UMA NOVA GERAÇÃO DE ATORES

Pelos próximos meses, o país receberá produções musicais, onde, ao invés dos adultos, as crianças é que serão os astros principais. Títulos como “A Megera Domada – o Musical“, “Annie, o Musical“, “Billy Elliot” e “School of Rock” vão invadir os palcos. Nelas, atores de 6 a 16 anos darão  vida aos personagens principais das produções.

Este aumento no número de musicais só é possível porque as crianças estão se preparando cada vez mais cedo. Isto se reflete no aumento do número de cursos voltados para o Teatro Musical para elas. Iguais aos colegas de trabalho adultos, além de aprenderem atuar, também aprendem a dançar vários ritmos e a se desenvolverem na arte do canto.

Para sabermos quem são estes novos astros do Teatro Musical, conversamos com quatro deles que já conhecem muito bem como é a vida no palco. Encontramo-nos numa tarde, durante um final de semana, com Ana Clara Martins (12) (“Megera Domada, o Musical”, “Um Sonho de Natal”, “Annie, o Musical”), Helô Aquino (14) (“Megera Domada, o Musical”, “Annie, o Musical”), Manuela Costa (11) (“As Aventuras de Poliana”, “Carinha de Anjo”, “Megera Domada, o Musical”, “Annie, o Musical”) e Pedro Braga (15) (“Megera Domada, o Musical”, “Ritmos da Broadway”).

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Pedro Braga, Ana Clara Martins, Helô Aquino e Manuela Costa

A conversa teve que ser cronometrada, afinal, a agenda deles é corrida. O dia a dia precisaria ter mais de 24 horas, afinal além dos estudos do colégio – e os trabalhos para casa – ainda têm cursos de canto, dança, atuação,… Isto se não estiverem em cartaz.

Mas vamos começar do começo, sabendo como foi que eles resolveram entrar nesta área.

Ana Clara Martins: “Desde pequena, eu sempre gostei de cantar. Na escola, entrei no Clube de Teatro, onde pude participar de algumas montagens. Ouvia elogios e foi então que resolvi me aprofundar nos estudos.

Helô Aquino: “Eu assistia a novela ‘Carrossel’. Eu queria fazer igual ao que eles faziam. Pedi para minha mãe me levar e matricular numa escola. Lá, pude ver várias montagens de musicais”.

Manuela Costa: “Comecei cedo indo ao teatro. Adorei ficar olhando os atores, em como eles atuavam. Daí ficava me olhando no espelho, falando textos. Até que pedi para minha mãe me matricular em uma escola”.

Pedro Braga: Na minha escola, a professora de artes fazia peças de teatro. O que começou como brincadeira, virou algo que realmente gosto de fazer. Foi quando resolvi estudar numa escola voltada para Teatro Musical.

Algo em comum a todos, que percebemos, foi que o ‘brincar-teatro‘ surgiu no colégio, nas aulas de Artes. Uma disciplina que há tempos, em grandes partes das escolas, servia apenas para cumprir a carga horária (tanto que de acordo com as reformas propostas para o Ensino, há a possibilidade de ser excluída), mas que na vida dos quatro foi algo decisivo para a escolha de serem atores.

CARMEN (3)Mesmo já trabalhando, em primeiro lugar vem o colégio. Como dissemos, para conseguirem dar conta de todas as atividades, e não esquecerem nada, a agenda precisa ser observada, até para poder terem um tempo para brincar, afinal, não podemos esquecer que são crianças.

Ana Clara Martins: “Para mim é um pouco mais difícil, porque estudo em período integral, até as 15h10. Depois tenho aula de piano, canto e teatro também, quando não estou trabalhando em alguma peça.

Helô Aquino: “Também estudo de manhã. A tarde varia. Faço inglês, curso de teatro, xadrez no próprio colégio. E vou começar a fazer balé.

Manuela Costa: “Escola em primeiro lugar. Afinal, tem muita coisa para eu saber antes de me tornar uma boa atriz. Estudo pela manhã, e a tarde, tenho aulas de teatro, balé, canto, dança, jazz, sapateado. Tenho que dividir bem o horário para ter tempo para a escola e o teatro”.

Pedro Braga: “A escola é fundamental. Termina a aula, chego em casa e almoço, depois tenho que sair correndo para os cursos – teatro musical e atuação. As vezes, só chego em casa pelas 22 horas, e tenho que dormir, porque no dia seguinte, acordo cedo. Agora, por causa destes novos títulos, vou retomar os estudos de bateria”.

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E como atores que são, há o momento do reconhecimento, o dos aplausos. Algo comum a todos é receberem a visita de colegas, professores e familiares na plateia, para poderem assisti-los. Depois, no saguão, é o ‘momento de tietagem’, onde ficam sabendo dos conhecidos, o que mais gostaram; além de tirarem fotos com o público e assinarem os programas dos musicais.

