É TUDO FAMÍLIA!

A peça ‘É tudo Família!’, com atores jundiaienses, baseada no livro “É tudo família!” de Alexandra Maxeiner, publicado por Klett Kinderbuch, Leipzig/Alemanha foi destaque de público e crítica em 2018. A peça foi vencedora de melhor espetáculo de texto adaptado pela Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) ainda concorre ao Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem nas categorias: melhor espetáculo infantil; direção e autoria de texto adaptado e ao Prêmio Aplauso Brasil de melhor espetáculo infantojuvenil.

O que é família? É possível escolhê-la? Laços que se formam a partir de relações não catalogadas ou comumente aceitas podem levar esse nome? Se não, qual nome dar aos cada vez mais diversos tipos de união que existem? Seriam uma espécie de “genérico” de família? Receberiam o nome do seu princípio ativo, nesse caso, “Amor”?

Kiko Marques, diretor convidado para o trabalho diz que: “Mais do que tentar responder essa pergunta a ideia foi, desde o início do projeto, lançar sobre o tema um olhar desprovido de preconceitos, mas também de bandeiras. Como o olhar do menino que diz: “o rei está nu”. Um olhar que não julga, apenas diz o que vê. Ainda que o que vê passe pelo crivo de seu olhar, não há julgamento. Há a nudez do rei”.

No caso de nossa peça, poderíamos adaptar a definição para “dizer aquilo que vê. Mas como fazer isso se o que se aprende não corresponde ao que se vê? Como dizer o que se espera que seja dito: “que belas roupas o rei está vestindo” se o rei está nu? É sobre esse dilema que se debruçam nossos pequenos heróis. De um lado, conceitos estáticos, como totens. Do outro, vida que se vê, suas contradições e suas diversas formas de amar e cuidar”, complementa Marques.

A cenografia de Marisa Bentivegna aposta na ambientação em consonância com a direção e traz uma tradicional sala de aula com a emblemática lousa e seus vários significados.

Sinopse

Dá para responder rápida e objetivamente “o que é família”?

Davi, Lucas, Lucinha e Júlia têm 9 anos e 1 hora para dar esta resposta em forma de seminário, na frente da classe inteira e do professor bem bravo.

Só que Davi tem uma irmã, um meio-irmão e duas meias-meias-irmãs; tem uma mãe e um meio-pai, um pai e uma meia-mãe, um meio-meio-pai e uma meia-meia-mãe. Lucas tem uma irmã, um pai e uma mãe; quando briga com a irmã, ele vai pra casa dos avós. Lucinha tem pais que nem se falam; mora só com a mãe; e queria ter um irmão pra brincar. Júlia não tem irmãos, mas tem tudo em dobro; mora metade da semana com o pai e metade da semana com a mãe.

Então, eles não sabem o que dizer: família é um grupo de pessoas com laços de sangue? Ou um grupo de pessoas que moram na mesma casa? Ou um grupo de pessoas que se gostam? Ou um grupo em que há pai-mãe-filhos? Ou é tudo família?

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É Tudo Família!

Com Aline Volpi, Ana Paula Castro, Marcelo Peroni e Vladimir Camargo

Sesc Consolação

Duração 75 minutos

23/02 até 23/03 (não haverá apresentação 02/03)

Sábado – 11h

$17 (Grátis para menores de 12 anos)

Classificação 6 anos

HOTEL TENNESSEE

Peça encenada em casarão restaurado dos Campos Elísios que abriga o hipotético Hotel Tennessee  com hospedes dos clássicos de Tennessee Williams. Livremente baseado em 12 peças de do autor norte americano, é uma criação Cia Boa Vista liderada por Brian Penido Ross

As cenas escolhidas para compor o Hotel Tennessee foram retiradas de peças curtas estudadas no período de dois anos pelo grupo de estudos aprofundados de Tennessee Willians do Grupo Tapa.

As peças retratam o mesmo “tipo” de ser humano e embora tenham sido escritas em momentos diferentes de sua carreira, se referem aos seres incompreendidos, renegados, marginalizados, e que por muitas vezes sofrem preconceito e abuso da sociedade por não se enquadrarem nos padrões estabelecidos, restando a eles vagarem em busca de encontrar um lugar de pertencimento.

Por que montar peças curtas e esquecidas, peças escritas nos anos 1930 e 1940, antes do dramaturgo encontrar a sua glória? “Primeiramente falaríamos que Tennessee foi um grande escritor, dramaturgo, poeta e romancista que soube botar no papel a dor da alma humana dos pobres de espírito e dos derrotados. Foi ele quem deu voz a todos os incompreendidos, a todos os marginalizados, a todas as minorias, a todos os sem voz, sem lugar de fala, a todos os esquecidos da sociedade e do bem-estar social das democracias capitalistas”, diz Brian.

Vivemos hoje no Brasil uma situação muito parecida a da América nos anos 1930 e 1940, entre a Grande Recessão, de 1929 e a II Guerra Mundial. Aqui, também, estamos vivendo uma brutal recessão, onde uma parcela significativa da população passa pelas mesmas privações, inconformidades e incompreensão’, acrescenta Ross.

A proposta deste pout-pourri de Tennesse Willians permite que o público retorne ao “Hotel” mais vezes para conhecer os outros desfechos das cenas, pagando meia-entrada mediante a apresentação do primeiro ingresso, e assim vivenciar diferentes personagens.

Sinopse:

Peça interativa, imersiva e passeante por uma mansão nos Campos Elísios. Em um hotel de Nova Orleans, na década de 40, o público interage com personagens de 12 peças de Tennessee Williams. Entre eles, Blanche Dubois (Um Bonde Chamado Desejo) e Maggie (Gata em Telhado de Zinco Quente) as cenas serão exibidas no lobby, saguão, salas e quartos da Casa Don’Anna.

CARMEN

Hotel Tennessee

Com Brian Penido Ross, Ana Lys, Suzana Muniz, Fernando Medeiros, Jessica Monte, Bea Quaresma, Marcelo Schmidt, Alessandra Lia, Klever Ravanelli, Suel Silva, Rodrigo Ladeira, Fúlvio Filho, Thiago Merlini, Zé Gui Bueno, Raphael Gama, Eugenia Granha, Tati Passarelli, Emmanuel Aguilera, Rodolfo Freitas, Laura Ishikawa, Jean Le Guévellou, Felipe Vidal, Ewerton Novaes, Vinicius Soares e Gabriel Abu-Asseff.

Casa Don’Anna (Rua Guaianazes, 1149; Campos Elísios – São Paulo)

Duração 75 minutos

17/01 até 17/03

Quinta – 20h, Sexta – 21h, Sábado – 19h e 21h30, Domingo – 17h e 19h30

$40

Classificação 12 anos

É obrigatório fazer RESERVA pelo whatsapp de Mrs. Wire 11 993868150

O MELHOR DE MIM

O melhor de mim” é um espetáculo teatral que retrata a atual situação do bullying e traz a reflexão sobre a formação do caráter de cada indivíduo na fase escolar.

A história acontece em torno de Daniel e Júlia, primos e melhores amigos, que mudam de cidade e sofrem todos os tipos de agressões. A perseguição constante, por serem simpáticos e inteligentes, culmina em uma tragédia que impacta a vida de todos.

Dez anos depois, Júlia escreve um livro no qual relata a situação que vivenciou e resolve fazer o lançamento num encontro dos amigos de escola que ela mesma organizou, para que tivesse a oportunidade de conversar sobre os fatos acontecidos. Quanto o bullying é prejudicial à formação psicológica de cada indivíduo? Isto ajuda a definir o nosso caráter?

Com elementos que possibilitam o resgate à infância, como brincadeiras de bola de sabão, amarelinha e peão, e encenação realista das agressões verbais e físicas aos personagens principais, o espetáculo permite a reflexão sobre o preconceito visual que temos perante aos outros.

Através do personagem Ronaldo, um jovem cego, podemos acentuar a posição que não devemos enxergar as pessoas com os olhos julgadores, mas com o coração.

