ANAÏS NIN – À FLOR DA PELE

Dando continuidade a Mostra Poéticas da Resistência, o Centro Compartilhado de Criação apresenta o espetáculo ANAÏS NIN – À FLOR DA PELE. Com adaptação e interpretação de Flavia Couto e direção de Aline Borsari, atriz do Théâtre du Soleil, montagem baseada nos diários íntimos da escritora Anaïs Nin, faz temporada de 13 a 29 de abril, sextas-feiras e sábados às 20 horas e domingos às 18 horas.

ANAÏS NIN – À FLOR DA PELE conta a história de Anaïs Nin, grande nome da literatura erótica, retratando sua trajetória na década de 30 em sua luta pela libertação artística, sexual e emocional. “A peça percorre os anos de 1932 à 1937, uma verdadeira cartografia dos desejos de uma escritora, que a tornou uma referência para movimentos emancipatórios femininos, ao persistir sempre na luta pelo seu estilo pessoal de escrita, espaço como autora e mulher livre”, conta Flavia Couto.

Em um cenário que remete ao “quarto de palavras” da autora e revelando trechos de sua vida amorosa, sua experiência com a psicanálise e suas inquietações como escritora, o público ouve as confissões e mergulha nas aventuras eróticas e literárias que se passam em três locais diferentes: a cidade francesa provinciana Louveciennes, Paris  ameaçada pela Segunda Guerra Mundial e a agitada e libertina Nova Iorque.

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Anaïs Nin – À Flor da Pele
Com Flavia Couto
Centro Compartilhado de Criação (Rua Brigadeiro Galvão,1010 – Barra Funda, São Paulo)
Duração 50 minutos
13 até 29/04
Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 18h
$20
Classificação 14 anos

ANDEJOS

O espetáculo Andejos valoriza a ação em coletivo, em bando, e propõe a sutileza das ações que, no dia a dia acelerado de nossa sociedade, passa despercebida. Entre sensações e canções, o grupo coloca no palco um bando de esfarrapados que dividem com a plateia seus segredos mais íntimos, truques e brincadeiras. O espetáculo estreia sábado, dia 7 de outubro, às 21h no Centro Compartilhado de Criação, na Barra Funda. Ingressos a preços populares.

Quem for assistir a peça procurando explicações ou caminhos lógicos de pensamento está perdido. A peça mistura elementos das experiências cotidianas, porém, no modo de operar errante e torto do bufão. Sem explicar ou decodificar nenhum símbolo. Não há uma linha de chegada ao fim do caminho, não há caminho definido para essas figuras. É um convite a andar na linha tênue entre a clareza e a loucura, da sombra com a luz, da alegria e da tristeza.

Em cena, o bando canta, dança, vagueia e faz números para o público. Tudo parece um pouco velho e gasto, talvez pelo tempo e distância que essas figuras – nem tão humanas, nem tão diferentes de nós – tem percorrido em busca de moradia. O que fica claro é que o que vale é o sonho. Que mesmo com as dificuldades e injustiças, a efemeridade da vida faz com que seja sempre possível continuar andando, continuar buscando novas casas e caminhos.

O espetáculo surgiu a partir da pesquisa da Trupe Andejos com a linguagem das máscaras, enveredando mais especificamente pela perspectiva do bufão. Isso porque o humor cáustico exercido por esta figura tende à escatologia, ao grotesco e à crítica social aguda, invertendo valores de poder e subvertendo regras. Como diria Jacques Lecoq no livro O corpo poético: uma pedagogia da criação teatral, “Bufões se divertem o tempo todo imitando a vida dos homens. Se abordam uma situação, os bufões vão deformá-la, torcê-la, colocá-la em jogo de modo não habitual”.

A musicalidade em cena também foi outro eixo de pesquisa para a criação do espetáculo. Acordeon, flauta, gaita, percussão, violão e as vozes grotescas dos bufões dão o tom musical do espetáculo. Além das canções, o espetáculo também é feito inteiro em gramelot (técnica em que o ator usa uma língua inventada, não existente, para se comunicar). Esse tipo de oralidade reforça o caráter lúdico e dá liberdade para que o texto também seja tratado como som, sem a definição de sentido exato das palavras.

