ENCERRAMENTO DO AMOR

Versão brasiliense da obra Clôture de l’Amour do dramaturgo francês Pascal Rambert, o espetáculo Encerramento do Amor estreia dia 24 de janeiro, sexta-feira, às 21h, no Viga Espaço Cênico. O texto tem tradução de Marcus Vinícius Borja, direção de Diego Bressani e traz no elenco Ada LuanaJoão Campos e Taís Felippe. A curta temporada segue até 2 de fevereiro, com sessões sextas e sábados às 21h e domingo às 19h.

Em uma discussão que precede o fim de um relacionamento, apenas uma pessoa fala ininterruptamente, separados apenas por um breve número de sapateado. Dentro de uma grande sala, uma mulher e um homem conversam, é ele que começa o diálogo. Ela escuta, atenta, e lhe responde com um segundo monólogo. Eles evocam sua separação, falam do antes e do agora. Eles têm armas iguais, mas não as utilizam da mesma maneira. Há dois olhares, dois silêncios, dois discursos para dizer sobre a violência de um amor que vive seus últimos suspiros diante do público.

Para o diretor Diego Bressani, o texto foi o foco principal no processo de montagem. “Pesquisamos subsídios que pudessem favorecer esse elemento em sua forma mais essencial, buscando experimentar e colocar em cena só o que julgássemos realmente necessário. Trabalhamos muito com a ideia de uma instalação sonora, em que cada um faz o seu monólogo para encerrar, à sua maneira, aquela relação. A partir daí, outros elementos surgiram da forma mais simples e orgânica possível. Procuramos seguir o texto original à risca e abraçar, à nossa maneira, as propostas por ele sugeridas”, explica.

O desejo de montar a versão brasileira veio da atriz Ada Luana, que viu na ousadia do texto não somente um grande desafio como intérprete, mas também a potencialidade das relações humanas. O tradutor Marcus Vinícius Borja assistiu o espetáculo em sua estreia na França em 2011. Muito impactado com a obra, surgiu a ideia de montar uma versão brasileira com a atriz, mas a distância impossibilitou a parceria.  A peça estreou no Cena Contemporânea 2018 – Festival Internacional de Teatro de Brasília – e passou também pelo Festival do Teatro Brasileiro/Janeiro de Grandes Espetáculos, em Recife.

Ada convidou, então, o ator João Campos e seus parceiros do grupo S.A.I (Setor de Áreas Isoladas), Diego Bresani e Taís Felippe para realizar a montagem. “Por meio dos caminhos de direção e atuação decidimos expandir a discussão sobre o término de um relacionamento também para as questões de gênero. O abuso emocional nas relações afetivas, a violência psicológica, o machismo, o empoderamento feminino, temas atuais e urgentes. Nesse sentido, creio que há um diálogo direto com o conceito de ‘amor líquido’, do filósofo francês Zygmunt Bauman (1921-2017)”.

A peça não trata, necessariamente, de um amor romântico, no sentido mais clássico e tradicional da palavra. É um retrato atual da humanidade e suas relações afetivas, de gênero. É real, sem filtros, um espelho muito próximo para os espectadores. E muitas vezes incômodo. Levamos à cena um amor em transição, que busca um caminho ao se ver perdido, muitas vezes atropelado pela velocidade e urgências do mundo”, completa João Campos.

A pesquisa do grupo sobre a obra de Pascal Rambert se debruça sobre o verbo e a escuta como elementos estruturantes na construção da narrativa e condução da expressividade no palco. O formato contemporâneo proposto pela encenação do texto francês remete o espetáculo à uma intensa paisagem sonora. A distância entre os corpos no palco, a limpeza e simplicidade do figurino e cenografia e a iluminação fria reforçam e conduzem o foco da experiência cênica ao trabalho dos atores, ao ato de falar e de ouvir.

Não há nada mais universal do que esse sentimento que tanto nos fascina e nos corrói. E o término dessa relação, escrito de forma tão genial por Pascal Rambert, acaba por abarcar diversos outros temas fundamentais para serem debatidos hoje, não só no Brasil, mas no mundo todo: afeto, família, incomunicabilidade, liberdade, violências contra mulher, machismo. Tudo vem à tona quando se decide falar de forma tão visceral sobre o amor”, fala João Campos.

Encenada pela primeira vez no Festival de Avignon em 2011, a peça recebeu o Grand Prix de Literature Dramatique em 2012, assim como o prêmio de melhor atriz e autor no Palmarés du Théâtre 2013. O texto foi escrito para os atores franceses Audrey Bonnet e Stanislas Nordeye. Após a temporada francesa, surgiram diversas versões da peça com atores de diferentes culturas e línguas.

