GALO ÍNDIO

Espetáculo solo de Rodolfo Amorim, do Grupo XIX de Teatro, com a direção de Antônio JanuzelliGalo Índio ganha temporada na Vila Maria Zéliade 13 de outubro a  11 de novembro, com sessões aos sábados, 20h e domingo, às 19h.

O solo mostra um órfão, que tenta retratar o seu pai ausente a partir de poucos fragmentos que se alojaram em sua memória. Na busca pelos contornos desse pai, sua própria infância emerge de sua memória e demonstra o quanto esse vazio foi determinante na construção da sua forma de ver e interagir com a vida. Um encontro entre pai e filho. Entre um adulto e sua criança.

Galo Índio remonta as lembranças do ator e autor Rodolfo Amorim em relação a morte de seu pai e o silêncio criado em torno desse fato na sua infância em Sorocaba. O ator  pesquisou sobre a memória e as possibilidades de exploração da multiplicidade e transformações de uma narrativa. Entrevistas, relatos de pessoas próximas desse acontecimento e documentos, foram os materiais provocadores na construção desse retrato.

Nesse jogo de rememoração, incomoda mais ao órfão sua necessidade de pensar o pai, feita de dificuldades, imprecisões e faltas, do que propriamente a morte em si. Sua forma de enterrar o pai e compreender sua partida é desvelar as palavras que o encobrem. Assim, na tentativa de traduzi-lo, o confessor nos leva ao mundo invisível de sua história: à medida que precisa aliviar o fardo de sua criança e desse pai.

Pensamos um procedimento que investigue e discuta não só o ato de estar só em cena, mas sobretudo, de utilizar a própria história do ator/narrador, em seus limites de interprete e confessor. Fazendo da fricção entre um fragmento do real e o imaginado, um meio de encontrar ecos com o público em sua materialidade cênica,” explica Rodolfo Amorim.

Em uma trajetória pelo passado com ecos no presente, a peça reconstitui a personalidade de um pai conservado e inventado no silêncio dos anos. A busca de detalhes para esse retrato, somada à dificuldade de traduzir em palavras as lembranças que restam de alguém que se foi, resulta nessa peça autobiográfica sobre a perda de um pai, conectada com as atuais formas de autorrepresentação e autoficcionalização.

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Galo Índio

Com Rodolfo Amorim

Vila Maria Zélia (Rua Mário Costa 13 – entre as ruas Cachoeira e dos Prazeres – Belém, São Paulo)

Duração 60 minutos

13/10 até 11/11

Sábado – 20h, Domingo – 19h

$40

Classificação 14 anos

“REMOSTRA” NA VILA MARIA ZÉLIA

A partir de 30 de setembro, o Grupo XIX de Teatro volta a apresentar as cinco peças criadas nas oficinas ministradas pelos integrantes do grupo entre fevereiro e julho, durante seu Núcleo de Pesquisas 2017.

A programação chamada Remostra traz A Palavra e o Abismo, com direção de Luiz Fernando Marques (dias 30 de setembro e 1º de outubro), In Cômodos, com direção de Juliana Sanches (também nos dias 30 de setembro e 1º de outubro), Plantar Cavalos Para Colher Sementes, com direção de Ronaldo Serruya (dias 7, 8 e 9 de outubro), Invenção Do Eu, com direção deRodolfo Amorim (dias 14 e 15 de outubro) e Feminino Abjeto, com direção de Janaina Leite (dias 4 e 5 de novembro). As sessões acontecem na Vila Maria Zélia, com ingressos pague quanto puder.

Os núcleos são coletivos formados a partir de seleções – que já chegaram a atingir o número de 600 inscritos-, que ao longo do ano e sob a orientação dos artistas do Grupo XIX de Teatro, desenvolvem pesquisas nas áreas de atuação, direção, dramaturgia, corpo e direção de arte. No total mais de mil artistas já participaram destas atividades e delas surgiram novos coletivos teatrais.

Programação dos espetáculos:

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A PALAVRA E O ABISMO

Dias 30 de setembro e 1º de outubro – Sábado e domingo às 16h.

Com orientação de Luiz Fernando Marques a partir do texto Destinos, de Paulo Emílio Salles Gomes (escrito e encenado na Vila Maria Zélia em 1936), o núcleo desenvolveu uma pesquisa que une esta dramaturgia pré-elaborada com uma dinâmica de improviso. No texto duas/dois e irmãs/irmãos discordam das questões políticas e comportamentais de seu tempo, aflitos com as escolhas, próprias e do outro,  influenciando em seus destinos.  No experimento, atrizes, atores e público se divertem entre a palavra e o abismo.

