ENSAIO SOBRE A LUCIDEZ

Diante da urgência de se pensar na democracia, a Cia. da Revista estreia Ensaio Sobre a Lucidez, uma livre adaptação do romance homônimo do premiado escritor português José Saramago (1922-2010), no dia 26 de janeiro, no Espaço Cia. da Revista. A peça segue em cartaz até 31 de março, com ingressos por apenas R$20.

A trama apresenta uma cidade imaginária que se recupera de uma epidemia de cegueira ocorrida alguns anos antes e passa pela eleição de um novo líder político. As urnas registraram o surpreendente número de 70% de votos em branco. São chamadas novas eleições e o nível de abstenção cresce ainda mais.

É estabelecida, então, uma investigação policialesca para averiguar as razões subversivas dessa anulação massiva dos votos. As consequências dessa investigação são ações que levam a um devaneio autoritário, que revela a fragilidade do mecanismo democrático. A ideia da peça é justamente criar uma reflexão sobre a democracia e o constante processo que pode tanto favorecê-la como favorecer interesses contrários ao seu princípio.

O espetáculo tem direção de Fernando Nistch, dramaturgia de Marcos Barbosa e músicas originais de Edgar Bustamante. Já o elenco é composto por Adriano Merlini, André Maia, Edgar Bustamante, Gisele Valeri, Luiza Torres, Paulo Vasconcelos e Priscila Esteves.

Ensaio Sobre a Lucidez faz parte da programação do projeto Algum dia teria que acontecer, contemplado na 32ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. O grupo também prevê a estreia – em julho – do espetáculo Desbotou (título provisório), que debaterá a democracia com o público infantil.

SINOPSE

Anos depois de uma epidemia de cegueira, uma cidade novamente lúcida invalida as eleições municipais, inundando as urnas com votos brancos. Sob a alegação de que busca salvaguardar a democracia, o Estado responde com a supressão de direitos individuais e com a implementação de um totalitarismo disfarçado, com a bênção das mídias e das elites nacionais. Em meio ao terror, é preciso encontrar um culpado, ainda que se precise inventá-lo. A democracia está em risco, mas quem são, de fato, os seus inimigos?

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Ensaio sobre a Lucidez

Com Adriano Merlini, André Maia, Edgar Bustamante, Gisele Valeri, Luiza Torres, Paulo Vasconcelos e Priscila Esteves

Espaço Cia da Revista (Alameda Nothmann, 1135 – Santa Cecilia, São Paulo)

Duração 100 minutos

26/01 até 31/03 (dia 23/02 não haverá sessão)

Sábado – 21h, Domingo – 19h

$20 ($5 – moradores da região, com apresentação de comprovante de residência)

Classificação 16 anos

MANSA

Depois de estrear no Rio de Janeiro integrando a programação do festival Cena Brasil Internacional em junho de 2018 no CCBB Rio, Mansa, com dramaturgia de André Felipe e direção de Diogo Liberano, desembarca em São Paulo e estreia no Viga Espaço Cênico – sala Viga, no dia 8 de fevereiro. A temporada segue até 31 de março, com sessões às sextas e aos sábados, às 21h; e aos domingos, às 19h.

Na trama, Amanda Mirásci e Nina Frosi interpretam duas irmãs que, após anos de abuso em cárcere privado, matam o pai e enterram seu corpo nos fundos da casa. Mais do que apresentar um mero crime, a peça busca investigar a origem da violência contra a mulher.

Seguindo o jogo proposto pela dramaturgia, as atrizes dão vida a diferentes personagens e, como detetives ou arqueólogas, vão progressivamente desenterrando uma história silenciada, deixada na terra e perdida no tempo. Os personagens – todos eles masculinos – observam o drama das irmãs por diferentes ângulos, anunciando um constante processo de “amansamento” feminino. A montagem chama atenção para inúmeros crimes praticados contra as mulheres e que não recebem a devida punição, naturalizando a violência contra elas em nossa sociedade contemporânea.

A dramaturgia é construída por meio de fragmentos que se estendem por vários tempos, desde a infância das duas irmãs, passando pela adolescência, até o ato do crime e momentos posteriores a ele: julgamento, prisão e futuro. O terreno onde o corpo do pai foi enterrado é o espaço que une as cenas passadas, presentes e futuras, ganhando contornos que extrapolam uma única narrativa e abrindo aos espectadores o mesmo desafio: como afirmar algo sobre uma história que não é contada por suas vítimas, mas quase sempre por seus violentadores?

