BIBI, POR TODA MINHA VIDA

Após comemorar 75 anos de carreira, a grande dama do teatro e da música brasileira Bibi Ferreira sobe ao palco do Teatro Oi Casa Grande para estrear seu mais novo espetáculo “Por Toda Minha Vida”.

Neste trabalho, Bibi retorna ao cancioneiro brasileiro, matando a saudades das nossas grandes canções e celebrando vários encontros que teve durante sua carreira. Uma grande homenagem aos amigos e artistas próximos.  “Bibi, Por Toda Minha Vida” ficará em cartaz aos sábados às 21h e domingos às 19h até o dia 3 de dezembro.

A ideia de retornar ao cancioneiro brasileiro surgiu justamente durante o período de comemorações do jubileu de diamante, onde muito se falou, mostrou e se perguntou sobre os 75 anos de carreira da artista. Na cabeça de Bibi, um grande passeio pela carreia. Lembrou-se de muitos momentos, de diversas passagens e percebeu que teve, em toda sua vida, pessoas muito especiais, cuidadosas e interessadas, sempre destacando a importância dos seus pais. São novas e velhas histórias. São novas e velhas canções. E foi lembrando nessas pessoas que Bibi criou a estrada que conduz seu novo espetáculo.

Artisticamente, Bibi continua trabalhando em parceria com seu maestro Flavio Mendes e seu empresário Nilson Raman, na seleção das canções, na seleção das histórias e no estudo do roteiro. A “costura”, como diz Bibi. No palco, será acompanhada por onze músicos, contando com o maestro que também é o guitarrista.

Nas canções, encontramos lembranças de Noel Rosa, Carmem Miranda, Dolores Duran, Maysa, Eliseth Cardoso, Clara Nunes, Araci de Almeida, Dalva de Oliveira, Nora Ney, Tom Jobim, Milton Nascimento, Nara Leão, Elis Regina e Maria Bethânia, entre outros nomes.

Nas histórias, vamos ouvir falar de Procópio e Dona Aída, pais de Bibi, claro, por considerar os grandes responsáveis por ter se tornado quem ela é, mas também vamos ouvir falar, além dos artistas já citados acima, de Dorival Caymmi, da Rua da Quitanda, de Carmen Santos, Marília Batista, Isaurinha Garcia, bossa nova, Gianni Rato, Flávio Rangel, Paulo Pontes, Silvia Teles, Antonio Maria, Menescal e Boscoli, Angela Maria, Oduvaldo Viana Fialho, Augusto Boal, Edu Lobo, Vinicius de Moraes, e assim vai, por toda sua vida.

Bibi – Por Toda Minha Vida
Com Bibi Ferreira e orquestra
Teatro Oi Casa Grande (Avenida Afrânio de Melo Franco, 29 – Leblon, Rio de Janeiro)
Duração (não informada)
11/11 até 03/12
Sábado – 21h, Domingo – 19h
$100/$180
Classificação 16 anos

PICHE

Esmiuçar a violência urbana e o discurso de ódio, hoje, em ascensão nos grandes centros de todo o mundo, é o objetivo da Cia do Caminho Velho com a estreia de sua mais nova montagem. PICHE, que comemora os 10 anos do grupo, chega ao palco da SP Escola de Teatro no dia 11 de novembro, sábado, às 21 horas.

Com texto e direção de Alex Araújo, o espetáculo traz no elenco os atores Carlos Marques e Daiane Sousa, que se revezam nas 16 figuras presentes na dramaturgia do diretor. PICHE é resultado de um intenso processo de formação dos atores pesquisadores, que se debruçaram por três anos em treinamentos e debates a partir da pesquisa do grupo sobre violência.

