O AUTO DE SÃO FRANCISCO

Em ‘O Auto de São Francisco’, que estreia em 5 de março no Teatro-D, Ciro Barcelos conta a trajetória de um jovem chamado Francisco Bernadonne por meio do olhar de três saltimbancos, moradores de rua, que afirmam saber tudo do amado mestre. Para contar a história, Ciro se baseou na lenda de ‘Os Três Companheiros’, escrita no século 13 por três fidedignos amigos de Francisco de Assis, mas, principalmente em sua experiência quando viveu na cidade de Assis por um ano.

Os três amigos vão se revezando nos papéis, formando um alegre trio de menestréis. Através de repentes, romarias, poemas e canções originais, narram a trajetória do revolucionário jovem, que, canonizado santo pela igreja católica, preza pelo amor à natureza.

A peça ocupa o horário nobre do Teatro-D, que, em apresentações vespertinas, às 16h, recebe o espetáculo infantil ‘Crianceiras – Manoel de Barros’, de Márcio de Camillo, mantendo o primeiro trimestre do ano com peças poéticas.

Na estreia, em 5 de março, Barcelos e Darson convidam o amigo, artista plástico, figurinista e ator Claudio Tovar, para inaugurar a segunda Mostra do Teatro-D, com “Ícones Brasileiros e os Santos”, em cartaz até 29 de março. Após o espetáculo, fechando a noite no mais novo espaço pluricultural da cidade, o Teatro-D apresenta a cantora lírica, especialista no repertório do soprano dramático e soprano wagneriano, Laura de Souza.

Por que Francisco de Assis

O Teatro-D, que abriu a temporada 2020 com poemas de Manoel de Barros interpretados pela consagrada Cássia Kis, decidiu manter a pegada mais humanista e menos comercial, e, assim, retomou sua programação com Ciro Barcelos na saga daquele que se tornou um dos maiores ícones e personalidades mundiais: São Francisco de Assis. Como santo, é venerado em todos os altares, sejam eles católicos, espíritas, umbandistas ou budistas.

Francisco foi poeta, eleito patrono da ecologia por sua escolha da defesa do meio ambiente (natureza, na época), e, principalmente, pela sua relação amorosa com animais e todos os seres vivos.

O célebre ‘O Cântico das Criaturas’, traduzido em todos os idiomas, se tornou mundialmente conhecido como ‘hino da ecologia’. Outro feito de Francisco de Assis foi a famosa ‘Carta aos Governantes dos Povos’, escrita a próprio punho e enviada a todos os reis e ducados da época, que permanece sendo um dos maiores e mais importantes manifestos ecológicos já escritos até hoje.

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A peça

Ciro Barcelos viveu dois anos na Itália, onde trabalhou como coreógrafo e se aperfeiçoou no teatro. Mas, em Assis, passou por uma intensa experiência espiritual vivendo em mosteiros como noviço franciscano, que o levou a se inspirar para escrever e protagonizar um dos musicais de maior sucesso em todo o Brasil – numa época em que ainda nem se falava nesse gênero. “Francisco de Assis – o Musical” permaneceu 12 anos em temporada, passando pelo Rio e nas principais capitais do país.

Devido ao sucesso, foi convidado pela Secretaria de Cultura de Assis, na Itália, se apresentando no Lyric Theatre com lotações esgotadas para uma plateia de duas mil pessoas. Os críticos foram positivamente unânimes, ganhando inclusive cinco estrelas como ‘a versão teatral mais original e fiel da vida do nosso padroeiro’, sendo ainda aclamado pelo cineasta Zeffirelli.

De volta ao Brasil, além de voltar em temporada, o musical se tornou especial da TV Globo dirigido por Roberto Farias, conquistando inúmeros prêmios.

Depois de tanto sucesso, não tinha como não retomar a ideia original, que já estudava mesmo enquanto responsável pelo retorno do Dzi Croquettes, de 2012 a 2018. Logo depois, então, realiza a estreia nacional de “O Auto de São Francisco” na cidade de Xaxim, Santa Catarina, para mais de 1.500 jovens dos mais diversos países, a convite do Encontro Internacional da Juventude Franciscana, que foi transmitido ao vivo pela TV italiana.

O livro

Relato de uma experiência pessoal vivida como noviço franciscano na pequena cidade italiana de Assis, “O Caminho de Assis”, por meio de uma narrativa envolvente e poética, convida o leitor a uma profunda imersão espiritual e uma viagem pelos santuários franciscanos da cidade na qual viveram São Francisco de Assis e Santa Clara, que marcaram a vida de Barcelos para sempre.

