70 ANOS DO TBC

Duas leituras cênicas muito especiais vão reunir mais de 30 artistas, entre atores, diretores e técnicos, no aniversário de São Paulo, dia 25, no Auditório da Biblioteca Mário de Andrade, para comemorar também os 70 anos do TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), completados em outubro último e lembrados em premiação recente da APCA.

As leituras serão precedidas de contextualizações históricas e de projeções de fotos, às 14h, apresentadas pela ATBC, sobre as montagens originais no célebre teatro do Bixiga.

Seis horas seguidas, a partir das 14h, serão dedicadas a dois dos maiores diretores do TBC em sua época áurea: o polonês Ziembinski e o paulista Flávio Rangel, com espetáculos emblemáticos que dirigiram, sucessos de crítica e público: “Volpone”, de Ben Jonson, em adaptação de Stefan Zweig; e “A Semente” de Gianfranceso Guarnieri, respectivamente.

A primeira leitura, às 14h30, é de VOLPONE, do autor inglês (elisabetano) BEN JONSON (1572-1637), em adaptação do escritor austríaco Stefan Zweig, com direção de JOHANA ALBUQUERQUE que presta especial homenagem ao diretor Ziembinski e à montagem TBC de 1955. No elenco: Daniel Alvim, Luciano Gatti, Joca Andreazza, Élcio Nogueira Seixas, Cacá Toledo e atores da Cia. Bendita Trupe.

 VOLPONE (termo emprestado da língua italiana, que significa “raposa velha”) foi adaptado em 1925 por Stefan Zweig, o escritor austríaco que viria a se exilar no Brasil durante a 2ª Guerra Mundial. Sua versão serviu como base a muitas das adaptações ocidentais modernas, fazendo muito sucesso na França e na Alemanha. Chegou em 1955 ao TBC por Ziembinski, o ator e diretor polonês que também veio para o Brasil fugido da guerra, em 1940.

Décio de Almeida Prado, crítico que ajudou a formar o público do TBC, assim descreve o texto: “‘Voltore’, ‘Corvino’, ‘Corbaccio – Ben Jonson não teria reunido assim esse bando de aves de rapina se não pretendesse escrever a mais estranha e inesperada das comédias: a comédia da morte”.

A trama é verdadeiramente diabólica: o usurário Volpone é um especialista na arrecadação de riquezas e, para mais amealhar, cria uma armadilha: finge estar agonizante e diverte-se com o desfile de bajuladores que, na expectativa de serem contemplados em seu testamento, o cumulam de favores e se prestam a todas as humilhações.

A montagem, de 1955, elevou Ziembinski a um dos mais prestigiados diretores dentro da cia, como também, foi a revelação de Walmor Chagas como um dos protagonistas do conjunto. De alguma forma, Volpone representou o sucesso e a superação cômica de fatos dramáticos que vinham ocorrendo dentro do TBC: o começo da debandada de suas estrelas, com a saída de Tônia Carrero e Paulo Autran para formarem sua própria companhia; além de um incêndio que destruíra parte das instalações do teatro, assim como o cenário da peça, antes da estreia.

A leitura que encerra as comemorações é de A SEMENTE, de Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006), às 17h,montada em 1961 no TBC.

“A Semente”, que Guarnieri considerava seu melhor texto teatral, marcou uma ocupação do prédio do TBC pelo diretor e pelo elenco, quando, em meio aos ensaios, o empresário Franco Zampari comunicou ao elenco que a legenda TBC estava encerrada. Os atores dormiram no prédio até conseguirem diversos apoios – do governo do Estado, de empresas e da Comissão Estadual de Teatro, bem como dos teatrólogos Décio de Almeida Prado e Alfredo Mesquita, que permitiram o TBC continuar por mais três anos. Foi um esforço conjunto da classe teatral para manterem atividades e mostrarem a peça, que detém um dos processos de censura mais volumosos e extensos do teatro brasileiro, por tratar de organização política e greves operárias e das muitas vezes conturbadas relações dos trabalhadores com o proscrito Partido Comunista Brasileiro. O espetáculo foi liberado diretamente pelo presidente Jânio Quadros, mas depois entravado de novo pela Censura Federal, até ser aprovado para maiores com algumas modificações.

