CASA ROSA DOS VENTOS

Inspiradas pela cultura xamânica, as atrizes Fabiana Tolentino e Luciana Bollina idealizaram uma peça itinerante, sem dramaturgia linear, um jogo de direções, onde o tema central é relação com o Tempo. No espetáculo, a plateia é convidada a seguir qualquer direção e assistir o que quiser nos diversos cômodos da casa que recebe a encenação.

É uma experiência-instalação na qual a plateia precisa escolher o que assistir ou não, além de decidir se vai obedecer as ordens que vem de duas personagens provocadoras, que são uma espécie de mestres de cerimônia.

A dramaturgia foi escrita a partir dos Escudos Xamânicos (representados por animais que protegem cada direção da Rosa dos Ventos: Águia do Leste, Coiote do Sul, Urso do Oeste e Búfalo do Norte). As cenas criadas abordam questões feministas associadas ao significado de cada animal, abrangendo temas como: a criança interior, repetição de padrões familiares, sexo e masculinidade tóxica. “A gente trabalha esses temas todos respeitando a sacralidade que existe neles, mas sempre com uma pitada de irreverência. Mostrando que o sagrado e o profano podem (e devem) conviver juntos em harmonia” comenta Fabiana Tolentino.

A peça tem direção musical de Pamella Machado e Pedro Arrais. Todas as músicas são originais e foram compostas pelo elenco para o projeto, principalmente por Pamella Machado, Luciana Bollina, André Torquato e Pedro Arrais, mas todos da equipe participaram no processo de criação das músicas e arranjos. Ainda sobre a parte musical, Fabiana completa: “Seguindo na linha de misturar sagrado e profano, misturamos bases de música eletrônica com tambores veganos (com couro não-animal), instrumentos musicais e a voz. Tirando a base eletrônica, tudo é executado ao vivo”.

Sobre o  M.O.T.I.M:

Dentro de uma cultura de opressão às mulheres e aversão ao termo “feminista”, onde muitos julgamentos são lançados em cima das que se auto intitulam dessa forma, o coletivo sentiu a necessidade de apresentar ao público diferentes perspectivas sobre essa palavra. Com início em julho de 2018 através de um grupo de estudos semanal, o grupo cria seu primeiro espetáculo: LUGAR DE ESCUTA; a peça busca aproximar o público a uma diversidade de discursos, abrindo espaço para que minorias políticas pudessem exercer seu lugar de fala. Foram 5 temporadas de sucesso, realizadas através de financiamento coletivo e de seus desdobramentos, duas no Teatro do Núcleo Experimental, duas na Casa Travessia e duas sessões, no CEFTEM e no Teatro Prudential, realizando assim uma breve passada pelo Rio de Janeiro; também foram convidadas pela Chiado Books a lançar o texto em livro, mais de 300 exemplares vendidos em menos de 3 meses.

FACE (2)

Casa Rosa dos Ventos

Com Luana Zehnun, Lurryan Nascimento, André Torquato, Fabiana Tolentino, Luciana Bollina, Pamella Machado, Luisa Sabino, Luka Borges e Pedro Arrais

Nosso Espaço (Rua Cajaíba, 531 – Perdizes, São Paulo)

Duração 80 minutos

06 a 16/12

Sexta, Sábado, Domingo e Segunda – 20h30

$80

Classificação 16 anos

ÁGUA DOCE

Cia da Tribo circula até o final do ano por 20 parques de São Paulo com o espetáculo Água Doce, peça de teatro para toda a família, que utiliza figuras do folclore brasileiro para conscientizar o público sobre a imensidão de rios que circulam abaixo dos nossos pés, tamponados ou encanados durante um processo de urbanização desenfreada. Criada em 2018, a peça já cumpre uma trajetória de sucesso, conquistando o Prêmio APCA de Melhor Espetáculo de Rua e o Prêmio SP de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem na categoria Sustentabilidade.

Em novembro, Água Doce passa ainda no parque Raul Seixas (30/nov, às 16h, em Itaquera). As datas agendadas seguem até dezembro, dia 22, quando finalizam a circulação do espetáculo no Parque Santo Dias, na zona sul, no Capão Redondo.

A nova temporada de Água Doce tem apoio da 9ª edição do Prêmio Zé Renato de Apoio à Produção e Desenvolvimento da Atividade Teatral para a Cidade de São Paulo. Até agora, o espetáculo realizou cerca de oitenta apresentações em espaços próximos ou exatamente localizados acima de rios soterrados. “Com este trabalho pretendemos lançar um olhar para os nossos rios, que apesar de escondidos, continuam lá e são referências culturais”, completam os diretores Milene Perez e Wanderley Piras.

_________________________________________

Em 2018, o geógrafo Luiz de Campos Junior, um dos fundadores do projeto Rios & Ruas, afirmou que ninguém na cidade de São Paulo está a mais de 300 metros de distância de um curso d’água subterrâneo. De acordo com a Prefeitura, a cidade tem 280 cursos mapeados e nomeados – o Rios & Ruas estima que esse número possa chegar a 500, o que totaliza cerca de 3.000 km de extensão.

_________________________________________

Segundo Milene, o processo de criação da peça ganhou força quando ela e Wanderley, ao realizarem uma aula de artes para crianças em um parque, tiveram um aluno que disse estar ouvindo um som de água corrente. Os professores levantaram uma tampa de bueiro e descobriram, junto com a turma, que abaixo deles corria um rio. “Todos nós ficamos olhando para ele e a experiência foi muito impactante, além de ter mudado a relação que aquelas crianças tinham estabelecido com os rios até então, que muitas vezes são tidos apenas como sujos ou causadores de enchentes“, conta a diretora.

A partir dessa experiência, a Cia da Tribo buscou nas lendas e costumes dos povos ribeirinhos os elementos para a criação do trabalho. Os bonecos, que representam figuras folclóricas como Iara, a Mãe do Rio; Cabeça de Cuia; Jaguarão; Pirarucu e Cobra Grande foram confeccionados pelo artista plástico Adriano Castelo Branco a partir de materiais reutilizáveis. “Os bonecos chamam tanta atenção que até deixamos eles à mostra do público depois das apresentações, criando uma espécie de exposição ao ar livre“, diz Milene.

Os artistas da Cia do Tribo contam que mesmo com as questões sobre a preservação da natureza estarem em evidência no espetáculo, ele não se impõe como uma peça panfletária ou didática, fazendo uso da linguagem poética para que o público entenda por conta própria as questões que estão sendo tratadas. Uma das alegorias da peça é de Iara, que vive exilada na pororoca (o encontro das correntes de um rio com as águas oceânicas) e que observa como a inveja e a ganância, podem fazer mal à natureza, matando os peixes e secando os rios.

São muitos os rios soterrados e retificados na cidade, como Anhangabaú, Ipiranga, Tamanduateí, entre outros”, contam Milene e Wanderley. “São rios caudalosos colocados em canos“, afirmam. Os artistas complementam que o processo de retificação é muito agressivo, pois os cursos dos rios são muito sinuosos e, para que eles cumpram uma rota específica, tiveram as margens cimentadas ou foram encanados, a partir de uma justificativa de erguimento da cidade.

SINOPSE

A peça trata da relação do homem com a água doce, dando destaque aos rios brasileiros por meio do mito da Iara e de outros seres folclóricos presentes nas comunidades ribeirinhas. Com texto, cenografia, figurinos, trilha sonora e criação de bonecos originais, o espetáculo traz à tona rios, córregos e nascentes que foram esquecidos pela urbanização nas grandes cidades. A Cia da Tribo, com sua linguagem cênica voltada para a cultura popular em diálogo com a contemporaneidade, apresenta lendas e personagens brasileiros como Iara, a Mãe do Rio; Cabeça de Cuia; Jaguarão; Pirarucu; Cobra Grande, entre outros.

FACE (1)

Água Doce

Com Alef Barros, Geovana Oliveira, Milene Perez e Wanderley Piras

Duração 50 minutos

Obs: as datas/ horários podem sofrer mudanças a partir de condições climáticas

Classificação Livre

 01/dez, às 16h

Parque Luís Carlos Prestes – Rua João Della Manna, 665 – Jardim Rolinópolis

07/dez, às 16h

Parque Raposo Tavares – R. Telmo Coelho Filho, 200 – Jardim Olympia

14/dez, às 11h e 16h

Parque Cordeiro – Martin Luther King – R. Breves, 968 – Chácara Monte Alegre

15/dez, às 11h e 16h

Parque da Aclimação – Rua Muniz de Sousa, 1119 – Aclimação

20/dez, às 11h e 16h

Parque Ecológico Chico Mendes – R. Catanduva – Jardim Paulista, Várzea Paulista

21/dez, às 16h

Parque Nabuco – R. Frederico Albuquerque, 120 – Jabaquara

22/dez, às 16h

Parque Santo Dias – R. Arroio das Caneleiras, 650 – Conj. Hab. Instituto Adventista

O BANQUETE NO ÉDEN

As tradições, os mitos, as histórias que atravessam gerações são capazes de nos influenciar e gerar padrões de comportamento que possam garantir a evolução da humanidade.

As histórias acerca de Adão e Eva, o fruto proibido, Caim e Abel, Serpente, Deus e a criação do mundo, ocupam um lugar de privilégio não só nas religiões, mas também nas artes plásticas, na filosofia e no inconsciente coletivo.

E o que o mito do Jardim do Éden, teria a nos dizer sobre o que somos e a forma como nos relacionamos nos dias atuais?

O Grupo Trapo debruça-se sobre estas histórias que estão no íntimo de nossa formação e da construção de paradigmas, por um único motivo: Questionar significados! Do amor, da desobediência, do sexo, da liberdade, da morte.

Sobre o Grupo Trapo
Grupo Trapo é um grupo de teatro da cidade de São Paulo, criado em 2000 pelo ator e diretor Muriel Vitória. Desenvolve trabalhos baseados em comportamentos humanos e cultura popular, utilizando como expressão e estética os elementos corporais pautados no Teatro de Investigação Corporal. Tem como foco montagens teatrais oferecidas a espaços populares, para difundir a arte a todos os tipos de público e fomentar temas que são pertinentes na sociedade atual, mediadas principalmente, por questões que afetam a todos diretamente ou indiretamente seja nos conceitos, nas relações pessoais ou até mesmo na própria arte, na crença, na cultura popular. Atua diretamente na região do ex tremo sul da cidade de São Paulo em seu Teatro Sede: “ Nosso Canto ” localizado no bairro do Capão Redondo.
www.facebook.com/grupotrapo  www.instagram.com/grupotrapo
www.instagram.com/nossocantoteatro

FACE

O Banquete no Éden

Com Catarina Milanin, Diego Britto, Isaque Patrício,  Lucas Soares, Marília Pacheco, Priscilla Rosa e Vitória Rabelo

Complexo Cultural FUNARTE – Sala Arquimedes Ribeiro (Alameda Nothmann, 1058 – Campos Eliseos, São Paulo)

Duração 60 minutos

13 a 15/12

Sexta e Sábado – 20h30, Domingo – 19h

$20 (somente dinheiro)

Classificação 18 anos

O OVO DE OURO (Opinião)

A peça “O Ovo de Ouro” (Sesc Santo Amaro) retrata um episódio  da nossa história – as memórias de um trabalhador do “Sonderkommando” nos campos de concentração, durante o Nazismo, na Segunda Guerra Mundial.

Sonderkommando é a denominação dada a um grupo especial de pessoas – de origem judia – que atuava em campos de concentração. Tinha a função de executar os trabalhos mais árduos e críticos, que os soldados alemães não fariam, como enterrar os corpos dos prisioneiros mortos e a limpeza das câmaras de gás. Por realizar estes serviços, seus integrantes eram separados dos outros presos e tinham alguns privilégios. Só que não duravam muito tempo nesta função, pois após algum tempo de serviço, eram exterminados e substituídos por novos presos.

“Surge da minha necessidade de não deixar morrer esse pedaço tão importante da História que é a Segunda Guerra Mundial, o nazismo e o Holocausto. A ideia de escrever a peça surgiu em 2014, quando eu fui apresentado ao universo do Sonderkommando por meio de um pequeno artigo em uma revista. Essa figura do judeu que tem que auxiliar com o extermínio do próprio povo mexeu muito comigo e minha noção de humanidade, e me incentivou a tentar entender por que eles faziam isso, por que eles não se recusavam. Com este espetáculo temos a oportunidade de falar sobre Segunda Guerra sob o ponto de vista dessa figura pouco conhecida”, explica o autor e ator Luccas Papp.

Aqueles que não podem lembrar o passado
 estão condenados a repeti-lo”
 (George Santayana)

15737515835dcd8b1f646ac_1573751583_3x2_rt

“O Ovo de Ouro”

O judeu Dasco Nagy (Sergio Mamberti) é entrevistado por uma jornalista (Rita Batata) sobre o período em que viveu no campo de concentração de Auschwitz. Como fantasmas que rondam o presente, suas memórias dos horrores vividos voltam à tona. Memórias estas que não apresentam uma ordem cronológica, nem se sabe se são verdadeiras ou frutos de sua imaginação.

São relembradas histórias da relação do protagonista quando jovem (Luccas Papp) com seu melhor amigo Sándor (Leonardo Miggiorin), com a prisioneira Judit (Rita Batata) e com o comandante alemão Weber (Ando Camargo).

"… É fácil esquecer para quem tem memória; 
difícil esquecer para quem tem coração”…
Gabriel Garcia Marques

FACE

O assistir o espetáculo

Fui preparado para assistir a peça. Afinal, sabemos o que aconteceu durante o período histórico retratado. Sentado no teatro, ao chegar próximo do início do espetáculo, parecia que as paredes iam se fechando, como se quisessem me sufocar.

A direção de Ricardo Grasson comanda de uma maneira precisa o desenrolar da narrativa. O cenário de Kleber Montanheiro é constituído de placas gigantescas – seriam fornos, lápides, portais? – que se abrem e se movimentam, permitindo que os fantasmas das lembranças de Dasco adentrassem na história. Tem o desenho de luz de Wagner Freire – ou a sua inexistência – que vai mostrando, ou escondendo, o que está sendo contado.

Durante vários momentos, fechei os olhos para não ver o que acontecia (não há imagens explícitas na peça), como uma forma de fuga. Mas era pior. Ouvindo os diálogos, o barulho dos trens que traziam os presos para os campos de concentração, os gritos de dor (design de som de I. P. Daniel), imagens vívidas se formavam na minha mente.

Até que ao final – com várias lágrimas no rosto – junto com a plateia, levantei-me para aplaudir merecidamente o trabalho dos cinco atores Sérgio Mamberti, Leonardo Miggiorin, Rita Batata, Ando Camargo e Luccas Papp. Uma atuação controlada, mínima, sem arroubos gestuais. Há momentos na peça em que tudo que é necessário é apenas a voz dos personagens/atores.

Se quiser saber mais sobre o tema, há os filmes “Cinzas da Guerra” (“The Grey Zone”, 2001) e “O Filho de Saul” (“Saul fia”, 2015), além dos livros “Os Afogados e os Sobreviventes: Os Delitos, os Castigos, as Penas, as Impunidades” (Primo Levi, 1990), “Depois de Auschwitz – o Emocionante Relato de uma jovem que Sobreviveu ao Holocausto” (Eva Schloss, 2013) e “Sonderkommando: No inferno das câmaras de gás” (Shlomo Venezia, 2014),

Amanhã fico triste, amanhã. 
Hoje não. 
Hoje fico alegre. E todos os dias, por mais amargos que sejam, 
Eu digo: Amanhã fico triste, hoje não. 
Para Hoje e todos os outros dias!
(Poema encontrado na parede de um dos dormitórios de crianças 
no campo de concentração de Auschwitz)

 

ovo-de-ouro-352

O Ovo de Ouro

Com Sérgio Mamberti, Leonardo Miggiorin, Rita Batata, Ando Camargo e Luccas Papp.

SESC Santo Amaro (Rua Amador Bueno, 505, Santo Amaro, São Paulo)

Duração 90 minutos

21/11 até 15/12

Quinta e Sexta – 21h, Sábado – 20h, Domingo – 18h

$30 ($9 – credencial plena)

ALÉM DO AR (OPINIÃO)

A fundação Lia Maria Aguiar estreou o seu mais novo musical original “Além do Ar”, no dia 22 de novembro, onde homenageia o pai da aviação, Alberto Santos Dumont.

Para contar a história, a ação se passa dentro da cabeça do inventor – que tem o formato de um hangar (uma de suas invenções). Nela, Dumont, com seus quase 60 anos, repassa sua vida em conversas com seus outros ‘eu’: criança, pré-adolescente e jovem adulto.

Em estado de depressão por causa dos acontecimentos – utilização do seu invento como máquina de guerra, morte de amigos no acidente com o aeroplano que levava o seu nome – Santos Dumont precisa aprender a ressignificar a sua vida, com a ajuda dos seus ‘antigos eu’ – descoberta, experimentação e realização. Infelizmente, não foi possível e o inventor tirou sua vida no dia 23 de julho de 1932, aos 59 anos.

A mensagem principal da história deste imortal herói nacional é a sua persistência. Desde criança, apoiado pelo pai e irmã, Virgínia, Santos Dumont leu os livros do escritor francês Jules Verne, que fizeram com que sua curiosidade ultrapassasse barreiras. Questionador, buscava respostas para tudo. Não parava mediante os obstáculos. Parafraseando a canção “reconhecia a queda e não desanimava. Levantava, sacodia a poeira e dava a volta por cima”.

Foi assim que aos 20 anos mudou-se para Paris (França) e aprendeu todo o necessário para construir os balões e os dirigíveis até chegar à invenção do avião. Os erros foram munição para que ele procurasse as respostas e atingisse seu objetivo afinal.

_CGL0724

crédito Caio Gallucci

(aqui faço uma digressão sobre a própria Fundação Lia Maria Aguiar)

Criada há onze anos, com objetivo de fornecer pilares fundamentais – educação, cultura, meio ambiente e inclusão social – para crianças e jovens de baixa renda de Campos do Jordão e adjacências, a fim de que se desenvolvam e tornem-se cidadãos capazes de mudar suas próprias vidas, além das suas famílias e sociedade.

A Fundação oferece ensino extracurricular em três núcleos culturais: Dança, Música e Teatro. A única contrapartida é que os alunos tenham boas notas e sejam aprovados de ano no colégio.

No núcleo de Teatro, cerca de 200 alunos têm aula diária de atuação, dança, canto, sapateado, atividades circenses, para prepará-los para saírem prontos para o mercado de trabalho. No final de cada ano, há a apresentação de um espetáculo musical.

Artistas profissionais e reconhecidos do mercado são convidados para participarem destas montagens. Com isso, compartilham com os alunos suas experiências de palco. Já passaram por estas montagens, atores como Claudia Ohana, Juan Alba, Leonardo Miggiorin, Marcos Tumura, Kiara Sasso, Totia Meirelles.

A escolha dos musicais que serão apresentados também tem um fundo educacional. Seus temas refletem a realidade da vida dos estudantes da fundação. “A Princesinha” é um musical considerado da primeira fase, que retrata a vida de crianças, que precisam trabalhar para se sustentarem, mas que não perderam seus sonhos. “Uma Luz Cor de Luar” foi escolhida para falar sobre o crescimento e a descoberta do amor. Agora com “Além do Ar”, a mensagem passada é a de não desistir, mas sim persistir.

Observa-se esta mudança também no perfil dos próprios estudantes – de crianças tímidas e fechadas tornaram-se crianças capazes, extrovertidas, donas de si. Percebe-se o brilho nos olhos e na felicidade de cada uma delas, pois sabem que tem capacidade para mudarem seus destinos.

(fechando a digressão)

O musical encerra sua temporada neste domingo, 1 de dezembro. Mas não adianta ir até a cidade para assistir o espetáculo pois todos os ingressos estão esgotados. Há a possibilidade de vir para São Paulo? É o que esperamos, pois, um musical como este precisa ser visto por um público muito maior.

O texto de Fernanda Maia, com colaboração de Thiago Gimenes e Viviane Santos, consegue dar conta de em apenas noventa minutos, contar toda a riqueza da vida de Santos Dumont – ter seu pai como ideal, a paixão pelos livros de Jules Verne, a curiosidade, a vida em Paris, o apoio da irmã, a criação dos balões e dirigíveis, as quedas, o 14 Bis levado ao palco – emocionante, a depressão e sua morte.

