O PIROTÉCNICO ZACARIAS

Conhecido e consagrado na cena teatral brasileira em seus quase 50 anos de atuação, o Grupo Giramundo construiu uma trajetória que inclui um vasto repertório com mais de 35 espetáculos teatrais, 1.500 bonecos confeccionados e objetos de cena, além da participação na formação teatral de diversos nomes importantes da dramaturgia e teatralidade contemporânea do país.

Agora, o Giramundo promove em São Paulo, a temporada de estreia do espetáculo “O Pirotécnico Zacarias”, montagem que dialoga e experimenta as linguagens do teatro e do cinema, apresentando 5 adaptações de contos de Murilo Rubião, considerado um dos mais significativos escritores da literatura fantástica no Brasil.

O espetáculo é resultado da nova vertente de trabalho do grupo, que após mais de 30 anos atuando especificamente como um grupo de teatro passa a promover ações como a formação de um núcleo multimídia experimentador de uma cena de animação, convivendo com bonecos reais e suas versões digitais.

Essa mistura do teatro de bonecos, vídeo, animação, música, dança e artes plásticas que originaram neste mais recente espetáculo do grupo, poderá ser visto a partir do dia 19 de abril, no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP). A temporada segue até 24 de junho.

O PIROTÉCNICO ZACARIAS

A dramaturgia foi construída a partir da continuidade entre os roteiros de cada adaptação, estabelecendo uma conexão entre 5 contos de Rubião, interligados pela figura central do Pirotécnico Zacarias. Assim, o público é convidado a acompanhar a história do próprio protagonista, seguida pelas adaptações de “O Ex-Mágico”, “Teleco, o Coelinho”, “O Bloqueio” e “Os Comensais”.

Desde o início dos anos 2000 temos norteado nossa produção na experimentação com outras mídias, principalmente com as possibilidades híbridas com o audiovisual. Com a montagem “Pirotécnico Zacarias” fomos mais além, trazendo o cinema como um processo duplo de planejamento e produção, seguindo convenções de realização focadas na criação de um filme, mas ao mesmo tempo incorporando as características cinematográficas para uma linguagem teatral. É um campo cênico híbrido, que corresponde à uma inquietude midiática de sentimentos no mundo contemporâneo.”, conta Marcos Malafaia, diretor da montagem.

O espetáculo traz como novidade a influência do cinema no campo da linguagem e na própria construção da composição de cena. Contudo, apesar de seguir uma nova linha de experimentação no que diz respeito às possibilidades técnicas e linguísticas do teatro, a montagem mantém o rigor metodológico e a atenção estética no planejamento e produção que é adotado pelo Giramundo desde a década de 70. Assim, incorpora formas e temas adultos, dialogando com questões formais, plásticas e políticas complexas e essências para o mundo contemporâneo, seja para o contexto cultural e social, ou para a cena teatral.

Os contos de Murilo Rubião são surpreendentemente contemporâneos e importantíssimos para a cultura brasileira, apesar de não serem tão populares entre o público. À medida que realizamos as adaptações e experimentações para construção do espetáculo, percebemos que eles vão ficando cada vez mais eloquentes e que possuem traços cinematográficos fortes. Por isso, enxergamos não só a necessidade, mas também a importância em trazer vida à obra de Rubião.”, conta o diretor.

A montagem estreou oficialmente em Belo Horizonte, onde fica a sede do grupo e inicia a circulação nacional pela capital paulista. Depois, segue ainda para Rio de Janeiro e Brasília. Serão ao todo, 107 apresentações do espetáculo, transformando-se na maior temporada da história do grupo Giramundo desde a sua fundação, em 1970.

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O Pirotécnico Zacarias

Com Grupo Giramundo

Centro Cultural Banco do Brasil SP (rua Álvares Penteado, 112 – Centro, São Paulo)

Duração 70 minutos

19/04 até 24/06

Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 18h, Segunda – 20h

$30

Classificação 12 anos

VAMOS COMPRAR UM POETA

Inspirado no livro homônimo de Afonso Cruz, o musical infantojuvenil inédito Vamos Comprar um Poeta estreia no dia 23 de março, no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB São Paulo), e segue em cartaz até 31 de agosto.

O musical narra a chegada de um Poeta à casa de uma família comum. Nesse lar, moram um pai que só pensa em ganhar dinheiro; uma mãe que organiza todos os dias os trabalhos domésticos; uma menina esperta e curiosa que gosta de entender o significado das coisas; e um menino que adora fazer contas.

O poeta ensina os pequenos a observar borboletas, compor os próprios poemas e aprender a dar abraços. A montagem cria uma divertida reflexão sobre a nossa capacidade de invenção, fazendo um importante paralelo entre cultura e economia. É uma homenagem à cultura, em um espetáculo que mistura poesia, música e dança.

Vamos Comprar um Poeta é a última parte da trilogia de histórias de amor para crianças, composta também pelos premiados musicais A Gaiola e Contos Partidos de Amor.

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Vamos Comprar um Poeta

Com Letícia Medella, Luan Vieira, Sergio Kauffmann

Centro Cultural Banco do Brasil (R. Álvares Penteado, 112 – Centro, São Paulo)

Duração 60 minutos

23/03 até 31/08

Sábado – 11h

$30

Livre

CARMEN, A GRANDE PEQUENA NOTÁVEL

Há exatos 90 anos Carmen Miranda (1909-1955) cantava pela primeira vez na rádio carioca Roquete Pinto. Portuguesa radicada no Brasil, a cantora estava prestes a se tornar um dos maiores símbolos da cultura brasileira para todo o mundo. Em comemoração a essa data, Carmen, a Grande Pequena Notável, com direção de Kleber Montanheiro, estreia no dia 15 de setembro no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP). O espetáculo fica em cartaz até 26 de janeiro de 2019, com apresentações aos sábados, às 11h.

O musical é inspirado no livro homônimo de Heloísa Seixas e Julia Romeu, que venceu o Prêmio FNLIJ de Melhor Livro de Não Ficção em 2015. Quem dá vida à diva é a atriz Amanda Acosta, que divide o palco com Daniela Cury, Luciana Ramanzini, Maria Bia, Samuel de Assis e Fabiano Augusto. Os músicos Maurício Maas, Betinho Sodré, Monique Salustiano e Marco França também estão em cena.

Para contar essa história, o espetáculo adota a estrutura, a estética e as convenções do Teatro de Revista Brasileiro, no qual Carmen Miranda também se destacou. “Utilizamos a divisão em quadros, o reconhecimento imediato de tipos brasileiros e a musicalidade presente, colaborando diretamente com o texto falado, não como um apêndice musical, mas sim como dramaturgia cantada”, explica o diretor Kleber Montanheiro.

Esse tradicional gênero popular faz parte da identidade cultural brasileira, mas recentemente está em processo de desaparecimento da cena teatral por falta de conhecimento, preconceito artístico e valorização de formas americanizadas e/ou industrializadas de musicais.

A encenação tem a proposta de preservar a memória sobre a pequena notável, como a cantora era conhecida, e a época em que ela fez sucesso tanto no Brasil como nos Estados Unidos, entre os anos de 1930 e 1950. Por isso, os figurinos da protagonista são inspirados nos desenhos originais das roupas usadas por Carmen Miranda; já as vestes dos demais personagens são baseadas na moda dessas décadas.

As interpretações dos atores obedecerão a prosódia de uma época, influenciada diretamente pelo modo de falar ‘aportuguesado’, o maneirismo de cantar proveniente do rádio, onde as emissões vocais traduzem um período e uma identidade específica”, revela Montanheiro.

A cenografia reproduz os principais ambientes propostos pelo livro. Esses espaços físicos são o porto do Rio de Janeiro, onde Carmen desembarca criança com seus pais; sua casa e as ruas da Cidade Maravilhosa; a loja de chapéus, onde Carmen trabalhou; o estúdio de rádio; os estúdios de Hollywood e as telas de cinema; e o céu, onde ela foi cantar em 5 de agosto de 1955. Cada cenário traz ao fundo uma palavra composta com as letras do nome da cantora em formatos grandes. Por exemplo, a palavra MAR aparece no porto, e MÃE, na casa dos pais da cantora.

O espetáculo só pôde ser realizado graças aos recursos da 6ª edição do Prêmio Zé Renato de Teatro.

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Carmen, a Grande Pequena Notável

Com Amanda Acosta, Daniela Cury, Luciana Ramanzini, Maria Bia, Samuel de Assis e Fabiano Augusto

Centro Cultural Banco do Brasil SP (Rua Álvares Penteado, 112, Centro – São Paulo)

Duração 70 minutos

15/09 até 26/01 (sessões extras 12/10, 02/11, 15/11 e 25/01

Sábado – 11h

$20

Classificação Livre

INSETOS

Comemorando 30 anos de trajetória, a Cia. dos Atores estreia Insetos em 8 de julho, no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo. Com texto original de Jô Bilac adaptado pela Cia. dos Atores e pelo diretor Rodrigo Portella, a montagem traz cinco fundadores da companhia no elenco: Cesar Augusto, Gustavo Gasparani, Marcelo Olinto, Marcelo Valle e Susana Ribeiro. A peça ficará em cartaz até o dia 20 de agosto, com sessões de quarta a segunda, com patrocínio do Banco do Brasil.

Repetindo aqui a parceria com a Cia. dos Atores após o sucesso de Conselho de Classe (2014), Jô Bilac propôs dar voz aos insetos para este novo espetáculo do grupo. São doze quadros que se entrelaçam formando um mosaico no qual o autor fala sobre convivência, medo e manipulação. Como uma fábula, o texto traça paralelos entre a natureza e questões político-sociais da atualidade – evocando comportamentos coletivos e individuais revelados através de uma grande polifonia de diferentes insetos: cigarra, gafanhoto, barata, louva-a-deus, besouro, mariposa, borboleta, mosquito, cupim, mosca e formiga.

Em cena, um imenso êxodo desequilibra a natureza. O colapso é eminente. Os gafanhotos tentam destruir tudo, mas se veem diante de uma nova ordem imposta pelo louva-a-deus. Nesse universo, o olhar sobre o humano ganha uma nova perspectiva, atravessada pela realidade dos insetos. “O Jô usa os insetos na dramaturgia em analogia com personagens da nossa história, situações que estamos vivendo atualmente. Temos figuras do poder, estratos sociais, mas sem uma nomeação direta”, explica Susana Ribeiro. “Queremos usar desequilíbrios da natureza como espelho da sociedade”, comenta Cesar Augusto.

Com cenário de Beli Araújo e Cesar Augusto o espaço cênico é ocupado por pneus, que criam diferentes quadros para as cenas. Os figurinos de Marcelo Olinto trazem referências ao universo dos insetos – como asas e antenas – mas não são a representação fiel desses bichos. “Essa peça me permite trabalhar o lugar do atrito entre o cômico e o trágico, refletido no estado de guerra proposto pelo texto. Trabalhamos entre o universo microscópico e invisível dos insetos e o nosso universo”, diz Rodrigo Portella.

Para a companhia, o espetáculo é também uma celebração. “Temos 30 anos de convívio. Olhamos um para o outro em cena e nos reconhecemos”, diz Marcelo Valle. “Acho que uma palavra que nos definiria seria inquietação. E uma das coisas boas é que nos colocamos o desafio de trabalhar com pessoas novas, como o Rodrigo (Portella), que é de outra geração. Essa inquietação e essa disponibilidade para o novo nos acompanha desde 1988”, completa Marcelo Olinto. “Estar em cena com parceiros de 30 anos de amizade e trabalho, e poder discutir e refletir sobre o Brasil atual, é para mim um privilégio e um ato de resistência”, afirma Gustavo Gasparani.

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Insetos

Com Cesar Augusto, Gustavo Gasparani, Marcelo Olinto, Marcelo Valle, Susana Ribeiro

Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (Rua Álvares Penteado, 112. Centro – São Paulo)

08/07 até 20/08

Duração 80 minutos

Quarta, Quinta, Sexta, Sábado e Segunda – 20h, Domingo – 18h

$20

Classificação 14 anos

HOJE O ESCURO VAI ATRASAR PARA QUE POSSAMOS CONVERSAR

Em seu primeiro espetáculo infantil, Hoje O Escuro Vai Atrasar Para Que Possamos Conversar, o Grupo XIX de Teatro teve seu processo criativo inspirado pelo romance De Repente, Nas Profundezas do Bosque, do escritor israelense Amós Oz. A peça estreia no dia 10 de março no Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo, onde segue em cartaz até 23 de junho, com sessões aos sábados, às 11h. O elenco conta com a participação de Janaina LeiteJuliana SanchesRodolfo Amorim,Ronaldo Serruya e Tarita Souza.

Com dramaturgia de Ronaldo Serruya e direção de Luiz Fernando Marques e Rodolfo Amorim, a peça se passa em um triste vilarejo onde não vivem mais animais, nem domésticos e nem silvestres. Algo muito estranho aconteceu no passado que provocou a fuga dos bichinhos e os transformou em seres quase mitológicos, lembrados apenas nas aulas da professora Rafaela.

Nesse lugar misterioso, vivem os colegas Santi, Clara e Luna, que, depois de sofrer bullying de seus colegas também desapareceu. Desconfiados de que Luna teria sido raptada pelo Espírito do “não-sei-o-quê” do bosque, Santi e Clara partem floresta a dentro em busca da amiga.

A encenação apresenta ao público delicados temas discutidos pela obra de Amós Oz, como os efeitos da discriminação e do tratamento indesejado, como o bullying isola as pessoas e a consciência de que o “outro” também tem medos, fragilidades e inseguranças. A ideia é fazer com que as crianças entendam a alteridade como uma extensão do eu, desconstruir o processo vicioso de desqualificação de um indivíduo por causa de suas diferenças e mostrar que as pessoas formam juntas as conexões do tecido social de uma comunidade.

Queríamos discutir como desmontar uma estrutura normativa que permite a perpetuação desse mecanismo de opressão social na escola. Eu também me inspirei na minha própria história, pois fui vítima de bullying e vivenciei esse sistema opressor. E, na época, não havia uma estrutura para discutir isso, em nenhuma instância. O bullying era tratado como algo normalizado dentro daquele universo”, comenta o autor Ronaldo Serruya.

PROCESSO CRIATIVO

Quando o Grupo XIX decidiu montar seu primeiro espetáculo infantil, os artistas se reuniram para elencar quais temas gostariam de abordar. A fábula de Amós Oz, cuja literatura adulta já era discutida na companhia, logo veio à tona quando eles escolheram tratar do respeito às diferenças. “Outra coisa bacana é que, embora o autor tenha classificado o livro como uma história infantojuvenil, não faz concessões para tornar sua linguagem mais simples. Isso é muito legal porque mostra que não precisamos menosprezar o poder de ‘metaforização’ do imaginário infantil. A literatura tem muitas narrativas poéticas que permitem que criança possa exercitar seu poder de imaginação”, fala o dramaturgo.

Escolhido o texto que inspiraria à encenação, o desafio passou a ser como os artistas usariam a linguagem desenvolvida pela companhia ao longo de seus 16 anos para montar uma peça infantil. “Pensamos em transformar o espetáculo em uma experiência itinerante, de modo que ela tivesse uma relação com o espaço. Chegamos a ideia de convidar a plateia para um passeio fora do teatro e dentro de sua arquitetura, passando pelo palco, pelos urdimentos, pelas coxias. Outra questão foi a interatividade, ou seja, a tentativa de promover o diálogo direto com as crianças, o que fazemos sempre em nossas peças adultas”, comenta Luiz Fernando Marques.

Nessa experiência teatral imersiva, o cenário funcionará como uma instalação inspirada no trabalho da artista mineira Lygia Clark, usando estímulos com o escuro, claro, barulhos e diferentes texturas para provocar os sentidos da plateia. O bosque da história será construído com adereços pela ocupação de cada um dos espectadores.

A encenação brinca um pouco com essa busca pelos animais. Para chegar a esse ponto, eles fazem um passeio pelos corredores, escadas e algumas salas do CCBB. Em um primeiro momento as crianças assistem à peça com um cenário pintado e têm uma experiência. Dentro do bosque, têm outra experiência. Eles podem interagir com os elementos aos quais eles assistiram antes e vivem uma inversão de ponto de vista”, acrescenta o diretor Rodolfo Amorim.

A paisagem sonora da peça, pensada pela diretora musical Tarita Sousa, também contribuirá para essa experiência. Os sons da natureza e dos bichos serão recriados com materiais naturais, como paus de chuva do cerrado brasileiro, folhas secas e de vários tipos de vegetação, bambus e gravetos, combinados com teclado e violão.

Já os figurinos de Juliana Sanches são diferentes quando a história se passa na aldeia e na floresta. No primeiro lugar, os personagens usam roupas que rementem à uma representação tradicional da infância; no segundo, trajes que se transformam, com sobreposições quebrando os paradigmas do masculino e feminino.

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Hoje o Escuro Vai Atrasar Para Que Possamos Conversar
Com Janaina Leite, Juliana Sanches, Ronaldo Serruya, Rodolfo Amorim, Tarita de Souza.
Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado, 112 – Centro, São Paulo)
Duração 60 minutos
10/03 até 26/05
Sábado – 11h
01 a 22/06
Sexta – 11h
$20
Classificação Livre

DOSTOIÉVSKI – TRIP

Sete anos após a estreia do premiado O Idiota – Uma Novela Teatral, as companhias Livre e Mundana se reencontram em Dostoiévski-Trip, nova viagem ao universo do escritor russo e ao célebre romance publicado em 1869. Com direção de Cibele Forjaz, o espetáculo, inédito no país, está em cartaz no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo.
 
O elenco de Dostoiévski-Trip é composto por atores criadores das companhias Livre e Mundana: Aury Porto, Edgar Castro, Guilherme Calzavara, Luah Guimarãez, Lúcia Romano, Marcos Damigo, Sergio Siviero e Vanderlei Bernardino. A direção de arte do espetáculo é assinada por Simone Mina.
 
Esta é a primeira montagem brasileira do texto de Vladímir Sorókin – um dos grandes nomes da chamada nova literatura russa –, já encenado em Moscou e Nova York. Na peça, um grupo de viciados aguarda a chegada de um traficante que lhes prometeu trazer uma novidade. Enquanto isso, conversam, discutem (e até mesmo brigam) sobre grandes nomes da literatura mundial – Kafka, Pushkin, Cervantes, entre outros – e seus supostos efeitos. Este, contudo, não é um encontro amistoso entre amantes das letras, e sim de um bando de pessoas que mal se conhecem, unidos apenas pela condição de viciados em literatura.
 
Ávidos pela próxima dose, os personagens são lançados em uma jornada pelo universo de Fiódor Dostoiévski (1821-1881). Em contato com a prosa do romancista russo, os personagens embarcam na trip do título e acabam por protagonizar uma das mais célebres passagens de O Idiota, na qualseus dilemas filosóficos e existenciais se aprofundam e se potencializam transcendendo para as formas do mundo contemporâneo.
 
Segundo Cibele Forjaz, a ideia de montar Dostoiévski-Trip surgiu ainda durante as apresentações de O Idiota – Uma Novela Teatral (2010), também dirigido por ela. Apesar de partirem da obra de um mesmo autor, para a diretora, as peças têm estéticas e temáticas bastante distintas. “Dostoiévski-Trip é uma espécie de pós-Idiota. Fizemos aquele espetáculo levando muito a sério a narrativa da novela e o seu lado humano e mais sensível. Esta, por sua vez, tem um desencanto pós-moderno. É Dostoiévski tomado como uma droga que a sociedade contemporânea não pode suportar, pois a sua poesia e sua humanidade não cabem mais nesse mundo, em que as relações sociais estão marcadas pela egotrip”, explica a encenadora.
 
O espetáculo também se beneficia de um traço comum à história recente de ambas as companhias: a pesquisa da obra do alemão Bertolt Brecht, que permeou o processo de criação. Além das leituras, também foram realizadas “travessias pela cidade” – uma experiência de toda a equipe pelas ruas de São Paulo que revelou, em uma sociedade viciada em excessos, um resquício de humanidade em meio ao concreto e à carência das populações de rua. Além de contrapor o texto russo com a realidade brasileira, a pesquisa de campo evidenciou a atualidade de Dostoiévski, autor que radiografou a burguesia de sua época e sua obsessão por dinheiro, poder e prestígio.
 
Além das apresentações em São Paulo, o espetáculo também cumprirá temporadas em Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte em 2018.

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Dostoiévski-Trip
Com Aury Porto, Edgar Castro, Guilherme Calzavara, Luah Guimarãez, Lúcia Romano, Marcos Damigo, Sergio Siviero e Vanderlei Bernardino
Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo (Rua Álvares Penteado, 112 – Centro. São Paulo)
Duração 120 minutos
28/10 até 18/12
Sexta, Sábado e Segunda – 20h, Domingo – 19h
$20
Classificação 16 anos
 
Sessão gratuita: 13/11 (segunda-feira), 19h30, seguida de bate-papo com o elenco e a diretora

DOS À DEUX

Em Dos à Deux, primeira montagem da companhia franco-brasileira de mesmo nome, estavam em cena apenas os seus fundadores, André Curti e Artur Luanda Ribeiro. Dezoito anos depois, a dupla de atores e diretores volta a trabalhar em duo, como no início da parceria, no espetáculo Gritos. Com concepção, dramaturgia, cenografia e direção de André Curti e Artur Luanda Ribeiro, a nova peça da Cia. Dos à Deux é formada por três poemas gestuais metafóricos criados a partir de um tema: o amor. Gritos faz temporada de 10 de março a 24 de abril, no CCBB São Paulo.

Em uma atmosfera onírica, os três poemas que compõem Gritos são revelados por meio de uma partitura gestual sutil e minuciosa. Inspirada em temas da atualidade, a dramaturgia foi criada durante o processo de pesquisa e de criação artística. As pessoas invisíveis na sociedade, o preconceito, o desprezo, os refugiados a guerra e o amor permeiam os três poemas gestuais – os três gritos.

Há anos trabalhando com teatro gestual, a dupla experimenta, neste novo trabalho, a transformação de seus próprios corpos em bonecos de proporções humanas, como se estivessem refletidos no espelho. Com colaboração da marionetista russa Natacha Belova (responsáveltambém pelos bonecos do espetáculo Irmãos de sangue) e do brasileiro Bruno Dante, André e Artur tiveram partes dos seus corpos – cabeça, mãos, pés e braços – esculpidos com gesso e depois trabalhados em diferentes materiais.

Essa pesquisa, na fronteira entre artes plásticas, formas animadas, teatro e dança, nos fez ter uma nova sensação gestual que, até então, não havíamos experimentado. Um gestual potente, complexo e contido”, explica Artur. “Ao longo da criação, na pesquisa de formas animadas, nós fomos dando vida ao invisível dos corpos, aos poucos. Como se a vida tivesse arrancado um pedaço desses personagens, nos obrigando a dar poesia e intenção a objetos que se tornaram corpos, e corpos que se tornaram objetos”, explica André.

A cenografia de Gritos é uma instalação plástica composta por estruturas de colchões de mola, que vão se transformando em objetos insólitos ao longo da peça. Em alguns momentos, os colchões formam labirintos de onde os personagens procuram uma saída. Em outros, um quarto para um encontro amoroso. Na pesquisa da Cia. Dos à Deux, a cenografia é mutável, com arquitetura servindo organicamente à dramaturgia – à qual, assim como nas criações anteriores, a luz se funde, sublinhando os espaços cenográficos criados pela dupla. “Trabalhar a luz como um personagem sempre fez parte de nossa pesquisa”, conta Artur. “Nosso universo é construído pensando num todo: luz, cenário, bonecos e dramaturgia caminham juntos”, complementa André.

OS TRÊS POEMASOS TRÊS GRITOS 

Grito 1: Louise

Louise nasceu num corpo de homem que ela não quer, deseja ser invisível aos olhares dos outros, convivendo com um turbilhão de preconceitos, Cuidando de sua mãe, uma velha senhora doente,também invisível perante a sociedade, Louise busca o amor e a aceitação.

Grito 2:  O homem

Um poema metafóricoe metafisico sobre o homem que perdeu a cabeça. Um muro os divide. Um poema gestual entre o sonho, o onírico e o absurdo.

Grito 3:  Amor em tempos de guerra

Numa atmosfera surrealista, uma mulher vestida de negro surge revelando sua beleza e seus gestos lentos. Em meio a guerra, uma dança de amor misteriosa começa, revelando a trajetória e a luta de uma mulher do Extremo Orientena sua existência.

Mais informações no site oficial da Cia. Dos à Deux: www.dosadeux.com

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Gritos
Com Artur Luanda Ribeiro e André Curti
Centro Cultural Banco do Brasil (R. Álvares Penteado, 112 – Centro, São Paulo)
Duração 75 minutos
10/03 até 24/04
Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 19h; Segunda – 20h
$ 20
Classificação 14 anos
 
Concepção, dramaturgia, cenografia e direção: Artur Luanda Ribeiro e André Curti
Pesquisa e realização objetos/bonecos: Natacha Belova e Bruno Dante
Assistente de realização objetos/bonecos: Cleyton Diirr
Criação Musical Grito 1: Fernando Mota
Colaboração: Beto Lemos e Marcelo H
Gritos 2 e 3
Direção Musical: Beto Lemos
Criação Musical: Marcelo H
Cenotécnico: Jessé Natan
Iluminação: Artur Luanda Ribeiro e Hugo Mercier
Figurinos: Thanara Schonardie
Contramestra: Maria Madelana Oliveira
Comunicação visual: Bruno Dante
Técnico de Luz : PH
Técnico de Som: Gabriel Reis
Contrarregra: Jessé Natan e Leandro Brander
Direção de Produção: Sergio Saboya 
Produção executiva: Ana Casalli
Difusão – França:Drôles de Dames
Realização próteses: Dra. Rita Guimarães de Freitas
Fotos: Renato Mangolin
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio