A VIDA EM VERMELHO – BRECHT & PIAF

Dois dos maiores artistas do século 20, a cantora francesa Edith Piaf (1915-1963) e o poeta e dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956) conversam sobre suas vidas, obras, anseios, angústias, medos, sonhos e realizações. Esse improvável encontro imaginado por Aimar Labaki em A Vida em Vermelho – Brecht & Piaf traria à tona um potente embate entre duas ideologias e visões de mundo radicalmente opostas.
 
Ela sentiu na própria pele a miséria ao longo de sua infância, conheceu as dores do amor, tornou-se uma das cantoras mais amadas da França, viveu intensamente e encontrou a solidão no fim – poderia ser uma personagem do teatro de brechtiano. Ele conceituou a tragédia do homem, revolucionou o teatro mundial e lançou um olhar profundo para as relações humanas no sistema capitalista, a mesma sociedade que a consumiu.
 
Num final de tarde, em um antigo cabaret, Bertolt e Edith ensaiam o espetáculo que apresentarão naquela noite acompanhados por três músicos. Eles interpretam suas composições e outras músicas famosas de sua época como se estivessem em uma competição. A partir de cartas, solilóquios, memórias e autocitações, Brecht coloca o homem em xeque, enquanto Piaf expõe a própria alma. 
 
Além de sua evidente qualidade artística, as canções – sempre executadas ao vivo – revelam visões de mundo bem diferentes. Por isso, mais do que competir pelo título de melhor cancioneiro, os dois artistas disputam pelo melhor modo de vida. Ao longo da encenação, esses dois universos mostram que podem coexistir.
 
O encontro é usado para evocar uma série de temas importantes tanto para o Brasil como para o mundo contemporâneo. Letícia Sabatella e Fernando Alves Pinto interpretam os protagonistas e outros personagens que vão invadindo a ação.

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A Vida em Vermelho – Brecht e Piaf
Com Letícia Sabatella e Fernando Alves Pinto 
Sesc Santo André (R. Tamarutaca, 302 – Vila Guiomar, Santo André, São Paulo)
06 a 22/10
Sexta – 21h, Sábado – 20h, Domingo – 19h
$30 ($9 – trabalhador credenciado no Sesc)
Classificação: 12 anos

NA CASA DO RIO VERMELHO – O AMOR DE ZÉLIA E JORGE

Na Casa do Rio Vermelho” – o amor de Zélia e Jorge, peça com texto e direção de  Renato Santos e interpretação de Luciana Borghi estreia em São Paulo, em curta temporada (de 29 de setembro a 28 de outubro), no Teatro Décio de Almeida Prado.

A peça estreou este ano em Salvador, no dia do aniversário de Zélia Gattai (2 de julho), no atual memorial Casa do Rio Vermelho, onde o casal de escritores viveu cerca de 40 anos. Depois seguiu em cartaz na cidade durante todo mês em ocasião do centenário da autora, fotógrafa e memorialista na Fundação Casa de Jorge Amado, no coração do Pelourinho e no próprio Memorial, aos domingos e agora chega a São Paulo para depois iniciar turnê pelo país.

Zélia Gattai é considerada uma das melhores escritoras memorialistas do país, que influenciou várias gerações de mulheres brasileiras. “Interpretar esta mulher precursora intuitiva do movimento de libertação do poder da mulher é um privilégio em minha trajetória”, diz a atriz Luciana Borghi.

A construção da peça é uma composição de fatos relatados por seus amigos e familiares, trechos de obras e entrevistas, além de uma intensa pesquisa do diretor e da atriz sobre a vida e obra de Zélia. Tudo acontece num simples momento em que Zélia vai se despedir sozinha da casa do Rio Vermelho e acaba por se transformar personagem de sua própria história. “Zélia é uma escritora memorialista e a narrativa dos seus livros é a partir de si mesma, por isso criamos uma meta atuação onde Zélia vira personagem de sua própria história”, explica Renato Santos, autor e diretor da peça.

