SILÊNCIO

O Caleidos Cia de Dança apresenta, de 21 a 24 de setembro (quinta a domingo), o espetáculo Silêncio onde poesia e dança encenam o fim de um relacionamento num mundo caótico. O espetáculo integra palavra e movimento numa apresentação onde os atores bailarinos revelam a angústia da impossibilidade da comunicação num relacionamento que termina.

Silêncio foi encenado pela primeira vez em 2002, tendo recebido à época o Prêmio para Circulação de Dança contemporânea da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Foi, naquele momento, um marco na Cia de dança por inaugurar em cena a interface poesia e dança explorada posteriormente em diversos trabalhos da Cia.

Trabalhando na interface entre a poesia e a dança, Silêncio expõe as muitas dimensões de um fragmento de tempo: o silêncio de um casal, na cozinha, tomando sua derradeira sopa. A encenação de dança remete-se a essa imagem multiplicando-a ao mesmo tempo que o poema povoa de palavras essa ausência.

O trabalho nasceu de um conjunto de poemas de Fábio Brazil que Isabel Marques – diretora do Caleidos Cia de Dança – se propôs a transformar em dramaturgia para dança contemporânea e referência de composição para a pauta coreográfica, criando um trabalho híbrido de dança e poesia no qual a poesia se apropria do universo das artes de performances e a dança se apropria da palavra poética como geradora de movimento.

Esta montagem de Silêncio faz parte do Projeto Ponto de Partilha que foi contemplado pelo Prêmio ProAc de Poesia 2018 da Secretaria de Estado de Cultura de São Paulo concedido a Fábio Brazil.

Segundo Isabel Marques, que assina a direção com o autor: “não nos interessava apenas remontar o trabalho, por mais interessante que a primeira montagem tenha sido: a criação de 2002 dialogava com um público e um contexto que já não existem mais. Precisamos desentranhar dos poemas e das cenas um diálogo com o contexto atual, no qual os dramas líricos precisam revelar suas relações com as dimensões sociais. É preciso redimensionar o indivíduo no âmbito de seus afetos nesse contexto atual”.

A perspectiva de um drama lírico isolado de tudo que estamos vivendo hoje, nos pareceu ingênua e de certa forma contaminada de um individualismo que afinal é o ponto de inflexão desse ‘tudo que estamos vivendo hoje’. Uma remontagem ingênua, seria acender uma fogueira para iluminar um dia ensolarado. Precisamos romper essas perspectivas líricas que sustentam as ilusões da indústria do entretenimento. Convocar a poesia e a dança para encenarem o fim de um relacionamento precisa também revelar o mundo caótico em que o amor acontece e se desfaz” – explica o poeta Fábio Brazil.

Como em outros espetáculos do Caleidos Cia – Mairto, Lugar Comum, Para o Seu Governo e Ana Bastarda –  Silêncio  se instala na interface entre a poesia e a dança, os poemas entranhados nas cenas são levados ao público pelos intérpretes criadores, dialogando com a música e as cenas de dança. Os poemas emanam dos atores-bailarinos em cena e também quando ocupam um lugar na plateia, de modo a convidar o público a também interferir verbalmente no trabalho, garantindo assim o espaço de participação criativa do público que o Caleidos Cia sempre prezou.

FACESilêncio

Com Bruna Mondeck, Fábio Brazil, Julimari Pamplona, Isabel Marques, Marcelo Pessoa e Ricardo Mesquita

Caleidos (Rua Mota Pais, 213, Lapa – São Paulo)

Duração 40 minutos

21 a 24/11

Quinta a Sábado – 20h30, Domingo – 19h

Contribuição consciente (ingressos devem ser retirados no local com 30 minutos de antecedência)

Classificação 14 anos

NELSON RODRIGUES, POR ELE MESMO

Na última edição de 2019 do projeto ‘Teatro no Municipal’, a atriz Fernanda Montenegro apresenta uma leitura dramática sobre o escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues, baseada no livro de Sônia Rodrigues, filha do escritor.

