DIÁLOGO NOTURNO COM UM HOMEM VIL

Sucesso de público e crítica DIÁLOGO NOTURNO COM UM HOMEM VIL com Aílton Graça e Celso Frateschi, volta aos palcos a partir de 4 de maio, sexta-feira, às 21 horas, no Ágora Teatro. Montagem tem direção de Roberto Lage para o texto de Friedrich Durrenmatt e apresenta dois personagens: Escritor e Carrasco. Assassino e vítima travam um diálogo dentro da noite e o que parecia ser apenas mais um ato brutal, torna-se uma profunda reflexão sobre a vida, a morte, a violência, o poder e a liberdade.

O texto, que volta aos palcos após 30 anos, foi encenado no então Teatro do Bixiga por Roberto Lage, com Chico Solano e pelo próprio Celso Frateschi (vencedor do Prêmio Shell Teatro de melhor ator por sua atuação como o Escritor). Na montagem atual decidiu-se por não se aceitar o óbvio e  Aílton Graça interpretará o Escritor e Celso Frateschi fará o papel do Carrasco.

Para Celso Frateschi o encontro insólito de um escritor e um carrasco, já é revelador de uma situação de exceção. “O ofício do primeiro traduz o exercício da liberdade, o do segundo a eliminação mais radical da liberdade de viver. Um, luta contra o sistema, o outro, é o eixo silencioso em redor do qual a terrível roda do sistema se move. Um é um artista da vida, o outro um burocrata da morte”, explica o ator.

Do encontro entre escritor e carrasco se desenvolve DIÁLOGO NOTURNO COM UM HOMEM VIL sem se deixar levar por nenhum tipo de maniqueísmo. O diálogo deixa de lado qualquer ideologismo e caminha para uma dimensão do próprio entendimento do sentido dessas nossas vidas. Os personagens, surpreendentemente, encaram essa jornada de entendimento que só a proximidade da morte proporciona.

Nova leitura

Roberto Lage que também dirigiu a montagem de 1988 diz que “Reler o texto em momento tão diferente do nosso país, revela a potência do teatro de Dürrenmatt capaz de iluminar aspectos do humano em épocas tão distintas”.

O ator Aílton Graça conta que já fazia muito tempo que queria ser dirigido por Roberto Lage e atuar ao lado de Celso Frateschi era um sonho antigo. “Sempre pensávamos em algo para o teatro em que pudéssemos atuar junto. Quando li o texto fiquei encantado”. Para seu personagem, o ator buscou inspirações em personalidades como Mandela e Malcom X e também do catador de lixo Rafael Braga, condenado a cinco anos de prisão por portar uma garrafa de desinfetante nos protestos de 2013.

Espaço atemporal

A cenografia de Sylvia Moreira cria um espaço íntimo, que é brutalmente invadido pelo carrasco, com uma diversidade de caminhos em uma clara referência às escadas de Escher, que assim como os figurinos, não se fixam em nenhuma época determinada.

A iluminação e a trilha sonora seguem a mesma proposta de se atingir a “menor grandeza” dos elementos utilizados para se potencializar a contundência poética.

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Diálogo Noturno com um Homem Vil
Com Aílton Graça e Celso Frateschi
Ágora Teatro – sala Gianni Ratto (Rua Rui Barbosa, 672 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 60 minutos
04/05 até 24/06
Sexta – 21h, Sábado – 19h e 21h30, Domingo – 19h
$60
Classificação 14 anos

1 MILHÃO DE ANOS EM 1 HORA

A comédia de sucesso da Broadway para o Brasil. De Colin Quinn e Jerry Seinfeld, a versão brasileira de Marcelo Adnet e a direção de Cláudio Torres traz o humorista Bruno Motta num espetáculo de ritmo alucinante em 15 quadros, da era das cavernas ao Facebook. Vários personagens, sotaques e regiões são apresentadas nesta comédia que viaja pelo mundo e pelo tempo. De Sócrates ao Big Brother, da idade da pedra ao Facebook, o espetáculo é sucesso de crítica e público desde a estreia.

A VERSAO BRASILEIRA

BRUNO MOTTA

Um dos mais premiados humoristas da sua geração tem considerável histórico no humor televisivo: redator de humor da TV Globo, comentarista de humor do Jornal da Record News e foi ainda um dos autores do sucesso Furo MTV, onde também desempenhava os papéis de repórter e colunista.

