MEIA-MEIA

A busca pelo poder e o lado mais mesquinho e sórdido do ser humano são motes de MEIA-MEIA, texto livremente inspirado no romance O anão (1944), do sueco Pär Lagerkvist (vencedor Prêmio Nobel de Literatura em 1951). Com direção de Juliana Jardim e Georgette Fadel, o espetáculo estreia no dia 19 de outubro no Sesc Pompeia, e segue em cartaz até 11 de novembro.

Este é o primeiro monólogo de Luís Mármora, que também foi idealizador da montagem. “O espetáculo nasceu de um convite meu para o Vadim Nikitin. Eu queria fazer um monólogo que tivesse a política como temática central. Não queria um personagem que fosse a representação do poder, mas que desfrutasse dele, bebesse dos privilégios. E o Vadim lembrou dessa obra que é praticamente desconhecida no Brasil, teve uma única edição em 1970. Embora tenha sido escrito em plena 2ª Guerra Mundial, em alguns trechos do romance dá quase para dizer que é uma ficção para a teoria de Maquiavel, sobre como ele descreve as possíveis tomadas de poder”, comenta o ator.

Ainda que ambientada em época indefinida, leitor e espectador podem deduzir que o texto se passa numa possível Renascença, por desdobradas sugestões de relações entre arte e guerra, por exemplo. A trama apresenta um anão inescrupuloso e manipulador que aparece indissociável de seu Printz, quase como um prolongamento seu. Acompanha o Printz em uma guerra, que MEIA-MEIA tem como a potência máxima de vida, “uma experiência maravilhosa” que lhe traz a suprema felicidade.

O anão tem uma potência muito destrutiva. Claro que o apelo teatral faz com que tonemos a figura dele de modo ainda mais sedutor do que no romance. E o humor vem sempre pela inversão de tudo o que seria uma demonstração de amor. Então, ele diz coisas do tipo ‘como o amor é uma coisa repugnante’, ‘como é desprezível a mão de uma criança’”, diz Mármora.

A ideia é justamente explicitar como esse tipo de comportamento desprezível também faz parte do ser humano. “Ele expõe o que há de mais sombrio na força humana, que é uma coisa com a qual temos nos deparado cada dia mais nas relações político-sociais. As relações se tornam cada vez mais explicitamente violentas e dominadas pelo ódio. Ele vem para questionar como lidamos/domamos isso”, revela.

Além das obras de Pär Lagerkvist e Nicolau Maquiavel (1469-1527), a pesquisa que gerou a encenação tem como referência o trabalho dos pintores espanhóis Diego Velázquez (1599-1660) e Francisco de Goya (1746-1828); o filme “Os Anões Também Começaram Pequenos”, do cineasta alemão Werner Herzog; e o conceito de materialismo histórico do filósofo alemão Walter Benjamin (1982-1940).

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Meia-Meia

Com Luís Mármora

SESC Pompéia – Espaço Cênico (R. Clélia, 93 – Água Branca, São Paulo)

Duração 70 minutos

19/10 até 11/11

Quinta, Sexta e Sábado – 21h30, Domingo e Feriado – 18h30

$20 ($6 – credencial plena)

Classificação: 16 anos

SOMOS TÃO JOVENS

O universo de alegrias, dúvidas, angústias, medos, acertos e erros de seis jovens amigos são retratados em Somos Tão Jovens, espetáculo de Vinícius de Oliveira com direção de Ricardo Grasson que volta para sua segunda temporada com nova produção no Teatro Augusta.

O elenco conta os com jovens atores Danillo Branco, Júlio Oliveira, Gabriel Moura, Bruno Damásio, Fernando Burack e Luis Fernando Delalibera acompanhados por uma banda formada por Kelly Martins, Léo Rosso e Rozera Nunes.

Questões sobre preconceitos, sonhos, uso de drogas, relacionamentos e sexualidade, são trazidos à cena em situações que se desdobram em gravidez indesejada, a primeira vez, sonhos frustrados e homossexualidade, entre outros assuntos sempre presentes na passagem para a idade adulta. A banda conduz o desdobramento da encenação impulsionando o trabalho dos atores, embalados por canções ligadas a juventude durante as décadas de 1980 a 2000.

Para a criação do texto, Vinícius de Oliveira teve como inspiração o espetáculo Garotos, de Leandro Goulart, o filme Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro e o livro As Meninas, de Lygia Fagundes Telles. A música Tempo Perdido, do Legião Urbana, que toca durante a peça é uma das cenas mais nostálgicas para o público.