A apresentação acontece no próximo dia 18, às 20h, e os ingressos custam R$ 5. As vendas ocorrerão no mesmo dia do espetáculo a partir das 12h apenas na bilheteria do Theatro Municipal de São Paulo. A limitação é de 2 ingressos por CPF.

A fala de Nelson Rodrigues sempre chamou a atenção de Fernanda Montenegro, que organizou e costurou as leituras dramáticas baseadas na obra Nelson Rodrigues por Ele Mesmo, que une o máximo do que ele quis dizer sobre sua vida e sua obra. Respeitando, inclusive, a posição dele de que o memorialismo é um tipo de falsificação e que a ficção é autobiográfica.

Nelson Rodrigues é hoje considerado o grande autor trágico do Brasil. Para muitos é o único grande autor dramático do Brasil, mas ele é, sobretudo, o descobridor de uma linguagem cênica, de uma linguagem essencialmente liberta de compromissos literários.

Nelson Rodrigues considerava a época em que viveu trágica e épica. Nas crônicas que escreveu nos anos 60, Nelson carregou o século passado para fora do tempo; transformou o cotidiano óbvio em momentos transcendentais. Com sua obra, suas controvérsias e a própria biografia, Nelson Rodrigues inscreveu-se como um dos polemistas mais bem-humorados do país, o hiperbólico cronista do futebol, torcedor do Fluminense e nosso maior dramaturgo.

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Nelson Rodrigues, Por Ele Mesmo

Com Fernanda Montenegro

Theatro Municipal de São Paulo (Praça Ramos De Azevedo, s/n – República, São Paulo)

Duração 60 minutos

18/11

Segunda – 20h

$5 (venda no dia do espetáculo a partir das 12h somente na bilheteria do Theatro limitada a 2 ingressos por CPF)

Classificação 14 anos

‘Odara – Tradição e Costumes de Um Povo’ ultrapassa a barreira do produto cultural pronto para ser apreciado. Trata-se de um manifesto, uma homenagem misturada a um grito de afirmação e orgulho da cultura de matriz africana. As duas temporadas de sucesso de público mostram bem esse caráter e preparam o solo para mais uma sessão especial do espetáculo, agora no Dia da Consciência Negra (20), às 19h em grande celebração que será acompanhada de ato contra a intolerância religiosa.

A peça, que se baseia na criação do mundo segundo a diáspora e uma visão yorubá, mostra força desde sua temática até o fato de 65 artistas subirem ao palco durante a apresentação, sendo cada um deles representantes reais de manifestações da cultura de matriz africana em linguagens que vão desde música até a literatura.  Desta forma, uma atmosfera musical viva – feita por parte do elenco – adornada por hipnotizantes jogos de luzes, é retratada, paralelamente, à realidade atual das populações negras e uma viagem por suas crenças e costumes ancestrais. O comando do espetáculo fica por conta do diretor artístico do G.R.E.S. Nenê de Vila Matilde, Marcio Telles, que, nesta apresentação especial, prestará homenagens, em cena, às Casas de Matriz Afro, que prestigiaram a produção artística em suas duas temporadas.

Feitas as homenagens, o palco se transformará em grande ato contra a intolerância religiosa, com cânticos e performances simultaneamente. Neste momento, que guarda surpresas, uma aura ainda mais potente que a proposta cenográfica tomará o local.

Outro destaque dessa sessão especial é a presença da atração-mirim Stella Valentina do Amaral Garcia, uma grata surpresa que saiu da plateia para o palco de forma totalmente espontânea numa das apresentações da 2ª temporada da peça, e que agora faz parte do time de artistas que enriquecem a performance. A garotinha de 7 anos, que leva ainda mais alegria à peça, já demonstrava interesse nas artes, sobretudo em dança, mas não se encaixou no modelo de aulas de ballet. “Odara”, portanto, surgiu em sua vida de forma orgânica e a partir da sensibilidade do diretor Marcio Telles, que formalizou o convite à pequena dançarina junto a família de Estela. A estrela infantil já tem perfil no instagram – @stellavalentina.a – onde é possível acompanhar as suas recentes ‘aventuras’.