As canções originais de Thiago Gimenes passeiam pelos vários ritmos musicais da época e do local onde passa a história. Gostosa de se ouvir, dá vontade de ser escutada várias vezes – até mesmo fora do teatro, para não ter a atenção ‘dispersa’ pelas cenas que passam no palco, e ‘ouvir melhor’ a mensagem que passa.

Estreia do Musical Alem do Ar-9262

Dona Lia Maria Aguiar e o quarteto que vive Santos Dumont | Crédito: Rodrigo Scarpa / Agência Brazil News

Temos que ressaltar o trabalho dos quatro atores que representam as várias fases do Santos Dumont: Cássio Scapin volta ao papel que interpretou pela primeira vez há quinze anos numa minissérie, André Torquato, e os dois alunos da fundação, Raí Palma e Francisco Arruda. Cada um transmitindo as características do seu ‘personagem’, e que somados formam o homenageado.

Outros que precisamos ressaltar são Pedro Arrais, Dante Paccola e David Vinicius, que dão vida aos mecânicos ‘palhaços’ de Santos Dumont’: Chapan, Dozo e Gasteau. Momentos de leveza e risos para toda a plateia.

Um destaque especial para Felipe Carvalhido que interpreta o papel do pai do homenageado. Seu personagem transmite a força e o amor paternal para que o jovem Santos Dumont alcance seus objetivos.

Para que este lindo e sensível trabalho fosse levado ao palco, precisa de uma equipe criativa competente: a direção (compartilhada com Thiago Gimenes) e a coreografia de Keila Fuke, a assistência de direção de Viviane Santos, a produção de Leonardo Faé, os figurinos de Fábio Namatame, os cenários de Chris e Nilton Aizner, as pipas e protótipos dos balões e dirigíveis de Ken Yamazato, além do desenho de som de Tocko Michelazzo, a iluminação de Rodrigo Alves e o visagismo  de Claudinei Hidalgo.

Nosso reconhecimento final para todos os professores, pais e familiares destes jovens atores que os apoiaram nesta caminhada de transformação.

FACE (1)

Além do Ar – Um musical inspirado em Santos Dumont

Com Cássio Scapin, André Torquato, Mira Haar, Felipe Carvalhido, Pedro Arrais, Dante Paccola, Thiago Claro França, Giselle Tigre, Francisco Arruda, Raí Palma e mais 41 crianças e jovens da Fundação Lia Maria Aguiar – núcleo de Teatro Musical

Auditório Claudio Santoro (Av. Dr. Luis Arrobas Martins, Campos do Jordão – SP)

Duração não informada

22/11 até 01/12

Sábado e Domingo – 20h

$10 (Vendas: flma.org.br/evento/alem_do_ar ou na Sede da Fundação Lia Maria Aguiar -Av. Dr. Victor Godinho, 455 Campos do Jordão – SP)

Classificação Livre

60 CRAVOS VERMELHOS

A bailarina e coreógrafa mineira Beth Bastos dirige trabalho a performance-observatório 60 Cravos Vermelhosque traz  a pergunta O que vemos quando olhamos dança?, no dia 30 de novembro, sábado, às 16 horas, no vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo) e no dia 14 de dezembro , às 17 horas, na sala de exposição do Mac (Museu de Arte Contemporânea). Com figurino de Tereza Monteiro, cenografia de André Canadá e iluminação de Hernandes Oliveira, sessenta participantes, com cravos vermelhos nas mãos e usando vestidos e camisas de linho em cores neutras, apresentam partituras de  movimento e pausa. Tudo acontece ao cair da tarde no momento de transformação entre o dia e a noite.

Beth Bastos e os bailarinos do Núcleo Pausa propõem ao público a experiência da  composição e do movimento com o foco no corpo e no espaço, ativando a percepção dos sentidos e da imaginação. “As performances-observatório oferecem ao espectador a possibilidade de escolher como e de que lugar se quer olhar, ver e assistir“, comenta Bastos.

O trabalho de improvisação e de composição em dança se alimenta das filosofias de corpo da bailarina americana Lisa Nelson (bailarina, performer, editora de revista em Nova York) e de Klauss Vianna (bailarino brasileiro, criador de um método de dança). Beth Bastos investe na desaceleração do espectador e do artista.

A coreógrafa explica que “a proposta das performances-observatório é sintonizar a percepção e o instante para criar composições espontâneas e singulares, usando os sentidos do corpo como ferramentas de sobrevivência e de produção de imagens. O que pode uma pausa provocar? O que se imagina a partir de um corpo que pausa? Como essa imagem efêmera afeta o espaço“?

Nas palavras de Beth Bastos, “essa pesquisa, em processo, tem como foco as abordagens sobre o corpo e o espaço e usa a desaceleração do movimento para desdobrar os temas da atenção, da pausa, da quietude e da necessidade política de resistir e abrir espaço para outros olhares e seus significados. Propõe uma operação de ralentamento que permite observar a dimensão paradoxal do tempo ao fixar um instante que contém muitos possíveis e desencadear mudanças na ordem do sentido. Em um momento em que a aceleração é um valor em si, as performances-observatório oferecem uma possibilidade de percepção da pausa como um gesto alcançável para produzir outras paisagens”.

As apresentações encerram o projeto O que vemos quando olhamos dança? –  contemplado pela 25ª Edição do Fomento à Dança da Cidade de São Paulo, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura -, que já realizou diversas performances pela cidade em arquiteturas distintas, um ateliê de quatro meses na Oficina Oswald de Andrade com 32 solos de dança, palestras e o filme O que te move, sobre os solos. Concebido pela bailarina Beth Bastos e seu núcleo de pesquisa, o projeto investiga a questão do olhar, a imaginação e a relação da dança com a arquitetura, a fotografia e as artes plásticas.

Beth Bastos

Bailarina, performer, improvisadora e professora de dança. Sua experiência passa pela formação em filosofias do corpo em Klauss Vianna (Brasil) e Lisa Nelson (USA). Em sua pesquisa questiona o trânsito entre a contemporaneidade e a desaceleração, no tempo e no espaço, a composição de imagens, e a percepção dos sentidos e os sentidos da imaginação.

FACE

60 Cravos Vermelhos

Com Izabel Costa, Daniela Pinheiro, Fernanda Windholz, Emilio Salvietti Cordeiro, Maíra Rocha Machado, Maira Mesquita, Ísis Marks

Duração 60 minutos

Grátis

Vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo) – 30/11 – sábado – 16h

sala de exposição do Mac (Museu de Arte Contemporânea) – 14/12 – sábado – 17h

 

POKAS

Em seu terceiro show solo, Pokas, Thiago Ventura faz piadas e conta histórias engraçadas sobre os seus últimos anos como comediante de stand up. Fala de liberdade de expressão, livre arbítrio, sexualidade, drogas, dogmas e da vida pessoal, sempre com seu inconfundível estilo da quebrada.

Thiago Ventura

Administrador de empresas e ex-bancário, Thiago Ventura se dedica à comédia stand up desde 2010. Desde maio de 2016 está em cartaz em São Paulo no Teatro Shopping Frei Caneca “Isso é tudo que eu tenho e Só Agradece (shows que geraram dois dvds homônimos) ” e agora com novo show “Pokas”.

Ventura é fenômeno de público e crítica por onde passa, já participou dos maiores festivais de comédia do Brasil. Faz parte do elenco dos grupos: 4 Amigos, Comédia ao Vivo e a Culpa é do Cabral, em 2017 e 2018 fez turnê internacional no Japão, Estados Unidos e Europa (Lisboa, Dublin, Galway, Amsterdã, Bruxelas, Londres e Paris). Seus vídeos geram mais de 20.000 compartilhamentos e mais de 2.000.000 de views em pouco mais de 3 dias, muitos vídeos contam com mais de 50.000.000 de views.

 

Pokas

Com Thiago Ventura

Teatro Humboldt (Av. Engenheiro Alberto Kuhlmann, 525 – Jardim Ipanema, São Paulo)

Duração 80 minutos

29 e 30/11

Sexta e Sábado – 20h

$70

Classificação 12 anos