MALDITOS

O espetáculo MALDITOS, composto por peças curtas de Aramyz, Daniela Pereira de Carvalho, Lucas Mayor e Marcos Gomes, estreia no dia 4 de março no Teatro Cemitério de Automóveis, onde segue em cartaz até o dia 26 desse mês. As apresentações acontecem às quartas e quintas-feiras, às 21h. O elenco conta com a participação de Ester Laccava, João Bourbounnais, Marcos Gomes, Mário Bortolotto e Pablo Perosa.

Dirigida por Mário Bortolotto, Lucas Mayor e Marcos Gomes, a peça reúne quatro situações independentes unidas apenas pela relação com discursos de ódio e atitudes moralmente reprováveis.

 “Temos investigado na oficina que conduzimos no Cemitério de Automóveis há algum tempo a questão das formas breves nas narrativas. E nossos trabalhos nesse tempo, por vezes, tem sido convidar outros dramaturgos para escrever conosco cenas ligadas por algum tipo de temática. Pensamos a estrutura do conto para a concepção de uma peça”, esclarece o codiretor Lucas Mayor sobre a linguagem do espetáculo.

Em “Vida Game Over”, de Daniela Pereira de Carvalho, um homem solitário –interpretado por Bortolotto – cheira cocaína, joga videogames violentos e se transforma em uma máquina de matar para fugir da própria vida. “Malditos”, de Marcos Gomes, discute como o “outro” é sempre o inimigo e como as amizades são utilitárias a partir de duas figuras que se encontram em diferentes situações.

Enquanto cuida desajeitadamente de um bebê, um casal troca palavras agressivas em uma discussão sobre como parecer sofisticado diante de uma família finlandesa na peça curta “Grandes Esperanças”, de Lucas Mayor.

Já no texto “Justiça”, de Aramyz, um homem vocifera contra criminosos e defensores dos direitos humanos. Ele defende que todas essas pessoas deveriam ser mortas e terem seus órgãos doados para “cidadãos de bem” que ficam doentes.

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Malditos

Com Ester Laccava, João Bourbounnais, Marcos Gomes, Mário Bortolotto, Pablo Perosa

Teatro Cemitério de Automóveis (Rua Frei Caneca, 384, Consolação – São Paulo)

Duração 60 minutos

04 a 26/03

Quarta e Quinta – 21h

$40

Classificação 16 anos

CHARLIE E A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE

Fundado em abril de 2019, o Instituto Artium de Cultura, presidido por Carlos A. Cavalcanti, sociedade sem fins lucrativos, traz aos palcos “Charlie e a Fantástica Fábrica de Chocolate” musical apresentado pelo Ministério da Cidadania e pela Brasilprev, baseado na obra de Roald Dahl, um dos mais importantes escritores do mundo.
O diretor canadense John Stefaniuk, que realiza sua terceira incursão no Brasil, após ter colaborado na montagem de O Rei Leão, da Disney e dirigido Billy Elliot, do Atelier de Cultura, conta com 38 atores em cena para levar aos palcos a história de Charlie Bucket, um garoto pobre, que acha um dos cobiçados bilhetes dourados que lhe dá o direito a visitar a misteriosa fábrica do chocolateiro Willy Wonka.
 
Willy Wonka está há anos isolado em seus pensamentos e fantasias. Sai ao mundo para buscar um sucessor de coração puro que possa tomar seu lugar. Ele lança o concurso de busca a um dos cinco bilhetes dourados colocados aleatoriamente em suas barras de chocolates. As estratégias de cada um dos premiados para encontrarem os bilhetes começará a revelar suas formas de lidarem com situações e revelará suas personalidades.
 
As crianças premiadas, acompanhadas por um familiar, entram na fábrica acolhidas por seu dono, e mergulham em um mundo da mais pura fantasia. Este passeio, por vários dos setores que fabricam e desenvolvem seus incríveis e mágicos produtos, permitirá a gradativa eliminação das crianças que não tem os atributos de valores e afeto que Willy Wonka enxerga em si mesmo, quando ele próprio era uma criança.
 
O público deve esperar as icônicas cenas dos dois filmes de A Fantástica Fábrica de Chocolate. É com grande encantamento que serão apresentadas a fonte de chocolate, o laboratório de miniaturização, a sala dos esquilos, o elevador de vidro que sobrevoa o palco e efeitos especiais como a menina que infla como uma amora gigante.
 