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SINOPSE

“Odara – Tradição, Cultura e Costumes de um Povo” traz a narrativa da criação do mundo segundo referências da mitologia yorubá.  Olorun, o Senhor Supremo do Universo, resolveu acabar com o ócio reinante no Orun e decidiu criar um mundo habitado por seres semelhantes a Ele. Para tanto, convocou todos os orixás e, sob o comando de Obatalá, ordenou que partissem para criar o Ayê, a terra.

A peça segue com o surgimento de novos povos, desde a vida livre do negro na África, passando pelo tráfico de escravos até o período contemporâneo, mostrando que, além do sofrimento, houve resistência que manteve vivos os costumes, a tradição e a cultura, apresentando, ao longo de 120 minutos, uma dramaturgia enriquecida com manifestações populares como dança afro brasileira, dança dos orixás, capoeira, samba-reggae, puxada de rede e samba de roda, ilustrando um patrimônio cultural inestimável e preservado.

Nesse sentido, “Odara” propõe um novo grito, uma nova revolução, uma retomada dos territórios e das ruas, uma chamada de alegria e afeto, aguerridos, contra qualquer tipo de escravidão, violência e intolerância.

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Odara – Tradição, Cultura e Costumes de um Povo (sessão especial Dia da Consciência Negra)

Com Lena Silva, Mare Black, Vera Afrikana, Vera Luz, Jurema Pessanha, Raquel Tobias e Rafaela Romam. Elenco Dança:Alex Rodrigues, Alexandra Souza, Alexandre Índio, Brandon Diciri, Bruno Souza, Carlos Vitor, Cristina Matamba, Cibele Souza, Debora Zum, Ellen Vieira, Gabi Santos, Gislaine Roshelly, Jaque Barbosa, Nani Salles, Priscilla Alves, Teka Peteca e Ysmael Ribeiro. Elenco Capoeira: Chocolate, Debora Oliveira, Kleber da Silva, Magnata, Mestre Tijolo, Milton Quilombola, Biribinha, Surikatte e Webert Rodrigues

Teatro Oficina (Rua Jaceguai, 520 – Bixiga, São Paulo)

Duração 120 minutos

20/11

Quarta – 19h

$50 ($5 – estudantes secundaristas de escola pública, imigrantes, refugiados, moradores de movimentos sociais de luta por moradia mediante a comprovante – limitados a 10% da lotação diária)

Classificação 12 anos

 

A IMPORTÂNCIA DA ARTE EM UMA SOCIEDADE

No dia 19 de novembro, terça, o filósofo Yuri Ulbricht participa do bate-papo “A Importância da Arte em Uma Sociedade”, ao lado da atriz Irene Ravache e de Andréa Bassitt, autora da peça Alma Despejada, dirigida por Elias Andreato.

O evento acontece na Escola de Atores Wolf Maya (no Teatro Nair Bello), às 19 horas, com entrada franca.

Yuri Ulbricht, que é graduado e doutorando em Filosofia pela USP, vai falar sobre a importância da cultura em uma sociedade, destacando o valor da arte como forma de expressão, identificação e retrato de um povo.

Esta iniciativa é da produção do espetáculo Alma Despejada em parceria com o Ministério da Cidadania e a Porto Seguro.

Alma Despejada – que está em cartaz no Teatro Porto Seguro até o dia 28 de novembro – conta a história de Teresa, uma mulher de mais de 70 anos que, depois de morta, faz sua última visita à casa onde morava porque a casa foi vendida e sua alma foi despejada. Teresa é uma professora de classe média, apaixonada por palavras, que construiu sua vida familiar ao lado de um marido trabalhador e bem-sucedido. A teatralidade do texto de Andrea Bassitt instiga o espectador a seguir uma história aparentemente trivial, mas que tem uma trajetória surpreendente, em sintonia com a nossa sociedade e os fatos atuais, valorizando o humor e a poesia.

