TRÁFICO

Seguindo a linha da auto ficção em que o dramaturgo franco-uruguaio Sergio Blanco vem se destacando há alguns anos, seu mais recente texto teatral, Tráfico, é um monólogo sobre um jovem garoto de programa da periferia de uma cidade latino-americana que vai aos poucos se envolvendo no mundo dos assassinos contratados.

Tendo como único suporte cênico a presença de sua moto esportiva Yamaha FZ6R, o texto narra as aventuras de Alex, seus encontros e desentendimentos com seus clientes e especialmente a relação com um cliente que ele chama de “O francês” e que aos poucos o leva para dentro de uma complexa história manchada por crimes.

À medida que a peça avança e a partir do vínculo passional de Alex com um dramaturgo que está escrevendo um texto sobre o personagem bíblico de Judas Iscariotes, o relato vai acessando as zonas mais escuras da vida de Alex, que paralelamente ao seu trabalho de garoto de programa, vai se transformando em um assassino de aluguel. Pouco a pouco começa a surgir assim uma trama fascinante que mescla a narração erótica de seus encontros sexuais com seus clientes com a narração macabra de seus encontros violentos com as pessoas que ele foi contratado para matar. Desta forma, Tráfico se constrói com um texto onde os erros e a morte começam a aparecer como as duas caras de uma mesma moeda: a vida agitada e intensa de nosso herói.

Alternando simultaneamente dois dos modos de enunciação solitária que são a narração e a confissão, Tráfico é um trajeto fascinante e arriscado que aos poucos nos adentra no labirinto confuso do “eu”, da linguagem e do tempo, ao mesmo tempo que aborda temas como a criação, a solidão, a sexualidade, o vício, a separação, a falta de esperança, a beleza, a traição, o negócio e a transação nos tempos que correm…

Escrita em 2018, especialmente para o ator colombiano Wilderman García Buitrago, – que Sergio Blanco conheceu no mesmo ano na cidade de Bogotá depois de tê-lo como coordenador responsável em um de seus seminários – Tráfico se prepara para ser uma das estreias mais esperadas da temporada de 2019.

FACE (1).png

Tráfico

Com Wilderman García Buitrago

SESC Vila Mariana (R. Pelotas, 141 – Vila Mariana, São Paulo)

Duração 100 minutos

10 e 11/04

Quarta e Quinta – 21h

$30 ($9 – credencial plena)

Classificação 16 anos

VÁ VI VÊ

Saber lidar com travas na escrita, ter uma rotina para escrever, de onde vêm suas ideias? Vá Vi Vê – oficina de como a poesia não se ensina é o nome da atividade a ser ministrada pelo poeta Rafa Carvalho, finalista do Prêmio Sesc de Literatura 2018, até 6 de maio, às segundas-feiras, das 18 às 20 horas, no Espaço Curumim do Sesc Carmo.

Nesta oficina estendida, em que o participante pode entrar no decorrer de seu desenvolvimento, o poeta Rafa Carvalho aborda a poesia como manifestação artística e vivência, experimentando sobre como a experiência de vida pode intervir no aprimoramento técnico de poetas, assim como na sua evolução pelas vias da literatura. A atividade inclui estímulos à criação literária, partilha de textos, sugestões de leitura, referências poéticas e histórias que não estão nos livros.

FACE (1)

Clube de escrita

Com Rafa Carvalho

SESC Carmo (Rua do Carmo, 147, Sé – São Paulo)

01/04 até 06/05

Segunda  – 18h às 20h

$17 ($5 – credencial plena)

Classificação 16 anos

AMOR NÃO RECOMENDADO

Realizado pelo Laboratório de Criação e Investigação da Cena Contemporânea da Universidade Federal Fluminense (LCICC – UFF), o espetáculo “Amor Não Recomendado”, com direção e dramaturgia de Martha Ribeiro, faz curta temporada, de 19 a 27 de março, às terças e quartas-feiras, às 20h, no Teatro da UFF, em Niterói.

A peça parte das inquietações contidas no “Banquete” de Platão para nos questionar sobre amor e desejo nos dias de hoje. A partir de cinco hipóteses sobre o afeto, “Amor Não Recomendado” nos oferece diferentes pontos de vista sobre o amor e sua escassez, confrontando o sujeito contemporâneo com seus inconfessáveis desejos de destruição de si e do objeto amado.