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Encerramento Do Amor

Com Ada Luana, João Campos e Taís Felippe

Viga Espaço Cênico (R. Capote Valente, 1323 – Pinheiros, São Paulo)

Duração 80 minutos

24/01 a 02/02

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$30

Classificação 14 anos

ESTE CORPO QUE NÃO TE PERTENCE

Cia. dos Bonitos reestreia o espetáculo Este Corpo que Não Te Pertence no dia 9 de janeiro (quinta) no Espaço Parlapatões, às 21 horas. Com texto e direção de Djalma Lima, a comédia conta a hilária história de um militar idoso que planeja trocar de corpo com seu sobrinho jovem por meio de um beijo.

Um jogo ágil e divertido se estabelece entre atores Cleber ToliniEdson GonçalvezRick ConteVan Manga e Vânia Bowê. Todos interpretam todas as personagens de forma inesperada e surpreendente. A temporada de Este Corpo que Não Te Pertence segue até o dia 29 de outubro com sessões sempre às terças-feiras, às 21 horas.

Mascarenhas é um general aposentado e rico que pretende voltar a ser jovem. Para isso, ele planeja trocar de corpo com o ingênuo Henrique, seu jovem sobrinho, e contrata uma mãe de santo que tem o poder de fazer a troca de corpos por meio de um beijo. Paralelamente, a esposa infiel do militar se une ao médico da família para seduzir o rapaz, envenenar o marido e ficar com toda a fortuna. Sem saber dos planos, o sobrinho comparece a uma leitura do testamento do general, em vida, ignorando que seu corpo seja o objeto mais desejado da noite. Sem condições físicas de beijar o sobrinho à força, o general acaba trocando de corpo com outras pessoas, descobrindo seus segredos e verdadeiras intenções.

Desde 2005, a Cia. dos Bonitos se destaca pela produção de comédias. Suas montagens exploram todos os gêneros, desde a comédia de costumes às sátiras e aos experimentos inusitados, usando de referências pops e propondo à plateia um jogo vivo e participativo que valoriza o trabalho do ator e sua capacidade cômica. Seus espetáculos são: Smack! Foi um Beijo Tipo Assim…! (2008), Eu não matei P… Maluf! (2010), Como Adestrar um Chefe Selvagem (2013), Bom Dia Patrão (2016) e Este Corpo que Não Te Pertence (2019).

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Este Corpo Que Não Te Pertence

Com Cleber Tolini, Edson Gonçalvez, Rick Conte, Van Manga e Vânia Bowê

Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158 – Consolação, São Paulo)

Duração 70 minutos

09/01 a 27/02/20

Quinta – 21h

$50

Classificação 12 anos

FALE MAIS SOBRE ISSO

Em 2012, Flávia Garrafa começava a escrever a sua primeira dramaturgia. Em três dias, o texto do espetáculo Fale Mais Sobre Isso ficou pronto, mas foi só depois de 3 anos, em março de 2015, que aconteceu a estreia, com direção de seu irmão, Pedro Garrafa e idealização de seu namorado, Pedro Vasconcelos.

De lá para cá, foram o espetáculo já se apresentou em mais de 6 cidades (São Paulo, São José dos Campos, Rio de Janeiro, Natal, Poá e Extrema) pelo Brasil. Em janeiro de 2020, o espetáculo faz uma temporada comemorativa. São 5 anos em cartaz e uma novidade: a continuação da peça, Faça Mais Sobre Isso, já está escrita e tem previsão de estreia para abril de 2020.

A nova temporada de Fale Mais Sobre Isso acontece no Teatro Renaissance, de 18 de janeiro a 28 de março de 2020, todos os sábados, às 18h30.

Fale Mais Sobre Isso é a realização de um desejo de levar para o palco a junção das duas formações de Flávia Garrafa: psicóloga e atriz. “O texto busca mostrar o lado da terapeuta. As falas das outras personagens acabam por decifrar quem é a psicóloga, seus medos e questões”. Com 25 anos de carreira na TV, no teatro e no cinema, Flávia Garrafa assina como uma das colaboradoras do roteiro da nova série do canal GNT, que será lançada no segundo semestre de 2020, Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, e, em março, ela participa como atriz da série policial Os Ausentes, no canal TNT.

Na trama de Fale Mais Sobre Isso, a terapeuta Laura está na faixa dos quarenta anos e, como a maioria das mulheres, divide seu tempo entre cuidar da família e da carreira. Em seu consultório, ela atende Sr. B, um jovem de cerca de 30 anos que tem a organização e a metodologia como lemas de vida; da Sr. C, que foi trocada por uma mulher mais jovem e, ao invés de sentir tristeza, fica feliz e sente-se culpada por isso; do Sr. D, que acredita ser Deus; e de Alice, uma senhorinha doce de 78 anos que nunca conseguiu falar o que realmente sente.

