EIGENGRAU, NO ESCURO

A palavra que dá título à peça tem origem germânica e se refere à cor vista pelos olhos na completa escuridão.  Metaforicamente, é nesse espaço que parece não ter luz ou saídas que se encontram os personagens Carol, Marcos, Rosa e Tomás Gordo na tentativa de entendimento de seus afetos, paixões e posicionamentos diante da vida.

Rosa acredita em tudo, do amor verdadeiro à numerologia. Ela aluga um quarto no pequeno apartamento de Carol, uma engajada ativista que luta contra a opressão da sociedade dominada pelos homens. Marcos aposta no poder do marketing – na vida pessoal e profissional. Ele, por sua vez, divide seu espaçoso imóvel com Tomás Gordo, que está vivendo um luto que parece não ter fim. Em uma cidade grande e massacrante, procurar pela pessoa certa e por um lugar no mundo pode levar esses quatro jovens a caminhos inesperados e, por vezes, sombrios.

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Eigengrau, No Escuro
Com Andrea Dupré, Daniel Tavares, Renata Calmon e Tiago Real.
Teatro Porto Seguro (Alameda Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)
Duração 80 minutos
28/02 até 29/03
Quarta e Quinta – 21h
$40/$50
Classificação 16 anos

SENHORA DOS AFOGADOS

Ligações incestuosas, obsessões, pulsões arcaicas, conflitos entre o lógico e o irracional, todas as amarras são rompidas, os personagens se movem num tempo verdadeiramente mítico, do inconsciente. Senhora dos Afogados é uma peça que se aproxima das tragédias gregas, em que os clãs familiares se entre-devoram num inferno de culpas desmedidas.

Dona Eduarda, esposa de Misael, e Moema, única filha mulher que restara, além do irmão, Paulo, se degladiam em torno da questão do pudor e da honra da mulher, hostilizando-se devido a um ódio primordial. Moema, que gostaria de viver sozinha com o pai, urde um plano para que a mãe o traia com o próprio noivo, um ex-oficial da marinha.

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Senhora dos Afogados
Com Alexia Dechamps, João Vitti, Karen Junqueira, Rafael Vitti, Letícia Birkheuer, Nadia Bambirra, Jaqueline Farias e Du Machado.
Teatro Porto Seguro (Alameda Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)
Duração 90 minutos
23/02 até 29/04
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h
$70/$90
Classificação 16 anos

A SERPENTE

Considerada uma ‘tragédia carioca’, de acordo com a célebre classificação do crítico teatral Sábato Magaldi para a obra de Nelson Rodrigues (1912-1980), A Serpente foi a última e mais curta peça escrita pelo “anjo pornográfico”, alcunha criada pelo próprio dramaturgo e jornalista pernambucano. Mesmo com apenas um ato, a peça de 1978 não deixa de criar polêmica ao retratar o amor de duas irmãs pelo mesmo homem.

Elas juraram nunca se separar e moram juntas na mesma casa com seus respectivos maridos. Lígia decide se suicidar porque tem um casamento infeliz – e não consumado – com Décio, que diz sofrer de impotência, mas, na verdade, tem um caso com outra mulher.

Para evitar que a irmã fizesse isso, Guida tem a ideia de emprestar Paulo, o próprio marido, para ela por uma noite. O que Guida não esperava era que Lígia se apaixonaria por ele, muito menos que esse erro poderia resultar até em morte.

Esta é a terceira montagem de Eric Lenate para peças de Rodrigues: em 2013, ele dirigiu “Vestido de Noiva” e, em 2015, “Valsa Nº6”. O elenco conta com a participação de Carolina Lopez, Fernanda Heras, Maria Guedes, Juan Alba e Paulo Azevedo.

SINOPSE

Duas irmãs que juraram nunca se separar vivem no mesmo apartamento com seus respectivos maridos. O casal Guida e Paulo vive uma aparente interminável lua de mel, enquanto Lígia e Décio não chegaram sequer a consumar o casamento. Lígia decide se suicidar movida pela infelicidade em seu relacionamento amoroso, mas Guida, na tentativa de impedir a morte da irmã, oferece o próprio marido por uma noite. A desconcertante oferta moverá toda essa trama de amor e morte.

