BUG CHASER – CORAÇÃO PURPURINADO

Nossa vida é feita de escolhas, e temos que ser capazes de lidarmos com elas. Independentemente de certas ou erradas, sãs ou pecaminosas, fomos nós quem as escolhemos.

A peça “Bug Chaser – Coração Purpurinado“, da Cia ARTERA de Teatro, fala sobre estas escolhas. Conta a história de Mark, um advogado criminalista, com problema no coração, e que por motivos próprios, decide se tornar soropositivo.

Conversamos com o ator e dramaturgo, Ricardo Corrêa, sobre a peça e o peso das escolhas que fazemos.

Bug Chaser – Coração Purpurinado
Com Ricardo Corrêa e Leonardo Souza
Oficina Cultural Oswald Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)
Duração 60 minutos
06/07 até 05/08
Quinta e Sexta – 20h; Sábado – 18h
Entrada gratuita
Classificação 16 anos

O OVO DA SERPENTE

Com direção de André Grecco, o espetáculo O Ovo da Serpente, de Rudson Mazzorana, estreia no dia 5 de agosto (sábado) no Viga Espaço Cênico, às 21 horas.

A trama – que apresenta três personagens insólitos: Lascívia (Glória Rabelo), Jack (Zaqueu Machado) e Mike (vivido pelo próprio autor) – fala de um assassino neonazista que convida um jovem psicopata para testar o caráter de sua esposa, uma ex-prostituta judia. No entanto, algo foge do controle.

A ficha técnica traz ainda Heron Medeiros na cenografia, Fred Silveira na trilha sonora original, Danielli Guerreiro no figurino, François Moretti na iluminação e Rafael Sunny na coreografia de cenas, entre outros.

Lascívia e Jack moram em uma espécie de casa-laboratório e, assombrados pelo passado, vivem uma relação que oscila entre poder e submissão, sanidade e loucura. Ela, convertida ao catolicismo, é uma prisioneira de portas abertas que guarda em uma caixa vermelha segredos e confissões. Jack, por sua vez, é médico, um assassino de aluguel integrante de uma facção neonazista empenhada na higienização de raças, utilizando os seres “inferiores” como cobaias em experimentos médicos.

Jack se sente inseguro por estar envelhecendo e perdendo a força física. Com o intuito de colocar à prova o caráter e a cumplicidade de sua mulher, ele introduz o jovem Mike em suas vidas. Invasivo, ácido, perverso e astuto como uma raposa, Mike não se limita apenas a infernizar a vida de Lascívia e testar seus limites: invade ferozmente a intimidade do casal, mexendo com os brios do assassino de aluguel. O que era para ser um simples teste torna-se um pesadelo. Utilizando a mesma premissa nazista, abraçada por Jack e abominada por Lascívia, o misterioso e psicopata Mike resolve seguir adiante com seu plano de vingança. Atormentado, o rapaz usa de toda a perversidade para se vingar do casal, prendendo-os em um sádico jogo psicológico.

Em O Ovo da Serpente a realidade interna é mais explicita que a realidade aparente. A violência e o sadismo permeiam toda a encenação. Lascívia e Jack têm um relacionamento ligado pelo masoquismo e sadomasoquismo. Apesar da dependência que têm dessa relação, a solidão mútua é perceptível: diante da distância física e afetiva, os diálogos transformam-se em quase monólogos. Enquanto Jack vive a ameaça da fragilidade do corpo, Lascívia vive em um plano alheio de realidade. Dividida entre as personalidades da prostituta Madalena e da ingênua Maria, sua dor pode ser expressa até mesmo em forma de poesia.

A trama se desenrola com forte traço psicológico, onde as personagens são prisioneiras de suas próprias ações, de seus próprios destinos. Explora a crueldade da natureza humana numa abordagem atemporal que joga com o passado, onde o nazismo impera com sua guerra racial, e um futuro visto pelo prisma do passado. O Ovo da Serpente usa o neonazismo como argumento para refletir sobre questões atuais da humanidade como solidão, falta de diálogo, intolerância racial, ignorância social e violência. Para o autor Rudson Mazzorana, “a montagem é um alerta social que visa, por meio do choque de realidade, refletir a banalização da vida e questionar o processo de desumanização, o qual expõe o homem moderno a um mundo intolerante de violência gratuita“.