Nos configuramos como um bando focado na construção de figuras a partir da perspectiva corporal e pessoal de cada ator dentro da linguagem das máscaras. Na convivência entre estes seres, se desenha um universo cheio de humor e poesia, que funciona de modo muito peculiar e que ao mesmo tempo reflete criticamente nosso cotidiano. Cada passo é um fim em si para essas pessoas que parecem ter o dom de andejar. Estamos eternamente chegando, eternamente partindo”, conta a Trupe Andejos.

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Andejos
Com Beatriz Santiago, Bibiana Caneppele, Camila Rodrigues, Caroline Araújo, Fernando Lopes, Guilherme Rodrigues, Ingrid Taveira, Laura Amaral, Thais Mukai.
Centro Compartilhado de Criação (R. Brg. Galvão, 1010 – Barra Funda, São Paulo)
Duração 70 minutos
07 a 29/10
Sábado – 21h, Domingo – 20h
$20
Classificação 12 anos

NUREMBERG

Um jovem neonazista se prepara para um atentado, do qual não sairá vivo. Suas histórias, seus ideias políticos e seus desejos são revelados enquanto se exercita freneticamente, esperando seus companheiros. Esse é o mote de NUREMBERG, texto inédito no Brasil do dramaturgo uruguaio Santiago Sanguinetti, que estreia dia 2 de setembro, sábado, às 20 horas, no Centro Compartilhado de Criação.

O solo, montagem do grupo Na Cia dos Homens, tem tradução e direção de César Maier e atuação de Osmar Pereira. Sem cenografia, NUREMBERG é apoiado em projeções do documentário O Julgamento de Nuremberg, além de nomes de pessoas brasileiras que sofreram algum tipo de violência, como o pedreiro Amarildo, a travesti Dandara, o índio Galdino e Claudia, a mulher arrastada por uma viatura policial no Rio de Janeiro.

NUREMBERG é a segunda montagem da Cia de um autor da América Latina. A primeira foi Uma Ferida Absurda, da argentina Sonia Daniel, em 2011. O diretor César Maier tem focado seus estudos na dramaturgia contemporânea dos países da América do Sul e já planeja montar em 2018 um texto do uruguaio Sérgio Blanco.

Superioridade

Filho de um pai autoritário e de uma mãe dura e cruel, violado em sua adolescência, o personagem – um skinheadneonazista – proclama histericamente sua fúria contra o mundo e contra os alvos tradicionais da extrema direita, incluídos o homossexuais e os judeus, enquanto aguarda um sinal de seus companheiros, que virão buscá-lo para a execução de um atentado contra a embaixada de um país não nomeado.

Mas se em alguns momentos a personagem vocifera seu ódio, através de discurso contra a ordem existente e os ‘seres inferiores que transformam o mundo em uma repugnante pocilga’, expresso em saudações nazistas, em outros se transforma em uma criança assustada, cuja intenção é ser bom e se comportar bem”, explica o diretor César Maier.

Através destes recursos, NUREMBERG nos aproxima de sua personagem, quando coloca o público em contato com o sentimento de superioridade que se faz presente em cada indivíduo, em diversos momentos e situações, seja por razões sociais, raciais, intelectuais ou físicas. Para o dramaturgo Santiago Sanguinetti, o que nos diferencia do personagem do monólogo é que esse sentimento não nos leva ao desejo de aniquilar o outro. “Trata-se de um ser humano. Horrível, mas um ser humano do início ao fim. E por isso, o teatro há de nos servir para entender as grandezas e as misérias dos seres humanos“, afirma ele.

Claustrofóbico

Em NUREMBERG, o personagem skinhead e neonazista dispara vários relatos em um fluxo de pensamento. As projeções de vítimas do nazismo e de estrema violência fazem um contraponto com o discurso dele, reforçando uma atmosfera claustrofóbica.