DIREÇÃO: CLAUDIO TORRES GONZAGA

Criador do grupo Comédia em Pé, o primeiro de stand up comedy no Brasil já visto por mais de 1 milhão de espectadores em dez anos em cartaz. Cláudio já escreveu programas de humor como Grande Família, Sai de Baixo e Os Caras de Pau, Sob Nova Direção e Divertics.  Como diretor tem no currículo mais de 100 espetáculos, incluindo: “Boca de Ouro”, de Nelson Rodrigues, com o qual ganhou o prêmio MinC, o sucesso “Enfim Nós”, com Bruno Mazzeo, “A Comédia dos Erros”, de William Shakespeare, também indicado como melhor diretor para o prêmio Shell.

TEXTO: MARCELO ADNET

Marcelo tornou-se conhecido nacionalmente através do programa 15 Minutos na MTV, que apresentou e escreveu por 4 anos, diariamente. Na MTV estrelou também os premiados Comédia MTV e Adnet Viaja, entre outros. Na Rede Globo esteve em O Dentista Mascarado e teve também quadros no Fantástico, até comandar o projeto de sucesso Tá No Ar.

A HISTÓRIA POR TRÁS DO ESPETÁCULO

A História do Mundo nunca foi tão engraçada – desde que vista de longe. A concepção original de Jerry Seinfeld (tido como o comediante solo mais famoso do planeta) pode ser notada pela construção ácida e minimalista em detalhes que até então passariam despercebidos.

A peça, contada em um ato, estreou na Broadway em 2010 com o título “Long Story Short”, de Colin Quinn e direção original de Jerry Seinfeld, considerado um dos maiores comediantes de todos os tempos. Concebido como um espetáculo simples, um one man show recontando fatos históricos, tornou-se logo um grande sucesso, sendo visto por mais de 1 milhão de espectadores em 10 cidades americanas. Em cartaz no ano de 2010 no lendário Helen Hayews Theather, fez turnê pelos Estados Unidos e chegou ao Brasil, onde viajou por vários estados e fazendo grandiosas temporadas no Rio e São Paulo.

Bruno assistiu ao espetáculo original duas vezes na Broadway, antes de conseguir os direitos. Através de amigos em comum, comediantes do Comedy Cellar, fez o contato via twitter e conheceu Colin Quinn nos bastidores do clube. O trio criativo – Bruno Motta, Cláudio Torres Gonzaga e Marcelo Adnet se reuniu várias vezes para manter as piadas e mudar o ponto de vista, escrevendo ainda um capítulo inédito na montagem sobre o Brasil acompanhado pelo autor original. A adaptação levou 6 meses, mais 3 meses de ensaios e a versão brasileira é a primeira montagem do espetáculo fora da Broadway.

CURIOSIDADES / DESTAQUES

Os projetores utilizados em cena são Kodak Ektagraphic e foram inventados em 1967.

Foram 6 meses de negociação dos direitos, 6 meses de preparação de texto e outros 3 meses de ensaio.

Bruno Motta foi apresentado a Colin Quinn nos bastidores do show do Comedy Cellar, em NY, onde ele e Seinfeld começaram a carreira.

O trio criativo – Bruno Motta, Cláudio Torres Gonzaga e Marcelo Adnet se reuniu várias vezes para manter as piadas e mudar o ponto de vista, escrevendo ainda um capítulo inédito na montagem sobre nosso país acompanhado pelo autor original

1 Milhão de Anos em 1 Hora
Com Bruno Motta
Teatro Gazeta (Av. Paulista, 900 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 75 minutos
12/05 até 10/06
Sábado e Domingo – 20h
$70/$80
Classificação 12 anos

MORTE ACIDENTAL DE UM ANARQUISTA

A comédia Morte Acidental de Um Anarquista, que completa quase 3 anos em cartaz, tendo passado por 27 cidades, volta aos palcos do Teatro Gazeta, em  São Paulo. A montagem do texto de Dario Fo, prêmio Nobel de Literatura em 1997, com Dan Stulbach no elenco e direção de Hugo Coelho, teve temporada prorrogada após novo sucesso de público e fica em cartaz até 27 de maio, com apresentações aos sábados (22h) e domingos (18h).