A concepção de André Grecco é carregada de simbolismos. A solidão pode estar no distanciamento físico nas cenas. O abismo moral tem reflexo na desconstrução física, à medida que esses três seres animalescos se deparam com as consequências de seus atos.  Segundo o diretor, a complexidade psicológica os atira nesse abismo, onde a destruição é constatada na ação cênica e no ambiente físico. “A ‘queda’ das personagens é orquestrada junto com a transformação do figurino, que acompanha a desconstrução das personagens, e do cenário, que se transforma no decorrer da história e se queda, literalmente, ao final, como uma terra arrasada, destruída pela guerra”, comenta.

André Grecco afirma que o texto de Mazzorana é muito bem articulado, rico em imagens e intensidade. “As personagens são potentes e, no decorrer da trama, descobrimos quem elas realmente são nesse mundo surreal. A peça já inicia com a tensão dramática no auge e a violência é uma constante nessas relações frias e de total dependência. Muito bem construído, o texto explode em um realismo que irrompe qualquer expectativa da realidade, para assim confrontar o retrocesso humano com o progresso tecnológico”, finaliza o diretor.

 

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O Ovo da Serpente
Com Glória Rabelo, Rudson Mazzorana e Zaqueu Machado
Viga Espaço Cênico – Sala Viga (Rua Capote Valente, 1323 – Pinheiros, São Paulo)
Duração 90 minutos
05 a 27/08
Sábado – 21h; Domingo – 19h
$50
Classificação 16 anos

A FALECIDA

Eloísa Vitz, que já dirigiu 5 peças de Nelson Rodrigues, volta ao dramaturgo com a história de Zulmira, uma mulher obcecada pela ideia da própria morte e que planeja  um enterro de luxo para compensar sua vida suburbana. 

Comemorando 17 anos, o Grupo Gattu voltou à bem sucedida pesquisa das obras de Nelson Rodrigues e estreou, em junho o espetáculo “A FALECIDA”.   O sucesso da temporada traz de volta em agosto a peça aos palcos do Teatro do Sol, em espetáculos gratuitos aos sábados e domingos, até o final de setembro.

As outras incursões do Grupo Gattu ao universo rodrigueano lhes renderam o convite para os festivais Ibero Americano de Teatro (com “Viúva, porém honesta”, em 2009, e “Boca de Ouro”, em 2011), de Curitiba (“Dorotéia”, em 2010) e São José dos Campos (“A Serpente”, em 2012), além de figurarem entre os melhores espetáculos em cartaz na cidade de São Paulo pela Revista Bravo e Revista Veja.

“A FALECIDA” é uma obra ousada, emocionante e cheia de humor mordaz. Assombrada pela moral e fascinada por uma ideia fixa de morte purificadora, Zulmira percorre funerárias planejando seu próprio enterro com pompas e cerimônias. A fim de se igualar a castidade de sua prima, desafia sua família e contraria seu marido, um homem desempregado e igualmente fanático, mas por futebol.

Esta montagem foi contemplada com a “IV Edição do Prêmio Zé Renato de Teatro para a cidade de São Paulo”. O Grupo Gattu  sentiu-se honrado com este prêmio da Secretaria Municipal de Cultura que contempla trabalhos cujas pesquisas são referências para a cultura do país. “Seguimos com orgulho o trabalho de elevar a memória do nosso maior dramaturgo trazendo aos palcos sua obra repleta de humor cáustico, provocação e sensualidade” comemora Eloísa Vitz, que também é a mulher que mais dirigiu espetáculos de Nelson Rodrigues no Brasil.

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A Falecida
Com Eloisa Vitz, Miriam Jardim, Daniel Gonzales, Laura Vidotto, Mariana Fidelis, Lilian Peres, Rodrigo Vicenzo e Jailton Nunes.
Ator convidado: Darson Ribeiro
Teatro do Sol (Rua Damiana da Cunha, 413 – Santana, São Paulo)
Duração 80 minutos
05/08 até 30/09
Sábado – 21h; Domingo – 19h
Entrada gratuita ( bilheteria abre uma hora antes do espetáculo)
Classificação 16 anos

 

A PEQUENA MORTE

Pela primeira vez se dirigindo e dançando, a bailarina Lavinia Bizzotto buscou inspiração na obra da fotógrafa americana Francesca Woodman, que se suicidou aos 22 anos, para criar Pequena Morte. Em São Paulo, as apresentações acontecem de 6 a 16 de julho, na Sala Renée Gumiel, na FUNARTE. Contemplado pelo Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2014, o espetáculo estreou em Belo Horizonte em junho.

Essa é a primeira vez que Lavinia dirige e coreografa um solo para si mesma. Nos dois solos anteriores, ela trabalhou com Juliana Moraes (Solo Na Dobra do Tempo– 2008) e Vanessa Macedo (Solo Sem Titulo– 2014). Ainda assim, ela divide a concepção com Alexandre Maia e tem Vanessa Macedo como parceira coreográfica e na colaboração dramatúrgica, além de contar com a colaboração artística de André Liberato.

Para Lavinia, A Pequena Morte foi um grande e intenso desafio. Foi graças a esse trabalho que ela pode se aprofundar em propostas diversas, mas com uma possibilidade de continuar sua pesquisa de linguagem corporal  e cênica. “Me deixei afetar pelas imagens da Francesca, pelas provocações dos meus três colaboradores e isso me trouxe um olhar profundo sobre o intérprete da cena e do diretor que me deixou muito realizada. Usar o meu corpo como um laboratório criativo para além do que um diretor pede foi uma experiência pessoal muito rica”.

Feminino

Foi navegando na internet que Lavínia teve seu primeiro contato com uma foto de Francesca Woodman. “Fiquei muito impactada com a imagem de uma mulher nua se misturando com uma parede descascada, como se fossem uma coisa só. Fui pesquisar mais sobre o trabalho dela e me deparei com uma linguagem estética muito própria e que tinha  muito a ver com o que eu gostaria de falar naquele momento”, explica.

Buscando uma fusão com os retratos da fotógrafa Francesca Woodman, Lavinia Bizzotto experimenta esse universo na busca de um corpo que é atravessado pelo tempo, pela delicadeza e força, pela dor e sensualidade e por suas próprias memórias como artista e mulher.

A Pequena Morte aborda a falta de identidade, feminilidade, sexualidade e morte. “Francesca fotografa mulheres, partes dos corpos e cenários sujos, crus e inóspitos, sempre com algum borrão na cena, mas identificando que existe uma figura humana ali. Busquei então trazer o universo dela para o meu corpo explorando o mistério, a degradação, o surrealismo e a delicadeza dessas mulheres. Tentando, assim, revelar as inúmeras possibilidades do ser feminino através das suas representações visíveis e inconscientes”, fala Lavinia.

Apesar de ter falecido no começo da década de 80, o trabalho de Francesca ainda é muito atual. A bailarina afirma: “Francesca questiona e confronta padrões femininos estabelecido dentro do seu contexto histórico, mas que são muito atuais ainda”.

Não é só o corpo de Lavinia que coloca em cena a linguagem da fotógrafa americana. O figurino do solo também dialoga com o universo feminino e com o tempo. Em cena, existe uma mulher que vai se despindo e revelando várias outras mulheres, levando para o espetáculo uma estética que relembre imagens do feminino, do grotesco e do mistério. O cenário, todo em madeira, busca uma dramaturgia que remeta a um ambiente onde essa mulher transita entre suas memórias, desejos e dores. É composto por uma cadeira uma mesinha e um banco alto. O desenho de luz completa esse ambiente de sombras e mistério.

Oficinas

Além do espetáculo, Lavinia Bizzotto, em parceria com Alexandre Maia, irá também oferecer uma oficina de dança contemporânea durante a temporada. Durante duas horas, os artistas explorarão com os participantes alguns dos procedimentos utilizados no processo criativo do espetáculo A Pequena Morte.

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A Pequena Morte
Com Lavinia Bizzotto. 
Complexo Cultural Funarte SP – Sala Renée Gumiel (Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos – São Paulo)
Duração 45 minutos
06 a 16/07
Quinta, Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 19h
$20
Classificação 16 anos
 
Oficina com Lavinia Bizzotto e Alexandre Maia – 15 de julho, às 14 horas
Inscrições para a oficina pelo e-mail – edsonbeserra@gmail.com

CIA DO STAND UP

Quatro comediantes de longa data se reuniram para montar um novo projeto: a  CIA DO STAND UP. Todos carregam na bagagem uma vasta experiência no gênero. Quem são?