Ficha técnica:

Direção: Luiz Fernando Marques. Co-direção: Paulo Arcuri. Participantes: Alexandre Quintas, Ayiosha Avellar, Carlin Franco, Carlitos Tostes, Carol Kern, Eduardo Pires, Fernanda Stein, Joana Pegorari, Larissa Morais, Leticia Tavares, Luiz Rodrigues, Priscila Jácomo, Mariana Cordeiro Serra, Mariel Fernandes e Tatiana Vinhais. Duração: 70 minutos. Classificação etária: 16 anos. Capacidade: 24 lugares.

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In Cômodos_Mostra Núcleos de Pesquisa 2017_Foto Jonatas Marques_541.jpg

IN CÔMODOS

Dias 30 de setembro e 1º de outubro  – Sábado às 19h e domingo às 20h.

Com orientação de Juliana Sanches o núcleo foi estimulado por obras de Virginia Woolf, Clarice Lispector, Susan Sontag e em escritos das próprias artistas criadoras. O experimento apresenta uma casa e suas moradoras. As paredes que limitam o espaço, o chão que as suporta e acolhe, as divisões que são impostas, e uma busca constante em ser, só ser.

 Ficha técnica:

Direção: Juliana Sanches. Assistência de direção: Evelyn Klein. Colaboradora do processo: Lucimar De Santana. Artistas criadoras: Bruna Iksalara, Camila Ferreira, Carol Andrade, Carol Gierwiatowski, Carol Vidotti, Carol Pitzer, Carolina Catelan, Caru Ramos, Elisete Santos, Ericka Leal, Gabi Gomes, Gabriela Segato, Giovana Siqueira, Ju Terra, Lidi Seabra, Natália Martins, Natasha Sonna, Patrícia Faria, Rita Damasceno, Samara Lacerda, Thaís Peixoto, Victoria Moliterno e Vivian Valente. Classificação: 16 anos. Duração: 70 minutos. Capacidade: 60 lugares.

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Plantar Cavalos e Colher Sementes_Mostra Núcleos de Pesquisa 2017_Foto Jonatas Marques_19.jpg

 

PLANTAR CAVALOS PARA COLHER SEMENTES

Dias 7, 8 e 9 de outubro – Sábado e domingo às 19h e segunda-feira às 20h.

Orientado por Ronaldo Serruya a performance é livremente inspirada no manifesto Falo Por Minha Diferença do ativista chileno Pedro Lemebel.  A ideia é criar uma peça-manifesto onde cada artista traduz em cena seu lugar de fala, revelando a vivência como algo que se inscreve no corpo e na carne, a experiência como discurso.

Ficha técnica:

Direção: Ronaldo Serruya. Assistência de direção: Bruno Canabarro. Participantes: Ailton Barros, Ana Vitória Prudente, Bruno Canabarro, Camila Couto, Carlos Jordão, Cristina Maluli, Gabi Costa, Gil Gobbato, Hebert Luz, Isabela Marioti, Jonathan Moreira, Mateus Menezes, Mayra Bertazzoni, Patrícia Cretti, Tatiana Ribeiro, Thaís Sanches Thiago Félix e Tomás Decina. Duração: 80 minutos. Classificação etária: 18 anos. Capacidade: 45 lugares.

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Invenção do Eu_Mostra Núcleos de Pesquisa 2017_Foto Jonatas Marques_179.jpg

INVENÇÃO DO EU

Dias 14 e 15 de outubro – Sábado e domingo às 20h.

Necessário fazer inscrição prévia pelo Facebook.com/grupoxixdeteatro.

Com orientação de Rodolfo Amorim a proposta do núcleo foi a investigação em torno da ideia de um “eu” e de que como este pode ser revelado e/ou inventado a partir de nossas memórias. Por meio de questionários, observações, imersões, breves narrativas, entre outras experimentações, o grupo buscou desnudar-se e abrir-se para o contato com o outro, como um caminho para revelar-se a si mesmo.

O grupo formulou algumas estratégias para criar dispositivos cênicos que anseiam por fazer com que o público vivencie algumas dessas experiências e atue neste rito de descobrir e inventar quem é ou o que é este “eu” que nos define.

