A METAMORFOSE

A Metamorfose, de Franz Kafka, conta a história de Gregor Samsa, um caixeiro viajante que depois de sonhos intranquilos, acorda metamorfoseado em um escaravelho, tornando-se assim o “objeto” de desgraça e vergonha de sua família, um estranho rejeitado pelos seus pares em sua própria casa, sendo lançado a sentimentos terríveis de inadequação, culpa e isolamento.
 
Através do corpo que dança, o espetáculo apresenta os limites do flagelo e das torturas psíquicas, emocionais e físicas que os sistemas políticos de governo imprimem ao homem comum.
 
A coreografia procura reproduzir a tensão asfixiante e opressiva da obra de Kafka, que coloca o cidadão em um único destino possível – o caminho de ida, sem qualquer possibilidade de retorno. A vida encaixotada no seu devido lugar, o da insignificância absoluta.
 
Assim como Gregor Samsa, somos criador e personagem principal de um emocionante espetáculo para uma plateia vazia. Não é assim que morremos, solitários?
 
O espetáculo estreou em 2002 na Oficina Cultural Oswald de Andrade e teve o apoio do Prêmio Emcena-Brasil.

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A Metamorfose
Com Alex Merino, Amanda Santos, Everton Ferreira, Laia Mora, Mainá Santana e Rafael Carrion.
Kasulo Espaço de Cultura e Arte (Rua Souza Lima, 300 – Barra Funda, São Paulo)
Duração 55 minutos
28/09 até 15/10
Quinta, Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h
Ingresso um quilo de alimento não perecível
Reservas antecipadas pelo APP Cia Carne Agonizante disponível no Google Play e Apple Store.
Informações: ciacarneagonizante@gmail.com
Classificação 16 anos

BUG CHASER – CORAÇÃO PURPURINADO

A peça gira em torno de Mark (interpretado por Ricardo Corrêa – que também assina a dramaturgia). Markestá em uma quarentena sendo analisado por uma voz, um programa de inteligência artificial. Em fragmentos e saltos atemporais, a peça conta a saga desse homem, um advogado criminalista que busca se infectar propositalmente, uma subcultura pouco discutida na comunidade LGBT contemporânea. A direção é de Davi ReisBug Chaser – Coração Purpurinado faz nova temporada noTeatro do Núcleo Experimental de 4 de outubro a 30 de novembro.
Falar de bareback, de um homem a procura de um vírus e de toda uma sociedade deteriorada, é trabalhar num universo particular que não deve ser entendido cartesianamente e requer cuidado para não reforçar preconceitos. O nosso desafio foi se debruçar sobre esse texto que trata de escolhas radicais e no trabalho do ator criador que lida com um personagem de extremos. Aqui, a luta contra a biopolítica impositiva e em estar fora da caixa social em que estamos automaticamente submetidos é levada ao limite. A partir da verticalização profunda no universo LGBT – abrangendo desde a sua subcultura até o mais violento preconceito sofrido – e a busca por ressignificações de lugar no mundo, pretendemos trazer questionamentos para além da simples reflexão e julgamento”, diz o diretor Davi Reis.
A quarentena da peça significa a de todos os dias em que os discursos biomédicos colocam o sujeito que pratica bareback como alguém anormal, portador de distúrbios psicológicos ou criminalizadores, que acabam contribuindo para a manutenção de novos estigmas que há séculos acompanham os indivíduos homossexuais. Aliás, ainda há campos de concentração para gays. Foi mais de um ano de pesquisa, baseada em documentos e depoimentos de homens que se dispuseram a falar sobre o bareback”, conta Ricardo Corrêa, que já lançou um curta documentário ‘No Sigilo’, como parte de sua pesquisa que também trouxe depoimentos de vários homens gays sobre sexualidade, bareback e o HIV para o espetáculo.
Há uma distinção entre o que se chama barebacking e bugchasing. Nem sempre os praticantes de bareback buscam a soroconversão. Percebi que esse é um assunto sobre o qual não se fala, há um silêncio na comunidade LGBT e por isso decidi enfocá-lo neste projeto artístico, pelos diferenciais que ele carrega em si e por sua tamanha complexidade. Existem, entretanto, diferentes aspectos ou dimensões culturais mais amplas, do nosso tempo, que devem ser considerados nestes contextos de fascinação pelo risco ou apostas nos ganhos sensoriais de encontros perigosos. Problematizo um homem em transito em um mundo doente, que busca encontrar pertencimento e aceitação. Uma jornada perigosa de autodescoberta para encontrar o melhor e o pior de uma nova comunidade que ele quer desesperadamente fazer parte. Falo de falo de escolhas, de desejos, de estigmas e principalmente sobre um novo capítulo da história do HIV”, conclui Ricardo.
Sinopse
Mark está em uma quarentena sendo analisado por uma voz, um programa de inteligência artificial. Em fragmentos e saltos atemporais, a peça conta a saga desse homem, um advogado criminalista que busca se infectar propositalmente.
Vamos rever a matéria que fizemos com o ator, Ricardo Corrêa, na temporada da peça na Oficina Cultural Oswald de Andrade.
Bug Chaser – Coração Purpurinado
Com Ricardo Corrêa e Leonardo Souza.
Teatro do Núcleo Experimental (R. Barra Funda, 637 – Barra Funda, São Paulo)
Duração 60 minutos
04/10 até 30/11
Quarta e Quinta – 21h
$40
Classificação 16 anos

NUREMBERG

Um jovem neonazista se prepara para um atentado, do qual não sairá vivo. Suas histórias, seus ideias políticos e seus desejos são revelados enquanto se exercita freneticamente, esperando seus companheiros. Esse é o mote de NUREMBERG, texto inédito no Brasil do dramaturgo uruguaio Santiago Sanguinetti, que estreia dia 2 de setembro, sábado, às 20 horas, no Centro Compartilhado de Criação.

O solo, montagem do grupo Na Cia dos Homens, tem tradução e direção de César Maier e atuação de Osmar Pereira. Sem cenografia, NUREMBERG é apoiado em projeções do documentário O Julgamento de Nuremberg, além de nomes de pessoas brasileiras que sofreram algum tipo de violência, como o pedreiro Amarildo, a travesti Dandara, o índio Galdino e Claudia, a mulher arrastada por uma viatura policial no Rio de Janeiro.

NUREMBERG é a segunda montagem da Cia de um autor da América Latina. A primeira foi Uma Ferida Absurda, da argentina Sonia Daniel, em 2011. O diretor César Maier tem focado seus estudos na dramaturgia contemporânea dos países da América do Sul e já planeja montar em 2018 um texto do uruguaio Sérgio Blanco.

Superioridade

Filho de um pai autoritário e de uma mãe dura e cruel, violado em sua adolescência, o personagem – um skinheadneonazista – proclama histericamente sua fúria contra o mundo e contra os alvos tradicionais da extrema direita, incluídos o homossexuais e os judeus, enquanto aguarda um sinal de seus companheiros, que virão buscá-lo para a execução de um atentado contra a embaixada de um país não nomeado.

Mas se em alguns momentos a personagem vocifera seu ódio, através de discurso contra a ordem existente e os ‘seres inferiores que transformam o mundo em uma repugnante pocilga’, expresso em saudações nazistas, em outros se transforma em uma criança assustada, cuja intenção é ser bom e se comportar bem”, explica o diretor César Maier.

Através destes recursos, NUREMBERG nos aproxima de sua personagem, quando coloca o público em contato com o sentimento de superioridade que se faz presente em cada indivíduo, em diversos momentos e situações, seja por razões sociais, raciais, intelectuais ou físicas. Para o dramaturgo Santiago Sanguinetti, o que nos diferencia do personagem do monólogo é que esse sentimento não nos leva ao desejo de aniquilar o outro. “Trata-se de um ser humano. Horrível, mas um ser humano do início ao fim. E por isso, o teatro há de nos servir para entender as grandezas e as misérias dos seres humanos“, afirma ele.

Claustrofóbico

Em NUREMBERG, o personagem skinhead e neonazista dispara vários relatos em um fluxo de pensamento. As projeções de vítimas do nazismo e de estrema violência fazem um contraponto com o discurso dele, reforçando uma atmosfera claustrofóbica.

Segundo o ator Osmar Pereira, a cidade de Nuremberg constituiu-se no grande símbolo do apogeu do regime nazista e foi transformada no símbolo de sua destituição quando abrigou os julgamentos contra seus principais artífices, responsáveis por um dos mais terríveis genocídios da história da humanidade. “E se Nuremberg nos parece distante, geográfica e culturalmente, devemos enxergá-lo como símbolo de toda intolerância, seja racial, de gênero ou social”, sentencia ele.

César Maier acredita que o espetáculo e seu personagem dialogam com atual e crescente onda de manifestações de ódio, que resultam em crimes hediondos, como machismo, racismo e homofobia, e com os chamados haters cujo contato pode se dá facilmente através dos comentários nos portais da internet e das redes sociais. “Deste modo,NUREMBERG cumpre um dos mais importantes papeis do teatro: refletir sobre os aspectos sociais e políticos que constituem as relações no mundo contemporâneo.

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Nuremberg
Com Osmar Pereira
Centro Compartilhado de Criação (Rua Brigadeiro Galvão, 1010 – Barra Funda, São Paulo)
Duração 40 minutos
02/09 até 01/10
Sábado – 20h, Domingo – 19h
$40
Classificação 16 anos

 

LOUCA TERAPIA

Espetáculo de grande sucesso escrito pela Cia dos Reis, com situações inusitadas e atuais, Louca Terapia que esteve entre as seis melhores comédias de 2016, volta aos palcos, desta vez no Memorial da America Latina a preços populares.

A história traz um texto leve, em que em algum momento o espectador se identifica, por abordar assuntos como “o cotidiano de casais”. A farsa absurdamente engraçada leva a uma reflexão dos erros e abusos que podem ser evitados e traz de forma bem humorada os acertos. Com uma trilha incrível que desenvolve atmosfera e permite interagir.

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Louca Terapia
Com Filipe Bertini, Ivo Ueter, Khamilla Jelezoglo e Thiago Mantovani
Memorial da América Latina – Espaço Gabriel Garcia Márquez (Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 – Barra Funda, São Paulo)
Duração 90 minutos
02/09 até 14/10
Sábado – 19h
$20
Classificação 14 anos

PALAVRA DE STELA

Nascida em 1941, Stela do Patrocínio foi internada no Centro Psiquiátrico Pedro II aos 21 anos, quando diagnosticada como psicopata e esquizofrênica. Quatro anos depois, foi transferida para a Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, onde permaneceu até sua morte em 1992. Durante seus anos de isolamento, Stela desenvolveu um discurso poético. Seu “falatório”, carregado de angústias, retrata a rotina manicomial e, sobretudo, revela sua visão da vida, do mundo e de si mesma.
 
Palavra de Stela é um espetáculo solo interpretado por Cleide Queiroz com direção e dramaturgia de Elias Andreato. No espetáculo a personagem narra sua trajetória, expõe seu cotidiano e revela seu olhar de perplexidade diante da vida e dos seres humanos.
 
Elias Andreato escreveu o texto especialmente para Cleide Queiroz. Com 50 anos de carreira em teatro, cinema e televisão, a atriz traz uma relação muito pessoal com a temática proposta, pois é uma mulher negra que durante sua adolescência conviveu com a internação de sua mãe esquizofrênica.
 
Por meio da fala de Stela do Patrocínio, pretendemos levar o espectador a uma reflexão acerca da visão que temos sobre loucura e lucidez, bem como chamar sua atenção para como a sociedade enxerga a diferença e lida com o outro”, diz Elias Andreato.
 
A criação do espetáculo tomou por base o registro em áudio da obra de Stela do Patrocínio realizado na década de 1980 pelas artistas plásticas Neli Gutmacher e Carla Guagliardi, posteriormente, transcrito e organizado por Viviane Mosé no livro Reino dos bichos e dos animais é o meu nome.

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Palavra de Stela
Com Cleide Queiroz
Teatro do Núcleo Experimental (Rua Barra Funda, 637 – Barra Funda, São Paulo)
Duração 60 minutos
01/09 até 29/10
$40
Classificação 14 anos

NERINA – A OVELHA NEGRA

A produção infantil ‘Nerina – A Ovelha Negra’ chega ao Teatro J. Safra, em São Paulo. O espetáculo, que recebeu seis indicações ao Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem 2017 (melhor espetáculo, adaptação, direção, atriz, trilha e sustentabilidade), tem curtíssima temporada com apresentações aos fins de semana, do dia 2 a 24 de setembro, sempre às 16h.

Baseada em um dos livros sem palavras, feito somente com ilustrações, do reconhecido cartunista Michele Iacocca, a peça ‘Nerina – A Ovelha Negra’ encerrará a trilogia de espetáculos montados pelo grupo Maracujá Laboratório de Artes a partir de obras do autor, que inclui os espetáculos Rabisco – um cachorro perfeito (2010) e As Aventuras de Bambolina (2008), ambos contemplados com prêmios como FEMSA, Myriam Muniz, Zé Renato, Alfa Criança, e participantes de editais do SESI, CAIXA Cultural, SESC, ProAC (da Secretaria Estadual de Cultura de São Paulo), além da presença em inúmeros festivais e mostras de artes cênicas pelo Brasil.

Nerina, que significa “negrinha” em italiano, é uma ovelha negra que quer apenas fazer parte de um rebanho. Mas as demais ovelhas, todas brancas, se recusam a acolhê-la. Sozinha, Nerina dá de cara com um lobo faminto que, ao invés de devorá-la, pensa melhor e resolve usá-la para atrair as outras ovelhas. Acuada, Nerina o obedece, mas surpreende ao final, mostrando que o preconceito não é solução para nenhum problema.

O Teatro J. Safra escolheu trazer a peça de volta à cena, em função da qualidade artística do projeto e mensagem que incentiva o fim do preconceito. “As crianças se divertem e aprendem muito com a mensagem principal da peça: que o preconceito não leva a nada. Nerina, que se sente acuada, faz o que o lobo manda e assusta todo o rebanho, mas revela-se e surpreende ao mostrar que o diferente é o que muda as situações da vida, salva o dia, todas suas amigas e interrompe este ciclo de preconceito”, finaliza o diretor da peça, Sidnei Caria.

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Nerina – a Ovelha Negra
Com Bia Rezende, Camila Ivo, Cassio Pereira, Lucas Luciano, Piva Silva, Sidnei Caria, Silas Caria e Yasmin Olí
Teatro J. Safra (Rua Josef Kryss, 318 – Barra Funda – São Paulo)
Duração 55 minutos
02 a 24/09 (exceto dia 16)
Sábado e Domingo – 16h
$20/$40
Classificação Livre

O 25º CONCURSO DE SOLETRAR

Inspirado na comédia musical norte americana “The 25th Annual Putnam County Spelling Bee“, o musical “O 25º Concurso de Soletrar” conta a história de seis crianças que participam de um concurso de soletrar na escola onde estudam. Apesar de cada um ter seu motivo particular para querer vencer o concurso, pode-se resumir que todos querem ser aceitos e reconhecidos no grupo escolar.

O musical foi inspirado no “Concurso Nacional de Scripps“, um concurso de soletrar americano que surgiu em 1925.

A peça, além de fazer parte da programação do “X Festival Fábrica de Óperas”, é resultado do Trabalho de Conclusão de Curso na Licenciatura em Arte – Teatro do diretor e ator, Caio Bichaff.

O maestro Abel Rocha é o responsável pelo Festival Fábrica de Óperas, que tem como objetivo estudar as intersecções entre o canto e o teatro e encenar óperas e mais recentemente obras de teatro musical.

A equipe criativa é composta por Caio Bichaff (UNESP, Sesi-SP), responsável peladireção geral e cênica. Caio Guimarães (60! Década de Arromba – Doc. Musical, Wicked, Castelo Rá Tim Bum, o Musical) é o diretor musical; e a cenografia é de Luísa Almeida ((Instituto de Artes). Fernanda Brito e Gabriel Boani auxiliam Caio Bichaff na tradução e versão do libreto e das canções.

No elenco estão Amanda Bamonte, Celo Carvalho, Heder Becker, Gustavo Mazzei, Lucas Bamonte, Luiza Arruda, Luiza Francabandiera, Pedro Faraldo e Natália Capucim.

As apresentações ocorrem nos dias 16, 17, 20, 23 e 24 de setembro no Teatro Reynúncio Lima, no Instituto de Artes (R. Dr Bento Teobaldo Ferraz, 271, Barra Funda, São Paulo) às 20hrs. Por ser um exercício teatral – e com isso, não ferir os direitos autorais originais da peça – a entrada é gratuita.

O grupo lançou uma campanha de financiamento coletivo no Catarse. A meta arrecadada cobrirá os gastos de cenografia, figurinos e aluguel de microfone. Você pode conhecer um pouco mais do projeto e colaborar com a campanha no link: http://bit.ly/2v12Mxe.