DIGA QUE VOCÊ JÁ ME ESQUECEU (Opinião)

Diga Que Você Já Me Esqueceu” é o novo trabalho – texto e direção – de Dan Rosseto, e está em cartaz aos sábados, às 21h30, e domingos, às 19h, no Teatro Viradalata.

Dan inspirou-se na obra de Nelson Rodrigues para escrever o texto. Considerado uma tragicomédia, estão presentes arquétipos encontrados nos textos rodrigueanos: a família, com sua organização e conflitos internos; o incesto; a traição; o assassinato como meio de lavar a honra; além do humor negro.

O texto foi construído em capítulos como parte de um folhetim, sendo que “cada cena apresenta ganchos para dar ao espectador a experiência de ter de esperar o jornal do dia seguinte para continuar a história“, afirma o autor.

O espetáculo conta a história de um casal, Sílvio e Lúcia, que no dia do casamento decide revelar seus segredos e frustrações, que estavam guardados ‘a sete chaves’.

O humor negro está presente já no prólogo. A peça começa com um cortejo nupcial, que à medida que os personagens vão entrando no palco, se transforma em uma procissão fúnebre. Isto porque, fechando o cortejo, vêm dois personagens carregando um caixão. O esquife é erguido e fica presente durante toda a história.

Nesta montagem – a terceira e definitiva – os personagens são grotescos, parecem que foram retirados de filmes de terror trash. Usam sobre seus rostos brancos, maquiagens exageradas, com figurinos com ‘ares de antigamente’. O que poderia dar errado, nas mãos da direção é um diferencial positivo da peça.

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O espetáculo traduz-se em um lindo conjunto estético, inspirados em obras de arte. “É um modelo novo de trabalhar, onde a gente – direção cênica – define a estética do espetáculo que queremos contar e estes profissionais – diretor de arte e iluminação – dão uma assinatura em cima da primeira ideia. Por isso que se percebe uma unidade tão grande destes elementos na peça” explica Dan Rosseto.

Outro ponto positivo que vale realçar é o trabalho dos atores. Um elenco bem selecionado e muito bem dirigido. Os oito atores formam uma unidade, mas alguns personagens nos saltaram mais aos olhos – Dona Querubina (Juan Manuel Tellategui), a matriarca da família; Selma (Marjorie Gerardi), uma das primas de Lúcia; e Teresa (Larissa Ferrara), a irmã de Sílvio. Ou seja, três personagens femininos que demonstram a importância e o poder feminino.

Por que você tem que ver?

Gosta de textos de – e inspirados em – Nelson Rodrigues;

Gosta do trabalho de Dan Rosseto;

O conjunto estético da montagem;

O elenco.

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Diga Que Você Já Me Esqueceu
Com Ana Clara Rotta, Daniel Morozetti, Carol Hubner, Juan Manuel Tellategui, Larissa Ferrara, Marjorie Gerardi, Nalin Junior e Pablo Diego Garcia
Coros dos vizinhos (em fotos): André Grecco, Carolina Stofella, Giovanna Marqueli, Glória Rabelo, Rodrigo Castro e Samuel Carrasco
Teatro Viradalata (Rua Apinajés 1387 – Sumaré, São Paulo)
31/03 até 27/05
Duração 105 minutos
Sábado – 21h30, Domingo – 19h
$60
Classificação 14 anos

PROCÓPIO FERREIRA

0401T2Nascido João Álvaro de Jesus Quental Ferreira na cidade do Rio de Janeiro, em 1898, filho de pais portugueses. Adotou o nome de Procópio, por ser o santo católico do dia do seu nascimento.

Procópio ria de sua aparência – era muito baixo, atarracado e narigudo – largamente superada pela simpatia e pelo carisma.

Quando ingressou na Escola Nacional de Teatro do Rio, aos 18 anos, foi expulso de casa porque não queria se tornar advogado. Sua estreia foi com a comédia francesa Lang L’ange Du Foyer (“Amigos, Mulher e Marido“), em 1917 no Teatro Carlos Gomes (RJ).

Em 1924 fundou a Companhia Procópio Ferreira, na qual trabalha até meados dos anos 50 como produtor, diretor e ator principal.

