GOTA D’ÁGUA {PRETA}

A peça Gota D’Água {PRETA}”, vista por quase cinco mil pessoas em duas temporadas, reestreia no Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer, em três apresentações especiaisdias 10, 11 e 12 de maio (sexta-feira e sábado, às 20h; e domingo, às 19h). Com direção do ator, diretor e dramaturgo Jé Oliveira, fundador do Coletivo Negro, a montagem mostra a versatilidade artística de transitar entre o Rap e a MPB. O Itaú Cultural apoiou a montagem da peça, cuja estreia ocorreu em fevereiro de 2019, no próprio Itaú Cultural, com casa lotada durante dois finais de semana.

Pela primeira vez com um elenco predominantemente negro, o espetáculo traz para a cena paulistana a realidade negra que perpassa a obra Gota D’Água” (1975), escrita por Chico Buarque e Paulo Pontes.

Inspirado na tragédia Medeia, de Eurípedes, Gota D’Água {PRETA}” traz como personagem principal Joana, mulher madura, sofrida, moradora de um conjunto habitacional. Jasão, seu ex-marido, é um jovem vigoroso, sambista que desponta para o sucesso com a composição da canção que dá nome à peça. Agora ele é noivo de Alma, filha de Creonte, corruptor por excelência e o detentor do poder econômico e das casas, a Vila do Meio-dia, local onde antes morou com Joana e os filhos. Se em Medeia” havia reis e feiticeiros, na tragédia brasileira Gota D’Água {PRETA}” há pobres e macumbeiros, além de um coro negro, em alusão ao grego.

De modo inédito na história do teatro brasileiro Joana, interpretada pela cantora e atriz Juçara Marçal (Metá Metá), e Jasão, vivido por Jé Oliveira, são negros. A escolha política-estética do diretor traz a força da musicalidade ancestral e a influência das religiões de matriz africana. “É como se estivéssemos realizando a coerência que a peça sempre pediu e até hoje não foi realizada”, destaca Jé Oliveira. “A personagem é pobre e é da umbanda. Tudo leva a crer, pelo contexto histórico, social e racial do país, que essa personagem é preta. Estamos realizando o que a peça insinua. Estamos de fato enegrecendo a obra de Chico Buarque e concretizando o que ele propõe.”.

A montagem não busca apenas uma reparação histórica para diminuir um hiato sobre a presença negra em papéis relevantes na dramaturgia nacional, mas, sobretudo, propõe uma re-atualização, com base na coerência, ainda não realizada por nenhuma montagem, do clássico drama brasiliano.

Estamos discutindo traição de classe e de raça”, diz Jé Oliveira, citando a metáfora da traição conjugal. “Ele troca Joana por uma mulher mais nova, então discutimos também o feminismo. Jasão também é preto e com ele debatemos a ascensão social e a legitimidade ética disso.

Para Juçara, Joana representa a mulher oprimida desde a formação do Brasil. O grito oprimido desta camada da sociedade. As relações humanas servem de pretexto para questionar essas posições sociais, como se cada um de representasse um lugar, um grupo. “Ela é a mulher que foi violentada, agredida. A pessoa sem voz que quer se vingar e não sabe como”, explica a atriz.

Quando o Jé resolveu montar Gota D’Água mais preta, a proposta foi trazer o universo da periferia para a cena. Com os acentos, não só os percussivos, mas os da cultura de periferia mesmo”, aponta o músico Fernando Alabê.

O sagrado também está presente na música. “Com pessoas da comunidade negra é natural que as religiões de matriz africana estejam presentes. Tem canto de candomblé, de umbanda e o jongo – dança de roda de origem africana com acompanhamento de tambores – serve de base. Tentamos trazer para a peça a maneira que o negro entende sua divindade”, realça Juçara.

O diretor musical William Guedes,  da Cia. do Tijolo, propôs uma instrumentação de saxofone somada à percussão, guitarra, violãocavaco e DJ. “Com isso, temos uma estrutura musical que desfolcloriza a musicalidade de periferia, a musicalidade negra, que é o cerne desta peça”, observa Alabê.

