DISTOPIA BRASIL

Núcleo do Pequeno Ato apresenta uma narrativa original anti-utópica inspirada nos problemas sociopolíticos brasileiros atuais no espetáculo imersivo Distopia Brasil, que estreia no Centro Cultural São Paulo (CCSP), no Espaço Cênico Ademar Guerra, no dia 29 de março. O terceiro trabalho do coletivo – depois dos premiados Fortes Batidas e 11 Selvagens.

Com direção de Pedro Granato, a montagem surgiu de um processo criativo colaborativo, no qual o núcleo se debruçou sobre distopias clássicas e contemporâneas, como 1984Fahrenheit 451, Handmaid’s Tale, Blade Runner, Matrix, Laranja Mecânica, Admirável Mundo Novo, Black Mirror, Ensaio sobre a Cegueira e V de Vingança.

Sinto que vivemos a Era de Ouro das distopias, pois muita gente tem consumido e revisitado livros clássicos desse gênero. Entretanto, temos quase sempre uma perspectiva e uma cultura vindas de fora. É difícil entender uma distopia sobre controle absoluto em um Brasil no qual o Estado é cronicamente incompetente; ou sobre o tratamento desumano, pois muitos cidadãos já vivem isso em seu cotidiano graças ao nosso passado escravocrata e com subemprego”, comenta o diretor Pedro Granato, sobre os motivos para criar essa crítica da realidade brasileira.

A ideia era partir dessas obras para criar uma reflexão sobre como seria um futuro sombrio do país se os seus problemas atuais se agravassem. “Quando começamos esse processo, não imaginávamos que o Brasil se deterioraria tão rápido; sabíamos apenas que a situação do país ficaria violenta. O teatro segue na sua profunda impotência diante do macro; o que pretendemos fazer é atuar na escala individual. Que o espectador consiga por um instante entrar em contato com o que pode acontecer e reagir a isso. Pensando nos princípios de Augusto Boal, não trabalhamos com o espectador passivo, que é um mero consumidor daquilo que o agrada ou não. Aqui ele é um agente, tem que responder às provocações e sentir-se impelido a reagir”, explica Granato.

As principais questões sociopolíticas escolhidas para discussão foram: a intervenção militar no Estado, manifestada nas forças de pacificação do exército no Rio de Janeiro, que controlam e ficham os moradores das comunidades periféricas; o avanço do Estado Religioso, representado pelo crescimento da bancada BBB (boi, bíblia e bala) no congresso; o controle e fim da privacidade, que ficaram evidentes nos recentes grampos norte-americanos para políticos brasileiros e na vigilância dos cidadãos comuns exercida pelas novas tecnologias e mídias sociais; e os desastres ambientais, como a crise hídrica que tem ameaçado os reservatórios de água de São Paulo nos últimos anos. Também foram investigados grupos atuais de resistência para tentar imaginar como seria a luta contra esse regime totalitário proposto.

Assim como as peças anteriores do coletivo, Distopia Brasil propõe uma experiência imersiva ao espectador, arrastando-o para dentro da cena. Na entrada, por exemplo, a plateia deve responder perguntas dos interventores e será acomodada em bancos como se estivesse na igreja – ou na fila de espera por um serviço estatal burocrático. Além disso, todos são filmados o tempo todo, participam dos ritos da República Teocrática do Brasil, aplaudem o discurso do líder, rezam e participam do julgamento de um casal de meninas que tentou esconder sua relação para conseguir um visto de saída do país.

Não queríamos fazer um espetáculo discursivo em um país que já está saturado de opiniões e ideias; achamos muito mais interessante fazer uma distopia da qual todos fariam parte. Ou seja, a plateia pode experimentar um pouco o que é um procedimento ditatorial, uma intervenção militar e você ser controlado. Gostaríamos que a plateia sentisse essa experiência – que envolve a angústia e o constrangimento – para entender o real perigo dos discursos radicais que estão ganhando cada vez mais força no país”, comenta.

Para o núcleo, o futuro do Brasil se parece muito com uma mistura do passado e do presente do país, nos quais a justiça é mesclada com a moral religiosa, a escravidão, o machismo e a homofobia são traços marcantes da sociedade e poucos conseguem romper o conforto da passividade. “Começamos a pensar em um futuro para o Brasil e percebemos que os tempos que virão estarão imersos no retorno de coisas horríveis que já aconteceram e de feridas adormecidas. A História não é uma evolução contínua, mas um ciclo de recuos e avanços. Vivemos um momento em que se defende o autoritarismo, a catequização, o preconceito e a perda de salários e direitos trabalhistas. Temos uma ótica medieval e obscurantista sendo retomada, na qual há luta do bem contra o mal e inimigos a serem linchados”, acrescenta.