Procopio-Gravura-de-J.-MaiaSeu maior sucesso no teatro foi o espetáculo “Deus lhe Pague” (estreou em 1932, no Teatro Serrador), de Joracy Camargo, com o qual viajou o país inteiro e foi para o exterior. Bibi montou a peça, transformada em um musical, em 1976. Participou de mais de quatrocentas peças e teve uma carreira de mais de 60 anos.

Há uma gravação ao vivo em LP da última montagem de “O Avarento” (1969), de Moliére – no Teatro Princesa Isabel (RJ) – na qual interpretou Harpagon.

Bibi_Ferreira_com_seus_paisCasou-se com a bailarina espanhola Aída Izquierdo e teve uma filha, Abigail Izquierdo Ferreira, ou mais conhecida por Bibi Ferreira, uma de nossas grandes Damas das Artes. Além de Bibi, Procópio teve outros cinco filhos de mais dois casamentos – as atrizes Norma Geraldy e Hamilta Rodrigues; e um romance com a musicista Celecine Nunes.

Faleceu na cidade natal em 1979. Foi um ator (teatro, cinema e tv), diretor de teatro e dramaturgo brasileiro. É considerado um dos grandes nomes do teatro brasileiro.

Você poderá “vê-lo” nos palcos a partir de 04 de maio no Teatro Bradesco (Bourbon Shopping), no musical que homenageia sua filha – “Bibi – Uma Vida em Musical“.

Abaixo, uma homenagem ao grande ator feita por sua filha no programa “Arquivo N”, da Globo News.

 

A PEQUENA SEREIA

Durante a coletiva de imprensa de “A Pequena Sereia“, foram apresentados quatro números musicais do espetáculo.

 

 

 

Após a apresentação, a equipe de criativos do musical e o elenco principal subiu para responder perguntas.

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Questionada como é a personagem Ariel, a atriz Fabi Bang falou que a vê como uma adolescente que luta para ser quem ela realmente é, e não quem o ‘destino’ a determinou.

A atriz Andrezza Massei, intérprete da bruxa Úrsula, falou como é a reação do público infantil ao espetáculo.

Tiago Abravanel falou como é a brasilidade do caranguejo amigo de Ariel.

Sabia que Tiago Abravanel já representou dois personagens com o mesmo nome – Sebastião. O atual é um caranguejo, e você se lembra do outro?

Sabia que nossa Ariel também se comunica em LIBRAS (LInguagem BRAsileira de Sinais) durante o musical?

A Pequena Sereia
Com Fabi Bang, Tiago Abravanel, Rodrigo Negrini, Andrezza Massei, Lucas Cândido, Conrado Helt, Fábio Yoshihara, Elton Towersey, Lucas de Souza, Marcelo Vasquez, Arízio Magalhães, Alberto Venceslau, Alessandra Dimitriou, Ana Araújo, Andreza Meddeiros, Bruna Vivolo, Carla Vazquez, Daniel Caldini, Fernanda Muniz, Guilherme Pereira, Henrique Moretzsohn, Johnny Camolese, José Dias, Letícia Soares, Marisol Marcondes, Murilo Armacollo, Nay Fernandes, Renato Bellini, Rodrigo Garcia, Sandro Conte, Vanessa Mello, Willian Sancar e Ygor Zago.
Teatro Santander (Av. Juscelino Kubitschek, 2041 – Itaim Bibi, São Paulo)
Duração 150 minutos
30/03 até 29/07
Quinta e Sexta – 21h, Sábado – 16h e 20h, Domingo – 15h e 19h
$75/$280
Classificação Livre

A NOVIÇA REBELDE (COLETIVA DE IMPRENSA)

Nesta sexta feira, 23 de março, foi apresentada a imprensa três números musicais do novo espetáculo da dupla Möeller & Botelho – “A Noviça Rebelde“, em parceria com o Atelier de Cultura.

O que se vê agora não é uma remontagem da primeira apresentação em 2008. Passaram-se os anos, a realidade do Teatro Musical é outra, têm-se novos atores e técnicos. Com isso, o espetáculo é algo novo, assim como se encontra nas montagens anuais dos textos de Shakespeare e óperas, por exemplo.

Da primeira montagem, vieram Malu Rodrigues, que de filha passa a interpretar a noviça Maria; e Larissa Manoela, que interpretou a caçula da família Von Trapp e agora foi promovida a irmã mais velha, Liesl.

