CAIO, QUANDO O AMOR NÃO VEM

Homenagem ao autor Caio Fernando Abreu, o monólogo CAIO, QUANDO O AMOR NÃO VEM estreia dia 12 de março, quinta-feira, às 21h, no Espaço Parlapatõesem curta temporada.

O texto inédito, de Antonio Ranieri, que também atua no solo, narra a história de Pedro, um homem que, no final da vida, conclui que nunca teve coragem de viver seu verdadeiro amor. A montagem tem direção de Elder Sereni e Lucas Sancho.

Eu queria fazer um espetáculo solo baseado na obra do Caio, após ler muito sobre a sua obra, eu me encantei com a sua história! No entanto, tudo acabou virando pesquisa para um texto inédito, que se tornou uma homenagem ao Caio. Foram sete anos de pesquisa sobre sua vida e obra, o amor na terceira idade, e uma imersão na cultura LGBTQ nos últimos 70 anos, focando muito na região central da cidade de São Paulo, onde é um local há décadas que abriga com carinho a comunidade”, afirma Antonio Ranieri.

Em CAIO, QUANDO O AMOR NÃO VEM, Pedro, ao completar 70 anos, descobre que está morto afetivamente para o mundo e sente a necessidade de entender quando, como e o porquê isso aconteceu, o tornando um homem sem sonhos. Por meio do resgate das suas memórias ele relembra os três amores que teve na sua vida e questiona o peso e as consequências das suas próprias escolhas.

A montagem é dividida em três histórias de amor que formam uma narrativa decrescente, o personagem começa com 70 anos, passa para os 50 e termina com 30. Elder Sereni dirige a 1ª e 3ª partes e Lucas Sancho a 2ª. “A escolha estética e discursiva da direção de cada história criou a dialética entre as partes que compõe o espetáculo, somadas elas geram a potência necessária para tratar da vida de Pedro, tão variada quanto os amores que teve”, finaliza o ator.

A direção do Elder e Lucas é focada no trabalho do ator, por isso optaram, junto do cenógrafo e figurinista Márcio Macena, na criação de uma atmosfera intimista, que ressalta o que dramaturgia propõe. A trilha sonora, do dramaturgo, reflete bastante a sua pesquisa, buscando retratar uma época fervilhante e única em sua forma de pensar, vestir, sonhar e lutar pelo futuro, como foi a década de 80. A iluminação precisa é de Kuka Batista.

O espetáculo tem projeção de Allan Ferreira e Ana Trevisan; provocação cênica de Lana Sultani; assistência de direção de Marina Assis; produção executiva de Morena Carvalho; direção de produção de Antonio Ranieri e realização da A.R Produções Artísticas e A Minha Cia de Teatro.

FACE

Caio, Quando o Amor Não Vem

Com Antonio Ranieri

Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158 – Centro, São Paulo)

Duração 60 minutos

12/03 a 03/04

Quinta e Sexta – 21h

$50

Classificação 10 anos

AMOR EM 79:05″

O ator Josemir Kowalick volta ao cartaz com o espetáculo Amor em 79:05”, na Giostri Livraria Teatro. A reestreia acontece no dia 7 de março, sábado, às 21 horas. A montagem é uma adaptação do diretor Elias Andreato para o livro homônimo de Vinícius Márquez, cuja estreia foi em 2016.

Com abordagem contemporânea, a montagem apresenta um escritor de meia idade em momentos de solidão, vivenciando o amor em seus múltiplos sentidos. Amor em 79:05” mostra os sentimentos, as frustrações, os desejos e as derrotas da personagem sob intensa égide poética.

E em pleno momento criativo, o homem imagina seu encontro com um jovem e belo rapaz (vivido por Eduardo Ximenes) e relata um cotidiano fictício desse relacionamento homoafetivo. Ele expõe as dificuldades da relação, alternando devaneios, discussões e momentos de ternura. As imagens são difusas. O jogo entre imaginação e realidade sugere também a possibilidade de ser o jovem quem escreve a história. “O que fica claro na peça é a certeza de que o artista é capaz de todas as fantasias. Para falar de uma dor é preciso inventar uma história”, comenta o diretor Elias Andreato.

