AMAR, VERBO INTRANSITIVO

Escrito em 1927 e considerado o primeiro romance do escritor modernista Mário de Andrade (1893-1945), Amar, Verbo Intransitivo ganha uma adaptação teatral com dramaturgia de Luciana Carnieli e direção de Dagoberto Feliz. O espetáculo estreou em maio na Oficina Cultural Oswald de Andrade e volta em cartaz no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, para uma temporada às quintas-feiras, às 21h, de 11 de julho a 26 de setembro.

A trama narra a história da governanta Fräulein Elza (interpretada pela própria Luciana Carnieli), que é contratada por uma família tradicional paulista nos anos de 1920 para fazer a iniciação amorosa e sexual de Carlos (vivido por Pedro Daher), o primogênito herdeiro. A partir desse encontro, os personagens vivem uma relação amorosa, revelando críticas sociais e comportamentais.

Leitor da alma feminina, Mário de Andrade constrói uma protagonista que se destaca por sua multiplicidade. A governanta, professora de línguas, de piano e de amor deixa a terra onde nasceu, a Alemanha, e torna-se sujeito de seu próprio destino em território brasileiro. Uma prostituta alemã inserida na sociedade aristocrática de disfarces. A protagonista, apesar de estar colocada no contexto histórico do início do século XX, é ideal para discutir o constante papel de subordinação da mulher na sociedade burguesa e patriarcal.

Escolhi esse romance porque gosto muito da literatura de Mário de Andrade. Ele construiu uma personagem muito complexa, fascinante, redonda e vertical e eu tive muita curiosidade de me lançar nesse trabalho. Apesar de se passar nos anos de 1920, o romance espelha muito a nossa sociedade atual, na qual a mulher é subordinada ao homem o tempo todo. Por mais que Fräulein tenha sua dignidade e seja intelectualmente e culturalmente superior àquela família, é tratada como um ser inferior – não só pelo fato de ela ser prostituta, mas por ser mulher. Na história, vemos claramente que a sociedade paulistana, a aristocracia e a burguesia não mudaram nada”, revela a atriz Luciana Carnieli, que idealizou a montagem.

A encenação tem como foco central o jogo cênico entre os dois atores, que narram a história e simultaneamente interpretam os personagens. Assim, a linguagem cênica se alterna entre narração e dramatização.

A ação transcorrerá em um cenário que simula um estúdio cinematográfico. As partes dramatizadas acontecerão como se estivessem sendo filmadas, acrescentando mais um degrau à história e à linguagem do espetáculo. Literatura, teatro e cinema se intercalam nessa transposição do romance para o palco.

A criação dos figurinos conta com elementos essenciais e necessários para a construção desse universo. A música e a iluminação também darão suporte para retratar o ambiente de aparências e a sociedade patriarcal em que estão inseridos os personagens.

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Amar, Verbo Intransitivo

Com Luciana Carnieli e Pedro Daher

Teatro Eva Herz – Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Avenida Paulista, 2073 – Cerqueira César, São Paulo)

Duração 70 minutos

11/07 até 26/09

Quinta – 21h

$50

Classificação 12 anos

SIMONE CANTA IVAN LINS

Ligadas desde o início dos anos 1970, quando, em seu álbum de estreia, Simone gravou uma canção de Ivan Lins (Chegou a Hora), as carreiras desses dois ícones da MPB se cruzaram muitas vezes. Desde então, como que seguindo a mensagem contida em Começar de Novo (um clássico da dupla Ivan Lins e Vitor Martins também lançado pela cantora baiana), eles têm se reencontrado, sempre renovados, prontos para novos desafios.

Agora, com direção de Zélia Duncan, direção musical de Delia Fischer e cenários e figurinos de Simone Mina, Simone volta a cantar clássicos de Ivan Lins gravados pela cantora nas últimas décadas. No repertório, entre outras pérolas, estão garantidas Começar de NovoDesesperarAtrevidaBilheteDaquilo que Eu Sei e Vieste.

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Simone Canta Ivan Lins

Com Simone

Teatro Porto Seguro (Alameda Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)

Duração 70 minutos

09/07

Terça – 21h

$180/$250

Classificação Livre

BEATLES BIG BAND

Conhecidos Brasil afora por circular com os dois shows do projeto Beatles Para Crianças, os músicos e arte-educadores Fabio Freire, Gabriel ManettiEduardo PuperiJohnny Frateschi Humberto Zigler agora colocam foco no público adulto. Embalando as músicas do quarteto de Liverpool ao ritmo do blues e do jazz, o show Beatles Big Band faz sua estreia nacional no Teatro MorumbiShopping para temporada de 6 a 27 de junho, com sessões às quintas-feiras, às 21 horas.