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O Melhor de Mim

Com Eber Rodrigues, Faby Veras, Karine Pangoni, Wellington Ribeiro, Lais Castro, Fabiana Nunes, Marcus Vinicius Lacerda, Thiago Gonçalves, Cissa Lourenço, Tiago Gallodino, Fabricio Tintiliano, Roberta Freitas e Gebert Aleixo

Teatro Gil Vicente – Faculdade Impacta (Av. Rudge, 315 – Barra Funda, São Paulo)

Duração 75 minutos

06 até 27/10

Sábado – 18h

$40

Classificação Livre

MAESTRO JOÃO CARLOS MARTINS EM CONCERTO

Um bate papo informal e intimista, um momento especial regado a música, histórias e emoções dão o tom do espetáculo Maestro João Carlos Martins Em Concerto que acontece no dia 4 de dezembro, terça-feira, às 21h, no Teatro Porto Seguro. O Maestro João Carlos Martins se apresenta ao piano acompanhado da Camerata Bachiana e com a  participação de Davi Campolongo, um dos jovens que apresentou para o mundo da música clássica.

A apresentação é uma oportunidade para entrar em contato com a vida e a arte do Maestro João Carlos Martins, cuja trajetória já foi registrada em 3 documentários: o franco-alemão Die Martin’s Passion (2003), o belga Revérie (2007), e o brasileiro O Piano como Destino (2015); além do longa metragem João, o Maestro, produzido pela LC Barreto, e da peça Concerto para João em cartaz no Teatro FAAP.

Sobre João Carlos Martins

Nascido em São Paulo, no dia 25 de junho de 1940, João Carlos começou a tocar piano aos sete anos por influência de seu pai, José, que desde a infância sonhava em virar um pianista. Aos oito anos, João Carlos venceu seu primeiro concurso musical ao executar obras do compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750). Aos 21 anos, patrocinado por Eleanor Roosevelt, apresentou-se pela primeira vez no Carnegie Hall, em Nova York. No auge de sua carreira de pianista, tocou com as maiores orquestras norte-americanas e gravou a obra completa de Bach para piano. Jornais como New York Times, Washington Post e Los Angeles Times dedicaram-lhe reportagens entusiasmadas pela sua personalidade artística.

Aos 25 anos, já consagrado como um dos grandes pianistas do mundo, João Carlos sofreu uma queda enquanto jogava futebol no Central Park, em Nova York, que atingiu o nervo ulnar e provocou atrofia em três dedos, obrigando-o a parar de tocar. Depois de um ano, voltou a tocar com dificuldade. Abandonou a carreira aos 30 anos.

Após sete anos longe do piano, decidiu voltar aos palcos, recebendo excelentes críticas da imprensa e a aclamação do público. Nesse período, porém, descobriu que desenvolveu distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (Dort). Novamente teve que abandonar a carreira. A paixão pela música fez com que ele retornasse anos mais tarde e, mesmo com sequelas, que o forçaram a adaptar novas formas de tocar, iniciou a gravação da obra completa de Bach.

Em 1995, em um assalto na Bulgária, foi golpeado na cabeça com uma barra de ferro, que provocou uma sequela neurológica, comprometendo o movimento da mão direita. Por meio de reprogramação cerebral, conseguiu recuperar os movimentos e voltou a tocar com as duas mãos. Entretanto, esse procedimento médico deixou sequelas no braço direito e na fala. Decidiu passar por um novo procedimento cirúrgico para corrigir o problema e teve os seus movimentos da mão direita afetados. Antes, porém, terminou a gravação da obra completa de Bach para o piano. Passou a fazer apresentações apenas com a mão esquerda.

João Carlos foi surpreendido pelos médicos com a notícia de que havia desenvolvido Contratura de Dupuytren na mão esquerda. Embora tenha passado por um novo procedimento cirúrgico, João Carlos acabou perdendo o movimento da mão esquerda, o que o inviabilizou novamente de tocar piano. Em 2002, teve que parar de tocar, e, dessa vez, acreditou seria para sempre.

Em 2004, aos 64 anos, João Carlos iniciou os seus estudos de regência. Seis meses depois, apresentou-se com sucesso em Londres, Paris e Bruxelas, como regente convidado, imprimindo em suas interpretações a mesma dinâmica que fazia quando pianista.

