita Frida Kahlo, artista que conheceu nas aulas de Artes. Lucas se lembrou de seu avô e do papel determinante que teve em sua vida, como um segundo pai.

Lembrar é um ato de resistência pois não se pode separar a história pessoal da história social. Lembramos para não deixar que esqueçam a história do sujeito comum, do morador de Urucânia, do professor e do aluno(a) de escola pública. É importante trazer o nosso ponto de vista sobre a cidade, já que as narrativas oficias são sempre centralizadas demais. Falar de si é um ato político e poético”, finaliza a professora.

Fale Sobre Mim

Com Analya Britney, Brenda Laura Coelho, Caio Nunes, Lucas Reis, Luiza Rangel, Maria Paula dos Santos e Wilson Ruan.

Sala Paschoal Carlos Magno – UNIRIO (Av. Pasteur, 436 – fundos – Urca, Rio de Janeiro)

Duração 60 minutos

14/12

Sábado – 16h

Grátis (distribuição de senhas a partir das 15h30)

Classificação Livre

FESTIVAL DE FÉRIAS NO TEATRO DR. BOTICA

O Teatro Dr. Botica celebra a chegada de dezembro com um FESTIVAL DE FÉRIAS.

Até o dia 22 de dezembro,  4 espetáculos infantis serão apresentados de quinta a domingo, com ingressos  promocionais por R$ 15,00. Para adquirir basta ficar ligado no site do teatro todas as quartas-feiras. Outras boas notícias é que professores tem preço especial e aniversariantes não pagam!

Diversão, música e muita pipoca embalam o Dr. Botica, teatro que abriga com  exclusividade produções destinadas ao público  infantil, com atendimento interpessoal, conforto, segurança e sua identidade olfativa. É claro que os familiares entram no clima e sempre são muito bem-vindos.

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DINOBABYS – O BERÇÁRIO JURÁSSICO

Duração: 50 minutos

Dias: 07, 08, 14 e 15/12

Sábados e Domingos | 17h

$50

AS AVENTURAS DO SÍTIO DO PICA PAU AMARELO

Duração: 60 minutos

Dias: 06, 07, 08, 13, 14, 15, 21 e 22/12

Sextas, Sábados e Domingos (Exceto 20/12) | 14h

$50

RAPUNZEL O MUSICAL

Duração: 60 minutos

Dias: 05 e 12/12

Quintas-feiras | 18h

$50

 

CAFÉ COM AS PRINCESAS

Duração: 80 minutos

Dias: Sextas, Sábados e Domingos | 10h30

Dias: 06, 07, 08, 13, 14, 15, 20, 21 e 22/12

$50

O BARÃO DAS ÁRVORES

Escola de Atores Wolf Maya apresenta, nos dias 10, 11 e 12 de dezembro (de terça a quinta, às 20h30) o espetáculo O Barão das Árvores, de Italo Calvino. A montagem, dirigida por Thierry Tremouroux, é um estudo sobre o livro homônimo do autor.

As sessões acontecem no Teatro Nathalia Timberg, com elenco formado por alunos da Turma M6B da instituição.

A peça conta a história de um garoto que, revoltado com o comportamento dos pais, decide subir às árvores e ficar lá em cima para sempre. Um simples ato de rebeldia infantil de Cosme transforma-se na sua forma de ver o mundo. Sua intenção não era estar mais próximo do céu. “Aquele que pretende observar bem a terra deve manter a necessária distância“, justifica o protagonista. E o mundo que o autor nos revela é um universo de ideias e experiências recheado por um humor fino e sofisticado.

Italo Calvino (1923-1985) foi um dos mais importantes escritores italianos do século XX. Nasceu em Cuba, pois seus pais eram cientistas italianos e estavam de passagem pelo país. Sua literatura é considerada sincera, delicada e extremamente ágil. Participou da resistência ao fascismo durante a Segunda Guerra Mundial. Foi membro do Partido Comunista Italiano, tendo se desfiliado em 1957, cuja carta de renúncia ficou famosa. Seu primeiro livro foi A Trilha dos Ninhos de Aranha, publicado em 1947, e uma de suas obras mais conhecidas é As Cidades Invisíveis, de 1972.

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O Barão das Árvores

Com Rodrigo Calonga, Carolina Bonani, Caroline Moreira, Emily Matte, Giliane Mattos, Giuliana Zigoni, Juliana Kaizer, Kellen Rosostolato, Leo Acorci, Leo Machado, Marcelle de Oliveira, Marina Ghermer, Mathson Castro, Mayara Luz, Renan Reis, Savio Oliveira, Shayanne Fonseca, Vinicius Moreno e Yas Carvalho

Teatro Nathalia Timberg – Freeway Center (Av. das Américas, 2000 – Barra da Tijuca, Rio de Janeiro)

Duração 90 minutos

10 a 12/12

Terça, Quarta e Quinta – 20h30

$10

Classificação 12 anos