EDUARDO II

Com montagem do diretor Paulo Ribeiro e interpretação do Núcleo de Estudos Cênicos Teatro de Sanca da Cooperativa Paulista de Teatro (NECTS), o espetáculo Eduardo II estreia no Teatro Jaraguá para temporada de 21 de julho a 26 de agosto, aos sábados e domingos, no horário das 17 horas. A peça tem como base as obras escritas por dois grandes dramaturgos da história, o alemão Bertolt Brecht (1898-1956) e o inglêsChristopher Marlowe (1564-1593), que contribuíram para revolucionar a arte e o pensamento de seu tempo.

A adaptação de Paulo Ribeiro é livremente inspirada em A Vida de Eduardo II da Inglaterra, de Brecht (a peça de teatro menos representada de Brecht) e O Reinado Problemático e a Morte Lamentável de Eduardo Segundo, Rei da Inglaterra, com a Queda Trágica do Orgulhoso Mortimer, de Marlowe. Eduardo II narra a história dos tempos do poder absoluto das monarquias, de suas dinastias, posições e privilégios, de suas atuações ante o povo, e entre seus pares, deflagra o absurdo, o cru das paixões, negociatas, abusos, que foram destrutivos, do poder e suas guerras. A encenação de Eduardo II de Brecht foi o ponto de partida para elaboração, muito a partir da prática, de uma nova teoria de encenação e interpretação que revolucionou o espetáculo teatral no século 20. Com ele Brecht estreia o Teatro Épico.

Brecht escreveu esse texto entre 1923 e 1924, quando ainda não havia lido o Capital, de Marx, e engravidado de suas ideias, mas elas já o habitavam como artista”, diz Paulo. O diretor cita a análise do pesquisador Fernando Peixoto, para quem com “esta adaptação Brecht inicia um de seus temas centrais, a gigantesca demolição do conceito de herói“.

Dramaturgia e encenação

A dramaturgia optou por uma adaptação para dois atores que se metamorfoseiam em variadas personagens. “O texto base pensou as obras e os autores, Marlowe e Brecht, mas não os tratou como intocáveis objetos de museu. Partiu principalmente de Brecht, por estar mais próximo ao nosso tempo. Revisitou Marlowe em alguns aspectos, e o clima das disputas pelo poder da história das monarquias e suas dinastias.

A encenação atravessa espaços temporais e geográficos. Privilegia a dramaturgia e o trabalho de criação do ator. Visa tornar esta mesma dramaturgia acessível a um amplo público, que ainda não tenha tido a oportunidade de conhecê-la de uma maneira simples e clara. Este processo conceitual centra-se na palavra e na atuação como condutores de uma cena que não busca subterfúgios cenográficos ou pirotecnias que possam se sobrepor ao textual. Só mesmo uma “cena limpa”, pode evidenciar uma obra complexa, afinal, trata-se de obras, autores e personagens históricos, transgressores por aviltar a ordem do seu tempo; e que equiparados, encontram completa ressonância com os nossos atuais “tempos sombrios” (como nos diria o próprio Brecht).

Para Paulo Ribeiro, “a história da peça nos propõe pensar sobre os grandes e universais males que afetam a humanidade – riquezas, paixões, poder, posições… Questões essas pertinentes a uma explanação, profundas reflexões, discussões e debates com a atual conjuntura de nosso país“.

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Eduardo II

Com Rogerio Romera e Cintia Wartusch

Teatro Jaraguá – Novotel Jaraguá (Rua Martins Fontes, 71 – Centro, São Paulo)

Duração 65 minutos

21/07 até 26/08

Sábado e Domingo – 17h

$40

Classificação 12 anos

INSETOS

Comemorando 30 anos de trajetória, a Cia. dos Atores estreia Insetos em 8 de julho, no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo. Com texto original de Jô Bilac adaptado pela Cia. dos Atores e pelo diretor Rodrigo Portella, a montagem traz cinco fundadores da companhia no elenco: Cesar Augusto, Gustavo Gasparani, Marcelo Olinto, Marcelo Valle e Susana Ribeiro. A peça ficará em cartaz até o dia 20 de agosto, com sessões de quarta a segunda, com patrocínio do Banco do Brasil.