Só que para estar onde estão, há que passar pelo momento que deixa até atores experientes preocupados – o das audições. Mas iguais aos adultos, eles se preparam com antecedência, através dos cursos. Quando o título da próxima montagem é divulgado, eles começam a pesquisar, vêem o musical pelo youtube, estudam os personagens que desejam audicionar, além de solicitarem aquele auxílio extra para os professores de canto e interpretação. “Eu, às vezes, até escrevo as minibiografias dos personagens que eu quero fazer, para melhor entendê-los“, disse Ana Clara. O nervosismo existe, improvisos acontecem, mas “se você estudou e ensaiou muito, você pode confiar em si próprio e ficar mais tranquilo. Afinal, isso é uma brincadeira e temos que nos divertir, primeiramente“, conclui Pedro.

Chegando ao final da conversa, resolvemos perguntar o que era ser ator para eles. As respostas que nos deram, impressionaram pela maturidade, e por saberem o que os esperam. Vêm o Teatro como algo diferente, que fez com que o buscasse por isso. Sabem que há, e haverá, dificuldades. O aprendizado será contínuo. Que para serem bons atores, precisam ter disciplina, talento, coragem e técnica. Mas que principalmente, que gostam do que estão fazendo, pois é algo para vida. E para arrematar, o ator é uma eterna criança, que a cada dia pode brincar de alguma coisa.

EXPLICANDO ‘ANNIE, O MUSICAL’

Nesta quinta, 30 de agosto, o Teatro Santander abre as cortinas para “Annie, o Musical“. O espetáculo é a mais nova produção do Atelier de Cultura (“A Noviça Rebelde“, “O Homem de La Mancha“, “A Madrinha Embriagada“).

O elenco é encabeçado por Miguel Falabella (que a princípio seria só o diretor do espetáculo) e Ingrid Guimarães (estreando em musicais). Ambos são acompanhados por nomes conhecidos do nosso teatro musical, como Cleto Baccic, Sara Sarres, Ester Elias, entre outros.

Para viverem as garotas órfãs do musical, foram escolhidas 21 meninas dentre as 3.500 que participaram das audições realizadas pelo país. A personagem título será interpretada por Luiza Gattai, Maria Clara Rosis e Sienna Belle (são 3 elencos infantis).

A melhor amiga de Annie, a cadelinha Sandy, será interpretada pelos cães Lisa e Scott, da raça Podengo Português .

Um gênio domado

Miguel Falabella mantém uma forte conexão com o musical, afinal foi o primeiro espetáculo adulto que viu, em 1979, em Londres. A possibilidade de montá-lo no país o acompanha desde 2015, quando o Atelier de Cultura comprou os direitos do musical e começou a produção.

É um musical complexo, com arranjos grandiosos e vocalmente difícil. Mas, como o projeto vem sendo construído desde 2015, tive tempo para cuidar de detalhes na tradução, especialmente da canção mais conhecida, ‘Tomorrow’“, afirmou o ator para o jornalista Ubiratan Brasil (Estadão).

miguel-1Para se transformar diariamente no seu personagem, Falabella utilizaria, a princípio, uma prótese na cabeça. Mas depois que viu o trabalho que teria, preferiu raspar os cabelos, surpreendendo a todos com o novo visual.

Mas essa será a única surpresa que ele dará a sua plateia. Conhecido por seus cacos, que fazem todos rir (inclusive seus companheiros de elenco), neste musical, Falabella terá que seguir o texto integralmente, visto que os detentores dos direitos originais da montagem não permitem nenhuma adaptação no musical.

(Uma pena, pois estava previsto que o famoso muralista brasileiro, Eduardo Kobra, faria parte da confecção dos cenários.)

Tudo começou nas tirinhas

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Harold Gray

O musical é baseado na tira em quadrinhos “Little Orphan Annie” (“Pequena Órfã Annie”), criada por Harold Gray, e lançada no jornal Daily News em 1924 (Nova Iorque, EUA).

As histórias são sobre as aventuras de Annie, sua cadela Sandy e seu benfeitor, o empresário milionário Oliver Warbucks. Através de suas tiras, Gray falou para seus leitores adultos sobre sindicato trabalhista, a política New Deal e o comunismo (assuntos que estavam na moda nos Estados Unidos), entre outros temas.

O sucesso da pequena órfã foi tanto que suas aventuras deram origem a um programa de rádio (1930), a um musical da Broadway (1977), e três adaptações de filme para o cinema (1982, 1999 e 2014).  Mas infelizmente a popularidade das tirinhas foi caindo ao passar dos anos. Quando foi cancelada, em 2010, somente 20 jornais em todo o país imprimiam as histórias em suas páginas.

Dos quadrinhos aos palcos da Broadway

Annie, o Musical” estreou na Broadway pelas canções de Charles Strouse (música) e Martin Charnin (letras), e o enredo de Thomas Meehan. Ficou em cartaz no Alvin Theatrhe (atual Neil Simon Theatre) de 1977 até 1982. Ganhou seis Tony Awards, inclusive o de Melhor Musical, e já foi produzido em mais de 40 países.

Duas canções de sua trilha sonora ficaram famosas mundialmente. São elas: “Tomorrow” (“O Amanhã”) e “It’s the Hard Knock Life” (“É Uma Vida Dura”).

