MEU FILHO VAI CASAR

Com texto de Ed Júlio e direção de Alexandre Reinecke, a divertida Meu Filho Vai Casar está em cartaz no Masp Auditório até 7 de outubro, com sessões às sextas-feiras e aos sábados, às 21h, e aos domingos, às 20h. O elenco é composto por Suzy RêgoAnderson MüllerClara CarvalhoBlota FilhoMartha MeolaDaniel Tavares e Rita Batata.

A montagem é uma caricatura sobre a importância dada pela elite decadente aos sobrenomes de famílias tradicionais e a hipocrisia presente nesse meio social. Na história, que se passa na década de 1980, os falidos Herculano e Adalgiza Barroso Pimenta Leão vivem um casamento de aparências e não se suportam mais.

Quando o filho Norberto (Daniel Tavares) anuncia o casamento com Serena Urime Constantino Aribello Colonna Mannucci (Rita Batata), Herculano (Anderson Müller) e Adalgiza (Suzy Rêgo) enxergam a chance de sair do lamaceiro, pois deduzem que a menina tem uma situação abastada, já que possui cinco sobrenomes. O casal apaixonado pede aos pais do noivo para organizar um jantar para Loretta (Clara Carvalho) e Eliseu (Blota Filho), os pais da noiva, para oficializar o noivado.

Correndo contra o tempo, Adalgiza precisa encontrar uma pobre coitada disposta a assumir a identidade de uma refinada empregada europeia, capaz de preparar uma recepção refinada aos ilustres convidados (interpretada por Martha Meola). Nesse hilário encontro, em que manter as aparências é a única coisa que importa, segredos de família são revelados.

A encenação tem uma estética que faz referência ao surrealismo de Salvador Dalí e a pop art de Andy Warhol. Além disso, alguns elementos utilizados nos filmes de Tim Burton estabelecem os limites da fantasia.

Segundo o diretor Alexandre Reinecke, “o espetáculo faz uso do politicamente incorreto e da linguagem da farsa, da pantomima e dos palhaços, em cima do melodrama, para ressaltar a hipocrisia da sociedade, quase como um circo-teatro”.

CARMEN

Meu Filho Vai Casar

Com Suzy Rêgo, Anderson Müller, Clara Carvalho, Blota Filho, Martha Meola, Daniel Tavares e Rita Batata

MASP – Auditório (Avenida Paulista, 1578, Bela Vista – São Paulo)

Duração 90 minutos

03/08 até 07/10

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 20h

$50/$60

Classificação 12 anos

REFÚGIO

Sem nenhum motivo aparente pessoas começam a ir embora, sem explicações. Parecem ter sido sequestradas ou mortas, mas nada é muito claro. Uma mulher procura entender o que está acontecendo, seu marido a acompanha nesta busca. O mundo ao redor deles caminha para uma completa desestruturação, e ela mergulha cada vez mais em uma angústia sem solução onde o suspense é cada vez mais crescente.

O clima de mistério permeia o espetáculo Refúgio, de Alexandre Dal Farra, que volta em cartaz para temporada de 12 de setembro a 3 de outubro,  no Teatro Sérgio Cardoso. As sessões acontecem às terças e quartas, às 19h30. No elenco estão Marat DecartesFabiana GugliAndre Capuano Carla Zanini e Clayton Mariano.

Na trama, nada se explica completamente. A linguagem lacunar das personagens não se deve às suas características psicológicas, mas sim a uma indefinição objetiva da própria realidade. A peça flerta com o ambiente do Cinema Noir de diretores como Alfred Hitchcock e com o Teatro do Absurdo de Samuel Beckett. “Se existiu um teatro do pós-guerra, que tentava dar conta da experiência catastrófica da guerra, aqui é como se estivéssemos olhando para a possibilidade de um conflito iminente, como um ‘teatro pré-guerra’. O texto fala de um mundo que se acabou, de um momento histórico em que a esperança de um capitalismo com face humana caiu por terra”, comenta Dal Farra.

A ideia é explorar em cena duas concepções diferentes de refúgio para discutir a desestruturação simbólica do cotidiano. “Tratamos da ambiguidade entre dois sentidos da palavra refúgio: uma opção de fuga de um lugar em que não se quer/pode ficar ou como um espaço em que se fica para fugir de uma situação. É por causa desse sentido amplo que o refúgio se dá em um ambiente aparentemente cotidiano. Não se trata de uma guerra ou algo destrutivo, mas sim de uma espécie de desagregação sutil da estrutura do próprio cotidiano”, explica o autor.

