EXPLICANDO ‘ANNIE, O MUSICAL’

Nesta quinta, 30 de agosto, o Teatro Santander abre as cortinas para “Annie, o Musical“. O espetáculo é a mais nova produção do Atelier de Cultura (“A Noviça Rebelde“, “O Homem de La Mancha“, “A Madrinha Embriagada“).

O elenco é encabeçado por Miguel Falabella (que a princípio seria só o diretor do espetáculo) e Ingrid Guimarães (estreando em musicais). Ambos são acompanhados por nomes conhecidos do nosso teatro musical, como Cleto Baccic, Sara Sarres, Ester Elias, entre outros.

Para viverem as garotas órfãs do musical, foram escolhidas 21 meninas dentre as 3.500 que participaram das audições realizadas pelo país. A personagem título será interpretada por Luiza Gattai, Maria Clara Rosis e Sienna Belle (são 3 elencos infantis).

A melhor amiga de Annie, a cadelinha Sandy, será interpretada pelos cães Lisa e Scott, da raça Podengo Português .

Um gênio domado

Miguel Falabella mantém uma forte conexão com o musical, afinal foi o primeiro espetáculo adulto que viu, em 1979, em Londres. A possibilidade de montá-lo no país o acompanha desde 2015, quando o Atelier de Cultura comprou os direitos do musical e começou a produção.

É um musical complexo, com arranjos grandiosos e vocalmente difícil. Mas, como o projeto vem sendo construído desde 2015, tive tempo para cuidar de detalhes na tradução, especialmente da canção mais conhecida, ‘Tomorrow’“, afirmou o ator para o jornalista Ubiratan Brasil (Estadão).

miguel-1Para se transformar diariamente no seu personagem, Falabella utilizaria, a princípio, uma prótese na cabeça. Mas depois que viu o trabalho que teria, preferiu raspar os cabelos, surpreendendo a todos com o novo visual.

Mas essa será a única surpresa que ele dará a sua plateia. Conhecido por seus cacos, que fazem todos rir (inclusive seus companheiros de elenco), neste musical, Falabella terá que seguir o texto integralmente, visto que os detentores dos direitos originais da montagem não permitem nenhuma adaptação no musical.

(Uma pena, pois estava previsto que o famoso muralista brasileiro, Eduardo Kobra, faria parte da confecção dos cenários.)

Tudo começou nas tirinhas

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Harold Gray

O musical é baseado na tira em quadrinhos “Little Orphan Annie” (“Pequena Órfã Annie”), criada por Harold Gray, e lançada no jornal Daily News em 1924 (Nova Iorque, EUA).

As histórias são sobre as aventuras de Annie, sua cadela Sandy e seu benfeitor, o empresário milionário Oliver Warbucks. Através de suas tiras, Gray falou para seus leitores adultos sobre sindicato trabalhista, a política New Deal e o comunismo (assuntos que estavam na moda nos Estados Unidos), entre outros temas.

O sucesso da pequena órfã foi tanto que suas aventuras deram origem a um programa de rádio (1930), a um musical da Broadway (1977), e três adaptações de filme para o cinema (1982, 1999 e 2014).  Mas infelizmente a popularidade das tirinhas foi caindo ao passar dos anos. Quando foi cancelada, em 2010, somente 20 jornais em todo o país imprimiam as histórias em suas páginas.

Dos quadrinhos aos palcos da Broadway

Annie, o Musical” estreou na Broadway pelas canções de Charles Strouse (música) e Martin Charnin (letras), e o enredo de Thomas Meehan. Ficou em cartaz no Alvin Theatrhe (atual Neil Simon Theatre) de 1977 até 1982. Ganhou seis Tony Awards, inclusive o de Melhor Musical, e já foi produzido em mais de 40 países.

Duas canções de sua trilha sonora ficaram famosas mundialmente. São elas: “Tomorrow” (“O Amanhã”) e “It’s the Hard Knock Life” (“É Uma Vida Dura”).

A história de Annie

O musical começa no final de ano de 1933, com uma órfã de onze anos de idade, Annie, que vive no Orfanato Municipal para Garotas, junto com Molly, Kate, Tessie, Pepper, July e Duffy. Durante um pesadelo, Molly acaba acordando todas suas colegas de quarto, o que as deixam muito irritadas. Annie as acalma cantando uma canção que fala sobre seus pais, que as abandonaram, e devem estar por aí .

Annie resolve escapar do orfanato para procurar seus pais, mas é pega por Dona Hannigan, a responsável pelo orfanato. Só que ela está de ressaca e desconta nas garotas, fazendo-as trabalharem na limpeza do local. Logo após o incidente, chega o responsável da lavanderia que vem recolher a roupa suja. Annie se esconde no carrinho usado por ele e foge.