Em PICHE um jovem de periferia é capturado por dois policiais milicianos que o torturam barbaramente. Cortam sua carne, escalpelam seu corpo, e desferem inúmeros murros e chutes contra ele, mas de modo inexplicável ele não morre. O caso acaba por comover uma multidão descontrolada que vai as ruas interceder pelo garoto, o que, por sua vez, gera o interesse de políticos e de um líder religioso.

Para o diretor e dramaturgo Alex Araújo, o espetáculo fala sobre indiferença, intolerância e a incapacidade de um sujeito suportar o outro. “A peça investiga como surge a vontade sádica de um sujeito querer tomar posse do corpo do outro. Como é que surge essa ânsia por dominação? O estupro, a tortura, as regras desmedidas da religião e dos bons costumes e a neurose do homem de bem. Aquilo que se exacerba transbordando os limites do aceitável, do inimaginável”, conta ele.

Continuidade da pesquisa

Em 2015, a Cia do Caminho Velho estreou, com dramaturgia de Dione Carlos e dentro do projeto Teatro Mínimo do Sesc Ipiranga, a peça Bonita. A montagem revisitou o mais famoso bando de cangaceiros do Brasil, sob o ponto de vista de uma mulher: Maria Bonita, vivida por Carolina Erschfeld.

A pesquisa dos atores que performam com a iluminação, cenário e figurino, iniciada em Bonita, tem continuidade em PICHE, mas agora construindo um território urbano. A pesquisa e montagem da peça se deu no bairro dos Pimentas, em Guarulhos, onde o grupo desempenha papel social e pedagógico através do teatro para além dos muros da universidade.  Em 2018, o espetáculo estreará também em Guarulhos, no Teatro Adamastor Pimentas.

Em Bonita descobrimos uma forma de guiar a nossa pesquisa em que a encenação e todos os seus elementos como cenário, figurino e iluminação são pautados pela sensibilidade do ator. Nossa iluminação, por exemplo, tomou outra importância quando os atores ficaram livres para manuseá-la, deslocá-la ou esconde-la fazendo surgir sombras”, explica Alex.

Ciclo de conversas

A Cia. do Caminho Velho há dez anos se dedica a prática teatral, através da investigação de novas formas dramatúrgicas, da pesquisa em busca de um ator sensível, singular e autônomo, e do empenho em oferecer gratuitamente cursos, debates, e experimentações voltadas ao teatro.

Para a temporada de PICHE, na SP Escola de Teatro, o coletivo propõe um ciclo de conversas sobre dramaturgia e violência com participação de autoras e diretoras da cena teatral paulista. Os encontros acontecem aos domingos após a apresentação do espetáculo. Entre os convidados estão: Marici Salomão (12 de novembro), Dione Carlos (19 de novembro), Maria Shu (26 de novembro) e Michelle Ferreira (3 de dezembro).

 

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Piche
Com Carlos Marques e Daiane Sousa
SP Escola de Teatro (Praça Franklin Roosevelt, 210 – Consolação, São Paulo)
Duração 50 minutos
11/11 até 11/12
Sábado – 21h, Domingo -20h, Segunda – 21h
$20
Classificação 16 anos

VOCÊS QUE ME HABITAM

Sinopse

Em um consultório, o encontro de uma mulher e uma médica se torna o disparador da revelação de situações limite. Suas memórias emergem, trazendo à tona relações familiares e desejos de liberdade frente às regras de uma sociedade patriarcal.

Sobre a direção de Vocês que me habitam, por Erica Montanheiro

“Nosso tempo é áspero, duro, “asfáltico”. Querem nos obrigar a fechar fronteiras, levantar muros e não querer atravessar para ver o outro. Querem nos conduzir a negar a empatia. Um tempo de securas. De construção de muros que bloqueiam qualquer tipo de afetividade.

Pensando na construção cênica (e desconstrução desses fatos sombrios), optei por uma linguagem que pudesse gerar uma aproximação imediata com o público.

