(IN)JUSTIÇA

A Companhia de Teatro Heliópolis estreia sua nova montagem, (IN)JUSTIÇA, no dia 25 de janeiro, sexta, na Casa de Teatro Maria José de Carvalho (sede do grupo), às 20 horas. A encenação é dirigida por Miguel Rocha, fundador e diretor do grupo; e Evill Rebouças assina o texto que foi criado em processo colaborativo com a Companhia.

(IN)JUSTIÇA é um ensaio cênico, guiado pela indagação ‘o que os veredictos não revelam?’, que reflete sobre aspectos do sistema jurídico brasileiro. Para tanto, conta a história do jovem Cerol que, involuntariamente, pratica um crime. A partir daí, surgem diversas concepções sobre o que é justiça, seja a praticada pelo judiciário ou aquela sentenciada pela sociedade.

Permeado por imagens-sínteses (característica da Companhia de Teatro Heliópolis) e explorando a performance corporal, o espetáculo coloca em cena a complexidade da justiça no país, deixando a plateia na posição de júri em um tribunal. O embate entre os dois lados da justiça – da vítima e do criminoso – se estabelece em um jogo contundente que expõe com originalidade a crua realidade dos jovens pobres e negros. A música ao vivo confere ainda mais densidade poética ao ‘relato’, que foge de qualquer abordagem clichê.

A história de Cerol é contada de forma não linear. Exímio empinador de pipas, ele vive com sua avó, pois a mãe morreu no parto e o pai, assassinado. Depois de uma briga por conta do alto volume da música na vizinhança, Cerol foge e acaba disparando involuntariamente um tiro em uma mulher, que morre em seguida. Ele acaba preso e é submetido ao julgamento da lei e da sociedade.

Com base nesse argumento, a Companhia de Teatro Heliópolis discute direitos humanos à luz da Constituição Nacional. A encenação recupera também a ancestralidade brasileira em passagens ritualísticas. “Queremos pensar o homem negro e a justiça, desde a nossa origem até os dias de hoje”, afirma o diretor Miguel Rocha.

Cenas impactantes e desconcertantes surpreendem todo o tempo. A encenação de Miguel Rocha, alinhavada pela dramaturgia de Evill Rebouças, mostra como a democracia pode ser manipulada. O crime versus a vítima ou o criminoso versus a justiça aparecem de forma não superficial nem previsível. A abordagem de (IN)JUSTIÇA parte do ponto de vista mais íntimo para aquele mais coletivo: da comunidade para a sociedade, da moral pessoal às convenções sociais. Isso permite, igualmente, as leituras de um mesmo caso jurídico, como no julgamento – defesa e promotoria -, onde ambos os discursos são tão contundentes quanto convincentes. “Para falar de justiça, temos que falar das relações humanas contraditórias, pois a justiça se apresenta pelas contradições”, reflete o diretor.

Permeado por emoções e sensações que fogem da obviedade, o espetáculo tem quadros coreografados que trazem o respiro necessário à dinâmica da encenação: cidadãos urbanos, policiais, advogados com suas togas desfilam pela área cênica e hipnotizam o espectador. Os depoimentos inseridos nas cenas humanizam e tornam crível a proposta da montagem, sejam eles densos, desconcertantes, ou mesmo lúdicos. Segundo o diretor, os três pontos de vista sobre justiça – “o pessoal, o divina e o do homem” – são considerados na concepção de (IN)JUSTIÇA, bem como a máxima que diz “só quem passou por uma injustiça sabe o que é justiça”.

O cenário (Marcelo Denny) situa a força da ancestralidade, presente na terra e no terreiro, na força fria do zinco, na estética religiosa que foge dos estereótipos. Traz também o símbolo da lentidão da justiça com toda sua burocracia em pilhas e pilhas de papéis e processos. Elementos como areia, terra, projéteis de bala e pipas compõem a área de encenação, onde predomina a cor cinza. A trilha (de Meno Del Picchia) e os efeitos sonoros são executados em sincronismo com as cenas. Os atores interpretam cantos de tradição que reforçam a busca pela humanização e pela ancestralidade propostas pelo espetáculo.

(IN)JUSTIÇA nasceu de um longo processo criativo, iniciado em fevereiro de 2018, disparado por encontros dos integrantes da Companhia de Teatro Heliópolis com pensadores ativistas que falaram sobre os vários aspectos da Justiça. Os convidados foram Viviane Mosé (filósofa), Gustavo Roberto Costa (promotor de justiça), Ana Lúcia Pastore (antropóloga) e Cristiano Burlan (cineasta), tendo Maria Fernanda Vomero (provocadora cênica, jornalista e pesquisadora teatral) como mediadora.

