CARMEN, A GRANDE PEQUENA NOTÁVEL

Há exatos 90 anos Carmen Miranda (1909-1955) cantava pela primeira vez na rádio carioca Roquete Pinto. Portuguesa radicada no Brasil, a cantora estava prestes a se tornar um dos maiores símbolos da cultura brasileira para todo o mundo. Em comemoração a essa data, Carmen, a Grande Pequena Notável, com direção de Kleber Montanheiro, estreia no dia 15 de setembro no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP). O espetáculo fica em cartaz até 26 de janeiro de 2019, com apresentações aos sábados, às 11h.

O musical é inspirado no livro homônimo de Heloísa Seixas e Julia Romeu, que venceu o Prêmio FNLIJ de Melhor Livro de Não Ficção em 2015. Quem dá vida à diva é a atriz Amanda Acosta, que divide o palco com Daniela Cury, Luciana Ramanzini, Maria Bia, Samuel de Assis e Fabiano Augusto. Os músicos Maurício Maas, Betinho Sodré, Monique Salustiano e Marco França também estão em cena.

Para contar essa história, o espetáculo adota a estrutura, a estética e as convenções do Teatro de Revista Brasileiro, no qual Carmen Miranda também se destacou. “Utilizamos a divisão em quadros, o reconhecimento imediato de tipos brasileiros e a musicalidade presente, colaborando diretamente com o texto falado, não como um apêndice musical, mas sim como dramaturgia cantada”, explica o diretor Kleber Montanheiro.

Esse tradicional gênero popular faz parte da identidade cultural brasileira, mas recentemente está em processo de desaparecimento da cena teatral por falta de conhecimento, preconceito artístico e valorização de formas americanizadas e/ou industrializadas de musicais.

A encenação tem a proposta de preservar a memória sobre a pequena notável, como a cantora era conhecida, e a época em que ela fez sucesso tanto no Brasil como nos Estados Unidos, entre os anos de 1930 e 1950. Por isso, os figurinos da protagonista são inspirados nos desenhos originais das roupas usadas por Carmen Miranda; já as vestes dos demais personagens são baseadas na moda dessas décadas.

As interpretações dos atores obedecerão a prosódia de uma época, influenciada diretamente pelo modo de falar ‘aportuguesado’, o maneirismo de cantar proveniente do rádio, onde as emissões vocais traduzem um período e uma identidade específica”, revela Montanheiro.

A cenografia reproduz os principais ambientes propostos pelo livro. Esses espaços físicos são o porto do Rio de Janeiro, onde Carmen desembarca criança com seus pais; sua casa e as ruas da Cidade Maravilhosa; a loja de chapéus, onde Carmen trabalhou; o estúdio de rádio; os estúdios de Hollywood e as telas de cinema; e o céu, onde ela foi cantar em 5 de agosto de 1955. Cada cenário traz ao fundo uma palavra composta com as letras do nome da cantora em formatos grandes. Por exemplo, a palavra MAR aparece no porto, e MÃE, na casa dos pais da cantora.

O espetáculo só pôde ser realizado graças aos recursos da 6ª edição do Prêmio Zé Renato de Teatro.

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Carmen, a Grande Pequena Notável

Com Amanda Acosta, Daniela Cury, Luciana Ramanzini, Maria Bia, Samuel de Assis e Fabiano Augusto

Centro Cultural Banco do Brasil SP (Rua Álvares Penteado, 112, Centro – São Paulo)

Duração 70 minutos

15/09 até 26/01 (sessões extras 12/10, 02/11, 15/11 e 25/01

Sábado – 11h

$20

Classificação Livre

INSETOS

Comemorando 30 anos de trajetória, a Cia. dos Atores estreia Insetos em 8 de julho, no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo. Com texto original de Jô Bilac adaptado pela Cia. dos Atores e pelo diretor Rodrigo Portella, a montagem traz cinco fundadores da companhia no elenco: Cesar Augusto, Gustavo Gasparani, Marcelo Olinto, Marcelo Valle e Susana Ribeiro. A peça ficará em cartaz até o dia 20 de agosto, com sessões de quarta a segunda, com patrocínio do Banco do Brasil.

Repetindo aqui a parceria com a Cia. dos Atores após o sucesso de Conselho de Classe (2014), Jô Bilac propôs dar voz aos insetos para este novo espetáculo do grupo. São doze quadros que se entrelaçam formando um mosaico no qual o autor fala sobre convivência, medo e manipulação. Como uma fábula, o texto traça paralelos entre a natureza e questões político-sociais da atualidade – evocando comportamentos coletivos e individuais revelados através de uma grande polifonia de diferentes insetos: cigarra, gafanhoto, barata, louva-a-deus, besouro, mariposa, borboleta, mosquito, cupim, mosca e formiga.