A presença desse jovem em cena não tira o caráter de monólogo da peça, pois sua presença é quase etérea. Os diálogos não chegam a ocorrer, são solitários. A presença do interlocutor – imaginário ou não – reforça o sentido das palavras e atinge de forma eficaz aquele a quem são destinadas. “O jovem representa a presença da ausência nesse momento de amor e dor”, explica Josemir Kowalick. “Esse rapaz pode representar também um desejo do escritor, projetado em sua cama”, completa o diretor.

Andreato argumenta que Amor em 79:05” discute a relação do tempo com o amor e a solidão. “O texto mostra a intensidade de um relacionamento, independente da opção sexual, e nos faz pensar nas relações afetivas que, hoje, são tão efêmeras, quando não se valoriza o contato direto, quando a tecnologia pode substituir a intensidade do toque, do olhar próximo”. Ele completa: “há falta de tempo para falar de si, das angústias; muitas pessoas querem mesmo é provar publicamente, nas redes sociais, o quanto são felizes”.

A trilha sonora original do espetáculo – assinada por Fábio Sá – traz duas canções com letras de Elias Andreato, interpretadas (em gravação) por Josemir Kowalick. O diretor também criou o cenário (o quarto do escritor) com poucos objetos: poltrona, cama e persiana (esta possibilita frestas e transparências sem delimitar ou fechar o ambiente). A cenografia é composta também por projeções que reportam à natureza, sugerindo um universo lúdico em contaste com as dores expostas pela personagem. A ficha técnica tem ainda Leo Sgarbo no figurino, Rodrigo Alves “Salsicha” na iluminação e Daniel Torrieri Baldi na produção.

Para Josemir Kowalick, a montagem propõe cumplicidade com o público, ao apresentar questões afetivas inerentes a todas as pessoas de forma sensível e, ao mesmo tempo, dura e direta. “Sempre é importante falar de amor, em todos os tempos, principalmente agora”.

Este é um momento ímpar para Josemir Kowalick em 29 anos de carreira como ator e diretor teatral, 19 deles dedicados também à docência em artes cênicas. Seus trabalhos mais recentes foram Ator Mente (de Steven Berkoff, direção de Marco Antônio Pâmio), Abajur Lilás (de Plínio Marcos, direção de André Garolli), Os Anjos da Praga (de Marcelo Marcus Fonseca) e Pano de Boca (de Fauzi Arap, direção de Marcelo Marcus Fonseca). O artista lembra também com afeto que dirigiu ator e crítico teatral Alberto Guzik (1944-2010) em O Monólogo da Velha Apresentadora, sua última incursão em cena.

Amor em 79:05

Com Josemir Kowalick e Eduardo Ximenes

Giostri Livraria Teatro (Rua Rui Barbosa, 201 – Bela Vista, São Paulo)

Duração 60 minutos

07/03 a 26/04

Sábado – 21h, Domingo – 20h

$60

Classificação 14 anos

CAROS OUVINTES

Visto por mais de 70 mil espectadores, o premiado espetáculo Caros Ouvintes, com texto e direção de Otávio Martins, volta em cartaz no Teatro Vivo a partir de 4 de março. A peça estreou em 2014, venceu os principais prêmios do teatro paulistano, como o Shell e o Aplauso Brasil, além de ter recebido destaque no site Times Square Chronicles.

O elenco é formado por Marcello Airoldi, Thiago Albanese, Agnes Zuliani, Natállia Rodrigues, Eduardo Semerjian, Alex Gruli, Carol Bezerra e Léo Stefanini.

Caros Ouvintes é uma comédia sobre o começo das telenovelas, sob o ponto de vista dos atores que faziam sucesso nas radionovelas. Na década de 1960, quando os aparelhos de televisão começaram a fazer parte das casas brasileiras, o público começou a prestar atenção não somente na voz dos personagens, mas também em sua imagem. Assim, muitos atores que faziam sucesso no rádio começaram a temer a TV: muitos galãs eram gordinhos e carecas, muitas mocinhas já eram senhoras.

Na comédia, a ação se passa numa das últimas emissoras a produzir radionovelas. O elenco prepara uma grande apresentação ao vivo, para depois se despedir do público em um palco armado do lado de fora da rádio.

