OLFATO

Com uma comedia crítica que flerta com o grotesco, a Cia do Escombro chega com seu mais novo trabalho: Olfato. O espetáculo está no Teatro de Container da Cia. Mungunzá. A temporada tem sessões sábados, domingos e segundas-feiras, sempre às 20h, até 30 de abril. A peça passa pela discussão entre as relações de poder no público/privado e reflete a situação política e social no Brasil atualmente.

A montagem tem o diretor convidado de Maurício Perussi e dramaturgia de Teresa Cristina Borges. O elenco conta com Paulo Barcellos, Marco Barreto, Melina Marchetti e Vivian Petri. Na trama, enquanto um importante evento político é transmitido pela televisão, uma mulher, juntamente com a babá e um recém-nascido, vai até um encontro extraconjugal em um sobrado, onde um homem e o seu amigo a esperam.

Em cena, vemos uma mulher rica que busca realizar as fantasias não permitidas por seu status social; a babá, que a acompanha diariamente, e que tenta achar saídas para sua condição servil; um homem, dono do local do encontro, o qual se envolve na situação sem que tenha por isso optado, mas que, ainda assim, não deixa de se aproveitar do que acontece ali; e, por fim, o personagem intitulado “outro”, cujo desejo e cuja impotência estão em constante conflito, manifestando-se nas estratégias que emprega para influenciar os demais.

A inspiração da peça veio de dois cruzamentos: de um lado, a arena privada onde os interesses pessoais, aparentemente subjetivos, refletem também a realidade político-ideológica de seu entorno e, de outro, a votação do processo de impeachment de Dilma Rousseff, o que polarizou radicalmente o país.

A dramaturga Teresa Borges falou sobre o processo de construção do texto. “O espetáculo se relaciona com a dinâmica da transmissão televisiva e o seu papel na articulação do processo de impeachment e na formação de opinião. Isso como primeira instância. Na segunda camada, a dramaturgia tenta trabalhar a transposição de uma moral política para uma moral das relações privadas. Os personagens aparentemente não têm relação nenhuma com que estão assistindo, porém, reproduzem e aplicam estratégias, táticas, negociações e artimanhas que são desenvolvidos nas instâncias políticas”.

Para Teresa, a dramaturgia traz diversos fios que são conectados por um tema central que é o poder. “A montagem também toca em uma série de assuntos transversais como relações trabalhistas, de afeto, dependência, de interesse erótico”.

Os recursos cênicos refletem o conceito da animalidade, infantilização e o princípio de justaposição. O cenário é composto por três paredes que evocam uma casinha de brinquedo. O figurino é composto por elementos de vestuário adulto e infantil, além de elementos animais, procurando revelar o que os personagens escondem: o caráter regressivo das relações de poder estabelecidas entre si. A concepção inclui soluções multimídias para reforçar o contexto da história. O vídeo transmite a votação do impeachment e mostra sequências de imagens ligadas a história do Brasil, enquanto a projeção revela um momento de clímax da trama.

Um dos pontos fortes da peça é a possibilidade de leitura não naturalista para as falas das personagens, figuras estas aparentemente realistas. Essa tensão entre um naturalismo aparente e uma realidade cênica estranha e autônoma foi o que mais me chamou a atenção. Além disso, os símbolos de morte e renascimento contrastados à retórica perversa utilizada pela maioria dos deputados brasileiros, pareceram-me oferecer um material muito rico para a construção de uma leitura crítica a respeito do atual momento histórico do país. Todos esses elementos podem impactar o espectador por uma via mais afetiva do que racional com a construção de uma visualidade expressiva e de uma sonoridade instigante”, finaliza o diretor Maurício Perussi.

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Olfato
Com Paulo Barcellos, Marco Barreto, Melina Marchetti e Vivian Petri. 
Teatro Container da Cia. Mungunzá (Rua dos Gusmões, 43 – Santa Efigênia, São Paulo)
Duração 90 minutos
07 a 30/04
Sábado, Domingo e Segunda – 20h
$20
Classificação 16 anos

 

AMOR BARATO – O ROMEU E JULIETA DOS ESGOTOS

Tudo vai mal. Tudo.  Mas mesmo da lama pode surgir um grande amor, capaz de fazer respirar um mundo carregado de intrigas, intolerância e brigas por pequenos (e grandes) poderes.