A encenação de Diogo Liberano buscou construir, junto à direção de movimento de Natássia Vello, uma dramaturgia corporal que apresenta diversos momentos da vida dessas irmãs. Por meio de uma relação de encaixe e desencaixe, a dramaturgia se relaciona com tais movimentos buscando abrir perguntas sobre os fatos narrados pelos personagens masculinos e a realidade vivida e sentida pelas mulheres que foram emudecidas. A trilha sonora original de Rodrigo Marçal, o cenário e os figurinos de André Vechi e a iluminação de Livs Ataíde visam, de modos variados, encontrar e completar uma história que foi esquecida e silenciada.

O autor André Felipe partiu de referências sugeridas pelo diretor e pelas atrizes para criar a dramaturgia original. Uma das origens da investigação foi a clássica dramaturgia “Antígona” do grego Sófocles. “O embate vivido entre as irmãs Antígona e Ismênia: uma querendo tomar uma decisão que desafiaria o Estado e causaria a sua morte e a outra amedrontada em realizar uma ação considerada indevida para uma mulher naquela época”, comenta Liberano sobre o processo de pesquisa que também incluiu estudos filosóficos e filmes sobre penitenciárias e instituições de confinamento.

Tínhamos o desejo de falar do confinamento e da instituição prisão modelando e domesticando o corpo da mulher”, acrescenta o encenador. O nome do espetáculo foi uma sugestão do dramaturgo a partir do poema “Uma mulher limpa”, do livro “Um Útero é do Tamanho de Um Punho”, da escritora Angélica Freitas (que segue transcrito abaixo):

porque uma mulher boa

é uma mulher limpa

e se ela é uma mulher limpa

ela é uma mulher boa

há milhões, milhões de anos

pôs-se sobre duas patas

a mulher era braba e suja

braba e suja e ladrava

porque uma mulher braba

não é uma mulher boa

e uma mulher boa

é uma mulher limpa

há milhões, milhões de anos

pôs-se sobre duas patas

não ladra mais, é mansa

é mansa e boa e limpa

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Mansa

Com Amanda Mirásci e Nina Frosi

Viga Espaço Cênico – Sala Viga (Rua Capote Valente, 1323 – Pinheiros, São Paulo)

Duração 70 minutos

08/02 até 31/03

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$40

Classificação 16 anos

RAPSÓDIA – O MUSICAL

O espetáculo “Rapsódia – O Musical” estreia temporada no Teatro Serrador (RJ). Com uma pegada que promete agradar aos fãs de Rocky Horror ou Sweeney Todd, o revival de Rapsódia – O Musical estreia dia 10 de janeiro e fica até 16 de fevereiro com sessões às quintas, sextas e sábados, às 19h30.

Apresentado pela primeira vez em 2013, o espetáculo da Cerejeira Produções, volta aos palcos repaginado. Com novas canções e direção, ele ganhou um ar mais contemporâneo.

Pode se dizer que quem assistiu o Rapsódia no passado vai viver uma nova experiência, bem mais sangrenta. No revival, haverá muito sangue no palco, mas não é para se enganar, o musical conta com muito humor e músicas divertidas – diz Mau Alves, que assina o texto e direção.

A história é contada por Pátrio (Hugo Kerth), um jovem sonhador que viaja para a cidade de Rapsódia a convite do seu primo mais velho, Jeremias (Mau Alves), que é dono de uma fábrica de sabonetes. Lá, ele conhece Rubi (Joana Mendes), Coné (Gustavo Klein) e Catarina (Julia Morganti), funcionários bem excêntricos do seu primo. Ao longo da história, Pátrio descobre um porão abandonado que esconde um segredo bem macabro.

No elenco ainda estão Anna Claudiah Vidal, Camila Matoso, a drag Velma Real, Isabela Quadros, Malu Cordioli, Clara da Costa, César Viggiani, Robson Lima e Vitor Lima.