Segundo o ator Osmar Pereira, a cidade de Nuremberg constituiu-se no grande símbolo do apogeu do regime nazista e foi transformada no símbolo de sua destituição quando abrigou os julgamentos contra seus principais artífices, responsáveis por um dos mais terríveis genocídios da história da humanidade. “E se Nuremberg nos parece distante, geográfica e culturalmente, devemos enxergá-lo como símbolo de toda intolerância, seja racial, de gênero ou social”, sentencia ele.

César Maier acredita que o espetáculo e seu personagem dialogam com atual e crescente onda de manifestações de ódio, que resultam em crimes hediondos, como machismo, racismo e homofobia, e com os chamados haters cujo contato pode se dá facilmente através dos comentários nos portais da internet e das redes sociais. “Deste modo,NUREMBERG cumpre um dos mais importantes papeis do teatro: refletir sobre os aspectos sociais e políticos que constituem as relações no mundo contemporâneo.

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Nuremberg
Com Osmar Pereira
Centro Compartilhado de Criação (Rua Brigadeiro Galvão, 1010 – Barra Funda, São Paulo)
Duração 40 minutos
02/09 até 01/10
Sábado – 20h, Domingo – 19h
$40
Classificação 16 anos

 

A DESPEDIDA

Imersas em um plano etéreo e mítico, Isabel de Orleans e Leopoldina Teresa reencontram-se. Cercadas de flores e lembranças, as princesas visitarão o amor interrompido, a inveja silenciosa, o poder e a família. Leopoldina guiará sua irmã mais velha por momentos vividos e temidos pela herdeira do trono Brasileiro.

A peça recorre a um conto de Daniel Defoe, “A aparição da senhora Veal”, que relata a reaproximação de duas irmãs, separadas pelas circunstancias, em um momento dramático quando uma delas já está morta.

Na versão pensada para esse espetáculo, o encontro das irmãs ocorre em um tempo além da vida das duas princesas. O patriarcado, representado na opinião pública machista e no legislativo ignóbil, faz o contraponto dialético lembrando-nos que certas mazelas não se diluem na história, apenas se sofisticam.

A Despedida
Com Nina Dutra, Giulia Nadruz, Mateus Ribeiro, Rafael Pucca, Bruno Gasparotto. Swings: Juliana David e Iuri Saraiva
Centro Compartilhado de Criação (R. Brg. Galvão, 1010 – Barra Funda, São Paulo)
08/06 até 31/07
Segunda, Quinta e Sexta – 21h (Junho)
Sábado e Segunda – 21h; Domingo – 20h (Julho)
$30

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CANTO PARA RINOCERONTES E HOMENS

Será que nós, seres humanos, gostaríamos de virar rinocerontes? Foi a partir desse e de outros questionamentos que o os atores do Teatro do Osso, sob a direção de Rogério Tarifa (Cia do Tijolo e Cia São Jorge de Variedades), iniciaram o processo do espetáculo CANTO PARA RINOCERONTES E HOMENS, que volta em cartaz dia 10 de novembro, quinta-feira, às 20 horas, no CCC – Centro Compartilhado de Criação.

Partindo da obra O Rinoceronte, de Eugene Ionesco, o ato-espetáculo musical traz para o palco temas como a brutalização do ser humano, a falta de sonhos e a extinção do homem. A montagem, que teve nove meses de ensaio, marca a parceria de Rogério Tarifa, William Guedes e Jonathan Silva, ambos da Cia do Tijolo e vencedores do Prêmio Shell de Teatro. A montagem é finalista do Prêmio Aplauso Brasil na categoria Melhor Espetáculo de Grupo.

Na versão de Rogério Tarifa a história é cantada pelos atores, que são acompanhados por um pianista e um percussionista. Para o diretor, o espetáculo é um grande musical com forte diálogo com as artes plásticas e a dança. “Os sete atores formam um grande coro para contar e cantar a história de transformação dos homens em rinocerontes”, explica Tarifa.