Renato Santos optou por uma forma naturalista na encenação, um cenário intimista que conduz o espectador à sala ou à varanda da casa na Bahia, permeado pelo desenho emocional da memória de Zélia formado também por músicas de Dorival Caymmi e Vinicius de Moraes, amigos do casal.

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Na Casa do Rio Vermelho
Com Luciana Borghi 
Teatro Décio de Almeida Prado (R. Cojuba, 45 – Itaim Bibi, São Paulo)
Duração 75 minutos
29/09 até 28/10
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h
$20
Classificação 12 anos

 

SCAVENGERS

O que é preciso para um cidadão excluído sobreviver à crise das instituições? Esse é o ponto de partida de Scavengers, do dramaturgo escocês Davey Anderson, espetáculo escolhido para marcar os 15 anos de carreira da Cia. Artera de Teatro. Como esse texto exigia um diretor capaz de fazer provocações sobre a escuta de si, do outro, dos entornos e das relações em sociedade, a trupe convidou Francisco Medeiros, que tem mais de 45 anos de trajetória nos palcos. O elenco é composto pelos atores Ricardo CorrêaDavi Reis, ambos da Cia. Artera, e dos convidados Fani Feldman, Gabriela Rabelo e Rogério Brito.

A trama narra a saga de Michael Findlater, um homem em colapso financeiro que decide forjar sua morte, abandonar sua vida antiga e virar um andarilho até encontrar uma outra forma de viver. Dessa maneira, ele pretende se reinventar.

Na sociedade do consumo, as vontades individuais se sobressaem aos interesses coletivos e pequenos grupos à margem se unem como um coro de sobreviventes. O protagonista é uma metáfora para um país em crise e ao mesmo tempo a metáfora da incansável busca pela sobrevivência e pela felicidade.

A encenação de Francisco Medeiros propõe um jogo entre o épico e o dramático, ele convida o público a ajudar na construção das imagens do espetáculo. Os atores são narradores e personagens, a cena se divide em ação e narrativa e essas duas facetas muitas vezes se misturam na peça. “Essa linguagem traz o espectador para a cena, o protagonista se torna cada um de nós, o público tem a possibilidade de colocar sua imaginação e sensibilidade a favor da história”, comenta o diretor.

O título da obra (scavengers, em português, significa limpadores, catadores) é uma referência aos animais detritívoros, saprófogos ou necrógagos, que se alimentam de restos orgânicos e devolvem essa matéria reciclada para a cadeia alimentar, beneficiando outros organismos vivos. A ideia é comparar esses seres aos homens à deriva na sociedade, que precisam recolher os detritos dos demais para exprimir sua existência.

Como a peça foi escrita para a realidade escocesa, foram estabelecidos novos pontos de comparação com o contexto e os problemas brasileiros. A encenação lança um olhar sobre a cidade de São Paulo, seus excluídos, esconderijos, movimentos e sons. A poesia surge das relações dos artistas com o entorno e com as paisagens urbanas e grotescas da pobreza.

Para o trabalho dos atores, o grande desafio é incorporar o trânsito -por vezes frenético- entre os diferentes planos narrativos, muitas vezes traduzidos pela relação da fisicalidade do corpo com o espaço, outras vezes pelo uso multifacetado das potencialidades vocais.”, comenta Francisco Medeiros.

Já o cenário de Basquiat contém, desde a movimentação de uma estrutura de ferro e madeira a cargo do elenco, até outros planos narrativos que buscam tirar o máximo proveito da arquitetura do palco da Sala Jardel Filho. Os figurinos assinados por Cy Teixeira, e a luz de Fran Barros foram também concebidos como uma sobreposição de ” camadas”, diferentes texturas que ora se acumulam , ora se devassam para revelar interiores.

O universo sonoro tem um papel relevante como suporte para a escritura cênica e será operado ao vivo pelo seu criador, Tiago de Melo.

