QUE TAL NÓS DOIS?

A comédia romântica “Que Tal Nós Dois?”, com Carolina Ferraz e Otavio Martins, agradou tanto ao público paulistano que vai prorrogar temporada mais uma vez no Teatro Folha. A peça mostra com humor e sensibilidade o relacionamento de dois amantes que se encontram uma vez por ano na convenção da empresa onde trabalham. A temporada se estenderá até final de setembro, em sessões de sexta-feira a domingo.

A história do casal se desenvolve ano após ano, sempre mostrando os reencontros nas convenções da empresa e as mudanças na vida de cada um, o que reflete no relacionamento deles. Um homem e uma mulher, ambos casados e com família,  funcionários de uma grande empresa, se conhecem numa convenção. Embalados pelo clima de confraternização, e depois de beberem alguns drinks, acabam passando a noite juntos. No dia seguinte acordam juntos em quarto de hotel e, sem nenhuma intimidade, decidem não mais repetir o encontro amoroso. Mas como ninguém manda no coração, no ano seguinte, novamente na convenção da empresa, eles se reencontram e passam a noite novamente, estabelecendo um relacionamento.

O texto é resultado da parceria criativa entre o ator e autor Otavio Martins e a autora Juliana Araripe. A peça mostra a evolução da relação, que começa com o constrangimento de duas pessoas que acordam juntas sem lembrar exatamente os detalhes da noite vivida. No segundo ano em que as personagens se encontram os conflitos pessoais são revelados. Questões relacionadas ao poder surgem no terceiro ano porque, na medida em que ela passa a assumir um cargo de liderança na empresa, abala o lado machista dele. O desfecho da história de amor acontece no quarto ano, quando algo inesperado acontece com o casal.

O espetáculo conquistou o interesse do público porque fala de relacionamento amoroso de maneira leve, engraçada e sintonizada com questões que ganharam visibilidade social, como, o poder da mulher no mundo dos negócios. A personagem de Carolina Ferraz torna-se hierarquicamente superior ao personagem de Otavio Martins e, com isso, o homem precisa desapegar de conceitos machistas. Sobre mais esta prorrogação de temporada, o diretor Isser Korik comenta que “o espetáculo fica cada vez mais interessante porque os atores ganham mais sintonia a cada apresentação”.

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Que Tal Nós Dois?

Com Carolina Ferraz e Otavio Martins

Teatro Folha – Shopping Higienópolis (R. Dr. Veiga Filho, 133 – Higienópolis, São Paulo)

Duração 80 minutos

06/07 até 30/09

Sexta – 21h30, Sábado e Domingo – 20h

$50/$70

Classificação 12 anos

FESTA A COMÉDIA

O público já na sua chegada é convidado especial de uma típica Festa Infantil, recepcionados pelo primeiro personagem da peça, um palhaço! Imagine o que não é capaz de acontecer numa festa para crianças? Imaginou? Então, situações inusitadas, bizarras e divertidas acontecem nesta festa de nosso aniversariante mirim que guarda um grande segredo! Em um formato de 5 (cinco) esquetes, onde cada esquete é escrita por um autor diferente. Todas retratadas por personagens interligados presentes nesta mesma FESTA.

Uma comédia hilária, que se comunica com todo tipo de público, por justamente reunir um dream team de autores consagradíssimos escolhidos a dedo. Aliado à tarimba e experiência do intérprete e criador da ideia central do espetáculo, Maurício Machado.

Maurício conta, “todos os textos foram escritos especialmente para mim, por cada um desses talentosíssimos e queridos autores, que permearam em algum momento meus 30 anos de carreira. E com alguns, em muitas oportunidades. O que é uma honra e uma responsabilidade. Mas o Teatro só me fascina se for desafiador, surpreendente e como o deve ser, entregue e sem rede de proteção.