Em 2006, idealizou a Fundação Bachiana, com a missão de levar a música clássica às pessoas que pouco, ou nunca, ouviram falar dela. Construiu uma sólida carreira com a sua Bachiana Filarmônica SESI-SP, a primeira orquestra brasileira a se apresentar no Carnegie Hall (2007).

Atualmente, a Fundação Bachiana mantém oito núcleos de musicalização para crianças e jovens pelo Brasil e tem realizado cerca de 80 apresentações por ano. Mesmo com todas as limitações físicas, no final dos concertos João Carlos costuma deixar a regência e sentar-se ao piano para rápidas e emocionantes apresentações.

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Maestro João Carlos Martins Em Concerto

Com Maestro João Carlos Martins e Camerata Bachiana, com participação de Davi Campolongo

Teatro Porto Seguro (Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)

Duração 75 minutos

04/12

Terça – 21h

$90/$110

Classificação Livre

SEU SILÊNCIO É UM BARULHO DO INFERNO

Inspirado em uma história realo espetáculo SEU SILÊNCIO É UM BARULHO DO INFERNO estreia dia 6 de outubro, sábado, às 21h, no TEATRO HANGAR. Texto inédito de Alberto Guiraldelli, peça é inspirada no caso de dois rapazes de 20 e 16 anos que foram forçados a saltar de um trem em movimento por um grupo de três skinheads em Mogi das Cruzes, em 2003. Com direção de Mônica Granndo, montagem da Cia do Ator Careca aborda questões relacionadas ao universo jovem.

Eu acompanhei bastante o caso e especialmente os comentários de pessoas na internet sobre o ocorrido. O que me fez pensar muito sobre esse fato foi que era composto de jovens que viviam de certa forma em um mesmo mundo. Eram todos de periferia, viajando em um trem, e que se encontraram por puro acaso. E esse encontro mudou tudo de forma radical para ambos os lados”, afirma o autor Alberto Guiraldelli.

Escrita em 2004, SEU SILÊNCIO É UM BARULHO DO INFERNO se passa na virada dos anos 80/90 e mostra dois grupos de personagens. Um grupo de jovens estudantes de um colégio técnico que se encontram em um domingo como outro qualquer depois de um show de rock. Primeiro emprego, sexualidade, relações familiares, amizades, ideologias, são temas presentes na peça, tendo como recortes os medos, as dúvidas, os anseios, as esperanças e os arroubos típicos da juventude.

Fugindo de uma abordagem documental, a dramaturgia procura ir além da simplificação que insiste em congelar a essências desses jovens no papel de vítimas ou agressores. O que existe é uma exploração das relações sociais e familiares em cada um dos personagens através da linguagem e das inseguranças próprias do adolescente. O episódio do trem descarrilha o futuro na linha da vida de cada um desses jovens.

A linguagem da encenação é contemporânea, apesar da peça ser ambientada na década de 80, trazendo expressões linguísticas da época. A concepção cênica define-se com os figurinos, músicas e objetos do período em que se passa a encenação. A luz desempenha um papel fundamental na montagem, pois por meio do jogo de luzes observam-se os recortes de cena que remetem às linhas de ação temporal, que não é contínua e acontece em dois tempos”, declara a diretora Mônica Granndo.

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Seu Silêncio é um Barulho do Inferno

Com Geovanna Portante, Luiz Hirschmann, Luciana Brunelli, Marcela Arruda, Marcelo Bosco, Mario Cesar, Pedro Pó, Rebeca Desan e Rogério Pérez

Teatro Hangar (Rua Conselheiro Brotero, 305 – Barra Funda, São Paulo)

Duração 75 minutos

06/10 até 11/11

Sábado – 21h, Domingo – 19h30

$40

Classificação 14 anos

QUARTA-FEIRA, SEM FALTA, LÁ EM CASA

Debruçada sobre um tom divertido de comédia, Quarta-feira, sem falta, lá em casa discute a solidão e a maneira como lidamos com ela. É através de Alcina (Eva Wilma) e Laura (Suely Franco), que esse texto de 1976 levanta argumentos tão pertinentes à condição humana e suas relações para abordar de maneira sensível questões relacionadas à terceira idade e as dificuldades em lidar com as gerações mais novas.