A primeira edição foi em 1997, tendo se esgotado em poucos dias.  Reeditado pela Giostri Editora, ressurge com mais um novo capítulo, no qual o autor descreve também a trajetória de seu musical ‘Francisco de Assis’, montagem inspirada por sua vivencia com os franciscanos da cidade.

TOVAR foto Derci Gonçalves ALTA

O que é a ‘exposição’?

Inspirado na iconografia bizantina, Tovar – que também compôs o elenco original tanto de “Dzi” quanto do original “Francisco” –, em parceria com o Teatro-D, expõe pela primeira vez em São Paulo “Ícones Brasileiros e os Santos”. São retratos, em quadros e estandartes, de grandes nomes da música e das artes cênicas como santos ortodoxos: Ayrton Senna, Carmem Miranda, Grande Othelo, Elis Regina, Rogéria e Hebe Camargo, entre outros.

O trabalho é um misto de pedrarias e materiais reciclados, folhas de ouro e prata, que resultou nos artistas brasileiros emoldurados como ícones nas mais diversas religiões, numa originalidade nunca vista.

Claudio Tovar já foi premiado inúmeras vezes, tendo recebido, entre muitos outros, os Prêmios Shell e o Governador do Estado do RJ.

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O Auto de São Francisco

Com Ciro Barcelos, André Perine e Patricia Barbosa

Teatro-D – Hipermercado Extra Itaim (Rua João Cachoeira, 899 – Itaim Bibi, São Paulo)

Duração 70 minutos

07 a 29/03

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 18h

$80

Classificação Livre

DEPÓSITO

Cia. Palhadiaço estreia o espetáculo Depósito no dia 14 de março (sábado, às 15h30) na Praça do Forró, em São Miguel Paulista. Explorando a linguagem da palhaçaria moderna, a montagem fala de um tempo no qual a arte se tornou um vírus e a pessoas infectadas, de nariz vermelho, são isoladas em um depósito de artistas.

Com criação coletiva, dramaturgia de Matheus Barreto e direção de Rani Guerra, o espetáculo investiga uma vertente, denominada pelo grupo de “palhaçaria periférica”, que cria diálogos com a cidade, suas periferias, seus artistas marginalizados e suas excelências artísticas, subversivas e resistentes. O artifício do trabalho é a comicidade. O texto de Depósito surgiu de um processo de pesquisa, no qual os integrantes foram para as ruas do Itaim Paulista em busca de uma narrativa, imersos em improvisos, jogos e entrevistas com habitantes em feiras, mercados e praças, questionando-os sobre como seria para eles se a arte fosse uma expressão proibida.

No enredo, o vírus da arte causa uma doença com muitos sintomas e, em quadros mais graves, o paciente fica com o nariz vermelho. Para deter essa infestação um estado totalmente desarticulado é instituído com medidas severas em busca de aniquilar a existência artística: os donos do poder constroem depósitos para isolar as pessoas infectadas, chamadas de “artistas”. A montagem da Cia. Palhadiaço reflete sobre essa ‘epidemia’: haverá cura?

Os palhaços Terrô (Matheus Barreto), Disgraça (Jhuann Scharrye), Miséria (Priscyla Klepscke) e Catástrofe (Rogério Nascimento) são os quatro últimos artistas restantes no Itaim Paulista e são confinados. “Na cena, somos os que restaram, somos todos iguais, sem um líder, mas organizados”, explicam os atores. O nascimento de uma criança com o principal sintoma da doença, o nariz vermelho, acelera a necessidade de erradicar a síndrome. Ativistas protestam contra a ação. E a poção de cura é então sabotada pela criança que adultera o líquido com sua própria fralda. Quando ingerido por Miséria, Terrô e Disgraça, o efeito é invertido, provocando uma epifania artística.

O grupo, cujos integrantes são oriundos de escola de palhaços em busca de uma identidade periférica, explora os trejeitos do corpo em relação ao espaço valendo-se de uma dramaturgia circense onde gags, malabares, equilibrismo e acrobacias estão a favor da cena. Depósito é um espetáculo lúdico-musical-reflexivo, no qual a diversão é artifício para refletir sobre identidade cultural, arte e relações de autoridade. A música também desempenha papel fundamental com paródias, releituras e composições originais, entre as quais um rap, que traz uma hilária batalha de palhaços.