Ao contrário das distopias clássicas, que trabalham com a ideia de um Estado com avanços tecnológicos inimagináveis, o espetáculo procura focar na face humana da questão. ”Ao invés do progresso da ciência, temos o retorno de uma narrativa religiosa maniqueísta e fantasiosa. Ao mesmo tempo, também trazemos quais são os perigos tecnológicos. A peça não trabalha com iluminação teatral, mas com fontes de luz alternativas e manuais, equipamentos celulares e pequenas câmeras. Com isso, queremos mostrar que essa distopia não está tão distante assim da nossa realidade”, esclarece o diretor.

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Distopia Brasil

Com André Salama, Jade Pereira, Isabela Tortato, Beatriz Silveira, Luisa Galatti, Rafael Abrahão, Felipe Aidar, Juliana Navarro, Bruna da Matta, Alvaro Leonn, Helena Fraga, Renan Pereira, Manuela Pereira, Bruno Lourenço e Leticia Calvosa

Centro Cultural São Paulo – Espaço Cênico Ademar Guerra – Porão (Rua Vergueiro, 1000, Paraíso – São Paulo)

Duração 90 minutos

29/03 até 21/04

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 20h

Ingresso gratuito (distribuídos uma hora antes)

Classificação 12 anos

A ESTRANHA VIDA DE OWIE JONES

Teatro, audiovisual e música são as linguagens que embalam crianças e adultos no espetáculo infantojuvenil ‘A Estranha Vida de Owie Jones’, do Coletivo Marés, em temporada no Centro Cultural São Paulo – CCSP – de 19/01 a 24/02.

Na trama, Owie Jones, uma criança do Planeta Mercúrio, tem uma misteriosa mancha de nascença em seu rosto que é vista como uma vergonha pela sociedade mercuriana. Owie conta com a ajuda de seus amigos gêmeos – Beth e Bob Kook – para desvendar mistérios enquanto esperam a chegada de Tia Sunny, uma viajante das galáxias.

Inspirado na vida e nas obras de David Bowie, o Coletivo aborda de forma lúdica temas como o combate ao bullying e a aceitação às diferenças, utilizando melodias dos hits mais famosos de Bowie e letras adaptadas ao enredo da turma de Owie Jones que prometem conquistar a todos com muito bom humor. “Com esse espetáculo, buscamos mesclar duas artes que sempre nos motivaram, o audiovisual e o teatro. O rock’n roll veio como um tempero para unir tudo e agradar todas as famílias.” diz Rafael Martín França, diretor do espetáculo.

O espetáculo foi produzido em 2018 através de edital do PROAC do Estado de São Paulo e levou centenas de crianças de escolas públicas para conhecerem a magia do teatro.

SINOPSE

Mercúrio nunca mais foi o mesmo desde a chegada de Owie Jones. Um enorme meteoro colidiu com o planeta no momento exato de seu nascimento, e uma luz muito forte atravessou seu rosto, deixando uma misteriosa mancha que é vista como uma vergonha pela sociedade Mercuriana. Com seus amigos Beth Kook e Bob Kook, Owie forma uma banda de rock, “A Grande Banda Mercuriana”. Juntos, desvendam mistérios enquanto aguardam a chegada de Tia Sunny, que está viajando pelas galáxias.

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A Estranha Vida de Owie Jones

Com Debora Zanluca, Leticia Tavares, Rafael Martín França e Tabata Moraiz.

Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso, São Paulo)

Duração não informada

19/01 até 24/02

Sábado e Domingo – 16h

$20

Classificação Livre

JORNADA DE UM IMBECIL ATÉ O ENTENDIMENTO

Montada apenas três vezes, todas dirigidas pelo saudoso João das Neves (1935-2018), a peça Jornada de um Imbecil até o Entendimento, de Plínio Marcos (1935-1999), ganha nova encenação, com direção de Helio Cicero. O espetáculo estreia no dia 9 de novembro, sexta-feira, às 21h, no Centro Cultural São Paulo (CCSP) – Espaço Cênico Ademar Guerra, e segue em cartaz até 16 de dezembro. O elenco é formado por Jairo Mattos, Fernando Trauer, Fernanda Viacava, Rogério Brito e Douglas Simon, além do próprio diretor.