Para criar esse ambiente, a iluminação e a cenografia transmitem ao espectador uma sensação de espera em um lugar entre dois mundos. “Essa casa vai diminuindo até chegar a prensar as personagens até que eles quase não caibam ali. A música também ajuda a reproduzir essa sensação de crescente claustrofobia. Os figurinos sugerem certa violência e um ambiente belicoso de maneira sutil e algo subterrânea, que tensiona as características reais das personagens, dando sinal da tensão que sustenta a peça como um todo”, acrescenta.

CARMEN (2).png

Refúgio

Com Fabiana Gugli, Marat Descartes André Capuano, Carla Zanini e Clayton Mariano

Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Magno (Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo)

Duração 75 minutos

12/09 até 03/10

Terça e Quarta – 19h30

$50

Classificação 14 anos

REFÚGIO – O MUSICAL

O espetáculo fez sua primeira temporada nos anos de 2016 e 2017 e teve retorno bastante positivo do público. Com texto autoral e músicas originais executadas ao vivo, Refúgio – O Musical conta com 8 atores e 4 músicos (piano, violino e violoncelo).

Através do cotidiano, sonhos, anseios, angústias e dificuldades de um jovem, são abordados temas pertinentes a toda sociedade como: relacionamentos, família, educação, profissão e amor. Apesar da dramaticidade, o espetáculo é leve e bem-humorado. Momentos de sensualidade estão presentes e são tratados com naturalidade e sofisticação (não há cenas de nudez explícita no espetáculo).

SINOPSE

Lucas é um rapaz obrigado a abandonar seus sonhos de estudar numa escola de artes para poder sustentar a casa, ajudar sua mãe Joyce, cuidar da sua irmã mais nova e do pai alcoólatra, trabalhando num emprego sem perspectiva alguma. Em horas livres, Lucas sai com seu melhor amigo Júnior que mora em uma parte nobre da cidade. Quando Max, irmão mais velho de Júnior, volta pra casa após uma grande desilusão, acaba encontrando Lucas e logo se interessa por seus talentos. Os dois se apaixonam perdidamente, mas Lucas não entende os próprios sentimentos e entra em confronto com suas convicções e suas emoções.

CARMEN (3).png

Refúgio – o Musical

Com Fabio Fernandes, Felipe Freitas, Fernanda Goulart, Fernando Marianno, Henrique Hadachi, Júlia Bach, Luma Gouveia, Maitê Cunha e Camila Fernanda Marques

Teatro Ruth Escobar – Sala Dina Sfat (Rua dos Ingleses, 209 – Bela Vista, São Paulo)

Duração 90 minutos

13/09 até 04/10

Quinta – 21h30

$50

Classificação 16 anos

 

A[R]MAR

É possível ter o controle no jogo da vida? Está no outro aquilo que me falta? É possível nascer uma paixão em um minuto? Como armar estratégias para chegar até o outro? Essas e outras questões norteiam A[R]MAR, o novo trabalho da Suacompanhia, livremente inspirado no conto “Manuscrito Achado Num Bolso”, do escritor argentino Julio Cortázar (1914-1984). Com dramaturgia e direção de Paulo Azevedo, a peça estreia no dia 7 de setembro no Teatro Sérgio Cardoso.

O elenco é formado por Rita Pisano e Bruno Perillo, além de uma equipe de criação com reconhecida trajetória que acumulam diversos prêmios, como APCA, Shell, Qualidade Brasil e Sharp.

A montagem explora a mesma situação do conto de Cortázar: um homem cria regras para um jogo nas estações de metrô na tentativa de encontrar a mulher de sua vida. Ao encontrá-la e perceber o risco da reciprocidade no afeto, ele expõe sua estratégia de aproximação e recua diante do amor, voltando ao início do jogo.

Os dois protagonistas – ELA e ELE – são colocados em ação em quadros simultâneos, ora em diálogo com o público, ora consigo mesmos, ora em diálogo entre si. O espectador é o único com uma visão geral da narrativa, como se observasse a cena de longe no metrô. É um cúmplice de um jogo com várias peças para montar.

A encenação extrapola a discussão sobre gênero e foca nas tentativas do ser humano de se colocar em diálogo e afeto com o outro. Os planos distintos – pensar, falar e agir – aprofundam esses dois personagens, revelando seus julgamentos, preconceitos e desejos mais íntimos, quando tornam concretas as situações imaginárias, como frestas da realidade. Esses acontecimentos ilusórios tornam a complexidade da mítica romântica amorosa uma tragédia reconhecível e bem-humorada.