Assim, na encenação, utilizo elementos do Melodrama (gênero que conheci quando estava ainda na escola de Philippe Gaulier, em 2003. Inaugurei minha pesquisa sobre o melodrama junto à Cia. Os Fofos Encenam, dentro da linguagem do Circo-Teatro orientada por Fernando Neves. Posteriormente, em Paris, aprofundei meus estudos em uma residência artística).

O corpo como disparador de situações, a imagem corporal como suporte para os estados que as atrizes devem acessar, a sustentação da emoção e a suspensão dos tempos melodramáticos. Estes elementos servem como estrutura para a composição das cenas e alicerce para as atrizes. A ambiência sonora e as partituras corporais fazem parte desta linguagem, ora impulsionando os estados, ora propondo uma oposição.

Esta linguagem do Melodrama foi escolhida por criar uma dramaturgia cênica capaz de prender o interesse do espectador sobre a narrativa, enquanto o texto passeia por campos poéticos e por uma ordem não-cronológica dos acontecimentos, fragmentos de memória e um plano de reconstituição dos fatos da vida de uma mulher.

Somos muitas, temos infinitas camadas e queremos fazê-las emergir para o público através de uma dramaturgia que faça ecoar nossas vozes. Os acontecimentos retratados na peça falam de momentos vividos por muitas mulheres dentro de uma sociedade estruturada sob o olhar do patriarcado. Outros, evocam as crianças que um dia fomos, sempre dispostas a brincar e acreditar que é possível ser o que se queira ser.

Vocês que me habitam pretende convocar um outro tempo. Um tempo capaz de dar a possibilidade de nos vermos, ouvirmos e lermos essas pequenas histórias de mulheres que instauram um tempo da delicadeza – um lugar que agora talvez não exista, mas que insistimos – enquanto ato político – em fazer emergir. É uma forma de resistir, de dizer ao país que nosso corpo é nosso, que nosso útero é só nosso, que somos um ajuntamento de mulheres fortes – e ao mesmo tempo, sensíveis – que juntas podem mais, que juntas não se julgam, que se perdoam, prontas para a revolução dos afetos. Será que ainda é possível chorar de um jeito bonito?”

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Vocês Que Me Habitam
Com Ana Elisa Mattos e Joyce Roma
Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro – São Paulo)
Duração 80 minutos
13/11 até 20/12
Segunda, Terça e Quarta – 20h
Entrada Gratuita (Retirada de ingressos 1h antes do espetáculo.)
Classificação 16 anos

 

 

SELVAGERIA

Selvageria’ é o terceiro projeto de Felipe Hirsch e Ultralíricos, coletivo formado em Puzzle’ (2013), espetáculo dividido em quatro partes que levou para o palco a obra de escritores brasileiros contemporâneos. A investigação literária continuou em A Tragédia Latino-Americana’ e ‘A Comédia Latino-Americana’ (2016), díptico encenado a partir de autores latino-americanos e de questões sociais do continente. Desta vez, o grupo se debruçou sobre livros e documentos da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin e sobre a Bibliographia Brasiliana pesquisada por Rubens Borba de Moraes. O resultado desta pesquisa será apresentado a partir de 3 de novembro no Sesc Vila Mariana, em temporada até 17 de dezembro.

Em cena, aparecem textos que começam com a famosa Carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei Dom Manuel (1500), passam por relatos, decretos, diários e chegam ao Triste Fim de Policarpo Quaresma’ (1911), de Lima Barreto, único texto da montagem não originado de um documento histórico. 

Esses documentos são europeus. A fala é dos europeus e dos selvagens civilizados contados por europeus brancos. São essas pessoas que falam. E esses documentos são aterrorizantes, comenta Felipe Hirsch.