A direção de “A Semente” é de CIBELE FORJAZ (diretora da Cia. Livre de SP, professora no Departamento de Teatro da ECA-USP). A leitura também marca os trinta anos de morte do diretor paulista Flávio Rangel (1934-1988). No elenco estarão Celso Frateschi, Denise Fraga, Lúcia Romano e atores e atrizes colaboradores da Cia. Livre.

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70 Anos do TBC – Leitura Cênica

Auditório da Biblioteca Mário de Andrade (R. da Consolação, 94 – República, São Paulo)

25/01

Sexta – Volpone (14h30) e A Semente (17h)

Grátis, com senhas distribuídas uma hora antes de cada espetáculo.

Classificação 14 anos

Volpone

Com Daniel Alvim, Luciano Gatti, Joca Andreazza, Sérgio Pardal, Elcio Nogueira Seixas, Vera Bonilha, Johana Albuquerque, Cacá Toledo, Luciano Schwab

A Semente

Com Atores-criadores da Cia. Livre e convidados:Adriano Salhab, Elcio Nogueira (à confirmar), Fernanda Haucke, Lucia Romano, Marcos Damigo, Raoni Garcia, Sergio Siviero, Denise Fraga e Celso Frateschi

BAIXA TERAPIA

A comédia Baixa Terapia, que tem no elenco Antonio Fagundes, Mara Carvalho, Alexandra Martins, Ilana Kaplan, Fábio Espósito e Bruno Fagundes, se prepara para a retomada paulistana do espetáculo, no dia 19 de janeiro .

O espetáculo, que reuniu mais de 50 mil espectadores em sua temporada de três meses em Portugal, com 55 sessões esgotadas, passou por mais de vinte cidades no Brasil e também pelos Estados Unidos e retorna, para curta temporada, ao Teatro Tuca.

A debochada comédia de Matias del Federico, com adaptação de Daniel Veronse e direção de Marcos Antônio Pâmio, reúne três casais que não se conhecem e que se encontram inesperadamente em um consultório para sua sessão habitual de terapia. Dessa vez, descobrem que a psicóloga não estará presente e, a partir daí, vem à tona queixas, confissões, suspeitas, revelações, verdades e mentiras da maneira mais escrachada para eles e divertidíssima para o público.

Baixa Terapia começa rigorosamente no horário!

Experiência 360º

Bastidores

O público tem acesso aos bastidores, antes das sessões, para vivenciar o que acontece por trás do espetáculo, com uma conversa com o elenco e tour pelas coxias e camarim. O ingresso para os bastidores é vendido a preço único de R$ 100 + valor do ingresso para o espetáculo. Essa experiência tem duração aproximada de 30 minutos e é finalizada com uma foto exclusiva dos visitantes com o elenco do espetáculo.

Bate-Papo

O tradicional bate-papo de todo o elenco com a plateia no fim de cada espetáculo, permite ao público maior aproximação com os atores numa troca divertida e informal.

Sobre Baixa Terapia

Baixa Terapia é uma debochada comédia com um final que pega todos de surpresa. Três casais que não se conhecem, se encontram inesperadamente em um consultório para sua sessão habitual de terapia, mas dessa vez descobrem que a psicóloga não estará presente.

Ela deixou a sala preparada para recebê-los com um pequeno bar onde não falta whisky e uma mesa com envelopes, contendo instruções de como deverão conduzir essa sessão.

O objetivo é que todas as questões sejam resolvidas em grupo. Cada envelope traz uma situação mais engenhosa que a outra, transformando a sessão num caos hilariante.

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Baixa Terapia

Com Antonio Fagundes, Mara Carvalho, Alexandra Martins, Ilana Kaplan, Fábio Espósito e Bruno Fagundes

Teatro TUCA (R. Monte Alegre, 1024 – Perdizes, São Paulo)

Duração 90 minutos

19/01 até indeterminado

Sexta – 21h30, Sábado – 20h, Domingo – 18h

$100/$120

Classificação 14 anos

AMIGAS, PERO NO MUCHO

Há 12 anos em cartaz, comédia irreverente volta ao Teatro Folha para apresentações às terças e quartas, a partir do dia 08 de janeiro de 2018.

Em fevereiro de 2007, “Amigas, Pero no Mucho”, comédia de Célia Forte estreava no Teatro Renaissance inaugurando o horário da meia noite. O sucesso foi tanto com elenco de atores interpretando as quatro amigas, que por cinco anos percorreu vários teatros de São Paulo, com temporada também no Rio de Janeiro. Ganhou montagem baiana, com apresentações em várias capitais do nordeste e Angola. Tem seu texto traduzido para o espanhol, alemão e inglês. Quase doze anos depois, as amigas voltam ao cartaz, agora no Teatro Folha com apresentações às terças e quartas, até 27 de março.

Desde então, mais de 170 mil pessoas riram com as incríveis situações criadas pela jornalista Célia Regina Forte sobre quatro mulheres da nossa época que tentam dar conta de tudo: do cotidiano, do corpo, da mente, do trabalho, da família e da amizade, causando inusitadas situações típicas do universo feminino.

Com direção de José Possi Neto e composição musical de Miguel Briamonte, essa epopeia se dá através do encontro de quatro amigas em uma tarde de sábado, onde todas – ou quase todas – as roupas sujas são lavadas por elas. Com humor cáustico, ironia e irreverência, elas falam sobre suas dissimulações, devaneios e loucuras. Quatro mulheres bem-sucedidas – ou não – comuns e sofisticadas que numa única tarde fazem revelações que as surpreendem e surpreendem o público que tem lotado todos os teatros por onde elas passam. Mulheres que se amam e se odeiam ao mesmo tempo. Amigas, enfim.

“Amigas, Pero no Mucho” faz história no cenário da comédia brasileira por sua capacidade em fazer plateias se divertirem e se reconhecerem numa das quatro personagens:

Elias Andreato é Fram, 50 anos – Divorciada, dois filhos que moram com o pai. É a mais velha das quatro amigas. Já passou dos 50 anos, mas quer parecer 30. Ninfomaníaca. Fala muito palavrão quando está sozinha, em público jamais. Faz meditação, mas quando está com raiva, tem tiques nervosos.

Leandro Luna é Sara, 35 anos – Solteira. Executiva. A mais reservada. Parece ser fria, mas esconde grande esperança. Fuma descontroladamente. Não perdoa as amigas, mas pouco se importa com a opinião dos outros. Desconfiada. Odeia as hipocrisias de Fram.

Raphael Gama é Debora, 40 anos – Divorciada, sem filhos. Inteligente, perspicaz, irônica, mas tipo dona da verdade. Sempre tem uma consideração a fazer, tentando que sua opinião prevaleça. Idealiza o amor. Come compulsivamente.

Nilton Bicudo é Olívia, 40 anos – Casada com filhos. Foi rica, não é mais. Tem que dirigir sua VAN que leva crianças para a escola. Julga-se sempre perseguida. Está sempre perguntando: O que vocês estão falando de mim? Exalta o marido, Alfredo, para as amigas.

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Amigas, Pero no Mucho

Com Elias Andreato, Leandro Luna, Raphael Gama e Nilton Bicudo

Teatro Folha – Shopping Pátio Higienópolis (Av. Higienópolis, 618 – Santa Cecilia, São Paulo)

Duração 80 minutos

08/01 até 27/03

Terça e Quarta – 21h

$40/$50

Classificação 14 anos

AS GUERREIRAS DO AMOR

A comédia “As Guerreiras do Amor” bebe na fonte do teatro grego clássico e estreia renovada pela criatividade do dramaturgo Domingos de Oliveira e pela direção de Isser Korik. Baseada na obra “Lisístrata”, de Aristófanes, a peça foi encenada pela primeira vez há 30 anos. A nova montagem estreia dia 10 de janeiro no Teatro Folha, com sessões as quintas, sextas a sábados.