Flyer -bate-papo Alma Despejada

Alma Despejada

Com Irene Ravache

Teatro Porto Seguro (Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)

Duração 80 minutos

até 28/11

Quarta e Quinta – 21h

$30/$70

Classificação 14 anos

 

Bate-papo: A Importância da Arte em Uma Sociedade

Com: Irene Ravache, Andréa Bassit e Yuri Ulbricht

Teatro Nair Bello (

Duração 90 minutos

19/11

Terça – 19h

Grátis

Classificação não informada

27º FESTIVAL MIX BRASIL DE CULTURA DA DIVERSIDADE

Acontece, na cidade entre os dias 13 a 20 de novembro, o 27º Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade com atividades de cinema, teatro, música, palestras e games.

Realizado pela Associação Cultural Mix Brasil, o Festival tem como objetivo a formação intelectual e de público em decorrência de sua programação inovadora e das atividades sociais que permitem a interação entre as mais diversas comunidades em prol da construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

A programação está espalhada pelo Centro Cultural São Paulo (CCSP)CineSescEspaço Itaú de Cinema, Cine Olido, Centro Cultural da Diversidade e, há a volta neste ano para o Museu da Imagem e do Som (MIS), primeira sede do Festival.

O tema deste ano é #Persistir – um complemento ao tema do ano passado que foi #Resistir – frente a uma guerra cultural que foi declarada unilateralmente e tem como principais alvos a educação, a cultura, a ciência e as minorias, em especial a população LGBTQI+. “Esse ano mais do que resistir, devemos persistir, palavra que vem do latim e quer dizer ‘manter com firmeza’. É importante nos mantermos unidos, buscando e compartilhando interesses e áreas comuns entre nossas diversas bolhas. Persistindo, juntos, ganhamos mais força“.

Referente a programação dramática, foram programados 5 peças: “Eu Não Sou Harvey” (Ensaio Aberto), “Sombra“, “Orlandx by Virginia Woolf” (Work in Progress), “40 Anos Esta Noite” e “Manifesto Transpofágico (Uma Transpofagia da Transpologia de uma Transpóloga)“. As atrações são todas gratuitas.

A programação completa do Festival pode ser acessada aqui.

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Eu Não Sou Harvey

Duração 45 minutos

Classificação 16 anos

Sinopse

Se uma bala entrar em meu cérebro, deixe que a bala destrua cada porta de armário.” Partindo dessa frase gravada em uma fita pelo próprio Harvey Milk, um ano antes de seu assassinato, o espetáculo narra os últimos dias e o julgamento do assassinato de um dos principais ícones da luta mundial pelos direitos humanos.

14/11 – Quinta – 20h – Centro Cultural São Paulo – Sala Adoniran Barbosa

15/11 – Sexta – 21h – Centro Cultural da Diversidade

Ficha Técnica

Texto e direção: Michelle Ferreira
Argumento e atuação: Ed Moraes
Iluminação: Karine Spuri
Trilha: Mau Machado
Fotos: Caio Oviedo
Cenotécnico: Marcio Macena
Arte: Pietro Leal

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Sombra

Duração 60 minutos

Classificação 18 anos

Sinopse

Através de uma sonorização especial com os textos que foram censurados ao longo da história, e inspirado pelo livro de Alberto Manguel, “A biblioteca à noite”, o Teatro da Pombagira cria um ambiente que revela as obras que foram deixadas nas prateleiras mais altas, trancadas ou até mesmo retiradas de circulação, por conta de seu conteúdo queer ou fantasioso. Na performance do coletivo o público recebe fones para ouvir os sussurros das palavras censuradas, e, em contraponto, os performers tomam conta do espaço e criam imagens que ora colaboram com a encenação, ora desnorteiam os entendimentos.