O cenário traz a representação da religiosidade afro-brasileira na concepção do artista Julio Dojczar, do coletivo casadalapa. Painéis simbolizando os Orixás e elementos de cena como a imagem de Ogum / São Jorge compõem o palco que remonta o período setentista em uma montagem que, assim como a encenação, busca a percepção do todo pela parte. As representações não são realistas mas induzem a criação imagética do espaço de cena.

Além de Jé Oliveira e Juçara Marçal, a montagem conta com a atriz, diretora e dançarina Aysha Nascimento (Coletivo Negro), a atriz e MC Dani Nega, a atriz e bailarina Marina Esteves, o ator Mateus Sousa, o ator, diretor e artista-educador Ícaro Rodrigues, o ator e diretor Rodrigo Mercadante (Cia do Tijolo) e o ator, dramaturgo e professor Salloma Salomão.

A música é executada ao vivo por DJ Tano (Záfrica Brasil) nas pick-ups, Fernando Alabê (percussão), Suka Figueiredo (saxofone), Gabriel Longuitano (guitarra, violão, cavaco e voz), Jé Oliveira (cavaco) e Salloma Salomão (flauta transversal). A luz é um projeto do light designer Camilo Bonfanti; o design de som é de Eder Bobb e Felipe Malta; os figurinos e a assistência de direção, de Eder Lopes; e a produção é de Janaína Grasso.

FACE

Gota D’Água {PRETA}

Com Aysha Nascimento, Dani Nega, Ícaro Rodrigues, Jé Oliveira, Juçara Marçal, Marina Esteves, Mateus Sousa, Rodrigo Mercadante e Salloma Salomão

Auditório Ibirapuera – sala Oscar Niemeyer (Av. Pedro Álvares Cabral – Vila Mariana, São Paulo)

Duração 220 minutos

10 a 12/05

Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 19h

$30

Classificação 14 anos

MÚSICA NO FOYER

De volta ao Música no Foyer do Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer, o Coro Luther King apresenta na Sexta-feira da Paixão, 19 de abril, às 17h, o ciclo de cantatas “Membra Jesu Nostri”, de Dietrich Buxtehude.

Considerado um dos compositores mais importantes do período barroco alemão, Buxtehude influenciou a obra de G. F.Handel e J. S. Bach.

Com direção artística e regência do maestro Martinho Lutero Galati, o concerto contará com participação especial do grupo instrumental “La Barca del ’700”.

Sobre o Coro Luther King:

Um dos grupos mais antigos na cidade de São Paulo, o Coro Luther King nasceu em 1970 e se dedica à performance artística e à pesquisa, divulgação e promoção da atividade coral.

Rumo aos 50 anos de atividade ininterrupta, com mais de 1.000 concertos realizados dentro e fora do Brasil, o grupo vocal se destaca no cenário nacional e internacional pela sua capacidade de entrelaçar a linguagem coral à diversas expressões artísticas como teatro, dança e literatura, do popular ao erudito, cantando a música de todos os tempos, de todos os povos, em todos os lugares.

FACE

Música no Foyer

Com Coro Luther King

Auditório Ibirapuera – Foyer (Av. Pedro Álvares Cabral, s/n – Portão 2 do Parque Ibirapuera, São Paulo)

Duração: 60 minutos

19/04

Sexta – 17h

Entrada gratuita (entrada por ordem de chegada ao foyer do auditório)

Classificação Livre

BOCA DO CÉU – ENCONTRO INTERNACIONAL DE CONTADORES DE HISTÓRIAS

Celebrando o encerramento da oitava edição do BOCA DO CÉU – ENCONTRO INTERNACIONAL DE CONTADORES DE HISTÓRIAS, o Auditório Ibirapuera recebe o espetáculo Todo Nó Cego Eu Desato, dia 25 de maio, sexta-feira, às 20h.
A noite de contos e música reúne artistas convidados, músicos e contadores de histórias. São eles: Ana Sofia Paiva (Portugal), Charlotte Blake Alston (EUA), Clara Morais (BA), Crianças da Oca Escola Cultural (SP), Gabi Guedes (BA), Gabriel Levy (SP), Paulo Freire (SP/BR)), Thomas Howard (SP), Valdeck de Garanhuns (PE/ SP), Vinicius Mazzon (PR) e Vitor Lopes (SP), sob a direção de Regina Machado.
As convidadas internacionais, representam respectivamente a narração oral em Portugal e a tradição narrativa afro americana dos EUA. As crianças da Oca Escola Cultural, de Carapicuíba, trazem seus tambores e a narração de um romance da cultura popular brasileira. A apresentação tem como objetivo apresentar diferentes manifestações da Arte da Palavra presentes na tradição popular brasileira e em outras culturas do mundo.
Criado em 2001, o Boca do Céu é considerado o maior encontro de contadores de histórias do Brasil. A última edição do evento bienal, que ocorreu em 2016, ofereceu atividades com mais de 80 artistas nacionais e 9 contadores estrangeiros, e recebeu 10,3 mil pessoas ao longo de oito dias de programação.
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Boca do Céu – Encontro Internacional de Contadores de Histórias
Com Todo Nó Cego Eu Desato
Auditório Ibirapuera (Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº – Parque do Ibirapuera)
25/05
Sexta – 20h.
Grátis (sujeito à lotação dos espaços)
Classificação Livre

SUÍTE N°2

A quinta edição da MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo terá sua abertura no Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer com o espetáculo Suíte n°2, dirigido pelo francês Joris Lacoste, artista em foco desse ano. Segunda peça da série Enciclopédia da Fala, a pesquisa que o diretor vem realizando desde 2007 sobre as diferentes formas de oralidade combina literatura, teatro, artes visuais, música e poesia sonora.

Um coletivo de artistas multidisciplinares compila diversos gêneros de gravações de falas e as cataloga de acordo com especificidades como cadência, musicalidade, timbre, origem, saturação ou melodia e orquestra discursos que têm em comum produzir, cada qual ao seu modo, algum tipo de impacto no mundo.

O espetáculo é falado em diversas línguas: inglês, japonês, francês, árabe, holandês, alemão, português, espanhol, russo, croata, lingala, chinês, dinamarquês, sânscrito e urdu, e compreende de discursos de presidentes a áudios ditos em cabines de avião.

A ideia é questionar e submeter as palavras a um jogo de formas, repetindo-as seguidamente, cantando, falando muito rápido, até que seus sentidos ganhem novas ideias ou percam sua ideia original. As palavras se encontram pela primeira vez nas vozes de um quinteto de atores/cantores, com harmonias do compositor Pierre-Yves Macé.

A apresentação conta com interpretação na Língua Brasileira de Sinais (Libras)

Joris Lacoste

Joris Lacoste vive e trabalha em Paris. Escreve para teatro e rádio desde 1996 e realiza os próprios espetáculos desde 2003. Assinou 9 Lyriques Pour Actrice et Caisse Claire, no Laboratoires d’Aubervilliers, em 2005, e Purgatoire, no Théâtre National de la Colline, em 2007. De 2007 a 2009, foi codiretor dos Laboratoires d’Aubervilliers. Em 2004, lançou o projeto Hypnographie para investigar as funções artísticas da hipnose, resultando várias obras, como uma peça radiofônica, um espetáculo e uma performance.

Iniciou dois projetos coletivos, o projeto W, em 2004, e a Enciclopédia da Fala, em 2007. Em 2013, a Enciclopédia da Fala deu início a um ciclo de quatro suítes para coral, todas baseadas no mesmo princípio: a reprodução ao vivo das gravações extraídas do seu arquivo.

Suíte nº 2_ Foto de Bea Borges

Suíte n°2
Com Vladimir Kudryavtsev, Emmanuelle Lafon, Nuno Lucas, Barbara Matijevic, Olivier Normand
Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer (Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº – Parque do Ibirapuera, São Paulo)
Duração 85 minutos
02 e 03/03
Sexta e Sábado – 21h
$30
Classificação 14 anos

DIA E NOITE

Dia e Noite” é o novo show do Grupo Triii e traz ao palco do Auditório IbirapueraOscar Niemeyer, no domingo, 25 de fevereiro, às 17h, o repertório do novo CD do grupo formado por Marina Pittier (voz), Fê Stok (guitarra e voz) e Ed Encarnação (bateria e voz), com músicas e brincadeiras em arranjos ricos e delicados, convidando o público a viajar musicalmente pelas nuances e contrastes presentes no dia e na noite.

Nesse show, o Grupo Triii é acompanhado por mais dois músicos, Daniel Doctors e Thiago Pitiá, que ampliam as possibilidades sonoras do espetáculo, acrescentando instrumentos como: baixo, ukulele, violão, marimba, guitarra slide, órgão, harmonium e percussões.

Esses elementos adicionais foram escolhidos tanto para incrementar os arranjos das canções, como para trazer aos ouvidos do público novos experimentos sonoros que retratam de forma mais rica os diferentes climas presentes entre o dia e a noite.

Um show musical, criativo e interativo – característica do Grupo Triii – com canções para dançar, cantar, brincar e até para ninar, “Dia e Noite” traz em seu repertório algumas músicas que o público já conhece dos shows – mas que foram gravadas em CD pela primeira vez – e que ganham novos arranjos, como “A E I O U”, “Plim Plim Plim” e “Viro Vira Virou”.

O espetáculo conta também com novidades, como a crônica romântica cantada em “O Chapéu a Sandália”, a divertida e suingada “Pra Dançar”, de Daniel Ayres (e participação especial do duo Badulaque), e a delicada “Dorme, Dorme”, composição de Marina Pittier e Fê Stok (que tem participação especial de Ricardo Herz nos violinos), em um novo arranjo de cordas.

A apresentação conta com interpretação na Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Dia e Noite
Com Grupo Triii (Ed Encarnação, Fê Stok, Marina Pittier, Daniel Doctors e Thiago Pitiá) 
Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer (Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº – Parque do Ibirapuera, São Paulo)
Duração 60 minutos
25/02
Domingo – 17h
$30
Classificação Livre

BR-TRANS

Idealizado e interpretado por Silvero Pereira e com direção de Jezebel De Carli, o espetáculo tem como interesse temático o universo de travestis, transexuais e artistas transformistas brasileiros.

Traz à cena histórias sobre medo, solidão e morte, que se encontram e se confundem entre si e com a vida e as inquietações do ator. BR-Trans é um trânsito de informações e de fatos reais. Um traço “Brasil-trans” construído a partir da convergência e dos deslocamentos entre os polos nordeste e sul do país.

No sábado 24, às 21h, a peça tem audiodescrição. No domingo 25, às 19h, conta com interpretação na Língua Brasileira de Sinais (Libras). Faz parte da IV Mostra Petrobras Premmia de Teatro.

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BR-TRANS

Com  Silvero Pereira

Auditório Ibirapuera (Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº – Parque do Ibirapuera, São Paulo)

24 e 25 de Junho

Sábado – 21h; Domingo – 19h

duração: 70 minutos (aproximadamente)

ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)

[classificação indicativa: 14 anos]

informações: www.auditorioibirapuera.com.br

tel.: 3629-1075 ou info@auditorioibirapuera.com.br

CONTRAÇÕES

 

No premiado espetáculo do Grupo 3, que conta com direção de Grace Passô, a ação ocorre em um escritório de uma grande corporação. A gerente (Yara de Novaes) solicita à sua funcionária, Emma (Débora Falabella), que leia em voz alta uma cláusula do contrato que proíbe aos funcionários qualquer relação com outro empregado da empresa.

Nos encontros seguintes, a gerente, amparada pelo poder que tem, libera suas diferentes facetas para manipular Emma. Para manter seu emprego, a funcionária acaba cedendo e danifica sua vida privada.

No sábado 17, às 16h, a peça tem audiodescrição. No domingo 18, às 19h, conta com interpretação na Língua Brasileira de Sinais (Libras). Faz parte da IV Mostra Petrobras Premmia de Teatro.

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Contrações

Com Yara de Novaes e Débora Falabella

Auditório Ibirapuera (Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº – Parque do Ibirapuera, São Paulo)

17 e 18 de Junho

Sábado – 16h, Domingo – 19h

duração: 80 minutos (aproximadamente)

ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)

[classificação indicativa: 14 anos]

informações: www.auditorioibirapuera.com.br

tel.: 3629-1075 ou info@auditorioibirapuera.com.br