Ficha técnica:

Direção: Rodolfo Amorim. Participantes: Alberto Magno, Bruno Rocha, Camila Spinola, Érica Arnaldo, Fernanda Möller, Iago Índio do Brasil, Jean Le Guévellou, Julia Diniz, Kaline Barboza, Leo Braz, Manuel Fabrício, Marcella Piccin, Paula Medeiros, Paulo Maeda e Rafael Theophilo. Duração: 60 minutos. Classificação etária: 14 anos. Capacidade: Reduzida. Necessário fazer inscrição pelo Facebook.com/grupoxixdeteatro

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Feminino Abjeto_Mostra Núcleos de Pesquisa 2017_Foto Jonatas Marques_634.jpg

FEMININO ABJETO

Dias 4 e 5 de novembro – Sábado às 20h e domingo às 19h.

Com orientação de Janaina Leite, o núcleo se apoiou sobre a obra da artista espanhola Angélica Liddell e sobre o conceito de “abjeção” proposto por Julia Kristeva para investigar as representações do feminino hoje. Para essa abertura de processo, o grupo trabalhou a partir de quatro disparadores tomados de obras de Liddell: Minha Relação com a ComidaFuck You Mother,Eu Não Sou Bonita e O Que Farei Com Essa Espada?

Ficha técnica:

Direção: Janaina Leite. Assitência de direção: Tatiana Caltabiano. Dramaturgismo: Tatiana Ribeiro. Performers: Ana Laís Azanha, Bruna Betito, Cibele Bissoli, Débora Rebecchi, Emilene Gutierrez, Florido,  Gilka Verana, Juliana Piesco, Letícia Bassit, Maíra Maciel, Olívia Lagua, Ramilla Souza e Sol Faganello. Duração: 90 minutos. Classificação etária: 18 anos. Capacidade: 55 lugares.

 

Vila Maria Zélia (Rua Mário Costa 13 – Belém, São Paulo)
Acesso para deficientes físicos.
Bilheteria – Abre 1 hora antes de cada espetáculo exceto para
Invenção Do Eu que é necessário fazer inscrição prévia.
Estacionamento: gratuito.

 

NÚCLEO DE PESQUISAS 2017 – GRUPO XIX DE TEATRO

Como parte das ações para manutenção do trabalho e pesquisa do novo projeto, o Grupo XIX de Teatro promove abertura de processos do Núcleo de Pesquisas 2017. A programação com cinco peças inéditas acontece de 29 de Julho a 12 de setembro na,Vila Maria Zélia, com entrada gratuita.

Feminino Abjeto (direção de Janaina Leite), In Cômodos (direção de Juliana Sanches), Plantar Cavalos Para Colher Sementes(direção de Ronaldo Serruya), Invenção Do Eu (direção de Rodolfo Amorim) e A Palavra e o Abismo (direção de Luiz Fernando Marques) são resultado das oficinas ministradas pelos integrantes do grupo entre fevereiro e julho de 2017.

Os núcleos são coletivos formados a partir de seleções – que já chegaram a atingir o número de 600 inscritos-, que ao longo do ano e sob a orientação dos artistas do Grupo XIX de Teatro, desenvolvem pesquisas nas áreas de atuação, direção, dramaturgia, corpo e direção de arte. No total mais de mil artistas já participaram destas atividades e delas surgiram novos coletivos teatrais.

Desde 2005, o Grupo XIX de Teatro desenvolve projeto de oficinas gratuitas de longa duração que tem como objetivo o intercâmbio entre artistas de diversas formações, assim como estudantes de artes, e interessados em vivenciar uma experiência artística.

Programação dos espetáculos:

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FEMININO ABJETO

De 29 de julho a 6 de agosto – Sábados às 20h e domingos às 19h.

Com orientação de Janaina Leite, o núcleo se apoiou sobre a obra da artista espanhola Angélica Liddell e sobre o conceito de “abjeção” proposto por Julia Kristeva para investigar as representações do feminino hoje. Para essa abertura de processo, o grupo trabalhou a partir de quatro disparadores tomados de obras de Liddell: Minha Relação com a ComidaFuck You Mother,Eu Não Sou Bonita e O Que Farei Com Essa Espada?