Para o diretor, os espectadores podem achar que os textos foram escritos ou que se fez algum tipo de dramaturgia, tamanho o absurdo e a proximidade com a realidade de hoje. ‘’Selvageria’ fala sobre as raízes do conservadorismo no Brasil. Eu brinco de que a gente fez duas ficções (‘Puzzle’ e ‘A Tragédia e a Comédia Latino-Americana) e agora é nosso documentário. Esses documentos foram escolhidos não só pela importância histórica, mas, de fato, pela necessidade de entender que alguns deles são fundamentos do pensamento vigente’, analisa Hirsch.

Os textos:

Carta a El-Rei D. Manuel (Pero Vaz de Caminha, Portugal, 1500)

É o primeiro documento histórico sobre a descoberta do Brasil. A carta redigida por Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota liderada por Pedro Álvares Cabral, descreve ao Rei de Portugal D. Manuel como era a terra e os nativos que nela habitavam. Nota-se o deslumbramento dos europeus ao se depararem com os selvagens e as belezas naturais do chamado Novo Mundo. As descrições retratam o primeiro contato com os nativos, menções ao Pau-Brasil, à Primeira Missa na Nova Terra e aos primeiros escambos feitos entre os descobridores e os indígenas. Como uma grande epígrafe do que viria ser a intervenção dos europeus sobre a história do Brasil, Caminha escreve a despeito da riqueza natural da nova descoberta: Porém o melhor fruto, que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar”.

Cest la dedvction du sumptueux ordre plaisantz spectacles et magnifiquves thea-tres dresse, et exhibes para les citoiens de rouen ville metropolitaine du pays de Normandie, a la sacre maiesté du treschristian roy de France, Henry Secõd leur souuerain seigneur, et à tresillustre dame, ma dame Katharine de Medicis, la royne son espouze, lors de leur triumphant ioyeulx et nouvel aduenement en icelle ville, qui fut es iours de mercredy et ieudy premier et secöd iours doctobre, mil cinq cens cinquante et pour plus expresse intelligence de ce tant excellent triumphe, les figures et pourtraicts des principaulx aornementz diceluy y sont apposez chauscun enson lieu comme lon pourra veoir parle discours de lhistoire (Robert Le Hoy e Jean Du Gord, França, 1551)

Em outubro de 1550, Henrique II, Rei da França, e sua esposa, Catarina de Médici, fizeram uma entrada solene na cidade de Rouen. Como era de hábito, foram realizadas pomposas celebrações. O ponto alto dessas festividades foi, porém, a reconstituição de uma aldeia indígena brasileira em praça próxima ao rio. Cerca de cinquenta índios brasileiros, que haviam sido trazidos de seu país por marinheiros normandos e que viviam na cidade, foram reunidos para povoar esta floresta. Para perpetuar a memória dessas magníficas festividades, Jean du Gord, famoso livreiro de Rouen, ordenou a impressão desse livro, que contém a descrição completa da festa brasileira em duas páginas.

Essais (Des Cannibales) (Michel de Montaigne, França, 1580)

Os mesmos índios que estavam na Festa Brasileira, em Rouen, continuaram a viver na cidade e foram durante anos uma das atrações turísticas do lugar. Quando o Rei Carlos IX visitou a cidade em 1562, foi apresentado a eles. Montaigne testemunhou o fato, e deve ter conservado vívida lembrança, pois se refere aos índios na famosa passagem Dos Canibais, presente em seus Ensaios.

Histoire de la Mission des Pères Capucins en lIsle de Maragnan et terres circonvoisines (Claude DAbbeville, França, 1614)

A obra narra a missão dos capuchinhos franceses ao Maranhão em 1612, integrada pelos padres Yves dEvreux, Arsène de Paris, Ambroise dAmiens e Claude dAbbeville, numa tentativa de colonização do Norte do Brasil e de evangelização dos índios.