15/11 – Sexta – 18h – Centro Cultural São Paulo – Sala Adoniran Barbosa

19/11 – Terça – 20h – Centro Cultural São Paulo – Sala Adoniran Barbosa

Ficha Técnica
Direção: Marcelo D’Avilla e Marcelo Denny
Produção geral: Marcelo D’Avilla
Trilha sonora: Renato Navarro
Desenho de luz: François Monetti
Operação de luz: Quinho Gonça
Performers: Andres Vallejos, Andrew Tassinari, Hugo Faz, Lua Negrão, Marcelo D’Avilla, Mateus Rodrigues, Renato Teixeira, Ricardo Mesquita, Snoo, Walmir Bess, Wesley Lima e Zen Damasceno
Curadoria de textos: Ferdinando Martins
Cenografia: Denise Fujimoto
Fotos: Rick Barneschi

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Orlandx by Virginia Woolf (Work in Progress)

Duração 110 minutos

Classificação 16 anos

Sinopse

Novo espetáculo do VULCÃO [criação e pesquisa cênica], ainda em processo de construção, promove debate de representatividade a partir da obra Orlando – uma biografia, de Virginia Woolf. A dramaturgia de Orlandx, construída de forma processual, vem sendo pensada a partir de estudos teóricos sobre a obra de Woolf e de experimentações em sala de ensaio desde 2017. Neste momento, os propositores Elisa Volpatto e Paulo Salvetti, junto da diretora Vanessa Bruno, compõem a abertura do processo do trabalho e, na sequência, recebem convidadxs para construir um diálogo com o público sobre a criação e a recepção da obra apresentada – atividade nomeada [VULCÃO Conversa]. O projeto Orlandx by Virginia Woolf realiza um exercício conjunto de empatia por meio da obra universal de uma das maiores feministas do século XX.

15/11 – Sexta – 17h – Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho

Ficha Técnica
Proposição, interpretação e dramaturgia: Paulo Salvetti e Elisa Volpatto
Direção e dramaturgia: Vanessa Bruno
Iluminação: Rodrigo Campos
Direção de Arte: Vicente Saldanha
Figurinos: Juliana Yoshie
Produção: Corpo Rastreado
Realização: VULCÃO
[criação e pesquisa cênica]
Exercício de alteridade: construções identitárias em Orlando
Com Verônica Valentino e Raimundo Neto

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40 Anos Esta Noite

Duração 80 minutos

Classificação 16 anos

Sinopse

Em seu aniversário de 40 anos, Gabriela, que vive com sua esposa Clarice, convida seu melhor amigo de infância, Bernardo, e o novo namorado dele, João, para uma discreta celebração em seu apartamento. A festa sofre uma reviravolta quando a anfitriã surpreende a todos com o convite para que Bernardo seja o pai do filho que as duas estão tentando ter, sem sucesso, por inseminação artificial.

16/11 – Sábado – 21h – Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho

17/11 – Domingo – 20h – Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho

Ficha Técnica
Texto: Felipe Cabral
Direção: Bruce Gomlevsky
Elenco: Felipe Cabral, Gabriel
Albuquerque, Gisele de Castro e Karina Ramil
Ideia original: Gisela de Castro
Cenário: Fernando Mello da Costa
Figurino: Carol Lobato
Iluminação: Felício Mafra (Russinho)
Trilha sonora: Kleiton Ramil
Assistência de direção: Bruna Diacoyannis
Preparação vocal: Verônica Machado
Direção de produção: 2D Produções e Comunicação
Produção executiva: Luciana Duque
Realização: Felipe Cabral

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Manifesto Transpofágico (Uma Transpofagia da Transpologia de uma Transpóloga)

Duração 50 minutos

Classificação 18 anos

Sinopse

A história do corpo travesti é narrada pela atriz Renata Carvalho. Em cena, ela lança um manifesto sobre o nascimento desses corpos, mostrando a construção social e a criminalização que os permeiam, do imaginário à concretude. Essa pesquisa, chamada de Transpologia, foi iniciada em 2001, quando Renata tornou-se agente de prevenção voluntária de ISTs, hepatites e tuberculose, trabalhando com travestis e mulheres trans na prostituição. A partir dessa experiência leva aos palcos em 2012 o solo Dentro de Mim Mora Outra, no qual contava sua vida e a travestilidade. Desde então, vem reunindo histórias, fi lmes, livros e peças de teatro sobre o tema. Seu O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu, também exibido no Festival Mix Brasil em 2017, foi censurado em diversas cidades do Brasil.