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Rapsódia – o Musical

Com Mau Alves, Julia Morganti, Gustavo Klein, Hugo Kerth, Joana Mendes, Anna Claudiah Vidal, Camila Matoso, a drag Velma Real, Isabela Quadros, Malu Cordioli, Clara da Costa, César Viggiani, Robson Lima e Vitor Lima

Teatro Serrador (R. Sen. Dantas, 13 – Centro, Rio de Janeiro)

Duração 70 minutos

10/01 até 16/02

Quinta, Sexta e Sábado – 19h30

$40

Classificação 16 anos

GATÃO DA MEIA IDADE, A PEÇA

O personagem “Gatão”, criado em 1986 e interpretado, desta vez, pelo ator Oscar Magrini, cujo ultimo trabalho na TV foi o Almirante Tibúrcio de “Orgulho e Paixão” da TV Globo,  é um homem na faixa dos 50 anos, solteiro, crítico de sua condição, mas que não quer envelhecer sozinho e sabe que, se não se esforçar para isso, vai acabar assim. Além disso, ele é bastante antenado, mas sua antena está, muitas vezes, direcionada para o satélite errado e ele sofre com isso.

A atriz Leona Cavalli, que atuou em dezenas de novelas da Rede Globo, fez recentemente uma breve passagem na Record na novela “Apocalipse” , está de volta à Globo, no elenco de ‘Órfãos da Terra’, a próxima novela das 18h. Em ‘Gatão de Meia idade, a Peça’, interpreta oito hilariantes personagens femininos, todos completamente diferentes e repletos de humor, que dão bossa aos relacionamentos amorosos vividos ao longo da história pelo “Gatão”.

Além disso, um show a parte pode ser conferido às frenéticas e muito rápidas trocas de figurino e composição, essas criadas pelo premiado visagista Anderson Bueno, que duram segundos de uma personagem à outra.

O elenco conta ainda com o ator ventríloquo, Yakko Sideratos, considerado um dos melhores do país no gênero, que manipula o boneco que, na história, é uma espécie de “consciência” do “Gatão”. O boneco promete fomentar ainda mais o humor presente no espetáculo.

Gatão de Meia Idade, a peça” mostra detalhes, aflições e anseios da vida de um homem na faixa dos 50 anos que não sabe viver sozinho e tenta, de todas as maneiras, conseguir uma companheira. Mas, ingênuo que só, acaba sempre metendo os pés pelas mãos. Como uma boa comédia, a mensagem principal da peça é: divirta-se e dê boas risadas. E, claro, se você for um homem acima dos 50 anos, cuidado, pois você pode se identificar em muitas situações”, comenta Miguel Paiva, autor da peça e conhecido cartunista brasileiro.

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Gatão de Meia Idade, a Peça

Com Oscar Magrini, Leona Cavalli e Yakko Sideratos

Teatro das Artes – Shopping Eldorado (Av. Rebouças, 3970 – Pinheiros, São Paulo)

Duração 80 minutos

19/01 até 31/03 (não haverá sessões nos dias 02 e 03/03)

Sábado – 21h, Domingo – 19h

$70/$80

Classificação 16 anos

DOGVILLE

O diretor paulistano Zé Henrique de Paula (vencedor dos prêmios Shell, APCA, Reverência, Aplauso Brasil e Arte Qualidade Brasil) dirige a primeira adaptação teatral brasileira para Dogville, obra-prima do cineasta dinamarquês Lars Von Trier.

A trama se passa na fictícia cidade de Dogville, uma pequena e obscura cidade situada no topo de uma cadeia montanhosa, ao fim de uma estrada sem saída, onde residem poucas famílias formadas por pessoas aparentemente bondosas e acolhedoras, embora vivam em precárias condições de vida. A pacata rotina dos moradores daquele vilarejo é abalada pela chegada inesperada de Grace (Mel Lisboa), uma forasteira misteriosa que procura abrigo para se esconder de um bando de gangsteres.

Recebida por Tom Edison Jr. (Rodrigo Caetano), que, comovido pela sua situação, convence os outros moradores a acolhe-la na cidade, Grace, apesar de afirmar nunca ter trabalhado na vida, decide oferecer seus serviços para as famílias da Dogville em agradecimento pela sua generosidade. Porém, no decorrer da trama, um jogo perverso se instaura entre os moradores da cidade e a bela forasteira: quanto mais ela se doa e expõe a sua fragilidade e a sua bondade, mais os cidadãos de bem exigem e abusam dela, levando a situação a extremos inimagináveis.

