NOITE

Grupo Sobrevento traz histórias da vizinhança como mote em novo espetáculo de Teatro de Objetos

Divisor de águas na pesquisa de linguagem do teatro de animação, criador de festivais e ponto de referência nesta arte, dentro e fora do Brasil, o Grupo Sobrevento está em cartaz com o espetáculo adulto NOITE, no Espaço Sobrevento

Criado a partir do Teatro de Objetos – linguagem que o grupo pesquisa profundamente desde 2010 – o espetáculo NOITE tem uma dramaturgia que nasceu dos depoimentos dos seus vizinhos e as suas histórias secretas, escondidas em objetos guardados.

O Grupo Sobrevento está indicado ao Prêmio Shell de Teatro de 2018, na Categoria Inovação, pela sua pesquisa no Teatro de Animação e de Objetos.

NOITE é uma coleção de histórias rememoradas por um cego, na escuridão onde vive. “As pessoas pensam que a vida é um longo caminho para frente, mas ela não é mais do que um passeio pela vizinhança”, diz o protagonista.

Para compor o espetáculo, o Sobrevento conversou com dezenas de vizinhos acerca dos objetos que guardam em casa e de que nunca se desfariam. Surpresas, como descobrir objetos completamente insuspeitos, histórias inesperadas, objetos inexistentes e que continuam guardados na memória, objetos que o grupo jamais consideraria objetos, garantem a inovação – e a renovação do grupo, em um processo de criação teatral baseado na pesquisa e fundamentado na descoberta.

Depoimentos pessoais de vizinhos, histórias do bairro e dos arredores do Sobrevento reúnem-se para contar as lembranças de alguém que “já não vendo mais a luz que há, se apega a luz que havia”, memórias que lhe dão esperança e alegria, fantasmas que o perseguem na escuridão e que evocam o seu medo da morte, a dor das suas perdas, as suas fragilidades e a sua saudade.

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Noite

Com Grupo Sobrevento

Espaço Sobrevento (Rua Coronel Albino Bairao, 42 – Belenzinho, São Paulo)

Duração 60 minutos

01/02 até 24/03

Sexta e Sábado – 20h30, Domingo – 18h

Entrada gratuita (Reservas: info@sobrevento.com.br)

Classificação 14 anos

70? DÉCADA DO DIVINO MARAVILHOSO – DOC. MUSICAL

Depois do sucesso de 60! Década de Arromba – Doc. Musical, que apresentou Wanderléa à frente do elenco, estreia dia 14 de março, quinta-feira, 20h30, no Theatro Net São Paulo, o espetáculo 70? Década do Divino Maravilhoso – Doc. Musical, produção que faz parte da tetralogia do idealizador, produtor e diretor Frederico Reder e do roteirista, dramaturgo e pesquisador Marcos Nauer.

Em cena, momentos marcantes dos anos 1970 em diversas esferas: política, moda, comportamento, esportes e artes em geral são embalados por mais de 250 músicas brasileiras e internacionais, divididas em duas partes, como num disco de vinil, em lado A (1970-1976) e lado B (1977-1979) – muitas das músicas são apresentadas em pequenos fragmentos.

As Frenéticas Dhu Moraes, Leiloca Neves e Sandra Pêra são as três cerejas do musical, no bloco dedicado à febre das discotecas, fenômeno nas pistas de todo o mundo há exatos 40 anos.

De forma cronológica, depoimentos, fotografias e vídeos desfilam num grande telão. A superprodução, apresentada pelo Circuito Cultural Bradesco Seguros, conta com 24 jovens talentos, uma orquestra de dez músicos, 20 cenários, 300 figurinos, toneladas de luz e som e mais de 100 profissionais.

O título do musical traz uma interrogação porque propõe questionamentos sobre as dualidades do período. “Uma década de incertezas”, como conceitua Cid Moreira em uma das retrospectivas apresentadas em projeção dentro do espetáculo. Com coreografia  e direção de movimento de Victor Maia, o espetáculo tem figurino de Bruno Perlatto, iluminação de Césio Lima, direção musical de Jules Vandystadt, cenografia de Natália Lana e direção de produção de Maria Siman.