Esse é o ponto de partida do musical Amor Barato – O Romeu e Julieta dos esgotos, que estreia em abril em São Paulo misturando referências reais, fábulas tradicionais e histórias de amor clássicas para cantar o improvável romance entre Dona e Dom, seres tão estranhos quanto o mundo em que vivem.

Amor Barato – O Romeu e Julieta dos esgotos é dirigido por Fábio Espírito Santo e Ana Paula Bouzas, e estreia para o público no dia 19 de abril, no Teatro Itália, onde cumpre temporada às quartas e quintas-feiras, sempre às 21h, até 31 de maio.

Com dramaturgia de Fábio Espírito Santo e trilha original assinada por Jarbas Bittencourt e Ronei Jorge, a montagem traz seis atores e atrizes em cena, dando voz e corpo a dezenas de personagens criados para narrar e viver as aventuras de um amor impossível, famílias rivais e um desfecho trágico. A história infantil “O casamento da Dona Baratinha” é uma das referências de Amor Barato. Mas não é a única; a trama namora também com “Romeu e Julieta”, de William Shakespeare, e outras histórias clássicas de amor. Tudo recheado com uma pitada generosa de referências reais dos noticiários diários, que transformam a história de amor entre um rato e uma barata nos esgotos de uma metrópole num musical adulto e absolutamente atual.

Na trama, Dona (Aline Machado) é uma jovem com sérios conflitos com seu pai, Dr. Barata (Eric de Oliveira), um empresário da comunicação. Ela se apaixona por Dom (Pietro Leal), um jovem playboy inconsequente, fruto do casamento fracassado de Madame (Adriana Capparelli) e o corrupto Senador (Beto Mettig). Frutos de famílias diferentes e rivais, Dona e Dom vivem, sob o olhar irônico da Narradora (Thaís Dias), uma intensa paixão, apesar de toda adversidade presente nos subterrâneos do poder.

Com 37 composições originais, o musical Amor Barato traz uma dramaturgia sonora que flui através de gêneros musicais tão variados quanto “os sons que correm nas veias de uma cidade”, como afirma Jarbas Bittencourt, musicista com profícua experiência em trilhas para as artes cênicas.  Para criar a música do espetáculo, os compositores partiram do texto de Fábio Espírito Santo com o desafio de preservar a potência dramatúrgica e poética já contida na obra original.

O conceito de gênero musical expandido abre espaço para aproximações estéticas composicionais amplas. “Não há na música de Amor Barato um limite muito claro entre o radiofônico e o experimental, entre o clube e a sala de concerto”, comenta Jarbas, que faz questão de valorizar as referências usadas na obra: elas vão da vanguarda paulista, representada por Itamar Assumpção e Arrigo Barnabé, a operetas, música dodecafônica e atonal, passando ainda pela obra de Tom Zé e pelo teatro alemão do século 20, como o clássico “A Ópera dos Três Vinténs”, de Bertolt Brecht e Kurt Weill.

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Amor Barato – O Romeu e Julieta dos Esgotos
Com Adriana Capparelli, Aline Machado, Beto Mettig, Eric de Oliveira, Pietro Leal e Thaís Dias
Teatro Itália – Sala Drogaria SP (Av. Ipiranga, 344 – República, São Paulo)
Duração 80 minutos
19/04 até 31/05
Quarta e Quinta – 21h
$40
Classificação 16 anos

EXTINÇÃO

Baseado no livro homônimo do austríaco Thomas Bernhard, o espetáculo solo com Denise Stoklos apresenta uma obra demolidora dos valores conservadores da sociedade que limitam os espaços de exercício de liberdade e amor. A temporada acontece no Teatro Anchieta, Sesc Consolação, de 13 de abril a 20 de maio. A direção é de Denise Stoklos, Francisco Medeiros e Marcio Aurelio.

O espetáculo apresenta textos de Denise Stoklos que os interpreta referindo-se ao ritmo vertiginoso, reiterativo, cruel e veemente do livro (lembra praticamente um contínuo Joyce, especificamente no monólogo de Molly Bloom).