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Dogville

Com Mel Lisboa, Eric Lenate, Fábio Assunção, Bianca Byington, Marcelo Villas Boas, Anna Toledo, Rodrigo Caetano, Gustavo Trestini, Fernanda Thurann, Thalles Cabral, Chris Couto, Blota Filho, Munir Pedrosa, Selma Egrei, Dudu Ejchel e  Fernanda Couto.

Teatro Porto Seguro (Alameda Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)

Duração 100 minutos

25/01 até 31/03

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$50/$90

Classificação 16 anos

TROPICALISTAS

Concluindo mais uma oficina teatral que reuniu atores, dançarinos e músicos, Ciro Barcelos, autor, diretor e coreógrafo leva ao palco da Funarte, o espetáculo: Tropicalistas.
O espetáculo conta a trajetória do movimento Tropicália, criado por vários artistas de renome, como, Torquato Neto, Hélio Oiticica, Caetano Veloso, Gilberto Gil, entre outros.
Visando a contação da trajetória do movimento em questão através da música, canto e dança, o espetáculo é conduzido por um roteiro das canções originais dos autores tropicalistas e texto autoral de Ciro Barcelos, interpretado por uma trupe de jovens atores que se unem em torno de um ideal, reviver o movimento cultural transgressor que tanto representou e representa nos dias de hoje para nossa cultura nacional.
O espetáculo é formado por 14 atores, com direção musical e execução ao vivo pela Banda Xabá, que compõe o elenco.
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Tropicalistas
Com Beatriz Freitas, Bruno Eustáquio, Carla Varjão, Diógenes Gonçalves, Eduardo Pascuti, Felipe Camelo, Gabriel Carvalho, José Esteves, Laiza Fernanda, Rafael Tesoto, Renata Toledo, Silvio Sanches, Tabata Campion, Vicente Henrique
Complexo Cultural Funarte SP (Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos, São Paulo)
Duração 70 minutos
07 a 16/12
Sexta e Sábado – 20h30, Domingo – 19h30
$40
Classificação 16 anos

EU OUTRO

No dia 30 de novembro, sexta, às 20 horas, o Sesc Belenzinho recebe única apresentação de Eu Outro, montagem da Cia. Fragmento de Dança.

O espetáculo tem direção e coreografia assinadas por Vanessa Macedo que também está em cena ao lado dos outros intérpretes: Chico Rosa, Daniela Moraes, Diego Hazan, Letícia Mantovani e Maitê Molnar.

O espetáculo de dança contemporânea parte da investigação de um procedimento que a companhia nomeia como ‘dança depoimento’, no qual invade, expõe e divide ambientes íntimos, não somente para falar de si, mas para tornar-se o outro. O espetáculo busca sondar o que arte e vida dizem uma sobre a outra e de que forma memórias não são propriedades exatamente privadas. Assuntos como sexualidade, gênero e instinto atravessaram o processo criativo numa perspectiva da alteridade – quem é o outro que olho e me olha? Quem é o outro de mim mesmo?

O processo Eu Outro é fruto do Projeto Atravessamentos, contemplado pelo Programa Municipal de Fomento à Dança de São Paulo. Estreou e ficou em cartaz na ocupação Encontros na Cena Depoimento, na Funarte SP, em dezembro de 2017.

Dirigida por Vanessa Macedo e sediada em São Paulo, a Cia. Fragmento de Dança desenvolve pesquisa e criação em dança contemporânea, desde 2002, já tendo 15 montagens em sua trajetória. Na busca por uma dança teatralizada, preocupa-se com a construção de uma dramaturgia do corpo e da cena coerente com os temas pesquisados. Suas criações são marcadas pela inspiração em artistas, obras e conteúdos, especialmente, confessionais. A partir do tema, discute as relações vividas pelo homem – ser social e ser solitário. A companhia constrói vocabulário de movimento próprio que visa uma estética dramatúrgica autoral.

Eu Outro

Com Chico Rosa, Daniela Moraes, Diego Hazan, Letícia Mantovani, Maitê Molnar e Vanessa Macedo – Cia Fragmento de Dança

SESC Belenzinho – Sala de Espetáculos II (Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo)

Duração 70 minutos

30/11

Sexta – 20h

$20 ($6 – credencial plena)

Classificação 16 anos