Na criação da dramaturgia, essas obras funcionaram como impulsionamento e uma forma de costurar a trama que estava sendo criada. Histórias que aconteceram comigo e com pessoas próximas também serviram como propulsores. É um espetáculo que cativa jovens que vivem essas cenas no dia a dia, e até de pessoas mais velhas, que passaram por esses momentos em algum ponto da vida”, conta o autor.

Para o diretor Ricardo Grasson, a montagem conversa muito bem com os dias atuais, aposta na simplicidade e na mensagem direta para o jovem. “A peça aborda temas que não são muito falados em casa; o teatro tem essa característica de mostrar a vida como ela é, ativa questionamentos sobre o mundo. Não importa se é um clássico ou contemporâneo, o bom do teatro é falar do ser humano e todas as camadas que o envolvem”.

Cenário e figurinos colocam os personagens inseridos no cotidiano como um apartamento, um bar, elementos de uma grande metrópole que poderia ser em qualquer lugar do mundo. “Todos esses recursos cênicos ajudam a exibir o cotidiano desses personagens e de todas as tramas dessa juventude. É uma forma de transportar o mundo para o palco e proporciona a empatia direta e rápida do público. Durante o processo, houve um diálogo com os atores em todos os aspectos, uma maneira de alimentar o trabalho da direção e atuação, os dois lados caminharam bem para trazer um novo frescor”, diz Grasson.

Somos Tão Jovens marca a volta, após mais de 20 anos, de Ricardo Grasson na direção, que se dedicou ultimamente na produção de espetáculos como Caesar – como construir um Império (Willian Shakespeare adaptado e dirigido por Roberto Alvim) com Caco Ciocler e Carmo Dalla Vecchia; Fantasmas (de Henrik Ibsen adaptado e dirigido por Roberto Alvim e Juliana Galdino) com Guilherme Weber, Pascoal da Conceição, Mário Bortolotto e Luisa Micheletti; 33 Variações (obra de Moisés Kaufman e direção de Wolf Maya) com Nathalia Timberg, Clara Sverner e grande elenco; entre outras.

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Somos Tão Jovens

Com Danillo Branco, Júlio Oliveira, Gabriel Moura, Bruno Damásio, Fernando Burack e Luis Fernando Delalibera

Teatro Augusta – Sala Paulo Goulart (Rua Augusta, 943. Consolação – São Paulo)

Duração 70 minutos

06/10 até 04/11

Sábado – 19h, Domingo – 18h

$40

Classificação 14 anos

AS BRASAS

Consagrada obra do escritor húngaro Sándor Márai (1900-1989), “As Brasas” ganha sua primeira adaptação para os palcos brasileiros em uma montagem que marca a estreia de Duca Rachid – autora conhecida por diversos sucessos na televisão brasileira – na dramaturgia teatral. A ideia de adaptar o romance surgiu há quase dez anos, quando Duca e o também novelista e dramaturgo Júlio Fischer estavam trabalhando juntos e leram o livro. Escrita em parceria pela dupla com o diretor da montagem, Pedro Brício, “As Brasas” estreia em 29 de setembro, no SESC Santana. O ator e empreendedor cultural Felipe Lima responde pela idealização do projeto, junto com a autora, além da produção ao lado da Tema Eventos.

Em seu primeiro trabalho no teatro, Duca Rachid enfrentou um grande desafio na adaptação de um prestigiado romance. “Quando li, de cara, pensei que daria uma peça incrível. O trabalho foi difícil porque o livro tem várias camadas. É um jeito de eu me aprofundar nessa linguagem, que exige outro tipo de imaginação. Quando você escreve para TV e para cinema, tem algo mais naturalista e imagético. Para o teatro, é muito mais abstrato”, diz.

Herson Capri e Genézio de Barros vivem, respectivamente, Henrik e Konrad, protagonistas de uma história visceral de amor e amizade, marcada pelo rancor e o ressentimento. Ainda meninos, eles se conheceram na escola militar, tornaram-se amigos inseparáveis e, ao longo dos anos, partilharam descobertas e experiências da infância, juventude e vida adulta. Eles não se veem há 41 anos, desde o dia em que Konrad desapareceu após uma caçada na floresta nos arredores do castelo de Henrik, em 1899, na Hungria. Entre os dois, há um segredo que ronda o dia da caçada e as lembranças de Kriztina – mulher de Henrik e amiga de infância de Konrad. Após quatro décadas, Henrik, agora general, recebe uma carta do amigo informando estar de volta à cidade, levando-o a se preparar para esse tão aguardado confronto final.