Rinocerontes urbanos

O conceito de rinocerontes urbanos marca a montagem de CANTO PARA RINOCERONTES E HOMENS. “Além do texto de Ionesco, outras dramaturgias se incorporaram ao espetáculo e com isso chegamos a esse conceito, onde atualmente as pessoas estão sempre ao ponto de explodir como uma verdadeira bomba”, conta o diretor.

Para isso, Rogério pediu para cada ator criar um solo, onde a transformação de homem em rinoceronte fosse mostrada, sendo que a transformação teria que ter um tema. Crimes de ódio, violência, ensino, trabalho e culto a beleza são alguns temas utilizados pelos atores para virarem, durante o espetáculo, em rinocerontes.

A montagem também abre novas faces em relação ao texto de Ionesco. “O espetáculo é uma livre adaptação da obra e por isso trazemos outros questionamentos, como a própria extinção dos rinocerontes, que acontece atualmente. No nosso final, além de um único homem também sobra um único rinoceronte”, adianta Tarifa.

Canto para Rinocerontes e Homens
Com Gabriela Gonçalves, Guilherme Carrasco, Luísa Valente, Murillo Basso, Renan Ferreira, Rubens Alexandre e Viviane Almeida.
Músicos – Bruno Pfefferkorn e Filipe Astolfi. Dramaturgia – Jonathan Silva, Rogério Tarifa e Elenco.
CCC – Centro Compartilhado de Criação (Rua James Holland, 57 – Barra Funda, São Paulo)
Duração 180 minutos
10 até 27/11
Quinta, Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 19h; Segunda – 20h
$30
Classificação 14 anos
 
Direção – Rogério Tarifa.
Texto Original – O Rinoceronte, de Eugene Ionesco.
Direção Musical e Preparação Vocal – William Guedes.
Composição Musicas Inéditas – Jonathan Silva.
Cenário – Rogério Tarifa.
Assistência de Cenário – Elenco.
Cenotécnico – Zito Rodrígues.
Figurino – Silvana Carvalho, Rogério Tarifa e Elenco.
Colaboração – Artur Abe.
Consciência Corporal e Direção de Movimento – Érika Moura.
Desenho de Luz – Rafael Souza Lopes.
Operação de Luz – Nara Zocher.
Vídeo – Flávio Barollo.
Supervisão em Teatro de Animação – Luiz André Cherubini.
Fotos – Cacá Bernardes
Assessoria de Imprensa – Renan Ferreira

O HOMEM ELEFANTE

‘O Homem Elefante’ de Bernard Pomerance ganha sua primeira montagem no país, com encenação de Cibele Forjaz e Wagner Antônio (28 patas furiosas) e chega a São Paulo após temporada de sucesso de crítica e público no Rio de Janeiro (Oi Futuro Flamengo) – quando foi avaliada como uma das 10 melhores peças em cartaz na cidade (Veja Rio – Jan/2015) – e em Belo Horizonte (Oi Belo Horizonte) – a convite do conceituado projeto Teatro em Movimento (maio/2015).

O espetáculo cumprirá temporada de 24 apresentações no CCC (Centro Compartilhado de Criação), no período entre 03 de setembro a 03 de outubro, com uma sessão extra no dia 01/10, sábado, às 18h. A peça estreou em dezembro de 2014 e é uma parceria criativa entre a companhia aberta (RJ) e os diretores paulistas Cibele Forjaz e Wagner Antônio.

Escrita por Bernard Pomerance em 1977, a peça foi sucesso na Broadway na década de 80 e esteve em cartaz novamente, em 2014, com Bradley Cooper no papel título. No cinema ganhou adaptação de David Lynch, em 1980, com Anthony Hopkins, John Hurt, Anne Bancroft e John Gielgud no elenco. O Homem Elefante é uma história verídica inspirada na vida de John Merrick, jovem portador de uma terrível deformação física que viveu em Londres na segunda metade do século XIX. Considerada a “Era Dourada do Circo Britânico”, John Merrick passa a ser explorado como principal atração dos freak shows (shows de aberrações).

