O diretor paulistano Zé Henrique de Paula (vencedor dos prêmios Shell, APCA, Reverência, Aplauso Brasil e Arte Qualidade Brasil) dirige a primeira adaptação teatral brasileira para Dogville, obra-prima do cineasta dinamarquês Lars Von Trier.

O elenco é formado por Mel Lisboa, Eric Lenate, Fábio Assunção, Bianca Byington, Marcelo Villas Boas, Anna Toledo, Rodrigo Caetano, Gustavo Trestini, Fernanda Thurann, Thalles Cabral, Chris Couto, Blota Filho, Munir Pedrosa, Selma Egrei, Dudu Ejchel e Fernanda Couto.

A trama se passa na fictícia cidade de Dogville, uma pequena e obscura cidade situada no topo de uma cadeia montanhosa, ao fim de uma estrada sem saída, onde residem poucas famílias formadas por pessoas aparentemente bondosas e acolhedoras, embora vivam em precárias condições de vida. A pacata rotina dos moradores daquele vilarejo é abalada pela chegada inesperada de Grace (Mel Lisboa), uma forasteira misteriosa que procura abrigo para se esconder de um bando de gangsteres.

Recebida por Tom Edison Jr. (Rodrigo Caetano), que, comovido pela sua situação, convence os outros moradores a acolhe-la na cidade, Grace, apesar de afirmar nunca ter trabalhado na vida, decide oferecer seus serviços para as famílias da Dogville em agradecimento pela sua generosidade. Porém, no decorrer da trama, um jogo perverso se instaura entre os moradores da cidade e a bela forasteira: quanto mais ela se doa e expõe a sua fragilidade e a sua bondade, mais os cidadãos de bem exigem e abusam dela, levando a situação a extremos inimagináveis.

A obra faz uma crítica mordaz ao mundo contemporâneo e à sociedade de consumo por meio de uma radiografia precisa da alma humana. “São situações reais e muito próximas de nós, que colocam uma lente de aumento na alma do ser humano. É como se não acreditássemos que aquelas pessoas fossem capazes de explorar essa mulher de forma tão cruel. O filme discute questões muito atuais como a xenofobia, a intolerância e põe em cheque a máxima do sistema capitalista onde, para se obter lucros exorbitantes, é preciso explorar ao máximo o outro, por vezes de formas desumanas”, revela o produtor e idealizador da peça Felipe Lima.

Para o diretor Zé Henrique de Paula, é desafiador transformar o filme de Lars Von Trier em uma peça porque a obra já evoca essa estrutura teatral. “Acho que o filme é uma referência muito forte, é icônico e sinônimo de Lars Von Trier e daquela linguagem mais teatral. Adotamos o caminho inverso: na peça flertamos com a linguagem cinematográfica, utilizando não somente projeções e videomapping, mas também projetando cenas filmadas ao vivo durante o espetáculo. Como se não bastasse, ainda há os desafios da própria narrativa – o caminho rumo à nossa sombra, nosso lado escuro, nossos sentimentos mais negativos e mesquinhos. Trabalhar isso com os atores envolve muita energia e desprendimento por parte de todo o elenco e equipe”, revela.

Além da linguagem cinematográfica, a montagem flerta com estéticas importantes do teatro e do teatro físico, como de Tadeusz Kantor, Pina Bausch e Dimitris Papaioannou. “A ideia é explorar a secura do texto, a aridez da cidade e a precariedade dos personagens de forma a trazer isso também para o corpo dos atores e os elementos de encenação”, diz o diretor.

CARMEN

Dogville

Com Mel Lisboa, Eric Lenate, Fábio Assunção, Bianca Byington, Marcelo Villas Boas, Anna Toledo, Rodrigo Caetano, Gustavo Trestini, Fernanda Thurann, Thalles Cabral, Chris Couto, Blota Filho, Munir Pedrosa, Selma Egrei, Dudu Ejchel e Fernanda Couto

Teatro Clara Nunes – Shopping da Gávea (R. Marquês de São Vicente, 52 – Gávea, Rio de Janeiro)

Duração 120 minutos

02/11 até 16/12

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 20h

$50/$100

Classificação 16 anos

ELZA

A partir do dia 18 de outubro, o Sesc Pinheiros recebe a estreia paulista do musical Elza, celebrando a figura e trajetória da cantora Elza Soares. Com apresentações de quinta a domingo no Teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros, a temporada fica em cartaz até dia 18 de novembro de 2018.