Repetindo aqui a parceria com a Cia. dos Atores após o sucesso de Conselho de Classe (2014), Jô Bilac propôs dar voz aos insetos para este novo espetáculo do grupo. São doze quadros que se entrelaçam formando um mosaico no qual o autor fala sobre convivência, medo e manipulação. Como uma fábula, o texto traça paralelos entre a natureza e questões político-sociais da atualidade – evocando comportamentos coletivos e individuais revelados através de uma grande polifonia de diferentes insetos: cigarra, gafanhoto, barata, louva-a-deus, besouro, mariposa, borboleta, mosquito, cupim, mosca e formiga.

Em cena, um imenso êxodo desequilibra a natureza. O colapso é eminente. Os gafanhotos tentam destruir tudo, mas se veem diante de uma nova ordem imposta pelo louva-a-deus. Nesse universo, o olhar sobre o humano ganha uma nova perspectiva, atravessada pela realidade dos insetos. “O Jô usa os insetos na dramaturgia em analogia com personagens da nossa história, situações que estamos vivendo atualmente. Temos figuras do poder, estratos sociais, mas sem uma nomeação direta”, explica Susana Ribeiro. “Queremos usar desequilíbrios da natureza como espelho da sociedade”, comenta Cesar Augusto.

Com cenário de Beli Araújo e Cesar Augusto o espaço cênico é ocupado por pneus, que criam diferentes quadros para as cenas. Os figurinos de Marcelo Olinto trazem referências ao universo dos insetos – como asas e antenas – mas não são a representação fiel desses bichos. “Essa peça me permite trabalhar o lugar do atrito entre o cômico e o trágico, refletido no estado de guerra proposto pelo texto. Trabalhamos entre o universo microscópico e invisível dos insetos e o nosso universo”, diz Rodrigo Portella.

Para a companhia, o espetáculo é também uma celebração. “Temos 30 anos de convívio. Olhamos um para o outro em cena e nos reconhecemos”, diz Marcelo Valle. “Acho que uma palavra que nos definiria seria inquietação. E uma das coisas boas é que nos colocamos o desafio de trabalhar com pessoas novas, como o Rodrigo (Portella), que é de outra geração. Essa inquietação e essa disponibilidade para o novo nos acompanha desde 1988”, completa Marcelo Olinto. “Estar em cena com parceiros de 30 anos de amizade e trabalho, e poder discutir e refletir sobre o Brasil atual, é para mim um privilégio e um ato de resistência”, afirma Gustavo Gasparani.

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Insetos

Com Cesar Augusto, Gustavo Gasparani, Marcelo Olinto, Marcelo Valle, Susana Ribeiro

Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (Rua Álvares Penteado, 112. Centro – São Paulo)

08/07 até 20/08

Duração 80 minutos

Quarta, Quinta, Sexta, Sábado e Segunda – 20h, Domingo – 18h

$20

Classificação 14 anos

N

Os famosos relatos de Anne Frank, a garota judia alemã que viveu refugiada durante toda a Segunda Guerra Mundial, serviram para inspirar a Cia. Arte-Móvel ao discutir a questão dos refugiados na peça N. O espetáculo que tem duas apresentações gratuitas nos dias 23 e 24 de junho, na Galeria Olido, às 20h e às 19h, respectivamente.

Com concepção e direção de Otávio Delaneza, a peça retrata acontecimentos recorrentes a vida de tantas pessoas que fogem de seus países em busca de condições para existir.

Em um universo cheio de poesia, a montagem cria uma reflexão sobre a condição de vida refugiada e sobre como as pessoas são “nada”, “ninguém” ou “nenhum” ao longo de suas existências. Basta que não sejam aceitas, que não tenham a liberdade de existir como são para que o silêncio do refúgio aconteça.

Arte-Móvel especializou-se na mescla de linguagens entre o corpo expressivo, a interpretação e o teatro de animação e objetos. São artistas que buscam o potencial transformador da arte. E, por meio de projeto como estes, encontram mecanismos de democratizar o acesso a cultura de forma potente e eficaz.

O espetáculo é uma das atrações do projeto “Por um Estado de Liberdade”, contemplado pelo edital ProaAC 02/2017 – Concurso de apoio a projetos de circulação de espetáculos de teatro. A iniciativa prevê a circulação da peça pelas 11 cidades de São Paulo que receberam o maior número de refugiados estrangeiros até 2015, destacando histórias marcadas pela imigração oriunda de guerras.

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N

Com Gabriel Mazon, Lays Ramires e Matheus Luis

Galeria Olido – Sala Paissandú (Avenida São João, 743, 2º andar – Centro, São Paulo)

Duração 55 minutos

23 e 24/06

Sábado – 20h, Domingo – 19h

Grátis (ingresso com uma hora da sessão)

Classificação Livre

Informações: facebook.com/ciaArteMoveldeTeatro/ ou (19) 99263.7088

POLÍTICA DA EDITORA

Qual é o percurso que uma obra de arte faz até chegar ao público? Esse é o ponto de partida da peça “Política da Editora”, criação do dramaturgo Eduardo Aleixo publicada pela Editora Giostri. O espetáculo chega aos palcos pela primeira vez com direção de Cintia Lopes entre os dias 1º de junho e 2 de julho, na SP Escola de Teatro – Sede Roosevelt, com sessões às sextas, sábados e segundas, às 21h; e domingos, às 19h, totalizando 20 apresentações. Os ingressos custam até R$ 30 e são vendidos somente na bilheteria e em dinheiro.

No texto carregado de ironia, um escritor luta para ter seu livro integrando o catálogo de uma grande editora. Escritor, Editor, Revisora e Tradutora entram em conflito em uma sala de reuniões. Pouco a pouco, são revelados os mecanismos de poder que permeiam as relações entre arte e mercado, convertendo uma obra em fetiche de mercadoria.

Para contar essa história, Cintia Alves buscou referências modernistas. “A ideia que norteia todos os elementos estéticos da peça é provocar um estranhamento, assim como uma dialética do entendimento, não só entre texto e subtexto, mas também entre uma dramaturgia realista e uma encenação expressionista”, conta.

Escrita em 2015, a peça venceu o Concurso Jovens Dramaturgos do SESC, recebeu menção honrosa no Programa Nascente da USP e obteve o segundo lugar no Prêmio Martins Pena da União Brasileira de Escritores. “O texto é sobre escrever, publicar e ler. A ideia é inserir o público nessa cadeia produtiva, para que ele se aproprie dela. Terminar de escrever um livro muitas vezes não é o fim, mas o começo da jornada. O percurso da obra de arte até chegar ao público pode ser tão intrigante quanto as trajetórias de Josef K. ou Bartleby”, comenta o autor do espetáculo.

Formado em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco, Aleixo estudou Dramaturgia na Escola Livre de Teatro de Santo André, com Solange Dias, na SP Escola de Teatro e no SESI-British Council, com Marici Salomão, e no Teatro J. Safra, com Cintia Alves.

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Política da Editora

Com Adriana Azenha, Eduardo Bartolomeu, Jany Canela, Miriam Limma e Rogério Favoretto

SP Escola de Teatro – Sede Roosevelt (Praça Roosevelt, 210, Centro, São Paulo)

01/06 até 02/07

Sexta, Sábado – 21h, Domingo – 19h, Segunda – 21h

$30

Classificação 12 anos

O REI DA VELA

Símbolo do Movimento Antropofágico de Oswald de Andrade, O Rei da Vela ganhou em abril uma montagem hilária dos Parlapatões, em comemoração aos 27 anos da trupe. Com adaptação de Hugo Possolo e direção musical de Fernanda Maia, o 64º trabalho do grupo reestreia no Espaço Parlapatões, entre 26 de maio e 15 de julho, com sessões às sextas e sábados, às 21h, e aos domingos, às 19h.

O elenco é composto pelos atores: Hugo Possolo, Camila Turim, Alexandre Bamba, Nando Bolognesi, Fernanda Maia, Tadeu Pinheiro, Fernando Fecchio, Conrado Sardinha, Fernanda Zaborowsky, Renata Versolato, Daniel Lotoy.

A encenação enfatiza o caráter burlesco e festivo da obra, em clima de cabaré abrasileirado, com forte influência das linguagens do Teatro de Revista, do Circo e do Teatro Épico de Bertolt Brecht. “O Rei da Vela é também um projeto de encenação que recoloca o grupo diante da sua expressividade popular e cria um circo-teatro provocativo, desprendido do melodrama, para se lançar sobre um caráter épico que busca a festa e alegria como prova dos nove”, explica o diretor.

Como já é marca registrada dos Parlapatões, os atores saem de seus personagens e se comunicam diretamente com o público. Um narrador que representa o próprio Oswald (personagem do ator Nando Bolognesi), conduz a plateia pela poética do autor, deixando expostas algumas rubricas originais do texto e jogando com a narrativa.

O espetáculo narra a saga de Abelardo I (personagem de Hugo Possolo), um agiota inescrupuloso que ganhou muito dinheiro em vários segmentos, sobretudo comerciando velas em um país atrasado, onde a energia elétrica ficou tão cara que a população já não consegue mais pagar por ela. Ao lado de seu empregado-pupilo Abelardo II, ele se aproveita da crise econômica para emprestar dinheiro, com juros altíssimos, para o povo faminto.