Isso leva à cena a proposta do autor de extinção dos pilares da sociedade capitalista: à família fechada, ao implícito egocentrismo do neoliberalismo, as demagogias de todos os lados muitas vezes até dos movimentos e das redes sociais em sua mistificação de valores, a pretensa solidariedade que é questionável quando há estratificação de classes sociais, o racismo instalado mas com todos os disfarces, a intolerância a todas às diferenças”, conta Denise.

A montagem, por Denise Stoklos

“Neste ano estou completando 50 anos de teatro. A montagem ‘Extinção’, livremente inspirada no livro de Thomas Bernhard realizada pelo Sesc São Paulo abre as comemorações que se encerram em dezembro com a primeira edição do FIDS, Festival Internacional de Solo Performance Denise, em Irati, Paraná com patrocínio exclusivo do ITAU CULTURAL através de seu diretor Eduardo Saron e seu firme apoio à diversidade do teatro.

Nasci em 14 de julho de 1950 em Irati, no Paraná. Aos dezoito anos estreei com uma peça que escrevi, produzi, dirigi e atuei com um grupo de amigos: “Círculo na lua, lama na rua”, peça que, desde o nome, pretendia ultrapassar a censura, apresentava um intrincado mais funcional sistema de revolução através de um imaginado ‘Clube dos Artistas’: os mais sensíveis à desafinação de violinos ‘Trafapro’ (Tradição, Família e Propriedade) instrumentos que era de uso compulsório dos moradores da cidade. Estávamos em pleno AI5 (a estreia foi em 24 de novembro) e eu estava estudando Jornalismo e Ciências Sociais, ambiente cultural que veio a definir permanentemente todas as minhas questões políticas, pessoais e artísticas.

Chamei para a montagem comemorativa dois diretores paulistas da minha geração, Francisco Medeiros e Marcio Aurélio, para compartilharmos a direção. Nunca trabalhei com eles antes, mas sempre corremos em paralelo com nossas produções pessoais, e nos admiramos. Considero a montagem de Francisco Medeiros com Ileana Kwasinsky (outra paranaense, nos tratávamos por ‘polacas’) ‘Depois do Expediente’ de Xavier Kroetz uma obra prima de nossa época. Marcio Aurelio passou anos encantando os alemães, quando morou lá, tendo montado inclusive ‘Mefisto’, nada menos que um Fausto à moda dele. Além de sermos da mesma geração outro dado nos une: Antonio Abujamra, aquele a quem frequentávamos como diretor, mestre, oráculo, e importante provocador.

O psicanalista e escritor Ricardo Goldenberg me sugeriu o livro “Extinção” de Thomas Bernhard, para montagem e mergulhou na aventura como dramaturgista. Nela se uniu Lua Santosouza, também psicanalista – nunca acho que essa área é demais, para nós, de teatro, que nos debatemos tanto com limites, desejos, papéis, máscaras, personas, confrontações, estéticas, embates sociais, etc.

Chamei J.C.Serroni um cenógrafo diretor de arte e extremo conhecedor de teatro e suas carpintarias e da imagética. Eu havia ficado impressionada quando da montagem dos textos de Dario Fo, ‘Um orgasmo adulto escapa do zoológio’ em 1983, com Antonio Abujamra, ele não acrescentou um cenário, mas praticamente ‘retirou cenário’ optando por apenas um fundo infinito branco que valorizava minha gestualização e a deixava como o ponto fundamental da encenação. Qualquer outro entendimento teria dado um rumo completamente diferente à peça que foi muito bem recebida por público nacional, sul americano, europeu e norte americano, em uma carreira de 7 anos, em 3 idiomas.

Aline Santini, iluminadora, já havia sido um encontro extremamente produtivo em minhas duas últimas peças: ‘Carta ao Pai’ e ‘Vendo Gritos e Palavras’. Ela é uma iluminadora que tem projeto de luz individual, que se debruça nos trabalhos inteiramente, investiga, propõe, escuta.

O Sesc com Danilo Santos de Miranda sempre pessoalmente envolvido tornando possível a evolução da nossa sociedade. Este espetáculo estreia no 27ª Festival de Curitiba nos dias 05 e 06 de abril de 2018.

O trabalho desta peça carrega o desejo de encenar uma posição política nos ecos de Karl Valentin, Brecht, neste momento específico de nosso país onde a lucidez provocada por Bernhard demonstra que sem extinção não se atinge uma nova etapa civilizatória que nos redima da mediocridade existencial, política, emocional atualmente instalada.

