AI-5: UMA RECONSTITUIÇÃO CÊNICA

No dia 14 de junho (sexta), às 21h, o espetáculo de teatro documentário AI-5: Uma Reconstituição Cênica, estreia nova temporada no teatro Arthur Azevedo, na Mooca, região leste da capital paulista. Com sessões sextas e sábados, às 21h, e domingos, às 19h, até 14 de julho, o projeto segue em cartaz há três anos pelo Coletivo Ato de Resistência – A política em cena.

A dramaturgia nasce a partir da gravação disponibilizada pela Comissão da Verdade, de uma reunião que ocorreu em 13 de dezembro de 1968, em que o Conselho de Segurança Nacional se reúne com o então presidente General Arthur da Costa e Silva para votar a aprovação da proposta de Ato Institucional número 5. Sua aprovação deu início à fase mais sangrenta do regime ditatorial civil-militar brasileiro, deixando feridas abertas na política e também vida pública até os dias de hoje. O objetivo do espetáculo é manter viva e ativa a lembrança e a denúncia do período histórico da ditadura civil-militar em nosso país, e dos crimes cometidos pelo terrorismo de Estado.

Com concepção de Paulo Maeda e, neste ciclo, com direção coletiva de Leticia Negretti, Rafael Castro, Rodolfo Morais e Renato Mendes, o ensejo da peça não é apenas o retrato de uma ocorrência no período da ditadura brasileira, mas remete, em paralelo, a atualidade do inexplicável efeito saudosista que o autoritarismo causa em grande parte da sociedade, não apenas do Brasil, mas em grande parte do mundo.

É também a partir dos acontecimentos contemporâneos na política brasileira, que a peça incorpora performaticamente acontecimentos e polêmicas declarações – com ocorrência quase diária – que causam escândalo na imprensa e nas redes sociais.

O espetáculo nasceu a partir da leitura do livro ‘A ditadura envergonhada’, de Elio Gaspari. Enquanto lia um capítulo específico chamado ‘A missa negra’, percebi que ele citava muitas frases prontas dos ministros que estavam na reunião do dia 13 de dezembro e fiquei curioso para ter também acesso a isso. Foi quando descobri a ata e os áudios. Em 2016, estávamos vivendo um momento que era muito duro com o golpe da então presidente democraticamente eleita e eu vi que os discursos feitos para tirá-la do poder eram muito parecidos com os de 1968. E dessa proximidade, eu pensei em fazer uma reprodução daquele momento com 20 atores brancos em cena, mostrando a ostensividade desse conservadorismo”, afirma o diretor Paulo Maeda.

Segundo a nova direção desse ciclo de apresentações: “No ano de 2019, em que grupos saudosistas e apoiadores da ideia da ditadura civil-militar brasileira, se manifestam abertamente em vias públicas e mesmo em cargos de poder, entendemos como urgente retomar e manter em circulação nosso espetáculo. Sem perder o caráter documental, mas acrescentando elementos de revista, nossa versão atual mantém-se viva e em princípio de work-in-progress, radicalizando o jogo entre os atores que compõem a mesa e os diálogos com a situação atual. Mostramos assim que a história não é linear, que não há acontecidos deixados para trás, mas ecos, que habitam nossa estética e nossa ética, no palco e nas ruas.”, conclui o diretor.

Sinopse Numa estética documental, reconstituímos a noite de 13 de dezembro de 1968, em que o Conselho de Segurança Nacional se reúne com o presidente Gal. Arthur da Costa e Silva para votar a aprovação da proposta de Ato Institucional número 5. Sua já antecipada aprovação dará início à fase mais sangrenta do regime ditatorial civil-militar brasileiro, deixando feridas abertas que podem ser sentidas e vistas em nossas política e vida pública ainda hoje. O espetáculo se utiliza das gravações originais das falas dos ministros presentes, bem como traça paralelos contundentes com a contemporaneidade.

FACE

AI-5: Uma Reconstituição Cênica

Com Alexander Vestri, André Hendges, André Castelani, André Pastore, Caio Marinho, Cristiano Alfer, Dagoberto Macedo, Danilo Minharro, Fernando Pernambuco, Gero Santana, Guilherme Conradi, Leticia Negretti, Lucas Scandurra, Luiz Campos, Mario Spatizziani, Michel Galiotto, Pedro Felício, Pedro Stempniewski, Rafael Castro, Ramon Gustaff, Renato Mendes, Ricardo Socalschi, Roberto Borenstein, Roberto Mello, Rodolfo Morais, Rodrigo Marques, Thalles Alves, Thiago Marques e Wilson Saraiva

Teatro Arthur Azevedo (Av. Paes de Barros, 955 – Mooca, São Paulo)

Duração 120 minutos

14/06 até 14/07

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$30

Classificação 14 anos