Vicente (Marcello Airoldi), o produtor da radionovela, mantém com a atriz Conceição (Natállia Rodrigues) um caso amoroso que entra em colapso quando ela é chamada para estrelar uma telenovela. Empenhado para que o último capítulo seja impecável, Vicente conta com a absoluta lealdade e profissionalismo do sonoplasta Eurico (Alex Gruli) e do locutor Wilson (Eduardo Semerjian).

Vespúcio (Thiago Albanese), o publicitário, quer que o casal romântico da rádio repita a dose na telenovela que seu cliente irá patrocinar, despertando ódio no ex-galã Péricles Gonçalves (Léo Stefanini), Ermelinda Penteado (Agnes Zuliani) e a cantora decadente Leonor Praxades (Carol Bezerra). A série de atritos é desencadeada quando o anúncio de que o patrocinador passará a produzir telenovelas vem à tona, colocando em risco o final da radionovela.

FACE

Caros Ouvintes 

Com Agnes Zuliani, Alex Gruli, Carol Bezerra, Eduardo Semerjian, Léo Stefanini, Marcello Airoldi, Natállia Rodrigues e Thiago Albanese.

Teatro Vivo (Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 – Morumbi, São Paulo)

Duração 100 minutos

04/03  a 29/04

Quarta – 20h

$50

Classificação 12 anos

O MENINO DAS MARCHINHAS – BRAGUINHA PARA CRIANÇAS

Sucesso de público e de crítica, o musical infantil O Menino das Marchinhas – Braguinha para Crianças volta ao cartaz, no dia 07 de março, para quatro apresentações no Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea, esticando o Carnaval por mais duas semanas. O espetáculo faz parte do projeto ‘Grandes Músicos para Pequenos’, criado pela produtora Entre Entretenimento com o objetivo de levar para os palcos nomes importantes da cultura brasileira em montagens que mesclam biografia e canções do artista escolhido. Fazem parte do projeto também “Raulzito Beleza”, “Bituca”, “Tropicalinha” e “Luiz e Nazinha”.

Grandes sucessos como “Balancê”, “Cantores do Rádio”, “Pirulito que bate bate”, “Carinhoso”, “Chiquita Bacana”, “Pirata da Perna de Pau”, “Tem Gato na Tuba”, “Yes, nós temos bananas” transportam o público aos divertidos carnavais de rua da década de 20. O resultado é um programa que agrada a toda a família. “Durante as temporadas anteriores, era comum vermos avós e netos numa sessão e aquela mesma avó em outra sessão sem os netos, mas com as amigas”, conta o diretor do espetáculo Diego Morais. “Nossa ideia é criar espetáculos com conteúdo atraente para as famílias, para aproximar as gerações”, destaca Pedro Henrique Lopes, autor do texto e ator do musical.

A peça conta a história de Carlinhos, um garoto que ouvia música em todo lugar por onde passava. A avó dele, pianista clássica, sempre estimulava a musicalidade do menino, mas o pai era contra. Carlinhos se junta a alguns amigos de escola e começa a criar belas canções de Carnaval. De forma engraçada e emocionante, O Menino das Marchinhas – Braguinha para Crianças trata de temas como o valor da família, da amizade e das relações humanas, a perseverança na busca por um sonho, a criatividade e a cooperação artística entre as crianças.

O Menino das Marchinhas – Braguinha para Crianças

Com Pedro Henrique Lopes, Erika Riba, Augusto Volcato, Jean Pontes e Beto Vandesteen

Teatro Clara Nunes – Shopping da Gávea (Rua Marques de São Vicente, 52 – Gávea – Rio de Janeiro)

Duração 50 minutos

07 a 15/03

Sábado e Domingo – 16h

$70

Classificação Livre

CRIANCEIRAS

Concebido para aproximar as crianças do universo artístico e literário do poeta Manoel de Barros (1916-2014), o musical CRIANCEIRAS tem quatro novas apresentações no Teatro-D, entre os dias 7 e 28 de março, aos sábados, sempre às 16h.

O espetáculo, concebido pelo músico Márcio de Camillo, transforma poemas desse grande autor brasileiro em canções, que são apresentadas ao público infantil junto com ilustrações, animações, projeções de vídeo e várias outras linguagens artísticas.

