ÁGUA DOCE

Cia da Tribo circula até o final do ano por 20 parques de São Paulo com o espetáculo Água Doce, peça de teatro para toda a família, que utiliza figuras do folclore brasileiro para conscientizar o público sobre a imensidão de rios que circulam abaixo dos nossos pés, tamponados ou encanados durante um processo de urbanização desenfreada. Criada em 2018, a peça já cumpre uma trajetória de sucesso, conquistando o Prêmio APCA de Melhor Espetáculo de Rua e o Prêmio SP de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem na categoria Sustentabilidade.

Em novembro, Água Doce passa ainda no parque Raul Seixas (30/nov, às 16h, em Itaquera). As datas agendadas seguem até dezembro, dia 22, quando finalizam a circulação do espetáculo no Parque Santo Dias, na zona sul, no Capão Redondo.

A nova temporada de Água Doce tem apoio da 9ª edição do Prêmio Zé Renato de Apoio à Produção e Desenvolvimento da Atividade Teatral para a Cidade de São Paulo. Até agora, o espetáculo realizou cerca de oitenta apresentações em espaços próximos ou exatamente localizados acima de rios soterrados. “Com este trabalho pretendemos lançar um olhar para os nossos rios, que apesar de escondidos, continuam lá e são referências culturais”, completam os diretores Milene Perez e Wanderley Piras.

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Em 2018, o geógrafo Luiz de Campos Junior, um dos fundadores do projeto Rios & Ruas, afirmou que ninguém na cidade de São Paulo está a mais de 300 metros de distância de um curso d’água subterrâneo. De acordo com a Prefeitura, a cidade tem 280 cursos mapeados e nomeados – o Rios & Ruas estima que esse número possa chegar a 500, o que totaliza cerca de 3.000 km de extensão.

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Segundo Milene, o processo de criação da peça ganhou força quando ela e Wanderley, ao realizarem uma aula de artes para crianças em um parque, tiveram um aluno que disse estar ouvindo um som de água corrente. Os professores levantaram uma tampa de bueiro e descobriram, junto com a turma, que abaixo deles corria um rio. “Todos nós ficamos olhando para ele e a experiência foi muito impactante, além de ter mudado a relação que aquelas crianças tinham estabelecido com os rios até então, que muitas vezes são tidos apenas como sujos ou causadores de enchentes“, conta a diretora.

A partir dessa experiência, a Cia da Tribo buscou nas lendas e costumes dos povos ribeirinhos os elementos para a criação do trabalho. Os bonecos, que representam figuras folclóricas como Iara, a Mãe do Rio; Cabeça de Cuia; Jaguarão; Pirarucu e Cobra Grande foram confeccionados pelo artista plástico Adriano Castelo Branco a partir de materiais reutilizáveis. “Os bonecos chamam tanta atenção que até deixamos eles à mostra do público depois das apresentações, criando uma espécie de exposição ao ar livre“, diz Milene.

Os artistas da Cia do Tribo contam que mesmo com as questões sobre a preservação da natureza estarem em evidência no espetáculo, ele não se impõe como uma peça panfletária ou didática, fazendo uso da linguagem poética para que o público entenda por conta própria as questões que estão sendo tratadas. Uma das alegorias da peça é de Iara, que vive exilada na pororoca (o encontro das correntes de um rio com as águas oceânicas) e que observa como a inveja e a ganância, podem fazer mal à natureza, matando os peixes e secando os rios.

São muitos os rios soterrados e retificados na cidade, como Anhangabaú, Ipiranga, Tamanduateí, entre outros”, contam Milene e Wanderley. “São rios caudalosos colocados em canos“, afirmam. Os artistas complementam que o processo de retificação é muito agressivo, pois os cursos dos rios são muito sinuosos e, para que eles cumpram uma rota específica, tiveram as margens cimentadas ou foram encanados, a partir de uma justificativa de erguimento da cidade.

SINOPSE

A peça trata da relação do homem com a água doce, dando destaque aos rios brasileiros por meio do mito da Iara e de outros seres folclóricos presentes nas comunidades ribeirinhas. Com texto, cenografia, figurinos, trilha sonora e criação de bonecos originais, o espetáculo traz à tona rios, córregos e nascentes que foram esquecidos pela urbanização nas grandes cidades. A Cia da Tribo, com sua linguagem cênica voltada para a cultura popular em diálogo com a contemporaneidade, apresenta lendas e personagens brasileiros como Iara, a Mãe do Rio; Cabeça de Cuia; Jaguarão; Pirarucu; Cobra Grande, entre outros.

FACE (1)

Água Doce

Com Alef Barros, Geovana Oliveira, Milene Perez e Wanderley Piras

Duração 50 minutos

Obs: as datas/ horários podem sofrer mudanças a partir de condições climáticas

Classificação Livre

 01/dez, às 16h

Parque Luís Carlos Prestes – Rua João Della Manna, 665 – Jardim Rolinópolis

07/dez, às 16h

Parque Raposo Tavares – R. Telmo Coelho Filho, 200 – Jardim Olympia

14/dez, às 11h e 16h

Parque Cordeiro – Martin Luther King – R. Breves, 968 – Chácara Monte Alegre

15/dez, às 11h e 16h

Parque da Aclimação – Rua Muniz de Sousa, 1119 – Aclimação

20/dez, às 11h e 16h

Parque Ecológico Chico Mendes – R. Catanduva – Jardim Paulista, Várzea Paulista

21/dez, às 16h

Parque Nabuco – R. Frederico Albuquerque, 120 – Jabaquara

22/dez, às 16h

Parque Santo Dias – R. Arroio das Caneleiras, 650 – Conj. Hab. Instituto Adventista

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