Abaixo os três números apresentados e no link, a galeria de fotos do espetáculo.

 

 

A Noviça Rebelde
Com Malu Rodrigues, Gabriel Braga Nunes, Larissa Manoela, Marcelo Serrado, Alessandra Verney, Diego Montez, Gottsha, Marya Bravo, Luiz Guilherme, Nabia Vilella, Marianna Alexandre, Roberto Arduin, Fabio Barreto, Carlo Porto, Raquel Antunes, Jana Amorim, Ana Catharina Oliveira, Chiara Gutierri, Laura Visconti, Lia Canineu, Luiza Lapa, Talita Silveira, Vânia Canto, Marcelo Ferrari, Thiago Perticarrari, Lara Suleiman, Andrei Lamberg, Leonardo Cidade, Nicolas Tulchesky, Beatriz Dalmolin, Gigi Patta, Melissa Hendrick, Dudu Ejchel, Michel Singer, Nicolas Cruz, Bia Brumatti, Martha Nobel, Valentina Oliveira, Catharina Colela, Giovanna Lodes, Lorena Queiroz, Danny Prince, Laura Pavan e Maria Eduarda Agois.
Teatro Renault ( Av. Brigadeiro Luis Antônio, 411 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 165 minutos
28/03 até 27/05
Quarta, Quinta e Sexta – 21h, Sábado – 16h e 21h, Domingo – 15h e 20h
$150/$310
Classificação Livre

DIÁLOGOS ANTROPOFÁGICOS

De 20 a 28 de março, a Companhia Antropofágica de Teatro promove mais a primeira série de Diálogos Antropofágicos do ano em sua sede, o Espaço Pyndorama localizado em Perdizes.

Durante quatro encontros, a companhia recebe convidados especiais para falar sobre produção teatral, processos criativos de companhias como Kiwi Companhia de Teatro, Cia Os Satyros e da própria Antropofágica. Participarão também dos encontros, pesquisadores que abordarão temas como Biodiversidade, Sistemas Agrícolas de Produção Alimentar, Desenvolvimento e Planejamento Urbano e Cultural.

As temáticas dos Diálogos Antropofágicos foram escolhidos de acordo com o novo projeto da Antropofágica, [D.E.T.O.X] – Devising Experimental da Toxicologia do Objeto X, projeto que parte da necessidade da Companhia em aprofundar as pesquisas sobre questões eco-ambientais contemporâneas, a fim de operar a ponte entre um pensamento desenvolvido no início do século XX e os processos de devastação do planeta atualmente em curso.

Uma proposta de pesquisa sintetizada no conceito de Modernidade Tóxica: uma ampla toxicologia dos muitos projetos modernos que coabitam no país, abrangendo desde questões do manejo ecológico do solo como oposição aos agrotóxicos industriais até a dimensão metafórica do conceito de tóxico presente na arte, na literatura, no teatro e em manifestações diversas da indústria cultural.

Este é um projeto de continuidade dos quinze anos de trabalho teatral coletivo da Antropofágica, que busca abarcar a totalidade de seu diálogo artístico com a cidade de São Paulo. Com mais de trinta integrantes que se revezam entre direção, atuação, música, pesquisa, produção, registro e muitos dos quais com mais de 10 anos de trabalhos conjuntos e ininterruptos, o grupo busca desde sua origem devolver à cidade criações e experiências cênico-musicais que sejam alimento para o livre pensar.

A COMPANHIA

Companhia Antropofágica é um grupo criado em 2002 que tem a antropofagia como princípio motivador de seu processo sócio-artístico, com um histórico que envolve inúmeros processos de criação, estudo e experimentação, reconhecidos por prêmios e indicações. Desde sua criação, o grupo opta por pesquisar procedimentos, gêneros, autores e textos ligados à tradição das formas híbridas, muito propícias ao ideal antropófago que nos move.

Estas são ações do novo projeto [D.E.T.O.X] – Devising Experimental da Toxicologia do Objeto X, contemplado na 31ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, que contará com atividades ao longo de todo ano de 2018.

O projeto começou com a estreia de um novo espetáculo chamado OPUS XV que celebra os 15 anos da Antropofágica. Agora o projeto segue também com uma série dos Diálogos Antropofágicos.