Voyage dans le nord du Brésil fait durant les années 1613 et 1614 (Yves D’Evroux, França, 1615)

Escrita com a intenção de completar a obra de Claude dAbbeville publicada no ano anterior, Voyage dans le nord du Brésil omite o que já fora dito. Yves dEvreux, tendo vivido um ano e meio a mais na região, trata de detalhes como a fauna e a vegetação tropical do próprio Maranhão, ao passo que dAbbeville conta somente a história da missão. As muitas descrições publicadas sobre a ida dos capuchinhos franceses ao Maranhão levam a crer que os padres realizaram uma verdadeira campanha de publicidade em torno das expedições.

Campagne du Brésil faite contre les portugals (Louis Chancel de Lagrange, França, 1711)

À bordo da fragata LAigle, um dos 17 navios da armada francesa, o 1º Tenente Louis Chancel de Lagrange relata o assalto e a tomada do Rio de Janeiro em 1711, pela expedição comandada por René Duguay-Trouin.

Letters from the Island of Teneriffe, Brazil, the Cape of Good Hope, and the East Indies (Mrs. Jemima Kindersley, Inglaterra, 1777)

Mrs. Kindersley foi a primeira mulher a escrever uma narrativa sobre o Brasil. De origem inglesa, casou-se em 1762 com o oficial de uma companhia das Índias Orientais, motivo pelo qual os dois viajaram duas vezes às colônias em expansão.

Voyage Autour du Monde (Jacques Arago, França, 1822)

Jacques Arago, artista da expedição científica chefiada por Claude-Louis de Freycinet, escreveu o relato da viagem num estilo muito espirituoso e divertido. Sua expedição chega ao Rio de Janeiro em 1817 e Arago fornece uma longa descrição de sua estada em Guanabara. É um dos raros documentos que retratam em detalhes o Cais do Valongo, um dos maiores portos escravagistas do mundo. Suas inúmeras histórias impressionam pela realidade com que descrevem a crueldade física e moral praticada contra os escravos. A obra nunca foi traduzida ou publicada no Brasil.

Narrative of a voyage to Patagonia and Terra del Fuego, through the Straits of Magellan (John McDouall, Inglaterra, 1833)

O autor esteve de passagem pelo Rio de Janeiro em 1826 e foi mais um dos viajantes a testemunhar o triste espetáculo que se apresentava no Cais do Valongo.

Illustríssimo Senhor Luiz da Cunha / Meu Marido Senhor Luis (Teodora da Cunha e Claro Antônio dos Santos, Brasil, 1866 / 1867)

As cartas da escrava africana Teodora, escritas pelo brasileiro também escravo, Claro Antônio dos Santos, foram descobertas no Arquivo Público do Estado de São Paulo. Ao complementar o serviço de carpinteiro com alguns vinténs advindos da sua habilidade com a escrita, Claro foi autor de inúmeras cartas enviadas como expressão da vontade de Teodora e de outros escravos analfabetos.

Lei Saraiva (Brasil, 1888)

Oficialmente, é o Decreto nº 3.029, que entrou em vigor dia 9 de janeiro de 1881, e teve como redator final o Deputado Geral Rui Barbosa. O decreto instituiu, pela primeira vez, o Título de Eleitor. Entre suas medidas excludentes, está a proibição do voto de analfabetos e de brasileiros que possuam renda inferior a 200$, com exceção dos que ocupam os cargos listados nos artículos da Lei. Além disso, impôs uma série de multas para quem descumprisse seus termos, impedindo definitivamente que as massas da população tivessem representação e voz política, inclusive as mulheres, para quem a lei conservou a inaptidão ao voto

Triste Fim de Policarpo Quaresma (Lima Barreto, Brasil, 1911)

Exceção, o trecho de Lima Barreto é único texto não originado diretamente de um documento. De onde mais, porém, teria saído Policarpo Quaresma, apaixonado pela Pátria, conhecedor dos rios, dos heróis do Brasil”, “das suas cousas de tupi”, das mutilações em todos os países históricos? O que nos resta depois de uma história impregnada nas raízes de um conservadorismo bastardo, do qual ainda dividimos as louças?

