HOMEM-BOMBA

O solo Homem-Bomba, escrito por Cynthia Paulino e dirigido e protagonizado por Luiz Arthur, ganha três novas apresentações gratuitas nos dias 5, 6 e 7 de setembro, em São Paulo e Guarulhos. A peça da belo-horizontina Companhia Teatro Adulto estreou em 2018 na Mostra Solos e Monólogos do CCBB São Paulo.  

Homem-Bomba integra o projeto “Adultos em Cena SP MG” – ao lado do solo Coisas Boas Acontecem de Repente – e conta com o patrocínio da Usiminas e apoio do Instituto Usiminas por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais.

O solo se passa em um mundo desigual, cada vez mais parecido com um grande abatedouro. Nesse lugar horrível, um homem, interpretado por Luiz Arthur, tenta compreender os vários eus que o habitam e, para tal, adota métodos nada convencionais. A ideia é mostrar um personagem provocador, que busca intimamente a desconstrução e a compreensão dos monstros que existem escondidos em todas as pessoas.

Para discutir essa dualidade do ser humano, a peça busca como referência o romance “O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Sr. Hyde”, popularizado como “O Médico e o Monstro”, do autor britânico Robert Louis Stevenson (1850-1894). “O monstro não é alguém distante de nós. É nosso duplo. O monstro nos habita e cabe a cada um saber cuidar, compreender, educar a sua sombra. Vemos no país pessoas que se denominam ‘homens de bem’ e que trazem um discurso completamente sanguinário. De que tipo de ‘bem’ estamos falando? É uma jornada necessária essa, a de enfrentar-se, de compreender que o mal não nos é estranho. Podemos sucumbir se o transformamos em algo distante de nós, porque nós criamos a desordem e o caos que está aí. Se você estuda a história da humanidade sabe disso. O demônio é o próprio homem, o devorador, aquele que dizima seus semelhantes. O discurso contra o diferente é um exemplo disso”, revela Luiz Arthur.

Em cena, esse monstro se materializa em uma figura que se aproxima a um açougueiro. “Esse personagem foi se firmando durante todo o processo de construção da dramaturgia. Mas não podia ser um açougueiro qualquer. Precisava ter o lado do cientista, do médico. E que faz de si sua própria cobaia. Cynthia sugeriu o uso de luvas. Fui para a sala de ensaios, sozinho, e, de repente, vi que precisaria de um cutelo. Queria um instrumento da maldade materializado ali. Uma ameaça velada. Quando a personagem pergunta: ‘e se fossem homens? E se?’ Certamente o cutelo à mostra faz o público encarar a verdade de que tanto foge. O cutelo acaba com a ‘assepsia de supermercado’ que nos protege da verdade: comemos animais que sofreram uma morte horrível, que tiveram uma vida horrível e engolimos toda essa dor”, acrescenta o ator e diretor.

Encenada em uma área de paletes brancos (daqueles usados em açougues) com apenas 2m², a peça investiga a restrição do espaço de atuação, característica marcante na trajetória da companhia, o que viabiliza apresentações tanto em palcos tradicionais como em espaços alternativos.

Além da obra de Stevenson, a montagem tem citações de vários escritores, poetas e pensadores, como Aldous Huxley, Shakespeare, Carl Jung, Franz Kafka, HP Lovecraft, Tadeusz Kantor, Augusto dos Anjos, Samuel Beckett, William Blake e Osho.

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Homem-Bomba

Com Luiz Arthur

Duração 50 minutos

Grátis (distribuído uma hora antes da sessão)

Classificação 12 anos

 

Teatro da Biblioteca Monteiro Lobato – Anfiteatro Pedro Dias Gonçalves (Rua João Gonçalves, 439 – Centro, Guarulhos)

05/09

Quinta – 20h

 

Oficina Cultural Oswald de Andrade(Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)

06 e 07/09

Sexta – 20h, Sábado – 16h

BARRELA

O consagrado diretor, autor e ator Mário Bortolotto presta uma homenagem aos 20 anos de morte de Plínio Marcos (1935-1999) com a estreia de Barrela, o primeiro texto escrito pelo saudoso dramaturgo santista. A montagem estreia no dia 30 de agosto no Teatro Cemitério de Automóveis. O elenco fica completo com Walter Figueiredo, Marcos Gomes, Nelson Peres, Paulo Jordão, Rodrigo Cordeiro, André Ceccato, Marcos Amaral, Daniel Sato e Alexandre Tigano.

Escrito em 1958, o texto teve uma única apresentação em 1959 e só foi remontado em 1978, com a abertura política pós ditadura militar. A trama foi inspirada na história real de um garoto de Santos que foi preso por uma bobagem e acabou violentado pelos outros presos da cela. Quando ele saiu da prisão, tramou o assassinato de quatro desses caras.

Como esta foi sua primeira peça, Plínio Marcos ainda não tinha qualquer noção sobre como escrever para o teatro. Na época, sua amiga Patrícia Galvão, a Pagu, leu o texto e já considerou o jovem autor, de apenas 21 anos, um gênio.

A montagem conta a história de um grupo de homens confinados em uma prisão em Santos. A cela é uma espécie de barril de pólvora pronto para explodir. Bereco (interpretado pelo próprio Bortolotto), o xerife da cadeia tenta manter o claustro sob um regime de austeridade, o que parece ser impossível dada as condições em que os presos estão. É quando começa uma disputa entre eles questionando a masculinidade de um deles. A violência se acentua quando um garoto que havia sido preso por se meter uma briga de rua é colocado na cela junto com os outros, que resolvem violentá-lo.

Embora Bortolotto seja considerado um dos autores mais influenciados pela obra de Plínio Marcos, esta é a primeira vez que dirige um dos textos do dramaturgo santista. Ambos compartilham em suas obras o mesmo universo urbano e violento.

Plínio foi um dos primeiros autores de teatro brasileiro que eu conheci, ainda garoto. Para mim sempre foi impactante o jeito cru que ele escrevia suas peças, sem firulas, indo direto ao ponto, pegando pesado, sem dar trégua ao espectador. Acho que tudo tem seu momento. Não calhou antes de eu conseguir encenar nada dele. Aconteceu agora e está sendo ótimo. “Barrela” ainda é a peça que eu mais gosto do Plínio. Lembro de uma montagem amadora que assisti em Cascavel há muitos anos. Era uma montagem com direção do meu amigo de Curitiba, o Edson Bueno. A rapaziada que fazia eram serventes de pedreiro, rapaziada da perifa mesmo e tinha uma puta verdade na encenação. Assisti várias montagens dessa peça, mas sem dúvida essa foi a que eu mais percebi a força do texto do Plínio. É um teatro que depende muito do ator e de como o ator imprime sua verdade na interpretação. Não dá pra brincar de estar representando”, diz Mário Bortolotto. 

Sobre a encenação, o diretor comenta: “Eu acredito que esta seja uma montagem rock and roll do ‘Barrela’. Se tem algo que me diferencia enormemente do Plínio é que ele era sambista e eu sou rockeiro. É claro que em algum momento o samba (o bom samba, não esse pagodinho escroto que toca hoje em dia) encontra o rock numa encruzilhada e faz um pacto sombrio. É aí que eu me abasteço e que uso nessa encenação. Desse pacto. É chamar o Plínio (no caso o samba) pra beber uma cerveja e descobrir que temos mais em comum do que pode parecer. A trilha que eu montei procura ressaltar esse clima de opressão desses caras ferrados que estão sendo obrigados a conviver em uma cela pútrida e desprovidos de qualquer benesse que um ser humano normal tem. É uma trilha por vezes aflitiva e só pontua o estado em que os personagens estão. O Cenário é muito simples. Uma cela de prisão que deixei a cargo do meu amigo André Kitagawa, que é quadrinista e sempre trabalha comigo como diretor de arte. Os figurinos são de Nazareth Amaral, que é outra parceira de longo tempo e também são roupas que apenas acentuam a miséria dos personagens. A iluminação ficou a cargo de Caetano Vilela, que é um mestre e vai saber como instaurar um clima ainda mais sombrio e perturbador ao espetáculo”. 

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Barrela

Com Mário Bortolotto, Walter Figueiredo, Marcos Gomes, Nelson Peres, Paulo Jordão, André Ceccato, Daniel Sato e Alexandre Tigano

Teatro Cemitério de Automóveis (Rua Frei Caneca, 384, Consolação – São Paulo)

Duração 60 minutos

30/08 até 27/10

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 20h

$40

Classificação 16 anos

CHET BAKER – APENAS UM SOPRO

Livremente inspirada na vida do lendário trompetista norte-americano Chet Henry Baker Jr. (1929-1988), o espetáculo Chet Baker, Apenas Um Sopro, protagonizado pelo músico e ator Paulo Miklos tem novas apresentações em São Paulo no Teatro Faapentre 22 e 25 de agosto. Com direção de José Roberto Jardim e dramaturgia de Sérgio Roveri, a peça ainda traz no elenco Anna Toledo, Jonathas Joba, Piero Damiani eLadislau Kardos. 

O ponto de partida para a trama é um episódio real ocorrido na vida do músico. No fim da década de 60, ele foi violentamente espancado em uma rua de São Francisco. A agressão, que teria sido motivada por dívidas com traficantes, produziu no trompetista um efeito devastador: ele teve os lábios rachados e perdeu alguns dentes superiores, sendo obrigado a interromper a carreira até se recuperar dos ferimentos. 

A peça sobre Chet Baker mostra a primeira sessão de gravação do músico após o acidente. Ele está inseguro e arredio – e seus quatro companheiros de estúdio (um contrabaixista, um baterista, um pianista e uma cantora) parecem estar ainda mais. Todos foram reunidos por um produtor que, por ser amigo e admirador de Chet, acredita que ele está pronto para voltar à ativa. 

Um espetáculo que contém muita música e drama, exatamente como a vida do nosso retratado: Chet Baker. Um artista brilhante, um talento natural, aprisionado pela droga e pela auto-complacência. Chet é um dos meus ídolos, muitos deles morreram ainda mais jovens. Respiraram música acima da vida. ‘Chet Baker, Apenas um Sopro’, é um grande presente que eu recebi.”, comenta o músico e ator Paulo Miklos.

A peça, que transcorre ao longo de uma tarde e o início de noite, mostra a convivência complicada, dolorida e ao mesmo tempo solidária entre os músicos. 

A encenação

A peça se passa dentro de um estúdio de gravação, o cenário é assinado pelo Grupo Academia de Palhaços, figurinos exclusivos, especialmente criados para o espetáculo, pelo estilista João Pimenta, iluminação de Aline Santini e direção musical de Piero Damiani.

Estou buscando mais do que um espetáculo, uma experimentação músico-narrativa. Tanto que o espaço em cena é o estúdio de música que funciona de forma real, com seus instrumentos e aparelhos sendo usados e acionados pelos próprios atores, tudo sem a utilização de trilha gravada. O que ouvimos, sendo da voz ou dos instrumentos deles, vem sempre da área de atuação. Tudo é ao vivo. Mesmo princípio busquei para a nossa iluminação, as luzes não estão nas varas ou refletores do teatro, elas são integradas ao cenário-estúdio. Por esse motivo, embarquei em outra zona de risco como diretor, trazendo à cena apenas atores que tivessem ligação direta com o universo da música”, explica o diretor José Roberto Jardim.

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Chet Baker, Apenas um Sopro

Com Paulo Miklos, Anna Toledo, Jonathas Joba, Piero Damiani e Ladislau Kardos

Teatro Faap (Rua Alagoas, 903, Higienópolis – São Paulo)

Duração 80 minutos

22 a 25/08

Quinta, Sexta e Sábado – 21h Domingo – 18h

$60

Classificação 14 anos

A VALSA DE LILI

Débora Duboc e Débora Dubois se unem para contar a história de Lili, que viaja o mundo sem mexer mais que a cabeça. Novo texto de Aimar Labaki, o solo A Valsa de Lili, inspirado em Pulmão de Aço de Eliana Zagui promove o encontro do público com uma personagem única – fisicamente paralisada, intelectual e emocionalmente livre.

O espetáculo estreia no dia 15 de agosto no auditório do Sesc Ipiranga e segue em cartaz até 1º de setembro.

Livremente inspirado no livro autobiográfico “Pulmão de Aço” (Ed. Belaletra, 2012), de Eliana Zagui, o espetáculo conta a história de Lili, uma mulher igual a qualquer outra, exceto pelo fato de conseguir movimentar apenas os músculos do pescoço e da cabeça graças à poliomielite que teve antes mesmo de completar dois anos de idade.

A peça conta uma história delicada e emocionante e mostra, sem tom de lamento ou ressentimento, como Eliana e Lili aprenderam a viver de acordo com a máxima sartriana “Vida é o que você faz com o que fizeram com você”.

Os questionamentos, medos e verdades levantados no livro são comuns a qualquer outra pessoa, com ou sem deficiências: a necessidade de amar e ser amada, a relação com a morte, o que fazer da vida, como conseguir o sustento com o trabalho etc. A diferença é que Eliana precisou lidar com um limite físico que muitas pessoas julgariam insuportável. Ela descobre, então, que o afeto e o humor são saídas para uma vida sadia e produtiva.

SINOPSE

Eliana Zagui e Lili são mulheres comuns e têm questões iguais às de qualquer outro ser humano: a necessidade de amar e ser amada, a relação com a Morte, o que fazer com a própria vida, como conseguir o próprio sustento com seu trabalho etc. A única coisa que as distingue das demais pessoas é que ambas só mexem os músculos do pescoço e da cabeça, apesar de terem total sensibilidade em todo o corpo. Elas tiveram pólio quando completaram um ano e nove meses de idade. Lili é uma personagem escrita por Aimar Labaki, inspirado no livro autobiográfico “Pulmão de Aço”, de Eliana Zagui (Ed. Belaletra, 2012).

FACE

A Valsa de Lili

Com Débora Duboc

Sesc Ipiranga – Auditório (Rua Bom Pastor, 822, Ipiranga – São Paulo)

Duração 60 minutos

15/08 até 01/09

Quinta e Sexta – 21h30, Sábado – 19h30, Domingo – 18h30

$20 ($6 – credencial plena)

Classificação Livre

VILLA

A memória coletiva sobre a Ditadura Militar no Chile (1973-1990) é tema de Villa, do premiado dramaturgo e diretor chileno Guillermo Calderón, que estreou em 2018 no Sesc Pinheiros. A peça volta em cartaz para curtas temporadas no Espaço 28, entre 17 de agosto e 8 de setembro; e no Teatro Arthur Azevedo, de 13 de setembro a 6 de outubro. O espetáculo tem direção de Diego Moschkovich e elenco formado por Flávia Strongolli, Rita Pisano e Angela Ribeiro.

Na trama, três mulheres avaliam diferentes propostas sobre o que fazer com a Villa Grimaldi, um dos mais famosos centros de tortura e extermínio na ditadura do chileno Augusto Pinochet (1915-2006). Em torno de uma mesa, elas discutem dilemas atuais de organizações de direitos humanos e o presente dos espaços ligados à violência do Estado. Como explicar o horror do passado sem cair em uma produção de parque temático ou na fria reprodução de um museu de arte contemporânea?

O texto fala sobre os espaços de memória, aquilo que escolhemos como memória e o que aprendemos como memória coletiva de um povo; sobre como são feitas as edições que geram a História; e por quem a nossa história coletiva vem sendo construída, lembrada e contada.

Villa por Diego Moschkovich

“Villa” é um retorno meu à dramaturgia de Guillermo Calderón, cujos textos “Dezembro” e “Neva” montei em 2015 e 2016, respectivamente. O que acho interessante e muito particular da dramaturgia dele é que ela precisa de pouca coisa: os atores e apenas alguns elementos que potencializem o seu jogo em cena. Nesse sentido, trata-se do tipo de teatro de que gosto e acredito, ou seja, aquele em que o palco é um playground para os atores.

É certo que minhas últimas duas encenações (“O corpo que o rio levou” e “As três uiaras de SP city”, ambas de Ave Terrena Alves) eram bem diferentes. No trabalho com o grupo Laboratório de Técnica Dramática, a pesquisa de linguagem tem sido outra, a da montagem dos elementos para a narração. Em “Villa”, retorno ao trabalho da limpeza. Vemos uma mesa, três cadeiras, as atrizes e mais nada.

Há, no entanto, um dado diferente, trazido pela própria dramaturgia. Se em “Dezembro” e “Neva” a ficção é usada livremente para fazer alguns paralelos de reflexão histórica sobre a realidade latino-americana, aqui, a ficção é apenas o suporte do documento. Sim, todas as discussões trazidas pelas figuras em cena são reais e ocorreram mesmo. Nesse sentido, a encenação busca trabalhar, também, com documentos (reais e imaginados) que possam criar algumas camadas e ligações da peça com as lutas por memória, verdade e justiça.

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Villa

Com Flávia Strongolli, Rita Pisano e Angela Ribeiro

Duração 60 minutos

Classificação Livre

Espaço 28 (Rua Dr. Bacelar, 1219, Vila Clementino – São Paulo)

17/08 até 08/09 (exceto 07/09)

Sábado – 21h, Domingo – 20h

$30

 

Teatro Arthur Azevedo – Sala Multiuso – Av. Paes de Barros, 955 – Mooca

13/09 até 06/10

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$30

A VERDADEIRA HISTÓRIA DO BARÃO

A Verdadeira História do Barão comemora os 27 anos de trajetória da Cia. Cênica Nau de Ícaros com espetáculo inédito para toda a família. A peça fica em cartaz no Teatro do Sesi-SP de 15 de agosto a 24 de novembro.

Para juntos levarem aos palcos as inacreditáveis aventuras do Barão de Munchausen, a Nau de Ícaros se associou à produtora teatral Marlene Salgado e convidou Marcelo Romagnoli, com reconhecido e consolidado trabalho na Banda Mirim, para assumir a direção e dramaturgia. A montagem mostra uma trupe de teatro itinerante, perdida por terras brasileiras, que tenta sobreviver encenando as histórias fantásticas do famoso Barão. A figura de Munchausen transita entre a verdade e a mentira, o sonho e a realidade, o absurdo e o delírio para narrar fugas incríveis, fatos extraordinários, perigos assombrosos e encontros improváveis.

Considerado um dos maiores contadores de aventuras absurdas, o Barão de Munchausen foi um militar alemão e os relatos de suas andanças pelo mundo serviram de base para o clássico da literatura universal “As Aventuras do Barão de Munchausen”, publicado em 1785 pelo alemão Rudolf Erich Raspe (1736-1794). No cinema, uma das obras mais marcantes foi o longa-metragem de 1988 do cineasta norte-americano Terry Gilliam.

A ideia é abordar o teatro e as artes como elementos transformadores da realidade à medida que fazem o ser humano pensar em novas possibilidades de vida. “Quando escolhemos esse projeto para apresentar ao SESI-SP, que consideramos uma das instituições mais importantes do Brasil para produção e fomento à Cultura, pensamos nessa força de criação de novos imaginários trazida pelo Barão. Há mais de dois séculos, ele já pensava na imaginação como uma maneira de se resolver questões impossíveis. Neste momento tão particular, permeado por tantos retrocessos,  sentimos a necessidade de contribuir para que as novas gerações tenham condições de reinventar sua realidade e até mesmo superá-la, partindo de uma das características humanas mais revolucionária: a criatividade“, explica Marco Vettore, diretor da Nau de Ícaros e idealizador da peça.

Para completar essa trupe, a Nau de Ícaros conta especialmente com a atriz Lu Grimaldi que, com este convite,  sente-se retornando ao início da sua carreira em São Paulo, fazendo parte de um grupo, seu berço no teatro, como declara.

O espetáculo tem entrada gratuita oferecida pelo Teatro do Sesi-SP, com reservas antecipadas de ingressos disponíveis no site do Centro Cultural Fiesp (www.centroculturalfiesp.com.br) a partir do dia 12/08, às 8h. Os ingressos remanescentes são disponibilizados na bilheteria 15 minutos antes da apresentação, no dia do espetáculo.

A encenação

O espetáculo explora a metalinguagem ao contar a história de uma trupe de teatro que encena as aventuras do Barao e, para acentuar esse jogo, revela os truques do teatro, expondo os processos da criação, as trocas de figurino e adereços, a movimentação nas coxias. “A grande força da história está no poder transformador da fantasia, na capacidade de inventar novas realidades, superando todo tipo de limitação. O espetáculo segue a lição do Barão e busca transformar o rotineiro em magnifico”, esclarece o diretor Marcelo Romagnoli.

Além da obra original e do filme, outras referências visuais para a encenação são as técnicas da Commedia Dell’Arte, o período pré-cinema e as gravuras que ilustraram as várias edições do livro de Raspe. A encenação, como é costume nos trabalhos da Nau de Ícaros, une o teatro, circo e a dança, rompendo as fronteiras entre essas linguagens, sem que deixem de estar a serviço da história.

Os figurinos, assinados por Chris Aizner, são criados a partir de sobreposições de peças, misturando elementos do século 18 e modernos. “É um figurino que tende para uma época, mas ao mesmo tempo não define qual é esse tempo, porque a história é atemporal. Essa trupe está ensaiando as histórias do Barão na atualidade, como poderia estar na Renascença, ou no meio do sertão brasileiro”, acrescenta o encenador.

A cenografia de Márcio Medina é composta por elementos que são manuseados o tempo todo pelos atores para construir imagens grandiosas, como um telão com várias paisagens e uma grua que alcança seis metros de altura. A trilha sonora de Marcelo Pellegrini é formada por composições originais, parte tocadas ao vivo, parte gravadas. Já a iluminação de Wagner Freire, aliada a projeções de imagens de Raimo Benedetti, tem o desafio de criar um ambiente íntimo para essas cenas dos ensaios do grupo de teatro e um ambiente de fantasia e encantamento  na hora da apresentação do espetáculo, como um grande sonho. O visagismo dos atores é criado por Leo Pacheco.

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A Verdadeira História do Barão

Com Álvaro Barcellos, Celso Reeks, Erica Rodrigues, Letícia Doretto, Lu Grimaldi e Marco Vettore

Teatro do Sesi – SP (Av. Paulista, 1313 – Jardins, São Paulo)

Duração 60 minutos

15/08 até 24/11

Quinta e Sexta – 11h (exclusivamente para escolas), Sábado e Domingo – 14h

Grátis (Reservas antecipadas de ingressos pelo site http://www.centroculturalfiesp.com.br abertas todas as segundas-feiras, às 8h. Ingressos remanescentes serão distribuídos no dia da apresentação, 15 minutos antes na bilheteria do Teatro.)

Classificação Livre

Agendamentos para escolas: ccfagendamentos@sesisp.org.br

PISO MOLHADO

Depois de estrear no Teatro Cacilda Beker, o espetáculo Piso Molhado, com texto de Ed Anderson e direção de Mauro Baptista Vedia, ganha uma nova temporada no Espaço Parlapatões, entre 30 de julho e 11 de setembro. A peça cria uma reflexão sobre o lugar do outro e resgata um sentimento de brasilidade. A montagem foi contemplada pela 8ª Edição do Prêmio Zé Renato de Teatro para a Cidade de São Paulo — Secretaria Municipal de Cultura. O elenco conta com a participação de Patrícia Gasppar, Helio Cicero, Carlos Palma e Valéria Pedrassoli.

A trama apresenta encontro entre três personagens singulares: uma cantora, um pianista e um encanador.

Essas personagens não conseguem escapar do caos urbano e das próprias neuroses, mas apresentam doses ácidas de autocrítica. São elas: a cantora decadente Selma, que guarda uma coleção de aranhas em uma caixa de papelão; o velho pianista Tony, que vive desencantado com a realidade presente e tem saudade do passado; e o sarcástico encanador Osvaldo, que não tem um emprego fixo e, por isso, precisa enfrentar todos os obstáculos impostos pela cidade para conseguir sobreviver em seus bicos diversos.

Tentei transpor ao papel a urgência que sentia em abordar sentimentos de algumas minorias e friccionar as suas vozes com o momento atual que vivemos, proporcionando uma reflexão sobre o lugar do outro e de como a arte pode ser uma vitamina para fortalecer o cotidiano. Estão presentes nos diálogos as relações de sobrevivência; questões da memória afetiva e o humor ácido e melancólico dos personagens que transitam anonimamente pelo asfalto, com as suas mazelas e encantamentos tendo cuidado com os pisos molhados ao recordar as várias quedas sofridas”, comenta o autor Ed Anderson sobre o processo de escrita do texto.

Segundo o diretor Mauro Baptista Vedia, a peça busca referências no universo da cultura dos anos de 50 e 60, sobretudo em como essa década é retratada na música, na tv e no cinema. “Buscamos como referência cantores da MPB, como Dalva de Oliveira, Maysa, Dolores Duran, Nelson Gonçalves e Cartola”.

Esse apelo à cultura brasileira é uma característica marcante no espetáculo. “A peça é um cabaré, quase um musical, porque inserimos trechos de várias músicas. Procuramos resgatar uma Era de Ouro da Cultura Brasileira e a brasilidade justamente neste momento em que o país passa por um momento de baixa autoestima”, acrescenta o diretor.

A encenação busca trabalhar com uma artesania da cena. “Tento trabalhar frase por frase, cena por cena, cada tempo. Nesse trabalho árduo cada momento é especial e temos uma marcação diferente para cada momento de revelação para o espectador. Vamos juntando pedacinho por pedacinho, como se fossem microcenas. A partir daí identificamos momentos dramáticos, épicos e líricos no texto. E juntamos com outras características mais permanentes do meu trabalho, como a minha obsessão pela composição plástica – enceno sempre como se tivesse uma câmera de cinema. Também tento não colocar os atores em linha no palco, mas em diagonais, usando a profundidade da cena e procuro fazer marcações suaves”, revela o diretor.

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Piso Molhado

Com Patrícia Gasppar, Helio Cicero, Carlos Palma e Valéria Pedrassoli

Espaço Parlapatões (Praça Roosevelt, 158, Consolação – São Paulo)

Duração 70 minutos

30/07 até 11/09

Terça e Quarta – 21h

$20

Classificação 12 anos