Na timeline do musical, o tropicalismo, o glam rock, o punk e o reggae são revisitados com suas emblemáticas canções. De Novos Baianos (“A Menina Dança”) a David Bowie (“Starman”), de Raul Seixas (“Há Dez Mil Anos Atrás”) a Led Zeppelin (“Stairway to Heaven”), de Mutantes (“Top Top”) a Queen (“Bohemian Rapsody”), de Caetano Veloso (“Sampa”) a Donna Summer (“Last Dance”) e de Bob Marley (“No Woman, No Cry”) a Sex Pistols (“Anarchy in the UK”).

Reunimos teatro, documentário e música. Este formato propõe um novo olhar para a forma de se fazer musical”, diz o diretor Frederico Reder. “O doc.musical não apresenta a biografia de nenhum artista, porque o olhar está no coletivo, numa época, portanto, é de fato, a música a protagonista”, explica Nauer, que assina a pesquisa, texto e dramaturgia.

Em toda a América Latina, a ditadura apertava o cerco, a censura era intensa e a liberdade, cerceada. Os anos 70 mostraram caminhos possíveis por meio da arte, da música e da dança. E em todos eles era preciso ser forte para sonhar com um mundo novo e melhor”, pondera Nauer. “Foram anos de luta e força. Há canções que captam essa aura, e outras de muita beleza, com a  explosão de alegria da disco music”, acrescenta Reder.

70? Década do Divino Maravilhoso – Doc. Musical

Com Amanda Döring, Amaury Soares, Aquiles Nascimento, Barbara Ferr, Bruno Boer, Camila Braunna, Debora Pinheiro, Diego Martins, Erika Affonso, Fernanda Biancamano, Larissa Landim, Laura Braga, Leandro Massaferri, Leilane Teles, Leo Araujo, Nando Motta, Pedro Navarro, Pedro Roldan, Rany Hilston, Rodrigo Morura, Rodrigo Naice, Rodrigo Serphan, Rosana Chayin e Tauã Delmiro. Participação especial das Frenéticas: Dhu Moares, Leiloca Neves e Sandra Pêra.

Theatro NET São Paulo – Shopping Vila Olímpia (R. Olimpíadas, 360 – Vila Olimpia, São Paulo)

Duração 180 minutos

14/03 até 30/06

Quinta e Sexta – 20h30, Sábado – 17h e 21h, Domingo – 17h

$75/$220

Classificação 14 anos

A CATÁSTROFE DO SUCESSO

Desde outubro de 2018, o diretor Marco Antônio Pâmio e a atriz Camila dos Anjos, criadora da Episódica Companhia, ocupam o Instituto Cultural Capobianco em uma residência artística que possibilitou o aprofundamento da pesquisa, desenvolvimento de linguagem, tradução de textos, ensaios e montagem da peça A Catástrofe do Sucesso.

Trata-se de uma união das peças Mister Paradise e Fala Comigo Como a Chuva e me Deixa Escutar com o artigo autobiográfico A Catástrofe do Sucesso, todos de autoria do dramaturgo americano Tennessee Williams (1911 – 1983).

Marcando os 19 anos do Instituto Cultural Capobianco e os 10 de sua residência artística, o espetáculo estreia dia 8 de março, sexta-feira, 20 horas, no Instituto Cultural Capobianco (Rua Álvaro de Carvalho, 97 – Centro). Camila dos Anjos, idealizadora do projeto, também está em cena ao lado do ator Iuri Saraiva.Com figurino e direção de movimento de Marco Aurélio Nunes, iluminação de Wagner Antônio e trilha sonora de Gregory Slivar, a montagem tem cenário minimalista, criado por Cesar Rezende, e recursos do teatro físico trabalhados por Marco Aurélio Nunes com os atores.

Residência

Sobre a residência artística no Capobianco, Pâmio ressalta que a iniciativa possibilitou a verticalização de todos os aspectos que compõem uma montagem cênica. “O fato de termos quase seis meses para ensaiar nos permitiu dedicar cinco semanas inteiras somente ao trabalho de mesa e análise de texto, além de realizar uma pesquisa muito mais aprofundada sobre a obra de Tennessee Williams como um todo, o que seria inconcebível num processo tradicional de montagem”, diz.