Já nas ruas da cidade, a garota encontra uma cadela amigável, Sandy, Enquanto vão se conhecendo, Annie canta que dias melhores virão a partir de amanhã. É quando aparece o funcionário da carrocinha que quer pegar a cadela. Annie fala que a cachorra é sua e fica com o animal.  Enquanto caminham por um bairro, onde vivem pessoas desabrigadas por causa da Depressão de 1929, um policial a encontra e a leva novamente para o orfanato.

A assistente do bilionário Oliver Warbucks, Grace Farrell, vai até o orfanato convidar uma garota para passar o feriado natalino com eles. Como Annie está no escritório de Dona Hannigan, Grace pede para levá-la. Meio a contragosto, Hannigan concorda, e ao saírem, ela canta que odeia todas as crianças.

Enquanto isso, na mansão de Warbucks, todos os empregados da casa recebem Annie muito bem. Só que quando Oliver Warbucks retorna ao lar, não fica muito contente em ver a criança. Pede que Grace leve-a para ver um filme, mas ela faz com que todos os três vão juntos. Enquanto passeiam pela cidade, vão se conhecendo melhor, e um sentimento de carinho começa a surgir.

No orfanato, o irmão de Dona Hannigan, Rooster, chega com a namorada, Lily, para uma visita. Ao saberem que Annie está numa mansão, começam a planejar um golpe para se darem bem.

Warbucks vê que Annie usa um pingente no pescoço e resolve comprar um novo para a garota. Só que ela não aceita, porque aquilo é a única coisa que seus pais deixaram com ela. Grace e o resto dos funcionários dizem que irão ajudá-la a encontrar seus pais, custe o que custar.

Intervalo de 15 minutos

Durante o programa de rádio de Bert Healy, Warbucks oferece uma larga quantia de dinheiro para o casal que puder provar que são os pais de Annie. No orfanato, as outras garotas estão ouvindo o programa e ficam felizes pela amiga, com exceção de Pepper. Quando dona Hannigan entra no quarto, ela pergunta o que está acontecendo. Molly diz que estão oferecendo uma recompensa para os pais de Annie.

Hannigan volta para seu escritório, quando entra um casal dizendo que há onze anos deixou lá uma garotinha ruiva. Ela fica assustada, até que o casal se revela – são Rooster e Lily. Eles explicam o plano – querem saber tudo sobre a garotinha para poderem por a mão na recompensa.

Warbucks vai com Annie até Washington, onde ambos irão se encontrar com o presidente norte americano, Franklin D. Roosevelt. Na sala oval da Casa Branca, Annie canta a canção “Tomorrow” (“O Amanhã). Roosevelt acredita que a população tem que ser otimista durante os tempos de crise – então, todos a acompanham na canção.

De volta a casa, Warbucks diz o quanto está gostando de Annie. E já que seus pais não aparecem, ele vai adotá-la. Para celebrar as boas notícias, uma festa de Natal é preparada, e Annie deseja convidar Dona Hannigan e suas amigas do orfanato.

Quando um juiz aparece para começar os procedimentos legais da adoção, os ‘pais falsos’ aparecem para se encontrar com Annie e receber a recompensa. Para afirmar que são eles, falam sobre o bilhete que deixaram junto a bebê e também o pingente. Warbucks pede para que Annie passe a noite de Natal na mansão e na manhã seguinte, eles poderão partir para sua fazenda de porcos de Nova Jersey.

Pela manhã, todos recebem uma visita de Roosevelt e do Serviço Secreto. É revelado que os verdadeiros pais de Annie morreram enquanto ela ainda era um bebê. A farsa é descoberta, e Dona Hannigan, Rooster e Lily são presos. Roosevelt declara seu novo plano econômico, que irá melhorar a economia do país.

CARMEN

Annie, o Musical

Com  Ingrid Guimarães, Miguel Falabella, Sara Sarres, Cleto Baccic e grande elenco

Teatro Santander (Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 2041 – Itaim Bibi, São Paulo)

Duração 160 minutos

30/08 até

Quinta e Sexta – 21h, Sábado – 16h30 e 21h, Domingo – 15h e 19h

$75/$310

Classificação Livre

CHACRINHA, O MUSICAL

Grande sucesso dos palcos em todo o país desde 2014, “Chacrinha, o musical” volta ao Rio de Janeiro, em curta temporada, em homenagem ao centenário de Abelardo Barbosa. O espetáculo marcou a volta de Stepan Nercessian ao teatro, emocionando com sua interpretação do velho guerreiro. Em cena, personagens emblemáticos do Cassino, como Russo, Elke Maravilha, Pedro de Lara, Boni e, claro, as Chacretes. Produzido pela Aventura Entretenimento, com texto de Pedro Bial e Rodrigo Nogueira, o musical conta com direção de Andrucha Waddington. “Chacrinha, o musical” reestreia dia 28 de setembro, no Teatro Riachuelo Rio.