A partir da visão dos moradores sobre o artista e o papel da arte na sociedade, o enredo traz um fábula, uma distopia desarticulada, onde o artista e suas manifestações culturais se tornaram obsoletos. “Toda a forma de expressão desorganizada é perigosa e nada funcional. É neste contexto que se insere o palhaço, o ser sem órgãos, que não se organiza, não tem nenhuma valia ao desenvolvimento social, não só olha para o seu desacerto, ao contrário, coloca uma lupa sobre ele”, explicam os atores. Depósito mostra esse palhaço que evidencia o desfuncionamento e gargalha do mesmo. “Assim como o palhaço, muitas formas artísticas à margem, na beira, na periferia, podem ser tão profundas, ou até mais que aquelas realizadas em pontos mais centrais da cidade”, finalizam.

No dia 18 de abril, a Companhia Palhadiaço ministra oficina – A lógica do Ilógico – que aborda o jogo cômico, a investigação sobre as possibilidades do corpo e as lógicas do palhaço com seu olhar sobre a periferia.

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Depósito

Com Cia. Palhadiaço – Jhuann Scharrye, Matheus Barreto, Priscyla Klepscke e Rogério Nascimento

Duração 60 minutos

14 a 22/03

Grátis

Classificação Livre

Apresentações

14/03 – sábado 15h30 – Praça do Forró (Praça Padre Aleixo, S/N – São Miguel Paulista)

15/03 – domingo 11h30 – Praça Coroinhas (Rua Jandira dos Santos – Parque Residencial D’Abril)

19/03 – quinta 10h – Casa de Cultura São Rafael (Rua Quaresma Delgado, 354 – Jardim Vera Cruz)

20/03 – sexta 10h – Casa de Cultura Itaim Paulista (Rua Monte Camberela, 490 – Vila Silva Teles)

22/03 – domingo 11h30 – Parque Ecológico Chico Mendes (Rua Cembira, 1201 – Vila Curuçá)

Oficina de Comicidade – Tema: A lógica do Ilógico

Casa de Cultura Itaim Paulista (Rua Monte Camberela, 490 – Vila Silva Teles)

18/04

Sábado – 09h30 às 12h30

Grátis

Classificação 12 anos

ELIZABETH COSTELLO

Elizabeth Costello é um projeto teatral idealizado pela atriz Lavínia Pannunzio, que resultou no espetáculo com dramaturgia e direção do ator Leonardo Ventura, sobre a obra homônima do laureado escritor sul-africano J.M Coetzee, considerado um dos principais escritores de língua inglesa. Com o trabalho em andamento desde o início de 2018, a peça estreou em 22 de janeiro no TUSP – Teatro da USP. Agora, a partir de 29 de fevereiro, inicia a segunda temporada de um mês, somente com sessões aos sábados e domingos.

Uma velha escritora vive entre gatos em uma aldeia do interior. Enquanto faz uma profunda reflexão diante de um gravador, cria uma narrativa de ficção onde a personagem Elizabeth Costello, deve fazer declarações de crença diante de uma banca de juízes para passar por um misterioso portão. Diante das questões “No que creio? Por quê creio?”, Elizabeth Costello recorre à sua luta mais cara, a dos direitos dos animais para respondê-las. No entanto, sente-se inadequada com a recepção de suas ideias por parte da banca de seus ávidos juízes. Para encontrar uma maneira de falar que traga iluminação e não divisão, Elizabeth recorre à outros temas como: a filosofia e os animais; a poesia e os animais; o mal sob a ótica de  um estupro que sofre ainda jovem; a análise crítica da lógica cristã em um potente embate com sua irmã na África; a empatia gestada pela sua perspectiva humanista, entre outros. Estes temas, ainda que não revertam sua condição inadequada, acabam por levar a escritora a um culminante contato com forças míticas ontológicas e primordiais de existência, revelando suas crenças sobretudo no que é real no âmbito da natureza.

Elizabeth Costello é um espetáculo que apresenta três planos temporais, resultantes do hibridismo narrativo presente na obra original e pautado, sobretudo, pelo trabalho da atriz na construção das diferentes narrativas e facetas da personagem.

Sobre a Dramaturgia por Leonardo Ventura

Elizabeth Costello, de J.M. Coetzee é dividido em oito “lições”, de escrita densa, com múltiplas camadas, referências literárias, filosóficas e com trânsito por diversos gêneros; além da presença de um narrador flutuante que assume diferentes perspectivas. Diante desta abrangência, nosso processo instaurou-se suprimindo toda matéria de reflexão literária, deixando emergir ações, circunstâncias, fortes imagens e sobretudo, o ponto de vista prismático da personagem.

Observamos que a questão do Mal era recorrente na narrativa, notadamente nas lições acerca da temática dos animais, do holocausto e do cristianismo: o mal como consequência dos desvios de processos civilizatórios; essas narrativas configuram a primeira metade da nossa peça.

Na lição a respeito das humanidades na África, o autor apresenta a cultura do Renascimento como uma possível via de conciliação civilizatória, tema que foi inserido no início da segunda parte da peça, e que abriu espaço para o retorno da personagem ao ambiente mítico presente nas últimas lições. Este retorno encerra o desfecho da nossa dramaturgia: o contato da personagem com os elementos e com as forças primordiais como sua proposta de civilidade.

Entretanto, precisávamos de uma ação geral como receptáculo dessa trajetória, que encontramos na última lição: uma mulher escrevendo uma declaração de crença diante de uma banca de juízes para atravessar um misterioso portão; cada narrativa escolhida tornou-se então, uma das declarações que Elizabeth escreve aos juízes. Por fim, o conto “A mulher e os gatos” (onde a personagem encontra-se exilada, metaforicamente para além deste portão), foi inserido, estabelecendo o tempo presente da ação geral dramatúrgica e a condição concreta da personagem: uma mulher, num lugar longínquo, ficciona esta personagem e estas narrativas diante de um portão.

Sobre a Encenação

A encenação parte da lógica da dramaturgia, onde se têm três planos da personagem: a escritora exilada, velha, fazendo uma reflexão profunda diante de um gravador (já que não escreve mais) e criando uma narrativa de ficção que resulta na segunda Elizabeth Costello; esta, ficcionada, deve fazer uma declaração de crença diante de uma banca de juízes para passar por um misterioso portão. Estas declarações geram o terceiro plano, o de ações e circunstâncias desta personagem criada, como por exemplo, a narração de um estupro que sofre ainda jovem; a análise crítica da lógica cristã em um potente embate com sua irmã na África; a empatia gestada pela sua potente perspectiva humanista, revelada pela sua relação com seres muito diversos e o culminante contato com os mitos gregos e as forças primordiais de existência. Com os três planos em cena convencionou-se uma tradução em ação dos desdobramentos das narrativas que o autor propõe no material original. O cenário, a luz e o som ajudarão na definição destes diferentes planos, entretanto, a encenação é ancorada, sobretudo, no trabalho da atriz.

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Elizabeth Costello

Com Lavínia Pannunzio

TUSP – Teatro da USP (R. Maria Antônia, 294 – Vila Buarque, São Paulo)

Duração 70 minutos

29/02 a 29/03

Sábado – 21h, Domingo – 20h

$30

Classificação 16 anos

MOSTRA DE REPERTÓRIO CIA. MUNGUNZÁ DE TEATRO

Durante o mês de março a Cia Mungunzá de Teatro apresenta sua mostra de repertório com os cinco espetáculos do grupo no Teatro João Caetano. Com ingressos gratuitos, a mostra começa com Epidemia Prata – dias 6, 7 e 8 de março, sexta-feira e sábado às 21h e domingo às 19h. Recentemente apresentado no Festival Internacional de Teatro de Kerala, na Índia, o espetáculo, que tem direção de Georgette Fadel, é uma costura entre duas linhas narrativas: a visão pessoal dos atores sobre os personagens reais que conheceram em sua atual residência no Teatro de Contêiner – Centro de São Paulo, e o mito da medusa, que transforma pessoas em estátuas.

Na sequência serão apresentados os espetáculos Luis Antonio – Gabriela (de 13 a 15 de março, sexta-feira e sábado às 21h e domingo às 19h), Por que a Criança Cozinha na Polenta? (de 20 a 22 de março, sexta-feira e sábado às 21h e domingo às 19h), Poema Suspenso para uma Cidade em Queda (de 27 a 29 de março, sexta-feira e sábado às 21h e domingo às 19h). O infantil Era uma Era faz apresentações dias 28 e 29 de março, sábado e domingo, às 16 horas.