O espetáculo integra o projeto Justiça – O que os Vereditos Não Revelam, contemplado pela 31ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

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(In)Justiça

Com Alex Mendes, Cícero Junior, Dalma Régia, Danyel Freitas, David Guimarães, Gustavo Rocha, Karlla Queiroz e Walmir Bess

Casa de Teatro Maria José de Carvalho (Rua Silva Bueno, 1533 – Ipiranga, São Paulo)

Duração 90 minutos

25/01 até 19/05

Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 19h

Pague quanto puder (bilheteria: 1h antes das sessões)

Classificação 14 anos

PEÇA PARA ADULTOS FEITA POR CRIANÇAS

É uma peça provocativa feita por crianças para adultos assistirem. Cada criança pensa, atua, dança Hamlet a partir das próprias experiências de vida, a partir da condição singular de cada uma. O texto foi escrito juntamente com as crianças e Elisa Ohtake respeitou o nível e o limite de entendimento que cada uma das cinco crianças tem de Hamlet de W. Shakespeare. “As crianças mergulham em Hamlet, ou seja, na apoteose da consciência humana, na entidade do mundo ocidental em crise, para aí sim poderem fazer estudos do transumano, de novas possibilidades do humano, da expansão da noção de humanidade. É o mergulho em Hamlet que permite a imaginação delas voar para o transumano” diz Ohtake.

As crianças atuam, dançam, vivem, passam por Hamlet, fazem estudos do transumano em todas as paredes do teatro, inventam brincadeiras para adultos contra a chatice, contra o antropocentrismo, contra a morte em vida. Posto isso, a peça vasculha como o mundo infantil pode potencializar o mundo adulto e vice-versa.

Os ensaios da peça duraram cerca de um ano e meio, sem parar e sem patrocínio algum. Em tempos catastróficos, obtusos e medrosos como o nosso Elisa Ohtake e as cinco crianças, sem desânimo, fizeram a dificuldade se transformar em força de união numa espécie de equipe de guerrilha amorosa resistente no backstage da produção.

A peça termina com a participação do ator Paulo César Pereio que entra em cena nos últimos 15 minutos. “Existem âmbitos de Hamlet nos quais, obviamente, crianças não penetram, não entendem ainda. Até para adultos Hamlet não é de todo compreensível, ele bruxuleia. Por isso a participação de Pereio, grande ator aparentemente oposto ao mundo infantil, é crucial”, explica Ohtake. “Há forças no mundo pedindo outras configurações e uma das questões principais do pensamento filosófico de hoje é saber como ultrapassar a figura chata do homem, que esteja para além da ideia egoísta de indivíduo. Essa questão também está sugerida em Hamlet, ‘a entidade do ocidente em crise’. Por isso, em PEÇA PARA ADULTOS FEITA POR CRIANÇAS, Hamlet e sua consciência infinita serviram de ponto de partida”, conclui Ohtake.

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Peça para Adultos feita por Crianças

Com Davi Hamer, Felipe Bisetto, Joana Arantes, Michel Felberg, Vitória Reich e Paulo Cesar Pereio

Duração 90 minutos

Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158 – Centro, São Paulo)

10/02 a 31/03

Domingo – 19h

$30

Classificação 10 anos

O SOM E A SÍLABA

Um dos musicais nacionais mais celebrados e premiados estreia nova e curta temporada na capital paulista. A partir de 18 de janeiro, o público de São Paulo poderá se divertir e se emocionar com a comédia musical O Som e a Sílaba, no Teatro  Opus . O espetáculo, vencedor de 5 estatuetas e com 23 indicações nas principais premiações do país, conta com texto e direção de Miguel Falabella e foi especialmente concebido para Alessandra Maestrini e Mirna Rubim viverem na pele as duas personagens principais.

Ingressos já estão à venda pela internet (www.uhuu.com) e pela bilheteria oficial (sem taxa de conveniência – Teatro Opus, de terça a domingo, das 12h às 20h). A realização do espetáculo é da Maestrini Produções, conhecida por sempre deixar sua marca registrada de sensibilidade e bom humor em todos os projetos que realiza. Em sua essência, o slogan que retrata bastante o espetáculo: “porque a vida pode ser profundamente espirituosa!