A história de Annie

O musical começa no final de ano de 1933, com uma órfã de onze anos de idade, Annie, que vive no Orfanato Municipal para Garotas, junto com Molly, Kate, Tessie, Pepper, July e Duffy. Durante um pesadelo, Molly acaba acordando todas suas colegas de quarto, o que as deixam muito irritadas. Annie as acalma cantando uma canção que fala sobre seus pais, que as abandonaram, e devem estar por aí .

Annie resolve escapar do orfanato para procurar seus pais, mas é pega por Dona Hannigan, a responsável pelo orfanato. Só que ela está de ressaca e desconta nas garotas, fazendo-as trabalharem na limpeza do local. Logo após o incidente, chega o responsável da lavanderia que vem recolher a roupa suja. Annie se esconde no carrinho usado por ele e foge.

Já nas ruas da cidade, a garota encontra uma cadela amigável, Sandy, Enquanto vão se conhecendo, Annie canta que dias melhores virão a partir de amanhã. É quando aparece o funcionário da carrocinha que quer pegar a cadela. Annie fala que a cachorra é sua e fica com o animal.  Enquanto caminham por um bairro, onde vivem pessoas desabrigadas por causa da Depressão de 1929, um policial a encontra e a leva novamente para o orfanato.

A assistente do bilionário Oliver Warbucks, Grace Farrell, vai até o orfanato convidar uma garota para passar o feriado natalino com eles. Como Annie está no escritório de Dona Hannigan, Grace pede para levá-la. Meio a contragosto, Hannigan concorda, e ao saírem, ela canta que odeia todas as crianças.

Enquanto isso, na mansão de Warbucks, todos os empregados da casa recebem Annie muito bem. Só que quando Oliver Warbucks retorna ao lar, não fica muito contente em ver a criança. Pede que Grace leve-a para ver um filme, mas ela faz com que todos os três vão juntos. Enquanto passeiam pela cidade, vão se conhecendo melhor, e um sentimento de carinho começa a surgir.

No orfanato, o irmão de Dona Hannigan, Rooster, chega com a namorada, Lily, para uma visita. Ao saberem que Annie está numa mansão, começam a planejar um golpe para se darem bem.

Warbucks vê que Annie usa um pingente no pescoço e resolve comprar um novo para a garota. Só que ela não aceita, porque aquilo é a única coisa que seus pais deixaram com ela. Grace e o resto dos funcionários dizem que irão ajudá-la a encontrar seus pais, custe o que custar.

Intervalo de 15 minutos

Durante o programa de rádio de Bert Healy, Warbucks oferece uma larga quantia de dinheiro para o casal que puder provar que são os pais de Annie. No orfanato, as outras garotas estão ouvindo o programa e ficam felizes pela amiga, com exceção de Pepper. Quando dona Hannigan entra no quarto, ela pergunta o que está acontecendo. Molly diz que estão oferecendo uma recompensa para os pais de Annie.

Hannigan volta para seu escritório, quando entra um casal dizendo que há onze anos deixou lá uma garotinha ruiva. Ela fica assustada, até que o casal se revela – são Rooster e Lily. Eles explicam o plano – querem saber tudo sobre a garotinha para poderem por a mão na recompensa.

Warbucks vai com Annie até Washington, onde ambos irão se encontrar com o presidente norte americano, Franklin D. Roosevelt. Na sala oval da Casa Branca, Annie canta a canção “Tomorrow” (“O Amanhã). Roosevelt acredita que a população tem que ser otimista durante os tempos de crise – então, todos a acompanham na canção.

De volta a casa, Warbucks diz o quanto está gostando de Annie. E já que seus pais não aparecem, ele vai adotá-la. Para celebrar as boas notícias, uma festa de Natal é preparada, e Annie deseja convidar Dona Hannigan e suas amigas do orfanato.

Quando um juiz aparece para começar os procedimentos legais da adoção, os ‘pais falsos’ aparecem para se encontrar com Annie e receber a recompensa. Para afirmar que são eles, falam sobre o bilhete que deixaram junto a bebê e também o pingente. Warbucks pede para que Annie passe a noite de Natal na mansão e na manhã seguinte, eles poderão partir para sua fazenda de porcos de Nova Jersey.

Pela manhã, todos recebem uma visita de Roosevelt e do Serviço Secreto. É revelado que os verdadeiros pais de Annie morreram enquanto ela ainda era um bebê. A farsa é descoberta, e Dona Hannigan, Rooster e Lily são presos. Roosevelt declara seu novo plano econômico, que irá melhorar a economia do país.

CARMEN

Annie, o Musical

Com  Ingrid Guimarães, Miguel Falabella, Sara Sarres, Cleto Baccic e grande elenco

Teatro Santander (Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 2041 – Itaim Bibi, São Paulo)

Duração 160 minutos

30/08 até

Quinta e Sexta – 21h, Sábado – 16h30 e 21h, Domingo – 15h e 19h

$75/$310

Classificação Livre

EXPLICANDO ‘NATASHA, PIERRE E O GRANDE COMETA DE 1812’

O musical “Natasha, Pierre e o Grande Cometa de 1812” tem sua estreia marcada para esta sexta, 24 de agosto no 033 Rooftop. Uma produção da Move Concerts (“Nuvem de Lágrimas, o musical”, “Carrossel, o Musical”) e com a direção geral de Zé Henrique de Paula (Núcleo Experimental).