Comandante de extravagantes concursos de calouros, responsável por revelar grandes nomes da música nacional e inventor de bordões infames, o apresentador completaria 100 anos em 2017. Para homenageá-lo, “Chacrinha, o musical” passará também pelas cidades de Ribeirão Preto (Centro de Eventos do Ribeirão Shopping), Recife (Teatro Guararapes), Campinas e Belo Horizonte (Cine Theatro Brasil).

A montagem é assinada pela Aventura Entretenimento e já foi assistida por mais de 2 milhões de pessoas no teatro e na exibição do espetáculo no Canal VIVA. As temporadas contaram com a participação especial de artistas que batiam ponto nos programas do Chacrinha, como Xuxa, Fábio Jr, Paulo Ricardo, Biafra e Wanderléa. Com texto de Pedro Bial e Rodrigo Nogueira, o espetáculo marca a primeira direção teatral de Andrucha Waddington. Com apresentação do Grupo Bradesco Seguros, “Chacrinha, o musical” tem patrocínio da Riachuelo e Avianca como transportadora oficial.

O espetáculo acompanha a trajetória do apresentador desde sua infância em Surubim, Pernambuco, até o auge da carreira na TV Globo, comandando o programa de auditório “Cassino do Chacrinha”, com espaço para as rebolativas chacretes, os trocadilhos infames, buzinadas e troféu abacaxi. Dois atores dão vida ao protagonista: Stepan Nercessian interpreta o Chacrinha consagrado no rádio e na TV, enquanto Thiago Marinho incorpora o jovem Abelardo Barbosa. Aos 63 anos, Nercessian retornou aos palcos depois de mais de 10 anos sem trabalhar no teatro. “Eu sempre disse que só voltaria se fosse para participar de um projeto muito especial. É uma atividade que requer muita dedicação, esforço e disciplina. Falei desde o início que não sou um imitador. O Chacrinha aconteceu naturalmente“, explica Stepan. Completam o elenco 18 atores-cantores-bailarinos, que vão dar vida a familiares do Velho Guerreiro e personalidades que fizeram parte da vida do apresentador como Boni (Saulo Rodrigues) e Elke Maravilha (Laura Carolinah). 

O diretor Andrucha Waddington fez sua estreia na atividade teatral depois de quase três décadas de carreira dedicada à produção cinematográfica.

A trama

O jornalista Pedro Bial foi responsável pelo primeiro tratamento do texto, a partir de extensa pesquisa de Carla Siqueira. A trama é dividida em dois atos, com espaço para episódios biográficos e momentos líricos e fantasiosos. A infância difícil com a falência do pai, o ingresso no rádio e revolução que ele promoveu na televisão brasileira são temas presentes, assim como momentos em que são revelados sua bipolaridade, autoritarismo e obsessão pelos números de audiência. “Responder a pergunta: ‘por que Chacrinha?’ é difícil. Temos que perguntar: ‘Como Chacrinha?’ . ‘Como o Abelardo inventou o Chacrinha?’ ,’Como esse sujeito inaugurou no Brasil e no mundo a comunicação de massas?’, ‘Como esse cara inventou o primeiro palhaço da televisão?’, ‘De onde ele tirou isso?’. A gente se pergunta e vai atrás das respostas durante o espetáculo“, descreve Bial. O dramaturgo Rodrigo Nogueira frisa o lado teatral que sempre marcou a carreira do apresentador. “Acho que o Chacrinha é uma das pessoas mais teatrais que eu já conheci. Ele conseguiu levar a profanação para a televisão, um ambiente que até então era careta e regido por fórmulas. O que a gente quer fazer é pegar toda essa liberdade e excentricidade e jogá-las de volta ao teatro. O público vai ter a oportunidade de viver a experiência que tinha quando assistia aos seus programas“, detalha Rodrigo. 