Confira a programação e se programe para participar!

Diálogos Antropofágicos – Programação

Os encontros acontecerão sempre às 19h30.

Onde: Na sede da companhia, o Espaço Pyndorama – Endereço: Rua Turiassú, 481 – Fundos – Perdizes – São Paulo

Dia 20 de março de 2018 – A Atualidade do Teatro Documentário – Convidada: Fernanda Azevedo (Atriz, integrante da Kiwi Companhia de Teatro desde 2006. Pesquisadora e mestranda em teatro no Instituto de Artes da Unesp, sob orientação do Prof. Alexandre Mate)

Para discutir a atualidade do teatro documentário, analisaremos alguns dos seus fundamentos conceituais e suas consequências estéticas e sociais, além de examinar exemplos retirados da produção teatral contemporânea.

Dia 21 de março de 2018 – Processos de Devising no Trabalho Criativo dos Satyros – Convidado: Rodolfo García Vázquez II (Dramaturgo, diretor teatral e um dos fundadores da Cia Os Satyros Prêmio Shell de Melhor Diretor em 2005 por “A Vida na Praça Roosevelt”, de Dea Loher)

O encontro visa esclarecer as diferenças entre devising e o teatro colaborativo desenvolvido no Brasil. Em um segundo momento, o encontro visa apresentar possibilidades diferentes de devising no processo da montagem teatral, através da desconstrução de processos criativos de alguns espetáculos emblemáticos dos Satyros.

Dia 27 de março de 2018 – Segurança Alimentar e Nutricional – Convidada: Soraia de Fátima Ramos – (Geógrafa; Mestre em Geografia; Doutoranda na Faculdade de Saúde Pública – USP, Pesquisadora Científica no Instituto de Economia Agrícola (IEA); foi Conselheira do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável -CONSEA/SP).

A segurança alimentar e nutricional abrange o acesso a alimentos com qualidade biológica, sanitária e nutricional, de modo regular e permanente. Alia-se a práticas alimentares promotoras de saúde, com atenção às populações vulneráveis. A produção no campo deve estar amparada em sistemas agrícolas da agricultura familiar com atenção à preservação da biodiversidade e diversidades culturais locais.

Dia 28 de março de 2018 – Desenvolvimento e Planejamento Urbano e Cultural – Convidada: Terezinha Ferrari (Pesquisadora e Professora do Centro Universitário Fundação Santo André – Doutora em Ciência Política. Autora do livro, a Fabricalização da cidade e ideologia da circulação, além de outros textos)

A temática proposta tanto pode ser tratada de modo afirmativo como crítico. A segunda opção seduz porque para enfrentá-la é preciso destacar a presença do Estado no planejamento das cidades; no capitalismo neoliberal esse planejamento urbano contempla também um desenvolvimento e um planejamento cultural – o que nem sempre foi assim. Como o Estado do capital planeja uma cidade para poucos, perguntamos qual é, afinal, o papel da cultura nesta cidade planejada para poucos?

Temporada do Espetáculo OPUS XV

OPUS XV – Máquina de Memória dos quinze anos da Companhia Antropofágica, que desafia a história do grupo na busca por responder aos mecanismos históricos que determinam a própria possibilidade de qualquer existência coletiva. Uma engrenagem teatral projetada para expor suas próprias entranhas, desafiando o individualismo crescente. Como forma de resistência à realidade degradada, a peça crava uma fresta de liberdade entre as determinações objetivas do passado social e as escolhas subjetivas do indivíduo, transformando o espaço do palco em uma plataforma onírica em meio às tensões históricas do tempo presente.

Temporada: 02 de Março a 22 de Abril de 2018 – Sextas e Sábados as 21h e Domingos as 19h

Preço: Gratuito – Classificação Indicativa: 18 anos

Local: Espaço Pyndorama – Endereço: Rua Turiassú, 481 – Fundos – São Paulo – SP

PALESTRAS SOBRE EMPREENDEDORISMO NAS ARTES CÊNICAS

O Teatro Folha propõe ao mercado de artes cênicas uma série de palestras sobre empreendedorismo teatral, abordando temas diversos, com o objetivo de colaborar para a profissionalização da produção artística. As palestras serão voltadas para profissionais e estudantes de teatro interessados em gerir suas carreiras, entrar no mercado de trabalho ou se reposicionar neste ramo de atividade como investidor.