O espetáculo convoca personalidades marginais, artistas conturbados e personagens clássicos, como Artaud, Nijinsky e Fedra, para compor uma paisagem ótico-sonora que nos desafia a pensar o que fazemos em nome do amor – afirma Martha.

Mais informações sobre o espetáculo no https://www.facebook.com/amornrecomendado/

FACE (3)

Amor Não Recomendado

Com Bruno Bernardini, Charlotte Cochrane, Claudia Wer, Lucas Rodrigues, Nicolle Longobardi, Raíza Cardoso, Thales Ferreira

Teatro da Universidade Federal Fluminense (Centro de Artes UFF – R. Miguel de Frias, 9 – Icaraí, Niterói – RJ)

Duração 90 minutos

19 a 27/03

Terça e Quarta – 20h

$30

Classificação 16 anos

LEMBRO TODO DIA DE VOCÊ

Vencedor do Prêmio Bibi Ferreira 2017 na categoria de melhor roteiro original e Prêmio Reverência de Melhor Texto, o musical Lembro Todo Dia de Você volta em cartaz no Teatro do Núcleo Experimental, entre os dias 8 e 24 de março. As sessões acontecem às sextas-feiras e aos sábados, às 21h; e aos domingos, às 20h.

Texto, letras e direção musical de Fernanda Maia, direção geral de Zé Henrique de Paula e músicas de Rafa Miranda. No elenco, estão os atores Bruna Guerin, Davi Tápias, Carol Bezerra, Fabio Augusto Barreto, Fabio Redkowicz, Pier Marchi e Thiago Perticarrari.

Thiago (Davi Tápias) é um jovem que se descobre soropositivo aos 20 anos e, para aprender a conviver com o vírus, precisa antes passar por um acerto de contas consigo mesmo. Lembro todo dia de você é um musical inédito que faz um retrato realista e contemporâneo do HIV, colocando em questão muito do que se conhece sobre o assunto.

Com Lembro Todo Dia de Você, o Núcleo Experimental prossegue com a pesquisa de linguagem em teatro musical, que consiste em inserir as músicas no espetáculo de uma forma fundamental para a narrativa. A trilha sonora tem levada pop, com releituras de outros gêneros, como bolero, disco, jazz e música de jogos digitais dos videogames.

O Núcleo também se preocupa em fomentar a criação de espetáculos 100% nacionais, oferecendo ao público novas opções além das franquias internacionais ou adaptações de obras pré-existentes, como filmes, livros ou até mesmo outras peças teatrais.

A produção nasceu depois do sucesso de público e crítica Urinal (2015), prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) na categoria Melhor Diretor e Prêmio Reverência 2016 nas categorias Melhor Musical, Melhor Direção, Melhor Cenário (Zé Henrique de Paula), Melhor Direção Musical (Fernanda Maia) e Melhor Ator Coadjuvante (Fabio Redkowicz). A peça foi vencedora, ainda, de duas categorias no Prêmio Bibi Ferreira (concorreu a sete) e venceu/concorreu em diversas outras nos prêmios Aplauso Brasil, Shell, Governador do Estado, Quem e Reverência.

FACE (1)

Lembro Todo Dia de Você

Com Bruna Guerin, Carol Bezerra, Davi Tápias, Fabio Augusto Barreto, Fabio Redkowicz, Pier Marchi, Thiago Perticarrari

Teatro do Núcleo Experimental (Rua Barra Funda, 637, Barra Funda – São Paulo)

Duração 120 minutos

08 a 24/03

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$30

Classificação 16 anos

O TESTAMENTO DE MARIA

O solo O Testamento de Maria, com direção e adaptação de Ron Daniels, é inspirado no livro homônimo do escritor irlandês Colm Tóibin, que também escreveu o bestseller “Brooklyn”, cuja adaptação para cinema foi indicada ao Oscar 2016 em três categorias.

A montagem revela como Maria, a mãe de Jesus Cristo, procura desvendar os mistérios ao redor da crucificação de seu filho. Perseguida e exilada, ela narra a sua trajetória e todo o seu sofrimento com uma voz carregada de ternura, ironia e raiva. Maria se propõe a falar apenas a verdade sobre a enorme crueldade dos romanos e anciãos judeus.

A ideia da encenação é destacar não apenas a importância religiosa de Maria, mas revelá-la como uma figura de enorme estatura moral. “Estava alerta, também, ao fato de vermos Maria como ícone, como mãe, mas nunca como uma mulher que sabe se colocar e que precisa ser ouvida. Para dar-lhe uma voz, olhei para os textos gregos, para as imagens de uma mulher solitária e corajosa, pronta para dizer palavras que são difíceis de ouvir”, esclarece Colm Tóibin.

A montagem rendeu à Denise Weinberg o prêmio APCA 2016 (Associação Paulista de Críticos de Arte), na categoria de melhor atriz. “O ponto de partida do nosso espetáculo também é este: uma atriz maravilhosa, que é a Denise, um texto de grande profundidade, e um espetáculo puro, belo e despojado, que possa oferecer à plateia momentos de grande humanidade”, diz Ron Daniels.

Em cena, a atriz é acompanhada apenas pelo músico Gregory Slivar, que assina e executa a trilha sonora ao vivo. O espetáculo foi produzido originalmente na Broadway, por Scott Rudin Productions e desenvolvido pelo Dublin Theatre Festival e Landmark Productions, com o apoio do Irish Theatre Trust.

FACE (3).png

O Testamento de Maria

Com Denise Weinberg

Duração 60 minutos (mais 30 minutos de debate)

Classificação 16 anos

Teatro Municipal João Caetano (Rua Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino – São Paulo)

01/03, 09/03 e 10/03

Quinta, Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$20

Workshop da Denise Weinberg no Teatro João Caetano – dia 09/03 – às 15h.

Informações: (11) 5573-3774 / 5549-1744

Teatro Alfredo Mesquita (Avenida Santos Dumont, 1770 – Santana – São Paulo)

28/03, 29/03, 06/04, 07/04, 11/04 e 12/04

Quinta, Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$20

Workshop da Denise Weinberg no Teatro Alfredo Mesquita – dia 06/04 – às 15h00.

Informações: (11) 2221-3657

ENSAIO SOBRE A LUCIDEZ

Diante da urgência de se pensar na democracia, a Cia. da Revista estreia Ensaio Sobre a Lucidez, uma livre adaptação do romance homônimo do premiado escritor português José Saramago (1922-2010), no dia 26 de janeiro, no Espaço Cia. da Revista. A peça segue em cartaz até 31 de março, com ingressos por apenas R$20.

A trama apresenta uma cidade imaginária que se recupera de uma epidemia de cegueira ocorrida alguns anos antes e passa pela eleição de um novo líder político. As urnas registraram o surpreendente número de 70% de votos em branco. São chamadas novas eleições e o nível de abstenção cresce ainda mais.

É estabelecida, então, uma investigação policialesca para averiguar as razões subversivas dessa anulação massiva dos votos. As consequências dessa investigação são ações que levam a um devaneio autoritário, que revela a fragilidade do mecanismo democrático. A ideia da peça é justamente criar uma reflexão sobre a democracia e o constante processo que pode tanto favorecê-la como favorecer interesses contrários ao seu princípio.

O espetáculo tem direção de Fernando Nistch, dramaturgia de Marcos Barbosa e músicas originais de Edgar Bustamante. Já o elenco é composto por Adriano Merlini, André Maia, Edgar Bustamante, Gisele Valeri, Luiza Torres, Paulo Vasconcelos e Priscila Esteves.

Ensaio Sobre a Lucidez faz parte da programação do projeto Algum dia teria que acontecer, contemplado na 32ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. O grupo também prevê a estreia – em julho – do espetáculo Desbotou (título provisório), que debaterá a democracia com o público infantil.

SINOPSE

Anos depois de uma epidemia de cegueira, uma cidade novamente lúcida invalida as eleições municipais, inundando as urnas com votos brancos. Sob a alegação de que busca salvaguardar a democracia, o Estado responde com a supressão de direitos individuais e com a implementação de um totalitarismo disfarçado, com a bênção das mídias e das elites nacionais. Em meio ao terror, é preciso encontrar um culpado, ainda que se precise inventá-lo. A democracia está em risco, mas quem são, de fato, os seus inimigos?

CARMEN (2).png

Ensaio sobre a Lucidez

Com Adriano Merlini, André Maia, Edgar Bustamante, Gisele Valeri, Luiza Torres, Paulo Vasconcelos e Priscila Esteves

Espaço Cia da Revista (Alameda Nothmann, 1135 – Santa Cecilia, São Paulo)

Duração 100 minutos

26/01 até 31/03 (dia 23/02 não haverá sessão)

Sábado – 21h, Domingo – 19h

$20 ($5 – moradores da região, com apresentação de comprovante de residência)

Classificação 16 anos

MANSA

Depois de estrear no Rio de Janeiro integrando a programação do festival Cena Brasil Internacional em junho de 2018 no CCBB Rio, Mansa, com dramaturgia de André Felipe e direção de Diogo Liberano, desembarca em São Paulo e estreia no Viga Espaço Cênico – sala Viga, no dia 8 de fevereiro. A temporada segue até 31 de março, com sessões às sextas e aos sábados, às 21h; e aos domingos, às 19h.

Na trama, Amanda Mirásci e Nina Frosi interpretam duas irmãs que, após anos de abuso em cárcere privado, matam o pai e enterram seu corpo nos fundos da casa. Mais do que apresentar um mero crime, a peça busca investigar a origem da violência contra a mulher.

Seguindo o jogo proposto pela dramaturgia, as atrizes dão vida a diferentes personagens e, como detetives ou arqueólogas, vão progressivamente desenterrando uma história silenciada, deixada na terra e perdida no tempo. Os personagens – todos eles masculinos – observam o drama das irmãs por diferentes ângulos, anunciando um constante processo de “amansamento” feminino. A montagem chama atenção para inúmeros crimes praticados contra as mulheres e que não recebem a devida punição, naturalizando a violência contra elas em nossa sociedade contemporânea.

A dramaturgia é construída por meio de fragmentos que se estendem por vários tempos, desde a infância das duas irmãs, passando pela adolescência, até o ato do crime e momentos posteriores a ele: julgamento, prisão e futuro. O terreno onde o corpo do pai foi enterrado é o espaço que une as cenas passadas, presentes e futuras, ganhando contornos que extrapolam uma única narrativa e abrindo aos espectadores o mesmo desafio: como afirmar algo sobre uma história que não é contada por suas vítimas, mas quase sempre por seus violentadores?

A encenação de Diogo Liberano buscou construir, junto à direção de movimento de Natássia Vello, uma dramaturgia corporal que apresenta diversos momentos da vida dessas irmãs. Por meio de uma relação de encaixe e desencaixe, a dramaturgia se relaciona com tais movimentos buscando abrir perguntas sobre os fatos narrados pelos personagens masculinos e a realidade vivida e sentida pelas mulheres que foram emudecidas. A trilha sonora original de Rodrigo Marçal, o cenário e os figurinos de André Vechi e a iluminação de Livs Ataíde visam, de modos variados, encontrar e completar uma história que foi esquecida e silenciada.

O autor André Felipe partiu de referências sugeridas pelo diretor e pelas atrizes para criar a dramaturgia original. Uma das origens da investigação foi a clássica dramaturgia “Antígona” do grego Sófocles. “O embate vivido entre as irmãs Antígona e Ismênia: uma querendo tomar uma decisão que desafiaria o Estado e causaria a sua morte e a outra amedrontada em realizar uma ação considerada indevida para uma mulher naquela época”, comenta Liberano sobre o processo de pesquisa que também incluiu estudos filosóficos e filmes sobre penitenciárias e instituições de confinamento.

Tínhamos o desejo de falar do confinamento e da instituição prisão modelando e domesticando o corpo da mulher”, acrescenta o encenador. O nome do espetáculo foi uma sugestão do dramaturgo a partir do poema “Uma mulher limpa”, do livro “Um Útero é do Tamanho de Um Punho”, da escritora Angélica Freitas (que segue transcrito abaixo):

porque uma mulher boa

é uma mulher limpa

e se ela é uma mulher limpa

ela é uma mulher boa

há milhões, milhões de anos

pôs-se sobre duas patas

a mulher era braba e suja

braba e suja e ladrava

porque uma mulher braba

não é uma mulher boa

e uma mulher boa

é uma mulher limpa

há milhões, milhões de anos

pôs-se sobre duas patas

não ladra mais, é mansa

é mansa e boa e limpa

CARMEN.png

Mansa

Com Amanda Mirásci e Nina Frosi

Viga Espaço Cênico – Sala Viga (Rua Capote Valente, 1323 – Pinheiros, São Paulo)

Duração 70 minutos

08/02 até 31/03

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$40

Classificação 16 anos