Acho que o que mais me impressionou no livro foi a relação entre esses dois amigos. É tão profunda, uma amizade tão forte que, como acontece às vezes na vida, se estabelece uma relação de poder. Existe uma tensão entre os dois que acaba sendo projetada naquela mulher (Kriztina, mulher do Henrik e amiga de Konrad). Eles a usam para projetar aquele amor que sentem um pelo outro e não conseguem realizar. Existe essa tensão erótica”, conta Duca.

Fortemente presente no romance, a música foi transportada para a cena através da trilha original criada por Marcelo Alonso Neves. “Como, no livro, a música aparece relacionada aos personagens femininos, a violoncelista Nana Carneiro da Cunha vai executar a trilha ao vivo, no palco, e também dizer as falas femininas”, conta Pedro Brício. “É um livro sobre afetividade, memória e decadência. Um encontro muito íntimo entre dois amigos durante a II Guerra Mundial. Isso é muito interessante, esse contraponto entre o momento histórico, o cotidiano e as relações afetivas. É uma constatação de uma certa tristeza e uma decadência dessa dureza masculina”, analisa o diretor.

Idealizador da montagem, Felipe Lima já conhecia a obra de Márai quando foi convidado por Duca para participar do projeto e ficou encantado com a ideia de transpor para os palcos a história de Henrik e Konrad. “É uma história que fala de algo muito forte na minha vida: a relação de amor e de amizade. Por isso, esse livro me toca profundamente”.

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As Brasas

Com Herson Capri, Genézio de Barros e Nana Carneiro da Cunha (violoncelista)

SESC Santana (Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Santana, São Paulo)

Duração 70 minutos

28/09 até 04/11

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 18h

$30 ($9 = credencial plena)

Classificação 12 anos

NA PAREDE DA MEMÓRIA

Inspirado na poesia do cantor e compositor cearense Belchior (✧1946 – ✙ 2017), o espetáculo Na Parede da Memória faz temporada de 3 de outubro a 28 de novembro, quartas-feiras, às 21h, no Teatro Itália, com ingressos vendidos a R$ 50.

O espetáculo tem direção de Paulo Merisio e texto de Fabrício Branco. Em cena, quatro amigos separados pelo tempo e por suas diferenças se reencontram em um apartamento onde todos já viveram antes. Fechando um ciclo da história, cada personagem deve retirar o que é seu do imóvel. O único desacordo parece estar na propriedade do disco Alucinação, de Belchior, objeto reclamado por todos.

Um reflexo do passado ganha cores contemporâneas, no desenrolar da trama que situa a história política atual do país e do mundo. Cada canção se torna rascunho do destino, tendo a poesia e a ação como forma de narrar essa história.

Músicas de Belchior, como Coração SelvagemGalos, Noites e QuintaisComo Nossos PaisÀ Palo SecoParalelasInspiraçãoVelha Roupa Colorida Apenas um Rapaz Latino Americano são executadas ao vivo em cena e também inspiram a dramaturgia do espetáculo.

A proposta do espetáculo já tinha sido pensada em 2013, mas foi colocada em prática em 2017. “Após a morte de Belchior sentimos que era hora de retomar aquele desejo antigo”, diz o diretor Paulo Merisio. “A percepção de que suas letras tinham potencialidade poética para a construção de uma bela dramaturgia nos inspirou desde aquela época”, completa.

Uma das propostas da encenação é discutir a atemporalidade dos temas de Belchior, artista que teve canções interpretadas por grandes nomes da cena nacional, como Elis Regina, Elba Ramalho e Fagner. “Além de homenagear o artista, a peça traz ainda muitas reflexões e questionamentos sobre sua obra, surpreendentemente contemporânea – Algumas letras que poderiam aparecer anacrônicas passaram a retomar vigor inesperado”, diz a equipe.

A peça fez temporada no Rio de Janeiro entre maio e julho, no Teatro dos Quatro e Teatro Cândido Mendes.

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Na Parede da Memória

Com Dezo Mota, Gloria Dinniz, Filipe Goulart e Nina Alvarenga

Teatro Itália (Av. Ipiranga, 344 – República, São Paulo)

Duração 70 minutos

03/10 até 28/11

Quarta – 21h

$50

Classificação 16 anos

11 SELVAGENS

Espetáculo imersivo onde a plateia acompanha de perto situações em que as pessoas perdem o controle, 11 SELVAGENS volta em cartaz no Centro Cultural São Paulo para temporada de 5 a 28 de outubro,  com sessões sextas-feiras e sábados às 21h e domingos às 20h.

