27º FESTIVAL MIX BRASIL DE CULTURA DA DIVERSIDADE

Acontece, na cidade entre os dias 13 a 20 de novembro, o 27º Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade com atividades de cinema, teatro, música, palestras e games.

Realizado pela Associação Cultural Mix Brasil, o Festival tem como objetivo a formação intelectual e de público em decorrência de sua programação inovadora e das atividades sociais que permitem a interação entre as mais diversas comunidades em prol da construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

A programação está espalhada pelo Centro Cultural São Paulo (CCSP)CineSescEspaço Itaú de Cinema, Cine Olido, Centro Cultural da Diversidade e, há a volta neste ano para o Museu da Imagem e do Som (MIS), primeira sede do Festival.

O tema deste ano é #Persistir – um complemento ao tema do ano passado que foi #Resistir – frente a uma guerra cultural que foi declarada unilateralmente e tem como principais alvos a educação, a cultura, a ciência e as minorias, em especial a população LGBTQI+. “Esse ano mais do que resistir, devemos persistir, palavra que vem do latim e quer dizer ‘manter com firmeza’. É importante nos mantermos unidos, buscando e compartilhando interesses e áreas comuns entre nossas diversas bolhas. Persistindo, juntos, ganhamos mais força“.

Referente a programação dramática, foram programados 5 peças: “Eu Não Sou Harvey” (Ensaio Aberto), “Sombra“, “Orlandx by Virginia Woolf” (Work in Progress), “40 Anos Esta Noite” e “Manifesto Transpofágico (Uma Transpofagia da Transpologia de uma Transpóloga)“. As atrações são todas gratuitas.

A programação completa do Festival pode ser acessada aqui.

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Eu Não Sou Harvey

Duração 45 minutos

Classificação 16 anos

Sinopse

Se uma bala entrar em meu cérebro, deixe que a bala destrua cada porta de armário.” Partindo dessa frase gravada em uma fita pelo próprio Harvey Milk, um ano antes de seu assassinato, o espetáculo narra os últimos dias e o julgamento do assassinato de um dos principais ícones da luta mundial pelos direitos humanos.

14/11 – Quinta – 20h – Centro Cultural São Paulo – Sala Adoniran Barbosa

15/11 – Sexta – 21h – Centro Cultural da Diversidade

Ficha Técnica

Texto e direção: Michelle Ferreira
Argumento e atuação: Ed Moraes
Iluminação: Karine Spuri
Trilha: Mau Machado
Fotos: Caio Oviedo
Cenotécnico: Marcio Macena
Arte: Pietro Leal

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Sombra

Duração 60 minutos

Classificação 18 anos

Sinopse

Através de uma sonorização especial com os textos que foram censurados ao longo da história, e inspirado pelo livro de Alberto Manguel, “A biblioteca à noite”, o Teatro da Pombagira cria um ambiente que revela as obras que foram deixadas nas prateleiras mais altas, trancadas ou até mesmo retiradas de circulação, por conta de seu conteúdo queer ou fantasioso. Na performance do coletivo o público recebe fones para ouvir os sussurros das palavras censuradas, e, em contraponto, os performers tomam conta do espaço e criam imagens que ora colaboram com a encenação, ora desnorteiam os entendimentos.

15/11 – Sexta – 18h – Centro Cultural São Paulo – Sala Adoniran Barbosa

19/11 – Terça – 20h – Centro Cultural São Paulo – Sala Adoniran Barbosa

Ficha Técnica
Direção: Marcelo D’Avilla e Marcelo Denny
Produção geral: Marcelo D’Avilla
Trilha sonora: Renato Navarro
Desenho de luz: François Monetti
Operação de luz: Quinho Gonça
Performers: Andres Vallejos, Andrew Tassinari, Hugo Faz, Lua Negrão, Marcelo D’Avilla, Mateus Rodrigues, Renato Teixeira, Ricardo Mesquita, Snoo, Walmir Bess, Wesley Lima e Zen Damasceno
Curadoria de textos: Ferdinando Martins
Cenografia: Denise Fujimoto
Fotos: Rick Barneschi

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Orlandx by Virginia Woolf (Work in Progress)

Duração 110 minutos

Classificação 16 anos

Sinopse

Novo espetáculo do VULCÃO [criação e pesquisa cênica], ainda em processo de construção, promove debate de representatividade a partir da obra Orlando – uma biografia, de Virginia Woolf. A dramaturgia de Orlandx, construída de forma processual, vem sendo pensada a partir de estudos teóricos sobre a obra de Woolf e de experimentações em sala de ensaio desde 2017. Neste momento, os propositores Elisa Volpatto e Paulo Salvetti, junto da diretora Vanessa Bruno, compõem a abertura do processo do trabalho e, na sequência, recebem convidadxs para construir um diálogo com o público sobre a criação e a recepção da obra apresentada – atividade nomeada [VULCÃO Conversa]. O projeto Orlandx by Virginia Woolf realiza um exercício conjunto de empatia por meio da obra universal de uma das maiores feministas do século XX.

15/11 – Sexta – 17h – Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho

Ficha Técnica
Proposição, interpretação e dramaturgia: Paulo Salvetti e Elisa Volpatto
Direção e dramaturgia: Vanessa Bruno
Iluminação: Rodrigo Campos
Direção de Arte: Vicente Saldanha
Figurinos: Juliana Yoshie
Produção: Corpo Rastreado
Realização: VULCÃO
[criação e pesquisa cênica]
Exercício de alteridade: construções identitárias em Orlando
Com Verônica Valentino e Raimundo Neto

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40 Anos Esta Noite

Duração 80 minutos

Classificação 16 anos

Sinopse

Em seu aniversário de 40 anos, Gabriela, que vive com sua esposa Clarice, convida seu melhor amigo de infância, Bernardo, e o novo namorado dele, João, para uma discreta celebração em seu apartamento. A festa sofre uma reviravolta quando a anfitriã surpreende a todos com o convite para que Bernardo seja o pai do filho que as duas estão tentando ter, sem sucesso, por inseminação artificial.

16/11 – Sábado – 21h – Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho

17/11 – Domingo – 20h – Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho

Ficha Técnica
Texto: Felipe Cabral
Direção: Bruce Gomlevsky
Elenco: Felipe Cabral, Gabriel
Albuquerque, Gisele de Castro e Karina Ramil
Ideia original: Gisela de Castro
Cenário: Fernando Mello da Costa
Figurino: Carol Lobato
Iluminação: Felício Mafra (Russinho)
Trilha sonora: Kleiton Ramil
Assistência de direção: Bruna Diacoyannis
Preparação vocal: Verônica Machado
Direção de produção: 2D Produções e Comunicação
Produção executiva: Luciana Duque
Realização: Felipe Cabral

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Manifesto Transpofágico (Uma Transpofagia da Transpologia de uma Transpóloga)

Duração 50 minutos

Classificação 18 anos

Sinopse

A história do corpo travesti é narrada pela atriz Renata Carvalho. Em cena, ela lança um manifesto sobre o nascimento desses corpos, mostrando a construção social e a criminalização que os permeiam, do imaginário à concretude. Essa pesquisa, chamada de Transpologia, foi iniciada em 2001, quando Renata tornou-se agente de prevenção voluntária de ISTs, hepatites e tuberculose, trabalhando com travestis e mulheres trans na prostituição. A partir dessa experiência leva aos palcos em 2012 o solo Dentro de Mim Mora Outra, no qual contava sua vida e a travestilidade. Desde então, vem reunindo histórias, fi lmes, livros e peças de teatro sobre o tema. Seu O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu, também exibido no Festival Mix Brasil em 2017, foi censurado em diversas cidades do Brasil.

16/11 – Sábado – 20h – Centro Cultural da Diversidade

Ficha Técnica

Dramaturgia e interpretação: Renata Carvalho
Direção: Luiz Fernando Marques
Diretora de cena: Juliana Augusta
Produção: Corpo Rastreado

O OVO DE OURO

A função do Sonderkommando ou comandos especiais, unidades de trabalho formadas por prisioneiros selecionados para trabalhar nas câmaras de gás e nos crematórios dos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, inspira O Ovo de Ouro, com texto de Luccas Papp e direção de Ricardo Grasson. A peça estreia no dia 21 de novembro, no Sesc Santo Amaro, onde segue em cartaz até 15 de dezembro.

Obrigados a tomar as atitudes mais atrozes para acelerar a máquina da morte nazista, esses prisioneiros conduziam outros judeus à câmara de gás, queimavam os corpos e ocultavam as provas do Holocausto. Quem se recusava a desempenhar esse papel era morto, quem não conseguia mais desempenhar a função, era exterminado com os demais.

Ovo de Ouro surge da minha necessidade de não deixar morrer esse pedaço tão importante da História que é a Segunda Guerra Mundial, o nazismo e o Holocausto. A ideia de escrever a peça surgiu em 2014, quando eu fui apresentado ao universo do Sonderkommando por meio de um pequeno artigo em uma revista. Essa figura do judeu que tem que auxiliar com o extermínio do próprio povo mexeu muito comigo e minha noção de humanidade, e me incentivou a tentar entender por que eles faziam isso, por que eles não se recusavam. Com este espetáculo temos a oportunidade de falar sobre Segunda Guerra sob o ponto de vista dessa figura pouco conhecida”, explica Luccas Papp.

Contada em diferentes episódios e tempos, a trama revela a vida de Dasco Nagy (Sérgio Mamberti), que foi Sonderkommando e sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Em cena, dois planos são apresentados – a realidade e a alucinação – para retratar a relação do protagonista Dasco Nagy quando jovem (Luccas Papp) com seu melhor amigo Sándor (Leonardo Miggiorin), com a prisioneira Judit (Rita Batata) e com o comandante alemão Weber (Ando Camargo). No presente, Dasco é entrevistado, já em idade avançada, por uma jornalista, narrando os acontecimentos mais horrorosos que viveu no campo de concentração e descrevendo a partir do seu ponto de vista os horrores e tristezas da Segunda Guerra Mundial.

O papel de Dasco é dividido pelos atores Sérgio Mamberti, que dá vida ao personagem no tempo presente/alucinação, e Luccas Papp, que o interpreta no passado/realidade, no plano da memória. “Talvez este seja um dos personagens mais desafiadores na minha carreira por uma série de fatores. Um deles é por representar o mesmo personagem que Sérgio Mamberti, o que é uma honra e uma responsabilidade muito grande. Segundo, é que ele é um sonderkommando vivendo situações de caráter tão absurdo. Eu preciso fazer com que o público acredite na realidade do que acontecia nos campos de concentração. Tenho que trabalhar com elementos obscuros no meu interior para trazer veracidade para essas situações. E como a peça é feita em ordem não cronológica – são nove cenas divididas entre passado e futuro – tenho que organizar minha cabeça para conseguir colocar a emoção certa na hora certa”, esclarece o ator e dramaturgo.

A dualidade interna entre ser obrigado a auxiliar na aniquilação de seu próprio povo e o medo da morte transforma o Sonderkommando em um complexo personagem a ser debatido. Nesse contexto são muitas as questões discutidas, desde o significado real de humanidade, o medo da morte, os limites da mente e da alma humana e a perda da própria identidade.

A dramaturgia foi inspirada em uma pesquisa sobre obras que discutiam os temas do Holocausto e da Segunda Guerra Mundial. Entre elas, destacam-se os livros Sonderkomamando: No Inferno das Câmaras de Gás, de Shlomo Venezia, e Depois de Auschwitz, de Eva Schloss; e o filme O Filho de Saul, de László Nemes, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2016.

A encenação

A encenação tem como inspiração e referência, a sétima arte, em todos os seus desdobramentos, nuances e dezenas de relatos deixados pelos sobreviventes dos campos de extermínio. “Apontamos no tempo presente, o encontro entre a jornalista e o sobrevivente, de forma fantasmagórica, alucinógena, imprimindo uma atmosfera vibratória, de vida pulsante às cenas e aos personagens. Quando nos transportamos, ilusoriamente, ao campo de concentração, ao passado concreto, vivido pelos personagens apontamos uma atmosfera fria, enclausurada, suspensa e sem vida, que nos conduz imageticamente àquelas sensações de crueldade. Luz, som, cenografia e figurino conversam com essa estética e nos conduzem à proposta de encenação. A ideia é fazer com que as sensações criadas por estes elementos no espaço cênico atinjam o espectador de maneira intensa. Como encenador, entendo que a cenografia, o figurino, a iluminação, a trilha sonora não são panos de fundo ou cama para um espetáculo, juntos eles atuam concretamente fusos ao texto, formando assim uma narrativa dramatúrgica única”, revela o diretor Ricardo Grasson.

Para que não se repita

Em tempos de pouco diálogo, imposição de ideias e ideologias, censura e extremismos é fundamental debatermos esses temas tão duros e atrozes para que os erros que provocaram tanto sofrimento no passado não se repitam. É necessário e quase que um dever recordarmos as atrocidades do holocausto nazista, para que a história vivida no final dos anos trinta e início dos quarenta, não volte a nos assombrar. Para que as novas gerações, não testemunhas deste período da história, saibam o que aconteceu e onde a intolerância pode nos conduzir. Auschwitz e outras tristes lembranças do holocausto, podem até escapar da memória, mas jamais deixarão os corações de quem viveu a tragédia, especialmente de quem se atribui a responsabilidade de manter viva, por gerações, as imagens da perversidade humana. Uma das formas de evitar a repetição de tais tragédias coletivas é recordá-la, para que não ressurjam no horizonte, sinais do restabelecimento de ódios raciais, extremismos comportamentais e ideologias sectárias, formando o caldo cultural do qual o nazismo se alimentou e  cresceu”, completa Ricardo Grasson.

… É fácil esquecer para quem tem memória; difícil esquecer para quem tem coração”…

Gabriel Garcia Marques

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O Ovo de Ouro

Com Sérgio Mamberti, Leonardo Miggiorin, Rita Batata, Ando Camargo e Luccas Papp.

SESC Santo Amaro (Rua Amador Bueno, 505, Santo Amaro, São Paulo)

Duração 90 minutos

21/11 até 15/12

Quinta e Sexta – 21h, Sábado – 20h, Domingo – 18h

$30 ($9 – credencial plena)

AUDIÊNCIA

Pouco encenado no Brasil, o poeta, dramaturgo, ativista e ex-presidente tcheco Václav Havel (1936-2011) foi um dos líderes da Revolução de Veludo, movimento pacífico responsável pelo fim do regime autoritário comunista na antiga Tchecoslováquia. Para marcar os 30 anos desse levante político e criar uma reflexão sobre o valor da democracia, o Coletivo Cardume estreia o espetáculo “Audiência”, com direção de Juliana Valente e tradução de Luis Felipe Labaki, na SP Escola de Teatro – Sala Hilda Hilst, no dia 29 de novembro. A temporada segue até 16 de dezembro, com ingressos por até R$30.
 
Crítico ao autoritarismo, Havel foi impedido de ter suas peças encenadas durante a época que ficou conhecida no país como “Normalização” (1968-1989), período de recrudescimento do regime comunista que deu fim ao processo de liberalização ocorrido na Primavera de Praga (1968). Em 1974, com dificuldades financeiras, o dramaturgo foi obrigado a trabalhar por alguns meses em uma cervejaria na cidade de Trutnov.
 
Essa experiência serviu-lhe de inspiração para escrever a peça “Audiência” (1975), que narra a visita do ex-dramaturgo Vaněk (na montagem do Coletivo Cardume, interpretado por Marô Zamaro), uma espécie de duplo do autor, ao escritório de seu chefe, o Mestre Cervejeiro (Pedro Massuela). Entornando várias garrafas de cerveja, o patrão pergunta ao subordinado sobre sua vida anterior à função maçante de rolar os barris da cervejaria e sobre as atrizes e personalidades com quem convivia no teatro.
 
Na conversa, o Mestre Cervejeiro se lembra dos próprios velhos tempos, extravasa sobre suas desilusões e propõe a Vaněk um novo trabalho em troca de um favor. O poeta e dramaturgo dissidente deveria ajudar a escrever os relatórios solicitados pelo serviço secreto sobre suas atividades “subversivas”.
 
A peça nos apresenta um embate entre duas visões de mundo. Vaněk e o Mestre cervejeiro possuem experiências de vida e perspectivas muito diversas entre si. E esse atrito é o primeiro aspecto que nos chama a atenção. Eu poderia dizer que esse aspecto estrutural da peça dialoga profundamente com a séria polarização política que vivemos no Brasil”, conta a diretora Juliana Valente.
 
Ambos impactados pelo regime totalitário, o “operário” e o “intelectual” desenvolvem reflexões profundas acerca da vida em uma época de censura acentuada e das diferenças de classe em um ambiente supostamente igualitário. “Outro aspecto trazido pelo texto é o questionamento sobre o lugar do artista e do intelectual na sociedade. Essa é uma discussão que atualmente tem ganhado espaço por conta do processo de desvalorização do artista e do conhecimento intelectual de maneira geral que estamos vivendo”, acrescenta a encenadora.
 
O espetáculo tem a proposta de defender a democracia e a liberdade de pensamento e expressão, ameaçadas diante do turbulento cenário político mundial atual, além de discutir como o totalitarismo é prejudicial em qualquer regime.
 
A peça tem trilha sonora executada ao vivo por Francisco Turbiani e Luis Felipe Labaki e cenário também assinado por Juliana Valente. A plateia é disposta frente a frente, com elementos cênicos dispostos em um corredor. “Uma das minhas primeiras preocupações em relação à direção foi a criação do ambiente de uma cervejaria. Isso aparece nos elementos de cenário e adereços, mas também se relaciona com a escolha de evidenciar os músicos em cena, caracterizados como funcionários dessa fábrica”, afirma a diretora.
 
Trilogia Vaněk
 
Além de “Audiência” (1975), Havel escreveu na década de 1970 outras duas peças com o mesmo protagonista, o dramaturgo Ferdinand Vaněk: “Vernissage” (1975) e “Protesto” (1978). O personagem – e até a figura de Havel – também foi apropriado por outros dramaturgos tchecos, como Pavel Kohout e Jirí Dienstbier.
 
Os três trabalhos circularam amplamente na Tchecoslováquia na forma de “samizdat” (a divulgação clandestina de publicações censuradas pelos regimes totalitários no Leste Europeu) e reforçam a reputação do autor como um dos principais dissidentes políticos do país. Depois da estreia de “Audiência”, o Coletivo Cardume pretende montar as duas outras peças dessa sequência.
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Audiência
Com Marô Zamaro e Pedro Massuela
SP Escola de Teatro – Sala Hilda Hilst (Praça Rooosevelt, 210, República, São Paulo)
Duração 75 minutos
29/11 até 16/12
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h, Segunda – 21h
$30 ($10 – aprendizes da SP Escola de Teatro)
 
Classificação 12 anos

CASOS E CANÇÕES

Eva Wilma, uma das maiores atrizes brasileiras em atividade, mostra agora mais uma faceta artística. Protagonista do espetáculo Casos e Canções, ela canta sua vida e memórias ao lado do filho, o compositor, violonista e cantor John Herbert Jr., do pianista e cantor William Paiva e do diretor cênico Eduardo Figueiredo.

Em Casos e Canções, Eva convida o público a embarcar numa viagem lúdica e musical por algumas dascanções e imagens que se eternizaram e marcaram sua memória e a do país nos últimos 65 anos. “Isso eu trago da primeira infância. As horas mais felizes de intimidade com meu pai e minha mãe, é quando eles se revezavam ao piano e nós cantávamos”, lembra ela.

Dessa época, comparecem no repertório “Felicidade”, de Lupicínio Rodrigues e “O Trenzinho do Caipira”, de Ferreira Gullar e Heitor Villa Lobos. Da adolescência, quando foi aluna de Inezita Barroso, uma homenagem à mestra, com “Uirapuru” e “Azulão”. O amigo Baden Powell também ganha reverência, com “Bom Dia Amigo”, parceria dele com Vinícius de Moraes, e “Violão Vagabundo”, tema da personagem da gêmea Raquel, que Eva interpretou em “Mulheres de Areia”, novela exibida pela TV Tupi em 1973.

Das lembranças da trama de Ivani Ribeiro, vêm também as instrumentais “First Love” e “Last Love”, tocadas por William e John e produzidas à época por Arnaldo Saccomani com a Orquestra Phonoband, e uma homenagem a Adoniram Barbosa, que atuou na novela como o pescador Chico Belo, com a versão do trio para “Tiro ao Álvaro” e “Saudosa Maloca”.

O clássico “Sorri” versão de Braguinha para “Smile”, de Charlie Chaplin, enriquece a narrativa, além de outras referências a canções da Bossa Nova, MPB, Tropicália, Beatles… que William e John sugerem como fundo musical e costura às histórias contadas por Eva.

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Casos e Canções

Com Eva Wilma

Duração não informada

Classificação Livre

SESC Ipiranga (R. Bom Pastor, 822 – Ipiranga, São Paulo)

29 e 30/11

Sexta e Sábado – 21h

$40 ($12 – credencial plena)

SESC Jundiaí (Av. Antônio Frederico Ozanan, 6600 – Jardim Botânico, Jundiaí – SP)

01/12

Domingo – 18h

$30

PASSARINHO

Primeiro trabalho como dramaturga da atriz Ana Kutner, Passarinho retorna para duas apresentações na Escrevedeira nos próximos dias 21 e 22 de novembro, quinta e sexta, às 20h30. Com direção de Clara Kutner, a peça vem agora em um novo formato, com Ana propondo um diálogo maior com o público e o espaço, dando ares de performance ao seu solo que estreou em 2017. A peça tem um tom autobiográfico e  fala sobre as experiências afetivas, memórias, dores e descobertas de Ana.
Em cena, Ana, que é também iluminadora, opera a própria a luz, além do som, e promove um encontro franco, direto e amoroso com o público, para quem oferece seus relatos num tom que, apesar de confessional, não deixa entrever os limites entre realidade e ficção e se vale de sua experiência particular para falar do que é universal e reconhecível por qualquer um de nós.
A peça foi transformada em livro, que saiu pela editora Cobogó no ano passado. Quem desejar, poderá comprar seu exemplar nos dias da apresentação também.
Passarinho e a Escrevedeira
Essa é a segunda vez que Passarinho se apresenta na Escrevedeira. A montagem revisita esse ninho recentemente  criado em parceria com o espaço e, juntos, se lançam em mais uma experimentação. “Um ninho de encontros se fez entre nós porque, quando comecei a fazer o Passarinho, ficou muito claro para mim e para a diretora Clara Kutner que o espetáculo precisava transitar em espaços múltiplos, deslocar, para além das salas de teatro, experimentar outras interlocuções, performar em novos espaços, causando a provocação estética que buscamos: os atravessamentos”, explica Ana Kutner.
Em jogo o desafio, a surpresa e o risco, para ambas as partes – público e atriz. Nesta proposta o espetáculo adota um formato de performance, já que a estética será criada a partir do que o espaço nos oferece em seu ambiente, em todos os aspectos. Artista e platéia são convocadas a reconstruir juntas a cena, através dos estímulos encontrados neste ambiente.
Esta voz seria: eu estou aqui, você está aqui, nós estamos aqui nos olhando, falando, nos ouvindo e nos dando permissão de sermos o que somos. Cada ninho se constrói com o que se tem, sem nunca deixar de ser ninho. Convido a todos a ocuparem os lugares em que pousarmos“, conta Ana.
A peça defende o direito e a liberdade de sermos quem somos, sem julgamentos ou rótulos. E neste sentido ela é política e universal. Ela só é radical na não radicalidade. Falo, sim, de meu pai e minha mãe (Paulo José e Dina Sfat), na medida em que eles são também minha história e minha memória, mas falo de muitos outros afetos e de como eles me atravessaram pela vida.” completa Ana.
Além de Passarinho, que Ana deseja fazer pousar em outros ninhos, a atriz também está bem envolvida com o cinema e séries para TV. Recentemente, esteve envolvida em Psi (HBO), Colônia (Canal Brasil), Terrores Urbanos (Sentimental Filmes e Reccord), Boca a Boca (Netflix) e As Aparecidas (filme de Ivan Feijó).
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Passarinho
Com Ana Kutner
Escrevedeira (R. Isabel de Castela, 141 – Vila Madalena, São Paulo)
Duração 60 minutos

21 e 22/11

Quinta e Sexta – 20h30

$40

Classificação 16 anos

VAMOS?

A comédia conta com um par de homens e outro de mulheres às voltas com um grande jogo de conquista e seus entreveros do amor. O jogo instaurado pelo dramaturgo paulistano subverte essa ordem e transforma tudo aquilo que poderia soar como drama em uma boa comédia. 

Dirigida por Marcio Rosario, a nova montagem traz os atores Aretha Oliveira, Jean Visconti , Mitt Yamada, e Mony Gester, revezando-se em apenas dois papéis: uma dupla de casal de amigos onde um tenta convencer o outro a trair a relação. 

Vamos?” recebeu o prêmio de 2o lugar no Concurso Nacional de Dramaturgia 99, Prêmio Carlos Carvalho (RS), e acontece em uma noite, num cenário único, onde, depois de alguns copos de uísque, dois amigos conversam dos assuntos mais banais aos mais reveladores de uma maneira admirável: sem meias palavras. Um deles quer, a qualquer custo, levar o outro pra cama em celebração aos três anos de amizade, mas a grande questão é que os dois são casados com outras pessoas. Nesse mote, os argumentos para a noite esperada vão de teorias de santidade do número três à capacidade de recuperação na hora H, além de uma discussão reflexiva envolvendo sexo, traições, aventuras e, claro, amizade. 

Vamos?” é uma comédia atual com a capacidade de abordar, de forma dinâmica e divertida, todos os lados possíveis de um relacionamento, desde seu início até a “maré baixa”, onde os anos de convívio e sentimentos percorrem do extremo calor ao frio glacial. Há anos a dramaturgia fala sobre relacionamentos, mas Vamos? não só expõe o amor, como debate a realidade em torno dele, o conceito de fidelidade, desilusão, confiança e intimidade, seja entre amigos ou amantes. 

FACE

VAMOS? 

Com Aretha Oliveira, Jean Visconti, Mitt Yamada e Mony Gester

Teatro Jardim Sul – Shopping Jardim Sul (R. Itacaiúna, 61 – Vila Andrade, São Paulo)

Duração 70 minutos

02/11 a 14/12

Sábado – 21h

$70

Classificação 14 anos

“O POÇO” – DOS PALCOS PARA AS TELAS

Gruparteiro de Teatro, criado em 2015, já levou aos palcos as peças “A Ponte“, “Ruindade – o Musical“, “Entre 4 Parentes“, “Poço – o Musical” e “Noites de Sol – o Musical“.

Neste ano, a Borelli Produções (produtora responsável pelo Gruparteiro de Teatro) resolveu levar a história de “Poço – o Musical” para as telas de cinema.

A história aborda a reflexão sobre a depressão no indivíduo e na sociedade. Uma garota chamada “Bo”, misteriosamente acorda em um lugar estranho e escuro, precisa descobrir como sair dali. Aparentemente, ela é a salvação para os habitantes desse lugar, que a recebem como uma espécie de salvadora. A garota parece viver um sonho que se repete, mas será ela a verdadeira salvadora? Quem são os habitantes daquele lugar? Há uma saída?

A premiere vip de “O Poço” (“The Well“) acontece no dia 13 de novembro no cine Belas Artes. O filme tenta uma vaga para participar no ano que vem do Festival Sundance de Cinema, o maior festival de cinema independente.

Este é o segundo filme da Borelli Produções. O primeiro foi “Quase Livres“, lançado neste ano (o filme pode ser visto no canal do youtube da produtora – link). Inicialmente concebido como peça teatral, houve duas tentativas de montagem, mas que foram canceladas. Então, foi transposta diretamente para o cinema. Participou de vários festivais internacionais, sendo premiado no Cult Critic Movie AwardsL’Age d’Or International Arthouse Film Festival e Five Continents International Film Festival.

Agora é aguardarmos para que “O Poço” tenha uma boa recepção também e que alguma distribuidora lance o filme nas telas de cinema nacional.

O Poço (“The Well”)

Trailer oficial do longa-metragem musical independente de André Borelli.

Elenco: Aline Serra, Julia Rosa, Pablo Diego Garcia, Larissa Furtado, Gustavo Ceccarelli, Lucas Bamonte, Marcela Gibo e Tiago Prates

Roteiro, Direção e Produção: André Borelli

Músicas Originais: Vitor Moutte

Direção de Fotografia: Carina Borelli

Design de Produção: André Borelli, Carina Borelli e Melissa Maia

Figurino e Visagismo: Melissa Maia

Direção de Produção: Simone Borelli

Assistência de Produção: Augusto Jordão, Beatriz Oliveira, Mari Sasah, Naty Thyaie e Tallison Oliveira

Produção Executiva: Delduque Martins

Apoio: FAMBRAS, Estúdio 3-4, Recriarte, Jazz Nos Fundos, APRPP, Colégio Albert Sabin

A realização desta obra contou com o apoio da São Paulo Film Commission.