O espetáculo é a versão brasileira para o sucesso da Broadway. Composta por Dave Malloy, e dirigida por Rachel Chavkin, “O Grande Cometa” abriu as cortinas pela primeira vez em 2012. Chegou a ser montada em Quito (Equador) no idioma espanhol, antes de estrear na Broadway em 2016. Recebeu 12 indicações ao Tony Awards, mas só recebeu o troféu em duas categorias – cenário e iluminação.

O espetáculo é focado em 70 páginas do 2º livro de “Guerra e Paz“, obra prima do escritor russo Leon Tolstói.

Para você entender melhor o que acontecerá no teatro, fizemos esta matéria, situando-o na história.

A obra que deu origem a tudo

1110612-350x360Guerra e Paz” é um romance histórico do autor russo, Leon Tolstói. Foram escritas duas versões – a primeira foi publicada em 1865. Mas por não estar contente com o livro, Tolstói reescreveu sua obra, alterando o final e o publicou em 1869 (dizem que também, ao final da vida, falava que não estava feliz com a segunda versão).

(A saber – Tolstói também é o autor de outro clássico da literatura mundial, “Anna Karenina“)

A obra conta com 1.225 páginas, divididas em quatro livros (quinze partes) e dois epílogos – um principalmente narrativo, o outro inteiramente temático.

Conta a história de cinco famílias aristocráticas (particularmente os Bezukhovs, os Bolkonskys e os Rostovs) e o vínculo delas com a história da Rússia de 1805 a 1813, principalmente com invasão de Napoleão Bonaparte em 1812.

Apesar de ser escrito em russo, os diálogos dos aristocratas eram em francês (costume das cortes da época). Isto seria considerado como uma falta de contacto com os autênticos valores da Rússia.

Há mais de de 500 personagens no livro. Mas os principais – inclusive para o musical – são Pierre Bezukhov, Natasha Rostova e Anatoly Kuragin.

Mas e o cometa? O astro realmente existiu e esteve visível na Terra por cerca de nove meses (seu início foi em 1811). Como muitos acreditavam, a passagem de um cometa traria mau agouro, mas Pierre, ao final do espetáculo, vê a passagem do astro como sendo um novo começo de vida para si.

As 70 páginas transformadas em musical

O compositor norte americano, Dave Malloy, focou seu musical em uma parte da história da dupla de protagonistas – Natasha Rostova e Pierre Bezukhov, que é o verdadeiro personagem central de “Guerra e Paz”. Filho ilegítimo de um conde abastado, após receber uma herança inesperada, fica confuso e perdido em encontrar seu lugar na sociedade aristocrata russa.

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A plateia entra em um clube russo do início do século XIX, com uma cenografia feita por Bruno Anselmo, e 11 luminárias Sputnik, assinadas pela designer Ana Neute. O elenco percorre o clube, atuando além do palco principal, pelas passarelas que permeiam toda a plateia.

O musical começa com o Prólogo, onde são apresentados os personagens e a plateia é situada da ação. “Afinal, estamos em uma ópera, e precisamos estudar um pouco o que está acontecendo. Como é um romance russo complicado, e cada personagem tem até nove variações de nomes, a plateia precisa ler o programa que foi dado a porta. Obrigado.” (tradução própria)

Caso você compreenda a língua inglesa, abaixo há uma montagem da canção do prólogo do musical com cenas da minissérie “Guerra e Paz”, apresentadas pela BBC em 2016)

A história se passa em Moscou, em 1812, antes de Napoleão invadir a cidade e por fogo em tudo. Pierre Bezukhov está perdido na vida, sem saber como se comportar na sociedade aristocrata russa. Passa o tempo bebendo e lendo. É amigo do príncipe Andrey Bolkonsky, que está na guerra.

Andrey é noivo de Natasha Rostova. Ela chega na cidade, com sua prima Sonya, para passar o inverno na casa de sua madrinha, Marya Dimitryevna, enquanto espera pelo retorno do noivo. Marya sugere que a afilhada vá visitar seu futuro sogro, o Príncipe Bolkonsky e sua filha, Mary, para ser aceita pela família. Mas tem mais em jogo – o casamento garantirá o status e a sobrevivência da família Rostov, que está quase falida. Só que infelizmente, o resultado da visita não foi o esperado – os Bolkonsky não aprovaram Natasha.

Na noite seguinte, Natasha é apresentada a sociedade decadente de Moscou (quem realmente é alguém na sociedade está em São Petersburgo, atual sede do governo). Na ópera, ela acaba conhecendo o Príncipe Anatole Kuragin, que acaba mexendo com seus sentimentos.

Após a ópera, Anatole, Dolokhov e Pierre saem para beber. Acabam encontrando a esposa de Pierre, Hélène, que por acaso é irmã de Anatole. Ela dá em cima de Dolokhov na frente de Pierre, que acaba desafiando-o para um duelo. Mas ninguém morre, só Dolokhov sai ferido.