O diretor John Stefaniuk construiu um Willy Wonka engraçado, irônico e repleto de emoções. Sua direção imprime um ritmo muito dinâmico, que se mescla com as arrojadas coreografias de Floriano Nogueira.
 
Charlie para mim é um conto que tem a habilidade de encontrar aquilo que há de melhor em nós mesmos” diz o diretor John Stefaniuk – “Eu criei um mundo de imaginação criatividade e muito, mas muito, chocolate! Eu mal posso esperar para vocês desbravarem essa fábrica conosco!
FACE (2)
Charlie e a Fantástica Fábrica de Chocolate
Com Cleto Baccic, Felipe Costa, João Pedro Delfino, Pedro Sousa, Rodrigo Miallaret, Sara Sarres, Isidoro Gubnitsky, Rodrigo Espinosa, Vinícius Spada, Vânia Canto, Anna Luiza Cuba, Isabella Daneluz, Luisa Bresser, Thiago Perticarrari, Lorena Castro, Nina Medeiros, Lanna Moutinho, Guilherme Leal, Agyei Augusto, Leonardo Freire, Sam Sabbá, Talita Real, Arízio Magalhães, Lia Canineu, Aline Serra, Carla Vazquez, Carol Tanganini, Clarty Galvão, Danilo Martho, Della, Giovana Zotti, Guilherme Gonçalves, Jana Amorim, Leonam Moraes, Marco Azevedo, Rany Hilston, Rodrigo Garcia e Sandro Conte
Teatro Alfa (Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722 – Santo Amaro, São Paulo)
Duração 150 minutos
A partir 19/03
Quinta e Sexta – 20h30, Sábado e Domingo – 15h e 19h30
$50/$310
Classificação Livre

TEATRO PARA QUEM NÃO GOSTA

Que tal viajar no tempo para conhecer ou relembrar a história teatral, desde a Antiguidade até os dias atuais, em apenas 90 minutos e melhor ainda, com muitas risadas?
 
É essa tarefa que os atores Marcelo Médici e Ricardo Rathsam cumprem com maestria por meio do espetáculo escrito e encenado por eles: Teatro Para Quem Não Gosta.
 
A comédia se inicia com uma reflexão proposta pela dupla sobre a possibilidade da morte do teatro. Em seguida, o elenco assume diferentes papéis que marcaram épocas.
 
Sempre com muito humor e interações com a contemporaneidade, os atores encaram encenações bem sintetizadas de clássicos como Édipo Rei, Romeu e Julieta, passando por histórias infantis como Patinho Feio e A Pequena Sereia, os musicais, e mostrando o início do teatro no Brasil, a influência de Nelson Rodrigues, entre diversos outros destaques do nosso País.
 
Em apenas um cenário, Médici e Rathsam são ágeis, espontâneos, bem articulados e super desenvoltos em cada um dos papéis que assumem. Enquanto o primeiro se desdobra em mais de 20 personagens, o segundo encara outros 12 papéis, cada um ao seu modo, com rápidas trocas de figurinos e numa transformação cênica tão bem trabalhada, que cria a ilusão de vários atores em cena.
 
Além do prêmio de melhor comédia conquistado, Ricardo Rathsam foi indicado como melhor performance de humor em 2019 também por esse espetáculo.
 
A dupla foi responsável por outros sucessos de critica e público como Cada Um Com Seus Pobrema permanecendo em cartaz por mais de 10 anos, e Eu Era Tudo Pra Ela E Ela Me Deixou que chegou a ser capa da revista Veja SP com o titulo “comédia campeã”.
 
Teatro Para Quem Não Gosta é recomendável por divertir ao mesmo tempo que oferece uma inusitada aula da história do teatro, atraindo assim amantes e não amantes dessa arte, como explicitado no titulo.
 
Além disso, ressalta que o teatro permanecerá vivo, mesmo depois de mais de 3000 anos, em meio às crises ou competindo com tantas outras manifestações artísticas surgidas posteriormente.
 