No formato de big band, o show, com clássicos da banda de Liverpool, reúne no palco 10 músicos, sob a regência do maestro e pianista Eduardo Puperi, além da cantora Cláudia Bossle – intérprete conhecida do Jazz e da Bossa Nova na noite paulistana. “A voz dela deu um baita brilho“, comenta Fabio Freire. Estreia no ano em que o Beatles Para Crianças completa cinco anos e que o disco Abbey Road, um dos mais icônicos dos Beatles, faz 50.

O show abre com uma versão de Sargent Peppers Lonely Hear ts Club Band e prepara o público para clássicos imperdíveis da carreira dos Beatles – A hard day’s nightCan’t buy me love e Ticket to ride, entre outras. Outras versões recriadas para big band sãoSomething, BlackbirdLet it be e Hey Jude.

Além dos integrantes da formação original do BPC (Beatles Para Crianças), o grupo terá reforço de um quarteto de sopros (sax tenor, sax alto, trombone e trompete) para recriar arranjos da banda. No palco serão: Fabio Freire (voz e guitarra), Gabriel Manetti (voz),Edu (Ludi) Puperi (piano e vocais), Johnny Frateschi (baixo e vocal), Humberto Zigler (bateria), Luís Passos (guitarra), Chiquinha de Almeida (sax tenor, sal alto e flauta), Pedro Vithor (sax tenor e sax alto), Joabe (trombone) e Bruno Belasco (trompete).

Todos os integrantes já haviam trabalhado juntos em formação de big band em shows, festas e eventos. Dessa vez, os artistas uniram-se para recriar algumas das músicas mais famosas dos Beatles. “Fizemos releituras que não ficam restritas só ao rock. Também há muitas citações de jazz e de blues”, adianta Fabio Freire. Como exemplo, o artista cita A Hard Day’s Night, que ganhou arranjo jazzístico para os shows no Teatro MorumbiShopping.

Os shows mantém a marca registrada dos artistas, que é a interação com o público, sempre estabelecida com bom-humor e informalidade. Entre as canções, Fabio e Gabriel compartilham histórias sobre os Beatles, desde curiosidades até informações sobre como foram gravadas as canções do repertório do show.

O set list prioriza clássicos como Sargent Peppers Lonely Hearts Club BandCan’t Buy me LoveTicket to RideLet it Be Hey Jude. Fabio conta que também estão incluídas músicas dos Beatles que não entraram no repertório dos shows do Beatles Para Crianças, como Come Together eEleanor Rugby. “São músicas mais pesadas que não combinam com o clima do infantil, mas que casa com o formato de big band”, conta Fabio.

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Beatles Big Band

Com Fabio Freire, Gabriel Manetti, Cláudia Boosle, Edu (Ludi) Puperi, Johnny Frateschi, Humberto Zigler, Luís Passos, Dado Magnelli, Pedro Vithor, Joabe Reis e Bruno Belasco

Teatro MorumbiShopping (Av. Roque Petroni Júnior, 1089 – Jardim das Acácias, São Paulo)

Duração 70 minutos

06 a 27/06

Quinta – 21h

$60ShoShow

Classificação 12 anos

57 MINUTOS – O TEMPO QUE DURA ESTA PEÇA

Radicado no Rio Grande do Sul, o premiado artista mineiro Anderson Moreira Sales desembarca em São Paulo para estrear o segundo texto escrito, dirigido e atuado por ele: 57 minutos – o tempo que dura esta peça. O monólogo cumpriu uma temporada em Porto Alegre em 2018 no formato work-in-progress, no qual ia sendo construído a cada apresentação; desta vez a encenação assume a forma definitiva. A peça tem uma curta temporada no Espaço Parlapatões, na Praça Roosevelt, entre 4 de junho e 10 de julho, com sessões às terças e quartas-feiras, às 21h, e ingressos vendidos por até R$30.

Inspirada pelo livro “Ulisses”, do escritor irlandês James Joyce (1882-1941), a dramaturgia se arquiteta a partir de uma premissa simples: um morador do subúrbio de uma cidade grande sai de casa em busca de cumprir seus compromissos e retornar ao lar. A aparente banalidade da narrativa problematiza a realidade contemporânea brasileira em sua cruel complexidade ao reconhecer a grandeza escondida nas pequenas coisas para denunciar a pequenez escondida nas coisas grandes.