Em cena, um imenso êxodo desequilibra a natureza. O colapso é eminente. Os gafanhotos tentam destruir tudo, mas se veem diante de uma nova ordem imposta pelo louva-a-deus. Nesse universo, o olhar sobre o humano ganha uma nova perspectiva, atravessada pela realidade dos insetos. “O Jô usa os insetos na dramaturgia em analogia com personagens da nossa história, situações que estamos vivendo atualmente. Temos figuras do poder, estratos sociais, mas sem uma nomeação direta”, explica Susana Ribeiro. “Queremos usar desequilíbrios da natureza como espelho da sociedade”, comenta Cesar Augusto.

Com cenário de Beli Araújo e Cesar Augusto o espaço cênico é ocupado por pneus, que criam diferentes quadros para as cenas. Os figurinos de Marcelo Olinto trazem referências ao universo dos insetos – como asas e antenas – mas não são a representação fiel desses bichos. “Essa peça me permite trabalhar o lugar do atrito entre o cômico e o trágico, refletido no estado de guerra proposto pelo texto. Trabalhamos entre o universo microscópico e invisível dos insetos e o nosso universo”, diz Rodrigo Portella.

Para a companhia, o espetáculo é também uma celebração. “Temos 30 anos de convívio. Olhamos um para o outro em cena e nos reconhecemos”, diz Marcelo Valle. “Acho que uma palavra que nos definiria seria inquietação. E uma das coisas boas é que nos colocamos o desafio de trabalhar com pessoas novas, como o Rodrigo (Portella), que é de outra geração. Essa inquietação e essa disponibilidade para o novo nos acompanha desde 1988”, completa Marcelo Olinto. “Estar em cena com parceiros de 30 anos de amizade e trabalho, e poder discutir e refletir sobre o Brasil atual, é para mim um privilégio e um ato de resistência”, afirma Gustavo Gasparani.

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Insetos

Com Cesar Augusto, Gustavo Gasparani, Marcelo Olinto, Marcelo Valle, Susana Ribeiro

Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (Rua Álvares Penteado, 112. Centro – São Paulo)

08/07 até 20/08

Duração 80 minutos

Quarta, Quinta, Sexta, Sábado e Segunda – 20h, Domingo – 18h

$20

Classificação 14 anos

HOJE O ESCURO VAI ATRASAR PARA QUE POSSAMOS CONVERSAR

Em seu primeiro espetáculo infantil, Hoje O Escuro Vai Atrasar Para Que Possamos Conversar, o Grupo XIX de Teatro teve seu processo criativo inspirado pelo romance De Repente, Nas Profundezas do Bosque, do escritor israelense Amós Oz. A peça estreia no dia 10 de março no Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo, onde segue em cartaz até 23 de junho, com sessões aos sábados, às 11h. O elenco conta com a participação de Janaina LeiteJuliana SanchesRodolfo Amorim,Ronaldo Serruya e Tarita Souza.

Com dramaturgia de Ronaldo Serruya e direção de Luiz Fernando Marques e Rodolfo Amorim, a peça se passa em um triste vilarejo onde não vivem mais animais, nem domésticos e nem silvestres. Algo muito estranho aconteceu no passado que provocou a fuga dos bichinhos e os transformou em seres quase mitológicos, lembrados apenas nas aulas da professora Rafaela.

Nesse lugar misterioso, vivem os colegas Santi, Clara e Luna, que, depois de sofrer bullying de seus colegas também desapareceu. Desconfiados de que Luna teria sido raptada pelo Espírito do “não-sei-o-quê” do bosque, Santi e Clara partem floresta a dentro em busca da amiga.

A encenação apresenta ao público delicados temas discutidos pela obra de Amós Oz, como os efeitos da discriminação e do tratamento indesejado, como o bullying isola as pessoas e a consciência de que o “outro” também tem medos, fragilidades e inseguranças. A ideia é fazer com que as crianças entendam a alteridade como uma extensão do eu, desconstruir o processo vicioso de desqualificação de um indivíduo por causa de suas diferenças e mostrar que as pessoas formam juntas as conexões do tecido social de uma comunidade.