O ponto de partida para a criação da peça foi a tensão crescente no país em 2016,  que resultou em manifestações pelas ruas do País, para mostrar como a polarização afeta diferentes camadas, de discussões sobre política a briga de namorados. Agora, a peça retorna em um ambiente mais hostil estimulado pelas campanhas eleitorais.

Texto do premiado diretor Pedro Granato, coloca atores e público lado-a-lado em cenas do cotidiano em que explode um impulso descontrolado. Da violência à sensualidade, do absurdo ao trivial, são onze quadros interligados como uma camada de sociabilidade que pode rapidamente ser rompida em nossos dias.

11 SELVAGENS foi criada no intenso ano de 2016. Muitas vezes tínhamos como pano de fundo dos ensaios o som de bombas e manifestações. Ou gritos de toda a vizinhança, trocando ofensas e palavras de ordem. Os atores chegavam exaustos pelas discussões em família, amigos e no trabalho. E resolvemos tematizar isso, alertando para os perigos da polarização, a falta de escuta, o discurso de ódio”, fala Granato – que foi indicado ao Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem 2017 pelo texto original.

Desde que a peça estreou em 2017, o Brasil vem aumentando a temperatura e a violência de seus embates. Na última temporada realizada no teatro de Arena, haviam debates após as sessões que serviam de válvula de escape e reflexão para a enorme tensão política, após o assassinato de Marielle Franco e a prisão do ex-presidente Lula.

Agora marcamos a temporada exatamente durante o período eleitoral. Começa no primeiro turno e termina na véspera do segundo turno. Infelizmente tudo indica que o país deve estar envolto em violenta polarização e nós estaremos no teatro. Tematizando tudo isso, no olho do furacão, propondo o diálogo e a reflexão. No momento em que ninguém escuta mais ninguém”, comenta Granato.

As cenas se desenrolam como se a plateia estivesse na mesma situação dos atores. Algumas geram reações,  em outras o espectador é cúmplice e voyer. Cada quadro é levado ao paroxismo e quando parece não haver mais para onde ir, a música toma o ambiente e os atores extravasam em coreografias.

O figurino e a luz se baseiam em elementos minimalistas que são reconstruídos para cada cena. A intervenção musical dá agilidade à narrativa e permite uma explosão estética para além da verossimilhança. Histórias em que a plateia se identifica, músicas contemporâneas, tudo está equalizado para dialogar profundamente com a geração atual.

A peça já teve mais de 50 apresentações e figurou entre as melhores do ano de 2017 pela Revista Veja São Paulo. Cumpriu temporadas no Pequeno Ato (ficando em cartaz durante 6 meses seguidos) e Teatro de Arena Eugênio Kusnet. Circulou pela periferia de São Paulo por 10 Casas de Cultura, participou da Virada Cultural em sessão no Teatro Alfredo Mesquita e foi contemplado pelo edital do Proac  Circulação para fazer 5 cidades no interior do estado até o final do ano.

Leia nossa opinião – https://opiniaodepeso.com/2017/03/27/11-selvagens-opiniao/

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11 Selvagens

Com Anna Galli, Beatriz Silveira, Bianca Lopresti, Bruno Lourenço, Felipe Aidar, Gabriel Gualtieri, Inês Bushatsky, Isabella Melo, Jonatan Justolin, Fhelipe Chrisostomo, Gustavo Bricks, Mariana Marinho, Mariana Beda, Mau Machado, Rafael Carvalho e Thiago Albanese.

Centro  Cultural São Paulo – Sala Ademar Guerra (Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso, São Paulo)

Duração 70 minutos

05 a 28/10

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 20h

(Não haverá espetáculo em dia de eleição).

$30 (05/10 – preço popular $3)

Classificação 16 anos

EU ESTAVA EM MINHA CASA E ESPERAVA QUE A CHUVA CHEGASSE

O novo espetáculo de Antunes Filho, Eu estava em minha casa e esperava que a chuva chegasse do dramaturgo contemporâneo francês, Jean-Luc Lagarce, retrata o cotidiano de cinco mulheres que esperam a volta do caçula da família. Nesta peça, de modo atemporal, descortina-se um contar interminável de hipóteses sobre o retorno do único homem, que partiu de casa, após se desentender com o pai. No decorrer do espetáculo – e de suas múltiplas versões –,o espectador assiste a um entrecruzar-se contínuo de possibilidades. Neste jogo cênico, o enredo, aparentemente simples, encontra-se estrategicamente costurado pelas cinco mulheres. Resta ao espectador tecer a sua própria versão da história. O elenco é composto pelas atrizes Fernanda Gonçalves, Daniela Fernandes, Viviane Monteiro, Susan Damasceno e Rafaela Cassol.