Os últimos anos no Brasil foram muito violentos de uma forma geral. Muito ódio foi sendo plantado, regado e agora o país está colhendo uma crueldade absurda. Isso tudo fomentou em mim uma revolta interna que foi expurgada da maneira mais inteligente e sensível que eu sei fazer que é transformar essa energia em texto e corpo em cena. É o lugar onde consigo me sentir mais forte para me vingar da maldade que me ronda”, comenta o artista.

A narrativa aborda também a questão de construção de identidade e transformação. ”O personagem central da história se oprime ao lidar direta ou indiretamente com as figuras masculinas que cruzam seu caminho e não se reconhece enquanto um ser que está no meio do caminho, rejeitando o estereótipo masculino e toda a sua construção cultural de opressão e ainda sem saber caminhar rumo a uma personalidade frágil e delicada. Reconhecer isso foi determinante para algumas escolhas da encenação”, acrescenta.

A montagem não é uma adaptação de “Ulisses”, mas se apropria de seu método de criação – Joyce escreveu cada capítulo a partir de elementos referenciais buscados na “Odisseia”, de Homero. “Li a ‘Odisseia’ e fui traçando os paralelos e as diferenças do Odisseu de Homero e do Ulisses de Joyce e entendendo que eu estava criando um personagem que também atravessava uma saga. Me interessava que houvesse a ponte com o mito, mas estivesse dentro do contexto brasileiro contemporâneo, que eu vivenciava diariamente: a crise política, os protestos nas ruas, os problemas no transporte público, a violência policial e estatal, os valores tradicionais em contraposição às liberdades individuais, o preconceito sendo escancarado”, revela.

Outro elemento incorporado da “Odisseia” de Homero é a aproximação da peça com a tradição oral. “Antes de ser registrada de forma escrita, essa oralidade da ‘Odisseia’ devia possuir uma sonoridade própria. Fiquei pensando sobre isso e quis preservar essa característica. Assim, fiz uma associação com o rap e o hip hop, como se estes fossem os trovadores contemporâneos. Então, há trechos do texto que remetem ao jeito de cantar do Russo Passapusso, vocalista do Baiana System, do Criolo, de quem sou muito fã, de um artista talentosíssimo de Guarulhos, o rapper Edgar, e por aí vai”, esclarece.

O cenário é composto por um balcão que abriga fogão, forno e outros utensílios que permitem o preparo de uma massa de pão de queijo. O preparo é como um acordo de troca do alimento pela atenção do público. Mas a ação de expor os ingredientes em seu formato original e uni-los para criar um outro alimento também passa por essa ideia de transformação. As camadas se constroem aos poucos. A iluminação também caminha junto com a mudança da narrativa a cada cena, inclusive a velocidade e o ritmo do texto estão em vários momentos em sintonia com o desenho da luz. Em certos pontos, ela assume funções diretas, presentificando personagens.

O primeiro trabalho escrito, dirigido e atuado por Anderson foi “Lujin”, livremente inspirado no livro “A Defesa Lujin”, do russo Vladimir Nabokov. O espetáculo estreou em Porto Alegre em 2015, e ganhou o Prêmio Açorianos, a principal premiação gaúcha, na categoria de melhor dramaturgia.

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57 minutos – O Tempo Que Dura Esta Peça

Com Anderson Moreira Sales

Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158 – Consolação, São Paulo)

Duração 70 minutos

04/06 até 10/07

Terça e Quarta – 21h

$30

Classificação 12 anos

GAROTOS

Conhecidos por revelar novos talentos da comédia e do teatro jovem, Afra Gomes e Leandro Goulart, autores e diretores do fenômeno de público Meninos e Meninas, trazem para São Paulo o espetáculo jovem que promete ser a nova febre teatral: GAROTOS, que estreia no dia 20 de abril no Teatro Folha e segue em cartaz até 16 de junho.

Inspirada em episódios da vida de Goulart, que assina a dramaturgia, a peça foi montada pela primeira vez em 2009 e levou milhares de jovens ao teatro durante os três anos em que ficou em cartaz – apesar de nunca ter sido montada em São Paulo. A experiência de Afra e Leandro com seus últimos trabalhos destinados a este público – que também inclui o sucesso Boca Rosa, A Peça – e o Prêmio Jovem Brasileiro recebido por eles em dois anos consecutivos, motivaram a dupla a revisitar o texto e lançar um espetáculo cheio de novidades.