Queríamos discutir como desmontar uma estrutura normativa que permite a perpetuação desse mecanismo de opressão social na escola. Eu também me inspirei na minha própria história, pois fui vítima de bullying e vivenciei esse sistema opressor. E, na época, não havia uma estrutura para discutir isso, em nenhuma instância. O bullying era tratado como algo normalizado dentro daquele universo”, comenta o autor Ronaldo Serruya.

PROCESSO CRIATIVO

Quando o Grupo XIX decidiu montar seu primeiro espetáculo infantil, os artistas se reuniram para elencar quais temas gostariam de abordar. A fábula de Amós Oz, cuja literatura adulta já era discutida na companhia, logo veio à tona quando eles escolheram tratar do respeito às diferenças. “Outra coisa bacana é que, embora o autor tenha classificado o livro como uma história infantojuvenil, não faz concessões para tornar sua linguagem mais simples. Isso é muito legal porque mostra que não precisamos menosprezar o poder de ‘metaforização’ do imaginário infantil. A literatura tem muitas narrativas poéticas que permitem que criança possa exercitar seu poder de imaginação”, fala o dramaturgo.

Escolhido o texto que inspiraria à encenação, o desafio passou a ser como os artistas usariam a linguagem desenvolvida pela companhia ao longo de seus 16 anos para montar uma peça infantil. “Pensamos em transformar o espetáculo em uma experiência itinerante, de modo que ela tivesse uma relação com o espaço. Chegamos a ideia de convidar a plateia para um passeio fora do teatro e dentro de sua arquitetura, passando pelo palco, pelos urdimentos, pelas coxias. Outra questão foi a interatividade, ou seja, a tentativa de promover o diálogo direto com as crianças, o que fazemos sempre em nossas peças adultas”, comenta Luiz Fernando Marques.

Nessa experiência teatral imersiva, o cenário funcionará como uma instalação inspirada no trabalho da artista mineira Lygia Clark, usando estímulos com o escuro, claro, barulhos e diferentes texturas para provocar os sentidos da plateia. O bosque da história será construído com adereços pela ocupação de cada um dos espectadores.

A encenação brinca um pouco com essa busca pelos animais. Para chegar a esse ponto, eles fazem um passeio pelos corredores, escadas e algumas salas do CCBB. Em um primeiro momento as crianças assistem à peça com um cenário pintado e têm uma experiência. Dentro do bosque, têm outra experiência. Eles podem interagir com os elementos aos quais eles assistiram antes e vivem uma inversão de ponto de vista”, acrescenta o diretor Rodolfo Amorim.

A paisagem sonora da peça, pensada pela diretora musical Tarita Sousa, também contribuirá para essa experiência. Os sons da natureza e dos bichos serão recriados com materiais naturais, como paus de chuva do cerrado brasileiro, folhas secas e de vários tipos de vegetação, bambus e gravetos, combinados com teclado e violão.

Já os figurinos de Juliana Sanches são diferentes quando a história se passa na aldeia e na floresta. No primeiro lugar, os personagens usam roupas que rementem à uma representação tradicional da infância; no segundo, trajes que se transformam, com sobreposições quebrando os paradigmas do masculino e feminino.

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Hoje o Escuro Vai Atrasar Para Que Possamos Conversar
Com Janaina Leite, Juliana Sanches, Ronaldo Serruya, Rodolfo Amorim, Tarita de Souza.
Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado, 112 – Centro, São Paulo)
Duração 60 minutos
10/03 até 26/05
Sábado – 11h
01 a 22/06
Sexta – 11h
$20
Classificação Livre

DOSTOIÉVSKI – TRIP

Sete anos após a estreia do premiado O Idiota – Uma Novela Teatral, as companhias Livre e Mundana se reencontram em Dostoiévski-Trip, nova viagem ao universo do escritor russo e ao célebre romance publicado em 1869. Com direção de Cibele Forjaz, o espetáculo, inédito no país, está em cartaz no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo.
 
O elenco de Dostoiévski-Trip é composto por atores criadores das companhias Livre e Mundana: Aury Porto, Edgar Castro, Guilherme Calzavara, Luah Guimarãez, Lúcia Romano, Marcos Damigo, Sergio Siviero e Vanderlei Bernardino. A direção de arte do espetáculo é assinada por Simone Mina.
 
