70? DÉCADA DO DIVINO MARAVILHOSO – DOC. MUSICAL

Depois do sucesso arrebatador de ‘60! Década de Arromba – Doc.Musical’, que apresentou Wanderléa à frente do elenco e foi assistido por mais de 100 mil espectadores em todo Brasil, estreia no dia 15, no Theatro Net Rio, o aguardado espetáculo ‘70? Década do Divino Maravilhoso – Doc. Musical’, mais uma produção que faz parte da tetralogia do idealizador, produtor e diretor geral Frederico Reder e do roteirista, dramaturgo e pesquisador Marcos Nauer.  Desta vez, a dupla leva para o palco momentos marcantes dos anos 1970 em diversas esferas: acontecimentos da política, moda, comportamento, esportes e artes em geral são embalados por mais de

250 sucessos das músicas brasileira e internacional, divididos em duas partes, como num disco de vinil, em lado A (1970-1976) e lado B (1977-1979). De forma cronológica, depoimentos, fotografias e vídeos vão desfilar no grande telão que tomará conta do centro do palco nesta superprodução, apresentada pelo Circuito Cultural Bradesco Seguros, que conta com 24 jovens talentos, uma orquestra de dez músicos, 20 cenários, 300 figurinos, toneladas de luz e som, e mais de 100 profissionais dedicados a criar o espetáculo.

As Frenéticas Dhu Moraes, Leiloca Neves e Sandra Pêra são as três cerejas do musical, no bloco dedicado à febre das discotecas, fenômeno que estourou nas pistas de todo o mundo há exatos 40 anos, inclusive no Brasil, por meio da novela ‘Dancin’ Days’, de Gilberto Braga. “Símbolos de uma época”, como define Nelson Motta, as Frenéticas, que foram descobertas pelo jornalista e produtor musical em 1976, estouraram em todo o Brasil com a música “Perigosa”, de autoria dele em parceria com Rita Lee e Roberto de Carvalho.

O grupo de seis amigas (Leiloca, Sandra Pêra, Lidoca, Edyr, Dhu Moraes e Regina Chaves), que se reuniram na boate Frenetic Dancing Days, como garçonetes, logo largaram as bandejas e se transformaram em um dos maiores fenômenos da música brasileira. Estamparam a capa das principais revistas, lançaram clássicos instantâneos como o tema da novela homônima e ditaram moda. Elas abriram as asas, soltaram as feras e transgrediram em um Brasil que onde se confrontavam censura, liberdade de expressão, feminismo e empoderamento. Esses temas continuam atuais e são abordados na montagem, que segue o bem-sucedido gênero criado por Reder e Nauer em ‘60! Década de Arromba’, o Doc.Musical.  “Reunimos teatro, documentário e música. Este formato me permitiu unir tudo isso e ainda propor um novo olhar para a forma de se fazer um espetáculo musical”, vibra o diretor. “O doc.musical não apresenta a biografia de nenhum artista, porque o olhar está no coletivo, no grupo, numa época, portanto, é de fato, a música a grande protagonista”, explica Nauer.

O título do musical traz uma interrogação porque propõe questionamentos sobre as dualidades do período. “Uma década de incertezas”, como conceitua Cid Moreira em uma das retrospectivas apresentadas em projeção dentro do espetáculo.  Em toda a América Latina, a ditadura apertava o cerco, a censura era cada vez mais intensa, a liberdade, cerceada. E a arte surgiu exatamente como uma possibilidade de redenção. “Os anos 70 mostraram vários caminhos possíveis por meio da arte, da música e da dança. E em todos eles era preciso ser forte para sonhar com um mundo novo e melhor”, pondera Nauer. “Foram anos de muita luta e força. Há canções que captam essa aura, mas há também muitas outras de muita beleza e aquela explosão de alegria com o surgimento da disco music”, acrescenta Reder.