“O Som e a Sílaba” trata da relação entre Sarah Leighton (Alessandra Maestrini) e Leonor Delise (Mirna Rubim), duas mulheres muito diferentes. A primeira, jovem e com dificuldades em se enquadrar na sociedade, porém completamente única, por conta do diagnóstico de Síndrome de Asperger. Sarah é uma Savant: possui um autismo altamente funcional que, por um lado, lhe permite habilidades em algumas áreas, entre elas números e música; e que, por outro, faz com que ela se comunique com o mundo de uma maneira inusitada, gerando situações hilárias. Já a segunda, uma diva internacional da ópera com mais de 50 anos que, por acasos da vida, se tornou professora de canto. Direta, elegante, refinada e aparentemente bem resolvida. Aparentemente.

A maioria dos savants conhecidos é homem.” Diz Sarah. “Os homens querem ganhar em tudo sempre!” responde Leonor. “Nós estamos sendo cobradas até hoje por causa daquela maldita costela…

Com diálogos e situações divertidas entre duas pessoas de universos tão distintos, acaba nascendo das diferenças uma cumplicidade; uma transforma a vida da outra, até que o público se pergunta: quem, de fato, está ensinando a quem?

O Som e a Sílaba celebra o mistério e a singularidade da mente humana, com um texto engraçado, cheio de afeto e comovente.

Em torno dessa montagem reuniu-se uma equipe de categoria que constrói  uma verdadeira pintura viva: o elegante cenário ficou nas mãos de Zezinho Santos e Turíbio Santos; a luz sensível de Wagner Freire complementa os premiados figurinos de Ligia Rocha e Marco Pacheco que, juntamente com o visagismo de Wilson Eliodoro, materializam os cativantes personagens do musical. O Som e a Sílaba conta com o design de som de Mario Jorge Andrade, que leva a experiência auditiva do espetáculo, com todos os números musicais cantados ao vivo pelas atrizes, para um novo patamar de excelência.

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O Som e a Sílaba

Com Alessandra Maestrini e Mirna Rubim

Teatro Opus – Shopping Villa Lobos (Av. das Nações Unidas, 4777 – Alto de Pinheiros, São Paulo)

Duração 90 minutos

18/01 até 24/02

Sexta – 21h, Sábado – 21h, Domingo – 19h

$50/$120

Classificação 12 anos

BAIXA TERAPIA

A comédia Baixa Terapia, que tem no elenco Antonio Fagundes, Mara Carvalho, Alexandra Martins, Ilana Kaplan, Fábio Espósito e Bruno Fagundes, se prepara para a retomada paulistana do espetáculo, no dia 19 de janeiro .

O espetáculo, que reuniu mais de 50 mil espectadores em sua temporada de três meses em Portugal, com 55 sessões esgotadas, passou por mais de vinte cidades no Brasil e também pelos Estados Unidos e retorna, para curta temporada, ao Teatro Tuca.

A debochada comédia de Matias del Federico, com adaptação de Daniel Veronse e direção de Marcos Antônio Pâmio, reúne três casais que não se conhecem e que se encontram inesperadamente em um consultório para sua sessão habitual de terapia. Dessa vez, descobrem que a psicóloga não estará presente e, a partir daí, vem à tona queixas, confissões, suspeitas, revelações, verdades e mentiras da maneira mais escrachada para eles e divertidíssima para o público.

Baixa Terapia começa rigorosamente no horário!

Experiência 360º

Bastidores

O público tem acesso aos bastidores, antes das sessões, para vivenciar o que acontece por trás do espetáculo, com uma conversa com o elenco e tour pelas coxias e camarim. O ingresso para os bastidores é vendido a preço único de R$ 100 + valor do ingresso para o espetáculo. Essa experiência tem duração aproximada de 30 minutos e é finalizada com uma foto exclusiva dos visitantes com o elenco do espetáculo.

Bate-Papo

O tradicional bate-papo de todo o elenco com a plateia no fim de cada espetáculo, permite ao público maior aproximação com os atores numa troca divertida e informal.

Sobre Baixa Terapia

Baixa Terapia é uma debochada comédia com um final que pega todos de surpresa. Três casais que não se conhecem, se encontram inesperadamente em um consultório para sua sessão habitual de terapia, mas dessa vez descobrem que a psicóloga não estará presente.