Anatole arma com sua irmã e com Dolokhov, que ele dará em cima de Natasha e acabará com o casamento dela. É quando ficamos sabendo que Anatole também é casado. A investida se dará no baile de máscaras que Hélène dará na noite seguinte.

Na manhã seguinte, Hélène visita Natasha e faz o convite. Ela aceita. Durante o baile, Natasha dança com Anatole e ouve juras de amor. Ela se faz de rogada, dizendo que está noiva de Andrey. Anatole parte para cima e lhe beija.

Intervalo – lembre-se que o musical é baseado em uma história do século XIX, então juras de amor e beijo são levados muito seriamente por donzelas e cavalheiros.

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Cartas começam a ser escritas e enviadas: planos de fuga entre os novos amantes (Anatole e Natasha), rompimento de noivado (Natasha e Andrey), notícias sobre a guerra (Pierre e Andrey).

Só que Sonya descobre o plano de Natasha e resolve se intrometer pelo bem da prima. Enquanto isso, Anatole e Dolokhov dão prosseguimento ao plano. Quando chegam na casa de Natasha, conduzidos pelo motorista Balaga (ele tem até uma canção em seu nome), Marya Dimitryevna expulsa os dois. Ao entrar em casa, ela repreende Natasha, que desesperada foge e fica esperando pela volta de Anatole, durante a noite toda.

Ao ver a afilhada daquele jeito, Marya chama Pierre e pede pela sua ajuda. Só então que elas ficam sabendo que Anatole é um homem casado. Natasha tenta se suicidar com um veneno, mas sobrevive. Pierre, com raiva, vai até Anatole e lhe dá dinheiro, contanto que ele saia de Moscou.

No dia seguinte, o Príncipe Andrey retorna. Pierre tenta explicar o ocorrido e pede que o amigo perdoe Natasha. Só que para ele, o casamento acabou. Pierre acaba visitando Natasha, ao final da história. Ambos acabam se auxiliando, dando forças um para o outro. Após a visita, Pierre olha para o céu e vê o Grande Cometa de 1812. É o sinal que esperava para mudar sua vida.

Um verdadeiro jantar russo

A experiência pode ser completa com o serviço de bar, que oferecerá drinks e aperitivos; além de um jantar, servido antes do musical. O cardápio foi elaborado pelo Chef Mario Azevedo (033 Rooftop), com pratos da gastronomia russa. O serviço é composto de uma entrada, prato principal e sobremesa, no valor de R$ 125 por pessoa. (maiores informações no link)

Nossa sugestão – sente, relaxe e aproveite a história. Temos certeza que essa noite na Rússia do século XIX será única e muito interessante.

Vache zdoróvie!” (À sua saúde!)

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Natasha, Pierre e o Grande Cometa de 1812

Com André Frateschi, Bruna Guerin, Gabriel Leone, Guilherme Leal, Nani Porto, Adriana Del Claro, Miranda Kassin, Wilson Feitosa, Lola Fanucchi, Nábia Villela, Daniel Cabral, Natália Glanz, Andre Torquato, Fabiana Tolentino, Vitor Moresco, Carol Bezerra, Arthur Berges, Letícia Soares, Giovanna Moreira, Patrick Amstalden, Rafael Pucca e Thiago Perticarrari

033 Rooftop – Complexo Shopping JK Iguatemi (Av. Juscelino Kubitschek, 2041 – Itaim Bibi, SãoPaulo)

Duração 150 minutos

24/08 até 25/11

Sexta – 21h30, Sábado – 16h e 21h30, Domingo – 19h30

$130/$160

Classificação 12 anos

MENOPAUSA, O MUSICAL

Quatro mulheres de meia-idade encontram-se no interior de uma loja de departamentos. Durante este dia, elas irão compartilhar suas experiências sobre mais um estágio na vida feminina, mas que é o pesadelo de 10 em 10 mulheres, a Menopausa.

Este fato foi transformado em musical por Jeanie Linders. Estreou em 2001 em Orlando, Florida. Por cerca de 90 minutos, acompanhamos um dia na vida de quatro personagens – a Atriz, a Hippie, a Executiva e a Dona de Casa do Interior, que, complementares, formam o quarteto disposto a lidar de forma bem-humorada com os detalhes e preciosidades de ser mulher entre os 45 e 55 anos de idade.

Durante o espetáculo são interpretadas 25 canções sobre o ‘fogacho’, o desejo por chocolate, a perda de memória, os suores noturnos e a dificuldade sexual. As letras são paródias de canções famosas como “What’s Love Got to Do With It”, “The Great Pretender”, “Stayin’ Alive“, “YMCA“, entre outras.

O musical foi um sucesso. Depois de Orlando, percorreu mais de 450 cidades nos Estados Unidos e diversos países. Está em cartaz há 12 anos na cidade de Las Vegas, atualmente no hotel cassino Harrah’s.