Ficha técnica:

Direção: Janaina Leite. Assitência de direção: Tatiana Caltabiano. Dramaturgismo: Tatiana Ribeiro. Atrizes/performers/autoras: Ana Laís Azanha, Bruna Betito, Cibele Bissoli, Débora Rebecchi, Emilene Gutierrez, Florido,  Gilka Verana, Juliana Piesco, Letícia Bassit, Maíra Maciel, Olívia Lagua, Ramilla Souza e Sol Faganello. Duração: 80 minutos. Classificação etária: 18 anos.

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A Palavra e o Abismo_Mostra Núcleos de Pesquisa do Grupo XIX de Teatro 2017_Foto Jonatas Marques_52

A PALAVRA E O ABISMO

De 12 a 20 de agosto – Sábados e domingo às 16h.

Com orientação de Luiz Fernando Marques a partir do texto Destinos, de Paulo Emílio Salles Gomes (escrito e encenado na Vila Maria Zélia em 1936), o núcleo desenvolveu uma pesquisa que une esta dramaturgia pré-elaborada com uma dinâmica de improviso. No texto duas/dois e irmãs/irmãos discordam das questões políticas e comportamentais de seu tempo, aflitos com as escolhas, próprias e do outro,  influenciando em seus destinos.  No experimento, atrizes, atores e público se divertem entre a palavra e o abismo.

Ficha técnica:

Direção: Luiz Fernando Marques. Co-direção: Paulo Arcuri. Participantes: Alexandre Quintas, Ayiosha Avellar, Carlin Franco, Carlitos Tostes, Carol Kern, Eduardo Pires, Fernanda Stein, Joana Pegorari, Larissa Morais, Leticia Tavares, Luiz Rodrigues, Priscila Jácomo, Mariana Cordeiro Serra, Mariel Fernandes e Tatiana Vinhais. Duração: 70 minutos. Classificação etária: 16 anos.

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Invenção do Eu_Foto Jonatas Marques

INVENÇÃO DO EU

De 22 de agosto a 12 de setembro – Terças-feiras às 15h e 16h.

Com orientação de Rodolfo Amorim a proposta do núcleo foi a investigação em torno da ideia de um “eu” e de que como este pode ser revelado e/ou inventado a partir de nossas memórias. Por meio de questionários, observações, imersões, breves narrativas, entre outras experimentações, o grupo buscou desnudar-se e abrir-se para o contato com o outro, como um caminho para revelar-se a si mesmo.

O grupo formulou algumas estratégias para criar dispositivos cênicos que anseiam por fazer com que o público vivencie algumas dessas experiências e atue neste rito de descobrir e inventar quem é ou o que é este “eu” que nos define.

Ficha técnica:

Direção: Rodolfo Amorim. Participantes: Alberto Magno, Bruno Rocha, Camila Spinola, Érica Arnaldo, Fernanda Möller, Iago Índio do Brasil, Jean Le Guévellou, Julia Diniz, Kaline Barboza, Leo Braz, Manuel Fabrício, Marcella Piccin, Paula Medeiros, Paulo Maeda e Rafael Theophilo. Duração: 60 minutos. Classificação etária: 14 anos.

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Plantar cavalos para colher sementes_Mostra Núcleos de Pesquisa do Grupo XIX de Teatro 2017_Foto Jonatas Marques_289

PLANTAR CAVALOS PARA COLHER SEMENTES

De 24 a 28 de agosto – Quinta, sexta, sábado e segunda-feira às 21h e domingo às 20h.

Orientado por Ronaldo Serruya a performance é livremente inspirada no manifesto Falo Por Minha Diferença do ativista chileno Pedro Lemebel.  A ideia é criar uma peça-manifesto onde cada artista traduz em cena seu lugar de fala, revelando a vivência como algo que se inscreve no corpo e na carne, a experiência como discurso.

Ficha técnica:

Direção: Ronaldo Serruya. Assistência de direção: Bruno Canabarro. Participantes: Ailton Barros, Ana Vitória Prudente, Bruno Canabarro, Bruno Piva, Camila Couto, Carlos Jordão, Cristina Maluli, Gabi Costa, Gil Gobbato, Hebert Luz, Isabela Marioti, Jonathan Moreira, Lua Lucas, Mateus Menezes, Mayra Bertazzoni, Patrícia Cretti, Tatiana Ribeiro, Thaís Sanches Thiago Félix e Tomás Decina. Duração: 80 minutos. Classificação etária: 18 anos.