Na grande timeline do musical, outros movimentos, como o tropicalismo, o glam rock, o punk e o reggae serão revisitados com suas mais emblemáticas canções. De Novos Baianos (“A Menina Dança”) a David Bowie (“Starman”), Raul Seixas (“Há Dez Mil Anos Atrás”) a Led Zeppelin (“Stairway to Heaven”), Mutantes (“Top Top”) a Queen (“Bohemian Rapsody”), Caetano Veloso (“Sampa”) a Donna Summer (“Last Dance”), e Bob Marley (“No Woman, No Cry”) a Sex Pistols (“Anarchy in the UK”), os números não vão apresentar atores personificando os ícones da época. Os sentimentos que essas músicas emanam é que vão ditar as ações e coreografias assinadas por Victor Maia, que também cuida da direção de movimento. “70? Década do Divino Maravilhoso – Doc.Musical”, que chega agora ao palco do Theatro Net Rio, não se furta de narrar esse momentos polêmicos, mas é, sobretudo, uma ode à superação, à beleza, à alegria, à capacidade criativa de um povo que jamais se deixa abater. “É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte”, como diz a emblemática canção-título de Caetano e Gil. Podemos e merecemos ser felizes.

Além de Frederico Reder e Marcos Nauer, o espetáculo ainda traz outros nomes de peso, como o do figurinista Bruno Perlatto, o iluminador Césio Lima, o diretor musical Jules Vandystadt, a cenógrafa Natália Lana e diretora de produção Maria Siman. Uma ficha técnica que promete mais décadas brilhantes, rumo aos 80, 90 e quem sabe muito mais.

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70? Década do Divino Maravilhoso – Doc. Musical

Com Amanda Döring, Amaury Soares, Aquiles Nascimento, Barbara Ferr, Bruno Boer, Camila Braunna, Debora Pinheiro, Diego Martins, Erika Affonso, Fernanda Biancamano, Larissa Landim, Laura Braga, Leandro Massaferri, Leilane Teles, Leo Araujo, Nando Motta, Pedro Navarro, Pedro Roldan, Rany Hilston, Rodrigo Morura, Rodrigo Naice, Rodrigo Serphan, Rosana Chayin, Tauã Delmiro

Participação especial das Frenéticas: Dhu Moares, Leiloca Neves e Sandra Pêra

Duração 150 minutos

Classificação 14 anos

Theatro Net Rio – Sala Tereza Rachel (Rua Siqueira Campos, 143 – Copacabana, Rio de Janeiro)

15/11 até 16/12

Quinta e Sexta – 20h30, Sábado – 17h e 21h, Domingo – 18h

$45/$220

Theatro Net SP – Shopping Vila Olímpia (Rua Olimpíadas, 360 – Itaim Bibi, São Paulo)

14/03 até 02/06/19

Quinta e Sexta – 20h30, Sábado – 17h e 21h, Domingo – 17h

$45/$220

SUPER MOÇA

Baseado em histórias reais, a atriz Izabella Van Hecke dá vida à atrapalhada aeromoça Pérola, que, ao completar 25 anos de aviação e finalmente se aposenta, podendo agora retomar o sonho de adolescente, ser atriz.

Para esta realização junta suas economias  e aluga um teatro para montar um clássico grego: Jocasta. Mas louca como é, resolve inovar e arriscar na busca do tão sonhado prêmio Shell, trocando Édipo por Hamlet, e para mostrar todo seu potencial como atriz dramática, Pérola faz sua Jocasta ser paraplégica e com problemas auditivos.

Sem perceber, nossa aeromoça vai se distraindo do seu clássico e acaba contando inúmeras histórias ocorridas dentro dos seus voos, com classe de pessoas que ela mais tem pavor na vida: Os passageiros.

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Super Moça

Com Izabella Van Hecke

Teatro Municipal Café Pequeno (Av. Ataulfo de Paiva 269, Leblon, Rio de Janeiro)

Duração 60 minutos

08 a 29/11

Quinta – 22h30

$40

Classificação 14 anos

LOUCA TERAPIA

Guto e Will se conhecem e pouco tempo depois decidem morar juntos. Por terem vidas muito diferentes e comportamentos opostos logo surgem problemas na relação, então sem contar um para o outro eles decidem procurar terapia alternativa e acabam caindo nas mãos de dois farsantes que de terapeutas não tem nada. Os picaretas Jhon e Miguel ao invés de resolver as questões da relação acabam deixando o casal tão louco quanto eles.