O elenco de GAROTOS é composto por Leonardo Cidade (stand-in Luckas Moura), Eike Duarte, Lucas Santos, Tony Nogueira e Caio Giovani.

Carregando com fidelidade a marca dos diretores, GAROTOS traz tudo o que os fãs da dupla esperam: marcações dinâmicas, cenas ágeis que transitam entre o humor e o drama, e, claro, muita música. Narrada em primeira pessoa, a montagem músico-teatral cria um retrato divertido e emocionante sobre a juventude a partir de experiências e histórias do próprio autor entre os 10 anos de idade e o início da vida adulta. O texto responde a muitas questões que os adolescentes não costumam aprender em casa ou na escola, como emoções que surgem inesperadamente nessa fase da vida e os consequentes dilemas de como lidar com elas.

Na trama, cinco jovens vivem o alter ego do autor numa série de aventuras e desventuras típicas da adolescência. O violão e outros instrumentos são amigos inseparáveis desses garotos, que tocam canções que também fazem outras gerações cantarem juntas, como “Sempre Assim”, do Jota Quest; “Todas as Noites”, do Capital Inicial; “Vou Deixar”, do Skank; “Olhar 43”, do RPM, “Vinte e Poucos Anos”, de Fábio Jr., e até uma versão “quebra-tudo” de “I Get Knocked Down”, da banda inglesa Chumbawamba.

A encenação cria uma reflexão sobre as relações humanas e sobre o quanto é bom viver a partir da discussão de temas como amor, amizade, saudade, morte, virgindade, masturbação, drogas, sexualidade, paixões, família, porres, gravidez, futuro, teatro, internet, música e futebol.

A montagem conta com Patrocínio da Submarino Viagens e Co-Patrocínio da AMBEV.

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Garotos

Com Leonardo Cidade (stand-in Luckas Moura), Eike Duarte, Lucas Santos, Tony Nogueira e Caio Giovani

Teatro Folha – Shopping Pátio Higienópolis (Avenida Higienópolis, 618 – Higienópolis, São Paulo)

Duração 70 minutos

20/04 até 16/06

Sábado e Domingo – 20h

$40/$70

Classificação 14 anos

MULHERES DE SHAKESPEARE

Duas semanas após o lançamento de sua nova novela, Órfãos da Terra, na TV Globo, a premiada autora Thelma Guedes estreia a peça Mulheres de Shakespeare, com direção do encenador inglês Luke Dixon, no Teatro Novo, em São Paulo. A peça é estrelada pelas atrizes Ana Guasque e Suzy Rêgo. O espetáculo fica em cartaz entre 12 de abril e 5 de maio, com apresentações às sextas e aos sábados, às 21h, e aos domingos, às 19h.

Na trama, duas atrizes se encontram em um teatro para uma reunião de elenco, quando são surpreendidas por um temporal. Enquanto esperam pelo diretor e o restante da equipe, deparam-se com as mulheres de Shakespeare, memórias femininas que perpassam os séculos. E esse encontro faz com que se voltem para si mesmas, revendo e questionando os próprios conflitos.

A peça reúne as personagens femininas de Shakespeare em um mosaico multifacetado e leve, alternando momentos dramáticos com humor, com textos que transitam entre a transgressão, a submissão, a ambição e o amor. Mulheres decididas e autoconfiantes, mulheres submissas, castas, doces, apaixonadas, ousadas, enigmáticas, loucas, santas, trágicas, cômicas, únicas compõem esse painel colorido e cuidadosamente selecionado.

A montagem é baseada em uma extensa pesquisa realizada pela atriz e bailarina Ana Guasque sobre as figuras femininas na obra de William Shakespeare (1564-1616). A encenação surgiu da necessidade de dar voz a essas personagens criadas há cinco séculos, uma época em que as mulheres não possuíam espaço na sociedade e sequer podiam subir ao palco – elas eram interpretadas por homens mais jovens que possuíam a voz mais aguda.

O projeto também conta com um workshop gratuito da técnica criada pelo diretor Luke Dixon – “Play-Acting Shakespeare” – para profissionais que irá ocorrer no Teatro Novo, um workshop para estudantes e atividade de formação de plateias, ministradas por Kyra Piscitelli, que também assina a assistência de direção.