16/11 – Sábado – 20h – Centro Cultural da Diversidade

Ficha Técnica

Dramaturgia e interpretação: Renata Carvalho
Direção: Luiz Fernando Marques
Diretora de cena: Juliana Augusta
Produção: Corpo Rastreado

O OVO DE OURO

A função do Sonderkommando ou comandos especiais, unidades de trabalho formadas por prisioneiros selecionados para trabalhar nas câmaras de gás e nos crematórios dos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, inspira O Ovo de Ouro, com texto de Luccas Papp e direção de Ricardo Grasson. A peça estreia no dia 21 de novembro, no Sesc Santo Amaro, onde segue em cartaz até 15 de dezembro.

Obrigados a tomar as atitudes mais atrozes para acelerar a máquina da morte nazista, esses prisioneiros conduziam outros judeus à câmara de gás, queimavam os corpos e ocultavam as provas do Holocausto. Quem se recusava a desempenhar esse papel era morto, quem não conseguia mais desempenhar a função, era exterminado com os demais.

Ovo de Ouro surge da minha necessidade de não deixar morrer esse pedaço tão importante da História que é a Segunda Guerra Mundial, o nazismo e o Holocausto. A ideia de escrever a peça surgiu em 2014, quando eu fui apresentado ao universo do Sonderkommando por meio de um pequeno artigo em uma revista. Essa figura do judeu que tem que auxiliar com o extermínio do próprio povo mexeu muito comigo e minha noção de humanidade, e me incentivou a tentar entender por que eles faziam isso, por que eles não se recusavam. Com este espetáculo temos a oportunidade de falar sobre Segunda Guerra sob o ponto de vista dessa figura pouco conhecida”, explica Luccas Papp.

Contada em diferentes episódios e tempos, a trama revela a vida de Dasco Nagy (Sérgio Mamberti), que foi Sonderkommando e sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Em cena, dois planos são apresentados – a realidade e a alucinação – para retratar a relação do protagonista Dasco Nagy quando jovem (Luccas Papp) com seu melhor amigo Sándor (Leonardo Miggiorin), com a prisioneira Judit (Rita Batata) e com o comandante alemão Weber (Ando Camargo). No presente, Dasco é entrevistado, já em idade avançada, por uma jornalista, narrando os acontecimentos mais horrorosos que viveu no campo de concentração e descrevendo a partir do seu ponto de vista os horrores e tristezas da Segunda Guerra Mundial.

O papel de Dasco é dividido pelos atores Sérgio Mamberti, que dá vida ao personagem no tempo presente/alucinação, e Luccas Papp, que o interpreta no passado/realidade, no plano da memória. “Talvez este seja um dos personagens mais desafiadores na minha carreira por uma série de fatores. Um deles é por representar o mesmo personagem que Sérgio Mamberti, o que é uma honra e uma responsabilidade muito grande. Segundo, é que ele é um sonderkommando vivendo situações de caráter tão absurdo. Eu preciso fazer com que o público acredite na realidade do que acontecia nos campos de concentração. Tenho que trabalhar com elementos obscuros no meu interior para trazer veracidade para essas situações. E como a peça é feita em ordem não cronológica – são nove cenas divididas entre passado e futuro – tenho que organizar minha cabeça para conseguir colocar a emoção certa na hora certa”, esclarece o ator e dramaturgo.

A dualidade interna entre ser obrigado a auxiliar na aniquilação de seu próprio povo e o medo da morte transforma o Sonderkommando em um complexo personagem a ser debatido. Nesse contexto são muitas as questões discutidas, desde o significado real de humanidade, o medo da morte, os limites da mente e da alma humana e a perda da própria identidade.

