UMA FRASE PARA MINHA MÃE

Com 40 anos de carreira, a atriz e diretora Ana Kfouri estreia no dia 6 de março no Sesc Belenzinho o bem-sucedido monólogo Uma Frase Para Minha Mãe, pelo qual foi indicada aos prêmios Shell, Cesgranrio e Botequim Cultura de melhor atriz.

A dramaturgia, assinada pelo escritor, poeta e crítico literário francês Christian Prigent, tem toques proustianos ao refletir sobre o despertar para a literatura e o nascimento de um escritor. O texto mobiliza sensações afetivas e corporais ligadas à figura da mãe e à língua materna, envolve afeto, filosofia, pensamento, visão de mundo, política e pesquisa de linguagem. A direção é da própria Ana Kfouri, com colaboração artística de Marcio Abreu.

Ana conta que, quando conheceu a obra de Prigent, sentiu quase imediatamente uma espécie de chamamento para levar à cena Uma frase para minha mãe, texto potente e poético. Foi assim que, depois de enveredar pelos universos de Valère Novarina e de Samuel Beckett, a artista elegeu ‘Uma frase para minha mãe’ para dar continuidade à sua pesquisa cênica, que pensa a palavra e o corpo como campos de forças em tensão e em relação.

 “Prigent é um autor que trabalha fora do campo da representação”, explica Ana Kfouri. “Não há uma condução psicológica do que está sendo dito, então o ator/performer precisa se desapegar de um desejo de entender as palavras, no sentido de colocá-las como algo a ser controlado, decifrado e transferido para o outro (público)“. E continua: “Através de uma fala potente, poética, respirada, lúdica, desconcertante e rítmica, o desafio do ator é pôr em jogo também a própria linguagem”.

O tradutor e adaptador Marcelo Jacques de Moraes fez um recorte do texto integral de Uma frase para minha mãe, um longo “lamento bufo”, como diz o próprio escritor, em que o eu-narrador relata sua descoberta do mundo e da linguagem a partir de sua relação com a mãe. Como define Moraes, “foi na tensão entre o literário e o político, entre a experimentação da linguagem e a experiência do cotidiano, da vida comum, que se inscreveu, desde as primeiras publicações até hoje, a extensa obra de Christian Prigent. Em busca de uma língua, contra a língua, mas com a língua, eis uma fórmula que talvez sintetize com precisão o que seja o trabalho poético de Christian Prigent”.

O poeta costuma fazer leituras públicas de seus textos, cuja vocalização explicita o que ele chama de “voz do escrito”, uma espécie de “escultura sonora”, que se dirige ao ouvinte-espectador. “É um texto muito estilizado, com muitas aliterações e rimas internas. Que tem momentos mais fluidos e mais travados, que acelera e desacelera, que alterna momentos mais claros com outros enigmáticos. Tudo isso foi levado em conta na hora da tradução e da escolha do ritmo adequado”, acrescenta Marcelo Jacques de Moraes.

Foi a partir de um convite do próprio tradutor que Ana Kfouri conheceu Christian Prigent, durante o Colóquio Internacional Poesia e Interfaces, concebido em homenagem ao escritor, e realizado no Colégio Brasileiro de Altos Estudos, UFRJ, em setembro de 2015. Agora, o desejo é realizar um encontro entre os artistas envolvidos e o público como desafio de experimentarem juntos a palavra potente e desconcertante do autor.

Christian Prigent foi o vencedor do Grande Prêmio de Poesia 2018 da Academia Francesa, concedido pelo conjunto de sua obra.

FACE

Uma Frase Para Minha Mãe

Com Ana Kfouri

SESC Belenzinho – Sala de Espetáculos I (Rua Padre Adelino, 1000, Belenzinho – São Paulo)

Duração 60 minutos

06 a 29/03

Sexta e Sábado – 21h30, Domingo – 18h30

$30 ($9 – credencial plena)

Classificação 12 anos

PROJETO ‘TODA QUINTA’

Já estão abertas as vendas para o Toda Quinta, projeto musical do Teatro Vivo, voltado à diversidade cultural. A programação traz shows de Hermeto Pascoal (dia 12 de março), Renato Borghetti (dia 19), Yamandu Costa (dia 26) e Trio Corrente (dia 2 de abril).

As apresentações do novo projeto acontecem às quintas – feiras, de 12 de março a 2 de abril, sempre às 20 horas. Os ingressos do 1º lote custam R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia) e estão à venda no site https://site.bileto.sympla.com.br/teatrovivo/

O Teatro Vivo voltou à cena cultural paulistana após passar por grande modernização, trazendo também uma programação variada e independente que o consolida como espaço multicultural de São Paulo.

O Toda Quinta foi idealizado por Myriam Taubkin e Gabriel Fontes Paiva, que assinam, respectivamente, a direção musical e a direção de arte. Trata-se da mais nova iniciativa do Projeto Memória Brasileira, criado para desenvolver ações de valorização da música brasileira.