Os atores mineiros Daniel Carvalho Faria, Davi de Carvalho e Vandré Silveira fundadores no Rio de Janeiro, onde residem, da companhia aberta escolheram montar o texto de Bernard Pomerance e convidaram Cibele Forjaz e Wagner Antônio para conduzir a encenação, além da atriz paulistana Regina França para interpretar a Sra. Kendal.

O projeto é da companhia aberta. Vandré, Davi e Daniel viram O Idiota (peça dirigida por Cibele) no Rio. Pegaram um ônibus e foram até a minha casa em São Paulo para me fazer o convite. Gostei do texto e, principalmente, do desejo dos três atores de viver essa história incrível. O brilho no olhar deles me cativou. Eles se mudaram para São Paulo e, junto com Regina França, encararam oito horas de ensaios diários. Este é, antes de tudo, um trabalho de equipe.”   – Cibele Forjaz.

Durante um ano, os atores fizeram uma imersão na cidade, por meio de workshops para a construção da encenação. Atores e encenadores estudaram o texto de Bernard Pomerance e as suas referências diretas, principalmente o relato de Sir Frederick Treves (“O Homem Elefante e Outras Reminiscências”), médico inglês que conta a história de seu paciente Joseph Merrick. Este relato é a fonte de todas as demais adaptações, incluindo a peça do próprio Pomerance e o filme de David Lynch.

Em O Homem Elefante uma trupe de atores apresenta o duelo ideológico entre a chamada civilização ocidental e a barbárie, que por sua vez remete ao Terceiro Mundo. O monstro interior de cada um, que buscamos domesticar. Que monstro será esse, que leva tantas pessoas ao teatro? O que elas procuram? A história continua, porque o Homem Elefante ainda exerce um poder encantatório sobre os espectadores, talvez porque estes projetem sobre um outro o que temem em si mesmas.

A companhia aberta tem em sua trajetória uma investigação criativa por meio de parcerias artísticas, novas dramaturgias e diversas linguagens de encenação e atuação. O desejo de estabelecer uma parceria criativa com a diretora Cibele Forjaz na concepção do espetáculo “O Homem Elefante”, vem de uma identificação com seus métodos de pesquisa e direção (pouco ortodoxos e nada cartesianos), a partir de conceitos como a dramaturgia do espaço, o épico-dramático-ritual e o pensamento do aqui e agora no teatro.

SINOPSE

Uma história verídica inspirada na vida de John Merrick, portador de uma terrível deformação física, que viveu em Londres na segunda metade do século XIX, considerada a “Era Dourada do Circo Britânico”. O jovem Merrick (Vandré Silveira) passa a ser uma das principais atrações dos ‘freak shows’(shows de aberrações), além de ser explorado e maltratado pelo showman Ross (Daniel Carvalho Faria). É resgatado pelo jovem médico Dr. Treves (Davi de Carvalho), sendo acolhido para observação num prestigiado hospital londrino. No hospital, Merrick passa de objeto de piedade à coqueluche da aristocracia e dos intelectuais, com a ajuda de uma famosa atriz, Sra. Kendal (Regina França), que o apresenta à sociedade londrina. Mas a sua esperança de um dia poder ser “um homem como os outros” acaba por se revelar um sonho jamais realizado.

O Homem Elefante
Com Daniel Carvalho Faria, Davi de Carvalho, Regina França e Vandré Silveira
Centro Compartilhado de Criação. (Rua James Holland, 57 – Barra Funda, São Paulo)
Duração 100 minutos
03/09 até 03/10
Quinta, Sexta, Sábado e Segunda – 21h; Domingo – 20h
$20
Classificação 16 anos
 
*Dia 01/10/2016 sessão dupla às 18h e 21h.
 
Idealização: companhia aberta
Texto: Bernard Pomerance
Encenação: Cibele Forjaz e Wagner Antônio
Assistente de direção: Artur Abe
Iluminação: Wagner Antônio
Cenário: Aurora dos Campos
Figurino: Valentina Soares
Direção musical e trilha sonora: Dr Morris
Direção de produção SP: Carla Estefan
Assistente de produção: Erika Fortunato
Direção de cena: Wallace Lima
Operação de som: Anderson Franco
Assistente de Iluminação: Douglas de Amorim
Contrarregra: Natasha Karasek
Identidade Visual: Balão de Ensaio
Ilustrações site: Antonio Sodré Schreiber
Fotos do programa: Vitor Vieira
Fotos de cena: Rodrigo Castro
Assessoria de imprensa: Adriana Monteiro (Ofício das Letras)
Realização: companhia aberta

AS SIAMESAS – TALVEZ EU DESMAIE NO FRONT

Imersos num tempo que insiste em cisões e onde coexistir com o diferente está provocando convulsões, não diálogo, é possível dar luz a uma possibilidade de convivermos num mesmo organismo? Assim, As Siamesas – Talvez eu Desmaie no Front coloca em discussão as relações humanas e nos leva a discutir a diferença, o outro, a alteridade. A peça, que tem direção de Carolina Bianchi, Fernanda Camargo e Felipe Rocha e elenco formado por Carla Zanini e Caroline Duarte, que está em cartaz no Centro Compartilhado de Criação.

O espetáculo se passa em um país em guerra. As irmãs estão nos fundos da casa de um “coyote” (agenciadores que ajudam a ultrapassar as pessoas nas fronteiras). As duas irmãs gêmeas siamesas – Soraia e Carmem – sofrem a separação enquanto o país explode em conflitos, a partir dai elas lutam para conseguir se reencontrar.

Direção compartilhada e independente

Assim como duas irmãs siamesas podem ser duas cabeças dividindo uma mesma coluna vertebral e negociando vontades, a peça também é uma história dirigida por várias cabeças diferentes que negociam um mesmo espetáculo. “Queríamos entender, não só no conteúdo mas também na forma, como é possível a coexistência de ideias e linguagens. Como dialogar com o outro ao invés de suprimi-lo? Como existir com o outro?”, explicam Carla Zanini e Caroline Duarte, idealizadoras do projeto.

A montagem se divide em três partes – Ode ao Amor, digirido por Fernanda Camargo; Ode ao Ódio, dirigido por Carolina Bianchi; e Prólogo e Intermezzos por Felipe Rocha. Essas direções aconteceram sem que um soubesse quais os caminhos que os outros diretores tinham escolhido até as últimas semanas de ensaio onde os diretores se reuniram para fechar o espetáculo.

A ideia de serem três direções que não se encontram, ou seja, cada diretor produz sua parte da peça sem influencia dos outros dois, surge da própria forma das irmãs siamesas. O desafio de existir num mesmo organismo com partes distintas formalmente estrutura o espetáculo.  Cada um dos três diretores se interessa pelas irmãs siamesas por um motivo, propõem procedimentos diferentes, provocações outras. Nós atrizes, passamos por três maneiras de se fazer teatro, e essas três maneiras vivas vão dialogar, conviver, vão existir num mesmo espetáculo” continuam as atrizes.

O projeto surgiu a partir de uma notícia encontrada na internet sobre a história verídica das irmãs Hilton, duas irmãs siamesas que fizeram sucesso nos anos 30 mas morreram como caixas de supermercado, uma morreu primeiro e três dias depois a outra. Além dessa matriz factual – a história verídica das irmãs Hilton – a montagem se realiza a partir do ambiente no qual elas estão colocadas: Molvânia (a partir do livro Molvânia, um país intocado pela odontologia moderna, de Santo Cilauro, Tom Gleisner e Rob Sitch). Essa é a espinha dorsal que guiou a criação do espetáculo para os três diretores.