A comedia circense narra as articulações e malandragens de seis vagabundos – Mandrião, Teco, Manduca, Popô, Pilico e Totoca – que sobrevivem pedindo dinheiro nas ruas e becos de uma cidade grande. Apenas Mandrião e Pilico têm chapéus para pedir esmolas, sendo que o primeiro com a ajuda do Teco, uma espécie de secretário, contrata – ou praticamente escraviza – os demais pedintes, respaldados por uma falsa crença criada por um deles.

Mandrião e Teco armam um plano para acabar com Pilico, porque eles descobrem que o concorrente estaria tentando trazer os outros pedintes para seu lado. No meio dessa disputa, os empregados Manduca, Popô e Totoca analisam as vantagens que vão ganhar ao se aliar a cada um desses dois lados.

A encenação caracteriza todos os personagens como palhaços e explora a linguagem do realismo fantástico. “Esta é uma forma de homenagear Plínio Marcos, porque, antes de mais nada, ele era um palhaço. A linguagem clownesca está na estrutura do texto, com as características clássicas do universo clown, no qual as duplas aparecem com suas figuras típicas e referências. A opção pelo realismo fantástico do diretor Helio Cicero foi feita porque a única forma de contar essa história é através da poesia, já que a realidade é tão crua e dura e se supera a cada dia”, revela o ator e idealizador do espetáculo Fernando Trauer.

Ainda segundo Trauer, a ideia de montar o espetáculo surgiu quando leu o texto publicado na Coleção Plinio Marcos, Obras Teatrais, de Alcir Pécora. “A linguagem do Teatro do Absurdo; as referências explícitas a Esperando Godot [de Samuel Beckett], Ionesco e Brecht; a atualidade de um texto de 50 anos, que reflete o momento político no qual vivemos, nos níveis político, social, econômico e jurídico; e o fato de a peça fugir muito das tradicionais características conhecidas do Plínio são motivos que me despertaram o interesse”, diz.

A própria realidade brasileira atual serviu como fonte de inspiração. “As referências são diárias sobretudo em época de eleições: a história recente do país, os conchavos políticos, o Poder Judiciário, a dominação religiosa, a nossa São Paulo brasileira de tanta miscigenação, sujeira e belezas misturadas, a pobreza e as riquezas antagônicas. Além disso, adotamos a palhaçaria com suas referências clássicas, o universo do artista das ruas e a análise do indivíduo social e suas mazelas e belezas que o fazem humano”, comenta Trauer.

A montagem é ambientada em uma estação de trem abandonada, com trilhos disformes que levam a diferentes caminhos – esta é uma forma de homenagear João das Neves e seu maior espetáculo, O Último Carro. “O porão do Centro Cultural São Paulo contribui para a estrutura cenográfica, criando uma atmosfera de desolação, na qual a reutilização é palavra de ordem nos trilhos de uma estação de trem abandonada, cujas direções levam e trazem a lugares que foram ou poderiam ter sido alternativas. Com forte influência de Banksy, retrataremos um pouco das ruas e da realidade que nos cerca”, esclarece o diretor Helio Cicero.

Assim como o cenário também criado pela Luiza Curvo, os figurinos estão sendo confeccionados com materiais recicláveis como plástico, cápsulas de café, retalhos de tecidos e sobras do mercado industrial, em contraponto aos trajes sociais dos cinco estagiários oriundos do Projeto Vocacional da Prefeitura Municipal de São Paulo, que além de receberem o público, interferirão nas cenas. A Iluminação de André Lemes segue o mesmo conceito, com o uso alternativo de fontes de luz criando o efeito necessário do realismo fantástico. As músicas sob direção de Dagoberto Feliz serão cantadas pelos atores e pelo coro de estagiários, proporcionando uma partitura contemporânea ao texto do Plínio”, acrescenta o encenador.

Indicada ao Prêmio Molière em 1968, a montagem icônica de João das Neves para a obra aconteceu no teatro Opinião, no Rio de Janeiro, com Milton Gonçalves, Ary Fontoura, José Wilker, Denoy de Oliveira, Jorge Cândido e Teca Calazans no elenco. As outras duas encenações ocorreram em 1969, no Teatro Maria Della Costa, em São Paulo, e em 1970, no Teatro Arena, em Porto Alegre.

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Mesa de debates

O espetáculo é uma atração do projeto Plínio Marcos, uma Realidade da São Paulo Brasileira, que ainda prevê bate-papos e ciclo de leituras. Uma mesa redonda (em data a ser definida) vai contar com participação de Maria Thereza Vargas, Alcir Pécora, Oswaldo Mendes e Kiko Barros.

Na ocasião, também acontece o lançamento do documentário Jornada de um Imbecil, 50 anos de Entendimento, que comemora a primeira montagem da peça de Plínio MarcosA peça de 1968, tinha Milton Gonçalves, Ary Fontoura, José Wilker, Denoy de Oliveira, Jorge Cândido e Teca Calazans, no elenco. O filme também marca a última entrevista dada pelo diretor João das Neves.

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Jornada de um Imbecil até o Entendimento

Com Jairo Mattos, Fernando Trauer, Fernanda Viacava, Rogério Brito, Douglas Simon e Helio Cicero e Luiza Curvo

Centro Cultural São Paulo – Espaço Cênico Ademar Guerra (Rua Vergueiro, 100 – Paraíso, São Paulo)

Duração 130 minutos

09/11 até 16/12

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 20h

$30

Classificação 14 anos

FUENTE OVEJUNA

Núcleo Sem Querer de Tentativas Teatrais adapta o clássico Fuente Ovejuna, do dramaturgo espanhol Lope de Vega (1562-1635). Voltado aos jovens, o espetáculo foi indicado ao Prêmio Shell 2017 na categoria Melhor Música. Espetáculo faz nova temporada no CCSP de 2 a 31 de outubro, terças e quartas às 20h.

Com direção de Juliano Barone, adaptação e tradução de Marcus Daud e direção musical de Wagner Passos, a peça narra o drama dos cidadãos do pacato vilarejo Fuente Ovejuna, que sofrem com a tirania e as injustiças de um jovem comandante que foi enviado ao local para protegê-lo de possíveis ameaças. O abuso de poder e as desonras desse tirano provocam a revolta dos moradores da vila, que clamam por vingança e tentam fazer justiça com as próprias mãos. A trama é inspirada em eventos reais.

A ideia da encenação é criar uma discussão sobre o poder feminino, o machismo, o autoritarismo, os crimes de ódio atuais, as estruturas sócio-econômicas-sociais e a justiça popular. O trabalho é a segunda parte da “Trilogia da Taverna”, uma sequência de clássicos da dramaturgia encenados em uma instalação criada pelo multiartista Kleber Montanheiro. Esse espaço cênico simula um autêntico bar medieval, onde os espectadores dividem espaço com o cenário, os atores e os músicos. A primeira peça do projeto foi “O Impostor Geral”, do russo Nikolai Gogol.

O elenco é composto pelos atores Dudu Oliveira, Juliane Arguello, Marieli Goergen, Marcus Veríssimo, Monique Fraraccio, Pedro Casali, Alexandre Paes Leme, Pipo Belloni, Priscilla Dieminger, Thiago Azevedo, Luiz Amorim, Lucas Lentini, Lino Colantone e a musicista Lisi Andrade.

SINOPSE: A peça narra o drama dos cidadãos do pacato vilarejo Fuente Ovejuna (“fonte das ovelhas”, em português), que sofrem com a tirania e as injustiças de um militar, um jovem comandante que foi enviado ao local para protegê-los de possíveis ameaças. O abuso de poder e as desonras desse tirano que maltrata a população, provocam a revolta dos moradores da vila, que clamam por vingança. É uma peça sobre política. Tem a ver com o Absolutismo da época, mas também tem a ver com os dias atuais.

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Fuente Ovejuna

Com Dudu Oliveira, Juliane Arguello, Marieli Goergen, Marcus Veríssimo, Monique Fraraccio, Pedro Casali, Alexandre Paes Leme, Pipo Belloni, Priscilla Dieminger, Thiago Azevedo, Luiz Amorim, Lucas Lentini, Lino Colantone e a musicista Lisi Andrade

Centro Cultural São Paulo – Sala Adoniran Barbosa (Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso, São Paulo)

Duração 110 minutos

02 a 31/10

Terça e Quarta – 20h

$20

Classificação 16 anos.