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Mulheres de Shakespeare

Com Ana Guasque e Suzy Rêgo

Teatro Novo (Rua Domingos de Moraes, 348, Vila Mariana – São Paulo)

Duração 70 minutos

12/04 até 05/05

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$60

Classificação 12 anos

SEGUNDA OKÊ

Ao chegar no Teatro Viradalata, o público será conduzido ao palco, onde estarão dispostas mesas e cadeiras. Entre comes, bebes e cantorias de um típico bar de karaokê, dois casais improváveis vivem encontros e desencontros, compondo um cenário repleto de questionamentos sobre relações nos dias de hoje e amores não correspondidos. O espetáculo Segunda Okê, com texto de Cristiane Wersom e direção de Marcio Macena, estreia dia 1º de abril, segunda-feira, 21h. Em cena estão Cristiane Werson, Maria BiaDavi Tápias e Pedro Bosnich, que também assina produção.

Inspirada por uma das mais conhecidas comédias de William Shakespeare, Sonho de Uma Noite de Verão, a peça Segunda Okê marca a continuidade da parceria de Pedro Bosnich e Cristiane Wersom, que montam sua terceira peça como dupla. Idealizada por Pedro, o espetáculo parte de uma proposta de encenação não tradicional. “É uma maneira de fazer com que o público seja de fato parte da montagem”, conta o ator.

A peça utiliza com frequência o improviso, especialidade de Cristiane Wersom. “Faz mais de 15 anos que trabalho com esse recurso. As dinâmicas dependem muito do retorno do público, mas vamos abordá-los de forma muito amorosa. Quem topar fazer uma participação não será isolado, mas sim integrado a proposta do espetáculo”, diz. Ela conta que os trabalhos conjuntos com Bosnich dão certo devido à vontade da dupla em viabilizar projetos e trabalhar com diversos gêneros diferentes.  Desde outubro de 2018, montaram juntos a comédia romântica Na Cama e o drama O Bosque Noturno. 

Sobre a encenação

O enredo acompanha a ida de quatro jovens a um bar de karaokê. Heloísa (Cristiane Wersom) vai aproveitar a folga sem saber que Lizandro (Davi Tápias), um jovem nerd que está apaixonado por ela, a seguiu até ali. Ela se encanta pelo garçom Demétrio (Pedro Bosnich), que por sua vez só tem olhos para Helena (Maria Bia), cliente assídua e ótima cantora que se sente atraída pelo nerd que está seguindo Heloísa. Em meio a bebidas, os jovens confundem-se e tentam disfarçar os sentimentos de uns pelos outros. Os clientes do bar são convidados a ajudar as personagens com conselhos amorosos e dicas musicais.

As músicas escolhidas para o karaokê, que serão mostradas ao público numa cartela, vão desde clássicos globais, como Mamma Mia, da banda sueca ABBA; até sucessos da dupla Sandy & Junior, sertanejos atuais e Evidências, de Chitãozinho & Xororó. “As personagens são pessoas que sempre vemos por aí: a Heloísa é uma workaholic; o Lizandro é um rapaz viciado em internet e tecnologia; o Demétrio é um homem fútil, que se preocupa em excesso com o corpo, achando que isso é suficiente para ser uma boa pessoa; e Helena é uma cantora que espera pelo reconhecimento do público, pela fama e pelo sucesso”, diz Cristiane.

Pedro Bosnich, que já trabalhou anteriormente com o diretor Marcio Macena, contou que o convite ao diretor partiu da vontade de trabalhar com alguém que pudesse compreender questões relevantes, como a utilização frequente do improviso e as escolhas de ambientar o público no espetáculo. “O Marcio é um diretor que tem um olhar disponível para entender as propostas de um projeto e sabe acolher com muito respeito as questões levantadas pelos outros criativos”, ressalta. Pedro e Marcio já trabalharam juntos em diversas outras produções, como Coisas Estranhas Acontecem Nesta Casa, que teve co-direção de Marisa Orth.

Para Marcio, a escolha é pautar a encenação pela leveza proposta pelo texto. “Muitas vezes busco a simplicidade na estética. Acredito que uma boa história contada por bons atores é suficiente para se ter um excelente espetáculo. Sempre, claro, contando com uma equipe criativa de qualidade”. Compõe ainda o time de criadores o iluminador Cesar Pivetti, com quem Marcio está trabalhando em conjunto pela sétima vez.

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Segunda Okê

Com Cristiane Wersom, Davi Tápias, Maria Bia e Pedro Bosnich

Teatro Viradalata (Rua Apinajés, 1387 – Perdizes, São Paulo)

Duração 70 minutos

01/04 até 20/05

Segunda – 21h

$50

Classificação Livre