A estrutura cênica é armada por meio de jogos teatrais que possibilitam múltiplas de leituras sobre a narrativa e as relações contemporâneas (para além de um jogo amoroso), sem conclusões sobre as razões que movem as personagens.

O texto me provocou a pensar a metáfora do jogo da vida com o próprio jogo da cênico, no qual se estabelece regras para nortear nossas relações, os códigos que guiam o ator para se colocar na cena para tornar algo sincero, com entrega, a cada apresentação. Essa ideia “cortaziana” de que a casualidade é o principal determinante da nossa vida e entender que viver é uma diversão, é um jogo, na qual os encontros acontecem casualmente, no meio de um lance do jogo. O próprio título do espetáculo já propõe um jogo: A[R]MAR. É possível armar estratégias para o amor? Amar é uma arma? Amar talvez seja o que há de mais político. Por isso, a política, no sentido mais amplo de um conjunto de regras ou normas de uma determinada instituição, seja o que há de mais complexo e difícil de viver”, comenta o diretor.

A casualidade é assumida como determinante da vida. Já o jogo é tido como uma metáfora para a imprevisibilidade do viver: as pessoas devem escolher suas peças de acordo com as variáveis apresentadas a cada momento. É preciso buscar o controle, o domínio dos sentidos previstos para a cena, mas contar com o caos; planejar os passos, mas deparar com a queda; afetar-se por uma vivência imprevista.

Criamos alguns disparadores para que os atores improvisassem cenas que revelassem as nossas visões sobre os temas abordados, sendo o principal deles, a tentativa de se relacionar, de ir até o outro e todo o risco que isso envolve. A dramaturgia é formada por cenas, em que cada      ‘peça’ tem como ‘motor’ um jogo (Caça x Caçador, Dança das Cadeiras, Jogo do Dicionário etc), inclusive com lacunas para que os intérpretes possam improvisar e se manter em estado de jogo a cada sessão, como numa jam session. A própria encenação    ‘brinca’ com outros elementos para que o espectador possa ir juntando as peças da história de duas pessoas, que criaram esse jogo de ‘retorno eterno’ para não se separar, rememorando tudo desde a primeira vez em que se viram num vagão de um metrô”, acrescenta Azevedo.

Além da obra de Cortázar, a encenação teve influências de trechos icônicos de filmes, como “A Dupla Vida de Veronique”, de  Krzysztof Kieslowski; “8 e ½”, de Federico Fellin; e “Brilho Eterno de Uma mente Sem Lembranças”, de Michel Gondry, que serviram para embasar alguns dos jogos entre os personagens.

CARMEN (1)

A[R]MAR

Com Rita Pisano e Bruno Perillo

Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno (Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo)

Duração 70 minutos

07/09 até 01/10

Sexta e Sábado – 19h30, Domingo – 20h, Segunda – 19h30

$40

Classificação 14 anos

MENOPAUSA, O MUSICAL

Quatro mulheres de meia-idade encontram-se no interior de uma loja de departamentos. Durante este dia, elas irão compartilhar suas experiências sobre mais um estágio na vida feminina, mas que é o pesadelo de 10 em 10 mulheres, a Menopausa.

Este fato foi transformado em musical por Jeanie Linders. Estreou em 2001 em Orlando, Florida. Por cerca de 90 minutos, acompanhamos um dia na vida de quatro personagens – a Atriz, a Hippie, a Executiva e a Dona de Casa do Interior, que, complementares, formam o quarteto disposto a lidar de forma bem-humorada com os detalhes e preciosidades de ser mulher entre os 45 e 55 anos de idade.

Durante o espetáculo são interpretadas 25 canções sobre o ‘fogacho’, o desejo por chocolate, a perda de memória, os suores noturnos e a dificuldade sexual. As letras são paródias de canções famosas como “What’s Love Got to Do With It”, “The Great Pretender”, “Stayin’ Alive“, “YMCA“, entre outras.