O autor Dario Fo partiu de um caso verídico, uma controversa investigação de um caso em Milão, em dezembro de 1969, quando o principal suspeito de um crime, um anarquista, caiu da janela. Morte Acidental de Um Anarquista é sua peça mais conhecida e premida, montada no mundo inteiro. Recentemente, em Londres, foi encenada com referências ao caso Jean Charles. No Brasil, já foi montada com Antonio Fagundes, em São Paulo, em 1985, e Sérgio Britto, no Rio de Janeiro, como protagonistas.

O espetáculo abre com uma festa na entrada do teatro, onde o elenco toca músicas e recebe o publico. Com todos no teatro, Dan Stulbach entra em cena e conta o que aconteceu na vida real e o porque de montar este espetáculo: “A idéia era aproximar a todos, quebrar qualquer distância entre o elenco e o publico”, diz Dan .

Depois, o publico tira suas duvidas, fazem todo o tipo de pergunta e, quando todos estiverem prontos, o espetáculo começa. Um louco (Dan Stulbach), cuja doença é interpretar pessoas reais, está detido por falsa identidade. Ali na delegacia, num momento de distração dos policiais, ele se passa por um falso juiz na investigação do misterioso caso do anarquista. Só o publico sabe que ele não é quem diz ser. “O Louco e o publico são cúmplices”, dizia Dario Fo.

Então, o Louco, com a ajuda do publico, inicia a investigação. A polícia afirma que o anarquista teria se jogado pela janela do quarto andar. A imprensa e a população acreditam que foi jogado. O que teria acontecido realmente? O louco assume varias identidades, como juiz, médico cirurgião, psiquiatra, bispo, engenheiro naval, entre outras, e assim, vai enganando um a um, e, brincando com o que é ou não é real, desmontando o poder e descobrindo a verdade.

Na delegacia, o Louco é preso pelo Comissário (Marcelo Castro) e encontra os responsáveis pela investigação, o Delegado (Henrique Stroeter) e o Secretário de Segurança (Riba Carlovich). Depois a imprensa aparece, através da Jornalista (Maira Chasseraux). Todos, menos o Louco, inspirados em personagens reais.

Um momento marcante e bastante divertido na montagem é quando o publico ajuda o Louco a “interpretar” o juiz, sugerindo, espontaneamente, frases, palavras e gestos para que o Louco incorpore. “Tento lembrar de tudo, e vou encaixando na peça. todos se sentem representados, falam de tudo. Faz de cada apresentação mais especial e única, porque nunca se repete, diz Dan.

E é incrível, porque passamos pelo Brasil destes 3 anos, impeachment, passeatas, tudo, estávamos em cartaz recebendo as frases e a mudança dos nomes e do pensamento, diz Henrique.

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Morte Acidental de um Anarquista
Com Dan Stulbach, Henrique Stroeter, Riba Carlovich,
Marcelo Castro, Maíra Chasseraux e Rodrigo Bella Dona
Teatro Gazeta (Avenida Paulista, 900 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 60 minutos
03/03 até 27/05 (05/05 e 06/05 não haverá apresentação)
Sábado – 22h, Domingo – 18h
$70/$80
Classificação 14 anos

NEM PRINCESAS NEM ESCRAVAS

No ciclo de comemorações de seus 40 anos de existência, o Teatro do Ornitorrinco estreia, em 19 de maio, no Teatro Sergio Cardoso, “Nem Princesas Nem Escravas”. O texto, inédito no Brasil, é de Humberto Robles, hoje o dramaturgo mexicano vivo mais montado em todo o mundo. Com tradução e direção geral de Cacá Rosset e produção de Christiane Tricerri (que também está no elenco), a montagem, que foi contemplada pela 6ª Edição do Prêmio Zé Renato de Teatro para a Cidade de São Paulo, aborda a resiliência e os conflitos femininos.

Como dramaturgia, o autor propõe um Teatro Cabaré, que vem de encontro com a pesquisa iniciada pelo Teatro do Ornitorrinco desde o início de sua formação, em 1977. Com três atrizes, performers, cantoras e dançarinas, a peça traz uma espécie de monólogos que se entrecruzam durante o decorrer do espetáculo, com cenografia, figurinos e músicas que dialogam com o cabaré alemão no sentido mais rigoroso e ao mesmo tempo popular da sua essência.

O diretor, vale lembrar, traz como referência, desde sua primeira montagem “Ornitorrinco canta Brecht e Weill”, o teatro de distanciamento brechtiano, envolvendo diretamente a plateia, as canções cabaretianas de Weill, o teatro poético e lírico de Karl Valentim e a Commedia Dell ‘ Arte em sua natureza crítica e carnavalesca ao longo de séculos de influência em todo o teatro moderno europeu. Nesta montagem, a luz também será criada como elemento revelador e enigmático, transportando a montagem ao clima noir que caracteriza o cabaré alemão e francês.

Sobre a escolha deste espetáculo, Rosset diz que, embora o autor tenha uma peça chamada “El Ornitorrinco”, ele se encantou por “Nem Princesas Nem Escravas”. Segundo o diretor, “o texto me captou pelo humor cáustico e farsesco e pela pegada, pois consegue ter um equilíbrio entre política, provocação e cinismo ao levar ao palco três mulheres em situações por vezes convencionais, por vezes adversas e que têm uma guinada em suas vidas. Além disso, é uma comédia rasgada, uma crítica social que permite o envolvimento direto com o público e, ainda, contribuir para que os espectadores tenham a experiência de contato e formação com esse universo do gênero Cabaré, um teatro político e dialético”, diz.

Christiane Tricerri reforça as palavras de Rosset em relação à atualidade e à relevância da peça. “A escolha de um texto é sempre um reflexo da atualidade. Esse protagonismo feminino fica muito claro na montagem. O espetáculo agradará a gregos e troianos, machistas e feministas. Minha personagem é Thelma Maria, uma servidora sexual que se transformará numa servidora pública: eu satisfazia a alguns, agora posso satisfazer a nação. Votem em mim para deputada no PM, Partido da Mãe”.

Além de Christiane Tricerri, que faz parte do Ornitorrinco desde a sua criação, o espetáculo conta com as atrizes Angela Dippe e Rachel Ripani.

O Teatro do Ornitorrinco traz, mais uma vez, um projeto instigante com um texto ácido em contato com seu tempo e seu público, propondo um espetáculo de rigor artístico sem perder de vista o popular. “Nem Princesas Nem Escravas” rompe paradigmas. Trata-se de puro “entretenimento transformacional”, segundo Rosset. A temporada se estenderá até 9 de julho.

A montagem foi contemplada com o Prêmio Zé Renato, criado em 2014, para apoiar a produção teatral da cidade de São Paulo, e está vinculado à Secretaria Municipal de Cultura.

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Nem Princesas Nem Escravas
Com Christiane Tricerri, Angela Dippe e Rachel Ripani
Teatro Sérgio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 90 minutos
19/05 até 09/07
Sábado – 19h30, Domingo – 16h, Segunda – 20h
$30
Classificação 14 anos

UMA COMÉDIA DO ALÉM

Nando (Paulo de Almeida) morre de infarto e seu anjo da Guarda Rafa (Leão Lobo), vem para convencê-lo que está morto. Se julgando vítima de várias conspirações, Nando se recusa a ir com o anjo e quer se vingar de sua esposa Ana(Cristina Freitas) e de seu melhor amigo Josmar, (Zé Alberto Martins) que supõe serem amantes e terem tramado seu assassinato. A chegada de Dag (Ananda Scaravelli) provoca as mais diversas e hilárias confusões , pois ao estilo “GHOST” recebe o espírito de Nando para acerto de contas.
Uma comédia de costumes divertida, bem ao estilo do premiado autor, com direção de Carla Fioroni (“Trair e Coçar é só Começar” e “Chiquititas”) e realização de Rama Kriya Produções (“O Amor Venceu” e “Esmeralda, o Musical”).
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Uma Comédia do Além
Com Leão Lobo,  Paulo de Almeida, Cristina Freitas, Ananda Scaravelli, Zé Alberto Martins e Fernanda Guerra
Teatro Bibi Ferreira (Avenida Brigadeiro Luis Antônio, 931 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 80 minutos
18/05 até 30/06
Sexta – 23h, Sábado – 20h30
$50/$60
Classificação Livre

O INEVITÁVEL TEMPO DAS COISAS

Uma história de amor é apresentada em espaços atemporais desafiando as possibilidades de um tempo linear. A sobreposição de realidades assombra os personagens que buscam felicidade a dois. Em um espaço confinado o casal se debate num fluxo de memórias, projeções e novas chances para lidar com seus traumas e anseios.

Neste espetáculo de suspense psicológico, escrito por Wagner D’Avilla, dois desconhecidos sentem uma forte atração a partir de um Déjà Vu. Os desdobramentos desse encontro revelam os percalços de uma relação construída e desconstruída ao longo de anos. Os eventos desafiam a ideia de um tempo fixo, estático e imutável. Uma distopia futurista e sombria onde as possibilidades se multiplicam, contradizem e se sobrepõe. Com encenação de José Roberto Jardim esta peça amplia ainda mais as possibilidades de leitura, contrapondo o que é real, ilusão ou memória. A montagem ganha ainda mais potência com a videoinstalação, criada pelo premiado Coletivo BijaRi, que gera uma cenografia única dentro do Espaço Porão do Teatro Sérgio Cardoso, com apresentações às terças, quartas e quintas.

Em O Inevitável Tempo das Coisas uma história de amor é apresentada através de um caleidoscópio de recortes do passado, presente e futuro da vida de um casal. Uma mulher conhece por acaso um homem. Os dois sentem uma enorme atração e a partir desse momento os reencontros serão inevitáveis. Um caso que começa. Uma fuga covarde. A união, a filha, a traição, o acidente, a morte, o recomeço. O que é real? O que é projeção ou lembrança? O que é possível e o que deve ser simplesmente aceito. Como seria nossa vida hoje se algo do passado tivesse acontecido de maneira diferente? Como será o futuro? Trará a redenção ou estamos condenados a falhar e falhar repetidamente? Essas são as grandes questões que assombram os personagens desse espetáculo.

O autor Wagner D’Avilla conta que “uma frase quase popular dita por muitos de nós sem muita importância ao longo da vida foi o que me inspirou a escrever esse texto. ‘Tudo é uma questão de tempo’. Somos fascinados pelo tempo que é o grande condutor de nossa vida. Quantos de nós já não se perguntaram: e se pudéssemos voltar no tempo e mudar algo? Ou uma consulta aos astros, a cartomantes ou aos orixás para prever o futuro?”, comenta.

Neste espetáculo cabe ao público decidir o que é real ou não. Ou será que tudo é possível em um universo de realidades sobrepostas? O texto de D’Avilla foi inspirado em estudos de pesquisadores e suas teorias sobre o tempo. Entre eles, o pesquisador Philippe Verduyn, que conseguiu mensurar a duração de cada tipo de emoção humana, até o sociólogo e futurista Dr. Chet Snow, pioneiro em muitos campos da metafísica e que comprova a viagem no tempo através da regressão ou progressão de memória. “Propus uma guerra entre o discurso romântico e a ciência, entre a astrofísica e a espiritualidade, entre realidade e a memória. Um quebra-cabeça entre universos paralelos que aos poucos se encaixam disfarçados de destino”, continua o autor.

Sobre o elenco, o autor declara: “Escrevi este texto especialmente para Pedro e Natallia. Sou fã dos dois e pude os acompanhar em diferentes trabalhos. Quis propor algo novo que os provocasse como artistas e os levasse “literalmente” em uma viagem ao desconhecido”.

Antes de serem um casal, Natallia Rodrigues e Pedro Henrique Moutinho, se descobriram grandes parceiros artísticos. Os dois se conheceram atuando no espetáculo Divórcio! dirigido por Otávio Martins e depois voltaram a atuar juntos na peça Jogo Aberto dirigida por Isser Korik. Entretanto essa é a primeira vez que os dois estão sozinhos em cena. “A admiração mútua é um dos pilares da nossa união. E a cumplicidade que construímos em nossa vida privada nos fortalece no trabalho. A realização de uma obra de arte em conjunto é certamente uma conquista familiar, parte do nosso projeto de vida a dois e motivo de muita felicidade,” diz Pedro sobre trabalhar com a amada neste espetáculo.

Com este trabalho, José Roberto Jardim busca não só dirigir seus grandes amigos há mais de uma década e meia, Natallia e Pedro, mas como também assinar sua próxima obra teatral depois do seu premiado espetáculo Adeus, Palhaços Mortos.

Com este texto de Wagner D’Avilla, somado à cumplicidade e talento do casal protagonista, Jardim inicia sua encenação perseguindo pontos que são caros em sua pesquisa cênica, como a fragmentação narrativa, as partituras cênicas rigorosas e os deslocamentos vocais com suas exposições psicológicas. Junto a sua busca por uma plasticidade cênica, gera graus visuais, sonoros e emotivos singulares. Seus espetáculos propiciam, especialmente, uma experiência de outra ordem sensitiva à plateia.

Por esse motivo Jardim traz ao projeto parcerias que estabeleceu com sucesso em seus trabalhos anteriores, como o premiado coletivo de artistas plásticos visuais, BijaRi, que assina a cenografia e a vídeo instalação; também o renomado estilista João Pimenta; e a sua dupla na iluminação de cena, Paula Hemsi.

Minha vontade primeira, como diretor, é tentar conduzir o público a um outro estado perceptivo, por isso busco desenhar em cena atmosferas e ritmos sonoros que valorizem mais o que está submerso do que o apenas falado pelas personagens”, afirma Jardim. “Confinar Natallia e Pedro em um platô com menos de oito metros quadrados, por onde inúmeras projeções em vídeo serão jogadas, fazendo-os desenhar o espaço apenas com pouquíssimos gestos, além de suas vozes e tons, é o pedal para que a dúvida sobre escolhas e decisões, no período de suas vidas, cheguem até nós de maneira profundamente angustiante,” completa. “Neste espetáculo cada cena é um recorte num espaço-tempo descontínuo e fragmentado, são fotogramas vagando pelas memórias individuais deste casal, independentemente se estavam casados ou separados, se eram amantes ou desconhecidos, pois nunca conseguirão escapar da inevitável dúvida sobre o que significa viver neste mundo absurdo e vazio de significado,” conclui o diretor.

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O Inevitável Tempo das Coisas
Com Natallia Rodrigues e Pedro Henrique Moutinho
Teatro Sergio Cardoso – Espaço Porão (Rua Rui Barbosa, 153. Bela Vista, São Paulo)
Duração 60 minutos
03/04 até 24/05 (*não haverá sessão nos dias 01 e 10 de Maio*)
Terça, Quarta e Quinta – 20h
$40
Classificação 14 anos

 

MUITO LOUCA

As atrizes Suely Franco e Fafy Siqueira fizeram parte do elenco do musical As Noviças Rebeldes, com direção de Wolf Maia, no início dos anos 90. Porém, nunca se encontraram no palco já que Suely entrou no elenco depois de Fafy ter saído. Finalmente, mais de 15 anos depois, tamanho desencontro é resolvido em comédia de Gabriel Chalita, dirigida por Hudson Glauber.

Muito Louca é uma peça sobre o universo complexo das relações humanas, onde Janete (Fafy Siqueira) e Tete (Suely Franco) discutem o passado em comum e suas frustrações amorosas. Fatos cotidianos ilustram o diálogo das personagens que falam sobre seus terapeutas, as dificuldades de superarem amores passados e o medo da solidão. Nesta peça irreverente, duas grandes amigas passam a limpo suas trajetórias de vida. Entre risadas, superstições, segredos, lágrimas, farpas e picuinhas, elas relembram o passado em comum.

Trata-se de um diálogo entre duas mulheres, em momentos diferentes de suas vidas, onde fatos cotidianos ilustram problemas afetivos. Falam de seus terapeutas e das dificuldades de superarem as amarras que as fazem infelizes. Falam de seus amores e do quanto o medo da solidão faz com que mintam para si mesmas. Falam de suas famílias e das ausências que sentem. Falam da vida.

Enfim, a história de ambas leva o público a percorrer os seus próprios universos pessoais, femininos ou masculinos,  cheios de medos e carências, mas com alguma esperança. No inicio, elas ainda têm muito tempo de vida. No final da peça, acompanha-se o entardecer de suas vidas. Olhamos com elas para o que foi possível viver e para o que ficou faltando.

O autor Gabriel Chalita afirma que “Muito Louca é uma  homenagem à prosa cotidiana, ao dito e ao não dito, às verdades doloridas e aos afetos. No meio dos risos necessários às comédias e à vida, uma reflexão sobre o mais atual dos temas: a solidão”.

Janete e Tetê tem aquilo que chamamos de relação de amor e ódio, o tempo todo implicando uma com a outra, mas sempre com muito carinho. São amigas desvairadas, que com humor e ironia abordam temas delicados como amizade, amor, ciúme, solidão, dúvidas em relação ao futuro e arrependimentos em relação ao passado”, comenta o diretor Hudson Glauber.

 

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Muito Louca
Com Suely Franco e Fafy Siqueira
Teatro Raul Cortez (Rua Dr. Plínio Barreto 285 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 70 minutos
20/04 até 08/07
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 18h
$60/$80
Classificação 12 anos