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Extinção
Com Denise Stoklos
Teatro Anchieta – Sesc Consolação (Rua Doutor Vila Nova, 245 – Consolação, São Paulo)
Duração 75 minutos
13/04 até 20/05
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 18h
$40 ($12 – credencial plena)
Classificação 16 anos

 

BORDERLINE

Bipolaridade, esquizofrenia, desejos, loucura e lucidez. Esses são os temas de “Borderline”, monólogo de Junior Dalberto que estreia dia 13 de abril no Espaço Parlapatões, 21h. Destaque literário potiguar Troféu Cultura em 2014, montagem dirigida por Marcello Gonçalves é estrelada pelo ator potiguar Bruce Brandão.

Produzido pela Cia. de Arte Nova, o drama traz Rutras, numa linguagem metafórica, atemporal numa viagem mitológica acerca do personagem inspirado no livro O Cangaço e o Carcará Sanguinolento, posicionando-se diante de questões íntimas relacionadas à família, sexualidade homoafetiva, incesto,  HIV, mundo cibernético, dependência química e sua relação com a geração dos anos 90.

O desafio de dirigir proposto pelo ator Bruce Brandão, me acendeu em algo que é inerente a todos nós, homens da arte: a necessidade e o comprometimento de levar aos palcos uma obra singular e plural. Suponho que aonde quer que eu vá, levarei comigo os ventos das mudanças, eu estou na onda, no ritmo, marchando nele. O registro, a interpretação, a produção e a direção.” Marcello Gonçalves.

Para o ator Bruce Brandão, as leituras sobre o tema Borderline foram fruto do contato com o autor Junior Dalberto em Natal. Encantado com esse universo, fez suas pesquisas e se familiarizou com o tema.

No início eu pensava em visitar clínicas psiquiátricas, entrar em manicômios, mas percebi que o ”manicômio” estava dentro de cada indivíduo. O entendimento sobre o transtorno Borderline me fez galgar outros degraus: É o jeito de ser. Quem já não teve medo de rejeição, impulsividade, ciúmes, sensação de abandono? Porém quando se trata de um Border, o olhar é outro. Tudo tem intensidade! Olhar poeticamente a doença é mergulhar no desconhecido.

Sobre a Cia. de Arte Nova

A Cia. nasce do encontro entre os atores Marcello Gonçalves e Bruce Brandão, com a necessidade de gerar cultura, arte e o comprometimento com o trabalho de pesquisa, para criar novas formas de se pensar o teatro. Fomentando uma nova economia de gestão e transmissão de conhecimento, a Cia. criada em julho de 2014 pretende ser um centro integrado de arte onde os atores e as equipes formam e constroem um novo olhar sobre o teatro. Atualmente a Cia está em processo de montagem “O Senador”, baseada na obra de Victor Hugo.

Borderline
Com Bruce Brandão
Espaço Parlapatões (Praça Roosevelt, 158 – Consolação – São Paulo)
Duração 55 minutos
13/04 até 20/05
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 20h
$40
Classificação 16 anos

11 SELVAGENS

Espetáculo inspirado pela polarização e o contexto político e social que tomaram as ruas do país nos últimos três anos, 11 Selvagens volta em cartaz no Teatro de Arena Eugênio Kusnet, de 6 a 29 de abril.

Com direção de Pedro Granato, a peça reúne os atores Anna Galli, Beatriz Silveira, Bianca Lopresti, Bruno Lourenço, Felipe Aidar, Gabriel Gualtieri, Inês Bushatsky, Isabella Melo, Jonatan Justolin, Fhelipe Chrisostomo, Gustavo Bricks, Mariana Marinho, Mariana Beda, Mauricio Machado, Rafael Carvalho e Thiago Albanese, em situações onde as pessoas perdem o controle.

As cenas se desenrolam a poucos metros do público, por vezes até na cadeira ao lado, e a identificação é imediata. São cenas do cotidiano em que explode um impulso descontrolado. Da violência à sensualidade, do absurdo ao trivial, são onze quadros interligados como uma camada de sociabilidade que pode rapidamente ser rompida em nossos dias.

O ponto de partida foi a tensão crescente no país em 2016, mas parece que o espetáculo foi criado hoje. As manifestações, a violência, a sensação de impotência que mexem com os extremos, deixam a peça muito atual”, fala Granato – que foi indicado ao Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem 2017 pelo texto original.