O musical foi um sucesso. Depois de Orlando, percorreu mais de 450 cidades nos Estados Unidos e diversos países. Está em cartaz há 12 anos na cidade de Las Vegas, atualmente no hotel cassino Harrah’s.

menopause-women.jpg

Público feminino x masculino

Seth Greenleaf, diretor e sócio da GFour Productions, que detém os direitos do musical, ao ser questionado como é a reação do público masculino estrangeiro ao espetáculo, respondeu que “incentivamos ao público feminino trazerem seus parceiros, pois é algo educativo para eles. Eles chegam meio retraídos, mas durante o espetáculo, relaxam, aproveitam, riem bastante, e ao final, nos agradecem por poderem compreender um pouco sobre o que é a Menopausa. Pelo que pude ver durante as primeiras apresentações aqui no país, vi que o mesmo aconteceu com o público masculino brasileiro.

Menopausa em terras brasileiras

A montagem do espetáculo é um sonho do produtor Cássio Reis desde 2003, quando o assistiu pela primeira vez. Cerca de 15 anos foram necessários para colocar em pé o musical. E desde 10 de agosto, “Menopausa, o Musical” está em cartaz no palco do Teatro Gazeta, com sessões de sexta a domingo.

A direção coube a Anderson Bueno, que debuta no cargo. “Assumi o papel de direção por ser atrevido e inquieto. Já tinha minha experiência com visagismo e produção, mas queria experimentar algo a mais“. Para ajudá-lo na tarefa de contar a história, ele chamou sua amiga, Maximiliana Reis. A ela, por sua experiência, coube o papel de dirigir as atrizes.

Elenco MENOPAUSA - Por Marco Máximo.jpeg

Luciana Milano, Simone Gutierrez, Alessandra Vertamatti, Bibba Chuqui e Adriana Fonseca (crédito foto – Marco Máximo)

 

O elenco feminino brasileiro

Para compor o elenco, foram convidadas cinco atrizes. Adriana Fonseca, Alessandra Vertamatti, Bibba Chuqui e Simone Gutierrez dão vida, respectivamente, à Hippie, à Dona de Casa do Interior, à Executiva, e à Atriz. Luciana Milano assume o papel de stand-in.

Oficialmente, nós temos um elenco mais jovem do que o que é montado nos outros países. Porque, no Brasil, a menopausa atinge mulheres cada vez mais jovens. Então rejuvenescer estas personagens seria importante“, afirma Bueno.

Simone Gutierrez entende esta mudança como importante, afinal “o musical foi criado há 20 anos. A mulher de 50 anos atual é bem diferente daquela do início do século XXI. Ela é uma Claudia Raia, ela faz de tudo“. Já Alessandra Vertamatti vê o espetáculo como “uma forma de deixar mais leve esse ‘tabu’. Afinal, sobre menopausa só se ouve falar sobre a parte médica, algo pesado“.

Para ajudá-las a entrar nas personagens, foi contatada a endocrinologista Elaine Dias, que presta assessoria ao musical.

Abrasileirando o musical

Para trazer o espetáculo mais próximo do público brasileiro, mudanças foram feitas em algumas personagens. A Hippie mora nos bairros italianos de São Paulo, e a Dona de Casa, saiu do interior dos Estados Unidos e veio parar em Minas Gerais.

Outra mudança necessária foi a versão das canções para o português. Isto ficou a cargo do diretor musical, Thiago Gimenes – “É importante que a prosódia e a acentuação das palavras estejam corretas, mas estou me baseando principalmente nas fonéticas. As pessoas vão ouvir as músicas com o mesmo tipo de sonoridade que ouvem em inglês, mas com palavras em português“.

A única canção brasileira que foi permitida ser incluída pela pela produção americana é o clássico das Frenéticas, “Dancing Days“, inserida no encerramento do show.

A coreografia também foi algo estudado, afinal as personagens são senhoras de meia idade, que não tem mais o vigor de quando eram jovens. Para tanto a coreógrafa Ciça Simões e sua assistente Nina Sato Pires pensaram em algo mais natural, ouvindo o que as atrizes pensaram para compor seus personagens. “A coreografia é feita para contar a história. Tem que ser natural. Lógico que alguns movimentos muito clichês tem que ficar, como forma de homenagem, como no caso de “Saturday Night Fever”. Conseguimos encontrar um equilíbrio entre fazer movimentos que ficassem bons nos corpos das atrizes e que contassem bem a história“, disse Ciça.

20180813_184928.jpg

crédito foto – Opinião de Peso

Vídeos das cenas apresentadas durante a coletiva de imprensa.

 

Menopausa, o Musical
Com Adriana Fonseca, Alessandra Vertamatti, Bibba Chuqui, Simone Gutierrez e Luciana Milano (stand in) Fafy Siqueira (em off).
Teatro Gazeta (Av. Paulista, 900 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 80 minutos
10/08 até 21/10
Sexta – 21h, Sábado – 20h, Domingo – 16h
$80
Classificação 12 anos

ADMIRÁVEL NINO NOVO

Ator e diretor de teatro, Cassio Scapin coleciona mais de 60 diferentes personagens em seu currículo, entre teatro, TV e cinema, dos mais variados tipos, como Ary Barroso, Jânio Quadros, Santos Dummont, Miriam Muniz na peça Eu não dava praquilo, Olavo Bilac, Brás Cubas na peça Memórias Póstumas, Urbano Madureira no Sítio do Pica Pau Amarelo, até um traficante chinês além dos vários personagens da peça O Mistérios de Irma Vap, entre tantos outros. Já recebeu 4 indicações ao Prêmio Shell, ganhando 1, e 4 indicações ao Prêmio APCA, ganhando 2. Além de ganhar também os prêmios Mambembe de teatro infantil, Arte Qualidade Brasil, Governador do Estado e 4 APETESP.

Para comemorar seus 36 anos de carreira, Cassio trouxe de volta aos palcos uma de suas mais importantes criações, depois de 20 anos sem interpretá-lo. O mais conhecido e querido personagem, do já legendário Castelo Rá Tim Bum, está de volta numa sensacional aventura inédita, com texto e direção de Mauricio Guilherme e produção de Rodrigo Velloni.

Numa arrojada iniciativa e acompanhado apenas do invisível Espírito da Aventura (na voz de Ney Matogrosso), o aprendiz de feiticeiro deixa o Castelo para cair na estrada e assim descobrir o sentido e a sensação do que é uma verdadeira aventura.

Como escolher para onde ir? Como se guiar? Que roupas levar? Com que meio de transporte? São tantas as perguntas para responder. E as possibilidades também. Sendo então nosso protagonista um jovem mágico, estas possibilidades se multiplicam em inúmeras outras.

Seja numa noite estrelada, num deserto escaldante, no alto do Monte Everest, no espaço sideral e até no fundo do mar, entre muitos outros lugares, explorar o desconhecido é o lema dessa viagem. Através de um novo olhar, Nino vai descobrindo o que é diferente no mundo e o que também pode vir a ser. Uma lição básica para todos que embarcam numa nova jornada, como a dele.

A montagem mostra um jeito completamente novo de reencontrar um velho amigo através de projeções arrojadas, truques cênicos, trilha especialmente composta e a presença do talento único de Cássio Scapin, o Nino original da série da TV Cultura que foi ao ar a partir de 1994, com inúmeras reprises até o dia de hoje, sendo considerado um dos melhores produtos audiovisuais da história da televisão brasileira.

Nino, o eterno menino de 300 anos, convida a todos para este reencontro nos palcos do Teatro das Artes. Crianças, jovens e (claro!) adultos também.

CARMEN.png

Admirável Nino Novo

Com Cassio Scapin e Ney Matogrosso (off)

Teatro Sérgio Cardoso – Sala Sérgio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153. Bela Vista, São Paulo)

Duração 60 minutos

18/08 até 14/10

Sábado e Domingo – 12h

 

$30

Classificação Livre

**Atenção: Sessões extras nos feriados dos dias 07 de Setembro e 12 de Outubro, às 12h**

A VISITA DA VELHA SENHORA

Encenar a Visita depois de A Alma Boa e Galileu é quase como finalizar uma trilogia” – diz Denise Fraga.  “A trilogia de nosso eterno dilema entre a ética e o ganha pão.”

Em A Alma Boa de Setsuan, de Bertolt Brecht, espetáculo visto por mais de 220.000 pessoas, entre os anos de 2008 e 2010, a personagem principal perguntava: Como posso ser boa se eu tenho que pagar o aluguel? Como posso ser bom e sobreviver no mundo competitivo em que vivemos?

Em Galileu Galilei, também de Brecht, espetáculo que esteve um ano e oito meses em cartaz e foi visto por mais de 140.000 pessoas, o tema é revisitado: Como posso ser fiel ao que penso sem sucumbir ao poder econômico e político vigente? Como manter meus ideais comprando meu vinho bom?

Agora chega A Visita da Velha Senhora, nova parceria e patrocínio do Banco Bradesco, com 13 atores em cena, em que Friedrich Dürrenmatt expõe a fragilidade de nossos valores morais e de nossa noção de justiça quando a palavra é dinheiro. A protagonista da peça é quase a encarnação mítica do poder material, a milionária Claire Zachanassian, vivida por Denise Fraga, que com seu bilhão põe em xeque a cidade de Güllen.

O enredo é aparentemente simples. Os cidadãos de Güllen, uma cidade arruinada, esperam ansiosos a chegada da milionária que prometeu salvá-los da falência. No jantar de boas-vindas, Claire Zachanassian impõe a condição: doará um bilhão à cidade se alguém matar Alfred Krank, o homem por quem foi apaixonada na juventude e que a abandonou grávida por um casamento de interesse. Ouve-se um clamor de indignação e todos rejeitam a absurda proposta.  Claire, então, decide esperar, hospedando-se com seu séquito no hotel da cidade.

A partir dessa premissa, o suiço Friedrich Dürrenmatt nos premia com uma obra-prima da dramaturgia, construindo uma rede de cenas que se entrelaçam, cheias de humor e ironia, um desfile de personagens humanos e reconhecíveis que pouco a pouco, vão escancarando a nossa fragilidade diante do grande regente de nossas vidas: o dinheiro. Quem mata Krank?  Cairá Güllen na tentação de satisfazer o desejo de vingança da milionária?  Ou fará justiça?  O que é fazer justiça?  Até que ponto a linha ética se molda ao poder dinheiro?

Dürrenmatt caracteriza A Visita da Velha Senhora como uma comédia trágica e com seu humor cáustico nos pergunta: Até onde nos vendemos para poder comprar? Como o poder e o dinheiro vão descaracterizando os nossos ideais?   Por outro lado, quanto nos custa a não submissão?  O texto se desenrola abrindo ainda outros ramos de reflexão.  Dürrenmatt era completamente obcecado pela questão da justiça e as sutilezas de suas fronteiras. O que é justo? O que significa justiça em nossos tempos? Até que ponto o valor moral da justiça se adequa ao poder?  Reconhecível no Brasil nos dias de hoje? A Visita da Velha Senhora expõe questões que sempre estiveram em pauta na história da humanidade, mas que caem como uma luva em nossos tão tristes tempos.

Acredito no poder de transformação pela arte. Na formação do indivíduo pela arte. O teatro como espelho do mundo, nos fazendo rir para nos reconhecer, dando voz a nossa angústia, dando palavras àquilo que pensamos e não sabemos dizer. O humor e a poesia nos ajudando a elaborar o pensamento para agir, para transformar, para viver criativamente, para por a mão da massa da nossa história”, afirma Denise Fraga. “Depois de dois anos e meio de A Alma Boa de Setsuan, de Bertolt Brecht, e um ano e meio de Galileu Galilei, do mesmo gênio alemão, sou mais uma vez surpreendida pela potente atualidade de um clássico. Não foi por acaso que cheguei a Dürrenmatt. Foi discípulo, bebeu em Brecht. Lá está o mesmo fino humor, a mesma ironia e teatralidade. Dürrenmatt também se faz valer do entretenimento para arrebatar o público para a reflexão”.

É natural finalizar tal “trilogia” com a obra máxima de Dürrenmatt. Como Brecht, Dürrenmatt é mestre em dissecar as relações de poder e os conflitos morais em suas obras, em questionar o papel do herói e a sua necessidade para uma sociedade justa, em fazer uso do humor para gerar reflexão. Nas três peças: Alma Boa, Galileu Galilei e A Visita da Velha Senhora, tudo isso está explícito. A diferença é que Brecht prefere desconstruir as ilusões de que nos alimentamos e propor uma possível transformação, enquanto Dürrenmatt as mantém vivas e ri delas por serem apenas isso: ilusões, enganos pelos quais lutamos e sempre lutaremos.

CARMEN.png

A Visita da Velha Senhora

Com Denise Fraga, Tuca Andrada, Fábio Herford, Romis Ferreira, Eduardo Estrela, Maristela Chelala, Renato Caldas, Beto Matos, David Taiyu, Luiz Ramalho, Fernando Neves, Fábio Nassar e Rafael Faustino

Teatro Sergio Cardoso – Sala Sérgio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153. Bela Vista, São Paulo)

Duração 120 minutos

03/08 até 30/09

Sexta – 21h, Sábado – 17h e 21h, Domingo – 18h

$40/$80

Classificação 14 anos

*Todas as sessões de agosto às 17h terão disponíveis: áudio descrição e intérprete em libras*