“REMOSTRA” NA VILA MARIA ZÉLIA

A partir de 30 de setembro, o Grupo XIX de Teatro volta a apresentar as cinco peças criadas nas oficinas ministradas pelos integrantes do grupo entre fevereiro e julho, durante seu Núcleo de Pesquisas 2017.

A programação chamada Remostra traz A Palavra e o Abismo, com direção de Luiz Fernando Marques (dias 30 de setembro e 1º de outubro), In Cômodos, com direção de Juliana Sanches (também nos dias 30 de setembro e 1º de outubro), Plantar Cavalos Para Colher Sementes, com direção de Ronaldo Serruya (dias 7, 8 e 9 de outubro), Invenção Do Eu, com direção deRodolfo Amorim (dias 14 e 15 de outubro) e Feminino Abjeto, com direção de Janaina Leite (dias 4 e 5 de novembro). As sessões acontecem na Vila Maria Zélia, com ingressos pague quanto puder.

Os núcleos são coletivos formados a partir de seleções – que já chegaram a atingir o número de 600 inscritos-, que ao longo do ano e sob a orientação dos artistas do Grupo XIX de Teatro, desenvolvem pesquisas nas áreas de atuação, direção, dramaturgia, corpo e direção de arte. No total mais de mil artistas já participaram destas atividades e delas surgiram novos coletivos teatrais.

Programação dos espetáculos:

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A PALAVRA E O ABISMO

Dias 30 de setembro e 1º de outubro – Sábado e domingo às 16h.

Com orientação de Luiz Fernando Marques a partir do texto Destinos, de Paulo Emílio Salles Gomes (escrito e encenado na Vila Maria Zélia em 1936), o núcleo desenvolveu uma pesquisa que une esta dramaturgia pré-elaborada com uma dinâmica de improviso. No texto duas/dois e irmãs/irmãos discordam das questões políticas e comportamentais de seu tempo, aflitos com as escolhas, próprias e do outro,  influenciando em seus destinos.  No experimento, atrizes, atores e público se divertem entre a palavra e o abismo.

Ficha técnica:

Direção: Luiz Fernando Marques. Co-direção: Paulo Arcuri. Participantes: Alexandre Quintas, Ayiosha Avellar, Carlin Franco, Carlitos Tostes, Carol Kern, Eduardo Pires, Fernanda Stein, Joana Pegorari, Larissa Morais, Leticia Tavares, Luiz Rodrigues, Priscila Jácomo, Mariana Cordeiro Serra, Mariel Fernandes e Tatiana Vinhais. Duração: 70 minutos. Classificação etária: 16 anos. Capacidade: 24 lugares.

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IN CÔMODOS

Dias 30 de setembro e 1º de outubro  – Sábado às 19h e domingo às 20h.

Com orientação de Juliana Sanches o núcleo foi estimulado por obras de Virginia Woolf, Clarice Lispector, Susan Sontag e em escritos das próprias artistas criadoras. O experimento apresenta uma casa e suas moradoras. As paredes que limitam o espaço, o chão que as suporta e acolhe, as divisões que são impostas, e uma busca constante em ser, só ser.

 Ficha técnica:

Direção: Juliana Sanches. Assistência de direção: Evelyn Klein. Colaboradora do processo: Lucimar De Santana. Artistas criadoras: Bruna Iksalara, Camila Ferreira, Carol Andrade, Carol Gierwiatowski, Carol Vidotti, Carol Pitzer, Carolina Catelan, Caru Ramos, Elisete Santos, Ericka Leal, Gabi Gomes, Gabriela Segato, Giovana Siqueira, Ju Terra, Lidi Seabra, Natália Martins, Natasha Sonna, Patrícia Faria, Rita Damasceno, Samara Lacerda, Thaís Peixoto, Victoria Moliterno e Vivian Valente. Classificação: 16 anos. Duração: 70 minutos. Capacidade: 60 lugares.