O espetáculo foi montado em comemoração aos 30 anos de palco de Médici. O ator iniciou seus estudos em 1988 com o diretor Antunes Filho e desde então tem participado de várias peças, novelas, filmes, séries e sitcoms, recebendo diversos prêmios por suas atuações. Para Médici, essa peça é uma declaração de amor ao teatro.
FACE
Teatro Para Quem Não Gosta
Com Marcelo Médici e Ricardo Rathsam
Teatro FAAP (R. Alagoas, 903 – Higienópolis, São Paulo)
Duração 90 minutos
21/03 a 10/05
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 18h
$80/$100
Classificação 14 anos

A VERDADE

A Verdade estreou simultaneamente na França e Alemanha em 2011 e ganhou prêmios fora da Europa, em países como Índia e Coreia do Sul. Em 2017, a produção de Londres recebeu indicação na categoria Melhor Comédia do Laurence Olivier Awards, o maior prêmio do teatro britânico.
 
Inédita no Brasil, essa divertida comédia estreou no Rio de Janeiro e fez turnê em Uberlândia, Minas Gerais, e no interior de São Paulo (Marília, Piracicaba, Bauru, Botucatu e Lençóis Paulista) antes de chegar ao palco do Teatro Vivo para dois meses de temporada, com apresentações de sexta a domingo.
 
Durante o espetáculo, o espectador vai se envolvendo com a história que fala sobre as dinâmicas das relações pessoais e, em particular, da vida conjugal. Em cena estão dois casais que vão se revelando nas pequenas hipocrisias, inverdades e omissões do quotidiano. É uma comédia leve, sem tom político e, por isso mesmo, tão necessária para o alívio e a diversão que todos precisam.
 
O diretor Marcus Alvisi se sentiu eufórico com as possibilidades que esse texto genial oferece aos atores. “O que me fascina na peça é o jogo que o texto propõe. Todas as viradas. Sobretudo no personagem do Diogo. Culminando com a grande virada na última cena. O texto é todo tempo inesperado. Vem dessa tradição da comédia francesa, como o Vaudeville e o Boulevard, com uma pitada das peças de Harold Pinter. O que nos oferece uma mistura extremamente saborosa. O autor é muito hábil na armação desses quiproquós”, afirma Alvisi que também conta que não foi preciso adaptar o texto à realidade brasileira, mesmo sendo o autor francês. “Não houve adaptação. A tradução é sobremaneira fiel ao original francês. Aliás, super bem traduzido por Silvio Albuquerque. A peça fala sobre as relações entre dois casais amigos. O sentimento, a emoção não difere quando o assunto é ciúmes, por exemplo. Você pode sentir de maneira mais aguda ou menos. Porém, ciúmes é igual para todos. Os jogos dessas relações também não são diferentes por estarmos no Brasil ou França. Aqui, na Itália, talvez possamos ser mais passionais. No entanto, não é uma diferença substantiva, quando estamos expostos numa relação amorosa. Seja no Brasil, na França, ou mesmo na China. Fato é que essa peça faz um grande sucesso em Pequim”, conclui.
 
Diogo Vilela afirma que o texto flui de forma muito natural. “Acho eu que, o Francês, é uma língua que também nos colonizou. Temos proximidade nas visões sociais e no aspecto crítico à nossa burguesia, guardadas às devidas diferenças das nossas civilizações! Tudo que se fala na peça existe também em sua universalidade. É um texto pungente, que por fazer alusão franca aos nossos vícios sociais de comportamento, trás certa sensação de alívio a quem o assiste, como se oferecesse ao público um viés de esperança e alegria. E isso é muito bom de notar e muito compensador para todos nós que fazemos o espetáculo!”, conta o ator, craque do humor refinado e inteligente, que volta ao gênero depois de clássicos como Hamlet e Otelo, e musicais: Ary Barroso, de sua autoria, Gaiola das Loucas e Cauby Cauby uma Lembrança. Ainda sobre o texto de Florian Zeller, Diogo conta: “o que mais me agradou no texto foi o comportamento das personagens em cena. Uma mistura de sentimentos que para mim soavam como adoráveis de representar! Achei curioso o trabalho que teríamos de enfrentar para dar veracidade ao tema que envolvia a peça, tão habitual hoje em dia!”.
 
Completam o elenco Bia Nunnes (na TV: História de Amor, Salsa e Merengue, Negócio da China, Sexo e as Negas); Carolina Gonzalez (O Pai, Cais do Oeste) e Paulo Trajano (Simonal, Cauby Cauby uma lembrança).
 
Após a temporada paulistana, até 28 de março, a peça segue para Belo Horizonte onde se apresenta dias 03 e 04 de abril no Cine Theatro Brasil Vallourec.
 