Sobre a dramaturgia

Lagarce compôs seu espetáculo à maneira de um novelo narrativo. Nele não há apenas um fio exposto, guiando e orientando a história. Ao contrário, existem inúmeros fios que levam a “soluções” e a caminhos diversos. Cada uma das cinco mulheres apresenta a sua versão, ou seja, no desenrolar da encenação, uma a uma tece seu ponto de vista e a forma como imaginou e imagina os fatos. A partir dessas versões, o espectador se depara com uma gama de possibilidades, advindas dos fios narrativos que ora convergem, ora se contrastam. Assim, por exemplo, o conflito que estrutura o enredo, a saber, o desentendimento entre pai e filho que culminou na partida do caçula, é representado – instaurando assim um verdadeiro metateatro, complexo e labiríntico – e imaginado, sobretudo imaginado, pelo prisma subjetivo lançado por cada uma Delas, as quais sustentam esta família inominável.

Sobre o espetáculo

O espetáculo de Antunes Filho consegue extrair a teatralidade do texto de Lagarce, minuciosamente elaborado e estrategicamente embaralhado, para o palco. Para isso, a atenção do diretor redobrou-se constantemente, uma vez que foi preciso, antes mesmo de conceber a encenação propriamente dita, investigar, mapear e decifrar a escrita poética deste importante dramaturgo e diretor teatral.

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Eu Estava em Minha Casa e Esperava que a Chuva Chegasse

Com Fernanda Gonçalves, Daniela Fernandes, Viviane Monteiro, Suzan Damasceno, Rafaela Cassol

Sesc Consolação (R. Dr. Vila Nova, 245 – Vila Buarque, São Paulo)

Duração 70 minutos

21/09 até 16/12

Sexta e Sábado – 21h, Domingo e Feriado – 18h

$40 ($12 – credencial pleno)

Classificação 14 anos

O JOGO DA VIDA

O Teatro dos Quatro, na Gávea (RJ), vai se transformar em um grande tabuleiro. Isso porque estreia no dia 18 de setembro “O Jogo da Vida”, primeira produção da Arina Entretenimento. O musical, inspirado no famoso jogo, traz seis atores que dão vida a personagens inéditos, em colaboração coletiva com a direção e a plateia, com texto e música autoral.

Como o próprio título propõe, o musical fala sobre a vida e seus acontecimentos inesperados, o futuro sob controle do acaso. Livremente inspirado no clássico “Jogo da vida” e em outros jogos de tabuleiro, as cenas são definidas ora por integrantes da plateia, ora por um dado jogado em cena pelos próprios atores – diz Tauã Delmiro, diretor, compositor e dramaturgista do espetáculo.

Essa interação junto ao público e os atores tem uma explicação, a premissa da Arina Entretenimento é que o telespectador faça parte do espetáculo de forma mais participativa.

Queremos trazer projetos inovadores, arte e conteúdo, com produtos autorais e de qualidade para o mercado carioca – diz Kau Swaelen, uma das idealizadoras e fundadora da ARINA.

Além da direção e das composições das canções, de Tauã, conhecido por seu trabalho em “O Edredom” e no premiado “Nome do espetáculo”, a peça tem direção musical de Rafael Sant’anna (“Sweeney Todd”, “Matilda” e “60 doc. Musical”) e orientação artística de João Fonseca (“Tim Maia”, “Minha mãe é uma peça” e “Bilac vê estrelas”).

O espetáculo se propõe a fazer uma busca por uma reflexão de como a sociedade entende e percebe a felicidade e o sucesso, e a relação destes com dinheiro, casamento, filhos, etc – completa Karina Swaelen, uma das atrizes e produtora do musical.

“O Jogo da Vida” fica em cartaz de 18 de setembro até 31 de outubro no Teatro dos Quatro com sessões nas terças e quartas às 20h.

CARMENO Jogo da Vida

Com Hamilton Dias, Kau Swaelen, Saulo Segreto, Tecca Ferreira, Thainá Gallo, Luiz Filipe Carvalho

Teatro dos 4 – Shopping da Gávea (R. Marquês de São Vicente, 52 – Gávea, Rio de Janeiro)

Duração 70 minutos

18/09 até 31/10

Terça e Quarta – 20h

$60

Classificação 12 anos