A primeira montagem, sucesso de crítica e público, foi encenada no ano de 1988 por um jovem elenco formado por Heloísa Périssé, Maitê Proença, Luiza Tomé, Priscila Rozembaum, Orã Figueiredo e André Mattos, entre outros. Também no elenco, estava Domingos de Oliveira, que assinava a direção. Hoje, André Mattos, ator com vasta experiência, se junta a um time de jovens atores paulistanos para recontar a história da prostituta Lisístrata, que lidera as mulheres de Atenas, revoltadas contra a guerra. Sem poder político, elas decidem fazer uma greve de sexo até que seus maridos façam um acordo de paz.

O texto de Domingos de Oliveira, com colaboração de Priscila Rozembaum, é baseado na clássica comédia “Lisístrata”, escrita no século V a.C. A montagem atual tem apelos cômico e erótico, segundo o diretor Isser Korik. “A peça é uma comédia, com jeito de caricatura. Mas é também uma abordagem poética em relação ao sexo e ao relacionamento matrimonial”, conta Isser.

O autor Domingos de Oliveira já declarou que o texto “ultrapassa os limites da adaptação, transformando-se em autoria”. Da “Lisístrata” original, ele inspirou-se no clima e mesmo na estrutura da dramaturgia, mas criou as personagens com mais liberdade. “As histórias do ‘julgamento final’ são basicamente do jovem Marquês de Sade e o poema final era uma sequência de um roteiro cinematográfico que não filmei. Esse material de diversas origens me encontrou a serviço da descrição de certo tipo de erotismo, que sempre foi o meu”, explica o autor.

O ator André Mattos atualmente mora em Los Angeles e veio ao Brasil para realizar este projeto, que retoma a bem sucedida parceria com Isser realizada pela primeira vez em “O Empréstimo” em 2017. Na primeira montagem ele fez a personagem Cinésias, um dos soldados. Na montagem atual e ele é o General, personagem que foi de Domingos de Oliveira. “Entendo que os clássicos são atemporais. Estamos falando de um teatro grego, agora em 2018 depois de Cristo. Os motivos para remontar: porque é uma comédia maravilhosa, baseada numa obra clássica, adaptada por um gênio da dramaturgia brasileira, que é Domingos de Oliveira. A peça fala do poder da mulher, da força das mulheres. Tudo isso torna a montagem uma celebração”, diz André.

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As Guerreiras do Amor

Com André Mattos, Analice Pierre, Andressa Lelli, Bruna Tattar, Denis Felix, Gabriela Monteiro, Isaac Medeiros, Larissa Matheus, Mayara Justino, Monique Hortolani, Robson Guedes, Rodrigo Vicenzo, Ronaldo Saad e Tito Soffredini

Teatro Folha – Shopping Pátio Higienópolis (Av. Higienópolis, 618 – Santa Cecilia, São Paulo )

Duração 70 minutos

10/01 até 30/03

Quinta – 21h, Sexta – 21h30, Sábado – 19h

$40/$70

Classificação 14 anos

ELZA

A trajetória de Elza Soares é sinônimo de resistência e reinvenção. As múltiplas facetas apresentadas ao longo de sua majestosa carreira foram o ponto de partida para o musical “Elza”, que estreou em julho no Rio de Janeiro, passou por outras capitais e retorna ao Teatro Riachuelo após imenso sucesso popular e a aprovação irrestrita da homenageada.

De 7 a 23 de dezembro, Larissa Luz, convidada para a montagem, e outras seis atrizes selecionadas após uma bateria de testes (Janamô, Júlia Tizumba, Késia Estácio, Khrystal, Laís Lacorte e Verônica Bonfim) sobem ao palco para celebrar o trabalho, as indicações aos principais prêmios nacionais e os quatro troféus do Prêmio Reverência recém-conquistados (Melhor Espetáculo, Melhor Direção, Melhor Autor e Categoria Especial).

Em cena, as atrizes se dividem ao viver Elza Soares em suas mais diversas fases e interpretam outros personagens, como os familiares e amigos da cantora, além de personalidades marcantes, como Ary Barroso (1903-1964), apresentador do programa onde se apresentou pela primeira vez, e Garrincha (1933-1983), que protagonizou com ela um notório relacionamento.

Com texto inédito de Vinícius Calderoni e direção de Duda Maia, o espetáculo tem a direção musical de Pedro LuísLarissa Luz e Antônia Adnet. Além disso, o maestro Letieres Leite, da Orquestra Rumpilezz, foi o responsável pelos novos arranjos para clássicos do repertório da cantora, tais como LamaO Meu GuriA Carne e Se Acaso Você Chegasse. O projeto foi idealizado por Andrea Alves, da Sarau Agência, a partir de um convite da própria Elza e de seus produtores Juliano Almeida e Pedro Loureiro.

Ainda que muitos dos conhecidos episódios da vida da homenageada estejam no palco, a estrutura de Elza foge do formato convencional das biografias musicais. Se os personagens podem ser vividos por várias atrizes ao mesmo tempo, a estrutura do texto também não é necessariamente cronológica. Da mesma forma que músicas recentes (A Mulher do Fim do Mundo, a emblemática A Carne e Maria da Vila Matilde) se embaralham aos sucessos das mais de seis décadas de carreira da cantora, como Se Acaso Você ChegasseLamaMalandroLata D’Água e Cadeira Vazia.

Marcada por uma série de tragédias pessoais – a morte dos filhos e de Garrincha, a violência doméstica e a intolerância –, a jornada de Elza é contada com alegria.

A Elza me disse: ‘sou muito alegre, viva, debochada. Não vai me fazer um musical triste, tem que ter alegria’. Isso foi ótimo, achei importante fazer o espetáculo a partir deste encontro, pois assim me deu base para saber como Elza se via e como ela gostaria de ser retratada, conta Vinicius Calderoni, que leu e assistiu a infindáveis entrevistas que a cantora deu ao longo da vida e também pesquisou a obra de pensadoras negras, como Angela Davis e Conceição Evaristo, cujos fragmentos de textos aparecem na peça.

O espetáculo foi desenvolvido ao longo de um período em que Elza se encontra no auge de uma carreira marcada por reviravoltas e renascimentos. Ao lançar seus últimos dois discos, A Mulher do Fim do Mundo (2015) e Deus é Mulher (2018), a cantora não somente ampliou ainda mais seu repertório e sua base de fãs, como conquistou, mais uma vez, a crítica internacional, e se consolidou como uma das principais vozes da mulher negra brasileira.

Vinícius Calderoni, autor do texto, chama a atenção para a coletividade presente em todo o processo de criação da montagem. Após ter escrito as primeiras páginas, ele começou a frequentar os ensaios e estabeleceu um rico intercâmbio com Duda Maia e as sete atrizes. ‘Hoje poderia dizer que elas são coautoras e colaboradoras do texto. São sete atrizes negras e múltiplas, como a Elza é. Diante da responsabilidade enorme, eu estabeleci limites de fala para mim, por exemplo, em relação a alguns temas. Limitei a minha voz e disse que não escreveria nada, queria os relatos delas e as opiniões. Pedi a colaboração delas, das experiências vividas por uma mulher negra. Do mesmo jeito que a Duda propôs muitas coisas, as atrizes também tiveram este espaço’, conta o dramaturgo.

Tal processo colaborativo se estendeu para a música, com a participação ativa das atrizes e das musicistas nos ensaios com os diretores musicais, e o maestro Letieres Leite, que liderou algumas oficinas com o grupo no período dos ensaios. O processo gerou ainda duas canções inéditas que estão na peça: Ogum, de Pedro Luís, e Rap da Vila Vintém, de Larissa Luz. Se a escolha de Pedro Luís para a função foi referendada pela própria Elza – que gravou e escolheu um verso do compositor para nomear seu último disco –, Larissa Luz já estava envolvida com o projeto desde o seu embrião.

Elza

Com Janamô, Júlia Tizumba, Késia Estácio, Khrystal, Laís Lacôrte, Verônica Bonfim e a atriz convidada Larissa Luz.

Teatro Riachuelo Rio (Rua do Passeio, 38/40 – Centro, Rio de Janeiro)

Duração 120 minutos

07 a 23/12

Quinta – 19h, Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 19h

$40/$150

Classificação 14 anos

70? DÉCADA DO DIVINO MARAVILHOSO – DOC. MUSICAL

Depois do sucesso arrebatador de ‘60! Década de Arromba – Doc.Musical’, que apresentou Wanderléa à frente do elenco e foi assistido por mais de 100 mil espectadores em todo Brasil, estreia no dia 15, no Theatro Net Rio, o aguardado espetáculo ‘70? Década do Divino Maravilhoso – Doc. Musical’, mais uma produção que faz parte da tetralogia do idealizador, produtor e diretor geral Frederico Reder e do roteirista, dramaturgo e pesquisador Marcos Nauer.  Desta vez, a dupla leva para o palco momentos marcantes dos anos 1970 em diversas esferas: acontecimentos da política, moda, comportamento, esportes e artes em geral são embalados por mais de

250 sucessos das músicas brasileira e internacional, divididos em duas partes, como num disco de vinil, em lado A (1970-1976) e lado B (1977-1979). De forma cronológica, depoimentos, fotografias e vídeos vão desfilar no grande telão que tomará conta do centro do palco nesta superprodução, apresentada pelo Circuito Cultural Bradesco Seguros, que conta com 24 jovens talentos, uma orquestra de dez músicos, 20 cenários, 300 figurinos, toneladas de luz e som, e mais de 100 profissionais dedicados a criar o espetáculo.

As Frenéticas Dhu Moraes, Leiloca Neves e Sandra Pêra são as três cerejas do musical, no bloco dedicado à febre das discotecas, fenômeno que estourou nas pistas de todo o mundo há exatos 40 anos, inclusive no Brasil, por meio da novela ‘Dancin’ Days’, de Gilberto Braga. “Símbolos de uma época”, como define Nelson Motta, as Frenéticas, que foram descobertas pelo jornalista e produtor musical em 1976, estouraram em todo o Brasil com a música “Perigosa”, de autoria dele em parceria com Rita Lee e Roberto de Carvalho.

O grupo de seis amigas (Leiloca, Sandra Pêra, Lidoca, Edyr, Dhu Moraes e Regina Chaves), que se reuniram na boate Frenetic Dancing Days, como garçonetes, logo largaram as bandejas e se transformaram em um dos maiores fenômenos da música brasileira. Estamparam a capa das principais revistas, lançaram clássicos instantâneos como o tema da novela homônima e ditaram moda. Elas abriram as asas, soltaram as feras e transgrediram em um Brasil que onde se confrontavam censura, liberdade de expressão, feminismo e empoderamento. Esses temas continuam atuais e são abordados na montagem, que segue o bem-sucedido gênero criado por Reder e Nauer em ‘60! Década de Arromba’, o Doc.Musical.  “Reunimos teatro, documentário e música. Este formato me permitiu unir tudo isso e ainda propor um novo olhar para a forma de se fazer um espetáculo musical”, vibra o diretor. “O doc.musical não apresenta a biografia de nenhum artista, porque o olhar está no coletivo, no grupo, numa época, portanto, é de fato, a música a grande protagonista”, explica Nauer.

O título do musical traz uma interrogação porque propõe questionamentos sobre as dualidades do período. “Uma década de incertezas”, como conceitua Cid Moreira em uma das retrospectivas apresentadas em projeção dentro do espetáculo.  Em toda a América Latina, a ditadura apertava o cerco, a censura era cada vez mais intensa, a liberdade, cerceada. E a arte surgiu exatamente como uma possibilidade de redenção. “Os anos 70 mostraram vários caminhos possíveis por meio da arte, da música e da dança. E em todos eles era preciso ser forte para sonhar com um mundo novo e melhor”, pondera Nauer. “Foram anos de muita luta e força. Há canções que captam essa aura, mas há também muitas outras de muita beleza e aquela explosão de alegria com o surgimento da disco music”, acrescenta Reder.