Esta é a primeira montagem brasileira do texto de Vladímir Sorókin – um dos grandes nomes da chamada nova literatura russa –, já encenado em Moscou e Nova York. Na peça, um grupo de viciados aguarda a chegada de um traficante que lhes prometeu trazer uma novidade. Enquanto isso, conversam, discutem (e até mesmo brigam) sobre grandes nomes da literatura mundial – Kafka, Pushkin, Cervantes, entre outros – e seus supostos efeitos. Este, contudo, não é um encontro amistoso entre amantes das letras, e sim de um bando de pessoas que mal se conhecem, unidos apenas pela condição de viciados em literatura.
 
Ávidos pela próxima dose, os personagens são lançados em uma jornada pelo universo de Fiódor Dostoiévski (1821-1881). Em contato com a prosa do romancista russo, os personagens embarcam na trip do título e acabam por protagonizar uma das mais célebres passagens de O Idiota, na qualseus dilemas filosóficos e existenciais se aprofundam e se potencializam transcendendo para as formas do mundo contemporâneo.
 
Segundo Cibele Forjaz, a ideia de montar Dostoiévski-Trip surgiu ainda durante as apresentações de O Idiota – Uma Novela Teatral (2010), também dirigido por ela. Apesar de partirem da obra de um mesmo autor, para a diretora, as peças têm estéticas e temáticas bastante distintas. “Dostoiévski-Trip é uma espécie de pós-Idiota. Fizemos aquele espetáculo levando muito a sério a narrativa da novela e o seu lado humano e mais sensível. Esta, por sua vez, tem um desencanto pós-moderno. É Dostoiévski tomado como uma droga que a sociedade contemporânea não pode suportar, pois a sua poesia e sua humanidade não cabem mais nesse mundo, em que as relações sociais estão marcadas pela egotrip”, explica a encenadora.
 
O espetáculo também se beneficia de um traço comum à história recente de ambas as companhias: a pesquisa da obra do alemão Bertolt Brecht, que permeou o processo de criação. Além das leituras, também foram realizadas “travessias pela cidade” – uma experiência de toda a equipe pelas ruas de São Paulo que revelou, em uma sociedade viciada em excessos, um resquício de humanidade em meio ao concreto e à carência das populações de rua. Além de contrapor o texto russo com a realidade brasileira, a pesquisa de campo evidenciou a atualidade de Dostoiévski, autor que radiografou a burguesia de sua época e sua obsessão por dinheiro, poder e prestígio.
 
Além das apresentações em São Paulo, o espetáculo também cumprirá temporadas em Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte em 2018.

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Dostoiévski-Trip
Com Aury Porto, Edgar Castro, Guilherme Calzavara, Luah Guimarãez, Lúcia Romano, Marcos Damigo, Sergio Siviero e Vanderlei Bernardino
Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo (Rua Álvares Penteado, 112 – Centro. São Paulo)
Duração 120 minutos
28/10 até 18/12
Sexta, Sábado e Segunda – 20h, Domingo – 19h
$20
Classificação 16 anos
 
Sessão gratuita: 13/11 (segunda-feira), 19h30, seguida de bate-papo com o elenco e a diretora

DOS À DEUX

Em Dos à Deux, primeira montagem da companhia franco-brasileira de mesmo nome, estavam em cena apenas os seus fundadores, André Curti e Artur Luanda Ribeiro. Dezoito anos depois, a dupla de atores e diretores volta a trabalhar em duo, como no início da parceria, no espetáculo Gritos. Com concepção, dramaturgia, cenografia e direção de André Curti e Artur Luanda Ribeiro, a nova peça da Cia. Dos à Deux é formada por três poemas gestuais metafóricos criados a partir de um tema: o amor. Gritos faz temporada de 10 de março a 24 de abril, no CCBB São Paulo.

Em uma atmosfera onírica, os três poemas que compõem Gritos são revelados por meio de uma partitura gestual sutil e minuciosa. Inspirada em temas da atualidade, a dramaturgia foi criada durante o processo de pesquisa e de criação artística. As pessoas invisíveis na sociedade, o preconceito, o desprezo, os refugiados a guerra e o amor permeiam os três poemas gestuais – os três gritos.

Há anos trabalhando com teatro gestual, a dupla experimenta, neste novo trabalho, a transformação de seus próprios corpos em bonecos de proporções humanas, como se estivessem refletidos no espelho. Com colaboração da marionetista russa Natacha Belova (responsáveltambém pelos bonecos do espetáculo Irmãos de sangue) e do brasileiro Bruno Dante, André e Artur tiveram partes dos seus corpos – cabeça, mãos, pés e braços – esculpidos com gesso e depois trabalhados em diferentes materiais.

Essa pesquisa, na fronteira entre artes plásticas, formas animadas, teatro e dança, nos fez ter uma nova sensação gestual que, até então, não havíamos experimentado. Um gestual potente, complexo e contido”, explica Artur. “Ao longo da criação, na pesquisa de formas animadas, nós fomos dando vida ao invisível dos corpos, aos poucos. Como se a vida tivesse arrancado um pedaço desses personagens, nos obrigando a dar poesia e intenção a objetos que se tornaram corpos, e corpos que se tornaram objetos”, explica André.

A cenografia de Gritos é uma instalação plástica composta por estruturas de colchões de mola, que vão se transformando em objetos insólitos ao longo da peça. Em alguns momentos, os colchões formam labirintos de onde os personagens procuram uma saída. Em outros, um quarto para um encontro amoroso. Na pesquisa da Cia. Dos à Deux, a cenografia é mutável, com arquitetura servindo organicamente à dramaturgia – à qual, assim como nas criações anteriores, a luz se funde, sublinhando os espaços cenográficos criados pela dupla. “Trabalhar a luz como um personagem sempre fez parte de nossa pesquisa”, conta Artur. “Nosso universo é construído pensando num todo: luz, cenário, bonecos e dramaturgia caminham juntos”, complementa André.

OS TRÊS POEMASOS TRÊS GRITOS 

Grito 1: Louise

Louise nasceu num corpo de homem que ela não quer, deseja ser invisível aos olhares dos outros, convivendo com um turbilhão de preconceitos, Cuidando de sua mãe, uma velha senhora doente,também invisível perante a sociedade, Louise busca o amor e a aceitação.

Grito 2:  O homem

Um poema metafóricoe metafisico sobre o homem que perdeu a cabeça. Um muro os divide. Um poema gestual entre o sonho, o onírico e o absurdo.

Grito 3:  Amor em tempos de guerra

Numa atmosfera surrealista, uma mulher vestida de negro surge revelando sua beleza e seus gestos lentos. Em meio a guerra, uma dança de amor misteriosa começa, revelando a trajetória e a luta de uma mulher do Extremo Orientena sua existência.

Mais informações no site oficial da Cia. Dos à Deux: www.dosadeux.com

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Gritos
Com Artur Luanda Ribeiro e André Curti
Centro Cultural Banco do Brasil (R. Álvares Penteado, 112 – Centro, São Paulo)
Duração 75 minutos
10/03 até 24/04
Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 19h; Segunda – 20h
$ 20
Classificação 14 anos
 
Concepção, dramaturgia, cenografia e direção: Artur Luanda Ribeiro e André Curti
Pesquisa e realização objetos/bonecos: Natacha Belova e Bruno Dante
Assistente de realização objetos/bonecos: Cleyton Diirr
Criação Musical Grito 1: Fernando Mota
Colaboração: Beto Lemos e Marcelo H
Gritos 2 e 3
Direção Musical: Beto Lemos
Criação Musical: Marcelo H
Cenotécnico: Jessé Natan
Iluminação: Artur Luanda Ribeiro e Hugo Mercier
Figurinos: Thanara Schonardie
Contramestra: Maria Madelana Oliveira
Comunicação visual: Bruno Dante
Técnico de Luz : PH
Técnico de Som: Gabriel Reis
Contrarregra: Jessé Natan e Leandro Brander
Direção de Produção: Sergio Saboya 
Produção executiva: Ana Casalli
Difusão – França:Drôles de Dames
Realização próteses: Dra. Rita Guimarães de Freitas
Fotos: Renato Mangolin
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

 

OVONO

O espetáculo OVONO volta em cartaz no dia 7 de janeiro de 2017 (sábado, às 20 horas) no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em São Paulo, onde permanece em cartaz até o dia 6 de fevereiro. A montagem tem texto e direção assinados pelo artista multimídia Ricardo Karman, reconhecido por montagens ousadas e inusitadas, fundador da Kompanhia Centro da Terra.

A peça é uma aventura de ficção científica, satírica e filosófica, na qual um gigantesco osso vindo do espaço está prestes a destruir a Terra. A única esperança do planeta é Ovono, o mais perfeito cérebro artificial já criado, mas esta “máquina” está aprendendo a pensar, a ter sentimentos, e pode não estar preparada para a difícil missão de destruir o objeto ameaçador e salvar a humanidade.

Além de Ricardo Karman (texto, direção e cenografia), a ficha técnica traz Amir Admoni na direção de animação digital e vídeo, Tito Sabatini como diretor de projeto multimídia, José de Anchieta no figurino, Domingos Quintiliano na iluminação e Otávio Donasci em projeto e consultoria de inflável. O elenco é formado por Gustavo Vaz, Paula Arruda, Paula Spinelli, Fábio Herford, Bruno Ribeiro e César Brasil.

O enredo discute a ambição pelo progresso tecnológico no decorrer da evolução da civilização. Com uma linguagem multimídia inusitada a encenação ousa em técnicas de vídeo maping com projeções em suportes esféricos e infláveis (seres e imagens criadas digitalmente por Adnomi, especialmente para a peça). Ricardo Karman e a Kompanhia do Centro da Terra levam para o teatro uma reflexão fundamental sobre os rumos do progresso e o ônus do desenvolvimentismo irrefreável em nossa época. OVONO é híbrido de teatro, mímica, vídeo e animação computadorizada: as personagens interagem em perfeita sincronia com animações digitais, cujas vozes são dubladas ao vivo pelos atores na coxia, criando uma dinâmica cênica que mistura o real e o virtual – linha mestra da pesquisa de 27 anos da Kompanhia. O cenário é um inflavel, onde fica uma calota (globo) que recebe a projeção de várias cenas, inclusive a “forma sugerida” do cérebro Ovono. Quase todas as cenas ocorrem dentro desta estrutura, quando os atores têm a voz amplificada para que o som seja perfeito.

A criação de Karman foi inspirada, de forma irônica, na corrida espacial dos anos 60 e 70, em filmes de ficção científica como 2001 – Uma Odisseia no Espaço (Stanley Kubrick, 1968) e no livro de Gênesis (Bíblia). O osso arremessado para o alto por um macaco (no filme) como alusão ao brilhante futuro da raça humana, marca a utopia do final do século XX. O eloquente orgulho da inteligência humana, das conquistas tecnológicas e da exploração do espaço contrasta aqui com um futuro perverso, com o ônus do modelo de progresso insustentável. Este é o contexto da parábola de OVONO: o Osso retorna e ameaça quedar-se, gigantesco, sobre nossas cabeças com o efeito devastador de uma bomba atômica.

Ovono é um computador dotado de inteligência artificial; é o paroxismo do intelecto humano, a mais sofisticada idealização da tecnologia, a mimese da inteligência humana (é uma criação digital que contracena com os atores, dublado por Paula Spinelli). Segundo o diretor, a sociedade do consumo confunde evolução tecnológica com desenvolvimento civilizatório. “Há uma certa hipnose gerada pela tecnologia que nos ilude, infla nossa autoestima e nos faz sentir orgulho da nossa raça. Percebemos de forma irrefutável um evolucionismo sempre benéfico. Tecnologia não deveria ser a única referência para o desenvolvimento da civilização. O verdadeiro progresso deveria ser o da evolução humana e dos ganhos sociais de toda a população”, explica Karman.

O espetáculo procura refletir com bom humor sobre essas questões da evolução. Há dois conflitos dramáticos, duas linhas de discussão no texto. Uma crê no progresso e quer manter o Osso no ar: acredita que a humanidade vai conseguir superar seus problemas e continuar evoluindo (e o osso continuará voando no espaço). A outra quer destruí-lo: não acredita na superação dos problemas (e o Osso cairá e nos destruirá). O computador Ovono defende a primeira hipótese, mas, diferentemente do HAL do filme de Kubrick, ele adquiriu fé no Osso. Afinal, ele seria o seu “pai”, a razão única de sua existência. E, contra todas as evidências científicas, “acredita” que ele não destruirá o planeta.

Para Ricardo Karman “o desafio em OVONO é manter a ‘simplicidade’ teatral sem deixar transparecer o inerente rigor técnico e a sofisticação eletrônica para que a história tenha um curso natural e envolvente, diante de uma dramaturgia que assume meios digitais de comunicação como ponte para a estética contemporânea”. Ele ainda explica o significado do título: “ovon-o” remete a novo, a grafia é o contrário de “o-novo”.

Ovono
Com Gustavo Vaz, Paula Arruda, Paula Spinelli, Fábio Herford, Bruno Ribeiro e César Brasil
Participação/vídeos: Lulu Pavarin, Vivian Bertocco, Beatriz Bianco e Vivian Vineyard.
Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado, 112 – Centro, São Paulo)
Duração 90 minutos
07/01 até 06/02
Sábado – 20h; Domingo – 19h; Segunda – 20h
$20
Classificação 16 anos
 
Texto e direção geral: Ricardo Karman
Diretor de animação e vídeo: Amir Admoni 
Diretor de projeto multimídia: Tito Sabatini
Assistência de direção: Bernardo Galegale
Figurino: José de Anchieta
Iluminação: Domingos Quintiliano
Cenografia: Ricardo Karman
Dramaturgista: Rui Condeixa Xavier
Projeto e consultoria de inflável: Otávio Donasci
Consultor de imagem: Hugo Mendes e Damian Campos
Equipe de suporte de projeção: Angelo Bag, Damian Campos e Hugo Rodrigues
Trilha sonora: Raul Teixeira e Rodrigo Florentino
Operação de som: Rodrigo Florientino
Operação de luz e vídeo: Leonardo Patrevita
Animação: Amir Admoni e Fabrício Melo
Rigging / verme: Leonardo Cadaval
Animação verme: Diego Souza
Videorreportagem: César Brasil
Assistentes de luz para montagem: Marcos Rogério Fávero e Vinícius Requena 
Adereços: Marcela Donato, Paulo Galvão, Josué Torres
Consultoria de visagismo: Duda Marcondes
Contrarregra: César Brasil, Bruno Ribeiro e Moisés Saron Lopes
Costureira: Lande Figurinos
Confecção de inflável: Juanito Cusicanki
Fabricação da calota: Marcelo Carlos da Macplast
Coordenação de produção e produção executiva: Vivian Vineyard
Administração: Norma Lyds e Emerson Mostacco
Projeto gráfico: Keren Ora Karman
Fotografia: Leekyung Kim
Assessoria de imprensa: Verbena Comunicação 
Idealização: Kompanhia do Centro da Terra
Realização: Centro Cultural Banco do Brasil
Patrocínio: Banco do Brasil
Copatrocínio: Sabesp

 

FÓRUM SHAKESPEARE

A partir de 20 de abril, o Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo irá respirar, discutir e viver William Shakespeare durante os cinco dias em que acontece o FÓRUM SHAKESPEARE, evento que celebra o dramaturgo inglês e acontece desde 1995. No ano em que se lembra os 400 anos da morte do Bardo, o evento ganha uma novidade: pela primeira vez, ele possibilita a montagem de três espetáculos de Shakespeare dirigidos por ingleses e com um elenco completamente brasileiro. No CCBB SP, o ator e diretor Greg Hicks – um dos maiores intérpretes shakespeariano de sua geração – dirige uma versão deMACBETH, que estreia no próprio dia 20, na abertura da edição 2016.
FÓRUM SHAKESPEARE é uma realização do Centro Cultural Banco do Brasil e do Ministério da Cultura com produção da People’s Palace Projects e People’s Palace Projects do Brasil e conta com o apoio do British Council, Arts Council England, Queen Mary University of London e Funarte. O evento integra a programação da campanha global do governo britânico, Shakespeare Lives, que vai apresentar o trabalho do dramaturgo britânico em um contexto contemporâneo e criativo no ano do aniversário de 400 anos de sua morte.
Com curadoria de Paul Heritage, o fórum também acontece em Belo Horizonte e Rio de Janeiro. A capital mineira terá uma versão de Mercador de Veneza, com direção de Catherine Paskell, e os cariocas verão Vik Sivalingam dirigir A Tempestade. “São 400 anos da morte de William Shakespeare. Apesar de seu tempo ser muito distante do nosso, ainda é extremamente atual. O intuito do evento é justamente esse: além de aproximar a cultura inglesa dos brasileiros, buscamos discutir e ver o quanto às questões levantadas por esse dramaturgo há centenas de anos ainda nos tocam e dialogam com os nossos dias”, explica Paul.
Além das peças, grande novidade dessa edição, o FÓRUM SHAKESPEARE também continua com a proposta de ser um amplo intercâmbio artístico e educativo internacional. Na programação de oficinas que acontecerão em São Paulo estão os seguintes nomes: Jerry Brotton, autor de Shakespeare e o Islã (recém publicado pela editora Penguim, no Reino Unido), um dos mais proeminentes pensadores e escritores do Reino Unido; Joad Raymond, pesquisador da Renascença, especialista no séculos 16 e 17, jornalismo e lobbying; e Catherine Silverstone, autora de Conversa sobre Shakespeare e trauma – um olhar dedicado a cultura queer na performance.
Romeo and Juliet RSC 2006
Um Macbeth inglês com sotaque brasileiro
Com foco em formação, troca de informações e reflexões desde o seu início, o FÓRUM SHAKESPEARE amplia sua programação em 2016 para apresentar um espetáculo. Em São Paulo, as pessoas irão ver um MACBETH assinado por Greg Hick, premiado ator inglês que já esteve no elenco de filmes como O Filho de Deus e também é um dos principais nomes da The Royal Shakespeare Company. Em 2003, Greg foi premiado como melhor ator em performance de Shakespeare pelo Critics’ Circle Theatre Awards por sua atuação como Coriolanus no Old Vic. O mesmo prêmio já foi vencido em outros anos por Judi Dench, Kevin Spacey, Jude Law e Eddie Redmayne.
O elenco será formado por nove atores brasileiros. Selecionados pelo próprio Hicks, esses atores passaram por um processo que recebeu cerca de 650 inscrições. Desse total, alguns foram selecionados pela SP Escola de Teatro e 36 profissionais passaram por um intenso treinamento sobre Shakespeare, ministrado por Bernadete dos Santos. No Rio de Janeiro, as audições foram realizadas em parceria com o Nós no Morro e, em Minas Gerais, o processo seletivo contou com a presença de diretores do Grupo Galpão.
Os ensaios com o elenco acontecem todos os dias por quatro intensas semanas no galpão da Funarte. Greg, que já tem um diálogo com o Brasil, convidou o mestre de capoeira Carlo Alexandre Teixeira para ser seu assistente de direção buscando criar uma versão inovadora e inusitada de MACBETH.
Outro brasileiro envolvido na montagem é o dramaturgo cearense Marcos Barbosa, que irá acompanhar o processo de criação da peça e, junto com Greg Hicks, foi o responsável por escolher as versões que serão utilizadas.
Conferência FÓRUM SHAKESPEARE
Uma grande conferência reunirá importantes nomes do teatro e da academia nacionais e internacionais em uma conferência no dia 23 de abril (aniversário de Shakespeare), sábado, das 10 às 17 horas (com uma hora de almoço), para discutir os mais diversos temas de relevância conceitual e temática presentes nas obras do Bardo sob uma ótica contemporânea.
Oficinas 
As oficinas do FÓRUM SHAKESPEARE contam com acadêmicos internacionais da Queen Mary University of London e acontecem paralelamente as apresentações do espetáculo. Catherine Silverstone abre a programação no dia 22 de abril, sexta-feira, das 16 às 19 horas. No domingo, dia 24 de abril, das 16 às 19 horas é a vez de Jerry Brotton e dia 25 de abril, segunda-feira, das 16 às 19 horas, Joad Raymond encerra o ciclo de oficinas. Assim como os demais eventos, as oficinas são gratuitas. As vagas são limitadas (25 participantes).
FÓRUM SHAKESPEARE – De 20 a 25 de abril, de quarta a segunda-feira, no Centro Cultural Banco do Brasil.
SEMINÁRIO FÓRUM SHAKESPEARE – 23 de abril, sábado, das 10 às 17 horas. Ingressos gratuitos e limitados – retirada com uma hora de antecedência na bilheteria do CCBB. A programação completa será divulgada em breve no sitewww.forumshakespeare.org.br
OFICINAS: Inscrições para as oficinas entre os dias 1º e 11 de abril através apenas do site do evento www.forumshakespeare.org.br
22 de abril, sexta-feira, das 16 às 19 horas: Flertando com Shakespeare, com Catherine Silverstone
24 de abril, domingo, das 16 às 19 horas: Os grandes Hits de Shakespeare, com Jerry Brotton
25 de abril, segunda-feira, das 16 às 19 horas: O palco e o sobrenatural, com Joad Raymond
MACBETH – 20, 22, 23, 24 e 25 de abril, quarta-feira, sábado e segunda-feira às 20 horas, sexta-feira às 16 e 20 horas e domingo às 16 e 19 horas, no Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil. Ingressos gratuitos – retirada com uma hora de antecedência na bilheteria do Teatro.
CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL
Rua Álvares Penteado, 112 – Centro – SP
Próximo às estações Sé e São Bento do Metrô
Informações: (11) 3113-3651/3652
Peça e seminário: entrada franca mediante retirada de senha a partir de 01 horas antes do início do evento.
Oficinas: entrada franca, mediante inscrição prévia.
Teatro: 130 lugares
Auditório: 45 lugares
Acesso e facilidades para pessoas com deficiência física // Ar-condicionado // Loja // Café Cafezal.