Ele interpreta seis hilariantes personagens femininos e masculinos, todos completamente diferentes e repletos de humor, e sendo o primeiro deles logo na chegada em performance de improviso. Além disso, um show à parte da montagem, pode ser conferida às frenéticas e muito rápidas trocas de figurino e composição, essas criadas pelo premiado visagista Anderson Bueno com figurinos de Marcio Vinicius, que duram segundos de uma personagem à outra;

Com este seu novo solo, Maurício celebra seus 30 Anos de profissão onde o Teatro sempre foi seu grande alicerce e de onde nunca se ausentou e a TV e Cinema seus companheiros. E cada um desses Autores escolhidos para o projeto tem relação com a trajetória profissional do ator Maurício Machado e sua admiração.

O diretor da comédia, Eduardo Figueiredo, com mais de 10 comédias de sucesso de público e crítica no currículo apresenta uma encenação focada na intepretação e no humor presente nestes personagens surpreendentes. Seus últimos trabalhos no gênero: “Mulheres Alteradas”, “Superadas”, ambas adaptações da obra da cartunista Maitena, “100 dicas para arranjar namorado” de Daniele Valente e atualmente “Gatão de Meia Idade, a peça” de Miguel Paiva com Oscar Magrini e Leona Cavalli, todas de enorme sucesso em SP e Rio de Janeiro.

Maurício me propôs sua ideia de fazer um espetáculo com autores diferentes que se passa em uma festa de aniversário de criança, aceitei sem pensar, é genial esse universo. Repleto de personagens que propiciam identificação imediata para o público”.

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Festa, a Comédia

Com Maurício Machado

Teatro Folha – Shopping Higienópolis (Av. Higienópolis, 618, Higienópolis, São Paulo)

Duração 80 minutos

01 a 30/08

Quarta e Quinta – 21h

$30/$40

Classificação 12 anos

ANDY

Gero Camilo e Victor Mendes acreditam que a comédia é fundamental na formação dos artistas criadores. Ela está em todos os trabalhos que realizam, como nas peças AldeotasCaminham Nus Empoeirados e mesmo em Razão Social, que tem uma narrativa mais política, a dupla Gero e Victor encontra alívios cômicos.

No novo trabalho, Andy, os atores vão fundo na comédia e concebem um espetáculo que pretendem leve, lúdico e agradável aos olhos dos espectadores. Gero e Victor começaram a escrever a peça há um ano. Mergulharam na pesquisa sobre o artista americano que quebrou todas as estruturas da comédia convencional, apresentando números vanguardistas no teatro e em eventos públicos. Foram dezenas de horas gastas na frente no computador assistindo vídeos no youtube ou debruçados em livros e relatos sobre sua figura. Viajaram até Nova York, terra Natal de Andy, para criar a dramaturgia da peça. Para isso, traçaram um roteiro fiel dos passos dados por ele que culminava no cemitério onde ele “supostamente” está enterrado.

A peça é uma homenagem a Andy Kaufman, que amos consideram grande artista, tanto na sua biografia, quanto na sua forma de performar. “Porque não dá pra dizer que ele é ator, ou cantor ou lutador. Não. Ele simplesmente é. Como nós queremos ser”, afirma Gero. Victor conta que assim decidiram embarcar nessa jornada, e com em sua Cia Tertúlia de Acontecimentos, além de atuar, gostam de escrever os próprios trabalhos, escreveram uma história parcialmente ficcional sobre o Andy Kaufman (Victor Mendes) e Laika (Gero Camilo), a cadela russa, que como quem não quer nada, foi o primeiro ser vivo a viajar no espaço. “Nosso universo é o universo, não tem limite. Queremos contar essa história que criamos e esperamos você“, diz Gero.