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In Cômodos_Mostra Núcleos de Pesquisa do Grupo XIX de Teatro 2017_Foto Jonatas Marques_59

IN CÔMODOS

De 26 de agosto a 3 de setembro – Sábados às 19h e domingos às 15h.

Com orientação de Juliana Sanches o núcleo foi estimulado por obras de Virginia Woolf, Clarice Lispector, Susan Sontag e em escritos das próprias artistas criadoras. O experimento apresenta uma casa e suas moradoras. As paredes que limitam o espaço, o chão que as suporta e acolhe, as divisões que são impostas, e uma busca constante em ser, só ser.

Ficha técnica:

Direção: Juliana Sanches. Assistência de direção: Evelyn Klein. Colaboradora do processo: Lucimar De Santana. Artistas criadoras: Bruna Iksalara, Camila Ferreira, Carol Andrade, Carol Gierwiatowski, Carol Vidotti, Carol Pitzer, Carolina Catelan, Caru Ramos, Elisete Santos, Ericka Leal, Gabi Gomes, Gabriela Segato, Giovana Siqueira, Ju Terra, Lidi Seabra, Natália Martins, Natasha Sonna, Patrícia Faria, Rita Damasceno, Samara Lacerda, Thaís Peixoto, Victoria Moliterno e Vivian Valente. Duração: 70 minutos. Classificação etária: 16 anos.

Vila Maria Zélia – Rua Mário Costa 13 (Entre as ruas Cachoeira e dos Prazeres) – Belém.

RÚTILO NADA

O espetáculo “Rútilo Nada” é livremente inspirado na novela homônima de Hilda Hilst, escrita em 1993. Encenado pelo recém formado grupo Les Enfant Amadores, e dirigido por Ronaldo Serruya, a obra é um mergulho na memória de Lucius Kod, que se apaixona pelo namorado da filha. Os deslocamentos das paixões, as linhas tênues entre vida e morte, violência e prazer são exploradas pela escrita caudalosa de uma das maiores escritoras brasileiras.

A ideia foi tentar fazer os atores se apropriarem dessa linguagem poética, mas ao mesmo tempo bastante carnal da obra hilstiana. Trabalhamos muito no sentido de disponibilizar os corpos para toda essa corporeidade que a Hilda propõe, sobretudo neste texto”, fala Ronaldo Serruya, que também assina a dramaturgia do espetáculo.

O Les Enfant Amadores foi um coletivo que se formou a partir de um dos Núcleos de Pesquisas oferecido pelo Grupo XIX desde 2006 na Vila Maria Zélia, Belém/SP. O coletivo se encontrou em um desses núcleos que se propõs exatamente estudar a obra de Hilda, em caráter de work in progress. Após o término do núcleo, resolveram dar continuidade ao trabalho e foram contemplados com o prêmio do edital ProAc Primeiras Obras oferecido pela Secretaria do Estado de Cultura em 2016.

Este espetáculo é resultado do projeto contemplado “Poemas Sobre Muros” que, além da temporada de apresentações na sede do Grupo XIX de Teatro, propõe um ensaio aberto que será realizado no dia 24 de novembro, às 20h, no mesmo local. E após esta temporada, o grupo, em parceria com o Instituto Hilda Hilst – Casa do Sol de Campinas/SP, realizará mais duas apresentações e uma oficina “A família é mudo desvario”, ministrada pelo diretor Ronaldo Serruya. As datas dessas apresentações e oficina em Campinas serão divulgadas previamente na página oficial do espetáculo no facebook.

Rútilo Nada
Com: Bruna Betito, Bruno Canabarro, Carlos Jordão, Gabriel Castro, Lilian Wiziack, Lucas Dantas, Omar Assais, Raquel Schaedler e Tatiana Ribeiro
Vila Maria Zélia (Rua Mário Costa, 13 – Belém, São Paulo)
Duração 50 minutos
26/11 até 12/12
Sábado, Domingo e Segunda – 20h
(ensaio aberto 24/11 – quinta, 20h; 25/11 – sexta, 20h)
Entrada gratuita (reservas e contato – reserva.rutilo@gmail.com)
Classificação 18 anos
 
A partir da obra de Hilda Hilst
Direção e adaptação: Ronaldo Serruya
Produção: Bruno Canabarro e Lilian Wiziack
Fotografias: Hélio Beltrânio e Camila Bianchi
Realização: Les Enfant Amadores
Espetáculo realizado através do ProAc Primeiras Obras da Secretária de Cultura do estado de São Paulo.