As personagens, que foram ilustradas pela filha do poeta, Martha Barros, saem do papel e ganham vida no palco, por meio de recursos digitais e de outras linguagens, interagindo com o cantor, músicos e atores ao longo do musical.

O projeto utiliza metalinguagens que despertam a curiosidade e o amor pelo mundo das artes. “Ao mergulhar em sua obra, percebi o quão lúdico é aquele universo de encantamento e descobertas, vividas pelo poeta em sua infância pantaneira. Assim, musiquei sua obra para as crianças, de forma que seus versos pudessem ser entoados como o canto dos passarinhos, e levados com o vento, sem direção”, conta o idealizador e realizador do projeto, o cantor e compositor sul-mato-grossense Márcio de Camillo.

O primeiro CD – Crianceiras Manoel de Barros – também rendeu um aplicativo com conteúdo educativo disponível para download gratuito na Googleplay e Appstore. Tanto os CDs, como o musical e App, possuem um grande viés educativo e têm sido cada vez mais utilizados por professores e educadores como ferramenta pedagógica para aproximar seus alunos e educandos de obras literárias de importantíssimo valor para a cultura brasileira. Ensina poesia e literatura de um jeito divertido, sem subestimar os pequenos, valorizando-os plenos e capazes de compreender poesia. Até porque toda criança nasce meio poeta. Pais, mães e educadores sabem bem disso!

Crianceiras

Com João Bresser e Driely Palácio; os músicos Márcio De Camillo, Nath Calan e Tiago Sormani; e o VJ Paulo Higa

Teatro – D – Hipermercado Extra Itaim (Rua João Cachoeira, 899, Piso G2 – Itaim Bibi, São Paulo)

Duração 50 minutos

07 a 28/03

Sábado – 16h

$80 (Moradores do Itaim Bibi pagam meia com comprovante de residência)

Classificação: livre

COLETIVO DE GALOCHAS CELEBRA 10 ANOS DE EXISTÊNCIA

Para comemorar seus 10 anos de trajetória, o Coletivo de Galochas ocupa o Espaço Cia. da Revista, entre os dias 7 e 29 de março, com uma programação especial composta pelos espetáculos Mau Lugar e Piratas de Galochas, por uma oficina teatral, um cineclube e uma ocupação no hall do teatro.

O tema do suicídio como um ato de resistência é discutido em Mau Lugar, dirigido por Daniel Lopes, com apresentações nos dias 7, 8, 14 e 15 de março. A peça narra uma realidade distópica na qual uma onda de suicídios toma conta da cidade, e, em resposta a isso, o Estado – dominado por corporações e milícias – torna esse ato um crime hediondo, com violentas punições aos familiares de quem tirou a própria vida.

Entre as muitas formas possíveis de controle, nesta sociedade ele se dá através do consumo obrigatório do remédio da felicidade: qualquer insatisfação ou resistência não será tolerada. Diante dessa realidade, a gerente de fábrica Lúcia vê sua vida virar de cabeça para baixo após o suicídio de sua filha.

Com trilha sonora tocada ao vivo, a peça cria uma reflexão sobre as seguintes questões: como compreender o suicídio nessa realidade? Este é um ato de desespero ou desobediência? Esta é uma forma de desistir da vida ou resistir à opressão? É uma rendição ou recusa a ela?

O espetáculo estreou em 2017 no Espaço de Galochas e cumpriu duas novas temporadas no TUSP em 2018 e no Teatro de Arena Eugênio Kusnet em 2019.

Já a peça Piratas de Galochas, encenada nos dias 21, 22, 28 e 29 de março, estabelece um diálogo entre a pirataria clássica e o movimento social de luta por moradia. A comédia narra a saga de uma tripulação de piratas que ocupa a Ilha de Providence, liderada pelo capitão Willie William Will o’Well. Nesse lugar, eles fundam a bem-sucedida Federação de Piratas, mas, em pouco tempo, a Coroa Inglesa encontra problemas no aumento vertiginoso de bucaneiros.

O espetáculo estreou em 2011 e foi criado dentro da Ocupação Prestes Maia, a maior ocupação vertical da América Latina. A ideia da montagem é atritar, a partir de um universo ficcional, os elementos simbólicos que constituem uma ocupação; além de debater em cena os elementos que gerem o imaginário e a organização desse movimento social por moradia.