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PLANTAR CAVALOS PARA COLHER SEMENTES

Dias 7, 8 e 9 de outubro – Sábado e domingo às 19h e segunda-feira às 20h.

Orientado por Ronaldo Serruya a performance é livremente inspirada no manifesto Falo Por Minha Diferença do ativista chileno Pedro Lemebel.  A ideia é criar uma peça-manifesto onde cada artista traduz em cena seu lugar de fala, revelando a vivência como algo que se inscreve no corpo e na carne, a experiência como discurso.

Ficha técnica:

Direção: Ronaldo Serruya. Assistência de direção: Bruno Canabarro. Participantes: Ailton Barros, Ana Vitória Prudente, Bruno Canabarro, Camila Couto, Carlos Jordão, Cristina Maluli, Gabi Costa, Gil Gobbato, Hebert Luz, Isabela Marioti, Jonathan Moreira, Mateus Menezes, Mayra Bertazzoni, Patrícia Cretti, Tatiana Ribeiro, Thaís Sanches Thiago Félix e Tomás Decina. Duração: 80 minutos. Classificação etária: 18 anos. Capacidade: 45 lugares.

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INVENÇÃO DO EU

Dias 14 e 15 de outubro – Sábado e domingo às 20h.

Necessário fazer inscrição prévia pelo Facebook.com/grupoxixdeteatro.

Com orientação de Rodolfo Amorim a proposta do núcleo foi a investigação em torno da ideia de um “eu” e de que como este pode ser revelado e/ou inventado a partir de nossas memórias. Por meio de questionários, observações, imersões, breves narrativas, entre outras experimentações, o grupo buscou desnudar-se e abrir-se para o contato com o outro, como um caminho para revelar-se a si mesmo.

O grupo formulou algumas estratégias para criar dispositivos cênicos que anseiam por fazer com que o público vivencie algumas dessas experiências e atue neste rito de descobrir e inventar quem é ou o que é este “eu” que nos define.

Ficha técnica:

Direção: Rodolfo Amorim. Participantes: Alberto Magno, Bruno Rocha, Camila Spinola, Érica Arnaldo, Fernanda Möller, Iago Índio do Brasil, Jean Le Guévellou, Julia Diniz, Kaline Barboza, Leo Braz, Manuel Fabrício, Marcella Piccin, Paula Medeiros, Paulo Maeda e Rafael Theophilo. Duração: 60 minutos. Classificação etária: 14 anos. Capacidade: Reduzida. Necessário fazer inscrição pelo Facebook.com/grupoxixdeteatro

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FEMININO ABJETO

Dias 4 e 5 de novembro – Sábado às 20h e domingo às 19h.

Com orientação de Janaina Leite, o núcleo se apoiou sobre a obra da artista espanhola Angélica Liddell e sobre o conceito de “abjeção” proposto por Julia Kristeva para investigar as representações do feminino hoje. Para essa abertura de processo, o grupo trabalhou a partir de quatro disparadores tomados de obras de Liddell: Minha Relação com a ComidaFuck You Mother,Eu Não Sou Bonita e O Que Farei Com Essa Espada?

Ficha técnica:

Direção: Janaina Leite. Assitência de direção: Tatiana Caltabiano. Dramaturgismo: Tatiana Ribeiro. Performers: Ana Laís Azanha, Bruna Betito, Cibele Bissoli, Débora Rebecchi, Emilene Gutierrez, Florido,  Gilka Verana, Juliana Piesco, Letícia Bassit, Maíra Maciel, Olívia Lagua, Ramilla Souza e Sol Faganello. Duração: 90 minutos. Classificação etária: 18 anos. Capacidade: 55 lugares.

 

Vila Maria Zélia (Rua Mário Costa 13 – Belém, São Paulo)
Acesso para deficientes físicos.
Bilheteria – Abre 1 hora antes de cada espetáculo exceto para
Invenção Do Eu que é necessário fazer inscrição prévia.
Estacionamento: gratuito.

 

CHACRINHA, O MUSICAL

Grande sucesso dos palcos em todo o país desde 2014, “Chacrinha, o musical” volta ao Rio de Janeiro, em curta temporada, em homenagem ao centenário de Abelardo Barbosa. O espetáculo marcou a volta de Stepan Nercessian ao teatro, emocionando com sua interpretação do velho guerreiro. Em cena, personagens emblemáticos do Cassino, como Russo, Elke Maravilha, Pedro de Lara, Boni e, claro, as Chacretes. Produzido pela Aventura Entretenimento, com texto de Pedro Bial e Rodrigo Nogueira, o musical conta com direção de Andrucha Waddington. “Chacrinha, o musical” reestreia dia 28 de setembro, no Teatro Riachuelo Rio.

Comandante de extravagantes concursos de calouros, responsável por revelar grandes nomes da música nacional e inventor de bordões infames, o apresentador completaria 100 anos em 2017. Para homenageá-lo, “Chacrinha, o musical” passará também pelas cidades de Ribeirão Preto (Centro de Eventos do Ribeirão Shopping), Recife (Teatro Guararapes), Campinas e Belo Horizonte (Cine Theatro Brasil).

A montagem é assinada pela Aventura Entretenimento e já foi assistida por mais de 2 milhões de pessoas no teatro e na exibição do espetáculo no Canal VIVA. As temporadas contaram com a participação especial de artistas que batiam ponto nos programas do Chacrinha, como Xuxa, Fábio Jr, Paulo Ricardo, Biafra e Wanderléa. Com texto de Pedro Bial e Rodrigo Nogueira, o espetáculo marca a primeira direção teatral de Andrucha Waddington. Com apresentação do Grupo Bradesco Seguros, “Chacrinha, o musical” tem patrocínio da Riachuelo e Avianca como transportadora oficial.

O espetáculo acompanha a trajetória do apresentador desde sua infância em Surubim, Pernambuco, até o auge da carreira na TV Globo, comandando o programa de auditório “Cassino do Chacrinha”, com espaço para as rebolativas chacretes, os trocadilhos infames, buzinadas e troféu abacaxi. Dois atores dão vida ao protagonista: Stepan Nercessian interpreta o Chacrinha consagrado no rádio e na TV, enquanto Thiago Marinho incorpora o jovem Abelardo Barbosa. Aos 63 anos, Nercessian retornou aos palcos depois de mais de 10 anos sem trabalhar no teatro. “Eu sempre disse que só voltaria se fosse para participar de um projeto muito especial. É uma atividade que requer muita dedicação, esforço e disciplina. Falei desde o início que não sou um imitador. O Chacrinha aconteceu naturalmente“, explica Stepan. Completam o elenco 18 atores-cantores-bailarinos, que vão dar vida a familiares do Velho Guerreiro e personalidades que fizeram parte da vida do apresentador como Boni (Saulo Rodrigues) e Elke Maravilha (Laura Carolinah). 

O diretor Andrucha Waddington fez sua estreia na atividade teatral depois de quase três décadas de carreira dedicada à produção cinematográfica.

A trama

O jornalista Pedro Bial foi responsável pelo primeiro tratamento do texto, a partir de extensa pesquisa de Carla Siqueira. A trama é dividida em dois atos, com espaço para episódios biográficos e momentos líricos e fantasiosos. A infância difícil com a falência do pai, o ingresso no rádio e revolução que ele promoveu na televisão brasileira são temas presentes, assim como momentos em que são revelados sua bipolaridade, autoritarismo e obsessão pelos números de audiência. “Responder a pergunta: ‘por que Chacrinha?’ é difícil. Temos que perguntar: ‘Como Chacrinha?’ . ‘Como o Abelardo inventou o Chacrinha?’ ,’Como esse sujeito inaugurou no Brasil e no mundo a comunicação de massas?’, ‘Como esse cara inventou o primeiro palhaço da televisão?’, ‘De onde ele tirou isso?’. A gente se pergunta e vai atrás das respostas durante o espetáculo“, descreve Bial. O dramaturgo Rodrigo Nogueira frisa o lado teatral que sempre marcou a carreira do apresentador. “Acho que o Chacrinha é uma das pessoas mais teatrais que eu já conheci. Ele conseguiu levar a profanação para a televisão, um ambiente que até então era careta e regido por fórmulas. O que a gente quer fazer é pegar toda essa liberdade e excentricidade e jogá-las de volta ao teatro. O público vai ter a oportunidade de viver a experiência que tinha quando assistia aos seus programas“, detalha Rodrigo. 