No palco, Larissa Luz, convidada para a montagem, e as multifacetadas atrizes JanamôJúlia DiasKésia EstácioKhrystalLaís Lacorte e Verônica Bonfim evocam a figura de Elza Soares e personificam a trajetória da cantora carioca.

elza-o-musical.jpg

Em cena, elas se dividem ao viver Elza Soares em suas mais diversas fases e interpretam outros personagens, como os familiares e amigos da cantora, além de personalidades marcantes, como Ary Barroso (1903-1964), apresentador do programa onde se apresentou pela primeira vez, e Garrincha (1933-1983), que protagonizou com ela um notório relacionamento.

Com texto inédito de Vinícius Calderoni e direção de Duda Maia, o espetáculo tem a direção musical de Pedro LuísLarissa Luz e Antônia Adnet. Além disso, o maestro Letieres Leite, da Orquestra Rumpilezz, foi o responsável pelos novos arranjos para clássicos do repertório da cantora, tais como LamaO Meu GuriA Carne e Se Acaso Você Chegasse. O projeto foi idealizado por Andrea Alves, da Sarau Agência, a partir de um convite da própria Elza e de seus produtores Juliano Almeida e Pedro Loureiro.

Ainda que muitos dos conhecidos episódios da vida da homenageada estejam no palco, a estrutura de Elza foge do formato convencional das biografias musicais. Se os personagens podem ser vividos por várias atrizes ao mesmo tempo, a estrutura do texto também não é necessariamente cronológica. Da mesma forma que músicas recentes (A Mulher do Fim do Mundo, a emblemática A Carne e Maria da Vila Matilde) se embaralham aos sucessos das mais de seis décadas de carreira da cantora, como Se Acaso Você ChegasseLamaMalandroLata D’Água e Cadeira Vazia.

Marcada por uma série de tragédias pessoais – a morte dos filhos e de Garrincha, a violência doméstica e a intolerância –, a jornada de Elza é contada com alegria.

A Elza me disse: ‘sou muito alegre, viva, debochada. Não vai me fazer um musical triste, tem que ter alegria’. Isso foi ótimo, achei importante fazer o espetáculo a partir deste encontro, pois assim me deu base para saber como Elza se via e como ela gostaria de ser retratada”, conta Vinicius Calderoni, que leu e assistiu a infindáveis entrevistas que a cantora deu ao longo da vida e também pesquisou a obra de pensadoras negras, como Angela Davis e Conceição Evaristo, cujos fragmentos de textos aparecem na peça.

CARMEN

O espetáculo foi desenvolvido ao longo de um período em que Elza se encontra no auge de uma carreira marcada por reviravoltas e renascimentos. Ao lançar seus últimos dois discos, A Mulher do Fim do Mundo (2015) e Deus é Mulher (2018), a cantora não somente ampliou ainda mais seu repertório e sua base de fãs, como conquistou, mais uma vez, a crítica internacional, e se consolidou como uma das principais vozes da mulher negra brasileira.

Vinícius Calderoni, autor do texto, chama a atenção para a coletividade presente em todo o processo de criação da montagem. Após ter escrito as primeiras páginas, ele começou a frequentar os ensaios e estabeleceu um rico intercâmbio com Duda Maia e as sete atrizes. ‘Hoje poderia dizer que elas são coautoras e colaboradoras do texto. São sete atrizes negras e múltiplas, como a Elza é. Diante da responsabilidade enorme, eu estabeleci limites de fala para mim, por exemplo, em relação a alguns temas. Limitei a minha voz e disse que não escreveria nada, queria os relatos delas e as opiniões. Pedi a colaboração delas, das experiências vividas por uma mulher negra. Do mesmo jeito que a Duda propôs muitas coisas, as atrizes também tiveram este espaço’, conta o dramaturgo.

Tal processo colaborativo se estendeu para a música, com a participação ativa das atrizes e das musicistas nos ensaios com os diretores musicais, e o maestro Letieres Leite, que liderou algumas oficinas com o grupo no período dos ensaios. O processo gerou ainda duas canções inéditas que estão na peça: Ogum, de Pedro Luís, e Rap da Vila Vintém, de Larissa Luz. Se a escolha de Pedro Luís para a função foi referendada pela própria Elza – que gravou e escolheu um verso do compositor para nomear seu último disco –, Larissa Luz já estava envolvida com o projeto desde o seu embrião.