A dramaturgia foi inspirada em uma pesquisa sobre obras que discutiam os temas do Holocausto e da Segunda Guerra Mundial. Entre elas, destacam-se os livros Sonderkomamando: No Inferno das Câmaras de Gás, de Shlomo Venezia, e Depois de Auschwitz, de Eva Schloss; e o filme O Filho de Saul, de László Nemes, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2016.

A encenação

A encenação tem como inspiração e referência, a sétima arte, em todos os seus desdobramentos, nuances e dezenas de relatos deixados pelos sobreviventes dos campos de extermínio. “Apontamos no tempo presente, o encontro entre a jornalista e o sobrevivente, de forma fantasmagórica, alucinógena, imprimindo uma atmosfera vibratória, de vida pulsante às cenas e aos personagens. Quando nos transportamos, ilusoriamente, ao campo de concentração, ao passado concreto, vivido pelos personagens apontamos uma atmosfera fria, enclausurada, suspensa e sem vida, que nos conduz imageticamente àquelas sensações de crueldade. Luz, som, cenografia e figurino conversam com essa estética e nos conduzem à proposta de encenação. A ideia é fazer com que as sensações criadas por estes elementos no espaço cênico atinjam o espectador de maneira intensa. Como encenador, entendo que a cenografia, o figurino, a iluminação, a trilha sonora não são panos de fundo ou cama para um espetáculo, juntos eles atuam concretamente fusos ao texto, formando assim uma narrativa dramatúrgica única”, revela o diretor Ricardo Grasson.

Para que não se repita

Em tempos de pouco diálogo, imposição de ideias e ideologias, censura e extremismos é fundamental debatermos esses temas tão duros e atrozes para que os erros que provocaram tanto sofrimento no passado não se repitam. É necessário e quase que um dever recordarmos as atrocidades do holocausto nazista, para que a história vivida no final dos anos trinta e início dos quarenta, não volte a nos assombrar. Para que as novas gerações, não testemunhas deste período da história, saibam o que aconteceu e onde a intolerância pode nos conduzir. Auschwitz e outras tristes lembranças do holocausto, podem até escapar da memória, mas jamais deixarão os corações de quem viveu a tragédia, especialmente de quem se atribui a responsabilidade de manter viva, por gerações, as imagens da perversidade humana. Uma das formas de evitar a repetição de tais tragédias coletivas é recordá-la, para que não ressurjam no horizonte, sinais do restabelecimento de ódios raciais, extremismos comportamentais e ideologias sectárias, formando o caldo cultural do qual o nazismo se alimentou e  cresceu”, completa Ricardo Grasson.

… É fácil esquecer para quem tem memória; difícil esquecer para quem tem coração”…

Gabriel Garcia Marques

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O Ovo de Ouro

Com Sérgio Mamberti, Leonardo Miggiorin, Rita Batata, Ando Camargo e Luccas Papp.

SESC Santo Amaro (Rua Amador Bueno, 505, Santo Amaro, São Paulo)

Duração 90 minutos

21/11 até 15/12

Quinta e Sexta – 21h, Sábado – 20h, Domingo – 18h

$30 ($9 – credencial plena)

AUDIÊNCIA

Pouco encenado no Brasil, o poeta, dramaturgo, ativista e ex-presidente tcheco Václav Havel (1936-2011) foi um dos líderes da Revolução de Veludo, movimento pacífico responsável pelo fim do regime autoritário comunista na antiga Tchecoslováquia. Para marcar os 30 anos desse levante político e criar uma reflexão sobre o valor da democracia, o Coletivo Cardume estreia o espetáculo “Audiência”, com direção de Juliana Valente e tradução de Luis Felipe Labaki, na SP Escola de Teatro – Sala Hilda Hilst, no dia 29 de novembro. A temporada segue até 16 de dezembro, com ingressos por até R$30.
 
