ANDEJOS

O espetáculo Andejos valoriza a ação em coletivo, em bando, e propõe a sutileza das ações que, no dia a dia acelerado de nossa sociedade, passa despercebida. Entre sensações e canções, o grupo coloca no palco um bando de esfarrapados que dividem com a plateia seus segredos mais íntimos, truques e brincadeiras. O espetáculo estreia sábado, dia 7 de outubro, às 21h no Centro Compartilhado de Criação, na Barra Funda. Ingressos a preços populares.

Quem for assistir a peça procurando explicações ou caminhos lógicos de pensamento está perdido. A peça mistura elementos das experiências cotidianas, porém, no modo de operar errante e torto do bufão. Sem explicar ou decodificar nenhum símbolo. Não há uma linha de chegada ao fim do caminho, não há caminho definido para essas figuras. É um convite a andar na linha tênue entre a clareza e a loucura, da sombra com a luz, da alegria e da tristeza.

Em cena, o bando canta, dança, vagueia e faz números para o público. Tudo parece um pouco velho e gasto, talvez pelo tempo e distância que essas figuras – nem tão humanas, nem tão diferentes de nós – tem percorrido em busca de moradia. O que fica claro é que o que vale é o sonho. Que mesmo com as dificuldades e injustiças, a efemeridade da vida faz com que seja sempre possível continuar andando, continuar buscando novas casas e caminhos.

O espetáculo surgiu a partir da pesquisa da Trupe Andejos com a linguagem das máscaras, enveredando mais especificamente pela perspectiva do bufão. Isso porque o humor cáustico exercido por esta figura tende à escatologia, ao grotesco e à crítica social aguda, invertendo valores de poder e subvertendo regras. Como diria Jacques Lecoq no livro O corpo poético: uma pedagogia da criação teatral, “Bufões se divertem o tempo todo imitando a vida dos homens. Se abordam uma situação, os bufões vão deformá-la, torcê-la, colocá-la em jogo de modo não habitual”.

A musicalidade em cena também foi outro eixo de pesquisa para a criação do espetáculo. Acordeon, flauta, gaita, percussão, violão e as vozes grotescas dos bufões dão o tom musical do espetáculo. Além das canções, o espetáculo também é feito inteiro em gramelot (técnica em que o ator usa uma língua inventada, não existente, para se comunicar). Esse tipo de oralidade reforça o caráter lúdico e dá liberdade para que o texto também seja tratado como som, sem a definição de sentido exato das palavras.

Nos configuramos como um bando focado na construção de figuras a partir da perspectiva corporal e pessoal de cada ator dentro da linguagem das máscaras. Na convivência entre estes seres, se desenha um universo cheio de humor e poesia, que funciona de modo muito peculiar e que ao mesmo tempo reflete criticamente nosso cotidiano. Cada passo é um fim em si para essas pessoas que parecem ter o dom de andejar. Estamos eternamente chegando, eternamente partindo”, conta a Trupe Andejos.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Andejos
Com Beatriz Santiago, Bibiana Caneppele, Camila Rodrigues, Caroline Araújo, Fernando Lopes, Guilherme Rodrigues, Ingrid Taveira, Laura Amaral, Thais Mukai.
Centro Compartilhado de Criação (R. Brg. Galvão, 1010 – Barra Funda, São Paulo)
Duração 70 minutos
07 a 29/10
Sábado – 21h, Domingo – 20h
$20
Classificação 12 anos