Para brindar esta iniciativa, as atrações fazem uma saudação a Dominguinhos, executando uma ou duas composições do repertório do artista. “Trio Corrente, Yamandu, Hermeto e Borghetti têm intimidade com Dominguinhos. Conhecem profundamente a obra e a pessoa. Consideram-no um dos músicos mais importantes do Brasil”, informa Myriam.

Programação

Dia 12/03 – Hermeto Pascoal & Grupo

Dia 19/03 – Renato Borghetti

Dia 26/03 – Yamandu Costa

Dia 02/04 – Trio Corrente

FACE (1)

Toda Quinta

Teatro VIVO (Rua Dra. Chucri Zaidan, 2460 – Morumbi, São Paulo)

Duração 60 minutos

12/03 a 02/04

Quinta – 20h

$50 (1º Lote)

Classificação Livre

O TREMOR MAGNIFÍCO

A diretora, dramaturga e atriz Carolina Bianchi partiu de dois pontos cruciais para a criação de O Tremor Magnífico: o primeiro são as noções de passado e tempo que estão alocadas nos nossos corpos. Outro ponto que orientou a pesquisa é como a História não dá conta das mulheres consideradas violentas. Com estreia marcada para o dia 4 de março, quarta-feira, 20h, o espetáculo faz curta temporada no Teatro de Contêiner até 26 de março. No dia 12/3, quinta-feira, 23h, haverá uma sessão extra que integra a programação da MIT off.

O Tremor Magnífico é uma tentativa de borrar alguns sentidos da linearidade histórica, misturando fatos ficcionais e fatos reais. Invocando monstros, rainhas, fantasmas,  condessas sanguinárias e poetas mortas, que se atravessam em um mashup histórico, violento e molhado. “Como lidamos com o acúmulo de informações de Eras, estilhaços de passado em nosso corpo e em nossa subjetividade?”, questiona-se Carolina. A nova obra vem após o espetáculo LOBO, que atravessou ideias, palcos, espaços e modelos de realização teatral no Brasil; e que se apresenta em abril de 2020 em Nova Iorque (EUA)

A artista argumenta que parece uma contradição a mulher ser cruel, porque a narrativa histórica hegemônica é patriarcal e altamente perigosa para as mulheres. “Deveríamos ser dóceis, senão somos aniquiladas. Tudo que é considerado monstruoso na mulher é aquilo que o homem não consegue dominar”, completa a diretora.

Durante os meses de ensaio, Carolina Bianchi realizou algumas residências para criação e compartilhamento das práticas que envolvem O Tremor Magnífico. A esses laboratórios ela deu o nome de A Linguagem Diabólica, onde o material foi sendo mexido e revirado por muitas presenças, em muitos lugares, como São Paulo, Rio de Janeiro e no Festival de Teatro de Havana, em Cuba.

A linguagem diabólica consiste nesse vocabulário de práticas que são o coração da peça. Estudamos muito essa figura do diabo, e rituais de exorcismos. Tudo isso sempre foi parte também de um imaginário colonizador e extremamente complicado. Criaram narrativas sobre bruxas, que eram mulheres de todas as idades que deviam morrer, pois estavam em contato com o demônio, transando e se comunicando com ele. Usavam a figura do diabo para subjugar essas mulheres”, diz Carolina.

Em cena estão Danielli Mendes, Larissa Ballarotti, Marina Matheus, Joana Ferraz, Tomás Decina, Chico Lima, José Artur Campos e a própria Bianchi, que criou uma dramaturgia de quatro ciclos, com quatro saltos no tempo. Entre as fontes de pesquisa do trabalho, estão a natureza do cinema de horror, a literatura sadiana, o romance Orlando, de Virginia Woolf, e a poesia de Emily Dickinson.

“Essa é uma História sobre fantasmas, vampiros e mulheres furiosas e homens nojentos, e bruxas que começaram o que chamamos de ‘mundo’ voando sobre nossas cabeças. Essa é uma história sobre cabeças rolando e mulheres cansadas e uma criança que sabe o segredo do rosto de deus, do rosto do diabo. Essa é uma história sobre a relação sádica, a relação S&M que temos com pessoas que nos foderam historicamente”, sintetiza Carolina.

FACE O Tremor Magnífico

Com Danielli Mendes, Joana Ferraz, Larissa Ballarotti, Chico Lima, José Artur Campos, Marina Matheus, Tomás Decina e Carolina Bianchi

Teatro de Contêiner de São Paulo (R. dos Gusmões, 43 – Santa Ifigênia, São Paulo)

Duração não informada

04 a 26/03 (sessão extra – 12/03 – Quinta – 23h)

Quarta e Quinta – 20h

$40

Classificação 18 anos