Camila dos Anjos complementa que a residência também se destaca por possibilitar que os ensaios ocorram no mesmo lugar em que a peça fará temporada, o que auxilia no ganho de intimidade dos atores com o espaço. “Foi possível conduzir o processo com liberdade e com um tempo ideal para cada etapa”, ressalta a atriz.

A peça marca uma continuidade da parceria de Camila dos Anjos e Marco Antônio Pâmio, que, em 2014, montaram a peça Propriedades Condenadas, união de dois textos curtos de Tennessee Williams: Esta Propriedade Está Condenada Por Que Você Fuma Tanto, Lily?. Neste novo projeto, a dupla optou po exibir as peças na íntegra e em sequência, entremeadas por trechos do artigo de Williams. Para Pâmio, querer picotar e alternar os textos ou movê-los de outra forma poderia confundir o espectador ou propor um “invencionismo” desnecessário aos escritos de Williams. O artigo está dissolvido em três momentos: no início, entre as duas peças e no final.

Para Pâmio, o maior desafio do projeto foi criar um fio narrativo que fizesse com que os três textos dialogassem entre si. Durante o processo, a pesquisa do quinteto – formado por Pâmio, Camila, Iuri Saraiva, o assistente de direção Gonzaga Pedrosa e o diretor de movimento Marco Aurélio Nunes – incluiu também o documentário Tennessee Williams: Orfeu do Teatro Americano que, segundo o diretor, é um material fundamental para quem quer se aprofundar na obra de Williams. “Como resultado, chegamos a uma narrativa clara, onde as ideias aparecem de forma a aproximar a plateia do mundo e da cabeça de Tennessee Williams, e não a afastar dele”, diz o diretor.

Camila chegou às peças Mister Paradise e Fala Comigo Como a Chuva e me Deixa Escutar enquanto buscava textos e personagens que fossem projeções autobiográficas das experiências vividas pelo autor. A atriz explica que a obra de Williams se baseia essencialmente nos seus conflitos familiares. Filho de mãe com temperamento instável e extremamente opressora e de um pai alcoólatra e viciado em jogos, o artista também teve que lidar com a internação psiquiátrica de sua irmã Rose, que em seguida foi submetida a um tratamento de lobotomia que a incapacitou pelo resto da vida.

Das memórias desse ambiente familiar ríspido, Tennessee encontrou inspiração para criar suas personagens e um universo imaginário”, conta Camila. Segundo ela, o artigo A Catástrofe do Sucesso não é apenas um elemento de inspiração, mas sim um recurso dramatúrgico que une os dois textos e serve como base textual para o espetáculo.

Nele, o autor discorre sobre a dificuldade de lidar com a fama e o reconhecimento repentino devido ao sucesso de sua primeira peça, À Margem da Vida. “Nas duas peças as personagens são cheias de camadas e conexões com o artigo A Catástrofe do Sucesso. São personagens que experimentam o desejo de exílio, inadequações e conflitos familiares, questões que eram reais e que Tennessee sublimava na sua escrita”, diz Camila.

Mister Paradise conta a história de um escritor de um único livro de poemas que recebe a visita de uma estudante após anos recluso em seu apartamento; Fala Comigo Como a Chuva e me Deixa Escutar acompanha a trajetória de um casal perturbado que vive um de seus muitos momentos de crise em meio a sua relação disfuncional.

Marco Antônio Pâmio avalia que Tennessee se projeta nas personagens desajustadas que existem nas duas peças. “Só que desta vez as peças são alinhavadas pelo artigo A Catástrofe do Sucesso, em que o autor faz um depoimento contundente sobre sua relação com a fama, as consequências sofridas por quem a tem como objetivo principal na realização artística e de como ela pode se revelar um animal traiçoeiro e implacável”, complementa o diretor.