O ator, diretor e empresário nas artes cênicas Isser Korik realizará 14 palestras no primeiro semestre, sempre contanto com a participação de outros profissionais que devem falar de suas experiências, de acordo com o tema de cada palestra. Isser e convidados responderão dúvidas comuns entre estudantes e profissionais, oferecendo informações que serão úteis para quem deseja realizar os próprios projetos. “Um jovem passa anos estudando numa escola e se forma em Artes cênicas. O que fará no dia seguinte? As escolas ensinam a atuar, mas não se focam em aspectos práticos da carreira, como aprender a ler um contrato de trabalho ou se produzir”, explica Isser.

A programação do primeiro módulo de atividades se inicia no dia 05 de março com a palestra “O mercado de trabalho do ator”. Tratando de forma mais específica sobre os perfis dos atores profissionais e do mercado de teatro em escolas, empresas etc., haverá as palestras “O mercado do ator em TV, publicidade, dublagem e locução ” (12/03), “O mercado do ator conjugado com atividades paralelas na produção teatral (19/03), “O mercado do ator conhecido: mitos e verdades” (26/03), “O mercado do ator conhecido:  produção de elenco e agenciamento” (09/04), “O ator-empreendedor” (16/04), “Remuneração” (23/04), “O contrato” (07/05),  “Relação de trabalho e comportamento profissional” (14/05)  e “Relação de trabalho ator-diretor” (28/05). Ainda no primeiro semestre acontecerão as palestras “A produção, seus itens e estrutura” (04/06), “A produção cooperativada” (11/06), “A produção empresarial (18/06) e “A produção por cotas” (25/06).

O segundo módulo de palestras acontecerá de agosto a dezembro, abordando temas, como, direitos autorais, leis de incentivo, captação de recursos, divulgação de espetáculos e relação do produtor com os diferentes perfis de curadoria de programação de teatros privados e públicos, entre outros assuntos do interesse de quem quer ser um empreendedor nas artes cênicas.

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SOBRE ISSER KORIK

Diretor, ator, produtor, tradutor e dramaturgo, Isser Korik coleciona trabalhos marcantes como comediante em mais de 30 anos de carreira, como  “Vacalhau & Binho”, de Zé Fidélis, que permaneceu oito anos em cartaz; “O Dia que Raptaram o Papa”, de João Bethencourt; e, recentemente, “E  o Vento não Levou”, de Ron Hutchinson, e “Toda Donzela Tem um Pai que é uma Fera”, de Gláucio Gill.

Como diretor se destaca na comédia. Concebeu “Nunca se Sábado…”, apresentado por quatro temporadas sob sua direção-geral, que marcou a cena paulistana.

Dirigiu “O Empréstimo”, de Jordi Galceran;  “Jogo Aberto”, de Jeff Gould; ”Nove em Ponto”, de Rui Vilhena, “A Minha Primeira Vez”, de Ken Davenport; a trilogia cômica de Alan Ayckbourn “Enquanto Isso…”; “O Mala”, de Larry Shue; o projeto “Te Amo, São Paulo”, que reuniu grandes nomes da dramaturgia paulista; além dos infantis “A Pequena Sereia”, de Fábio Brandi Torres; “Grandes Pequeninos”, de Jair Oliveira; “Cinderela”, “O Grande Inimigo” e “Ele é Fogo!”, de sua autoria, tendo recebido por esse último o Prêmio APCA. É diretor artístico da produtora Conteúdo Teatral e do Teatro Folha.

Palestras sobre empreendedorismo teatral com Isser Korik e convidados

Público alvo: estudantes e profissionais de teatro a partir de 17 anos

Investimento (1º módulo): R$ 150,00 por palestra.
50% de desconto para quem adquirir o pacote com todas as palestras (valor: R$ 1.050,00).

Inscrições: cursosteatrofolha@gmail.com ou (11) 95120-4000

Mais informações: www.teatrofolha.com.br e www.conteudoteatral.com.br

“70! DISCODÉCADA – DOC. MUSICAL”

Prazer em conhecer
Somos as tais frenéticas
E um anjo doido fez
A gente se encontrar no Dancing Days” (“Somos as tais Frenéticas“).