Epidemia Prata (2018) é uma pequena gira teatral. Dura. Sólida. Nessa gira, a poesia é como um rato, deve se espremer pelos cantos para superar um céu de metal. Repleto de imagens e predominantemente performático e sinestésico, o universo prata, no espetáculo, assume uma infinidade de conotações que vão desconstruindo personagens estigmatizados pela sociedade e compartilhando a sensação de petrificação diante de tudo.

Apesar de levar à cena o endurecimento do ser humano e o fim da sutileza e da comunicação, Epidemia Prata, com texto autoral e supervisão dramatúrgica de Verônica Gentilin, não tem o objetivo de ser um espetáculo de denúncia e sim de alavancar a poesia. “Faço junto com a Cia Mungunzá um alerta desse endurecimento, do parafuso emperrado que não deixa o mundo girar como deveria, mas que também nos coloca como observadores dessa miséria”, conta a diretora Georgette Fadel.

Um chão todo azul com apenas uma carcaça de piano, uma tampa de bueiro e dois mil reais em moedas de cinco centavos a cenografia de Epidemia Prata se completa com uma tela de projeção em cima do palco. A tela mostra imagens relacionadas com objetos duros e de metais. “É a inversão do céu e terra, onde ninguém tem chão e o céu pode ser cruel”, diz Fadel.

Luis Antonio – Gabriela

Sucesso de público e crítica com mais de 400 apresentações e 40 mil espectadores em todo Brasil, a montagem conta, desde 2018, com a atriz trans Fabia Mirassos no papel de Gabriela. Em Luis Antonio – Gabriela (2011) o diretor Nelson Baskerville coloca em cena sua própria história, onde o irmão mais velho, homossexual, Luis Antonio, desafia as regras de uma família conservadora dos anos 1960. O documentário cênico tem início no ano de 1953, com o nascimento de Luis Antonio, filho mais velho de cinco irmãos, que passou infância, adolescência e parte da juventude em Santos até ir embora para Espanha aos 30 anos, onde se transforma em Gabriela, e vai até 2006, data de sua morte.

Diferentes pontos de vista, como do irmão caçula que foi abusado sexualmente; da irmã que sai pelo mundo em busca do corpo de Gabriela; do pai que não reconhecia o filho travesti; da madrasta que via tudo como se fosse uma grande comédia; e dos amigos e colegas de trabalho, que viam a figura da protagonista com uma mistura de admiração e estranhamento são usados na montagem para mostrar a transformação de Luis Antonio em Gabriela.

Por que a Criança Cozinha na Polenta?

Com cinco temporadas em São Paulo e participações em festivais nacionais, entre eles o festival de Curitiba e Recife, Por que a Criança Cozinha na Polenta? (2008) é o primeiro espetáculo da Cia Mungunzá de Teatro e conta a história de uma menina romena cujos pais são artistas circenses exilados de seu país. A mãe se pendura no trapézio pelos cabelos todas as noites e o pai é um palhaço que não acredita em Deus. Enquanto, em seu exílio, excursiona pela Europa Central, a menina, ao lado da irmã mais velha, é arremessada de encontro ao despedaçamento de todos os seus ideais, bem como o preço por cada um deles.

Baseado na obra da escritora romena Aglaja Veteranyi, a montagem foi adaptada por Nelson Baskerville, que também assina a direção. Narrado por uma adolescente que se defende da degradação pela ótica infantil, a peça é ao mesmo tempo lírica e cruel.

Poema Suspenso para uma Cidade em Queda

Encenada em quatro torres de andaimes de cinco metros de altura e baseada em histórias e experiências pessoais dos atores, Poema Suspenso para uma Cidade em Queda (2015) tem direção de Luiz Fernando Marques – integrante do Grupo XIX de Teatro – e mostra um pouco sobre o sentimento de imobilidade que atinge muitas pessoas nos dias de hoje.

Poema Suspenso para uma Cidade em Queda é uma fábula contemporânea sobre a sensação de suspensão e paralisia geral do mundo moderno. Uma pessoa cai do topo de um prédio e não chega ao chão. Os anos passam e este corpo não consuma a queda. A partir daí, a vida das pessoas nos apartamentos desse edifício fica presa numa espécie de buraco negro pessoal, onde cada um vive uma experiência que não finaliza. Cada personagem fica preso em sua metáfora, ignorando o conjunto à sua volta.