Na grande timeline do musical, outros movimentos, como o tropicalismo, o glam rock, o punk e o reggae serão revisitados com suas mais emblemáticas canções. De Novos Baianos (“A Menina Dança”) a David Bowie (“Starman”), Raul Seixas (“Há Dez Mil Anos Atrás”) a Led Zeppelin (“Stairway to Heaven”), Mutantes (“Top Top”) a Queen (“Bohemian Rapsody”), Caetano Veloso (“Sampa”) a Donna Summer (“Last Dance”), e Bob Marley (“No Woman, No Cry”) a Sex Pistols (“Anarchy in the UK”), os números não vão apresentar atores personificando os ícones da época. Os sentimentos que essas músicas emanam é que vão ditar as ações e coreografias assinadas por Victor Maia, que também cuida da direção de movimento. “70? Década do Divino Maravilhoso – Doc.Musical”, que chega agora ao palco do Theatro Net Rio, não se furta de narrar esse momentos polêmicos, mas é, sobretudo, uma ode à superação, à beleza, à alegria, à capacidade criativa de um povo que jamais se deixa abater. “É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte”, como diz a emblemática canção-título de Caetano e Gil. Podemos e merecemos ser felizes.

Além de Frederico Reder e Marcos Nauer, o espetáculo ainda traz outros nomes de peso, como o do figurinista Bruno Perlatto, o iluminador Césio Lima, o diretor musical Jules Vandystadt, a cenógrafa Natália Lana e diretora de produção Maria Siman. Uma ficha técnica que promete mais décadas brilhantes, rumo aos 80, 90 e quem sabe muito mais.

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70? Década do Divino Maravilhoso – Doc. Musical

Com Amanda Döring, Amaury Soares, Aquiles Nascimento, Barbara Ferr, Bruno Boer, Camila Braunna, Debora Pinheiro, Diego Martins, Erika Affonso, Fernanda Biancamano, Larissa Landim, Laura Braga, Leandro Massaferri, Leilane Teles, Leo Araujo, Nando Motta, Pedro Navarro, Pedro Roldan, Rany Hilston, Rodrigo Morura, Rodrigo Naice, Rodrigo Serphan, Rosana Chayin, Tauã Delmiro

Participação especial das Frenéticas: Dhu Moares, Leiloca Neves e Sandra Pêra

Duração 150 minutos

Classificação 14 anos

Theatro Net Rio – Sala Tereza Rachel (Rua Siqueira Campos, 143 – Copacabana, Rio de Janeiro)

15/11 até 16/12

Quinta e Sexta – 20h30, Sábado – 17h e 21h, Domingo – 18h

$45/$220

Theatro Net SP – Shopping Vila Olímpia (Rua Olimpíadas, 360 – Itaim Bibi, São Paulo)

14/03 até 02/06/19

Quinta e Sexta – 20h30, Sábado – 17h e 21h, Domingo – 17h

$45/$220

SUPER MOÇA

Baseado em histórias reais, a atriz Izabella Van Hecke dá vida à atrapalhada aeromoça Pérola, que, ao completar 25 anos de aviação e finalmente se aposenta, podendo agora retomar o sonho de adolescente, ser atriz.

Para esta realização junta suas economias  e aluga um teatro para montar um clássico grego: Jocasta. Mas louca como é, resolve inovar e arriscar na busca do tão sonhado prêmio Shell, trocando Édipo por Hamlet, e para mostrar todo seu potencial como atriz dramática, Pérola faz sua Jocasta ser paraplégica e com problemas auditivos.

Sem perceber, nossa aeromoça vai se distraindo do seu clássico e acaba contando inúmeras histórias ocorridas dentro dos seus voos, com classe de pessoas que ela mais tem pavor na vida: Os passageiros.

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Super Moça

Com Izabella Van Hecke

Teatro Municipal Café Pequeno (Av. Ataulfo de Paiva 269, Leblon, Rio de Janeiro)

Duração 60 minutos

08 a 29/11

Quinta – 22h30

$40

Classificação 14 anos