 

NATURALEZA MUERTA

Inspirado no prólogo do livro Gracias Por El Fuego, do uruguaio Mario Benedetti (1920-2009), o espetáculo Naturaleza Muerta chega ao fim de temporada no dia 30 de outubro, com mais 2 apresentações, sábado e domingo, às 20h.

Com direção de Rodolfo Amorim (do Grupo XIX de Teatro) o elenco é formado por Gabi Costa, Juliana Sanches, Maria Carolina Dressler e Tatiana Ribeiro, que também assina o texto. As sessões acontecem no Armazém, do Grupo XIX de Teatro, na Vila Maria Zélia, com ingressos gratuitos. É possível fazer reservas pelo e-mail reservas.naturaleza@gmail.com.

Ambientada em um restaurante fora do país, quatro mulheres se encontram enclausuradas em um local decadente sem que se saiba por qual motivo, simplesmente não saem pela porta da frente. Na obra de Benedetti, quinze uruguaios, parte deles desconhecidos entre si, jantam num restaurante latino na 5ª Avenida, em Nova York. Enquanto conversam, valorizam a cultura europeia e norte-americana sempre aliada em detrimento da sua própria cultura e de seus desconhecidos vizinhos latinos.

Em Naturaleza Muerta, as mulheres estão resignadas, padronizadas, vestem roupas com as mesmas cores, convivem normalmente com insetos e animais rastejantes, alimentam-se da mesma comida, leem o mesmo livro, embora não entendam o sentido do enredo. Durante a peça, as atrizes cozinham e comem um puchero, ensopado tradicional de vários países latinos onde os ingredientes são cozidos juntos, e com temperos, numa mesma panela.

A plateia é acomodada como se fizesse parte do ambiente. “Convidamos o público a dividir a mesa. O histórico resumido e aleatório de cada personagem é servido aos poucos, em meio a tentativas de diálogos para evitar o constrangimento do silêncio diante de um desconhecido. Nesse jantar dançante de gosto duvidoso, percebemos nossas identidades definidas ou condicionadas por padrões e comportamentos que pouco parecem nos pertencer, mas que, ainda assim, definem nosso modo de interagir com a vida”, explica o diretor Rodolfo Amorim.

A dramaturga e atriz Tatiana Ribeiro ressalta que “a falta de reconhecimento da sua própria história perpetua ideias conservadoras, apresentando um povo que se mantém atrasado nas questões sociais, ainda sob uma política patriarcal, machista, misógina, escravocrata, homofóbica e racista”. Para composição do texto, Tatiana buscou outras referências como o manifesto antropofágico de Oswad de Andrade (de 1928) e o livro Moby Dick, do escritor norte-americando Herman Melville (1819-1891.

Contemplados com o edital do Proac Primeiras Obras, a proposta para a montagem surgiu durante o núcleo de pesquisa América Vizinha, coordenado pela atriz Juliana Sanches, do grupo XIX de Teatro, em 2014. “Fizemos a leitura do primeiro capítulo do romance de Mario Benedetti, que nos impressionou pela atualidade (apesar de ter sido escrito em 1965), por tratar de maneira bem contundente sobre o ‘complexo de vira-latas’ da América Latina em relação aos Estados Unidos. Num determinado momento, percebemos que, por se tratar de quatro atrizes em cena, a questão feminina era muito forte e o texto não a abarcava. Então, abrimos o processo e propomos cenas com a temática feminina e latino-americana”, conta a atriz Juliana Sanches.

Juntos, procuramos fazer desse processo, um espaço onde cada participante pôde colocar suas questões e confrontar suas identidades, construídas e contornadas por padrões externos que rejeitamos, mas que definem cada um de nós, como um limite, uma barreira, uma porta quase nunca agradável de ser atravessada”, completa o diretor.

A ação se passa num futuro próximo, onde a negação às suas origens já se consuma absoluta. No final do prólogo do livro de Benedetti, as personagens recebem a notícia de que uma catástrofe natural dizimou o Uruguai e entram em estado de retomada e valorização de seu passado. As mulheres de Naturaleza Muerta, resgatam o que lhes foi suprimido por meio da presença de uma nova estrangeira, que ainda mantém características de suas origens e, pelo anúncio da apresentação, naquele restaurante, de uma banda chamada Las Manzanas, que já em seu nome escancara uma latinidade desprezada e forçadamente esquecida.