O diretor Luiz Fernando Marques conta como a peça foi construída: “a Mungunzá é uma companhia atípica, só de atores. O convite veio logo após o sucesso deles com Luis Antonio – Gabriela, espetáculo premiado e minha responsabilidade aumentou com isso. Primeiro, ouvi o que esses atores queriam contar com esse projeto. Essa é uma das características da minha direção: focar nos atores e trabalhar em conjunto com eles. Na primeira parte do trabalho, com os workshops para levantar a dramaturgia, atuei como um provocador desse processo que foi super orgânico”, explica.

Era uma Era

Espetáculo da Cia. Mungunzá de Teatro voltado para o público infanto-juvenil, Era uma Era (2015) tem direção de Verônica Gentilin e conta as desventuras de um rei que tenta, a qualquer custo, fazer parte da história e, para tal, documenta toda a fundação do seu reino e seus feitos.

Inspirada no livro O Decreto da Alegria, de Rubem Alves, a montagem tem como temas centrais a memória e a tecnologia e é encenada em andaimes de cinco metros de altura. No espetáculo, os personagens que contam a história do Grande Reino Ainda Sem Nome surgem de uma caixa abandonada. Barba Rala, rei deste Reino deseja a todo custo entrar para a história dando um nome ao seu Reino. A única forma que um Reino tem de ser reconhecido e entrar para a história, é completando 100 páginas no Grande Livro de Autos. Assim, o rei resolve registrar todo e qualquer passo nesse livro. Até que um dia, após um incêndio, o livro é destruído e os habitantes tem que recomeçar sua vida do zero. No entanto, nessa segunda parte da história, os tempos são outros e a tecnologia domina a vida das pessoas. A peça se repete, mas completamente contextualizada no caos da era digital. Novamente o Reino cresce e vai se preenchendo de memórias e registros e selfies até entrar em colapso de novo.

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Mostra de Repertório Cia. Mungunzá de Teatro

Teatro João Caetano (Rua Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino, São Paulo)

06 a 29/03

Grátis (retirada de ingressos com uma hora de antecedência)

Teatro Adulto

Epidemia Prata 

Com Gustavo Sarzi, Leonardo Akio, Lucas Beda, Marcos Felipe, Pedro Augusto, Verônica Gentilin e Virginia Iglesias

Duração 60 minutos

06 a 08/03

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

Classificação 16 anos

Luis Antonio – Gabriela

Com Fabia Mirassos, Marcos Felipe, Lucas Beda, Sandra Modesto, Verônica Gentilin, Virginia Iglesias e Lilian de Lima

Duração 100 minutos

13 a 15/03

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

Classificação 16 anos

Por Que a Criança Cozinha na Polenta?

Com Verônica Gentilin, Sandra Modesto, Virgínia Iglesias, Marcos Felipe e Lucas Beda

Duração 80 minutos

20 a 22/03

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

Classificação 16 anos

Poema Suspenso para uma Cidade em Queda

Com Verônica Gentilin, Virginia Iglesias, Lucas Bêda, Marcos Felipe e Sandra Modesto

Duração 70 minutos

27 a 29/03

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

Classificação 14 anos

Teatro infantil

Era uma Era

Com Sandra Modesto, Virginia Iglesias, Leonardo Akio, Lucas Beda, Marcos Felipe e Pedro Augusto

Duração 70 minutos

28 e 29/03

Sábado e Domingo – 16h

Classificação Livre

ATÉ QUE MEU SHOW TE SEPARE

Sucesso em todo o Brasil com seus shows, em que despe o seu famoso personagem na Tv para se apresentar de cara limpa, Matheus Ceará estreia temporada em São Paulo com seu novo show “Até que meu Show te Separe” no dia 6 de março, 23h50, no Teatro das Artes.

Grande contador de histórias, o Humorista leva para os palcos as situações engraçadas, e reais, vividas em família, o dia a dia como pai da pequena Ivy, seu casamento, e outros acontecimentos hilários que terão identificação imediata com os casais da plateia.

Ele ainda traz para o palco o seu quadro “Vocês Pedem e Eu Conto”, um sucesso na internet em que Matheus conta piadas com temas escolhidos pelos fãs. No Teatro, a interação será na hora e a gargalhada também!

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Até Que Meu Show Te Separe

Com Matheus Ceará

Teatro Das Artes – Shopping Eldorado (Av. Rebouças, 3970 – Pinheiros, São Paulo)

Duração 90 minutos

06/03 a 29/05

Sexta – 23h50

$70 (01kg alimento não perecível – ingresso $40)

Classificação 16 anos