FACE (3)
 
A Verdade
Com Diogo Vilela, Bia Nunnes, Carolina Gonzalez e Paulo Trajano
Teatro VIVO (Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 – Morumbi, São Paulo)
Duração 90 minutos
23/01 a 28/03
Sexta – 20h, Sábado – 21h, Domingo – 18h
$80/$90
Classificação 12 anos

ARAP

O Espetáculo mostra a preparação do personagem e de como o artista usa o seu ofício para questionar o seu tempo através da dramaturgia e pensamentos, colocando a arte e a educação como caminho de grandeza para que uma nação exista plena e fortaleça a sua democracia. O espetáculo também investiga o papel da palavra no processo terapêutico, ao lado da importância da arte, no mesmo processo.
 
Mais do que nunca é preciso pensar para transformar o nosso tempo. O teatro dá aos homens a ternura humana. Ele é a expressão mais verdadeira e viva de uma civilização. Toda vez que um ator pisa num palco, ele perpetua sua paixão e oferece o seu coração, para que possamos suportar o que temos de mais monstruoso e de mais belo. É assim, que nos tornamos artistas soberanos.
 
Elias Andreato afirma que seu novo projeto é “uma reflexão sobre o nosso ofício e uma declaração de amor ao Teatro. Escrever para mim mesmo, numa postura alquímica de transformação, é tudo que me resta e prezo de verdade. Quem sabe, o subproduto dessa empreitada poderá no futuro, ser útil não só a mim. Mas o que importa é abrir espaço contra a inércia que me vinha dominando”, completa.
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Me desculpem se eu parar de repente… porque… porque… eu não sei onde foi parar o mundo de verdade, onde?
 
O menino que ficava aí do lado de vocês, eu não sei como me livrar dele
 
Eu estou louco, completamente…
 
Eu vou ter que ir… Mesmo assim, valeu a pena.
 
Me perdoem parar o espetáculo, assim, de repente. Mas eu preciso ir… para sempre.
FACE (2)
Arap
Com Elias Andreato
Teatro Eva Herz – Livraria Cultura SP (Av. Paulista, 2073 – Cerqueira César, São Paulo)
Duração 55 minutos
01/02 a 28/03
Sábado – 17h
$40
Classificação 12 anos

MORTE ACIDENTAL DE UM ANARQUISTA

A peça parte de um caso verídico, uma controversa investigação de um caso ocorrido em Milão, em 1969, e tem como pano de fundo os ataques a bomba que feriram e mataram dezenas de pessoas nas cidades de Milão e Roma. O mote é o suposto suicídio de um anarquista acusado pelos atentados que teria se jogado da janela do prédio da polícia durante o interrogatório. O caso ficou nebuloso com as diversas versões e incoerências nos depoimentos dos policiais envolvidos, porém ninguém foi condenado por falta de provas.
Um ano após o episódio na história da Itália, Dario Fo estreou sua peça ficcional, uma comédia, que coloca dentro da delegacia naquele dia a figura de um louco revelando práticas de torturas física e psicológica nos interrogatórios policiais. Na dramaturgia, o louco é acusado de falsidade ideológica, por se passar por outras pessoas, porém se revela mais esperto que o delegado e, ali mesmo, engana a todos fingindo ser um juiz.
O que teria acontecido realmente naquele dia? O anarquista se jogou ou fora jogado do quarto andar? A polícia afirma que o anarquista teria se jogado pela janela do quarto andar, a imprensa e a população acreditam que ele tenha sido jogado. O louco brincando com o que é ou não é real vai desmontando o poder e revelando a verdade ao assumir várias identidades como médico cirurgião, psiquiatra, bispo, engenheiro naval, entre outras, além de juiz. Os espectadores se tornam aliados tanto do ator quanto do personagem e ao serem convidados a participar trazem à tona flashes do momento político atual do país para ajudá-lo na reconstituição do suposto crime.
Morte Acidental de Um Anarquista é a peça mais conhecida e premiada de Dario Fo. Montada no mundo inteiro, recentemente, em Londres, foi encenada com referências ao caso Jean Charles (brasileiro que ficou conhecido após ser confundido e assassinado erroneamente pela Scotland Yard no Metrô de Londres). No Brasil, já foi montada com Antonio Fagundes e Sérgio Britto como protagonistas em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Nesta montagem, há 4 anos em cartaz, com direção de Hugo Coelho, o público é saudado pelo elenco no hall do teatro e convidado a entrar na sala de espetáculo. Já no palco o elenco conta rapidamente o que aconteceu na vida real e explica o porquê de montar o espetáculo, seguindo a estratégia que Dario Fo utilizava em suas apresentações visando uma aproximação e reconhecimento do público. Em seguida, os espectadores são convidados a tirar dúvidas a respeito do caso e, só depois de todos estarem prontos, o espetáculo começa.
FACE (1)
Morte Acidental de Um Anarquista
Com Marcelo Laham, Henrique Stroeter, Claudinei Brandão, Alexandre Bamba, Maira Chasseraux e Rodrigo Bella Dona
Teatro Alfredo Mesquita (Av. Santos Dumont, 1770 – Santana, São Paulo)
Duração 90 minutos
31/01 a 01/03
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h
Grátis (ingresso distribuído 60 minutos antes)
Classificação 10 anos

SEDE

Inédita no Brasil, Sede é a terceira peça do autor libanês-canadense Wajdi Mouawad montada pelo ator Felipe de Carolis. Suas outras incursões no universo do premiado autor foram duas montagens de sucesso que percorreram mais de 20 cidades em turnê: Incêndios, que ficou 4 anos em cartaz, e Céus, que esteve em cartaz durante 3 anos, ambas dirigidas por Aderbal Freire-Filho. Felipe tem muita convicção na universalidade do teatro de Wadji, após experiência de quase 9 anos com seus textos e agora se associa às produtoras Selma Morente e Célia Forte para realizar Sede, em uma montagem de Zé Henrique de Paula. A produção é apresentada pela Secretaria da Cultura e pela Bradesco Seguros.

A peça conta com humor a história de três personagens, interpretados por Felipe de Carolis, Luna Martinelli e Marcelo Várzea, em busca da representatividade de suas identidades. O texto do autor contemporâneo mais premiado da atualidade narra a jornada de pessoas com sede de viver e de provar, através de suas inquietações pessoais e artísticas, que a educação pode salvar vidas. Sede é uma crítica subjacente ao nosso modo de vida: ao neoliberalismo, ao capitalismo agressivo, mesquinho e predatório da nossa sociedade. Modo de vida esse que é capaz de separar pessoas que se amam e alimentar uma geração cada vez mais ansiosa e com o maior número de depressão entre jovens insatisfeitos de todos os tempos.

Wajdi Mouawad apresenta um conjunto de obra muito coeso com temas recorrentes como origem, ancestralidade e a presença determinante do passado na vida das pessoas. A estrutura de seu texto é enigmática e misteriosa, quase um quebra cabeças, e existe uma razão para esse formato, pois a peça é cheia de imagens e metáforas. Sede também promove uma discussão sobre a importância da arte e da beleza em nossas vidas. “Não a beleza no sentido mesquinho, mas ela como experiência estética de primeira grandeza e experiência estética renovadora e revitalizante pras nossas almas”, conta o diretor Zé Henrique de Paula.

Trata-se de um texto universal, com temas que dizem muito a nosso respeito, mesmo sendo ele um autor franco-libanês radicado no Canadá. “São grandes quantidades de questões e elementos que se comunicam com a plateia brasileira e é muito importante falar de tudo o que ele fala”, afirma Zé Henrique assegurando que a tradução do texto é muito fiel e criteriosa, respeitando tanto a estrutura e o vocabulário, quanto a ideia central do autor. “Não mexi no texto. É brilhante, poético, sofisticado. Não me sinto no direito de modificar nada”, pondera o diretor.

Ao misturar realidade, ficção, humor, músicas e drama, Sede é uma peça contundente, emocionante e que põe em cheque radicalismos ao proporcionar, através de sua narrativa, a certeza de que o futuro das nações está nas mãos da educação, respeito às diferenças e cultura de cada país. Com esse texto podemos voltar a ouvir a palavra singular, lúcida e engajada de Wajdi Mouawad.

FACE

Sede

Com Felipe de Carolis, Luna Martinelli, Marcelo Várzea

Teatro Tucarena (Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes, São Paulo)

Duração 100 minutos

01/02 a 29/03 (não haverá sessão 22, 23 e 24/02)

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 18h

$60/$70

Classificação 16 anos