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Público feminino x masculino

Seth Greenleaf, diretor e sócio da GFour Productions, que detém os direitos do musical, ao ser questionado como é a reação do público masculino estrangeiro ao espetáculo, respondeu que “incentivamos ao público feminino trazerem seus parceiros, pois é algo educativo para eles. Eles chegam meio retraídos, mas durante o espetáculo, relaxam, aproveitam, riem bastante, e ao final, nos agradecem por poderem compreender um pouco sobre o que é a Menopausa. Pelo que pude ver durante as primeiras apresentações aqui no país, vi que o mesmo aconteceu com o público masculino brasileiro.

Menopausa em terras brasileiras

A montagem do espetáculo é um sonho do produtor Cássio Reis desde 2003, quando o assistiu pela primeira vez. Cerca de 15 anos foram necessários para colocar em pé o musical. E desde 10 de agosto, “Menopausa, o Musical” está em cartaz no palco do Teatro Gazeta, com sessões de sexta a domingo.

A direção coube a Anderson Bueno, que debuta no cargo. “Assumi o papel de direção por ser atrevido e inquieto. Já tinha minha experiência com visagismo e produção, mas queria experimentar algo a mais“. Para ajudá-lo na tarefa de contar a história, ele chamou sua amiga, Maximiliana Reis. A ela, por sua experiência, coube o papel de dirigir as atrizes.

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Luciana Milano, Simone Gutierrez, Alessandra Vertamatti, Bibba Chuqui e Adriana Fonseca (crédito foto – Marco Máximo)

 

O elenco feminino brasileiro

Para compor o elenco, foram convidadas cinco atrizes. Adriana Fonseca, Alessandra Vertamatti, Bibba Chuqui e Simone Gutierrez dão vida, respectivamente, à Hippie, à Dona de Casa do Interior, à Executiva, e à Atriz. Luciana Milano assume o papel de stand-in.

Oficialmente, nós temos um elenco mais jovem do que o que é montado nos outros países. Porque, no Brasil, a menopausa atinge mulheres cada vez mais jovens. Então rejuvenescer estas personagens seria importante“, afirma Bueno.

Simone Gutierrez entende esta mudança como importante, afinal “o musical foi criado há 20 anos. A mulher de 50 anos atual é bem diferente daquela do início do século XXI. Ela é uma Claudia Raia, ela faz de tudo“. Já Alessandra Vertamatti vê o espetáculo como “uma forma de deixar mais leve esse ‘tabu’. Afinal, sobre menopausa só se ouve falar sobre a parte médica, algo pesado“.

Para ajudá-las a entrar nas personagens, foi contatada a endocrinologista Elaine Dias, que presta assessoria ao musical.

Abrasileirando o musical

Para trazer o espetáculo mais próximo do público brasileiro, mudanças foram feitas em algumas personagens. A Hippie mora nos bairros italianos de São Paulo, e a Dona de Casa, saiu do interior dos Estados Unidos e veio parar em Minas Gerais.

Outra mudança necessária foi a versão das canções para o português. Isto ficou a cargo do diretor musical, Thiago Gimenes – “É importante que a prosódia e a acentuação das palavras estejam corretas, mas estou me baseando principalmente nas fonéticas. As pessoas vão ouvir as músicas com o mesmo tipo de sonoridade que ouvem em inglês, mas com palavras em português“.

A única canção brasileira que foi permitida ser incluída pela pela produção americana é o clássico das Frenéticas, “Dancing Days“, inserida no encerramento do show.

A coreografia também foi algo estudado, afinal as personagens são senhoras de meia idade, que não tem mais o vigor de quando eram jovens. Para tanto a coreógrafa Ciça Simões e sua assistente Nina Sato Pires pensaram em algo mais natural, ouvindo o que as atrizes pensaram para compor seus personagens. “A coreografia é feita para contar a história. Tem que ser natural. Lógico que alguns movimentos muito clichês tem que ficar, como forma de homenagem, como no caso de “Saturday Night Fever”. Conseguimos encontrar um equilíbrio entre fazer movimentos que ficassem bons nos corpos das atrizes e que contassem bem a história“, disse Ciça.

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crédito foto – Opinião de Peso

Vídeos das cenas apresentadas durante a coletiva de imprensa.

 

Menopausa, o Musical
Com Adriana Fonseca, Alessandra Vertamatti, Bibba Chuqui, Simone Gutierrez e Luciana Milano (stand in) Fafy Siqueira (em off).
Teatro Gazeta (Av. Paulista, 900 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 80 minutos
10/08 até 21/10
Sexta – 21h, Sábado – 20h, Domingo – 16h
$80
Classificação 12 anos

OS VENCEDORES DO 72º TONY AWARDS

Os amantes de musical viram, na noite de ontem, uma banda passar contando histórias de ‘amor’ e com isso, arrebatar 10 dos 11 prêmios aos quais concorria (entre eles o de musical, ator, atriz e diretor).

O musical “The Band’s Visit” (“A Banda”) foi o grande ganhador da 72ª edição do Tony Awards – o prêmio do Teatro/Teatro Musical da Broadway.

Desbancou “Mean Girls” (“Meninas Malvadas”) e “SpongeBob Square Pants” (Bob Esponja Calça Quadrada), que lideravam as indicações (12 cada) e eram os preferidos do público. Somente “Mean Girls” levou uma estatueta, por melhor cenografia de musical.

O musical “Once on this Island” ganhou o prêmio de melhor remontagem de musical.

The Band’s Visit” estreou oficialmente na Broadway em 09 de novembro de 2017. Baseado no filme homônimo ( C2007), conta a história de uma banda policial egípcia, que foi contratada para tocar na inauguração de um centro cultural árabe. Mas por infortúnio, foi parar por engano em uma outra cidade em Israel. Não há mais ônibus naquele dia, com isso, são obrigados a passar a noite no local. Sem hotel para ficar, vão para um restaurante no qual a dona os oferece abrigo.

Abaixo, o trailer do espetáculo “The Band’s Visit“, que está em cartaz no The Ethel Barrymore Theatre, São oito sessões semanais, de terça a domingo. A duração do musical é de 90 minutos.

Quanto as produções não musicais, “Harry Potter and the Cursed Child” (“Harry Potter e a Criança Amaldiçoada”), que conta como está Harry Potter e seus amigos 19 anos após o fim do sétimo livro da série, foi o vencedor. Levou seis estatuetas, entre elas a de melhor peça e direção.

A peça está em cartaz no Lyric Theatre. Dividida em duas partes, tem sessões de quarta a domingo.

Angels in America” (“Anjos na America”) ganhou três prêmios – remontagem de peça, ator e ator coadjuvante. Está em cartaz no Neil Simon Theatre por só mais cinco semanas, com sessões de quarta a domingo.

Veja a lista de vencedores abaixo:

– Melhor musical
The Band’s Visit

– Melhor remontagem de musical
Once On This Island

 

– Melhor ator de musical
Tony Shalhoub, The Band’s Visit

– Melhor atriz de musical
Katrina Lenk, The Band’s Visit

– Melhor ator coadjuvante de musical
Ari’el Stachel, The Band’s Visit

– Melhor atriz coadjuvante de peça
Lindsay Mendez, Rodgers & Hammerstein’s Carousel

– Melhor direção de musical
David Cromer, The Band’s Visit

– Melhor libreto de musical
The Band’s Visit

– Melhor trilha sonora (música e/ou letras) escrita para o teatro
The Band’s Visit

– Melhor coreografia
Justin Peck, Rodgers & Hammerstein’s Carousel

– Melhor orquestração
Jamshied Sharifi, The Band’s Visit

– Melhor cenografia de musical
David Zinn, SpongeBob SquarePants: The Musical

– Melhor figurino de musical
Catherine Zuber, My Fair Lady

– Melhor iluminação de musical
Tyler Micoleau, The Band’s Visit

– Melhor som de musical
Kai Harada, The Band’s Visit

– Melhor peça
Harry Potter and the Cursed Child, Parts One and Two, de Jack Thorne

– Melhor remontagem de peça
Angels in America

– Melhor ator de peça
Andrew Garfield, Angels in America

– Melhor atriz de peça
Glenda Jackson, Edward Albee’s Three Tall Women

– Melhor ator coadjuvante de peça
Nathan Lane, Angels in America

– Melhor atriz coadjuvante de peça
Laurie Metcalf, Edward Albee’s Three Tall Women

– Melhor direção de peça
John Tiffany, Harry Potter and the Cursed Child, Parts One and Two

– Melhor cenografia de peça
Christine Jones, Harry Potter and the Cursed Child, Parts One and Two

– Melhor figurino de peça
Katrina Lindsay, Harry Potter and the Cursed Child, Parts One and Two

– Melhor iluminação de peça
Neil Austin, Harry Potter and the Cursed Child, Parts One and Two

– Melhor som de peça
Gareth Fry, Harry Potter and the Cursed Child, Parts One and Two

 

 

 

 

 

 

CONHEÇA O ELENCO DE ‘O FANTASMA DA ÓPERA’

O musical “O Fantasma da Ópera” volta aos palcos brasileiros após 13 anos da sua primeira montagem. A estreia é no dia 01 de agosto no mesmo palco – antes Teatro Abril, atualmente Teatro Renault.

A história do triângulo amoroso entre uma cantora lírica, um ‘fantasma’ e um nobre é o enredo do musical criado por Andrew Lloyd Webber, baseado no romance homônimo de Gaston Leroux.

O espetáculo estreou em West End, Londres, em 1986 e dois anos após fez seu debut na Broadway, com o mesmo elenco principal: Sarah Brightman (Christine), Michael Crawford (Fantasma) e Steve Barton (Raoul).

A produção londrina é a terceira peça/musical com mais tempo em cartaz. Na Broadway é a que tem carreira mais longeva; com 9 sessões semanais (de segunda a domingo); além de ser a segunda produção com maior arrecadação. O musical já foi visto por mais de 130 milhões de pessoas, tendo sido apresentado em cerca de 24 países.

A T4F Musicais escolheu o título para sua temporada 2018/2019. Um sucesso de público também no Brasil, ficou em cartaz por dois anos (2005/2007), e que provocava engarrafamento de ônibus e carros na porta do teatro durante a entrada/saída das sessões.

Para esta montagem, foi escolhido um elenco direcionado para o canto operístico (nada mais certo afinal a ação se passa na L’Opera de Paris).

Para interpretarem o casal protagonista (Fantasma e Christine) foram escolhidos o tenor Thiago Arancam e a soprano Lina Mendes, ambos com uma carreira operística respeitada internacionalmente. Como alternantes, o tenor Leonardo Neiva, também conhecido no ramo, e Giulia Nadruz, famosa nos musicais.

Para interpretar Raoul, o Visconde de Chagny, outro ator que começou a carreira em música clássica, Fred Silveira. Inclusive, ele trabalhou na primeira montagem brasileira sendo cover de Raoul e Fantasma.

Completam o elenco principal: Bete Diva (prima donna), Cleyton Pulzi (Piangi), Taís Viera (Madame Giry), Fernanda Muniz (Meg Giry), Sandro Christopher (Monsieur Firmin) e Marcos Lanza (Monsieur Andre).

Como ensemble temos Annanda Samarine, Bianca Tadini, Diego Velloso, Douglas Tholedo, Gabriela Bueno, Gilberto Chaves, Henrique Moretzsohn, Joyce Martins, Laura Duarte, Leandro Cavalcante, Leo Diniz, Misael Santos, Natacha Wiggers, Natália Hubner, Paulo Santos, Raquel Paulin, Rodrigo Miallaret e Vandson Paiva.

No corpo de baile foram escolhidos Ariadne OkuyamaCarol PazCarol TangerinoCaru Truzzi, Isabella Morcinelli, João da Matta, Larissa Leão, Thiago Garça, Victor Vargas Yasmin Barbosa.

DIGA QUE VOCÊ JÁ ME ESQUECEU (Opinião)

Diga Que Você Já Me Esqueceu” é o novo trabalho – texto e direção – de Dan Rosseto, e está em cartaz aos sábados, às 21h30, e domingos, às 19h, no Teatro Viradalata.

Dan inspirou-se na obra de Nelson Rodrigues para escrever o texto. Considerado uma tragicomédia, estão presentes arquétipos encontrados nos textos rodrigueanos: a família, com sua organização e conflitos internos; o incesto; a traição; o assassinato como meio de lavar a honra; além do humor negro.

O texto foi construído em capítulos como parte de um folhetim, sendo que “cada cena apresenta ganchos para dar ao espectador a experiência de ter de esperar o jornal do dia seguinte para continuar a história“, afirma o autor.

O espetáculo conta a história de um casal, Sílvio e Lúcia, que no dia do casamento decide revelar seus segredos e frustrações, que estavam guardados ‘a sete chaves’.

O humor negro está presente já no prólogo. A peça começa com um cortejo nupcial, que à medida que os personagens vão entrando no palco, se transforma em uma procissão fúnebre. Isto porque, fechando o cortejo, vêm dois personagens carregando um caixão. O esquife é erguido e fica presente durante toda a história.

Nesta montagem – a terceira e definitiva – os personagens são grotescos, parecem que foram retirados de filmes de terror trash. Usam sobre seus rostos brancos, maquiagens exageradas, com figurinos com ‘ares de antigamente’. O que poderia dar errado, nas mãos da direção é um diferencial positivo da peça.

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O espetáculo traduz-se em um lindo conjunto estético, inspirados em obras de arte. “É um modelo novo de trabalhar, onde a gente – direção cênica – define a estética do espetáculo que queremos contar e estes profissionais – diretor de arte e iluminação – dão uma assinatura em cima da primeira ideia. Por isso que se percebe uma unidade tão grande destes elementos na peça” explica Dan Rosseto.

Outro ponto positivo que vale realçar é o trabalho dos atores. Um elenco bem selecionado e muito bem dirigido. Os oito atores formam uma unidade, mas alguns personagens nos saltaram mais aos olhos – Dona Querubina (Juan Manuel Tellategui), a matriarca da família; Selma (Marjorie Gerardi), uma das primas de Lúcia; e Teresa (Larissa Ferrara), a irmã de Sílvio. Ou seja, três personagens femininos que demonstram a importância e o poder feminino.

Por que você tem que ver?

Gosta de textos de – e inspirados em – Nelson Rodrigues;

Gosta do trabalho de Dan Rosseto;

O conjunto estético da montagem;

O elenco.

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Diga Que Você Já Me Esqueceu
Com Ana Clara Rotta, Daniel Morozetti, Carol Hubner, Juan Manuel Tellategui, Larissa Ferrara, Marjorie Gerardi, Nalin Junior e Pablo Diego Garcia
Coros dos vizinhos (em fotos): André Grecco, Carolina Stofella, Giovanna Marqueli, Glória Rabelo, Rodrigo Castro e Samuel Carrasco
Teatro Viradalata (Rua Apinajés 1387 – Sumaré, São Paulo)
31/03 até 27/05
Duração 105 minutos
Sábado – 21h30, Domingo – 19h
$60
Classificação 14 anos