Sinopses

A Catástrofe do Sucesso – O artigo é um depoimento publicado pelo New York Times em 1947, em que Tennessee revela como o sucesso da noite para o dia de sua primeira peça, À Margem da Vida, o lançou do anonimato para o hall da fama; de como, do precário aluguel de quartos mobiliados em várias regiões do país, ele foi parar em um apartamento de hotel de primeira classe e de quanto esse processo foi surpreendentemente estéril e interferiu diretamente na sua capacidade de criação.

Mister Paradise – Uma garota encontra em um antiquário um livrinho de versos que servia como calço para uma mesa. Encantada com a poesia contida no livro, ela começa a escrever cartas para o autor. Não obtendo resposta, ela decide ir até a residência de Anthony Paradise, o autor do livro, com o objetivo de conhecê-lo e resgatar sua obra esquecida. Há um embate entre eles, pois Mister Paradise é extremamente descrente em relação ao poder que a arte pode exercer na sociedade atual.

Fala Comigo Como a Chuva e me Deixa Escutar – Em um quarto mobiliado na Oitava Avenida de Manhattan, um homem e uma mulher mantêm uma relação distante. A situação em que vivem é precária e sem esperança de mudança. Ele começa a narrar para a mulher o pouco que recorda da noite anterior e propõe uma reaproximação. Para confrontar a solidão de seu presente, a mulher começa a narrar um futuro repleto de situações que não acontecerão. Em sua imaginação ela se registrará sob um nome falso, em um pequeno hotel da costa, onde envelhecerá.

CARMEN

 A Catástrofe do Sucesso

Com Camila dos Anjos e Iuri Saraiva

Instituto Cultural Capobianco (R. Álvaro de Carvalho, 97 – Centro, São Paulo)

Duração 60 minutos

08/03 até 28/04

Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 18h

$30

Classificação 14 anos

RUA AZUSA, O MUSICAL

Após temporada com sessões esgotadas, Rua Azusa – O Musical entra em cartaz no Teatro Procópio Ferreira, com apresentações às sextas (20h), sábados (14h30 e 19h30) e domingos (14h30).

Em 1906, em meio ao grande conflito da segregação que dividia os Estados Unidos, um homem negro, filho de escravos, chamado William Joseph Seymour é escolhido para liderar o movimento que quebrou barreiras raciais, criando um espaço onde não existia distinção entre brancos e negros. O movimento na Rua Azusa marcou gerações, e permanece vivo até os dias de hoje. 

Essa história centenária serve de inspiração para Elizabeth nos dias de hoje. A jovem sonhadora, impossibilitada de gerar um filho, luta para que seu marido aceite a adoção de Maria, uma criança negra de oito anos que carrega as marcas de uma sociedade preconceituosa em sua história. 

Rua Azusa – O Musical tem criação de Caíque Oliveira, que se aprofundou em uma pesquisa sobre a segregação racial da época e no impacto que o movimento pentecostal ocasionou na vida de negros e brancos. 

O roteiro começou a ser desenvolvido em outubro de 2018 e em meados de novembro já estava pronto para os ensaios. Para compor o elenco, Caique convidou nomes importantes da música gospel como Soraya Moraes (Laura Smith), vencedora de prêmios Grammy Latino; Adhemar de Campos (William Seymour), que revolucionou o estilo na década de 80; Benner Jacks (Sra. Dalila), que já se apresentou em concertos por toda Europa; e Jéssica Augusto (Miss California), cujo canal no YouTube soma mais de 7 milhões de visualizações. 

Com 47 atores dividindo o palco, o musical contou com a atriz da Broadway Patrice Covington , do musical “The Color Purple”, como preparadora de elenco. Ela veio dos EUA exclusivamente para ensinar técnicas aos atores de Rua Azusa. A direção geral é de Caíque Oliveira, diretor fundador da Cia. de Artes Nissi. Toda renda do musical, excluindo-se as despesas de produção, é revertida para a Aldeia Nissi.

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Rua Azusa – o Musical

Com Adhemar de Campos, Aline Menezes, Benner Jacks, Fabricio Bittencourt, Jéssica Augusto, Kaiky Mello, Otavio Menezes, Soraya Moraes, Thales César e grande elenco composto por 47 atores.