A dramaturgia pretende enfocar as imposições do poder instituído e as possibilidades da autonomia. As cenas recortam, sobretudo, as dificuldades de viabilizar um processo de ocupação. Os assuntos, em meio às gags, construções farsescas, brigas e quedas, giram em torno do direito à violência, das possibilidades de autonomia de ação, das contingências impostas a determinados setores mais pobres da sociedade. A peça pretende, sobretudo, mostrar as dificuldades de se resistir.

As coreografias e trilha sonora da peça seguem a estética do hip hop, com beats e bases inspiradas no RAP, com uma batida-tema para cada personagem. Toda a trilha sonora, que incluí quatro músicas cantadas ao vivo, é 100% autoral, desenvolvida ao longo do processo de pesquisa e montagem da peça.

Sobre o Coletivo de Galochas

Coletivo de Galochas é um grupo de teatro da cidade de São Paulo criado em 2010, a partir de um projeto de conclusão de curso de Direção Teatral da Universidade de São Paulo, com a peça “Zucco”. Em seu segundo trabalho, o coletivo ultrapassa os muros da universidade e passa a habitar por um ano a maior ocupação de moradia vertical da América Latina, a Ocupação Prestes Maia, localizada em São Paulo, realizando neste processo a peça “Piratas de Galochas” (2011) e colaborando para o estabelecimento de um núcleo cultural na ocupação, através da realização de oficinas de teatro e mediação de leitura.

O terceiro trabalho do Coletivo de Galochas, “Revolução das Galochas” (2014), realizado a partir do Proac Primeiras Obras, apresenta um Brasil não muito distante, em que trabalho, consumo e controle assumem a dianteira, acontece como espetáculo itinerante da Praça Princesa Isabel, seguido de uma ampla circulação por diversas regiões da cidade.

Em 2016 o grupo é contemplado na 28ª Edição da Lei de Fomento ao Teatro para Cidade de São Paulo com o projeto “Refugiados de Galochas”, que possibilita a montagem do seu primeiro infantil, “Cantos de Refúgio”, construído a partir da vivência do grupo com refugiadas e refugiados sírio-palestinos que vivem na Ocupação Leila Khaled. A peça foi pré-indicada ao Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem.

Em 2020, o grupo completará 10 anos de trabalho continuado, consolidando-se como um grupo de atuações político-poéticas, com galochas que caminham por toda a cidade: escolas, museus, ocupações, teatros, ruas, universidades ou vielas.

FACE

Ocupação do Coletivo de Galochas

Espaço Cia. da Revista (Alameda Nothmann, 1135, Santa Cecilia, São Paulo)

07 a 29/03

Sábado – 21h, Domingo – 19h

$20

Mau Lugar

Com Diego Henrique, Kleber Palmeira, Marina Di Giacomo, Natália Quadros, Rafael Presto, Wendy Villalobos

Duração 80 minutos

07, 08, 14 e 15/03

Classificação 16 anos

Piratas de Galochas

Com Daniel Lopes, Diego Henrique, Kleber Palmeira, Nina Hotimsky, Mariana Queiroz, Wendy Villalobos

Duração 75 minutos

21, 22, 28 e 29/03

Classificação 14 anos

FÓSSIL

Idealizado pela atriz Natalia Gonsales, espetáculo Fóssil ganha nova temporada no Teatro Aliança Francesa a partir de sexta-feira, 13 de março, às 20h30. O drama, que trata sobre a guerra curda em meio ao processo de libertação da mulher no Oriente Médio, tem direção de Sandra Corveloni e dramaturgia de Marina Corazza. Em cena, Natália divido o palco com Nelson Baskerville.

Para uma imersão completa sobre o tema, o Aliança Francesa exibe o filme Filhas do Sol (2018), com direção de Eva Husson, na quinta-feira, 19 de março, às 19h, com entrada gratuita. Após a sessão haverá debate com a atriz, a dramaturga, a diretora e o curdo residente em São Paulo Bulend Karadag.