Crítico ao autoritarismo, Havel foi impedido de ter suas peças encenadas durante a época que ficou conhecida no país como “Normalização” (1968-1989), período de recrudescimento do regime comunista que deu fim ao processo de liberalização ocorrido na Primavera de Praga (1968). Em 1974, com dificuldades financeiras, o dramaturgo foi obrigado a trabalhar por alguns meses em uma cervejaria na cidade de Trutnov.
 
Essa experiência serviu-lhe de inspiração para escrever a peça “Audiência” (1975), que narra a visita do ex-dramaturgo Vaněk (na montagem do Coletivo Cardume, interpretado por Marô Zamaro), uma espécie de duplo do autor, ao escritório de seu chefe, o Mestre Cervejeiro (Pedro Massuela). Entornando várias garrafas de cerveja, o patrão pergunta ao subordinado sobre sua vida anterior à função maçante de rolar os barris da cervejaria e sobre as atrizes e personalidades com quem convivia no teatro.
 
Na conversa, o Mestre Cervejeiro se lembra dos próprios velhos tempos, extravasa sobre suas desilusões e propõe a Vaněk um novo trabalho em troca de um favor. O poeta e dramaturgo dissidente deveria ajudar a escrever os relatórios solicitados pelo serviço secreto sobre suas atividades “subversivas”.
 
A peça nos apresenta um embate entre duas visões de mundo. Vaněk e o Mestre cervejeiro possuem experiências de vida e perspectivas muito diversas entre si. E esse atrito é o primeiro aspecto que nos chama a atenção. Eu poderia dizer que esse aspecto estrutural da peça dialoga profundamente com a séria polarização política que vivemos no Brasil”, conta a diretora Juliana Valente.
 
Ambos impactados pelo regime totalitário, o “operário” e o “intelectual” desenvolvem reflexões profundas acerca da vida em uma época de censura acentuada e das diferenças de classe em um ambiente supostamente igualitário. “Outro aspecto trazido pelo texto é o questionamento sobre o lugar do artista e do intelectual na sociedade. Essa é uma discussão que atualmente tem ganhado espaço por conta do processo de desvalorização do artista e do conhecimento intelectual de maneira geral que estamos vivendo”, acrescenta a encenadora.
 
O espetáculo tem a proposta de defender a democracia e a liberdade de pensamento e expressão, ameaçadas diante do turbulento cenário político mundial atual, além de discutir como o totalitarismo é prejudicial em qualquer regime.
 
A peça tem trilha sonora executada ao vivo por Francisco Turbiani e Luis Felipe Labaki e cenário também assinado por Juliana Valente. A plateia é disposta frente a frente, com elementos cênicos dispostos em um corredor. “Uma das minhas primeiras preocupações em relação à direção foi a criação do ambiente de uma cervejaria. Isso aparece nos elementos de cenário e adereços, mas também se relaciona com a escolha de evidenciar os músicos em cena, caracterizados como funcionários dessa fábrica”, afirma a diretora.
 
Trilogia Vaněk
 
Além de “Audiência” (1975), Havel escreveu na década de 1970 outras duas peças com o mesmo protagonista, o dramaturgo Ferdinand Vaněk: “Vernissage” (1975) e “Protesto” (1978). O personagem – e até a figura de Havel – também foi apropriado por outros dramaturgos tchecos, como Pavel Kohout e Jirí Dienstbier.
 
Os três trabalhos circularam amplamente na Tchecoslováquia na forma de “samizdat” (a divulgação clandestina de publicações censuradas pelos regimes totalitários no Leste Europeu) e reforçam a reputação do autor como um dos principais dissidentes políticos do país. Depois da estreia de “Audiência”, o Coletivo Cardume pretende montar as duas outras peças dessa sequência.
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Audiência
Com Marô Zamaro e Pedro Massuela
SP Escola de Teatro – Sala Hilda Hilst (Praça Rooosevelt, 210, República, São Paulo)
Duração 75 minutos
29/11 até 16/12
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h, Segunda – 21h
$30 ($10 – aprendizes da SP Escola de Teatro)
 
Classificação 12 anos