  • Gustavo Pompiani: É fundador e integrante do Osascomedy, show que ficou em cartaz na zona oeste de São Paulo por mais de 4 anos;
  • Guto Andrade: Fundador da Noite da Comédia Stand-Up, show em cartaz na zona leste de São Paulo;
  • Oscar Filho: Pioneiro na comédia stand up do país, foi fundador e integrante do Clube da Comédia, o primeiro show de stand up comedy de São Paulo.
  • Tiago Carvalho: Fundador e ex-integrante do show 4 Amigos.

O resultado desta união poderá ser conferido na temporada que a CIA DO STAND UP estreia no próximo dia 7 de julho no teatro da Ressurreição, com shows todas as sextas-feiras até o final de agosto.

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Cia do Stand Up
Com: Tiago Carvalho, Guto Andrade, Oscar Filho e Gustavo Pompiani
Teatro Ressureição (R. dos Jornalistas, 123 – Jabaquara, São Paulo)
Duração 70 minutos
07/07 até 25/08
Sexta – 22h30
$60 (antecipado $25)
Classificação 16 anos

LEMBRO TODO DIA DE VOCÊ

Depois de temporada bem sucedida no CCBB, o musical Lembro Todo Dia de Você volta ao cartaz a partir de 8 de julho no Teatro do Núcleo Experimental. Texto, letras e direção musical de Fernanda Maia, direção geral de Zé Henrique de Paula e músicas de Rafa Miranda.

Nesta temporada, entram no elenco Luiza Porto e Pier Marchi, no lugar de Bruna Guerin (“Cantando na Chuva”) e Gabriel Mallo.  No elenco, além de Zé Henrique de Paula, estão os atores Anna Toledo, Davi Tápias, Fabio Augusto Barreto, Fabio Redkowicz, Luiza Porto e Pier Marchi.

Thiago (Davi Tápias) é um jovem que se descobre soropositivo aos 20 anos e, para aprender a conviver com o vírus, precisa antes passar por um acerto de contas consigo mesmo. Lembro todo dia de você é um musical inédito que faz um retrato realista e contemporâneo do HIV, colocando em questão muito do que se conhece sobre o assunto.

Com Lembro Todo Dia de Você, o Núcleo Experimental prossegue com a pesquisa de linguagem em teatro musical, que consiste em inserir as músicas no espetáculo de uma forma fundamental para a narrativa. A trilha sonora tem levada pop, com releituras de outros gêneros, como bolero, disco, jazz e música de jogos digitais dos videogames.

O Núcleo também se preocupa em fomentar a criação de espetáculos 100% nacionais, oferecendo ao público novas opções além das franquias internacionais ou adaptações de obras pré-existentes, como filmes, livros ou até mesmo outras peças teatrais. A produção vem depois do sucesso de público e crítica Urinal (2015), prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) na categoria Melhor Diretor e Prêmio Reverência 2016 nas categorias Melhor Musical, Melhor Direção, Melhor Cenário (Zé Henrique de Paula), Melhor Direção Musical (Fernanda Maia) e Melhor Ator Coadjuvante (Fabio Redkowicz). A peça foi vencedora, ainda, de duas categorias no Prêmio Bibi Ferreira (concorreu a sete) e venceu/concorreu em diversas outras nos prêmios Aplauso Brasil, Shell, Governador do Estado, Quem e Reverência. Zé Henrique também esteve recentemente no elenco de Nuvem de Lágrimas, interpretando o pai da protagonista Bete (Lucy Alves).

Sinopse
Thiago (Davi Tápias) tenta entrar em contato com seu ex-namorado, Júlio (Pier Marchi) para conversar sobre uma questão de seu passado como casal. É que Júlio contraiu HIV por meio da relação sexual com Thiago e, desde então, não conversa mais com o antigo companheiro. A partir daí, Thiago inicia uma jornada de autoconhecimento em direção a questões decisivas de sua vida – como o abandono paterno, a descoberta da sexualidade, relacionamentos, amizades e o estigma enfrentado diariamente por pessoas com HIV.

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Lembro Todo Dia de Você
Com Anna Toledo, Davi Tápias, Fabio Augusto Barreto, Fabio Redkowicz, Luiza Porto, Pier Marchi e Zé Henrique de Paula
Teatro do Núcleo Experimental (Rua Barra Funda, 637, Barra Funda – São Paulo)
Duração 120 minutos
08/07 até 28/08
Sábado – 21h; Domingo – 19h; Segunda – 21h
$60
Classificação 16 anos

BUG CHASER – CORAÇÃO PURPURINADO

A peça gira em torno de Mark (interpretado por Ricardo Corrêa – que também assina a dramaturgia). Mark está em uma quarentena sendo analisado por uma voz, um programa de inteligência artificial.

Em fragmentos e saltos atemporais, a peça conta a saga desse homem, um advogado criminalista que busca se infectar propositalmente, uma subcultura pouco discutida na comunidade LGBT contemporânea. A direção é de Davi Reis

Bug Chaser – Coração Purpurinado estreia dia 6 de julho na Oficina Cultural Oswald de Andrade para temporada gratuita até 5 de agosto.

Falar de bareback, de um homem a procura de um vírus e de toda uma sociedade deteriorada, é trabalhar num universo particular que não deve ser entendido cartesianamente e requer cuidado para não reforçar preconceitos. O nosso desafio foi se debruçar sobre esse texto que trata de escolhas radicais e no trabalho do ator criador que lida com um personagem de extremos. Aqui, a luta contra a biopolítica impositiva e em estar fora da caixa social em que estamos automaticamente submetidos é levada ao limite. A partir da verticalização profunda no universo LGBT – abrangendo desde a sua subcultura até o mais violento preconceito sofrido – e a busca por ressignificações de lugar no mundo, pretendemos trazer questionamentos para além da simples reflexão e julgamento”, diz o diretor Davi Reis.

A quarentena da peça significa a de todos os dias em que os discursos biomédicos colocam o sujeito que pratica bareback como alguém anormal, portador de distúrbios psicológicos ou criminalizadores, que acabam contribuindo para a manutenção de novos estigmas que há séculos acompanham os indivíduos homossexuais. Aliás, ainda há campos de concentração para gays. Foi mais de um ano de pesquisa, baseada em documentos e depoimentos de homens que se dispuseram a falar sobre o bareback”, conta Ricardo Corrêa, que vai lançar o curta documentário ‘No Sigilo’, como parte de sua pesquisa que também trouxe depoimentos de vários homens gays sobre sexualidade, bareback e o HIV para o espetáculo.

Há uma distinção entre o que se chama barebacking e bugchasing. Nem sempre os praticantes de bareback buscam a soroconversão. Percebi que esse é um assunto sobre o qual não se fala, há um silêncio na comunidade LGBT e por isso decidi enfocá-lo neste projeto artístico, pelos diferenciais que ele carrega em si e por sua tamanha complexidade. Existem, entretanto, diferentes aspectos ou dimensões culturais mais amplas, do nosso tempo, que devem ser considerados nestes contextos de fascinação pelo risco ou apostas nos ganhos sensoriais de encontros perigosos. Problematizo um homem em transito em um mundo doente, que busca encontrar pertencimento e aceitação. Uma jornada perigosa de autodescoberta para encontrar o melhor e o pior de uma nova comunidade que ele quer desesperadamente fazer parte. Falo de falo de escolhas, de desejos, de estigmas e principalmente sobre um novo capítulo da história do HIV”, conclui Ricardo.

Sinopse
Mark está em uma quarentena sendo analisado por uma voz, um programa de inteligência artificial. Em fragmentos e saltos atemporais, a peça conta a saga desse homem, um advogado criminalista que busca se infectar propositalmente.

Sobre Companhia Artera de Teatro
Com intuito de abarcar diversas dimensões da cena contemporânea, tem por meta a encenação de textos com dramaturgias inéditas, direcionando a pesquisa para temas relacionados às minorias, permitindo-se o intercâmbio com outras artes, manifestações e tecnologias.Em 2017, o grupo completa 15 anos de atividades ininterruptas, tendo realizado quinze produções, recebendo importantes prêmios.

Site da Cia: http://ciaartera.wixsite.com/artera

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Bug Chaser – Coração Purpurinado
Com Ricardo Corrêa e Leonardo Souza
Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)
Duração 60 minutos
06/07 até 05/08
Quinta e Sexta – 20h; Sábado – 18h
Entrada gratuita
Classificação 16 anos