O público acompanha tudo de perto. Em algumas cenas, é como se a plateia estivesse na mesma situação dos atores. Em outras é cúmplice e voyer, já que as cenas passeiam pelos diferentes lados da arena colocando atores e público lado-a-lado.

Chegamos ao Teatro de Arena, um local histórico, coroando uma trajetória de sucesso que começou em 2017, no Pequeno Ato, com apresentações sempre lotadas. Vamos acomodar um número maior de expectadores numa peça feita em arena. O jogo com o espaço cênico tem esse aspecto imersivo de colocar o espectador na situação em que os atores estão trazendo. É a sensação de que tudo poderia acontecer com qualquer pessoa ali presente”,

O trabalho é hiper-realista, com o público próximo, como em um close detalhado de cada cena. Cada quadro é levado ao paroxismo e quando parece não haver mais para onde ir, a música toma o ambiente e os atores extravasam em coreografias.

O figurino e a luz se baseiam em elementos minimalistas que são reconstruídos para cada cena. A intervenção musical dá agilidade à narrativa e permite uma explosão estética para além da verossimilhança. Histórias em que a plateia se identifica, músicas contemporâneas, tudo está equalizado para dialogar profundamente com a geração atual. “São fragmentos que formam um conjunto em que se observa essa polaridade e explosão que a gente percebe nas relações hoje em dia”.

11 Selvagens estreou em 2017 no Teatro Pequeno Ato. Figurou nas listas das melhores peças em cartaz pela Revista Veja São Paulo, pelo Portal Anna Ramalho e entre os melhores textos do ano pelo Site Pecinha é a Vovózinha, do jornalista Dib Carneiro Neto.

Sinopse:

11 Selvagens reúne onze atores em situações onde as pessoas perdem o controle. Da violência à sensualidade, do absurdo ao trivial, são cenas do cotidiano que explodem em impulsos descontrolados. Como uma camada de sociabilidade pode rapidamente ser rompida em nossos dias?

Fiquei muito impressionado com o espetáculo 11 Selvagens ontem, sábado. Parecia o cruzamento de Hobbes, do meu livro Todos Contra Todos, do filme Relatos Selvagens e das próprias criações de Pedro Granato. Cenas distintas unidas pelo jogo da violência: sexualidade, controle, narciso, ambiguidade, preconceitos, falsos sentimentos piedosos, hybris… Jovens talentosos, atores vivendo teatro com o uso intenso de música, luz, corpo e diálogos rascantes. Basta isso para uma noite de muita reflexão. Agradeço muito o convite. O Brasil precisa destas cenas inteligentes para o ano de 2018 ser menos doloroso.”

Leandro Karnal

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11 Selvagens
Com Anna Galli, Beatriz Silveira, Bianca Lopresti, Bruno Lourenço, Felipe Aidar, Gabriel Gualtieri, Inês Bushatsky, Isabella Melo, Jonatan Justolin, Fhelipe Chrisostomo, Gustavo Bricks, Mariana Marinho, Mariana Beda, Mauricio Machado, Rafael Carvalho e Thiago Albanese. 
Teatro de Arena (Rua Doutor Teodoro Baima, 94 – República, São Paulo)
Duração 70 minutos
06 a 29/04
Sexta – 21h, Sábado e Domingo – 19h
$40
Classificação 16 anos

DESEJO

Espetáculo teatral livremente inspirado na obra Um Bonde Chamado Desejo de Tennessee Williams. O projeto nasceu da necessidade de retratar as incertezas que cercam qualquer indivíduo na busca por seus sonhos e desejos mais íntimos, e também de fortalecer a importância do respeito e da representatividade, abordados numa relação homo afetiva e inter-racial.

A equipe é composta por um coletivo de artistas que se uniram em prol da arte e da diversidade, a maioria formada pela Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Penna. A peça conta com a direção e supervisão geral de Vera Lopes.

SINOPSE:

Um artista relembra sua história em busca do seu maior sonho: interpretar a personagem Blanche Dubois. Logo ele começa a reviver seu passado e a paixão por um diretor de teatro. A peça retrata a relação entre dois homens e as consequências de um desejo sem limites, trazendo imagens e provocações através do encontro do teatro com o cinema.