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A Serpente
Com Carolina Lopez, Fernanda Heras, Mariá Guedes, Juan Alba, Paulo Azevedo
Teatro FAAP (Rua Alagoas, 903 – Higienópolis, São Paulo)
Duração 60 minutos
19/01 até 11/02
Sexta – 21h30, Sábado – 21h, Domingo – 18h
$60
Classificação 16 anos

O PORTEIRO

Considerada como uma das melhores comédias do ano pela crítica e público no Rio de Janeiro, “O Porteiro”, novo monólogo de Alexandre Lino, chega ao Teatro Jardim Sul depois de percorrer várias cidades no Brasil para curta temporada 06 a 28 de janeiro. As sessões acontecem aos sábados às 21h e domingos às 19h.

Com direção de Paulo Fontenelle, que também assina o texto, montagem presta uma grande homenagem a todos os porteiros brasileiros ao contar histórias reais desses profissionais. Com muito humor nordestino, texto foi montado a partir de histórias coletadas em entrevistas a vários porteiros nordestinos que deixaram sua cidade natal em busca da realização de seus sonhos no Rio de Janeiro ou São Paulo.

Pode-se dizer que “O Porteiro” não é uma peça comum, é uma experiência interativa em que os espectadores são convidados a participar de um grande e divertido encontro de condôminos. A plateia são os moradores desse edifício.

Personagem “Porteiro” não é novidade para Lino, pois como migrante nordestino considera que esta é uma das possibilidades reais para aqueles que buscam uma chance na “cidade dos sonhos”. Mas se na vida real ele nunca exerceu esse ofício nas artes está se tornando um especialista. Além da peça O Porteiro, Lino integra o elenco da série A Cara do pai, da rede Globo, dando vida ao porteiro Gilmar.

Segundo Lino, é uma relação de afeto com essas pessoas, tão necessárias nas nossas vidas, que o faz nunca percebê-los da mesma forma quando vai interpretá-los. No entanto, se o ciclo de monólogos será concluído no próximo ano com um texto estrangeiro, que ator prefere não revelar, a saga de os porteiros nos palcos se despede com essa comédia.

Montagem dá sequência à linha investigativa da Documental Cia, que nasceu em 2012 com a peça “Domésticas” e passa por grandes sucessos como “O Pastor” (2013), “Acabou o Pó” (2014), “Nordestinos” (2015), “Volúpia da Cegueira”  e “Lady Christiny” (2016), que têm como um de seus pilares, um compromisso com o real e a perspectiva do pertencimento para suas obras.

No meio de nossa sociedade existe um Brasil notado por poucos. Um grupo formado por pessoas que apesar de conviver conosco, até frequentar nossa casa e fazer parte de seu dia a dia, é como se não estivesse lá. O espetáculo O Porteiro inverte tudo isso, e são eles, os porteiros, os protagonistas. Com sua irreverência e muito humor, deixam a invisibilidade para apresentar a realidade como um grande parque de diversão. Afinal, invisível não são as pessoas, invisíveis são suas histórias. ” conclui Lino.

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O Porteiro
Com Alexandre Lino
Teatro Jardim Sul – Shopping Jardim Sul (Av. Giovanni Gronchi, 5819 – Vila Andrade, São Paulo)
Duração 60 minutos
06 a 28/01
Sábado – 21h, Domingo – 19h
$60
Classificação 16 anos

FORTES BATIDAS

Criada em 2015 em uma oficina aberta com nove meses de duração no Centro Cultural São Paulo (CCSP), Fortes Batidas conquistou os prêmios APCA (Melhor Espetáculo em Espaço Não Convencional) e São Paulo (Prêmio Especial pela Experimentação Cênica). Nesse longo processo criativo, o diretor Pedro Granato e um robusto time de atores pesquisaram como criar uma experiência imersiva de teatro. Depois de três anos de sucesso, o espetáculo retorna ao porão desse espaço para mais uma temporada entre os dias 23 de janeiro a 7 de fevereiro de 2018.

A montagem, que tem sua trilha sonora reformulada de tempos em tempos, já foi encenada em festivais, como o MIX Brasil de Diversidade Sexual e FIT São José do Rio Preto, e em vários equipamentos culturais, como unidades do Sesc (Pompeia, Sorocaba, Santo Amaro e Belenzinho), CEUs (Pera Marmelo, Três Lagos, Inácio Monteiro, Vila Atlântica, Perus, São Mateus), no Teatro Pequeno Ato, entre outros.

A peça acompanha a noite vivida por 15 jovens, cruzando desejos e entrando em conflitos embalados pelas “fortes batidas” das canções de Karol Conka, Beyoncé, Pablo Vittar e de outros artistas que costumam agitar as pistas da cidade. Amigos que apostam quem consegue ficar com mais meninas, um casal testando o relacionamento aberto e a dificuldade de um rapaz tímido ficar com alguém do mesmo sexo pela primeira vez. A explosiva mistura dos desejos de personagens em busca de sua identidade constrói uma rede de conflitos que envolve a plateia.

O público vive uma experiência que desenha um retrato pulsante dessa geração e coloca no foco questões importantes para toda a sociedade. A homofobia, machismo e intolerância sexual estão no centro do alvo dessas “Fortes Batidas”.

Os ambientes da balada são divididos em variados níveis de plataformas que possibilitam a visibili­dade para a plateia. Mas isso não impede que atores dancem ao lado público e se relacionem com ele criando uma experiência ativa, em que o espectador não “assiste” o espetáculo, está imerso nele.

Em 2017, o texto de “Fortes Batidas” foi lançado em livro pela editora Giostri. A nova temporada da peça é possível graças aos incentivos da 5ª edição do Prêmio Zé Renato de Incentivo ao Teatro.

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Fortes Batidas
Com Ariel Rodrigues, Beatriz Silvei­ra, Bianca Lopresti, Bruno Lourenço, Felipe Aidar, Fernando Vilela, Gabriela Andrade, Ga­briela Gama, Gal Goldwaser, Inês Bushatsky, Ingrid Man­tovan, Laura Vicente, Lia Maria, Mateus Menoni, Mau Ma­chado e Vitor DiCastro.
Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 100 – Paraíso, São Paulo)
Duração 70 minutos
23/01 até 07/02
Terça e Quarta – 20h
Entrada gratuita (distribuição de ingressos uma hora antes de cada apresentação)
Classificação 16 anos

A NOTÍCIA

Como uma notícia atravessa um corpo? Como um corpo reverbera um noticiário? Nos dias 02 e 03 de dezembro (sábado e domingo), o Caleidos Cia de Dança estreia o espetáculo “A Notícia”, 24º trabalho da companhia paulista que, mais uma vez, se volta sobre o tema da violência na cultura do macho.

Com solo do intérprete criador Nigel Anderson, em “A Notícia”, o noticiário de violência contra homossexuais no Brasil e no mudo se se desdobra numa rede de denúncias, afetos e ações no corpo múltiplo do ator dançarino, revelando e discutindo narrativas pessoais do não-macho na sociedade atual.

“A Notícia” é uma extensão do espetáculo “Mairto” – Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2013, criado a partir da notícia do assassinato de um homossexual em São Paulo. E, assim como “Mairto”, “A Notícia” é resultado do Projeto Rosa Azul, que ocupou papel central nos processos de pesquisa do Caleidos Cia durante todo o ano de 2014. O foco de Rosa Azul é a questão da violência na cultura do macho e os espetáculos ligados a esse projeto tematizam os principais alvos dessa violência: homossexuais, mulheres e crianças.

O espetáculo “A Notícia” é dividido em três atos e notícias distintas. O primeiro ato refere-se a uma notícia de agressão gratuita e motivada pela homofobia, ocorrida em 2010, quando três jovens homossexuais foram agredidos com uma lâmpada fluorescente na avenida Paulista.

O segundo ato trata da patologização da homossexualidade representada pela notícia da aprovação este ano, pelo STF, da cura gay, além de matérias sobre pessoas que foram submetidas a tratamentos de reversão sexual ou de expulsão de demônios.

O terceiro ato aborda a criminalização dos gays, com notícias internacionais sobre campos de concentração para extermínio gay, lista de homossexuais procurados pela polícia em Uganda, enforcamento e apedrejamento no Irã e Arabia Saudita.

Todas as notícias são dançadas e as danças são atravessadas por memórias de vida do intérprete-criador, além de falas científicas e elementos de cênicos documentais numa narrativa caótica e não-linear que costura texto e dança. Após a estreia em São Paulo, ainda em dezembro o espetáculo “A Notícia” segue em temporada em Belém (PA), terra natal do ator e dançarino Nigel Anderson.

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A Notícia
Com Nigel Anderson
Caleidos Cia. de Dança (Rua Mota Pais, 213, Lapa, São Paulo)
Duração 45 minutos
02 e 03/12
Sábado e Domingo – 20h
$20
Classificação 16 anos

MANIFESTO INAPROPRIADO

 

As vozes da diversidade estão cada dia mais abafadas pelos discursos de ódio e pelo conservadorismo no Brasil, o país que mais mata sua população LGBT+ no mundo, como mostrou uma pesquisa feita pela Rede TransBrasil e o Grupo Gay da Bahia (GGB), em 2016. Para dar destaque aos anseios desses cidadãos que cansaram de ser oprimidos, a Cia. Histriônica preparou uma ocupação do Teatro de Arena Eugênio Kusnet, entre 15 de novembro e 23 de dezembro, com atividades de formação e a estreia do espetáculo Manifesto Inapropriado.

Dirigida por Rodrigo Mercadante (da Cia. do Tijolo), a peça foi construída coletivamente a partir de vários discursos sobre a população LGBT+, como depoimentos, entrevistas, notícias de jornal e denúncias de LGBTfobia em redes sociais. Alguns dos trágicos episódios citados em cena são as operações policiais Limpeza e Rondão, realizadas nos anos de 1980, com a missão de higienizar as ruas do centro de São Paulo ao retirar violentamente travestis e michês que se prostituíam na região.

A ideia desse manifesto cênico é questionar as estruturas sociais que oprimem à comunidade LGBT+, empoderar essas vozes e propor alternativas aos discursos de ódio por meio da poesia, da música e do canto, levando em conta a complexidade real de todas as questões que cercam esse universo.

A estrutura dramatúrgica da montagem posiciona o espectador em um lugar de pensamento crítico e ativo, sem deixar de  envolvê-lo emocionalmente com as situações mostradas. O elenco conta com os atores Lucas Sequinato e Ton Ribeiro e com os músicos Paulo Ohana e Theo Coelho Yepez.

FORMAÇÃO

A Ocupação da Cia. Histriônica ainda tem uma série de atividades de formação comandadas por artistas e pesquisadores que investigam temáticas LGBT+. Um dos destaques é a oficina “Dramaturgia através da escuta e da empatia”, com Ave Terrena Alves, inspirada em um workshop ministrado pela autora britânica Jo Clifford, em 2014. A ideia é ampliar a sensibilidade dos participantes para as narrativas de outras pessoas.

A programação também conta com a oficina “Representatividade Literária”,  com Helena Agalenéa, que apresenta aos participantes textos de autoras sobre violência contra a mulher para estimulá-los a criar novos produtos textuais (poesia, crônica, prosa ou cenas) com personagens trans representadas de forma adequada e não estereotipada.

Outra atração é a palestra “Gênero se ensina na escola e no teatro. Vamos falar sobre isso?”, de Bernardo Fonseca Machado, que discute os “marcadores sociais da diferença”, mostrando como as discussões sobre gênero, sexualidade, raça e geração estão interligadas. Ele também problematiza formas de poder, de produção de desigualdades e de naturalização da diferença na educação e dentro das convenções estéticas.

Já Gabriel Cruz conduz uma roda de conversa sobre “Masculinidades possíveis e sexualidades não-normativas”, a partir de obras de Paul Preciado e Judith Buttler. A conversa pretende discutir as possibilidades de desconstrução das masculinidades e feminilidades nocivas, além de outros binarismos que cotidianamente oprimem sexualidades não-normativas.

A Cia. Histriônica também compartilha com o público LGBT+ e outros artistas alguns procedimentos criativos de seu novo trabalho, que envolvem técnicas de teatro e canto, na oficina “Manifeste-se”. O objetivo é transformar as experiências, memórias e desejos dos participantes em material cênico.

Espetáculo “Manifesto Inapropriado”

A peça é um manifesto cênico construído a partir da compilação de diversos discursos sobre a população LGBT+, como depoimentos, entrevistas, notícias de jornal, denúncias de LGBTfobia em redes sociais, entre outros. A dramaturgia coletiva e o tratamento estético lidam com toda a complexidade das várias questões presentes nesse universo, transitando entre o lirismo e o humor, entre a beleza e a denúncia, entre os questionamentos e o empoderamento.

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Manifesto Inapropriado
Com Lucas Sequinato e Ton Ribeiro.
Músicos: Paulo Ohana e Theo Coelho Yepez
Teatro de Arena Eugênio Kusnet (Rua Dr. Teodoro Baima, 94 – Vila Buarque, São Paulo)
Duração 100 minutos
15/11 até 23/12
Quarta, Quinta, Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 18h
$30
Classificação 16 anos