A trilha sonora é composta por mais de 60 canções (com medleys) consagradas na história da música nacional. Muitos desses sucessos fizeram parte do repertório do Cassino do Chacrinha e dos artistas que o comunicador ajudou a consagrar, como ‘O meu sangue ferve por você’ (Sidnei Magal), ‘O amor e o poder’ (eternizada por Rosana), ‘Tente outra vez’ (Raul Seixas), ‘Televisão’ (Titãs) e ‘Fogo e Paixão’ (Wando). “Vamos reunir músicas desde o fim dos anos 30 até meados dos 80, apresentadas nos últimos programas. Entre os musicais em que trabalhei, este é o que reúne canções com comunicação mais imediata da plateia. São obras bem populares, mas que os espectadores terão oportunidade de escutar de uma outra forma. Muitas são consideradas bregas, mas são belíssimas“, conta a diretora musical Delia Fischer. Os atores serão acompanhados por uma banda de cinco músicos.

Também fazem parte da equipe criativa o diretor de movimento  e coreógrafo Alonso Barros (Diretor e coreógrafo de ‘Se eu fosse você, o musical’), Gringo Cardia (Direção de arte e cenografia), Carlos Esteves (Desenho de som), Claudia Kopke (Figurinista – venceu o Prêmio Shell de Teatro do Rio de Janeiro na categoria figurino com o espetáculo), Paulo César Medeiros (Desenho de luz) e Marcela Altberg (Produção de elenco). 

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Chacrinha, o Musical
Com Stepan Nercessian, Thiago Marinho, Ana Elisa Schumacher, André Lemos, Diego Campagnolli, Diego Montez, Fabiana Tolentino, Hugo Kerth, Jullie, Laura Carolinah, Leonam Moraes, Nay Fernandes, Neusa Romano, Saulo Rodrigues, Saulo Segreto, Vittor Fernando, Natacha Travassos e Gabriel Demartine
Teatro Riachuelo Rio (Rua do Passeio, 38/40 – Cinelândia, Rio de Janeiro)
Duração 160 minutos
28/09 até 11/10
Quinta e Sexta – 20h30, Sábado – 20h30, Domingo – 18h
$70/$150
Classificação Livre

TESEU – UMA RAPSÓDIA DOS MOMENTOS ESQUECIDOS

Qual o nosso imaginário de sucesso? O que significa se dar bem na vida? Ser um herói? Uma banda em cena dá o ritmo da história em Teseu – Uma Rapsódia dos Momentos Esquecidos, da Companhia Babuínos de Teatro, que expõe e reflete – através do mito de Teseu – sobre nossos sonhos e nossos inevitáveis fracassos. Com direção de Fernando Nitsch e dramaturgia de Rafaela Penteado, a peça reestreia terça-feira, dia 3 de outubro, no CCSP. Ingressos a preços populares.

Os mitos, quase sempre, falam sobre questões da essência humana e, por isso, transcendem sua própria época. É possível fazer a revisitação do mito, transpondo-o para dias atuais, adaptando as circunstâncias e traçando paralelos entre os elementos originais e aqueles que os representam nos dias de hoje, criando um diálogo direto com o público. Sabendo disso, o grupo partiu da história de Teseu para criar o espetáculo.

A Cia Babuínos de Teatro leva para o CCSP o resultado de dois anos de pesquisa sobre o mito de Teseu e seu confrontamento com a atualidade. Em cena, seis atores (Bernardo Bibancos, Bruno Camargo, Caio Silviano, Fernando Sheila Racy, Rebecca Catalani e Vinícius Furquim) interpretam uma banda que tem o objetivo de viver de arte. As músicas – dirigidas por Dagoberto feliz – tem papel importantíssimo na dramaturgia e é executada ao vivo pelos atores.

A dramaturgia sobrepõe essencialmente duas camadas ficcionais: a jovem banda em processo de gravação de seu primeiro EP, que se submete às necessidades concretas da vida, em shows vazios e produção de jingles, e a história do rockstar Teseu e sua trajetória, do nascimento ao sucesso, em seus encontros com Ariadne, aqui, uma “ninfa do rock” em constante crise, os produtores Minos e Egeu, além do investidor Piteu e Pirito, um filho de Zeus que também busca a fama e o reconhecimento por sua arte – e não por sua filiação.

Cercados pelo mito de Teseu, o grupo cria um jogo ágil e direto onde cada ator pode se confrontar em cena com seus fracassos e, ainda assim, continuar sonhando. Além disso, a cia dá um recado claro e jovem – com o melhor espírito que existe na juventude –   sobre os valores do nosso tempo e mostra que nosso imaginário de sucesso não precisa ser uma estátua engessada como as dos mitos gregos.

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Teseu – Uma Rapsódia dos Momentos Esquecidos
Com Bernardo Bibancos, Bruno Camargo, Caio Silviano, Fernando Sheila Racy, Rebecca Catalani e Vinícius Furquim
Centro Cultural São Paulo – Sala Adoniran Barbosa (Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso, São Paulo)
Duração 90 minutos
03/10 até 08/11
Terça e Quarta – 20h
$20
Classificação 16 anos

FULANINHA E DONA COISA

Numa encenação não realista, dirigida por Daniel Herz e idealizada por Eduardo BarataNathalia Dill e Vilma Mello vivem, respectivamente, Fulaninha e Dona Coisa. O espetáculo faz ensaios abertos nos dias 30/09 e 01/10, e estreia dia 07/10, no Teatro Renaissance. “A possibilidade de emocionar o público dentro de uma comédia é algo quem me instiga e me interessa”, detalha o diretor.

A peça se apropria do humor, da carência, da solidão e do encontro para falar das diferenças de origem e da relação entre duas pessoas, ao mesmo tempo, tão ricas e diferentes. “Fui assistente de direção do Nanini na primeira montagem carioca, com Louise Cardoso, em 1990. Quando convidei o Daniel para dirigir, planejamos uma encenação dinâmica e divertida, com uma nova roupagem. O espetáculo mantém vários elementos de referência aos anos 90, como: telefone com fio, bip de mensagens, secretária eletrônica, entre outros. Contudo, as emoções, situações e relações são completamente atuais”, detalha o produtor e idealizador Eduardo Barata.

De um lado está Dona Coisa, uma mulher moderna, independente, que prefere manter certa distância em suas relações. Do outro está Fulaninha, uma jovem com a cabeça cheia de sonhos que chega do interior para trabalhar como empregada doméstica.

O espetáculo retrata, através do humor, as dificuldades da convivência diária entre ambas, resultado das trapalhadas de Fulaninha, que entre muitas confusões pensa que a piscina do prédio chique de Dona Coisa é um açude; se assusta com o telefone e elevador; e ainda arruma um namorado bem enrolado, um técnico de telefone interpretado por Rafael Canedo.

Apesar do estranhamento com a vida moderna, Fulaninha é muito esperta e usa a inteligência para conquistar a patroa, que só admite a empregada com muitas exigências, como dormir no local, trabalhar nos finais de semana e não namorar. Sem saber sobre seus direitos, Fulaninha acata as exigências por também gostar da patroa e aproveita para curtir a casa como se, literalmente, fosse sua, usando as roupas de Dona Coisa e comendo suas comidas preferidas.

Todos temos na vida um lado Fulaninha e um lado Dona Coisa. Brincamos com isso quando as atrizes invertem de papel no palco”, conta Herz, que traz para a encenação a questão da temática racial pensada e idealizada pelas equipes de produção e criação, desde a programação visual, que utiliza uma imagem em preto e branco das atrizes, até a iluminação, que acentua o momento de inversão por uma mudança de direção de focos.

É um dos momentos chave do espetáculo”, afirma o iluminador Renato Machado.  A cenografia de Fernando Melo da Costa, com algumas sugestões de elementos que compõe a casa de Dona Coisa, propõe um espaço de jogo cênico. O espetáculo faz com que cada espectador idealize uma casa diferente para Dona Coisa, através da imaginação.

Estar no lugar da patroa tem um significado que vai além do particular: é político e social. Falamos aqui não só do empoderamento negro, mas também da divisão de classes. O público esbarra numa comédia leve que aponta para a reconstrução de valores éticos e estéticos”, comenta Vilma Melo, primeira atriz negra a ganhar o prêmio Shell RJ (29° edição) na categoria de melhor atriz. “Quando o Eduardo me mostrou o texto, eu topei fazer na hora. A peça toca num ponto que ainda é tabu na nossa sociedade, o trabalho da empregada doméstica, que transita em uma linha tênue entre o privado e o profissional”, conta Nathalia Dill.

Como as mudanças são muito rápidas e ninguém sai de cena praticamente, resolvemos fazer uma brincadeira a partir do conceito de transformação”, conta Clívia Cohen, responsável pelos figurinos, que se transformam em múltiplos elementos e adereços de cena. “Uma hora a bolsa da Dona Coisa vira o avental de Fulaninha (símbolo da empregada doméstica), outra hora a saia vira um mantô (símbolo de poder e riqueza), então assim como a relação entre as duas vai se transformando, os figurinos seguem a mesma proposta”, conclui.  Leandro Castilho compôs vinhetas e trilhas que auxiliam nas transições de cenas. “A música contribui bastante com o humor da peça. Aproveitei ritmos bem brasileiros, como batucada de tamborim, cuíca e samba, na hora de fazer as vinhetas”, comenta Castilho.

“Em um momento em que o país passou por uma transformação nos direitos trabalhistas dos empregados domésticos, a peça aparece como uma oportunidade de falar das recentes modificações, de maneira bem-humorada, sem deixar de ser informativa. Uma peça que fala das muitas possibilidades e ambiguidades que existem numa relação entre o personagem que oprime e o que é oprimido”, finaliza o produtor Eduardo Barata.

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Fulaninha e Dona Coisa
Com Nathalia Dill, Vilma Melo e Rafael Canedo
Teatro Renaissance – Hotel Renaissance (Alameda Santos, 2233 – Jardim Paulista, São Paulo)
Duração 70 minutos
07 a 29/10
Sábado – 19h, Domingo – 20h
$100
Classificação 12 anos
 
**Ensaio aberto promocional: dias 30 de setembro e 01 de outubro com ingressos a R$ 30**

DAS RUAS, UM ORFEU DE MOCHILA

O dramático mito de Orfeu e Eurídice ganha vida nas periferias paulistanas. O herói grego entra em cena como o jovem mais desejado da região, enquanto a sua amada é uma visitante que atrairá olhares impiedosos na comunidade. Separados por um rio, eles lutarão pelo seu amor em um caminho cheio de pedras e obstáculos cruéis. É assim que a Tô Em Outra Cia. de Teatro apresenta o musical inédito “Das ruas, um Orfeu de mochila”.

O enredo original criado por Andreza Rodrigues e Thuane Campos aposta na mescla da fantasiosa mitologia grega com a dura realidade das periferias. As personagens da  narrativa de Orfeu são representadas por moradores de uma comunidade carente de São Paulo. O musical é composto por 15 músicas em tem uma hora e meia de duração.

Mais do que uma trágica história de amor, a peça tem como fundo um importante diálogo sobre as relações e o estilo de vida dos jovens que vivem em regiões mais pobres da capital. A descoberta do amor, o início da vida profissional e as relações que eles estabelecem com o tráfico, com o poder público e com a imprensa são alguns dos pontos trabalhados no espetáculo.

O texto surgiu em 2012 e foi apresentado por dois anos em periferias e no interior do Estado com o apoio do projeto Vizinho Legal, ação social da Roche Brasil na comunidade do Jaguaré, e com o patrocínio do Programa Aprendiz Comgás (PAC), iniciativa da Comgás em parceria com a Associação Cidade Escola Aprendiz.

Sinopse reduzida
Era um dia de festa. Dois amores se encontram. Orfeu e Eurídice, trazendo em suas mochilas seus encantos, músicas e alegrias. Ela com seus balões e ele com seu pandeiro encantado. Juntos encontram o amor, mas um acontecimento inesperado muda tudo. Orfeu terá que provar o quanto ama Eurídice, a “doidinha dos balões”. Texto baseado na mitologia grega (mito de Orfeu) e adaptado para os dias atuais.

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Das ruas, um Orfeu de mochila
Com Jose Paulo Rocha, Uédia Alves, Andreza Rodrigues, Bruno Gomes, Carlos Castro, Gabriel Hammer, Jorge Alves, Renan Marques, Thayna Rodrigues, Thuane Campos
Teatro Paiol Cultural (R. Amaral Gurgel, 164 – Vila Buarque, São Paulo)
02/09 até 28/10
Sábado – 19h
$30
Classificação 14 anos

NA CASA DO RIO VERMELHO – O AMOR DE ZÉLIA E JORGE

Na Casa do Rio Vermelho” – o amor de Zélia e Jorge, peça com texto e direção de  Renato Santos e interpretação de Luciana Borghi estreia em São Paulo, em curta temporada (de 29 de setembro a 28 de outubro), no Teatro Décio de Almeida Prado.

A peça estreou este ano em Salvador, no dia do aniversário de Zélia Gattai (2 de julho), no atual memorial Casa do Rio Vermelho, onde o casal de escritores viveu cerca de 40 anos. Depois seguiu em cartaz na cidade durante todo mês em ocasião do centenário da autora, fotógrafa e memorialista na Fundação Casa de Jorge Amado, no coração do Pelourinho e no próprio Memorial, aos domingos e agora chega a São Paulo para depois iniciar turnê pelo país.

Zélia Gattai é considerada uma das melhores escritoras memorialistas do país, que influenciou várias gerações de mulheres brasileiras. “Interpretar esta mulher precursora intuitiva do movimento de libertação do poder da mulher é um privilégio em minha trajetória”, diz a atriz Luciana Borghi.

A construção da peça é uma composição de fatos relatados por seus amigos e familiares, trechos de obras e entrevistas, além de uma intensa pesquisa do diretor e da atriz sobre a vida e obra de Zélia. Tudo acontece num simples momento em que Zélia vai se despedir sozinha da casa do Rio Vermelho e acaba por se transformar personagem de sua própria história. “Zélia é uma escritora memorialista e a narrativa dos seus livros é a partir de si mesma, por isso criamos uma meta atuação onde Zélia vira personagem de sua própria história”, explica Renato Santos, autor e diretor da peça.

Renato Santos optou por uma forma naturalista na encenação, um cenário intimista que conduz o espectador à sala ou à varanda da casa na Bahia, permeado pelo desenho emocional da memória de Zélia formado também por músicas de Dorival Caymmi e Vinicius de Moraes, amigos do casal.

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Na Casa do Rio Vermelho
Com Luciana Borghi 
Teatro Décio de Almeida Prado (R. Cojuba, 45 – Itaim Bibi, São Paulo)
Duração 75 minutos
29/09 até 28/10
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h
$20
Classificação 12 anos

 

O APRENDIZ DE FEITICEIRO

O Teatro J. Safra receberá, nos dias 07 e 08 de outubro, a peça finalista do Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem (antigo Prêmio Coca-Cola), “O Aprendiz de Feiticeiro”.

Protagonizada pelo ator Maurício Machado – que interpreta o Mestre Feiticeiro – e grande elenco, a dramaturgia conta a história do jovem Arthur – interpretado pelo ator Vitor Thiré – um excelente aluno e dono de grande imaginação que, por conta disso, sofre um constantebullying na escola. Jane, interpretada pela atriz Thay Bergamim, é quem o ajuda nessa aventura. O espetáculo fica em cartaz nos 07 e 08 de outubro às 16h.

Com roteiro de Antônio Calmon – responsável por vários títulos da teledramaturgia da TV Globo e que fez com este espetáculo sua estreia nacional com seu primeiro texto escrito para o teatro: “O Aprendiz de Feiticeiro” (logo depois veio “Vamp” em cartaz no Rio) com elogiada direção de Eduardo Figueiredo. No elenco, o ator Maurício Machado (recentemente na novela “A Lei do Amor”, da Rede Globo, também atuou nas novelas: “Alma Gêmea”, “Cidadão Brasileiro”, “Cama de Gato”, “Cordel Encantado” e “Chiquititas”), e nomes como: Vitor Thiré(atuou em “Malhação” na temporada 2013 e recentemente na novela “Liberdade Liberdade”) e Júlio Oliveira (fez o filme “Salve Geral” e as novelas “Ti-Ti-Ti”, “Sangue Bom” e “Os Dez Mandamentos”). Completando o elenco, Thay Bergamim (participou das novelas “Amor e Revolução” e “Patrulha Salvadora” e do sucesso teen “Julie e os Fantasmas”), os atores, Wilson FeitosaVictor Garbossa e Miguel Roque, apresentarão um espetáculo repleto de dragões, vampiros, bruxas, efeitos especiais, música, ao vivo e ilusionismo que promete prender a atenção do público com aventuras mágicas do início ao fim.

“O Aprendiz de Feiticeiro”, que foi sucesso de público e de crítica na temporada de estreia em São Paulo no CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil) em julho de 2016, permaneceu por cinco meses em cartaz, com sessões todas lotadas e filas de espera para assistir. Sucesso ainda nos 15 dias corridos de temporada no Centro Cultural Banco do Brasil de BH em Janeiro deste ano. 3 meses em cartaz no Teatro J. Safra, em São Paulo e um final de semana de sucesso no Teatro Bradesco Rio. A peça aborda questões éticas, tais como lealdade, amizade, compaixão, traição, valor humano e união, salientando elementos importantes sobre o posicionamento de cada individuo no mundo, reconhecimento de nosso lugar e ponto de vista. E um dos aspectos mais importantes: apresenta questionamentos sobre a relação mestre e aprendiz.

O texto do espetáculo é inspirado na “Der Zauberlehrling”, poema escrito por Goethe, autor e estadista alemão, em 1797. Adaptações deste mesmo conto é que deram origem ao filme “Fantasia”, de Walt Disney, mais recentemente, a saga “Harry Potter”, de J.K. Rowling e “Senhor dos Anéis”.

Além de ter sido indicada para o Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem, nas categorias melhor produção, melhor ator, melhor ator coadjuvante e melhor iluminação, a peça foi eleita no prêmio melhores do ano pelo Guia da Folha de S. Paulo como melhor espetáculo infantil de 2016.

 

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O Aprendiz de Feiticeiro
Com Maurício Machado, Vitor Thiré, Júlio Oliveira, Thay Bergamim, Wilson Feitosa, Victor Garbossa, Miguel Roque
Teatro J. Safra (Rua Josef Kryss, 318 – Parque Industrial Tomas Edson, São Paulo)
Duração 75 minutos
07 e 08/10
Sábado e Domingo – 16h
$20/$40
Classificação Livre