11 SELVAGENS

Espetáculo imersivo onde a plateia acompanha de perto situações em que as pessoas perdem o controle, 11 SELVAGENS volta em cartaz no Centro Cultural São Paulo para temporada de 5 a 28 de outubro,  com sessões sextas-feiras e sábados às 21h e domingos às 20h.

O ponto de partida para a criação da peça foi a tensão crescente no país em 2016,  que resultou em manifestações pelas ruas do País, para mostrar como a polarização afeta diferentes camadas, de discussões sobre política a briga de namorados. Agora, a peça retorna em um ambiente mais hostil estimulado pelas campanhas eleitorais.

Texto do premiado diretor Pedro Granato, coloca atores e público lado-a-lado em cenas do cotidiano em que explode um impulso descontrolado. Da violência à sensualidade, do absurdo ao trivial, são onze quadros interligados como uma camada de sociabilidade que pode rapidamente ser rompida em nossos dias.

11 SELVAGENS foi criada no intenso ano de 2016. Muitas vezes tínhamos como pano de fundo dos ensaios o som de bombas e manifestações. Ou gritos de toda a vizinhança, trocando ofensas e palavras de ordem. Os atores chegavam exaustos pelas discussões em família, amigos e no trabalho. E resolvemos tematizar isso, alertando para os perigos da polarização, a falta de escuta, o discurso de ódio”, fala Granato – que foi indicado ao Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem 2017 pelo texto original.

Desde que a peça estreou em 2017, o Brasil vem aumentando a temperatura e a violência de seus embates. Na última temporada realizada no teatro de Arena, haviam debates após as sessões que serviam de válvula de escape e reflexão para a enorme tensão política, após o assassinato de Marielle Franco e a prisão do ex-presidente Lula.

Agora marcamos a temporada exatamente durante o período eleitoral. Começa no primeiro turno e termina na véspera do segundo turno. Infelizmente tudo indica que o país deve estar envolto em violenta polarização e nós estaremos no teatro. Tematizando tudo isso, no olho do furacão, propondo o diálogo e a reflexão. No momento em que ninguém escuta mais ninguém”, comenta Granato.

As cenas se desenrolam como se a plateia estivesse na mesma situação dos atores. Algumas geram reações,  em outras o espectador é cúmplice e voyer. Cada quadro é levado ao paroxismo e quando parece não haver mais para onde ir, a música toma o ambiente e os atores extravasam em coreografias.

O figurino e a luz se baseiam em elementos minimalistas que são reconstruídos para cada cena. A intervenção musical dá agilidade à narrativa e permite uma explosão estética para além da verossimilhança. Histórias em que a plateia se identifica, músicas contemporâneas, tudo está equalizado para dialogar profundamente com a geração atual.

A peça já teve mais de 50 apresentações e figurou entre as melhores do ano de 2017 pela Revista Veja São Paulo. Cumpriu temporadas no Pequeno Ato (ficando em cartaz durante 6 meses seguidos) e Teatro de Arena Eugênio Kusnet. Circulou pela periferia de São Paulo por 10 Casas de Cultura, participou da Virada Cultural em sessão no Teatro Alfredo Mesquita e foi contemplado pelo edital do Proac  Circulação para fazer 5 cidades no interior do estado até o final do ano.

Leia nossa opinião – https://opiniaodepeso.com/2017/03/27/11-selvagens-opiniao/

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11 Selvagens

Com Anna Galli, Beatriz Silveira, Bianca Lopresti, Bruno Lourenço, Felipe Aidar, Gabriel Gualtieri, Inês Bushatsky, Isabella Melo, Jonatan Justolin, Fhelipe Chrisostomo, Gustavo Bricks, Mariana Marinho, Mariana Beda, Mau Machado, Rafael Carvalho e Thiago Albanese.

Centro  Cultural São Paulo – Sala Ademar Guerra (Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso, São Paulo)

Duração 70 minutos

05 a 28/10

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 20h

(Não haverá espetáculo em dia de eleição).

$30 (05/10 – preço popular $3)

Classificação 16 anos

CAIXA DE MEMÓRIAS

Com 27 anos de existência, a veterana Companhia Razões Inversas está em cartaz com seu novo trabalho, Caixa de Memórias, a partir do texto inédito de José Eduardo Vendramini, no Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho. Encenado por Marcio Aurelio, o espetáculo tem sessões às sextas e aos sábados, às 21h, e aos domingos às 20h. O elenco é formado por Walter Bedra, Denise Del VecchioPaulo Marcello,Samanta Precioso, Gonzaga Pedrosa, Laís Marques e Carolina Fabri.

O texto trata da formação dos núcleos familiares na virada do século XX, responsáveis pela criação e montagem das cidades e de seus redutos com as diferentes células, que dão forma à figura do homem nostálgico brasileiro. São homens oriundos de diferentes pontos que trazem no peito uma dor à qual não sabem nomear: saudade é a argumentação da busca. Faz o elogio das raízes familiares profundas, que tanto norteiam as relações pessoais através do tempo quanto as problematizam. Nesse sentido, não haveria família que não fosse o resultado – aceito ou rejeitado – de grandes princípios genéticos, éticos e emocionais. Esta peça trata das heranças profundas – por vezes doloridas – que a Arte pode transformar em compartilhamento familiar e social.

O personagem principal é o tempo. A “Caixa de Memórias” é como uma câmera fotográfica que registra os que se vão, e também uma tumba, onde se processam as cerimônias rituais da deposição dos restos mortais dos familiares. O objetivo da encenação é tomar o texto como micro-organismo da peça para desenvolver e ampliar seu discurso interno, dando sustentação ao projeto poético do espetáculo.

O texto que servirá como base – pois está ligado à grande transformação da cena do fim do século XIX e início do século XX – trata da colocação do homem em nova sociedade, no grande movimento em transformação, a dimensão temporal. Aqui mora o trágico dos tempos modernos: o tempo e a velocidade, e a grande transformação social.

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Caixa de Memórias

Com Walter Breda, Denise Del Vecchio, Paulo Marcello, Samanta Precioso, Gonzaga Pedrosa, Laís Marques e Carolina Fabri

Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho (Rua Vergueiro, 1000 – Liberdade, São Paulo)

Duração 100 minutos

22/06 até 29/07

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 20h

$20 (grátis para pessoas com deficiência)

Classificação 14 anos

A MINICOSTUREIRA

A peça infantil ‘A Minicostureira’ faz temporada no Centro Cultural São Paulo de 21 de abril a 27 de maio. O elenco estão os atores Frann FerrarettoBruno Ribeiro, Antoniela Canto Mateus Monteiro.

O conto que inspirou o espetáculo traz a história de uma jovem tecelã cuja obra feita no tear se transforma na própria realidade da personagem. Isso faz com que a menina reflita sobre a própria vida numa jornada constante de auto conhecimento. O espetáculo, por sua vez, a partir de pesquisas que caminham pelo imaginário, pelo onírico, pela espiritualidade e também pela psicomotricidade, integra fantasia e realidade, provocando a reflexão sobre questões sensíveis e de um campo pouco visitado na infância.

Na trama, a garotinha Clara cria seu próprio mundo, em meio a linhas, agulhas e tesouras. Lá vivem criaturas retalhadas por ela, como um peixe dourado que se chama Fidalgo, e assume o papel de seu melhor amigo, e uma Santa protetora das minicostureiras. Juntos, eles decidem realizar o maior sonho da menina, que logo vira um terrível pesadelo e faz com que a garota precise tomar a decisão mais difícil de seus vividos nove anos de idade – e para o resto de sua vida.

Entre retalhos e costuras, o público é convidado a ponderar sobre o seu potencial no mundo, por meio da imaginação e da concepção das próprias vontades, poderes e planos. As crianças, mais do que ninguém, sabem viajar instantaneamente para onde quiser sem sair do lugar. O espetáculo estimula a expedição por este mundo tão especial, onde é possível criar grandes navios com a sobra de uma calça, ou fazer a cortina de um teatro com um pano de chão.

O intuito do espetáculo é justamente estimular a imaginação por meio de signos têxteis que impulsionam o público para a reflexão sobre questões inerentes ao ser humano, como a afetividade, a espiritualidade e a imaterialidade.  A Minicostureira instiga com simplicidade o que há de mais antigo e precioso no mundo: a força de acreditar em algo até que isso aconteça.

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A Minicostureira
Com Antoniela Canto , Bruno Ribeiro, Frann Ferraretto e Mateus Monteiro
Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho (Rua Vergueiro, 1000 – Liberdade, São Paulo)
Duração 50 minutos
21/04 até 27/05
Sábado – 16h, Domingo – 15h
$20
Classificação Livre