Dhu MoraesEdyr DuqueLeila “Leiloca” NevesMaria Lídia “Lidoka” Martuscelli, Regina Chaves e  Sandra Pêra. Ou simplesmente As Frenéticas.

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Edyr, Leiloca, Lidoka, Dhu, Regina e Sandra

Se você não viveu na década de 70, não deve saber quem elas são. Ou melhor, se estava em Marte a partir de 1976, não as conhece e/ou nunca ouviu, nem dançou um dos hits eternizados na voz delas.

Mas não tem problema. Elas devem se reunir mais uma vez, para estarem debaixo das luzes dos refletores do palco, em 70! Discodécada – Doc. Musical, a partir de 2018.

O musical de Frederico Reder e Marcos Nauer é a ‘continuação’ do sucesso de público 60! Década de Arromba – Doc. Musical (2017). O espetáculo utilizou ferramentas de documentário (fotos, vídeos e depoimentos reais), somadas a cenas, textos e canções apresentadas ao vivo por 24 atores/cantores /bailarinos para contar a história da década de 1960. A cantora Wanderléa foi a convidada especial para o musical.

Quer saber mais como foi o espetáculo, leia aqui.

Em uma conversa com Marcos Nauer na época de lançamento do espetáculo em São Paulo, ele disse que tinha gostado do resultado e queria fazer os ‘Doc Musicais’ das décadas de 70 a 90.

No final deste ano, ele postou uma foto “suspeita” no seu story do instagram. Ao centro do símbolo do novo espetáculo estavam elas, as representantes mor da época nacional da discoteca – As Frenéticas.

 

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Fazendo uma pesquisa sobre a década, a escolha é super adequada, pois elas foram o grupo musical brasileiro que melhor representou os anos 70, onde todos iam para as pistas de dança, abriam suas asas, soltavam suas feras, pois

Na nossa festa
Vale tudo
Vale ser alguém
Como eu
Como você” (“Dancing Days“)

A Influência dos Dzi Croquettes

Antes que elas aparecessem, em 1972 o coreógrafo americano Lennie Dale criou um grupo masculino com visual andrógino. Eram homens barbudos, com corpo peludo e uma maquiagem pesada e trajes femininos.

O grupo era formado por Lennie Dale, Wagner Ribeiro de Souza, Cláudio Gaya, Cláudio Tovar, Ciro Barcelos, Reginaldo di Poly, Bayard Tonelli, Rogério di Poly, Paulo Bacellar, Benedictus Lacerda, Carlinhos Machado, Eloy Simões e Roberto de Rodrigues.

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Durante os espetáculos, apresentavam monólogos humorísticos alternados com números de canto e dança.

Mas as autoridades brasileiras não aceitaram bem essa quebra de tabus dos Dzi Croquettes. Era o tempo do regime militar, com isso o espetáculo foi censurado. O grupo viajou para a Europa, exilando-se em Paris e fazendo sucesso em terras internacionais, tendo como madrinha a atriz e cantora, Liza Minelli.

Mas apesar de todo o sucesso, o grupo encerrou suas atividades em 1976. Só que influenciaram vários atores, cantores e grupos, inclusive essas tais Frenéticas.

 

O Surgimento do Grupo

A disco music já era moda nos Estados Unidos por volta de 1976, e teve seu boom com o lançamento do filme “Os Embalos de Sábado a Noite” (“Saturday Night Fever” – 1977), com John Travolta e as canções do grupo Bee Gees.

Aqui em terras cariocas, nesta mesma época, o produtor musical Nelson Motta foi convidado para fazer uma ação que divulgasse o Shopping da Gávea. Por que não criar uma discoteca dentro do shopping?

Em 1976, surge o “The Frenetic Dancin’ Days Discotheque” (onde atualmente é o Teatro dos Quatro), para funcionar por apenas três meses. Para trabalhar como garçonetes e cantoras, Nelson convidou seis atrizes de teatro/teatro musical – Dhu, Edyr, Leiloca, Lidoka, Regina e Sandra, que em pouco tempo seriam conhecidas como “As Frenéticas“.

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O Sucesso Frenético

As atrizes atuavam como garçonetes no começo da noite, até que em uma certa hora, abandonavam os aventais e bandejas, para subirem no palco e interpretarem covers de Rita Lee, Rolling Stones e outros. Os ensaios eram comandados por Roberto de Carvalho , que começava a namorar Rita Lee.