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Desejo
Com Jamal D’Izéte, Daniel Vargas e Isabelle Nassar.
Teatro Municipal Café Pequeno (Av. Ataulfo de Paiva, 269 – Leblon, Rio de Janeiro)
Duração 60 minutos
03 a 25/04
Terça e Quarta – 20h
$40
Classificação 16 anos

PUNK ROCK

‘Punk Rock’ é o texto de um dos mais importantes e renomados dramaturgos mundiais contemporâneos, Simon Stephens e ganha pela primeira vez montagem no país, pela Cia da Memória, formada por Ondina Clais e Ruy Cortez, que assinam a direção artística e a concepção do projeto que prevê a encenação de cinco obras que desdobram temas autônomos, vistos sob a perspectiva do feminino.

A estreia é dia 16 de março, no Centro Cultural São Paulo, sala Jardel filho, em temporada de quatro semanas, sempre as sextas e sábados, às 20h e domingos, às 19h.

‘Punk Rock’ é a segunda montagem da pentalogia e aborda o bullying e a violência nas escolas. O texto faz crítica ao elitismo do ensino, à disputa entre os vestibulandos dentro das instituições escolares, ao vestibular como afunilamento social e a forte presença do bullying nesse meio.

É preciso dar vazão à potência do texto de Simon e o que ele nos diz sobre a contemporaneidade e sua respectiva construção do sujeito social. Ainda que o bullying seja identificado como o principal motivo para a execução de massacres, não temos efetivamente políticas e diretrizes unificadas de identificação desses casos e métodos para lidar com essa questão a tempo, antes que outras tragédias aconteçam. Precisamos fomentar projetos nesse sentido, precisamos entender isso como uma questão de saúde, educação e segurança. ”, diz Ondina Clais, diretora da montagem junto com Ruy Cortez.

Levar ao palco essa temática é a possibilidade de o teatro irromper em cena aquilo que não pode acontecer no tecido do real. A peça, enquanto texto, direção e concepção e interpretação de maneira nenhuma faz apologia, incentiva ou apoia esse tipo de comportamento último. Ao contrário, toda a cautela do projeto é para constituir um discurso contra o ódio e a intolerância, frisando a importância das boas relações, da empatia, do respeito às diferenças e do amor ao próximo”, diz Ruy Cortez, diretor artístico da montagem junto com Ondina Clais.

Falar sobre a educação é fundamental em tempos de inversões, que não só freiam avanços, mas que também causam retrocessos no Brasil. O memorável levante dos secundaristas e a ocupação por todo o país provam que os jovens não estão de acordo com a estrutura educacional e com a forma de se produzir – ou não – pensamento. Como estamos formando os cidadãos? O que o mundo contemporâneo propõe para o futuro sob a ótica das relações humanas? ” Reflete João Vasconcellos, um dos atores da montagem.

O conceito da encenação para essa montagem é o aprisionamento, o confinamento. A cenografia desenvolvida por Juliana Lobo – um fechamento retangular de plástico translúcido – permite à encenação destacar, isolar, aprisionar, segregar, confinar, expor, reunir, aproximar e libertar falas, corpos, pensamentos e subjetividades dentro do espaço cênico. O espaço é minimalista para enfatizar os personagens, tendo poucos objetos pontuais, que ajudam a compor uma arquitetura impessoal.

No ano em que foi escrita, 2008, a peça recebeu duas indicações como melhor peça teatral do ano, pelos mais conceituados prêmios ingleses: TMA Theatre Awards e Evening Standard Theatre Awards.

Sinopse

Na biblioteca de uma escola, sete colegas se preparam para as provas do vestibular, enquanto extravasam as pressões latentes da adolescência, que aos poucos rompem em agressividade. William Carlisle, protagonista da obra, é um jovem estudante que tem o mundo aos seus pés e o peso dele sobre os seus ombros.

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Punk Rock
Com Álvaro Motta, Andressa de Santi, Luiz Antônio Motta, Conrado Costa, Jessica Rodrigues, João Vasconcellos, Lais Gavazzi, Vivi Ono e Yan Brumas
Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho (Rua Vergueiro, 1000 – Liberdade, São Paulo)
Duração 180 minutos
16/03 até 08/04
Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 19h
$20
Classificação 16 anos