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Selvageria
Com Blackyva, Bruno Capão, Caco Ciocler, Crista Alfaiate, Danilo Grangheia, Georgette Fadel, Isabel Zuáa, Magali Biff, Arthur de Faria, Adolfo Almeida Jr., bella, Dhiego Andrade, Mariá Portugal e Thomas Rohrer
Sesc Vila Mariana (R. Pelotas, 141 – Vila Mariana, São Paulo)
Duração 180 minutos
03/11 até 17/12
Quinta, Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 18h
$40
Classificação 16 anos

ELENCO DE “HAIR, A REVOLUÇÃO DO AMOR” FAZ ENSAIO NU

Os valores trazidos pelo musical, sua descrição do uso de drogas ilegais, tratamento da sexualidade e uma cena de nu explícito, causaram e ainda causam enorme controvérsia.

A inspiração para incluir a nudez em “Hair” veio quando os autores, James Rado e Gerome Ragni, assistiram a uma demonstração anti-guerra na época, onde dois homens ficaram nus numa atitude de desafio e liberdade, e decidiram incorporar a ideia à peça.

Donna Summer, que fez parte da tribo alemã, resumiu o fato: “A cena não tinha nenhuma pretensão de ser sexual e não era. Nós ficávamos nus, em pé, simbolizando o fato de que a sociedade se preocupa mais com a nudez do que com mortes. Nós nos preocupamos mais com alguém andando quase nu pelas ruas do que com alguém andando por aí atirando nas pessoas“.

Mesmo após 50 anos de sua estreia, o musical vem para mostrar que muitos desses temas e tabus continuam atuais.

Uma maneira que o elenco encontrou de homenagear o musical, foi fazer esse ensaio inspirado no primeiro elenco e convidar a todos para assistirem a estreia de “HAIR – A Revolução do Amor” que acontece no Espaço Cia da Revista, em São Paulo, no dia 11 de novembro. Produzido pela Cena em SOL Produções, com produção executiva de Luciana Solitão. A nova montagem brasileira terá direção de Rafael Pucca, direção musical e vocal de Thiago Perticarrari, direção de movimento de Gabrielle Maia e versões de Giulia Nadruz. O regente será Gabriel Fabbri.

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Hair – A Revolução do Amor
Com Luana Zenun, Gabriel Calixto, Mateus Torres, Amanda Bamonte, Allex Costa, Celo Carvalho, Luciana Solitão, Flávia Mengar, André Nogueira, Alice Zamur, Bruno Gasparotto, Fernanda Cascardo, Gabriel Camilo, Grasi Manhães, Heder Becker, Julia Sanches, Karla Nasser, Luana Bichiqui, Rodrigo Damo, Ronie Suárez, Mary Minóboli, Pedro Passari, Stefany Tomaz e Thales Reys.
Espaço Cia da Revista (Al. Northmann, 1135 – Santa Cecília, São Paulo)
Duração 140 minutos
11/11 até 03/12
Sábado – 20h, Domingo – 19h
$80
Classificação 16 anos

DOSTOIÉVSKI – TRIP

Sete anos após a estreia do premiado O Idiota – Uma Novela Teatral, as companhias Livre e Mundana se reencontram em Dostoiévski-Trip, nova viagem ao universo do escritor russo e ao célebre romance publicado em 1869. Com direção de Cibele Forjaz, o espetáculo, inédito no país, está em cartaz no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo.
 
O elenco de Dostoiévski-Trip é composto por atores criadores das companhias Livre e Mundana: Aury Porto, Edgar Castro, Guilherme Calzavara, Luah Guimarãez, Lúcia Romano, Marcos Damigo, Sergio Siviero e Vanderlei Bernardino. A direção de arte do espetáculo é assinada por Simone Mina.
 
Esta é a primeira montagem brasileira do texto de Vladímir Sorókin – um dos grandes nomes da chamada nova literatura russa –, já encenado em Moscou e Nova York. Na peça, um grupo de viciados aguarda a chegada de um traficante que lhes prometeu trazer uma novidade. Enquanto isso, conversam, discutem (e até mesmo brigam) sobre grandes nomes da literatura mundial – Kafka, Pushkin, Cervantes, entre outros – e seus supostos efeitos. Este, contudo, não é um encontro amistoso entre amantes das letras, e sim de um bando de pessoas que mal se conhecem, unidos apenas pela condição de viciados em literatura.
 
Ávidos pela próxima dose, os personagens são lançados em uma jornada pelo universo de Fiódor Dostoiévski (1821-1881). Em contato com a prosa do romancista russo, os personagens embarcam na trip do título e acabam por protagonizar uma das mais célebres passagens de O Idiota, na qualseus dilemas filosóficos e existenciais se aprofundam e se potencializam transcendendo para as formas do mundo contemporâneo.
 
Segundo Cibele Forjaz, a ideia de montar Dostoiévski-Trip surgiu ainda durante as apresentações de O Idiota – Uma Novela Teatral (2010), também dirigido por ela. Apesar de partirem da obra de um mesmo autor, para a diretora, as peças têm estéticas e temáticas bastante distintas. “Dostoiévski-Trip é uma espécie de pós-Idiota. Fizemos aquele espetáculo levando muito a sério a narrativa da novela e o seu lado humano e mais sensível. Esta, por sua vez, tem um desencanto pós-moderno. É Dostoiévski tomado como uma droga que a sociedade contemporânea não pode suportar, pois a sua poesia e sua humanidade não cabem mais nesse mundo, em que as relações sociais estão marcadas pela egotrip”, explica a encenadora.
 
O espetáculo também se beneficia de um traço comum à história recente de ambas as companhias: a pesquisa da obra do alemão Bertolt Brecht, que permeou o processo de criação. Além das leituras, também foram realizadas “travessias pela cidade” – uma experiência de toda a equipe pelas ruas de São Paulo que revelou, em uma sociedade viciada em excessos, um resquício de humanidade em meio ao concreto e à carência das populações de rua. Além de contrapor o texto russo com a realidade brasileira, a pesquisa de campo evidenciou a atualidade de Dostoiévski, autor que radiografou a burguesia de sua época e sua obsessão por dinheiro, poder e prestígio.
 
Além das apresentações em São Paulo, o espetáculo também cumprirá temporadas em Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte em 2018.

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Dostoiévski-Trip
Com Aury Porto, Edgar Castro, Guilherme Calzavara, Luah Guimarãez, Lúcia Romano, Marcos Damigo, Sergio Siviero e Vanderlei Bernardino
Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo (Rua Álvares Penteado, 112 – Centro. São Paulo)
Duração 120 minutos
28/10 até 18/12
Sexta, Sábado e Segunda – 20h, Domingo – 19h
$20
Classificação 16 anos
 
Sessão gratuita: 13/11 (segunda-feira), 19h30, seguida de bate-papo com o elenco e a diretora

DESPIROCANDO

Depois de mais de dois anos fora dos palcos o ator e radialista Jorge Paulo, volta com seu novo show: Despirocando.

De 2001 a 2014 ficou em cartaz passado pelos principais teatros de São Paulo com a comédia Quem Ri Por Último é Loira ou Português. Em 2010 ficou entre os 5 melhores de São Paulo, em votação do Guia da Folha.

Despirocando  mistura piadas, personagens, improviso, etc… Um show completo onde o público vai aprender como fazer um DR sem se stressar, histórias de viagens, cotidiano, relacionamento e muito mais!

jorge paulo

 

Despirocando
Com Jorge Paulo
Teatro BTC (R. Santa Cruz, 2105 – Vila Mariana, São Paulo)
Duração 60 minutos
28/10 e 04/11
Sábado – 21h
$60
Classificação 16 anos