A trilha sonora é composta por mais de 60 canções (com medleys) consagradas na história da música nacional. Muitos desses sucessos fizeram parte do repertório do Cassino do Chacrinha e dos artistas que o comunicador ajudou a consagrar, como ‘O meu sangue ferve por você’ (Sidnei Magal), ‘O amor e o poder’ (eternizada por Rosana), ‘Tente outra vez’ (Raul Seixas), ‘Televisão’ (Titãs) e ‘Fogo e Paixão’ (Wando). “Vamos reunir músicas desde o fim dos anos 30 até meados dos 80, apresentadas nos últimos programas. Entre os musicais em que trabalhei, este é o que reúne canções com comunicação mais imediata da plateia. São obras bem populares, mas que os espectadores terão oportunidade de escutar de uma outra forma. Muitas são consideradas bregas, mas são belíssimas“, conta a diretora musical Delia Fischer. Os atores serão acompanhados por uma banda de cinco músicos.

Também fazem parte da equipe criativa o diretor de movimento  e coreógrafo Alonso Barros (Diretor e coreógrafo de ‘Se eu fosse você, o musical’), Gringo Cardia (Direção de arte e cenografia), Carlos Esteves (Desenho de som), Claudia Kopke (Figurinista – venceu o Prêmio Shell de Teatro do Rio de Janeiro na categoria figurino com o espetáculo), Paulo César Medeiros (Desenho de luz) e Marcela Altberg (Produção de elenco). 

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Chacrinha, o Musical
Com Stepan Nercessian, Thiago Marinho, Ana Elisa Schumacher, André Lemos, Diego Campagnolli, Diego Montez, Fabiana Tolentino, Hugo Kerth, Jullie, Laura Carolinah, Leonam Moraes, Nay Fernandes, Neusa Romano, Saulo Rodrigues, Saulo Segreto, Vittor Fernando, Natacha Travassos e Gabriel Demartine
Teatro Riachuelo Rio (Rua do Passeio, 38/40 – Cinelândia, Rio de Janeiro)
Duração 160 minutos
28/09 até 11/10
Quinta e Sexta – 20h30, Sábado – 20h30, Domingo – 18h
$70/$150
Classificação Livre

GRANDE SERTÃO: VEREDAS

Bia Lessa propõe a um só tempo uma peça de teatro e uma instalação em sua adaptação do livro Grande Sertão: Veredas – matriz do moderno romance brasileiro e obra-prima de João Guimarães Rosa. A peça traz para o palco a saga do jagunço Riobaldo que atravessa o sertão para combater seu maior inimigo, Hermógenes, fazer o pacto com o diabo e viver seu amor por Diadorim.

A proposta cenográfica é constituída pela instalação de uma grande estrutura tubular na área de convivência da unidade, definindo a um só tempo um espaço cênico e expositivo. No entorno dessa estrutura, uma espécie de claustro cravado no espaço, será a circulação dos frequentadores do espaço e da plateia, numa criação que propõe a atmosfera do Grande Sertão: Veredas. Permanentemente propõe-se a falta de distinção entre início e fim do espetáculo; entre teatro e artes plásticas; entre espaço expositivo, espaço cênico e espaço público; entre espectador e ator, sendo fiel a Guimarães Rosa, inventor de uma nova categoria literária com esse romance, denominada de transregionalismo ou surregionalismo, pelo sociólogo e crítico literário Antonio Cândido.

Grande Sertão: Veredas é um livro de João Guimarães Rosa escrito em 1956 que se tornou uma das mais importantes obras da literatura brasileira e lusófona. Em 2006, o Museu da Língua Portuguesa realizou uma exposição sobre a obra no Salão de Exposições Temporárias com concepção geral e direção de Bia Lessa. Em maio de 2002, o Clube do Livro da Noruega, entidade que congrega editores noruegueses, incluiu Grande Sertão: Veredas em sua lista dos cem melhores livros de todos os tempos – único brasileiro entre 100 escritores de 54 países.

A diretora Bia Lessa é uma artista multifacetada, cineasta, diretora de teatro e ópera, exposições e ganhadora de vários prêmios. Suas obras são exibidas em vários países, como Alemanha, França e EUA. Responsável pelo projeto do Pavilhão Brasileiro na Expo 2000 em Hannover, Mostra Redescobrimento na Bienal SP, Reabertura do Theatro Municipal do Rio de Janeiro com a ópera Il Trovattore, Pavilhão Humanidades 2012 (Rio + 20) e reinauguração dos painéis Guerra e Paz de Candido Portinari na ONU, em Nova Iorque.

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Grande Sertão: Veredas
Com Balbino de Paula, Caio Blat, Daniel Passi, Elias de Castro, Leon Góes, Leonardo Miggiorin, Lucas Oranmian, Luisa Arraes, Luiza Lemmertz, Clara Lessa.
SESC Consolação – Área de Convivência (Rua Doutor Vila Nova, 245 – Consolação, São Paulo)
Duração 160 minutos
09/09 até 22/10
Quinta, Sexta e Sábado – 20h30, Domingo – 18h30
$40
Classificação 18 anos