Teatro Procópio Ferreira (Rua Augusta, 2823 – Jardins, São Paulo)

Duração 180 minutos

08/02 até 07/04

Sexta – 20h, Sábado – 14h30 e 19h30, Domingo – 14h30

$50/$90

Classificação 12 anos

(IN)JUSTIÇA

A Companhia de Teatro Heliópolis estreia sua nova montagem, (IN)JUSTIÇA, no dia 25 de janeiro, sexta, na Casa de Teatro Maria José de Carvalho (sede do grupo), às 20 horas. A encenação é dirigida por Miguel Rocha, fundador e diretor do grupo; e Evill Rebouças assina o texto que foi criado em processo colaborativo com a Companhia.

(IN)JUSTIÇA é um ensaio cênico, guiado pela indagação ‘o que os veredictos não revelam?’, que reflete sobre aspectos do sistema jurídico brasileiro. Para tanto, conta a história do jovem Cerol que, involuntariamente, pratica um crime. A partir daí, surgem diversas concepções sobre o que é justiça, seja a praticada pelo judiciário ou aquela sentenciada pela sociedade.

Permeado por imagens-sínteses (característica da Companhia de Teatro Heliópolis) e explorando a performance corporal, o espetáculo coloca em cena a complexidade da justiça no país, deixando a plateia na posição de júri em um tribunal. O embate entre os dois lados da justiça – da vítima e do criminoso – se estabelece em um jogo contundente que expõe com originalidade a crua realidade dos jovens pobres e negros. A música ao vivo confere ainda mais densidade poética ao ‘relato’, que foge de qualquer abordagem clichê.

A história de Cerol é contada de forma não linear. Exímio empinador de pipas, ele vive com sua avó, pois a mãe morreu no parto e o pai, assassinado. Depois de uma briga por conta do alto volume da música na vizinhança, Cerol foge e acaba disparando involuntariamente um tiro em uma mulher, que morre em seguida. Ele acaba preso e é submetido ao julgamento da lei e da sociedade.

Com base nesse argumento, a Companhia de Teatro Heliópolis discute direitos humanos à luz da Constituição Nacional. A encenação recupera também a ancestralidade brasileira em passagens ritualísticas. “Queremos pensar o homem negro e a justiça, desde a nossa origem até os dias de hoje”, afirma o diretor Miguel Rocha.

Cenas impactantes e desconcertantes surpreendem todo o tempo. A encenação de Miguel Rocha, alinhavada pela dramaturgia de Evill Rebouças, mostra como a democracia pode ser manipulada. O crime versus a vítima ou o criminoso versus a justiça aparecem de forma não superficial nem previsível. A abordagem de (IN)JUSTIÇA parte do ponto de vista mais íntimo para aquele mais coletivo: da comunidade para a sociedade, da moral pessoal às convenções sociais. Isso permite, igualmente, as leituras de um mesmo caso jurídico, como no julgamento – defesa e promotoria -, onde ambos os discursos são tão contundentes quanto convincentes. “Para falar de justiça, temos que falar das relações humanas contraditórias, pois a justiça se apresenta pelas contradições”, reflete o diretor.

Permeado por emoções e sensações que fogem da obviedade, o espetáculo tem quadros coreografados que trazem o respiro necessário à dinâmica da encenação: cidadãos urbanos, policiais, advogados com suas togas desfilam pela área cênica e hipnotizam o espectador. Os depoimentos inseridos nas cenas humanizam e tornam crível a proposta da montagem, sejam eles densos, desconcertantes, ou mesmo lúdicos. Segundo o diretor, os três pontos de vista sobre justiça – “o pessoal, o divina e o do homem” – são considerados na concepção de (IN)JUSTIÇA, bem como a máxima que diz “só quem passou por uma injustiça sabe o que é justiça”.

O cenário (Marcelo Denny) situa a força da ancestralidade, presente na terra e no terreiro, na força fria do zinco, na estética religiosa que foge dos estereótipos. Traz também o símbolo da lentidão da justiça com toda sua burocracia em pilhas e pilhas de papéis e processos. Elementos como areia, terra, projéteis de bala e pipas compõem a área de encenação, onde predomina a cor cinza. A trilha (de Meno Del Picchia) e os efeitos sonoros são executados em sincronismo com as cenas. Os atores interpretam cantos de tradição que reforçam a busca pela humanização e pela ancestralidade propostas pelo espetáculo.

(IN)JUSTIÇA nasceu de um longo processo criativo, iniciado em fevereiro de 2018, disparado por encontros dos integrantes da Companhia de Teatro Heliópolis com pensadores ativistas que falaram sobre os vários aspectos da Justiça. Os convidados foram Viviane Mosé (filósofa), Gustavo Roberto Costa (promotor de justiça), Ana Lúcia Pastore (antropóloga) e Cristiano Burlan (cineasta), tendo Maria Fernanda Vomero (provocadora cênica, jornalista e pesquisadora teatral) como mediadora.

O espetáculo integra o projeto Justiça – O que os Vereditos Não Revelam, contemplado pela 31ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

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(In)Justiça

Com Alex Mendes, Cícero Junior, Dalma Régia, Danyel Freitas, David Guimarães, Gustavo Rocha, Karlla Queiroz e Walmir Bess

Casa de Teatro Maria José de Carvalho (Rua Silva Bueno, 1533 – Ipiranga, São Paulo)

Duração 90 minutos

25/01 até 19/05

Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 19h

Pague quanto puder (bilheteria: 1h antes das sessões)

Classificação 14 anos

SUNSET BOULEVARD

Glamour, poder e cobiça no musical que fez história na Broadway. Assim é “Sunset Boulevard”, superprodução que estreia dia 22 de março e marca o retorno aos palcos de uma das duplas mais queridas do teatro brasileiro: Marisa Orth e Daniel Boaventura.

Eles serão os protagonistas do espetáculo vencedor de sete Tony Awards, com músicas de Andrew Lloyd Weber. A direção artística da montagem brasileira é de Fred Hanson. O musical acontecerá no Teatro Santander e é mais uma coprodução da IMM Esporte e Entretenimento e da empresária e produtora Stephanie Mayorkis, da EGG Entretenimento.

Estamos sempre em busca de títulos de interesse do público brasileiro e com nossas premissas: grandes musicais da Broadway produzidos com primeiro nível de qualidade. Foi assim com ‘My Fair Lady’, ‘Cantando na Chuva’ e ‘A Pequena Sereia da Disney’. E estamos seguros que será também com ‘Sunset Boulevard’, uma verdadeira obra-prima de Andrew Lloyd Webber sobre os bastidores de Hollywood com músicas lindíssimas, que irão merecer inclusive que a orquestra fique localizada no palco. Tanto que venceu 7 Tony Awards, inclusive Melhor Musical. Com tantos atributos, faz parte dos grandes clássicos da Broadway e não poderia deixar de ser visto no Brasil”, afirma Stephanie Mayorkis, Coprodutora do espetáculo em conjunto com a IMM Esporte e Entretenimento.

Marisa Orth terá o desafio de viver Norma Desmond, uma estrela da era do cinema  udo que vive em sua mansão na Sunset Boulevard em um mundo de fantasia. Na Broadway e em Londres, o papel foi de Glenn Close, que arrebatou público e crítica, levando a estatueta de Melhor Atriz no Tony Awards pela performance. “Glenn Close, pra mim, é um ídolo. Trata-se de uma das maiores atrizes/ artistas e agora descubro também cantora, que nortearam a minha geração. É um sonho fazer um papel vivido por ela”, diz. E complementa: “Fazer ‘Sunset Boulevard’ é um desafio. Essa é a primeira palavra que me vem à mente. Um enorme desafio como atriz, como cantora, e, por isso, um enorme prazer. Se conseguir lograr o efeito de conduzir todo mundo comigo já vou ficar muito satisfeita”, afirma.

