ENTREVISTA COM PHEDRA

Após primeira temporada com dois meses de sucesso de público e de crítica, o espetáculo Entrevista com Phedra volta em cartaz no Espaço dos Satyros Um. Serão mais três sessões nos dias 14, 21 e 28 de setembro, sempre aos sábados, 21h, com ingresso a R$ 40 e R$ 20.

A obra marca a estreia do jornalista, crítico de arte da APCA e colunista do UOL Miguel Arcanjo Prado como dramaturgo. A peça conta a vida da icônica diva trans cubana do teatro brasileiro, Phedra D. Córdoba (1938-2016).

Estrelada pelos atores Márcia Dailyn e Raphael Garcia, a encenação é dirigida a quatro mãos pelo brasileiro Robson Catalunha e o argentino Juan Manuel Tellategui, além de ter figurino e visagismo assinados pelo estilista Walério Araújo, direção de produção de Gustavo Ferreira e realização de Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez.

Phedra é interpretada por Márcia Dailyn, atriz, primeira bailarina trans do Theatro Municipal de São Paulo, musa do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, do Bar da Dona Onça e boate The Week e atual diva da praça Roosevelt. Já o ator Raphael Garcia, um dos fundadores do grupo Coletivo Negro, dá vida a Miguel Arcanjo.

Escrevi inspirado nas entrevistas que fiz com. É uma peça cercada de amor, como forma de homenagear a memória dessa grande abridora de caminhos nas artes da América Latina“, diz Arcanjo. O diretor Robson Catalunha, que dirigiu o último monólogo da diva, “Phedra por Phedra”, e a homenagem que ela recebeu pouco antes de sua morte, “Phedras por Phedra”, revela que todo o processo foi um “carrossel de emoções”: “A alma de Phedra está neste espetáculo”, fala. O diretor Juan Manuel Tellategui conta que o processo começou com “um percurso quase arqueológico” em busca de “desvendar a verdadeira Phedra por trás das várias camadas que já conhecíamos dela: diva da praça Roosevelt, cubana de sotaque carregado e artista multifacetada”.

Márcia Dailyn se emociona ao viver a amiga: “Interpreto essa grande personagem com muito respeito, carinho e amor. Sinto-me honrada em ter herdado seu título de diva da praça Roosevelt”, define. Raphael diz que “é um prazer interpretar Miguel Arcanjo, que nos conta diariamente a história do teatro brasileiro, sobretudo por entrar em contato com essa curiosidade típica do jornalista que o levou a conhecê-la de perto na tentativa de desvendar essa mulher tão marcante”. Gustavo Ferreira, diretor de produção, define a peça como um “resgate da história de Phedra D. Córdoba para as novas gerações e uma homenagem ao próprio teatro”.

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Entrevista com Phedra

Com Márcia Dailyn e Raphael Garcia

Espaço dos Satyros Um (Praça Franklin Roosevelt, 134 – Centro, São Paulo)

Duração 50 minutos

14 até 28/09

Sábado – 21h

$40

Classificação 14 anos

ALMA DESPEJADA

A atriz Irene Ravache comemora seus 75 anos de idade e 56 anos de carreira com o solo Alma Despejada que estreia dia 18 de setembro, no Teatro Porto Seguro, onde segue em cartaz até 28 de novembro, com sessões às quartas e quintas-feiras, às 21h.

Com texto de Andréa Bassitt e direção de Elias Andreato, a peça foi escrita especialmente para Irene Ravache. “Conheço Irene já há algum tempo e sempre conversamos muito sobre a vida: o país, a política, a família e tantas outras coisas. Muitas vezes pensamos de um jeito parecido, e essa afinidade foi bastante inspiradora. A ideia era falar sobre isso tudo, sem medos nem críticas, mas com humor e delicadeza. Ao longo do processo, a história acabou tomando um rumo inesperado para mim, mas que não havia como evitar, uma vez que vivemos momentos de grande impacto na nossa história e o teatro sempre acaba refletindo essas situações”, conta Andréa Bassit.

Sobre a peça, Irene Ravache comenta: “Fiquei fascinada com esse texto e sua poesia. É muito delicado e fala da memória de uma mulher na minha faixa etária. Mesmo sabendo que a personagem está morta, não é uma peça triste, pesada ou rancorosa e fala muito mais de vida do que de morte. Eu adoro esse tipo de possibilidade que o teatro oferece. E não tenho medo de misturar essas coisas, porque isso faz parte da vida. Nossa vida não é linear. Ela tem essas nuances”.

Com muito bom-humor, a instigante montagem conta a história de Teresa, uma senhora com mais de 70 anos que, depois de morta, faz sua última visita à casa onde morava. O imóvel foi vendido e sua alma foi despejada.

Essa mulher é apresentada diante de sua própria vida, e, a partir dessa visualização, ela encontra o entendimento da sua existência. É como se precisássemos abandonar a matéria para sermos conscientes de nós mesmos. A psicanálise e o teatro estabelecem este mesmo jogo. Talvez, precisemos descobrir intensamente o nosso mundo, onde o sagrado possa nos confortar”, revela o diretor Elias Andreato.

Teresa era uma professora de classe média, apaixonada por palavras, que teve dois filhos com Roberto, seu marido, homem simples, trabalhador, que se tornou um empresário bem-sucedido e colocou sua a família no ranking de uma classe média emergente.

Em sua visita derradeira, Teresa lembra de histórias e pessoas importantes em sua vida como a funcionária Neide, que trabalhou em sua casa por 30 anos, e sua melhor amiga Dora. A personagem transita entre o passado e o presente, do outro lado da vida, sempre de maneira poética e bem-humorada.

A teatralidade do texto de Andrea Bassitt (que também escreveu as peças As Turca e Operilda na Orquestra Amazônica), instiga o espectador a seguir uma história aparentemente trivial, mas que tem uma trajetória surpreendente, em sintonia com a nossa sociedade e os fatos atuais.

A memória é assustadora quando ela nos falta e encantadora quando ela nos ajuda a contar nossas histórias. Na peça, lidamos com a memória, como a personagem, sem medo de enfrentar nossos demônios e nossos momentos sonhados”, acrescenta Andreato.

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Alma Despejada

Com Irene Ravache

Teatro Porto Seguro (Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)

Duração 80 minutos

18/09 até 28/11 (09, 10, 30 e 31/10 – não haverá sessão)

Quarta e Quinta – 21h

$60/$70

Classificação 14 anos

CASA DE BRINQUEDOS

O famoso CD Casa de Brinquedos, com canções de Toquinho e Mutinho, ganha uma versão teatral com texto e direção de Carla Candiotto. Depois de passar por várias cidades brasileiras, o musical infantil tem sua estreia em São Paulo no dia 14 de setembro no Teatro Frei Caneca, onde segue em cartaz até 27 de outubro, com sessões aos sábados às 16, e aos domingos, às 15h.

O espetáculo tem direção musical e arranjos de Daniel Tauszig, cenário e figurino de Kleber Montanheiro, iluminação de Wagner Freire, direção de movimento de Fabricio Licursi, direção de produção de Marlene Salgado, idealização e produção de Raul Leite. O elenco tem Bel Nobre, Caio Merseguel, Carolina Rocha, Pedro Arrais, Eduardo Leão, Flávia Strongolli, Gabriel Ebling e Adriano Tunes.

Lançado em 1983, o álbum Casa de Brinquedos reúne canções sobre brinquedos que ganham vida própria por meio das vozes de Toquinho e outros grandes intérpretes da música brasileira, como Simone, Tom Zé, Chico Buarque, Paulinho Boca de Cantor, Carlinhos Vergueiro, Baby Consuelo, Cláudio Nucci e Roupa Nova.

O musical costura dramaturgia e música, trazendo nove das onze canções do álbum original interpretadas ao vivo pelos atores, incluindo os sucessos O Caderno, A Bailarina, O Robô̂ e Aquarela. A trama explora as singularidades de uma turma de brinquedos que busca reviver um passado repleto de brincadeiras e momentos felizes.

A história apresenta um adulto que tem no lucro seu único objetivo de vida. Planeja ganhar muito dinheiro com a construção de um grande empreendimento comercial, mesmo que tenha que demolir tudo em sua volta. É quando surge em seu caminho uma Casa de Brinquedos, habitada pelos saudosos e divertidos brinquedos de seu passado de criança. Após inúmeras aventuras e confusões, os brinquedos entendem que o inquieto menino se tornou um “adulto” insensível e, por fim, desistem de tentar convencê-lo a não destruir tudo. Resolvem então partir, mas antes entregam um caderno que traz as recordações de quem um dia foi um inventivo menino. Com isso, o nosso adulto percebe que a criança que existe em cada um de nós jamais pode ser esquecida.

É a história de um adulto que perde o prazer de viver e só pensa em ganhar dinheiro. Quando se lembra de seu passado e se conecta com sua infância, muda a sua forma de ver o mundo. Toda essa metáfora fala sobre a memória dos brinquedos da nossa infância. Somos feitos de nosso passado”, explica a diretora e autora Carla Candiotto.

Poético e atual, o texto dá suporte para o estilo característico de Carla Candiotto nos palcos, apresentando diálogos ágeis, movimentos precisos e dinâmicas que exploram a magia e humor do universo musical, componentes que possibilitam uma fácil identificação das crianças

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Casa de Brinquedos

Com Bel Nobre, Caio Merseguel, Carolina Rocha, Pedro Arrais, Eduardo Leão, Flávia Strongolli, Gabriel Ebling e Adriano Tunes.

Teatro Frei Caneca – Shopping Frei Caneca (R. Frei Caneca, 569 – Consolação, São Paulo)

Duração 60 minutos

14/09 até 27/10

Sábado – 16h, Domingo – 15h

$80

Classificação livre

O PEQUENO PRÍNCIPE

Baseado no clássico “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, a história começa com a queda de um pequeno avião. Julgando estar só naquele deserto do Saara, o Aviador se surpreende ao ver um garoto que o encanta com suas perguntas e sua ingenuidade com as questões da vida.

Nosso Pequeno Príncipe mostra pelas suas aventuras por outros mundos, tudo o que aprendeu sobre o universo das pessoas grandes: desde o amor pela sua Rosa, que ele julga ser única em todo o universo, até as conversas com sua amiga Raposa, que o ensina que o essencial é invisível aos olhos.

Aos poucos o Aviador se identifica com o garoto e percebe que está se distanciando de sua criança interior, e então parte em busca de um auto conhecimento e percebe que começou uma linda amizade.

Com uma estética trabalhada no universo infantil, com projeções e cenários lúdicos, essa releitura da obra reforça que devemos crescer, mas não esquecer.

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O Pequeno Príncipe

Com André Collin , Bruna Izar, Diego Chimenes , Lucas Brito , Otávio Dutra e Sabrina Estefam

Teatro Espaço ao Cubo (R. Brg. Galvão, 1010 – Barra Funda, São Paulo)

Duração 55 minutos

01 a 29/09

Domingo – 16h

$50

Classificação Livre

UM CERTO CANTO BRASILEIRO

A Studio3 Cia. de Dança, companhia brasileira de dança que tem representado o País no mundo todo em eventos significativos no cenário da dança, em cidades como Milão, na Itália, Paris, Lyon e Biarritz, na França, Regensburg, na Alemanha, Lisboa e Porto, em Portugal, e também nos palcos do Brasil, reestreia o espetáculo ‘Um Certo Canto Brasileiro‘, de Anselmo Zolla, em mais uma parceria com o MASP.

O público irá ‘viajar’ no tempo e no espaço com ‘Um Certo Canto Brasileiro’ e se identificar de imediato com as músicas, dos anos 30 aos 80, que marcaram várias épocas e gerações. O idealizador do espetáculo, Anselmo Zolla, e o diretor musical, Felipe Venancio, apresentam canções populares brasileiras, atemporais e imortalizadas por suas letras e interpretações.

A vida da gente é um filme repleto de lembranças em que a música faz a nossa trilha. Através da dança e do som, a plateia irá se emocionar com as pérolas brasileiras que foram resgatadas. As coreografias muito entrosadas com a música faz com que os espectadores sintam vontade de dançar e fazer parte da montagem. É um universo muito nosso, rico, que vai trazer à tona uma memória afetiva.

No palco estão presentes as vozes únicas de Caetano Veloso, Tim Maia, Maysa Matarazzo, Chico Buarque, Roberto Carlos, Bethânia, Cartola, Elizeth Cardoso, Angela Maria, Jamelão, Milton Nascimento, Tom e Elis. É um reencontro com os grandes cantores.

Outro destaque do espetáculo é o belo cenário todo feito em papelão ondulado produzido pela Klabin, assinado por Antônio S. Lemes. Se vivemos num mundo onde nos preocupamos com o meio ambiente e a reciclagem dos objetos, é necessário que o espaço cênico das grandes montagens acompanhe esse tendência ecológica.

Um Certo Canto Brasileiro

Com a Studio3 Cia. de Dança e a bailarina Vera Lafer

MASP Auditório (Av. Paulista, nº 1578, Cerqueira César, São Paulo)

Duração 60 minutos

20/09

Sexta – 20h

$40

Classificação Livre

SÓ SE FOR A DOIS, O MUSICAL

Danilo é um jovem músico que vê sua hora chegar após receber convite para participar de um festival internacional renomado. Só que seus sonhos são virados de cabeça pra baixo, quando sabe que sua namorada, Helena, tem o diagnóstico de que está com câncer em estágio avançado. Sem saber para onde ir e o que fazer, encontra o suporte emocional na amizade com Giovanni. Só que desta amizade, surge um romance inesperado entre os dois.

Depois de falar sobre bullying na adolescência (“Bullying, o Musical”), o diretor e autor, Allan Oliver, aborda agora em “Só Se For a Dois, o Musical” o amor entre duas pessoas do mesmo sexo.

Canções de Ney Matogrosso, Caetano Veloso, Gonzaguinha, entre outros clássicos da MPB, ajudam a contar a história. que promete arrancar suspiros dos espectadores e principalmente refletir sobre quanto vale um amor.

Para 2020, Oliver promete abordar um outro tema importante no universo jovem: o suicídio.

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Só Se For a Dois, o Musical

Com Carolina Cristal, Pedro Pimentel, Vinicius Perso, Matheus Rosa, Gusttavo Ohara, Lincoln Glauber e Beatriz Hornink

Teatro Viradalata (Rua Apinajés, 1387 – Sumaré, São Paulo)

Duração 80 minutos

12/09 até 14/11

Quinta – 21h

$70

Classificação 12 anos

MUSICALMENTE, O MUSICAL

O espetáculo, fala sobre a vida de um músico que depois de um tempo no anonimato, recebe uma proposta de trabalho para escrever um musical. E nesse processo criativo, ele se depara com suas angústias, tristezas, amores e tudo isso com uma pitada de humor.

O repertório vai da MPB ao Rock e passeando pelos clássicos dos musicais. Todas as músicas são cantadas ao vivo. Venha viajar na cabeça desse músico você também.

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Musicalmente, o musical
Com Angela de Andrade, Giovanna Toscano e Rafael Nascimento
Teatro Cândido Mendes Ipanema (R. Joana Angélica, 63 – Ipanema, Rio de Janeiro)
Duração 75 minutos
07 a 28/09
Sábado – 20h
$60 ($25 para leitores do Opinião de Peso)
Classificação Livre