O espetáculo foi contemplado na 5ª edição do Prêmio Zé Renato de apoio à produção e desenvolvimento da atividade teatral para a cidade de São Paulo.

SINOPSE

Michael Findlater é um homem em colapso e falido, uma metáfora para a crise institucional de um país. Arruinado, ele decide dar uma pausa em sua vida para se reinventar e transforma-se em um andarilho. O protagonista tentar compreender como as suas desventuras estão relacionadas aos mecanismos perversos das instituições sociais. O nome da peça é uma referência aos animais detritívoros, sapófagos ou necrófagos, que se alimentam de restos orgânicos, devolvendo-os reciclados para a cadeia alimentar de modo que outros organismos vivos possam se beneficiar dessas substâncias.

 

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Scavengers
Com Ricardo Corrêa, Davi Reis, Fani Feldman, Gabriela Rabelo e Rogério Brito.
Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho (Rua Vergueiro, 1.000, Paraíso, São Paulo)
Duração 80 minutos
29/09 até 05/11
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 20h
$20
Classificação 12 anos

CASA! DEPOIS ME CONTA

A comédia Casa! Depois me conta, com texto e direção de Roberto Bento, reestreia junto ao novo teatro BTC, na Vila Mariana, em temporada de 22 de setembro a 27 de outubro de 2017.

A comédia de situação, apresenta o cotidiano comum de qualquer cidadão , interpretada por 2 atores em 6 personagens (Roberto Bento e Amanda Blanco) que interpretam universos, vontades e talentos diferentes, mostrando que a condição social nem sempre traz a solução para os problemas diários.

O final pode ser bem surpreendente, ou não! rs

O autor e diretor Roberto Bento: extensa participação em comerciais. Na TV fez participações nas novelas A Força do Querer, Malhação, Avenida Brasil e dos humorísticos Zorra Total, Caras de Pau e Programa do Didi.

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Casa! Depois me conta  
Com Roberto Bento e Amanda Blanco
Teatro B.T.C (Rua Santa Cruz , 2501 Vila Mariana – São Paulo)
Duração 80 minutos
22/09 até 27/10
Sexta – 21h30
$60
Classificação 12 anos

 

HEBE, O MUSICAL

Da infância humilde em Taubaté, no interior de São Paulo, ao posto de rainha da televisão brasileira, Hebe Camargo ganha um musical, baseado na biografa escrita por Arthur Xexéo e com direção de Miguel Falabella, que conta sua escalada profissional e os amores que passaram por sua vida. Embalado pelas canções que marcaram sua carreira de cantora, o espetáculo atravessa oito décadas nas quais, muitas vezes, os caminhos de Hebe e da TV no Brasil se confundem.

Com 21 atores em cena, orquestra composta por 09 músicos e mais de 30 técnicos envolvidos, a própria Hebe recebe o público que vai ao Teatro Procópio Ferreira e o convida a conhecer a sua história. A proposta é que o público acompanhe a grade de uma programação de TV típica dos anos 60. Nela, a garota-propaganda (Giovana Zotti) se atrapalha com os comerciais ao vivo e Leonor (Brenda Nadler), uma fã de Hebe Camargo, responde sobre a vida de seu ídolo ao peculiar apresentador de um programa de perguntas e respostas, Belo Garrido (Daniel Caldini). É através do conhecimento desta fã que a plateia acompanha o caminho da artista, que será interpretada por Carol Costa, na juventude, e Débora Reis, na vida adulta.

A relação de Hebe com os pais Fêgo Camargo (Carlos Leça) e Ester Camargo (Clarty Galvão), sua participação em programas de calouros e sua experiência de cantar no rádio formando conjuntos vocais com as primas Maria (Keka Quarterone) e Helena (Mari Saraiva), assim como com a irmã Stela (Fefa Moreira) também farão parte do enredo. As muitas amigas de Hebe são representadas por duas figuras bastante conhecidas do público: a também cantora Lolita Rodrigues (Renata Ricci), que Hebe conheceu ainda adolescente e de quem foi próxima a vida inteira, e Nair Bello (Renata Brás), com quem desfrutava noites de carteado e francas conversas regadas a gargalhadas. Ao lado de Lolita, vemos Hebe como cantora de boate num hotel do centro de São Paulo e sua participação na inauguração da primeira estação brasileira de TV.

A peça mostra o namoro de Hebe com o boxeador americano Joe Louis (Renato Caetano) e sua relação complicada, escondida do grande público, com o empresário Luís Ramos (Frederico Reuter). Paralelamente, acompanhamos o sucesso que ela alcança como apresentadora da TV Paulista, emissora onde chega a comandar seis programas semanais simultaneamente.

Seguem-se seu primeiro casamento, com o comerciante Décio Capuano (Guilherme Magon), o nascimento de seu único filho, Marcello (Adriano Tunes), e sua contratação pela TV Record, onde apresenta por oito anos o mais popular programa de entrevistas dos anos 60: uma atração que leva seu nome e que, por um bom tempo, foi campeã de audiência nas noites de domingo.

O musical registra também a separação de Décio, a rápida passagem pela TV Tupi, o trauma que a fez parar de cantar, os encontros hilários com Amâncio Mazzaroppi (Adriano Tunes) e Ronald Golias (Fernando Marianno), a carinhosa amizade com o cantor Agnaldo Rayol (Rodrigo Garcia/Frederico Reuter) e a união com o importador Lélio Ravagnani (Dino Fernandez), com quem viveu por 27 anos. Vemos Hebe tornar-se porta-voz da luta contra a corrupção em Brasília no programa que apresentou no SBT durante 24 anos e onde transformou em tradição o “selinho” que dava em seus convidados preferidos.

Com coreografias de Fernanda Chamma, direção musical de Daniel Rocha e e preparação vocal Guilherme Terra, que também será o maestro, Hebe – O musical traça a trajetória pessoal e profissional da mais carismática das apresentadoras de TV no Brasil e, por isso mesmo, a mais popular.

A Produção é assinada por Luiz Oscar NiemeyerJulio Cesar Figueiredo Junior, Claudio Pessuti e Luis Henrique Ramalho.

Vendas começam a partir de 15 de Setembro.

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Hebe, o Musical
Com Adriano Tunes, Brenda Nadler, Carlos Leça, Carol Costa, Clarty Galvão, Daniel Caldini, Debora Reis, Dino Fernandez, Fefa Moreira, Fernando Marianno, Frederico Reuter, Giovana Zotti, Guilherme Magon, Keka Quarterone, Mari Saraiva, Maysa Mundim, Renata Bras, Renata Ricci, Renato Bellini, Renato Caetano e Rodrigo Garcia
Teatro Procópio Ferreira (Rua Augusta, 2.823 – Jardins, São Paulo)
Duração 140 minutos
12/10 até 17/12
Quinta e Sexta – 21h, Sábado – 17h e 21h, Domingo – 18h
$50/$190
Classificação 12 anos
 

1 MELHOR QUE O OUTRO

Eles vão disputar a simpatia do público com o que sabem fazer de melhor. Marcinho Eiras toca duas guitarras ao mesmo tempo, Mauricio Dollenz faz números inusitados de mágica e mentalismo, Dinho Machado canta sobre relacionamentos amorosos e Paulinho Serra satiriza questões do seu cotidiano. Juntos, os parceiros de palco estreiam o show de humor 1 Melhor Que o Outro no Teatro MorumbiShopping dia 6 de setembro, quarta-feira, às 21 horas.

Cada comediante terá quinze minutos para registrar sua marca com o público e provar que é melhor do que o companheiro a se apresentar na sequência. “São quatro humoristas de universos bem diferentes mostrando o que têm de mais interessante em cena”, sintetiza Paulinho Serra, ressaltando que a competição não passa de uma brincadeira para promover um encontro de humor com o público. Paulinho irá vestir sua camisa de carioca e contar piadas sobre o período que morou no Rio de Janeiro, destacando as primeiras empreitadas como ator e comediante por lá.

O guitarrista Marcinho Eiras diz que rola uma afinidade grande entre os quatro no palco e que cada um se garante. Brincalhão, descobriu que suas apresentações encaixam-se no rótulo stand-up e agora investe na comédia. Empunhando duas guitarras que toca ao mesmo tempo, com pegada jazzista, o número de Marcinho ilustra casos do cotidiano com músicas. “Ele se intitula o melhor, o cara“, diz o artista sobre o espírito provocativo de seu personagem.

O mágico Maurício Dollenz entra e sai do palco durante o espetáculo, “um pouco como o garçom Alex, do Programa do Jô”, diz, explicando como será o formato de sua apresentação. “Vou fazer a plateia rir com números de mentalismo, quando adivinho o que passa na cabeça das pessoas“, adianta o artista chileno radicado no Brasil desde 2013.

Dinho Machado prefere surpreender a cada sessão. A surpresa, inclusive, é um prato cheio para o artista, que também é ator. “Na atuação profissional nós temos que pensar em cada atitude do personagem, já no humor tudo é imprevisível e vamos sentindo o retorno da plateia na hora”, conta. Conhecido por cantar músicas satíricas sobre relacionamentos amorosos, garante com esse recurso – normalmente ao ritmo de pop e sertanejo – um dos pontos altos das suas apresentações. “Canto sobre as três etapas: a de quem está procurando por um relacionamento, quem está em um e quem acabou de sair”, fala Dinho.

Todos os artistas já trabalharam juntos antes, seja participando dos shows dos colegas ou se encontrando em turnês pelo Brasil. Paulinho e Dinho, que se conhecem há pelo menos quinze anos, chegaram a se apresentar no mesmo período no Japão. A temporada do show de humor no Teatro MorumbiShopping vai até dia 22 de novembro e, repleto de improviso e diversão, é feito para se ver mais de uma vez.

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1 Melhor Que o Outro
Com Dinho Machado, Marcinho Eiras, Mauricio Dollenz e Paulinho Serra
Teatro MorumbiShopping (Av. Roque Petroni Junior, 1089 – Jardim das Acácias, São Paulo)
Duração 70 minutos
06/09 até 22/11
Quarta – 21h
$60
Classificação 12 anos

 

SUASSUNA – O AUTO DO REINO DO SOL (OPINIÃO)

No tabuleiro da vida, dentro da caixa escura mágica, Luis Vasconcelos transformou em poesia os sonhos de Bráulio Tavares, que bebeu das águas de Ariano Suassuna…

Suassuna – O Auto do Reino do Sol” é o novo trabalho da companhia teatral “Barca dos Corações Partidos“. Não é um espetáculo biográfico, mas sim, uma homenagem ao poeta e a comemoração dos seus 90 anos, caso estivesse vivo.

O sertão não virou mar, nem vice-versa, mas ocupou o teatro com toda sua mitologia e simbolismo particular, retratada pelo poeta em suas obras. Estão presentes personagens de outras obras do homenageado; o homem sertanejo, a comédia, os casos amorosos, a briga entre famílias poderosas, além da figura dos palhaços frustados (como o próprio Suassuna se denominava) e de Nossa Senhora.

A história é simples, assim como os textos de Suassuna. É um Auto – termo surgido na Idade Média em Portugal para definir as peças teatrais apresentadas primeiramente em igrejas, para depois tomar conta das feiras populares. Tem uma curta duração e com conteúdo simbólico, onde os personagens são entidades abstratas, de caráter religioso ou moral (o pecado, a luxúria, a bondade, a virtude, entre outros).

Conta a viagem de uma trupe circense pelo sertão paraibano em direção a Taperoá, cidade onde fica a fazenda dos Suassuna, para apresentar um espetáculo em sua homenagem. Só que no trajeto, acabam se perdendo e vão parar no vale ‘O Soturno’, uma região dominada por duas famílias inimigas e poderosas – os Fortunato  e os Moraes. E para piorar a rixa, os jovens Iracema Moraes e Lucas Fortunato se apaixonam e resolvem fugir do sertão com o circo.

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Nossa Opinião

Nesta montagem, sob direção de Luis Vasconcelos, quem se sobressai são os atores. O diretor consegue destacar as qualidades de cada um, e com isso, todos tenham seus momentos principais.

Mas não tem como não destacar os personagens feitos por Adrén Alves nos papéis de Sultana, a dona do circo, e da matriarca da família Fortunato; bem como os palhaços de  Eduardo Rios e Renato Luciano, que interpretam seus Dom Quixote e Sancho Pança no picadeiro.

O cenário é uma caixa teatral preta, com um tabuleiro ao centro, por onde os personagens caminham por suas casas. E por onde também navega um barca em forma de carroça, que leva a trupe circense – e seus instrumentos musicais – pelo sertão nordestino.

Destaque também para as canções autorais e inéditas de Chico César, Beto Lemos e Alfredo Del Penho; os figurinos de Kika Lopes e Heloisa Stockles; e a iluminação criada por Renato Machado, para mostrar desde o sertão nordestino às nuances da trama.

“Suassuna – o Auto do Reino do Sol” tem que ser vista!

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A Barca dos Corações Partidos

A companhia é formada por Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Beto Lemos, Fábio Enriquez, Eduardo Rios, Renato Luciano e Ricca Barros. Como atores e músicos convidados para este musical, temos Rebeca Jamir, Chris Mourão e Pedro Aune.

O grupo teve como padrinho outro expoente do Teatro Brasileiro – João Falcão, que os reuniu em “Gonzagão, a Lenda” (2012) e logo depois em “Ópera do Malandro” (2014).

Depois foi hora de trilhar os caminhos com suas próprias pernas. Veio “Auê” (2015), que segundo o dicionário, é sinônimo de farra, tumulto, confusão causado por uma algazarra. Foi isso que o grupo fez nos palcos, apresentando 21 canções autorais e inéditas, num espetáculo de dança, teatro, performance e música. E em 2017, “Suassuna – o Auto do Reino do Sol“.

O reconhecimento do trabalho da Barca dos Corações Partidos veio tanto por parte do povo (que lota as suas apresentações e tem paixão pela companhia teatral – nós, inclusive) como pela crítica especializada. Só no Prêmio Reverência deste ano (prêmio que reconhece os melhores do Teatro Musical Brasileiro), a companhia recebeu 17 indicações, sendo 10 por ‘Suassuna’ e 7 por ‘Auê’. No Prêmio Bibi Ferreira, outro voltado para espetáculos musicais, ‘Auê’ tem 10 indicações (‘Suassuna’ só estreou em São Paulo após a divulgação das indicações).

Viva a cultura popular brasileira! Viva Ariano Suassuna!

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elenco e criativos – Luis Vasconcelos (diretor), Bráulio Tavares (autor), Chico César (diretor musical) e Andrea Alves (produtora)

Suassuna – o Auto do Reino do Sol
Com a Cia. Barca dos Corações Partidos: Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Beto Lemos, Fábio Enriquez, Eduardo Rios, Renato Luciano e Ricca Barros. Atriz convidada: Rebeca Jamir. Artistas convidados: Chris Mourão e Pedro Aune
SESC Vila Mariana (R. Pelotas, 141 – Vila Mariana, São Paulo )
Duração 120 minutos
24/08 até 01/10
Sexta e Sábado – 21h; Domingo e Feriado – 18h
$40 ($12 trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculados no Sesc e dependentes/Credencial Plena).
Classificação 12 anos