Abaixo, uma matéria feita pelo canal Curta! com a atriz Larissa Luz, que faz parte do musical.

Elza

Com Janamô, Júlia Dias, Késia Estácio, Khrystal, Laís Lacôrte, Verônica Bonfim e a atriz convidada Larissa Luz. (*nos dias 8, 10, 17 e 18/Nov, Larissa Luz será substituída pela atriz Bia Ferreira)

Teatro Paulo Autran – SESC Pinheiros (R. Pais Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo)

Duração 120 minutos

18/10 até 18/11

Quinta, Sexta, Sábado – 21h, Domingo e Feriado – 18h

$50 ($15 – credencial plena)

Classificação 14 anos

COBRA NA GELADEIRA

Depois de estrear no Centro Cultural São Paulo (CCSP), a versão de Marco Antônio Pâmio para Cobra na Geladeira, do canadense Brad Fraser, reestreia no Teatro Viradalata, no dia 6 de outubro. O espetáculo segue em cartaz até 25 de novembro, com apresentações aos sábados, às 21h30, e aos domingos, as 18h30.

Esta e a segunda montagem de Pâmio – vencedor do prêmio APCA 2014 pela direção da peça Assim É (Se lhe parece) – para uma obra do dramaturgo canadense; a primeira foi a peça Pobre Super Homem.

Inédito no Brasil, o texto relata a vida e relações de nove personagens, a maioria deles vivendo em uma casa antiga e misteriosa caindo aos pedaços, que serve como república. Produto do mundo contemporâneo, brutalmente desumanizado e dominado pelo consumismo, eles beiram o universo da vida noturna e da indústria do sexo, através de comportamentos insanos e descontrolados.

A partir de temas como o consumismo descontrolado, a dependência química, a autocobrança dos jovens para corresponder às exigências sociais, o uso da internet na propagação de conteúdo adulto, o racismo, o abuso sexual, entre outros, o texto traça um panorama ácido e ao mesmo tempo bem-humorado sobre a sociedade contemporânea e seus valores em transformação.

A encenação explora a linguagem cinematográfica, assim como o texto original, para dar conta das mais de 100 cenas de Fraser, que têm rápidos saltos no tempo/espaço, cortes secos e diálogos curtos, diretos e sarcásticos.

Outra característica da obra é sua capacidade de deixar a plateia ser conduzida por uma espécie de montanha russa, ao percorrer caminhos eletrizantes e sem chance de volta no seu percurso tortuoso. O objetivo é fazer com que o espectador se sinta dentro da Casa, que pode ser considerada a protagonista da peça, onde habitam e convivem esses personagens. “Minhas peças são sobre pessoas que estão tentando criar famílias e sobre a grande dificuldade de se fazer isso”, diz Fraser. Vale citar que a “cobra na geladeira” do título também se torna uma habitante da Casa e elemento-chave da história.

Com poucos elementos realistas no cenário, a montagem privilegia o trabalho do ator, à medida que todas as decisões e emoções acontecem no próprio texto. Já a iluminação tem a proposta de marcar as transições de lugar e de tempo em cada cena.

Sem temer provocar progressistas ou conservadores, a peça não se perde em sentimentalismos e relata pessoas solitárias na sua busca desesperada por alguma forma de afeto.

CARMEN.png

Cobra na Geladeira

Com Esdras de Lúcia, Felipe Hofstatter, Gustavo Moura, Juliane Arguello, Lui Vizotto, Marina Possebon, Regina Maria Remencius, Rodrigo Basso, Tailine Ribeiro

Teatro Viradalata (Rua Apinajés, 1387 – Sumaré, São Paulo)

Duração 120 minutos

06/10 até 25/11

Sábado – 21h30, Domingo – 18h30

$30

Classificação 16 anos

SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO

Após sucesso no Teatro Riachuelo, o espetáculo “Sonho de Uma Noite de Verão”, estreia curta temporada dia 20 de setembro, no Serrador. A peça, realizada pelo Centro de Estudos e Formação em Teatro Musical (CEFTEM), é uma adaptação inédita da clássica comédia de Shakespeare, com músicas originais.

O musical tem direção de João Fonseca, direção musical de Tony Lucchesi e direção de movimento de Bella Mac, e ficará em cartaz de 20 a 29 de setembro, de quinta a sábado, às 19h30.

Sinopse: Às vésperas do casamento do Duque de Atenas, um casal de apaixonados (Hérmia e Lisandro) adentra a mata para tentar escapar de um destino terrível. Também entram Demétrio, apaixonado por Hérmia, e Helena, apaixonada por Demétrio. O caos está instalado na floresta por causa de uma disputa ciumenta entre os deuses Titãnia e Oberon, que não conseguem controlar os espíritos da floresta, e seu líder, Puck. Feitiços são lançados e os jovens apaixonados acabam se encantando pelas pessoas erradas, numa noite de perseguições amorosas confusas e cansativas. Nesta mesma floresta, uma trupe de atores amadores ensaia uma lamentável comédia de muito mal gosto para apresentar no casório que se dará em breve. Um deles é arrastado para o caos dos feitiços, quando é transformado em burro por Puck, e capturado pela rainha das fadas, que se apaixona profundamente por suas orelhas peludas. Em uma noite que mais parece um sonho, o amor é feitiço e todos vivem experiências misteriosas e memoráveis.

CARMEN (1)

Sonho de uma Noite de Verão – O Musical

Com Alina Cunha, Anderson Rosa, Caio Lisboa, Carol Groetaers, Clara Equi, Gabriel Lara, Hamilton Dias, Julia de Aquino, Luiz Filipe Carvalho, Maria Clara Cristóvão, Mateus Penna Firme, Milene Cauzin, Rhuan Santos, Sidarta Senna, Vitor Louzada

Teatro Serrador (R. Sen. Dantas, 13 – Centro, Rio de Janeiro)

Duração 120 minutos

20 a 29/09

Quinta, Sexta, Sábado – 19h30

$40

Classificação 12 anos

ANATOL

Grupo Tapa segue com nova temporada de Anatol, do dramaturgo e médico austríaco Arthur Schnitzler (1862-1931), de 7 a 30 de setembro, no Teatro Paulo Eiró.

Com direção de Eduardo Tolentino de Araujo e tradução feita especificamente para a encenação, a peça, publicada em 1882, é o primeiro texto teatral escrito pelo polêmico autor vienense, que flertava com as ideias do psicanalista Sigmund Freud sobre a sexualidade humana. Pouco conhecido no Brasil, Schnitzler também é autor de La Ronde (“A Ciranda”), que foi censurada em 1903 por causa de seu conteúdo erótico – semelhante ao de Anatol.

Dividida em seis curtos episódios, com diálogos carregados de humor ácido, a peça traça as aventuras e desventuras de um Don Juan moderno em sua busca incessante de prazer em relações desprovidas de afeto. Em cada história, Anatol e seu cúmplice Max (uma espécie de duplo do protagonista) têm amantes diferentes – burguesas, atrizes, prostitutas e costureiras –, sem fazer distinção de idade, classe social ou estado civil.

Em uma época de moral sexual bastante elástica e liberação feminina, essas mulheres não são mocinhas frágeis e inocentes da literatura do século 19, mas sim donas da própria vida sexual. Em sua diversidade, elas revelam a vulnerabilidade do homem moderno em sua falsa crença de domínio e supremacia.

Tendo como pano de fundo a efervescência artística e intelectual de Viena na virada do século 19, ambiente que forjou o conceito de modernidade e revolucionou a vida cultural europeia do século 20. Apaixonado pela psiquiatria, Schnitzler disseca com bisturi o comportamento masculino diante de suas parceiras, seus medos e suas perplexidades.

Arthur Schnitzler

O austríaco Arthur Schnitzler (1862-1931) foi médico e dramaturgo e fez grande sucesso em seu tempo, sobretudo nos países de língua alemã. Sua obra dialoga com as ideias de Sigmund Freud (1856-1939), o pai da psicanálise, que considerava o autor como seu alter ego. Em uma carta para Schnitzler, Freud escreve: “Creio que a sua natureza é a de um profundo investigador da alma, tão honestamente imparcial e intrépido como nenhum outro jamais foi”.

Sua peça mais popular é La Ronde (“A Ciranda”), cuja publicação, em 1903, gerou reações enfurecidas por seu conteúdo erótico e foi censurada e taxada como pornográfica. Uma adaptação cinematográfica da obra, com direção do alemão Max Olphus, foi responsável pela popularização do autor no ocidente. O filme, indicado ao Oscar de melhor roteiro em 1952, ganhou o prêmio da mesma categoria no Festival de Veneza em 1950.

Ainda mais recentemente, em 1999, o filme De Olhos Bem Fechados (“Eyes Wide Shut”), de Stanley Kubrick, com Tom Cruise e Nicole Kidman no elenco e com roteiro baseado em um conto de Schnitzler, estimulou a curiosidade por sua obra. Foi o último filme dirigido por Kubrick, que morreu antes mesmo do lançamento.

Independência feminina, antissemitismo, promiscuidade das relações são alguns dos temas abordados pela sua dramaturgia, que justificam o retorno de suas peças ao repertório dos teatros europeus. Outras obras de Schnitzler, já publicadas no Brasil, são Senhorita Else, Contos de Amor e Morte, Retorno de Casanova, Retorno de amor e morte, Breve romance de sonho, O Caminho para a liberdade, História de um sonho, Relações e solidão, A menina Eise. Cotovia, Cacatua Verde e Senhora Beate e seu filho.

CARMEN.png

Anatol

Com Adriano Bedin, Antoniela Canto, Ariel Cannal, Athena Beal, Bruno Barchesi, Camila Czerkes, Cinthya Hussey, Isabella Lemos e Natalía Moço.

Teatro Paulo Eiró (Avenida Adolfo Pinheiro, 765 – Santo Amaro, São Paulo)

Duração 120 minutos

07 a 30/09

Sexta e Sábado – 21h, Domigo – 19h

$20

Classificação 14 anos

GLITTER COMEDY – NOITE DE TESTE

Nova noite paulistana para velhos e novos comediantes, “Glitter Comedy” surgiu para trazer diversidade as noites de comédia onde o MC é uma Drag Queen. Rodrigo Habermann da vida a Willy Drag, que já participou de programas de tv e em parceria com a página “Menino Gay” foram os vencedores do desafio Unaids 2018, atuando também com animação e Stand Up Comedy em diversos eventos. A noite de humor será no coração da diversidade de São Paulo, praça Roosevelt que tem ótima localização e fácil acesso para todos os públicos no Bambolina Bar.

Os personagens das noites sempre são uma surpresa, sempre pensando na diversidade humorística, cada um deles irá trazer sua visão para fatos do cotidiano de forma espontânea e cada um com sua particularidade, “Glitter Comedy” tem os mais diversos ingredientes que vai contagiar e tirar muitas risadas da plateia.

Indiscretissimos4.png

Glitter Comedy – noite de teste

Com Willy Drag

Bambolina Bar (Praça Franklin Roosevelt, 124 – Consolação, São Paulo)

Duração 120 minutos

21/08 até 27/11 (sessões quinzenais)

Terça – 20h

$5

Classificação 18 anos

A VISITA DA VELHA SENHORA

Encenar a Visita depois de A Alma Boa e Galileu é quase como finalizar uma trilogia” – diz Denise Fraga.  “A trilogia de nosso eterno dilema entre a ética e o ganha pão.”

Em A Alma Boa de Setsuan, de Bertolt Brecht, espetáculo visto por mais de 220.000 pessoas, entre os anos de 2008 e 2010, a personagem principal perguntava: Como posso ser boa se eu tenho que pagar o aluguel? Como posso ser bom e sobreviver no mundo competitivo em que vivemos?

Em Galileu Galilei, também de Brecht, espetáculo que esteve um ano e oito meses em cartaz e foi visto por mais de 140.000 pessoas, o tema é revisitado: Como posso ser fiel ao que penso sem sucumbir ao poder econômico e político vigente? Como manter meus ideais comprando meu vinho bom?

Agora chega A Visita da Velha Senhora, nova parceria e patrocínio do Banco Bradesco, com 13 atores em cena, em que Friedrich Dürrenmatt expõe a fragilidade de nossos valores morais e de nossa noção de justiça quando a palavra é dinheiro. A protagonista da peça é quase a encarnação mítica do poder material, a milionária Claire Zachanassian, vivida por Denise Fraga, que com seu bilhão põe em xeque a cidade de Güllen.

O enredo é aparentemente simples. Os cidadãos de Güllen, uma cidade arruinada, esperam ansiosos a chegada da milionária que prometeu salvá-los da falência. No jantar de boas-vindas, Claire Zachanassian impõe a condição: doará um bilhão à cidade se alguém matar Alfred Krank, o homem por quem foi apaixonada na juventude e que a abandonou grávida por um casamento de interesse. Ouve-se um clamor de indignação e todos rejeitam a absurda proposta.  Claire, então, decide esperar, hospedando-se com seu séquito no hotel da cidade.

A partir dessa premissa, o suiço Friedrich Dürrenmatt nos premia com uma obra-prima da dramaturgia, construindo uma rede de cenas que se entrelaçam, cheias de humor e ironia, um desfile de personagens humanos e reconhecíveis que pouco a pouco, vão escancarando a nossa fragilidade diante do grande regente de nossas vidas: o dinheiro. Quem mata Krank?  Cairá Güllen na tentação de satisfazer o desejo de vingança da milionária?  Ou fará justiça?  O que é fazer justiça?  Até que ponto a linha ética se molda ao poder dinheiro?

Dürrenmatt caracteriza A Visita da Velha Senhora como uma comédia trágica e com seu humor cáustico nos pergunta: Até onde nos vendemos para poder comprar? Como o poder e o dinheiro vão descaracterizando os nossos ideais?   Por outro lado, quanto nos custa a não submissão?  O texto se desenrola abrindo ainda outros ramos de reflexão.  Dürrenmatt era completamente obcecado pela questão da justiça e as sutilezas de suas fronteiras. O que é justo? O que significa justiça em nossos tempos? Até que ponto o valor moral da justiça se adequa ao poder?  Reconhecível no Brasil nos dias de hoje? A Visita da Velha Senhora expõe questões que sempre estiveram em pauta na história da humanidade, mas que caem como uma luva em nossos tão tristes tempos.

Acredito no poder de transformação pela arte. Na formação do indivíduo pela arte. O teatro como espelho do mundo, nos fazendo rir para nos reconhecer, dando voz a nossa angústia, dando palavras àquilo que pensamos e não sabemos dizer. O humor e a poesia nos ajudando a elaborar o pensamento para agir, para transformar, para viver criativamente, para por a mão da massa da nossa história”, afirma Denise Fraga. “Depois de dois anos e meio de A Alma Boa de Setsuan, de Bertolt Brecht, e um ano e meio de Galileu Galilei, do mesmo gênio alemão, sou mais uma vez surpreendida pela potente atualidade de um clássico. Não foi por acaso que cheguei a Dürrenmatt. Foi discípulo, bebeu em Brecht. Lá está o mesmo fino humor, a mesma ironia e teatralidade. Dürrenmatt também se faz valer do entretenimento para arrebatar o público para a reflexão”.

É natural finalizar tal “trilogia” com a obra máxima de Dürrenmatt. Como Brecht, Dürrenmatt é mestre em dissecar as relações de poder e os conflitos morais em suas obras, em questionar o papel do herói e a sua necessidade para uma sociedade justa, em fazer uso do humor para gerar reflexão. Nas três peças: Alma Boa, Galileu Galilei e A Visita da Velha Senhora, tudo isso está explícito. A diferença é que Brecht prefere desconstruir as ilusões de que nos alimentamos e propor uma possível transformação, enquanto Dürrenmatt as mantém vivas e ri delas por serem apenas isso: ilusões, enganos pelos quais lutamos e sempre lutaremos.

CARMEN.png

A Visita da Velha Senhora

Com Denise Fraga, Tuca Andrada, Fábio Herford, Romis Ferreira, Eduardo Estrela, Maristela Chelala, Renato Caldas, Beto Matos, David Taiyu, Luiz Ramalho, Fernando Neves, Fábio Nassar e Rafael Faustino

Teatro Sergio Cardoso – Sala Sérgio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153. Bela Vista, São Paulo)

Duração 120 minutos

03/08 até 30/09

Sexta – 21h, Sábado – 17h e 21h, Domingo – 18h

$40/$80

Classificação 14 anos

*Todas as sessões de agosto às 17h terão disponíveis: áudio descrição e intérprete em libras*