Ela deixou a sala preparada para recebê-los com um pequeno bar onde não falta whisky e uma mesa com envelopes, contendo instruções de como deverão conduzir essa sessão.

O objetivo é que todas as questões sejam resolvidas em grupo. Cada envelope traz uma situação mais engenhosa que a outra, transformando a sessão num caos hilariante.

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Baixa Terapia

Com Antonio Fagundes, Mara Carvalho, Alexandra Martins, Ilana Kaplan, Fábio Espósito e Bruno Fagundes

Teatro TUCA (R. Monte Alegre, 1024 – Perdizes, São Paulo)

Duração 90 minutos

19/01 até indeterminado

Sexta – 21h30, Sábado – 20h, Domingo – 18h

$100/$120

Classificação 14 anos

GAIVOTA: QUAL O GESTO DE UM SONHO?

O espetáculo Gaivota: qual o gesto de um sonho?, quinta montagem dos Heterônimos Coletivos de Teatro, estreia no dia 11 de janeiro, sexta, no Sesc Belenzinhoàs 21h30.

Com dramaturgia de Eduardo Joly e direção de Felipe Rocha, a peça investiga a obra do russo Anton Tchékhov (1860-1904) para indagar o que pode ser feito quando os sonhos estão desfeitos.

A partir da sensação de fracasso político e de ruína dos sonhos coletivos, o grupo iniciou o Projeto: Fracasso e Resistência que consiste npesquisa das quatro principais obras de TchékhovA GaivotaAs Três IrmãsTio Vânia e O Jardim das Cerejeiras. A peça Gaivota: qual o gesto de um sonho? é a primeira parte do projeto e tem elenco formado por Alexandra Tavares, Ametonyo Silva, Caio Caldas, Danilo Arrabal, Felipe Rocha, Lívia de Souza, Marcela Grandolpho, Naia Soares e Thaina Muniz.

Com uma dramaturgia criada coletivamente, o espetáculo move, no espaço vazio e reorganizável da cena, uma ação que se aproxima da questão: qual o gesto de um sonho? Da obra original do dramaturgo russo, o coletivo chegou a três acontecimentos principais que norteou a criação do trabalho: o fracasso de uma peça de teatro, a morte de uma gaivota em pleno voo e as tentativas de seguir sonhando diante dessa sensação de vazio. É a partir desses três pontos principais que a obra orbita.

Em uma arena vazia, os atores são atravessados por essas questões e se colocam em ação diante do público. Como em uma revoada de pássaros, as cenas se transformam continuamente sempre movidas pela ação dos atores. Segundo o diretor Felipe Rocha, “pensar a obra pelo viés de uma gaivota, que migra, gera a possibilidade de movimento”. Ele esclarece que migrar é como uma situação criativa, como uma atitude de revolta contra as condições estabelecidas. “É uma forma de engajamento para possibilitar transformações”, diz. 

Quando começaram a criar, em outubro de 2017, o que moveu o coletivo foi uma sensação, percebida após os acontecimentos políticos da época: “uma sensação de fracasso percorria os caminhos invisíveis entre as pessoas; algo que se assemelhava ao susto de acordar num sobressalto, após um sonho”, comentam os atores. Ao mesmo tempo, movimentos se articulavam por novas formas de ações de resistência. A nós parece que são esses dois vetores, essas duas sensações que mais fortemente têm percorrido nossos corpos enquanto cidadãos brasileiros, e então foi daí que partimos”, esclarecem. E foi dessa busca de dramaturgias, que também tivessem essas duas linhas de ação pulsando forte, que o coletivo chegou a Anton Tchékhov. Vivendo em uma Rússia em transformação, as obras carregam em suas personagens a potência da ação em busca de novas formas de se viver, ao mesmo tempo em que aflora uma profunda sensação de fracasso de diversos ideais e instituições. É um tentativa de existência em momentos de crise.

 A partir disso, as questões iniciais do processo criativo foram: o que fazer no campo artístico diante da sensação de vazio? Como reinventar as formas de sonhar e de se projetar como ação para o futuroA primeira resposta que pareceu possível ao coletivo foi “criar espaços de resistência coletiva em meio à sensação de fracasso”, concluem. Assim, foi por essa necessidade de repensar qual prática teatral era essa que gostariam de pesquisar nesse momento que o coletivo resolveu iniciar o projeto com a pesquisa de A Gaivota, texto em que a própria arte do teatro é colocada como um dos temas de discussão.

 Gaivota: qual o gesto de um sonho? foi elaborado ao longo de 2018, mediante a constatação, diante dos acontecimentos que percorreram esse ano, de que a sensação de fracasso se aprofundava e se tornava mais palpável e assustadora. “O teatro, então, se mostrou para nós como o campo possível dos afetos nesses dias tão áridos. Viver esse processo foi uma maneira de reaprender como estar juntos no mundo. E é isso que desejamos nesse encontro com o público: criar uma relação real de troca e afeto”, conclui diretor Felipe Rocha.

 

Encontros: Como uma Multidão Ainda É Capaz de Coexistir e Sonhar Junto?

Com: Heterônimos Coletivo de Teatro  

Tendo como ponto de partida os procedimentos para investigar o que o grupo chama de “Ação Coletiva”, os encontros buscam um aprofundamento na técnica física e vocal do ator. Para que os atores pesquisem caminhos para agir coletivamente em cena, o grupo propõe treinamentos de movimento, ação psicofísica e canto na busca por criar estados de escuta e jogo. O trabalho do grupo vem se articulando numa tentativa de resistir na prática de uma cena feita por muitas pessoas e que se constrói através de diferentes olhares sobre os materiais. Como uma multidão ainda é capaz de coexistir e sonhar junto? Ainda é possível? É a partir dessas questões que o coletivo pretende mover esses encontros. No último dia de trabalho o grupo se interessa em abrir publicamente, em espaços da unidade, o material cênico investigado.

Datas: 29/01 a 07/02. Terça a quinta, das 16h às 20h

Público: Profissionais e estudantes de artes cênicas. Vagas: 30.

Local: Sala de Espetáculos I. 90 lugares.

Grátis. Não recomendado para menores de 16.

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Gaivota: Qual o gesto de um sonho?

Com Alexandra Tavares, Ametonyo Silva, Caio Caldas, Danilo Arrabal, Felipe Rocha, Lívia de Souza, Marcela Grandolpho, Naia Soares e Thaina Muniz

SESC Belenzinho – Sala de Espetáculos I ( R. Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo)

Duração 90 minutos

11/01 até 10/02

Sexta e Sábado – 21h30, Domingo – 18h30

$20 ($6 – credencial plena)

Classificação 12 anos

LOUCA TERAPIA

Guto e Will se conhecem e pouco tempo depois decidem morar juntos. Por terem vidas muito diferentes e comportamentos opostos logo surgem problemas na relação, então sem contar um para o outro eles decidem procurar terapia alternativa e acabam caindo nas mãos de dois farsantes que de terapeutas não tem nada. Os picaretas Jhon e Miguel ao invés de resolver as questões da relação acabam deixando o casal tão louco quanto eles.

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Louca Terapia

Com Filipe Bertini, Ivo Ueter, Kainan Ferraz e Thiago Mantovani

Teatro Ruth Escobar – Sala Gil Vicente (Rua dos Ingleses, 209 – Bela Vista, São Paulo)

Duração 90 minutos

25/10 até 29/11

Quinta – 21h

$50

Classificação 14 anos

O LAGO DOS CISNES

Balé Teatro Guaíra (BTG) apresenta o espetáculo O Lago dos Cisnes, com direção e coreografia de Luiz Fernando Bongiovanni, nos dias 10 e 11 de novembro no Teatro Alfa. No palco, o público assistirá a performance de 23 bailarinos inspirada no folclore russo e germânico.

A montagem conta, com linguagem contemporânea, a história de amor entre o príncipe Siegfried e Odette, transformada em cisne por um bruxo. O Lago dos Cisnes tem direção de arte de William Pereira.  A história arquetípica de O Lago dos Cisnes, baseada originalmente em duas lendas medievais, fala do príncipe Siegfried, em uma terra distante, às vésperas das festividades de seu aniversário. Essa celebração marcará a passagem da juventude à vida adulta e, para isso, ele precisará escolher sua futura esposa. Todavia, tudo se altera quando o príncipe descobre seu grande amor por uma princesa aprisionada, na forma de um cisne, pelo feitiço de um mago tirano. O Lago dos Cisnes do Balé Guaíra é uma fábula a respeito da emancipação, um desejo manifesto em forma de dança, para que cada sujeito faça valer seu direito às próprias escolhas e para que elas sejam percebidas como necessidades fundamentais, e respeitadas a todo custo.

Em 1h30 de duração, a montagem – que estreou em junho deste ano no Guairão, em Curitiba – traz uma linguagem moderna para a coreografia clássica. De acordo com o coreógrafo Luiz Fernando Bongiovanni, há momentos de aproximação e afastamento da tradição. “Às vezes a tradição é pouco conectável com o mundo contemporâneo. Há uma série de pontos que criamos para nos aproximar do público, como o senso de humor e a interpretação dos bailarinos.

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Processo de criação inovador

O diretor, que foi bailarino e dançou O Lago, revisitou o folclore e fez uma pesquisa iconográfica. “Esse é um dos balés mais icônicos da história da dança. Ele evoca arquétipos que são conhecidos do público e as pessoas conseguem se ver na história”.

O processo de criação da coreografia também foi inovador, partindo de uma metodologia criada pelo diretor durante um mestrado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). De forma colaborativa, os bailarinos se tornaram criadores e segundo a “caligrafia” individual deles o elenco foi definido. Além disso, a partitura musical da obra de Tchaikovsky foi o guia para a montagem. “Fiz uma curadoria da obra toda e partir disso fizemos o encadeamento das cenas. Estamos conectados e articulados com a música”, diz.

“Nosso Lago tem protagonistas mais próximos do mundo contemporâneo, e mesmo que totalmente fantásticos, são – pelas frestas – mais críveis e verossímeis. De uma Rainha-mãe superprotetora e um Rothbart-vilão infantil e carente, até uma Odette-Odile sedutora e apaixonante e um Siegfried-herói por quem torcemos para que encontre forças e coloque em curso sua necessária revolução”, afirma o coreógrafo. Para Bongiovanni, “trabalhar um tema clássico pode ser a possibilidade de reinvenção, gênese de significados, de atualização dos mitos, a oportunidade de trazer para o momento presente questões atemporais, do indivíduo e do coletivo. As lendas que inspiraram essa história são cheias de reviravoltas e enigmas. Há aqui uma simbologia sobre o amadurecimento, a busca pela autonomia e formação da personalidade. Inicialmente Sigfried é dominado pela mãe, mas encontra no amor forças para seguir seu próprio caminho”, afirma Bongiovanni.

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Clássico fecha trilogia

Os ensaios para a apresentação começaram em fevereiro de 2018 e mais de 200 profissionais participam da montagem do espetáculo. Para Mônica Rischbieter, diretora-presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra, O Lago dos Cisnes fecha uma trilogia, que se iniciou com Romeu e Julieta e Carmen. “A revisitação dos clássicos com uma linguagem moderna foi parte de um esforço conjunto para atrair o público mais jovem. Arrisco dizer que é o trabalho mais impressionante que já fizemos”, diz. Para o Balé Teatro Guaíra, a versão de O Lago dos Cisnes traz um valor inestimável. “Estamos falando de um grande clássico, o mais popular de todos os tempos, porém, recriado sob um ponto de vista atual. Trata-se de um encontro de dois importantes fatos que reafirmam o propósito desta companhia: tradição e contemporaneidade. É nisto que acredito e hoje me sinto feliz de poder juntamente com artistas e público apreciar a releitura contemporânea deste grande clássico”, completa Cintia Napoli, diretora do Balé Teatro Guaíra.

Segundo Cíntia Napoli, “os grandes clássicos têm uma potência muito grande porque tratam da existência humana. Trazendo-os para o nosso tempo, a gente consegue perceber o ser humano desde os seus primórdios. Vemos que ainda trazemos os mesmos conflitos e prazeres”.

O Lago dos Cisnes

Obra musical composta por Tchaikovsky em 1876, O Lago dos Cisnes foi encenado pela primeira vez no ano seguinte. Em seu aniversário de 21 anos, Siegfried precisa escolher uma esposa por ordem de sua mãe. Ele conhece Odette, uma princesa transformada em cisne pelo feiticeiro Von Rothbart, antagonista da história. O mago e sua filha, Odile, tentam separar o casal.

O Balé Teatro Guaíra

O Balé Teatro Guaíra foi criado em 1969 e é uma das principais companhias de balé do Brasil, com mais de 140 coreografias apresentadas e 23 bailarinos. Está sob a direção de Cíntia Napoli desde 2012.

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O Lago dos Cisnes

Teatro Alfa (Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722 – Santo Amaro, São Paulo)

Duração 90 minutos

10 e 11/11

Sábado – 20h, Domingo – 18h

$80

Classificação Livre