Gero e Victor explicam que farão um paralelo entre o homem que tira o pé do chão e está com a cabeça na Terra e o homem que está na Terra mas tem a cabeça na Lua. “Esse homem é nosso protagonista Andy Kaufman (Victor Mendes)”, fala Gero.Andy encanta os dois atores “pela sua potência como artista, um revolucionário, um pioneiro, tanto no tipo de linguagem que buscava desenvolver, quanto na maneira de misturar sua vida com a arte“. Assim, a ideia é apresentar um espetáculo cômico, que divirta o público, “não de uma forma convencional, um trabalho ousado que traga reflexões pertinentes a todos que o experienciarem, tendo como ponto de partida a vida do comediante Andy Kaufman“.  Gero e Victor entendem que programas de televisão ligados à comédia, tanto aqui no Brasil, quanto nos Estados Unidos, se utilizam de referências do trabalho de Andy Kaufman e muitas vezes sem conhecimento profundo sobre sua linguagem. “Nosso desafio foi justamente esse, entender sua linguagem, que não está ligada ao riso, mas sim ao incômodo, à transformação, é impossível assistir os vídeos de Andy e não se perguntar sobre suas escolhas, sua criatividade e sua capacidade de misturar tudo e ter nas mãos uma bomba relógio, do riso e do pânico.

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Andy

Com Gero Camilo e Victor Mendes

Sesc Santana (Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Jd. São Paulo, São Paulo)

Duração 80 minutos

23/06 até 29/07

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 18h

$30 ($9 – credencial plena)

Classificação 12 anos

ESTE LADO PARA CIMA – ISTO NÃO É UM ESPETÁCULO

O grupo teatral paulistano Brava Companhia faz circulação do espetáculo de rua ESTE LADO PARA CIMA – Isto não é um Espetáculo por 12 cidades do interior paulista durante o mês de julho. A montagem tem direção de Fábio Resende e Ademir de Almeida.

Contemplados pelo edital Proac de Circulação 2018, a peça será apresentada nas cidades de Pontal (2/7), Sertãozinho (3/7), Ribeirão Preto(4/7), Matão (5/7), Piracicaba (9/7), Américo Brasiliense (16/7),  Porto Ferreira (17/7), Leme (18/7), Jacareí (23/7), Pindamonhangaba(24/7), Guaratinguetá (25/7) e Limeira (26/7). Todas as sessões são gratuitas.

Em Este Lado Para Cima – Isto não é um Espetáculo, a ordem e o progresso fundamentam o surgimento de mais uma cidade e os seus habitantes vivem em razão do trabalho e sonhando com um futuro de felicidade. Até que uma crise, causada pelos seus próprios dirigentes, se abate sobre essa metrópole ameaçando a ordem estabelecida, e obrigando a criação do “mais avançado artefato da tecnologia humana”: uma bolha, que do céu vigiará tudo e todos, para manter as coisas como sempre foram. “A bolha é a representação de uma superestrutura organizadora e mantenedora da ordem ou de qualquer outra forma de poder opressivo”, comentam os diretores.

O poder do mercado e o controle das relações humanas exercido por ele são discutidos com um humor anárquico neste trabalho da Brava Companhia, montagem que estreou em agosto de 2010, na cidade de São Paulo, construído para apresentação em rua ou espaços alternativos.

Ao término de cada apresentação será proposto ao público presente um debate sobre a peça e possíveis associações de sua temática com a realidade de cada cidade.

A Brava Companhia foi fundada na zona sul paulistana em 1998 e obteve repercussão pela consistência de linguagem ao ocupar espaços abertos ou não convencionais com a premiada montagem de A Brava (2008), um épico sobre a heroína Joana D’Arc.

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ESTE LADO PARA CIMA – ISTO NÃO É UM ESPETÁCULO

Com Cris Lima, Henrique Alonso, Joel Carozzi, Luciana Gabriel, Marcio Rodrigues, Rafaela Carneiro, Sérgio Carozzi e Maxwell Raimundo.

Duração 80 minutos

Classificação Livre

Pontal

Dia 2 de julho, segunda-feira, às 18h.

Local: Praça Bartolo Carolo.

Sertãozinho

Dia 3 de julho, terça-feira , às 17h.

Local: Praça Vinte um de Abril.

Ribeirão Preto

Dia 4 de julho, quarta-feira, às 17h.

Local: Praça XV de Novembro.

Matão

Dia 5 de julho, quinta-feira, às 17h.

Local: Praça Prefeito Leônidas Calígula Bastia, Avenida Sete de Setembro.

 Piracicaba

Dia 9 de julho, segunda-feira, às 17h.

Local: TCI – Terminal Central de Integração

Av. Armando de Salles Oliveira, 2001.

Américo Brasiliense

Dia 16 de julho, segunda-feira, às 17h.

Local: Praça Pietro Della Rovere (Praça do Cruzeiro)

Porto Ferreira

Dia 17 de julho, terça-feira, às 17h.

Local: Praça Cornélio Procópio.

Leme

Dia 18 de julho, quarta-feira, às 17h.

Local: Praça Rui Barbosa

Jacareí

Dia 23 de julho, segunda-feira, às 17h.

Local: Praça do Rosário.

Pindamonhangaba

Dia 24 de julho, terça-feira, às 18h.

Local: Praça Central Monsenhor Marcondes (Praça da Cascata).

Guaratinguetá

Dia 25 de julho, quarta-feira, às 17h.

Local: Praça Conselheiro Rodrigues Alves.

Dia 26 de julho, quinta-feira, às 17h.

Local: Praça Toledo Barros.

INSETOS

Comemorando 30 anos de trajetória, a Cia. dos Atores estreia Insetos em 8 de julho, no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo. Com texto original de Jô Bilac adaptado pela Cia. dos Atores e pelo diretor Rodrigo Portella, a montagem traz cinco fundadores da companhia no elenco: Cesar Augusto, Gustavo Gasparani, Marcelo Olinto, Marcelo Valle e Susana Ribeiro. A peça ficará em cartaz até o dia 20 de agosto, com sessões de quarta a segunda, com patrocínio do Banco do Brasil.

Repetindo aqui a parceria com a Cia. dos Atores após o sucesso de Conselho de Classe (2014), Jô Bilac propôs dar voz aos insetos para este novo espetáculo do grupo. São doze quadros que se entrelaçam formando um mosaico no qual o autor fala sobre convivência, medo e manipulação. Como uma fábula, o texto traça paralelos entre a natureza e questões político-sociais da atualidade – evocando comportamentos coletivos e individuais revelados através de uma grande polifonia de diferentes insetos: cigarra, gafanhoto, barata, louva-a-deus, besouro, mariposa, borboleta, mosquito, cupim, mosca e formiga.

Em cena, um imenso êxodo desequilibra a natureza. O colapso é eminente. Os gafanhotos tentam destruir tudo, mas se veem diante de uma nova ordem imposta pelo louva-a-deus. Nesse universo, o olhar sobre o humano ganha uma nova perspectiva, atravessada pela realidade dos insetos. “O Jô usa os insetos na dramaturgia em analogia com personagens da nossa história, situações que estamos vivendo atualmente. Temos figuras do poder, estratos sociais, mas sem uma nomeação direta”, explica Susana Ribeiro. “Queremos usar desequilíbrios da natureza como espelho da sociedade”, comenta Cesar Augusto.

Com cenário de Beli Araújo e Cesar Augusto o espaço cênico é ocupado por pneus, que criam diferentes quadros para as cenas. Os figurinos de Marcelo Olinto trazem referências ao universo dos insetos – como asas e antenas – mas não são a representação fiel desses bichos. “Essa peça me permite trabalhar o lugar do atrito entre o cômico e o trágico, refletido no estado de guerra proposto pelo texto. Trabalhamos entre o universo microscópico e invisível dos insetos e o nosso universo”, diz Rodrigo Portella.

Para a companhia, o espetáculo é também uma celebração. “Temos 30 anos de convívio. Olhamos um para o outro em cena e nos reconhecemos”, diz Marcelo Valle. “Acho que uma palavra que nos definiria seria inquietação. E uma das coisas boas é que nos colocamos o desafio de trabalhar com pessoas novas, como o Rodrigo (Portella), que é de outra geração. Essa inquietação e essa disponibilidade para o novo nos acompanha desde 1988”, completa Marcelo Olinto. “Estar em cena com parceiros de 30 anos de amizade e trabalho, e poder discutir e refletir sobre o Brasil atual, é para mim um privilégio e um ato de resistência”, afirma Gustavo Gasparani.

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Insetos

Com Cesar Augusto, Gustavo Gasparani, Marcelo Olinto, Marcelo Valle, Susana Ribeiro

Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (Rua Álvares Penteado, 112. Centro – São Paulo)

08/07 até 20/08

Duração 80 minutos

Quarta, Quinta, Sexta, Sábado e Segunda – 20h, Domingo – 18h

$20

Classificação 14 anos

A PORTA DA FRENTE

Lenita (Sandra Pêra) e Rui (Roney Facchini) tem um casamento morno e sem graça. Não se olham, não se enxergam e vivem suas vidas sem grandes paixões ou perspectivas. Estão frustrados com a união, com seus planos, mas não conseguem fazer nada de diferente para melhorar a situação. São pais de um casal de gêmeos estranhíssimos, dois jovens estudantes (Greta Antonie e Bruno Sigrist),  que sofrem com a falta de atenção dos pais. Nessa casa mora também Dona Marilu (Miriam Mehler), mãe de Lenita, talvez a mais lúcida desse núcleo.

Uma nuvem de insatisfação e resignação paira sobre tudo e todos, até que um novo vizinho ocupa o apartamento em frente e aquele mundinho sofre sucessivos abalos e começam os inevitáveis e inacreditáveis conflitos.  Sacha é “crossdresser” assumido e professor de canto. Essa ambiguidade faz de Sacha uma figura muito peculiar, que mexe com o imaginário de todos. Além de se incomodarem com o barulho das aulas de canto, nenhum deles sabe como lidar com aquela figura tão diferente e bizarra do ponto de vista de suas caretices. Mas, apesar de ser demonizado pelos vizinhos, Sacha é um homem de paz. É muito refinado, educado e simpático.

O texto de Julia Spadaccini, considerado um dos mais impactantes de 2013, vencedor dos Prêmios Shell do Rio de Janeiro e Fita, gira em torno das relações que cada personagem dessa família vai criando com esse novo morador. Sacha com sua postura liberta diante dos preconceitos da vida dá, sabiamente, uma lição de amor e uma injeção de atitude para essa família que está estagnada e fechada em seus velhos conceitos do que é normalidade. “Sinto um fascínio pelo crossdressing, um questionamento, uma mudança de ponto de vista: o Sasha ilumina cantos escuros e sacode as juntas enferrujadas daquela família”, conta Julia para quem as relações familiares são fonte permanente de inspiração: “Acredito que a família esteja amarrada num grande núcleo neurótico. Gosto de falar das relações familiares, esses laços que nunca se desfazem. Por mais bem resolvidas que as pessoas sejam, não conseguem se libertar totalmente das exigências, limites e educação conferidas pelos pais”, completa.

Queria falar de intolerância, limitação. O crossdresser é um personagem indecifrável. Li uma matéria sobre uma mulher que descobriu que o marido era. Ela quis se separar, mas, depois, voltou pra ele. Há uma falta de cuidado das pessoas no olhar com o outro,” avalia a autora.

Com direção de Marcelo Várzea e produção de Selma Morente e Célia Forte, que buscam investigar o comportamento humano através das histórias que a Morente Forte realiza ao longo de sua trajetória, A Porta da Frente fala de preconceito e dos formatos das intuições, como casamento e família, que precisam ser repensadas. “Precisamos ampliar nossos olhares, vivemos querendo classificar pessoas em todos os sentidos. Esta na hora de falarmos sobre tolerância. E dela podemos vir a criar uma oportunidade real de comunhão. A Julia foi muito feliz na carpintaria desse texto, onde alterna gêneros, promovendo uma tomada de consciência vertiginosa. O publico cai no colo dos carismáticos e preconceituosos personagens. Entretenimento e poderosa reflexão. Trabalhar com esses atores e descobrir todas essas cores propostas pela autora tem sido extremamente apaixonante”, conta Varzea.

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A Porta da Frente

Com Sandra Pêra, Roney Facchini, Fabiano Medeiros, Greta Antonie, Bruno Sigrist e Miriam Mehler

Teatro Renaissance – Hotel Renaissance (Alameda Santos, 2233 – Cerqueira César, São Paulo)

Duração 80 minutos

07/07 até 09/09

Sábado – 19h, Domingo – 20h

$70/$80

Classificação 12 anos

PERDOA-ME POR ME TRAÍRES

Escrita por Nelson Rodrigues no ano de 1957, a peça “Perdoa-me por me traíres” volta a ser encenada no Espaço Furnas Cultural, em Botafogo, em curta temporada com entrada gratuita. Com elenco formado por Bebel Ambrosio, Bob Neri, Clarissa Kahane, Ernani Moraes, Gabriela Rosas, João Marcelo Pallottino, Rose Lima, Tatiana Infante e Wendell Bendelack, sob a direção de Daniel Herz, a reestreia acontece no dia 16 de junho.

O espetáculo, que já ganhou diversas encenações por todo o Brasil e até mesmo pelo mundo, conta a história de Glorinha, uma adolescente órfã. Reprimida pelo tio com quem vive, ela é instigada por sua melhor amiga, Nair, a conhecer o mundo dos bordéis. Seu tio, Raul, ao descobrir que a sobrinha se prostitui, decide então revelar segredos sobre a sua origem. Esses segredos podem mudar o rumo da história.

A peça é um clássico de Nelson Rodrigues, um presente para qualquer ator e esse também será para a plateia, que poderá desfrutar desse universo encantador, que hipnotiza o público. Todos os ingredientes da obra de Nelson estão lá: desejos, traições, morte, sexo, vingança, violência física e moral, prostituição e todos esses sentimentos que regem a humanidade até os dias de hoje e estão longe de serem datados.

Sobre o que o estimulou a trabalhar nessa nova montagem, Daniel Herz, que já dirigiu também a obra “Valsa nº 6”, do mesmo autor, explica: “Nelson é universal e por isso sempre atual, mas é importante não deixar a singularidade do ´sotaque´ rodriguiano parecer uma cena cheia de naftalina. Manter a linguagem, mas parecer que ela é dos nossos dias, do nosso momento histórico. Esse é o grande desafio”. Daniel acredita ainda que Nelson se repete com uma originalidade incrível e que dirigir “Perdoa-me…” é virar um pouco todos eles: a doença e a paixão que cada personagem carrega. Para finalizar Herz ainda diz “Ele é o nosso Shakespeare. Genial. Único! Poderia ficar o resto da vida só montando Nelson.”

O cenário, com assinatura de Fernando Mello da Costa, é composto por venezianas, que brincam com uma das principais questões dessa peça: o que se revela e o que não deve ser revelado. No palco também está em cena o que vai além do sentido real, já que ali está exposta a sujeira que a água não limpa e a que a muitos atormenta e atordoa: a sujeira moral. Os atores ainda contam com a ajuda da psicanalista Evelyn Disitzer que os auxilia na composição dos traços de personalidade de cada personagem.

Nesse momento em que a cultura passou a ser uma coisa menor, onde o teatro é visto como algo menor na cabeça de algumas pessoas, a gente ter a coragem de encenar Nelson Rodrigues, esse autor maldito, só pode ser benéfico para todos. Acredito que vamos buscar um pote atrás do arco-íris, nessa montagem que promete -, diz Ernani Moraes.

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Perdoa-me por me traíres

Com Bebel Ambrosio, Bob Neri, Clarissa Kahane, Ernani Moraes, Gabriela Rosas, João Marcelo Pallottino, Rose Lima, Tatiana Infante e Wendell Bendelack

Espaço Furnas Cultural (Real Grandeza, 219 – Botafogo, Rio de Janeiro)

Duração 80 minutos

16 a 24/06

Sábado e Domingo – 19h

Entrada gratuita

Classificação 14 anos