BELCHIOR: ANO PASSADO EU MORRI, MAS ESSE ANO EU NÃO MORRO

O musical Belchior: Ano Passado Eu Morri, Mas Esse Ano eu Não Morro, conta um pouco da vida, da obra e dos pensamentos do cantor e compositor cearense, através de uma dramaturgia formada por trechos de entrevistas com o próprio cantor.

Um dos roteiristas e diretor do espetáculo Pedro Cadore, conta um pouco sobre o processo de desenvolvimento do musical:

Belchior me surgiu com força no segundo semestre do ano passado, época das eleições, onde tudo parecia estar perdido e de repente me veio o compositor/poeta falando sobre amor, medo, esperança, valorização da arte e tempos novos. A partir daí eu e a Claudia Pinto decidimos fazer uma organização de textos de suas entrevistas de tv, rádio e jornais. O intuito é passar muito mais que uma biografia, mas reviver um show de Belchior transmitindo toda sua filosofia e atmosfera. Belchior mesmo dizia que o trabalho do artista importa mais que o significado particular da sua vida. Então, entremeado a muita poesia e indignações, a peça conta a juventude do cantor cearense a partir do Cidadão Comum, personagem recorrente de suas canções e de alguma maneira seu álter ego”.

Após abandonar o mosteiro na Serra de Guaramiranga e a faculdade de medicina em Fortaleza, Belchior decidiu ir para o sudeste viver do seu sonho: a música. Seu primeiro destino foi São Paulo e acabou escolhendo a cidade para morar durante boa parte de sua vida. Então estar nessa grande metrópole sempre foi um desejo especial em nossa caminhada teatral em reconstituir os passos do cantor cearense. Além das coincidências da vida, São Paulo é a capital do teatro e possui um público que valoriza muito as artes. Tenho certeza que todos vão se emocionar com as palavras deste poeta que versava sobre a transformação da sociedade por meio da arte e principalmente na força do amor”, confia o diretor Pedro Cadore.

O ator e cantor Pablo Paleologo que dá vida ao cantor cearense explica que é uma responsabilidade muito grande interpretá-lo em cena! Belchior tinha muita coisa pra dizer e muita coisa que precisa ser ouvida hoje em dia. E isso em canções de 1974, 1977… canções que, infelizmente, ainda são bastante atuais. Eu fico bem feliz de poder ser um tipo de “porta-voz” dele nos dias atuais, até porque acredito que pensamos de forma muito parecida e acredito que a música tem um jeito de fazer com que as pessoas ouçam o que precisa ser dito com mais ternura, mais clareza. E Belchior fazia isso como ninguém.  Belchior foi um cara extremamente enigmático, apaixonante, único!  O Brasil é um país de memória curta. E acho que esse espetáculo tenta mudar isso um pouco. É preciso manter viva a lembrança das coisas ruins que aconteceram para que elas não voltem a acontecer. E é preciso mantermos viva a memória dos grandes artistas que passaram pela história da nossa música. Belchior não vai morrer nunca”.

O ator Bruno Suzano que interpreta o Cidadão Comum, personagem recorrente nas canções de Belchior e de alguma forma seu alter ego comenta seu personagem: “Infelizmente moramos no país que tem um dos maiores índices de desigualdade do mundo. Dependendo do seu status, da sua roupa, do seu tom de pele, suas oportunidades vão aparecendo ou sumindo de vez. O Cidadão Comum é esse, que pela infelicidade do destino não pôde sonhar com um lugar além do seu trabalho rotineiro”.

Acompanhando os dois atores, o musical conta também com a participação de uma banda ao vivo com seis músicos – Dudu Dias (baixo), Cacá Franklin (percussão), Emília B. Rodrigues (bateria), Mônica Ávila (sax/flauta), Nelsinho Freitas (teclado), Rico Farias (violão/guitarra) – que apresentam 15 músicas ao vivo.

No repertório sucessos como: ‘Alucinação’, ‘Apenas Um Rapaz Latino Americano’, ‘A Palo Seco’, ‘Na Hora do Almoço’, ‘Todo Sujo de Batom’, ‘Coração Selvagem’, ‘Medo de Avião’, ‘Mucuripe’, ‘Conheço o Meu Lugar’, ‘Como Nossos Pais’, ‘Populus’, ‘Paralelas’, ‘Velha Roupa Colorida’, ‘Sujeito de Sorte’ e ‘Galos, Noites e Quintais’.

“BELCHIOR: Ano Passado Eu Morri, Mas Esse Ano Eu Não Morro” marca o resgate de Antonio Carlos Belchior, trazendo a tona seu discurso ainda atual em relação a política brasileira. O cantor acreditava na força do amor e na potência transformadora da arte na vida das pessoas. Diante de um cenário repleto de medo e inseguranças sobre o futuro do país, a voz desse belíssimo poeta se faz necessária para pensarmos um mundo igualitário.

O musical conta com a direção de Pedro Cadore, que também assina o roteiro ao lado de Cláudia Pinto. Mais do que sua biografia, o musical pretende mostrar ao espectador a filosofia de um dos ícones mais misteriosos da Música Popular Brasileira.

Depois de São Paulo, o musical passa por Fortaleza (CE), Mossoró (RN), Rio de Janeiro (RJ) e Curitiba (PR).

Belchior: Ano Passado Eu Morri, Mas Esse Ano Eu Não Morro

Com Pablo Paleologo, Bruno Suzano e banda

Teatro Liberdade (R. São Joaquim, 129 – Liberdade, São Paulo)

Duração 70 minutos

20 e 22/09

Sexta – 21h, Domingo – 20h

$30/$40

Classificação 12 anos