 “Os pacientes são inspirados na vida real, mas não em uma experiência minha como psicóloga ou de qualquer outra pessoa. Eu pensei em como seriam essas pessoas no psicólogo. Acho que são tipos muito comuns que se comportariam de maneira muito peculiar em um consultório e dariam muito material para o terapeuta. É muito importante que os casos não se resolvam todos, porque a psicologia não é magia, não é conto de fadas. É a vida real, e, como em qualquer outra profissão da saúde, às vezes os problemas não têm solução”, explica Flávia.

Além da vida real, outra inspiração para a peça foi o romance “Mentiras no Divã”, de Irvin D. Yalom. “A partir desse livro eu comecei a ver como um consultório pode ser ficcionalmente interessante. Reli também muitos volumes do Freud, como ‘A Interpretação dos Sonhos’, e conversei com muitos psicólogos. Na verdade,  continuo conversando com eles e mudando sempre a peça, porque isso é fundamental”, acrescenta.

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Fale Mais Sobre Isso

Com Flávia Garrafa

Teatro Renaissance – Hotel Renaissance (Alameda Santos, 2233 – Jardim Paulista, São Paulo)

Duração 70 minutos

18/01 até 28/03

Sábado – 18h30

$60

Classificação 14 anos

ALMA DESPEJADA

Com texto poético e bem-humorado de Andréa Bassitt a instigante montagem Alma Despejada, interpretada por Irene Ravache e dirigida por Elias Andreato, reestreia no dia 10 de janeiro, sexta, no Teatro Folha, às 21h30.

A peça conta a história de Teresa, uma senhora com mais de 70 anos que, depois de morta, faz sua última visita à casa onde morava. O imóvel foi vendido e sua alma foi despejada.

Teresa era uma professora de classe média, apaixonada por palavras, que teve dois filhos com Roberto, seu marido, homem simples, trabalhador, que se tornou um empresário bem-sucedido e colocou sua a família no ranking de uma classe média emergente.

Em sua visita derradeira, Teresa se lembra de histórias e pessoas importantes em sua vida como a funcionária Neide, que trabalhou em sua casa por 30 anos, e sua melhor amiga Dora. A personagem transita entre o passado e o presente, do outro lado da vida, sempre de maneira poética e bem-humorada.

A peça foi escrita especialmente para Irene Ravache. “Conheço Irene já há algum tempo e sempre conversamos muito sobre a vida: o país, a política, a família e tantas outras coisas. Muitas vezes pensamos de um jeito parecido, e essa afinidade foi bastante inspiradora. A ideia era falar sobre isso tudo, sem medos nem críticas, mas com humor e delicadeza. Ao longo do processo, a história acabou tomando um rumo inesperado para mim, mas que não havia como evitar, uma vez que vivemos momentos de grande impacto na nossa história e o teatro sempre acaba refletindo essas situações”, conta Andréa Bassit.

Sobre a peça, Irene Ravache comenta: “Fiquei fascinada com esse texto e sua poesia. É muito delicado e fala da memória de uma mulher na minha faixa etária. Mesmo sabendo que a personagem está morta, não é uma peça triste, pesada ou rancorosa e fala muito mais de vida do que de morte. Eu adoro esse tipo de possibilidade que o teatro oferece. E não tenho medo de misturar essas coisas, porque isso faz parte da vida. Nossa vida não é linear. Ela tem essas nuances”.

Essa mulher é apresentada diante de sua própria vida, e, a partir dessa visualização, ela encontra o entendimento da sua existência. É como se precisássemos abandonar a matéria para sermos conscientes de nós mesmos. A psicanálise e o teatro estabelecem este mesmo jogo. Talvez, precisemos descobrir intensamente o nosso mundo, onde o sagrado possa nos confortar”, revela o diretor Elias Andreato.

A teatralidade do texto de Andrea Bassitt (que também escreveu as peças As Turca e Operilda na Orquestra Amazônica) instiga o espectador a seguir uma história aparentemente trivial, mas que tem uma trajetória surpreendente, em sintonia com a nossa sociedade e os fatos atuais.

A memória é assustadora quando ela nos falta e encantadora quando ela nos ajuda a contar nossas histórias. Na peça, lidamos com a memória, como a personagem, sem medo de enfrentar nossos demônios e nossos momentos sonhados”, acrescenta Andreato.

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Alma Despejada

Com Irene Ravache

Teatro Folha – Shopping Pátio Higienópolis (R. Dr. Veiga Filho, 133 – Higienópolis, São Paulo)

Duração 80 minutos

10/01 até 29/03/20

Sexta – 21h30, Sábado e Domingo – 20h

$70/$80

Classificação 14 anos