O filme Filhas do Sol abriu o festival de Cannes em 2018 e conta a história de Bahar, comandante das Filhas do Sol, um batalhão composto apenas por mulheres curdas que atua ofensivamente na guerra do Curdistão. Ela e as suas soldadas estão prestes a entrar na cidade de Gordyene tomada pelo Estado Islâmico. Mathilde é uma jornalista francesa que está acompanhando o batalhão durante o ataque. O encontro entre as duas mulheres, dentro da guerra, transformará a vida de ambas.

A montagem teatral foi criada a partir de uma pesquisa de três anos da atriz Natalia Gonsales e da dramaturga Marina Corazza a respeito do povo curdo e da revolução de Rojava, na Síria.

A peça se passa dentro da sala do empresário Luiz Henrique (Nelson Baskeville), diretor da maior empresa de gás liquefeito de petróleo. Anna (Natalia Gonsales), uma jovem cineasta, vai ao seu encontro em busca de recursos para a realização de um filme sobre a Revolução de Rojava, no norte da Síria. A cineasta narra o roteiro de seu filme e a importância político-social deste, cruzando histórias de mulheres curdas torturadas da Síria com memórias de mulheres na ditadura brasileira de 64.

Ao olhar para nós à luz dessa revolução, vemos as mulheres que nos geraram, e antes delas, as que geraram nossas mães, e antes delas, as outras, e as outras, e as outras e todas nós. Ao olhar para nós à luz da Revolução de Rojava, sabemos que queremos e que podemos acreditar em utopias por meio de um trabalho diário que deixe nascer outras formas mais justas e libertárias de se pensar e viver”, complementa a dramaturga Marina Corazza.

A tensão entre os dois personagens vai crescendo durante o espetáculo. Luiz, que viu Anna crescer, tem um olhar paternal para com ela e conforme a cineasta conta sobre o seu projeto e a importância da luta curda, relações dúbias de opressão e falta de escuta são estabelecidas. Em um plano que atravessa o presente, a jovem cineasta fala de sua mãe, presa política na ditadura de 64. O papel contraditório de financiamento das artes por grandes empresas também perpassa toda a peça. Abre-se com isso mais uma camada crítica na peça a respeito da política cultural e as contradições que incluem valores éticos e morais para a realização de um produto altamente desvalorizado no mercado atual.

Encenar a luta curda pela democracia revela contradições do sistema democrático ocidental que se apresenta na forma atual do patriarcado, sustentado pelo Estado e pela hierarquia. A forma de Estado-Nação aliado ao Capitalismo é um modelo baseado nas dominações de classe, gênero, etnia e religião associado à competitividade econômica, impossibilitando assim, que a nação alcance os objetivos de liberdade, igualdade e justiça social” explica Natalia.

A encenação de Sandra Corveloni propõe um encontro entre teatro e audiovisual tendo projeções sensitivas e trilha sonora original, criando um clima de sala de cinema, para falar da Revolução de Rojava ou Confederalismo Democrático do Norte da Síria. “Fóssil possui uma dramaturgia bastante profunda, com camadas de informações e sentimentos que aparecem à medida em que o texto avança. A montagem que é ao mesmo tempo teatral e cinematográfica, nos leva a refletir sobre questões como os direitos das mulheres, a democracia, as fronteiras e a arte“, comenta a diretora.

Natalia Gonsales finaliza: “hoje é comum ouvir a população curda de Rojava e de outras regiões do Curdistão defender a vida sem um Estado. Os curdos lutam pela autonomia de seu povo e de outras etnias sem representatividade. Buscam a conscientização democrática, o direito à educação na língua nativa, o acesso ao sistema público de saúde, a proteção do meio ambiente e a liberdade de expressão. Uma política que se tornou referência libertária no mundo.

FACE (1)

Fóssil

Com Natalia Gonsales e Nelson Baskerville

Teatro Aliança Francesa (Rua General Jardim 182 – Vila Buarque, São Paulo)

Duração 70 minutos

13/03 a 05/04

Sexta e Sábado – 20h30, Domingo – 19h

$60

Classificação 14 anos

Aulas sobre os conflitos do Oriente Médio: Reginaldo Nasser

Palestrante: Bulend Karadag

Realização: Bem Casado Produções Artísticas

Filme+ Debate: Filhas do Sol

19/03

Quinta – 19h

Grátis (retirada ingresso 60 minutos antes da sessão)

Classificação 14 anos