Daniel Boaventura será Max von Mayerling, mordomo de Norma, que na montagem original foi interpretado por George Hearn, também vencedor de um Tony pelo papel. “Será um personagem soturno, introspectivo, porém sua presença na estória é forte e esconde um grande segredo”, adianta. “Fazer parte de um musical de tão grande importância, sem dúvida, é motivo para celebração, mas a responsabilidade é também muito grande. ‘Sunset Boulevard’ representa um dos grandes sucessos do compositor Andrew Lloyd Webber”, comenta.

A superprodução brasileira contará ainda com 28 atores/ cantores, além de uma  orquestra de 16 músicos que se apresentarão no palco.

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Sunset Boulevard

Com Marisa Orth, Daniel Boaventura, Julio Assad, Andrezza Massei, Eduardo Amir, Lia Canineu, Bruno Sigrist, Sérgio Rufino, Carlos Leça, Arízio Magalhães, Abner Depret, Brenda Nadler, Dante Paccola, Ester Elias, Fábio Ventura, Giovana Zotti, Hellen de Castro, Jana Amorim, Juliana Olguin, Letícia Soares, Luana Zenun, Mau Alves, Nick Vila Maior, Rafael de Castro, Renato Bellini, Rodrigo Negrini, Thiago Lemmos, Vânia Canto

Teatro Santander – Complexo do Shopping JK (Av. Juscelino Kubitschek, 2041 – Itaim Bibi, São Paulo)

Duração 150 minutos

22/03 até 07/07

Quinta e Sexta – 21h, Sábado – 17h e 21h, Domingo – 15h e 19h

$75/$290

Classificação Livre

ENSAIO SOBRE A LUCIDEZ

Diante da urgência de se pensar na democracia, a Cia. da Revista estreia Ensaio Sobre a Lucidez, uma livre adaptação do romance homônimo do premiado escritor português José Saramago (1922-2010), no dia 26 de janeiro, no Espaço Cia. da Revista. A peça segue em cartaz até 31 de março, com ingressos por apenas R$20.

A trama apresenta uma cidade imaginária que se recupera de uma epidemia de cegueira ocorrida alguns anos antes e passa pela eleição de um novo líder político. As urnas registraram o surpreendente número de 70% de votos em branco. São chamadas novas eleições e o nível de abstenção cresce ainda mais.

É estabelecida, então, uma investigação policialesca para averiguar as razões subversivas dessa anulação massiva dos votos. As consequências dessa investigação são ações que levam a um devaneio autoritário, que revela a fragilidade do mecanismo democrático. A ideia da peça é justamente criar uma reflexão sobre a democracia e o constante processo que pode tanto favorecê-la como favorecer interesses contrários ao seu princípio.

O espetáculo tem direção de Fernando Nistch, dramaturgia de Marcos Barbosa e músicas originais de Edgar Bustamante. Já o elenco é composto por Adriano Merlini, André Maia, Edgar Bustamante, Gisele Valeri, Luiza Torres, Paulo Vasconcelos e Priscila Esteves.

Ensaio Sobre a Lucidez faz parte da programação do projeto Algum dia teria que acontecer, contemplado na 32ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. O grupo também prevê a estreia – em julho – do espetáculo Desbotou (título provisório), que debaterá a democracia com o público infantil.

SINOPSE

Anos depois de uma epidemia de cegueira, uma cidade novamente lúcida invalida as eleições municipais, inundando as urnas com votos brancos. Sob a alegação de que busca salvaguardar a democracia, o Estado responde com a supressão de direitos individuais e com a implementação de um totalitarismo disfarçado, com a bênção das mídias e das elites nacionais. Em meio ao terror, é preciso encontrar um culpado, ainda que se precise inventá-lo. A democracia está em risco, mas quem são, de fato, os seus inimigos?

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Ensaio sobre a Lucidez

Com Adriano Merlini, André Maia, Edgar Bustamante, Gisele Valeri, Luiza Torres, Paulo Vasconcelos e Priscila Esteves

Espaço Cia da Revista (Alameda Nothmann, 1135 – Santa Cecilia, São Paulo)

Duração 100 minutos

26/01 até 31/03 (dia 23/02 não haverá sessão)

Sábado – 21h, Domingo – 19h

$20 ($5 – moradores da região, com apresentação de comprovante de residência)

Classificação 16 anos