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A história verídica das Irmãs Hilton

As meninas nasceram em 1908 unidas por seus quadris e nádegas; elas compartilhavam a circulação sanguínea e eram fundidas na pelve, mas não compartilhavam órgãos importantes. De acordo com a autobiografia das irmãs, Mary Hilton – mãe adotiva das irmãs -, junto com o marido e a filha, mantinham as gêmeas sobre estrito controle com abusos físicos. Eles treinaram as meninas para o canto e dança.

Na época, foi considerada uma possível separação, mas decidiram por unanimidade contra a intervenção, pois acreditavam que a cirurgia certamente levaria à morte de pelo menos uma das gêmeas. As irmãs terminaram a vida trabalhando em um supermercado. Em 1969 elas foram encontradas mortas em sua casa. Segundo a perícia médica, elas morreram vítimas da Gripe de Hong Kong. Daisy faleceu primeiro, e Violet depois de dois ou quatro dias.

Caio Oviedo - As Siamesas baixa2

Molvânia, um país intocado pela odontologia moderna – de Santo Cilauro, Tom Gleisner e Rob Sitch.

Este livro faz parte de uma coleção inédita no Brasil de guias ficcionais. Nele há simulação de lugares, de opiniões de nativos, dicas de viagens, dados sobre moeda, medida, peso, língua nativa, hino nacional e até mesmo tradições culturais. Os autores brincam de certa maneira com o gênero sério de um guia turístico que na sua essência tem um contrato factual com a realidade.

Os curiosos costumes molvãos nos são estranhos mas na verdade refletem nossas próprias tradições. Por exemplo, nele podemos aprender sobre a complexa cordialidade dos molvãos, com seus gritos histéricos e atitudes agressivas.

Trabalhar um terço de um espetáculo é uma experiência assustadora e mágica. Sabemos que três núcleos estão refletindo sobre momentos diferentes de um mesmo tema. Fazer parte da construção de um discurso que só se finaliza como ideia conjunta no momento da apresentação abre possibilidades para nossas construções e, com certeza, gera leituras múltiplas para as linguagens que estamos construindo” disse a diretora Fernanda Camargo.

Sou apaixonado pela diferença.  Acredito muito na diferença. Saber que os outros trechos tem pontos de vista diversos me encanta. Além disso, são quatro mulheres incríveis nesse processo, as quais sempre admirei e tenho maior orgulho de trabalhar com essas pessoas. Então existe uma confiança enorme no cuidado, no carinho que está sendo depositado em cada parte. Para mim é muito instigante dirigir apenas uma parte. Isso obriga a obra final a abarcar pontos de vista múltiplos” continuou o diretor Felipe Rocha

Dirigir apenas uma parte de um trabalho é alucinante e  faz todo o sentido no contexto do que as criadoras propõem como coluna do projeto. Esse mistério que atravessa os diretores quanto ao que já foi produzido ou será produzido me parece deixar tudo mais impetuoso e arriscado, é uma linda ponte com a própria narrativa, arriscada e impetuosa como a Carla e a Caroline. É delas a possibilidade de viverem linguagens diferentes, em uma mesma situação. Se atirando com força nos universos desses diretores” finaliza a diretora Carolina Bianchi.

 

As Siamesas – Talvez eu Desmaie no Front
Com Caroline Duarte e Carla Zanini
CCC – Centro Compartilhado de Criação (Rua James Holland, 57 – Barra Funda, São Paulo)
Duração 80 minutos
28/07 até 14/08
(não haverá sessão dia 07/08 – sesssão estra dia 08/08)
Quinta, Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 20h
$20
Classificação 14 anos
 
Direção: Carolina Bianchi, Fernanda Camargo; Felipe Rocha.
Dramaturgia:Caroline Duarte, Carla Zanini. Carolina Bianchi, Fernanda Camargo e Felipe Rocha.  
Iluminador: Rafael Souza Lopes.
Direção de arte: Angela Ribeiro.
Edição de vídeo: Fernanda Zotocivi, Bruno Lopes;
Sonoplasta: André Teles
Fotos – Caio Oviedo
Assessor de Imprensa: Renan Ferreira.
Produção: Renato Cruz