Quando essa relação é saturada, e o que de fato inquieta e move cada uma dessas figuras transborda, por meio da dança e da libertação de seus corpos, compartilhamos da liberdade inspiradora, que por vezes escapa em meio a repressão”, conclui o diretor.

Naturaleza Muerta
Com Gabi Costa, Juliana Sanches, Maria Carolina Dressler e Tatiana Ribeiro
Vila Maria Zélia (Rua Mário Costa 13 – Belém, São Paulo)
Duração 60 minutos
08 até 30/10
Sábado, Domingo – 20h
Entrada gratuita (Necessário retirar os ingressos com 1 hora de antecedência).
Reservas pelo e-mail reserva.naturaleza@gmail.com.
Classificação 16 anos
Texto: Tatiana Ribeiro.
Direção: Rodolfo Amorim.
Assistente de direção: Bruno Canabarro.
Produção: Vanessa Candela.
Figurinos: Juliana Sanches.
Cenografia: Cristiano Panzarin.
Iluminação: Daniel Gonzalez.
Preparação de ator: Inês Aranha.
Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli.
Fotografia e arte gráfica: Jonatas Marques.
Provocador de pesquisa: Jean Tible.
Palestrantes: Jean Tible e Carla Cristina Garcia.
Coreografia: Jhennifer Peguim.
Costureira: Noemi Azevedo Costa.
Contrarregragem: Luciano Morgado.
Idealização: Cia La Desdeñosa.

 

TEOREMA 21

Teorema 21, com dramaturgia de Alexandre Dal Farra (Prêmio Shell de Melhor autor em 2012 pela peça Mateus, 10 e indicado ao Prêmio APCA em 2014) foi livremente inspirada na obra Teorema, do italiano Pier Paolo Pasolini (1922-1975). A direção é de Luiz Fernando Marquese Janaina Leite.

A peça gira em torno de uma família que retorna ao seu antigo lar. Ao buscar novas possibilidades de existência nesse ambiente antigo, recriam as suas relações e experimentam novas formas de contato. O núcleo familiar é constituído por um patriarca, a mãe, o filho e a filha. Vive na casa, ainda, a criada Emília. Tudo parece estável. Mais do que isso, estagnado. A chegada de um estrangeiro ameaça transformar a estrutura dessa família.

A trama se passa na casa onde a família morou há alguns anos e agora volta sem nenhum motivo aparente. A montagem é encenada ao entardecer na antiga escola de meninas, hoje desativada, localizada dentro da Vila Maria Zélia, um lugar quase sem teto, com as paredes em ruinas, em meio aos escombros. Ao entrar no espaço e ocupar as cadeiras giratórias dispostas aleatoriamente, o público é inserido na sala de estar e pode girar as cadeiras para escolher o melhor ângulo para cada cena.

O cineasta, escritor e poeta Pasolini é considerado um artista visionário e fazia duras críticas ao consumismo. Em 2015, muitas homenagens foram feitas pelos 40 anos de sua morte.

Teorema 21
Com Bruna Betito, Emilene Gutierrez, Janaina Leite, Juliana Sanches, Paulo Arcuri, Rodolfo Amorim e Ronaldo Serruya.
Vila Maria Zélia (Rua Mário Costa, 13 – Belém, São Paulo)
Duração 75 minutos
19/11 até 11/12
Sábado e Domingo – 18h
Grátis (reservas: http://www.sympla.com.br/grupoxixdeteatro. Retirada de ingressos com 1 hora de antecedência)
Classificação 18 anos
Realização Grupo XIX de Teatro.
Dramaturgia Alexandre Dal Farra.
Direção Luiz Fernando Marques e Janaina Leite.
Produção Executiva Vanessa Candela.
Cenografia Luiz Fernando Marques e Rodolfo Amorim.
Figurinos Juliana Sanches.
Vídeo Luiz Fernando Marques.
Contra-regra Luciano Morgado.
Preparação Corporal (parkour) Diogo Granato.
Assistência de Figurino e adereços Gabriela Costa.
Assistência de Produção Marilia Novaes.
Provocadores do processo Eleonora Fabião, Marcelo Caetano, Miwa Yanagizawa, Luis Fuganti e Bruno Jorge.
Participação no processo Mariza Junqueira.
Arte Gráfica, fotos e mídias Sociais Jonatas Marques.
Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli