CARMEN

Sucesso absoluto de público e crítica em São Paulo, Carmen, com direção de Nelson Baskerville, desembarca no Rio de Janeiro para uma temporada no Teatro Poeiraentre os dias 13 de setembro e 28 de outubro, com sessões às quintas, sextas e sábados às 21h00; e aos domingos, às 19h. Na capital paulista, o espetáculo teve temporadas nos teatros Aliança Francesa, Auditório MASP e Tucarena. A peça tem texto de Luiz Farina e elenco formado por Natalia Gonsales, Flávio Tolezani e Vitor Vieira.

Palavras do diretor Nelson Baskerville

Uma história contada e recontada nas mais variadas formas e gêneros. Carmen surgiu como romance em 1845 e já foi filme, ópera e novela nas mãos de grandes mestres. Um clássico. A pergunta recorrente que todos se fazem ao remontar a peça é: por que fazê-la? Para mim, porque pessoas continuam morrendo por isso e precisamos recontar a história até que não sobre nenhuma gota de dor.

Na atual encenação elementos clássicos como a dança flamenca, os costumes ciganos, a tauromaquia, entre outros, são ressignificados ao som de guitarras distorcidas, microfones e coreografias para que não reste dúvida de que estamos repetindo histórias tristes de amor, de paixões destruidoras.

O ponto de vista que nos interessa é o de Carmen, a mulher assassinada, dentro de uma sociedade que pouco mudou de comportamento ao longo dos séculos, que aceitou brandamente crimes famosos cometidos contra mulheres como os de Doca Street, Lindomar Castilho e mais recentemente de Bruno, o goleiro. Crimes muitas vezes justificados pela população pelo comportamento lascivo das vítimas, como se isso não fosse aceito em situações invertidas relativas ao comportamento masculino. O homem pode. A mulher não. Nessa encenação Carmen morre não porque seu comportamento justifique qualquer tipo de punição, mas porque José é um homem, como tanto outros, doente como a sociedade que o criou

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Carmen

Com Natalia Gonsales, Flávio Tolezani e Vitor Vieira

Teatro Poeira (Rua São João Batista, 104, Botafogo – Rio de Janeiro)

Duração 70 minutos

13/09 até 28/10

Quinta, Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$60

Classificação 14 anos

O ANTI-MUSICAL – O MUSICAL

Após sucesso no Cesgranrio, o espetáculo “O Anti-Musical – o Musical” reestreia no Teatro Serrador em curta temporada de 6 até 15 de setembro. O espetáculo, tem direção, dramaturgia e canções originais de Tauã Delmiro ([nome do espetáculo], O Edredom e Vamp, o Musical), direção musical de Tony Lucchesi (Bibi – uma vida em musical e 60! Década de arromba – doc.musical) e coreografia de Débora Polistchuck (O primeiro musical a gente nunca esquece, Rock in rio e Rapsódia – o Musical).

As audições para a prática de montagem foram realizadas em janeiro de 2018 e o espetáculo é composto por dois elencos que se alternarão em datas que serão divulgadas em suas mídias sociais. Os personagens, quando foram escritos, não possuíam caraterísticas físicas e de gênero pré-estabelecidas, possibilitando que em alguns casos um papel seja dividido por dois atores com perfis e gêneros diferentes. O intuito dessa escolha é ressignificar a cena de acordo com as características individuais dos artistas e problematizar um padrão estético muito comum nas produções do gênero no Brasil, que não costumam dar protagonismo a diversidade.

A dramaturgia do espetáculo busca comunicar o universo da obra de Luigi Pirandello e do romance O Mágico de Oz, de L. Frank Baum. Através de uma obra meta-teatral explora, com humor, elementos recorrentes na dramaturgia e na música dos grandes espetáculos musicais. Também questiona o sistema infraestrutural que as produções do gênero adquiriram no país e expõe as contradições de ser artista nesse país que assiste ao sucateamento das suas políticas públicas e culturais.

Sinopse: Após a transposição de duas obras de Luigi Pirandello para os palcos fracassarem, um grupo de teatro recebe de uma empresa a proposta de montar o musical “O mágico de Oz”. Essa é uma tarefa árdua para a companhia, já que os integrantes odeiam teatro musical. Considerando sua aversão a estética inerente ao gênero, decidem subverter a proposta do patrocinador e dar uma nova dimensão poética a obra, criando assim um anti-musical.

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O Anti-musical, O Musical

Com Antonia Medeiros, Bárbara Monteiro, Beatriz Braga, Beatriz Chamas, Bella Mac, Carol Donato, Cláudia Prestes, Flávio Moraes, Gabriel Peregrino, Gabriela Rocha, Maíra Garrido, Manu Hashimoto, Maria Penna Firme, Nano Max, Rayssa Bentes, Sâmia Abreu, Sylvia Nazareth e Victor Salzeda

Teatro Serrador (R. Sen. Dantas, 13 – Centro, Rio de Janeiro)

Duração 105 minutos

06 a 15/09

Quinta, Sexta e Sábado – 19h30

$40

Classificação 12 anos

PRIMEIRO DE ABRIL

A CAT – Cooperativa Artística de Teatro – traz ao Teatro Café pequeno a peça “Primeiro de Abril“. Uma comédia leve, exemplo de Metateatro, em que os atores estão esperando o cenário e o figurino para a peça acontecer, enquanto na verdade já está acontecendo.

A CAT é uma Companhia de Teatro que monta espetáculos teatrais através do método inédito e exclusivo chamado Construção Cênica Performática. O projeto tem como base de inspiração a fusão entre o Teatro grego e contemporâneo.

Com texto da própria Cia e Mariana Marciano, montagem cumpre temporada terças e quartas, 22h30, até o dia 29 de agosto.

SINOPSE: Uma companhia de teatro espera a chegada do cenário e do figurino para apresentar uma peça que jamais acontece.

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Primeiro de Abril

Com Mariana Marciano, Flávia Oliveira, Kássia de Paula, Alicia Castro, Anderson Zani, Gabriela Neves, Artur Telles, Helena Medeiros, Jéssica Marques, Rafaela Queiroz e Glauber Damasceno.

Teatro Municipal Café Pequeno (Av. Ataulfo de Paiva, 269 – Leblon, Rio de Janeiro)

Duração 60 minutos

21 até 29/08

Terça e Quarta – 22h30

$40

Classificação Livre

TEATRO BREVE DE GARCIA LORCA

“Teatro Breve de Garcia Lorca”, do dramaturgo e poeta espanhol Federico Garcia Lorca, produzido pela Cia Noir Sur Blanc, estreia temporada no dia 21 de agosto no Solar de Botafogo. A peça, dirigida por Brigitte Bentolila (“Hamlet é Negro” e “Os Negros”), francesa domiciliada no Brasil, traz em seu elenco os atores Paulo Guidelly (“Noites do Vidigal” e “Elza Soares – A Mulher do Fim do Mundo”) e Vanessa Pascale (“Anônimas”, “Medea en Promenade” e “Feira de Humor”) e fica em cartaz até 05 de setembro com sessões às terças e quartas às 20h.

O Teatro Breve de Garcia Lorca é composto por três peças: “O Passeio de Buster Keaton”; “A Donzela, o Marinheiro e o Estudante” e “Quimera” que são levadas em cena com poesia, dança e música. O espetáculo pode ser entendido e apreendido de forma quase muda. Percebido através do corpo e do gesto, feito de imagens, ruídos e sensações, escrito e desenhado no espírito de juventude que desperta um olhar sobre a vida. Sua leveza é poética e profunda, onde a palavra surge a partir da rara necessidade – diz a diretora.

Lorca foi poeta, pintor e músico. Criado por Lorca na década de 30, “La Barraca”, cuja tradução do espanhol, significa “tenda”, foi um lugar de encontro de pintores, bailarinos, comediantes, músicos, entre outros artistas que fomentavam o debate e as experimentações artísticas da época. Em Teatro Breve, ele fala desse encontro feliz de todas as artes reunidas em uma só: o Teatro.

– Eu estou muito ansioso, pois é uma responsabilidade grandiosa fazer no teatro obras de Frederico Garcia Lorca e substituir o grande ator que foi Antônio Manso. Esse espetáculo é uma homenagem a ele. Não vou ser pretensioso de dizer que tudo que eu levo em cena partiu somente da minha intuição de ator, ele é minha grande inspiração. Somos atores de geração e formação bem diferentes. O espetáculo não será eu imitando o Antônio. De fato ele é o meu ponto de partida, meu anjo da guarda – diz Paulo Guidelly sobre a importância do papel que foi vivido posteriormente por Antônio Manso.

O cinema mudo de Buster Keaton, em Nova York, o amor da Donzela para o Marinheiro; o Estudante na Espanha; o pai que deixa filhos e mulher, em casa, na Andaluzia são histórias simples e curtas, com imagens leves e alegres, tristes e profundas, amargas e doces que se provocam, se interpelam.

Vanessa Pascale soube dos testes para a peça por intermédio de uma amiga. Ela, que recentemente viveu Manu em “Malhação: Vidas Brasileiras”, estrela, ao lado de Paulo Guidelly o espetáculo.

– O processo é muito intenso e rico! Há dança, poesia, cinema e culturas variadas. Viajamos no tempo e no espaço. O Paulo é um presente, um ator habilidoso, com percepção refinada e gentil. É um trabalho de muita sensibilidade. A Brigitte, nossa diretora, é admirável, inteligentíssima, pragmática, generosa e também nos dá liberdade para criar junto – diz Vanessa Pascale sobre o processo de criação do espetáculo.

O desejo, a sexualidade e a homossexualidade afloram de forma sutil, porém violenta na obra do poeta. Lorca foi assassinado em plena guerra civil espanhola por causa das suas opções de vida e de arte. Teatro singelo e singular, diferente das obras antológicas do Teatro mais reconhecido de Lorca, como “A Casa de Bernarda Alba”, “Bodas de Sangue” ou “Yerma”. “Teatro Breve” se destaca nas Obras Completas de Lorca. Essa peça foi escrita em Nova York em plena crise mundial em 1929 e ressoa de uma forma atual, moderna e contemporânea – finaliza Brigitte.

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Teatro Breve de Garcia Lorca

Com Vanessa Pascale, Paulo Guidelly e Antonio Manso (em off)

Solar de Botafogo (Rua General Polidoro, 180 – Botafogo – Rio de Janeiro)

Duração 60 minutos

21/08 até 05/09

Terça e Quarta – 20h

$30

Classificação 14 anos

CONFISSÕES DE UM SENHOR DE IDADE

Flávio Migliaccio retorna em cartaz dia 17 de julho com o espetáculo “Confissões de um Senhor de Idade”, montado ano passado em comemoração aos 60 anos de carreira do ator. Escrita e dirigida por Flávio, a peça fica em cartaz às terças e quartas no Teatro dos Quatro, no Shopping da Gávea, às 21h, até o dia 28 de agosto.

Flávio divide o palco com o ator Luciano Paixão, que interpreta Deus encarnado no corpo de um simples mortal para propor um estranho pacto: se Flávio ajudar a desvendar um caso estranho que está acontecendo no céu, receberá a recompensa da vida eterna.

Num diálogo bem humorado com Deus, Flávio conta suas histórias, suas experiências, suas memórias, saudades e até tristezas, tudo com o bom humor que sempre foi a sua marca. Detalhes da vida íntima do artista também serão revelados – uma forma de presentear o público, em agradecimento ao carinho recebido pela comemoração dos 60 anos de carreira.

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Confissões de um Senhor de Idade

Com Flavio Migliaccio e Luciano Paixão

Teatro dos Quatro – Shopping da Gávea (R. Marquês de São Vicente, 52 – Gávea, Rio de Janeiro)

Duração 55 minutos

17/07 até 28/08

Terça e Quarta – 21h

$60

Classificação 10 anos

O FRENÉTICO DANCIN’ DAYS

Asas abertas, feras soltas, o Rio de Janeiro era uma festa. E não havia lugar mais adequado para celebrar do que o Frenetic Dancing´Days Discotheque, boate idealizada pelos amigos Nelson Motta, Scarlet Moon, Leonardo Netto, Dom Pepe e Djalma. E por que não resgatar esse tempo quando o carioca era feliz e sabia? Os dias de alegria estão de volta!

Ao lado de Patrícia Andrade, o próprio Nelson Motta assina a história de ‘O Frenético Dancin’ Days’. O musical marca a estreia da coreógrafa e bailarina Deborah Colker na direção de um espetáculo teatral, com realização das Irmãs Motta e Opus e direção de produção de Joana Motta.

O musical será uma superprodução, com 17 atores e sete bailarinos, escolhidos através de audições, à exceção de Stella Miranda, uma das mais importantes atrizes de musicais do país, que foi convidada especialmente para o projeto. Além de Stella, que interpreta Dona Dayse, o elenco é formado por: Ariane Souza (Madalena), Bruno Fraga (Nelson Motta), Cadu Fávero (Djalma), Franco Kuster (Léo Netto), Gabriel Manita (Inácio/Catarino), Karine Barros (coro/stand in feminino), Larissa Venturini (Scarlet), Natasha Jascalevich (Bárbara), Thadeu Matos (Tony Manero), além das Frenéticas: Carol Rangel (Edyr de Castro), Ester Freitas (Dhu Moraes), Ingrid Gaigher (Lidoca), Julia Gorman (Regina Chaves), Larissa Carneiro (Leiloca) e Ludmila Brandão (Sandra Pêra).

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Elenco e Equipe Produção

Deborah Colker (que acaba de ser premiada na Rússia com o Prix Benois de la Danse, considerado o Oscar da Dança) assina também as coreografias e terá ao seu lado uma ficha técnica de peso: Gringo Cardia (cenários), Maneco Quinderé (designer de luz) e Alexandre Elias (direção musical). Passarão pelo palco os principais personagens que marcaram não apenas a história da boate, mas da cultura nacional.

A noite carioca fervia nos anos 70, quando a casa foi criada para inaugurar também o Shopping da Gávea. A cena disco estava explodindo em Nova York, mas ainda não tinha acontecido no Brasil. O Dancin´Days foi inaugurado em 05 de agosto de 1976 e marcou a chegada da discoteca no país. Lady Zu, Banda Black in Rio, Tim Maia, a pista da boate fervia. Na casa, se apresentaram nomes como Rita Lee (ainda com o Tutti-Frutti), Raul Seixas, Gilberto Gil.

Entretanto, nada causou tanta sensação quanto o surgimento das Frenéticas. Contratadas inicialmente como garçonetes, elas também faziam uma breve apresentação durante a madrugada. O sucesso foi imediato: Leiloca, Sandra Pera, Lidoca, Edyr, Dhu Moraes e Regina Chaves logo abandonaram as bandejas e assumiram os holofotes. Elas foram o primeiro grupo contratado da multinacional Warner, que estava aportando no Brasil. O país inteiro cantou ‘Dancin´Days’, ‘Perigosa’, ‘O Preto que satisfaz’ (abertura da novela ‘Feijão Maravilha’, da TV Globo), entre tantas outras.

Freneticas

As Frenéticas

A boate funcionou por apenas quatro meses, pois o contrato era limitado ao período que antecedia a abertura do Teatro dos Quatro. Ela celebrava um Rio e um país que conseguiam ser livres, apesar da ditadura militar. A casa reunia famosos e anônimos, hippies e comunistas, todas as tribos com o único objetivo de celebrar a vida. O sucesso foi tamanho que a casa foi reaberta no Morro da Urca e inspirou a novela ‘Dancin´ Days’, de Gilberto Braga, que tinha a música homônima das Frenéticas como tema de abertura. O país inteirou caiu na gandaia e entrou na festa.

E é justamente esta festa que estará de volta a partir de agosto. O espetáculo relembrará grandes clássicos da discoteca como ‘I love the nightlife’, ‘You make me feel might real’, ‘We are Family’, ‘Y.M.C.A’, ‘Stayin´alive’, além de clássicos das Frenéticas e grandes sucessos nacionais da época, como ‘Marrom Glacê’ e ‘A noite vai chegar’, entre outros. O Rio de Janeiro voltará a sorrir!

Abaixo, as Frenéticas interpretam a música tema da boate.

O Frenético Dancin’ Days

Com Stella Miranda, Ariane Souza, Bruno Fraga, Cadu Fávero, Franco Kuster, Gabriel Manita, Karine Barros, Larissa Venturini, Natasha Jascalevich, Carol Rangel, Ester Freitas, Ingrid Gaigher, Julia Gorman, Larissa Carneiroe Ludmila Brandão

Teatro Bradesco Rio – Shopping Village Mall (Avenida das Américas, 3900 – Barra da Tijuca, Rio de Janeiro)

Duração 120 minutos

24/08 até 21/10

 

Sexta – 21h, Sábado – 17h e 21h, Domingo – 18h

$75/$160

Classificação Livre

 

 

 

NÓS DO MORRO – ENCONTROS, 32 ANOS DEPOIS

O Nós do Morro completa 32 anos de história e, para comemorar essa marca, apresenta o espetáculo “Encontros, 32 anos depois”. Uma releitura da primeira produção do grupo, será encenada nos bairros da Pavuna, Penha e Madureira, entre os dias 14 e 30 de junho, com preços populares. Além disso, será realizado também debates sobre arte e cultura, encerrando com SLAM de poesia.

Nada poderia ser mais emblemático, quando o Grupo foi fundado há mais de 30 anos, a produção foi a primeira a ser apresentada pelo Nós do Morro, em 1987, e tinha o nome de “Encontros”. Com argumentos preparados por Luís Paulo Corrêa e Castro, a história fala da vida dos adolescentes do Vidigal na década de 80, mostrando os principais pontos de encontro e reunião e os problemas enfrentados no cotidiano dos moradores de uma favela em plena “década perdida”.

Revisitar esse texto é uma forma de celebrar, além de ser um exercício de memória que possibilita voltarmos para nós mesmos e, ao retratar esses “Encontros”, 32 anos depois, percorremos a nossa própria história e nos fortalecemos no crescimento humano e na sensibilidade artística que nos construiu. Assim, o Grupo festeja a sua história e os inúmeros encontros que possibilitaram a sua consolidação, renovando a sua missão de atuar pela ampliação do acesso à arte e à cultura aos moradores das periferias cariocas”, completa a diretora de produção, Dani Carvalho.

Antes de tudo, Encontros é uma celebração à vida desses jovens sonhadores que, impossibilitados de contar com políticas públicas que os ajudassem a ter acesso aos bens de produção cultural e a uma vida melhor, se viravam como podiam, fazendo do seu viver uma forma de expressão de uma geração que vivia à margem das benesses da sociedade de consumo e do mundo da “alta cultura”, afirma o diretor artístico e fundador do Nós do Morro, Guti Fraga.

Hoje, após tantas décadas e mudanças no mundo, a peça volta à cena em uma releitura assinada por Fabrício Santiago, com colaboração de Álamo Facó. O argumento é o mesmo e os conflitos permanecem, mas as situações foram adaptadas para o contexto atual, com a dinâmica de uma sociedade cada vez mais impactada pela globalização. A remontagem desse espetáculo é a prova de que a semente germinada com a criação do Nós do Morro frutificou, mostrando que a iniciativa idealizada por Guti Fraga, Fred Pinheiro, Luís Paulo Corrêa e Castro e Fernando Mello da Costa serviu de espelho para uma série de movimentos culturais criados em favelas e bairros da periferia, formando crianças, jovens e adultos e mostrando que a vida vivida na arte é muito mais bonita.

Ainda criança, o maior sonho da minha vida era simplesmente conseguir viver da minha arte. E, ao ter a sorte de encontrar com a escola de teatro Nós do Morro, o meu sonho se tornou possível. Retornar ao grupo nesse momento como dramaturgo é um dos presentes mais especiais de toda minha trajetória”,  diz o dramaturgo de “Encontros 32 anos depois”, Fabrício Santiago.

Apesar da diferença de 31 anos entre a primeira montagem e essa, a importância ainda é bastante latente na história, não somente do Nós do Morro, mas de tantas outras comunidades espalhadas pelo Rio de Janeiro e pelos demais estados brasileiros.

O texto falava do cotidiano da favela, porque era importante que os moradores se reconhecessem e, através dessa experiência, vislumbrassem a vivência artística como algo próximo e tangível, atuando pela democratização do acesso à arte. Acreditávamos na possibilidade de aliar formação artística à responsabilidade social. Entendíamos o processo de criação artística como uma filosofia de vida, capaz de formar cidadãos atentos aos problemas do mundo e generosos com os outros. Então, remontar esse texto é uma forma de reafirmar que continuamos acreditando em tudo o que nos motivou desde o início. A nossa história nos mostra que o Grupo Nós do Morro é uma iniciativa que deu certo e, diante desses 32 anos, temos a certeza de que apenas começamos. Que venham os próximos 32”, salienta Fraga.

 Crédito fotografico Felipe Paiva.JPG

Encontros, 32 anos depois

Com Alexandre Cipriano, Alice Coelho, Bruno Borges, Cida Costa, Danilo Martins, Deivison Santos, Diego Francisco, Edson de Oliveira, Felipe Paulino, Jeckie Brown, João Vítor Nascimento, Leilane Pinheiro, Mariana Alves, Marília Coelho, Nathália Mattos, Pablo Sobral, Ramon Francisco, Sônia Magalhães, Taiana Bastos, Thaís Dutra, Tiago Ebeneze

Arena da Dicró (rua  Flora Lôbo, 184 – Penha Circular, Rio de Janeiro)

*haverá tradução em libras para a apresentação do espetáculo

23 de junho – Debate sobre arte e cultura encerrado com SLAM de poesia

Horário: 16h

Entrada franca

23 de junho –  Apresentação do espetáculo

Horário: 20h

Telefone: (21) 3486-7643

Valor do Ingresso: Inteira R$10,00 e meia R$5,00

Arena Fernando Torres (rua Bernardino de Andrade, 200– Madureira, Rio de Janeiro)

29 e 30 de junho – Apresentações do espetáculo

Horário: 20h

Telefone: (21) 3495-3078

Valor do Ingresso: Inteira R$10,00 e meia R$5,00

30 de junho – Debate sobre arte e cultura encerrado com SLAM de poesia

Entrada franca

Horário: 16h