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Louca Terapia

Com Filipe Bertini, Ivo Ueter, Kainan Ferraz e Thiago Mantovani

Teatro Ruth Escobar – Sala Gil Vicente (Rua dos Ingleses, 209 – Bela Vista, São Paulo)

Duração 90 minutos

25/10 até 29/11

Quinta – 21h

$50

Classificação 14 anos

JORNADA DE UM IMBECIL ATÉ O ENTENDIMENTO

Montada apenas três vezes, todas dirigidas pelo saudoso João das Neves (1935-2018), a peça Jornada de um Imbecil até o Entendimento, de Plínio Marcos (1935-1999), ganha nova encenação, com direção de Helio Cicero. O espetáculo estreia no dia 9 de novembro, sexta-feira, às 21h, no Centro Cultural São Paulo (CCSP) – Espaço Cênico Ademar Guerra, e segue em cartaz até 16 de dezembro. O elenco é formado por Jairo Mattos, Fernando Trauer, Fernanda Viacava, Rogério Brito e Douglas Simon, além do próprio diretor.

A comedia circense narra as articulações e malandragens de seis vagabundos – Mandrião, Teco, Manduca, Popô, Pilico e Totoca – que sobrevivem pedindo dinheiro nas ruas e becos de uma cidade grande. Apenas Mandrião e Pilico têm chapéus para pedir esmolas, sendo que o primeiro com a ajuda do Teco, uma espécie de secretário, contrata – ou praticamente escraviza – os demais pedintes, respaldados por uma falsa crença criada por um deles.

Mandrião e Teco armam um plano para acabar com Pilico, porque eles descobrem que o concorrente estaria tentando trazer os outros pedintes para seu lado. No meio dessa disputa, os empregados Manduca, Popô e Totoca analisam as vantagens que vão ganhar ao se aliar a cada um desses dois lados.

A encenação caracteriza todos os personagens como palhaços e explora a linguagem do realismo fantástico. “Esta é uma forma de homenagear Plínio Marcos, porque, antes de mais nada, ele era um palhaço. A linguagem clownesca está na estrutura do texto, com as características clássicas do universo clown, no qual as duplas aparecem com suas figuras típicas e referências. A opção pelo realismo fantástico do diretor Helio Cicero foi feita porque a única forma de contar essa história é através da poesia, já que a realidade é tão crua e dura e se supera a cada dia”, revela o ator e idealizador do espetáculo Fernando Trauer.

Ainda segundo Trauer, a ideia de montar o espetáculo surgiu quando leu o texto publicado na Coleção Plinio Marcos, Obras Teatrais, de Alcir Pécora. “A linguagem do Teatro do Absurdo; as referências explícitas a Esperando Godot [de Samuel Beckett], Ionesco e Brecht; a atualidade de um texto de 50 anos, que reflete o momento político no qual vivemos, nos níveis político, social, econômico e jurídico; e o fato de a peça fugir muito das tradicionais características conhecidas do Plínio são motivos que me despertaram o interesse”, diz.

A própria realidade brasileira atual serviu como fonte de inspiração. “As referências são diárias sobretudo em época de eleições: a história recente do país, os conchavos políticos, o Poder Judiciário, a dominação religiosa, a nossa São Paulo brasileira de tanta miscigenação, sujeira e belezas misturadas, a pobreza e as riquezas antagônicas. Além disso, adotamos a palhaçaria com suas referências clássicas, o universo do artista das ruas e a análise do indivíduo social e suas mazelas e belezas que o fazem humano”, comenta Trauer.

A montagem é ambientada em uma estação de trem abandonada, com trilhos disformes que levam a diferentes caminhos – esta é uma forma de homenagear João das Neves e seu maior espetáculo, O Último Carro. “O porão do Centro Cultural São Paulo contribui para a estrutura cenográfica, criando uma atmosfera de desolação, na qual a reutilização é palavra de ordem nos trilhos de uma estação de trem abandonada, cujas direções levam e trazem a lugares que foram ou poderiam ter sido alternativas. Com forte influência de Banksy, retrataremos um pouco das ruas e da realidade que nos cerca”, esclarece o diretor Helio Cicero.

Assim como o cenário também criado pela Luiza Curvo, os figurinos estão sendo confeccionados com materiais recicláveis como plástico, cápsulas de café, retalhos de tecidos e sobras do mercado industrial, em contraponto aos trajes sociais dos cinco estagiários oriundos do Projeto Vocacional da Prefeitura Municipal de São Paulo, que além de receberem o público, interferirão nas cenas. A Iluminação de André Lemes segue o mesmo conceito, com o uso alternativo de fontes de luz criando o efeito necessário do realismo fantástico. As músicas sob direção de Dagoberto Feliz serão cantadas pelos atores e pelo coro de estagiários, proporcionando uma partitura contemporânea ao texto do Plínio”, acrescenta o encenador.

Indicada ao Prêmio Molière em 1968, a montagem icônica de João das Neves para a obra aconteceu no teatro Opinião, no Rio de Janeiro, com Milton Gonçalves, Ary Fontoura, José Wilker, Denoy de Oliveira, Jorge Cândido e Teca Calazans no elenco. As outras duas encenações ocorreram em 1969, no Teatro Maria Della Costa, em São Paulo, e em 1970, no Teatro Arena, em Porto Alegre.

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Mesa de debates

O espetáculo é uma atração do projeto Plínio Marcos, uma Realidade da São Paulo Brasileira, que ainda prevê bate-papos e ciclo de leituras. Uma mesa redonda (em data a ser definida) vai contar com participação de Maria Thereza Vargas, Alcir Pécora, Oswaldo Mendes e Kiko Barros.

Na ocasião, também acontece o lançamento do documentário Jornada de um Imbecil, 50 anos de Entendimento, que comemora a primeira montagem da peça de Plínio MarcosA peça de 1968, tinha Milton Gonçalves, Ary Fontoura, José Wilker, Denoy de Oliveira, Jorge Cândido e Teca Calazans, no elenco. O filme também marca a última entrevista dada pelo diretor João das Neves.

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Jornada de um Imbecil até o Entendimento

Com Jairo Mattos, Fernando Trauer, Fernanda Viacava, Rogério Brito, Douglas Simon e Helio Cicero e Luiza Curvo

Centro Cultural São Paulo – Espaço Cênico Ademar Guerra (Rua Vergueiro, 100 – Paraíso, São Paulo)

Duração 130 minutos

09/11 até 16/12

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 20h

$30

Classificação 14 anos

MESA PARA CINCO

Cinco amigos de infância sentados em um bar, calor do fim de tarde, happy hour, um bate-papo sobre a vida, trabalho, relacionamentos. Esse é o clima de Mesa Para Cinco, comédia com dramaturgia e direção de Gabriela Lemos, que estreia no dia 3 de novembro no foyer do Espaço Cia da Revista. A temporada será sempre, sábados e domingo, às 18h, até 2 de dezembro. As sessões de sábado contam com pocket show especial no final.

Na trama, uns amigos se reúnem pra animar Julio, que acaba de sair de um relacionamento longo depois de uma brutal traição.  Nessa mesa de bar, os cinco falam sobre suas vidas, seus relacionamentos e empregos. Suas personalidades e caráter vão se revelando na medida em que suas opiniões, controversas ou não, vão sendo expostas. Cada personagem revela uma fragilidade que aos poucos vai abalando a convivência e inflando os ânimos. Diante desse cenário, uma novidade específica da vida amorosa de Augusto, instaura o caos. Nenhum dos cinco sai ileso desse encontro no bar. Todos têm alguma ferida exposta e polemizada pelo grupo.

A montagem se passa em uma mesa de bar, tipicamente paulistana. Os personagens trazem características comuns do grupo ao qual pertencem e ao revelarem – orgulhosos e ignorantes- suas falhas morais, ironicamente transparecem também suas vulnerabilidades e fraquezas”, conta Gabriela Lemos.

Cadeiras e mesas vão transformar o foyer do Espaço Cia da Revista em um verdadeiro bar da cidade, um clima intimista que vai deixar o público praticamente dentro da história do espetáculo. Um dos pilares é a fácil identificação de cada personagem existente, todo mundo conhece ou vai conhecer algum dos cinco rapazes daquela mesa. O público se relaciona com eles como se coexistissem em um desses happy hours de São Paulo.

É a união da qualidade artística com entretenimento, feita com pesquisa em todas as camadas que envolvem a peça. É um lazer com reflexão. Para ser algo prazeroso não precisa ser raso”, enfatiza a diretora.

Além dos cinco, existe outra figura habitando o universo desse bar. Servindo a mesa, está uma drag queen extremamente glamorosa e bem montada. Sua presença acompanha indiferente as atrocidades proferidas por aqueles clientes, e tem como objetivo diferenciar essa situação da realidade, fazer resistência e ironizar a postura do tipo ali presente, e do ambiente carregado de uma masculinidade bronca e defasada.

Os personagens habitam um universo de “monstros urbanos” presentes no dia a dia. Quando paramos para ouvir e pensar criticamente sobre seus discursos, nos chocamos com a sua existência (antes despercebida no meio do cotidiano).

Mesa Para Cinco é um projeto que evidencia a parceria de Gabriela Lemos e Yorran Furtado.  Ambos foram realizadores de outras montagens como Oração Para Um Pé De Chinelo (Texto de Plínio Marcos) e a comedia Nem Romeu, Nem Julieta. A última trazia um outro lado para o clássico de Shakespeare, Romeu e Julieta, ao focar na história sob o ponto de vista de Rosalina, prima de Julieta Capuleto e o primeiro amor de Romeu Montéquio. 

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Mesa Para Cinco

Com Alexandre Menezes, Luis Gustavo Bricks, Mateus Menoni, Rafael Augusto de Carvalho, Thiago Albanese e Yorran Furtado

Espaço Cia da Revista (Alameda Nothmann, 1135 – Santa Cecilia, São Paulo)

Duração 60 minutos

03/11 até 02/12

Sábado e Domingo – 18h

$40

Classificação 14 anos

GALO ÍNDIO

Espetáculo solo de Rodolfo Amorim, do Grupo XIX de Teatro, com a direção de Antônio JanuzelliGalo Índio ganha temporada na Vila Maria Zéliade 13 de outubro a  11 de novembro, com sessões aos sábados, 20h e domingo, às 19h.

O solo mostra um órfão, que tenta retratar o seu pai ausente a partir de poucos fragmentos que se alojaram em sua memória. Na busca pelos contornos desse pai, sua própria infância emerge de sua memória e demonstra o quanto esse vazio foi determinante na construção da sua forma de ver e interagir com a vida. Um encontro entre pai e filho. Entre um adulto e sua criança.

Galo Índio remonta as lembranças do ator e autor Rodolfo Amorim em relação a morte de seu pai e o silêncio criado em torno desse fato na sua infância em Sorocaba. O ator  pesquisou sobre a memória e as possibilidades de exploração da multiplicidade e transformações de uma narrativa. Entrevistas, relatos de pessoas próximas desse acontecimento e documentos, foram os materiais provocadores na construção desse retrato.

Nesse jogo de rememoração, incomoda mais ao órfão sua necessidade de pensar o pai, feita de dificuldades, imprecisões e faltas, do que propriamente a morte em si. Sua forma de enterrar o pai e compreender sua partida é desvelar as palavras que o encobrem. Assim, na tentativa de traduzi-lo, o confessor nos leva ao mundo invisível de sua história: à medida que precisa aliviar o fardo de sua criança e desse pai.

Pensamos um procedimento que investigue e discuta não só o ato de estar só em cena, mas sobretudo, de utilizar a própria história do ator/narrador, em seus limites de interprete e confessor. Fazendo da fricção entre um fragmento do real e o imaginado, um meio de encontrar ecos com o público em sua materialidade cênica,” explica Rodolfo Amorim.

Em uma trajetória pelo passado com ecos no presente, a peça reconstitui a personalidade de um pai conservado e inventado no silêncio dos anos. A busca de detalhes para esse retrato, somada à dificuldade de traduzir em palavras as lembranças que restam de alguém que se foi, resulta nessa peça autobiográfica sobre a perda de um pai, conectada com as atuais formas de autorrepresentação e autoficcionalização.

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Galo Índio

Com Rodolfo Amorim

Vila Maria Zélia (Rua Mário Costa 13 – entre as ruas Cachoeira e dos Prazeres – Belém, São Paulo)

Duração 60 minutos

13/10 até 11/11

Sábado – 20h, Domingo – 19h

$40

Classificação 14 anos

SEU SILÊNCIO É UM BARULHO DO INFERNO

Inspirado em uma história realo espetáculo SEU SILÊNCIO É UM BARULHO DO INFERNO estreia dia 6 de outubro, sábado, às 21h, no TEATRO HANGAR. Texto inédito de Alberto Guiraldelli, peça é inspirada no caso de dois rapazes de 20 e 16 anos que foram forçados a saltar de um trem em movimento por um grupo de três skinheads em Mogi das Cruzes, em 2003. Com direção de Mônica Granndo, montagem da Cia do Ator Careca aborda questões relacionadas ao universo jovem.

Eu acompanhei bastante o caso e especialmente os comentários de pessoas na internet sobre o ocorrido. O que me fez pensar muito sobre esse fato foi que era composto de jovens que viviam de certa forma em um mesmo mundo. Eram todos de periferia, viajando em um trem, e que se encontraram por puro acaso. E esse encontro mudou tudo de forma radical para ambos os lados”, afirma o autor Alberto Guiraldelli.

Escrita em 2004, SEU SILÊNCIO É UM BARULHO DO INFERNO se passa na virada dos anos 80/90 e mostra dois grupos de personagens. Um grupo de jovens estudantes de um colégio técnico que se encontram em um domingo como outro qualquer depois de um show de rock. Primeiro emprego, sexualidade, relações familiares, amizades, ideologias, são temas presentes na peça, tendo como recortes os medos, as dúvidas, os anseios, as esperanças e os arroubos típicos da juventude.

Fugindo de uma abordagem documental, a dramaturgia procura ir além da simplificação que insiste em congelar a essências desses jovens no papel de vítimas ou agressores. O que existe é uma exploração das relações sociais e familiares em cada um dos personagens através da linguagem e das inseguranças próprias do adolescente. O episódio do trem descarrilha o futuro na linha da vida de cada um desses jovens.

A linguagem da encenação é contemporânea, apesar da peça ser ambientada na década de 80, trazendo expressões linguísticas da época. A concepção cênica define-se com os figurinos, músicas e objetos do período em que se passa a encenação. A luz desempenha um papel fundamental na montagem, pois por meio do jogo de luzes observam-se os recortes de cena que remetem às linhas de ação temporal, que não é contínua e acontece em dois tempos”, declara a diretora Mônica Granndo.

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Seu Silêncio é um Barulho do Inferno

Com Geovanna Portante, Luiz Hirschmann, Luciana Brunelli, Marcela Arruda, Marcelo Bosco, Mario Cesar, Pedro Pó, Rebeca Desan e Rogério Pérez

Teatro Hangar (Rua Conselheiro Brotero, 305 – Barra Funda, São Paulo)

Duração 75 minutos

06/10 até 11/11

Sábado – 21h, Domingo – 19h30

$40

Classificação 14 anos