O primeiro uniforme do sexteto foi feito por Marília Pêra, que era casada com Nelson, na época. Dizem também que ela foi a inspiração para um dos maiores hits do grupo – “Perigosa” (“Eu sei que eu sou, bonita e gostosa, e sei que você me olha e me quer…”).

Bastou duas semanas para as atrizes serem conhecidas pelo público e reverenciadas por atores e cantores como Tônia CarreiroMilton Nascimento, Sônia BragaCaetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia, Ney Matogrosso, Lulu Santos, entre outros, que terminavam a noite na discoteca. A febre disco emplacou no país e virou sucesso nacional.

Das ‘discos’ para o mundo

Que a Dona Felicidade
baterá em cada porta,
e que importa a Mula Manca 
se eu quero 
A Dona Felicidade” (“A Felicidade Bate à Sua Porta“)

Com o fechamento da discoteca, o sexteto permaneceu junto, ensaiando novas canções, entre elas a composição de Gonzaguinha, até então conhecido como cantor de protesto – “A Felicidade Bate à Sua Porta“.

Liminha, ex-baixista do grupo “Os Mutantes” e produtor musical, resolve produzir o primeiro compacto. Por coincidência, essa gravação foi feita no estúdio da Wanderléa.

Com o sucesso, elas foram contratadas pela WEA/Warner Music e lançaram o primeiro disco em 1977 – “Frenéticas“, que tinha o hit “Perigosa“. Vendeu 150 mil cópias e recebeu um Disco de Ouro.

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Do segundo disco, “Caia na Gandaia” (1978), vieram os hits “Dancing Days” e “O Preto que Satisfaz“, que foram temas das novelas da rede Globo – “Dancin’ Days” (1978) e “Feijão Maravilha” (1979).

A novela “Dancin’ Days” foi uma mania nacional, que mostrava a protagonista Júlia Matos (Sônia Braga) arrasando na pista de dança. Influenciou a moda nacional (meias lurex, sandália de salto fino), brinquedos (boneca ‘Pepa’), difusão dos vôos de asa delta, além das várias discotecas abertas pelo país.

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O sucesso do grupo foi tanto que elas fizeram shows na América Latina e Europa, além de terem sido convidadas para participarem da primeira transmissão da televisão em cores, em Portugal (1980 – Festival da Canção).

As Frenéticas ainda lançaram mais três discos, mas sem tanto sucesso. Já era o começo do fim. No último disco, “Diabo a 4” (1983), o grupo já não contava com a presença de Sandra Pêra e Regina Chaves. Até que em 1984, o grupo se desfez.

Tentaram ainda mais dois retornos, sendo que ainda emplacariam o hit “Perigosas Peruas” na novela homônima (1992).

70! Discodécada – Doc. Musical

Agora, esperamos que seja mais uma oportunidade para revê-las no palco. Se bem que das seis, só quatro poderão estar presentes, afinal Lidoka faleceu em 2016 e Edyr está atualmente no Retiro dos Artistas.

Escolha seu melhor figurino e vá – seja camisa de poliéster ultra estampada, terninho, salto plataforma, calça boca de sino, macacão com decote bem generoso, shortinho, paetê, tecido metalizado, transparência e muita lycra… tudo acompanhado de meias lurex com sandálias de salto alto fino e…

Dance bem
Dance mal
Dance sem parar
Dance bem
Dance até
Sem saber dançar” (“Dancing Days“)

Quer conhecer mais

Sandra Pêra registrou em livro a história – ou melhor, as histórias – do grupo em “As Tais Frenéticas – Eu Tenho uma Louca Dentro de Mim” (2008).

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O programa “Por Toda Minha Vida” (rede Globo), lançado em 2011, contou a história do grupo. Pode ser encontrado no youtube. Para interpretá-las foram escolhidas Lisieux Maia (Leiloca), Gabrielle Lopez (Lidoka), Nina Morena (Sandra), Corina Sabbas (Dhu), Denise Spíndola (Edir) e Flávia Rubim (Regina). É também deste programa a última imagem que temos das seis juntas.

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Lidoka, Dhu, Regina, Leiloca, Sandra e Edyr