Amigas há mais de quarenta anos, Alcina e Laura se reúnem todas as quartas-feiras para jogar conversa fora e tomar um chá. Durante os papos, as duas senhoras falam amenidades em assuntos relacionados à família, vizinhos, amigos, amores e sobre o passado que as une. Um saudosismo cheio de sentimento e vida.

CARMEN

Quarta-feira, sem falta, lá em casa

Com Eva Wilma e Suely Franco

Teatro Porto Seguro (Alameda Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)

Duração 75 minutos

05/10 até 25/11

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$70/$90

Classificação 12 anos

QUARTO 19

QUARTO 19, espetáculo solo de Amanda Lyra construído a partir do conto No Quarto Dezenove (To Room Nineteen), da escritora britânica Doris Lessing (1919-2013), prêmio Nobel de Literatura em 2007, reestreia dia 22 de setembro no Teatro Vivo. A direção é de Leonardo Moreira, dramaturgo e diretor da Companhia Hiato, de São Paulo.

O conto To Room, publicado pela primeira vez em 1963, conta a história de uma mulher de classe média casada e com quatro filhos que se vê despersonalizada pelo casamento burguês, pela maternidade e pela fragmentação de sua identidade feminina.

As questões abordadas pelo texto e pela encenação de Quarto 19 dizem respeito principalmente às mulheres, mas não só a elas. Nesse conto, Lessing aborda com simplicidade e força alguns de seus temas mais persistentes, como o cabo de força entre o desejo humano e os imperativos do amor, da traição e da ideologia, as tensões entre o doméstico e a liberdade, a responsabilidade e a independência. A construção da identidade, o trabalho para estabelecê-la, defini-la e refiná-la, talvez seja o fio que liga toda a obra de Lessing.

A ATUALIDADE DO TEXTO

A atriz Amanda Lyra, também idealizadora do projeto e tradutora do texto, conta: “To Room 19 foi publicado pela primeira vez em 1963. Esta peça estreou em 2017. Tanto tempo no fim das contas parece tão pouco. É doloroso perceber a universalidade e atemporalidade desse texto. Perceber que estamos nos debatendo com mesmas questões tantos anos depois, com o movimento feminista já em sua quarta vaga.

Mas Quarto 19 vai além de um retrato da condição da mulher. O conto de Lessing questiona o ideal de felicidade da família burguesa, o modelo social racional e inteligente que soterra nossa sensibilidade, nossa selvageria. É uma grande tarefa lutar pela sobrevivência da própria identidade numa sociedade com modelos tão sufocantes. O quarto 19, aqui, é mais do que um espaço físico. Ele é uma metáfora de libertação. Um espaço/estado onde qualquer pessoa pode ser o que quiser, a despeito do que se exige dela na sociedade.”

A personagem do conto está consciente de que é prisioneira de alguma coisa maior e, em seu discernimento embotado, passa a acreditar que está doente. Mas o mal que a aflige está também – e talvez principalmente – no âmago da sociedade, e não só em algum lugar escondido das anomalias individuais. A personagem vive assim a luta silenciosa de muitas outras mulheres. Uma luta gigante, onde o desejo de autenticidade se vê barrado por princípios e modelos culturais.

A MONTAGEM

O cenário e a luz de Marisa Bentivegna criam um espaço limpo e claro, que traz somente uma parede ao fundo, um carpete e uma poltrona. Na cena predominam os tons de verde. O figurino, realista, é de uma mulher comum, e suas cores dialogam com o tom geral da montagem. É através do trabalho da atriz que todos os espaços são desenhados – a casa da família, o jardim, o quarto 19.

CARMEN

Quarto 19

Com Amanda Lyra

Teatro Vivo (Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460, Morumbi – São Paulo)

Duração 75 minutos

22/09 até 07/10

Sábado – 21h, Domingo – 19h

$40

Classificação 16 anos