Abelardo I tem um casamento convenientemente negociado com Heloísa de Lesbos (personagem de Camila Turin), filha de uma família falida e tradicional de latifundiários do café. Submisso ao capital internacional, o protagonista está disposto a fazer qualquer tipo de negócio com os americanos, sem pensar nas consequências dessas transações. Esse sistema de exploração que ele ajudou a construir acabará deglutindo-o no último ato da peça, quando ele é substituído por seu fiel criado.

A trama consegue traçar mais do que uma linha de tempo da transformação da sociedade brasileira no início do século passado – de um Brasil medieval e colonizado para um país urbano, dominado pelo capitalismo e pretensamente liberto. Ela perfaz um arco dramático que escancara as intenções sociais e políticas das personagens que percorrem os três atos da peça para revelar os meandros da alma humana submetida aos jogos de dominação do poder”, acrescenta Possolo.

O novo olhar para o texto modernista, que mostra como a colonização sem limites, escravagista e patriarcal marcou a nossa cultura e o comportamento social, possibilita que pensemos melhor em nosso futuro como nação. Para isso, a trupe estudou a fundo os movimentos antropófago e tropicalista.

SINOPSE

Conhecido como o Rei da Vela, o inescrupuloso empresário Abelardo I aproveita-se da crise econômica no país para emprestar dinheiro para a população faminta com juros altíssimos. Ele se casou com Heloísa de Lesbos, filha de latifundiários falidos do café, só para se aproveitar do nome da família quatrocentona. Submisso ao capital estrangeiro, Abelardo I topa qualquer negócio com os americanos para aumentar seu lucro, mas ele será engolido pelo próprio sistema que ajudou a criar e substituído pelo seu capacho empregado Abelardo II.

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O Rei da Vela
Com Hugo Possolo, Camila Turim, Alexandre Bamba, Nando Bolognesi, Fernanda Maia, Tadeu Pinheiro, Fernando Fecchio, Conrado Sardinha, Fernanda Zaborowsky, Renata Versolato, Daniel Lotoy
Espaço Parlapatões (Praça Roosevelt,  158, Centro, São Paulo)
Duração 85 minutos
26/05 até 15/07
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h
$30/$40
Classificação 14 anos

BENTO BATUCA

A Oficina de Alegria apresenta o espetáculo teatral infantil “Bento Batuca”, com estreia em São Paulo, no dia 7 de abril (sábado), às 16h, no Teatro Jaraguá. A primeira montagem teatral realizada pela produtora valoriza a cultura brasileira através da dança, ritmos e sua história, em texto assinado por Daniela Cury e Mariana Elisabetsky, direção de Edu Leão e Luciana Ramanzini e direção musical do grupo Os Capoeira. O espetáculo terá, algumas sessões específicas com tradução em libras. Bento Batuca é apresentado também, pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet.

No elenco, estão os atores: Sidney Santiago Kuanza (Bento), Fernando Oliveira, Lena Roque e Vitor Bassi. Com música ao vivo no palco, comandada pelos percussionistas Contramestre Leandrinho, Heverton Faustino “Bbzão”, Paulinho Percussão, Cauê Silva e Rogério Rogi, o espetáculo Bento Batuca tem repertorio que transita entre cânticos de capoeira e ritmos como frevo, maculelê e samba, além de referências a canções da música nacional, como Suíte dos Pescadores, de Dorival Caymmi. Entre os instrumentos estão atabaques, berimbau, pandeiro, surdos, chocalhos e objetos sonoros.

A peça revela uma viagem por São Paulo, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro, onde Bento vai descobrir ritmos genuinamente oriundos da cultura afro, com personagens que homenageiam figuras emblemáticas, como Mestre Besouro Mangangá (lendário capoeirista baiano), Guerreiro Maculelê (lenda folclórica brasileira), Maestro Nunes (ícone do frevo pernambucano) e Tia Ciata (influente figura no surgimento do samba).

Bento é um menino sonhador, esperto e curioso, que batuca desde que nasceu, na mamadeira, na chupeta e transformando garfos e colheres em instrumentos de percussão. A cada encontro nessa aventura, Bento Batuca preenche a trouxinha que o acompanha de sons, cores, conhecimento e, a cada lugar que chega, descobre um pouco mais sobre a nossa cultura, a nossa música e sobre si mesmo.

O espetáculo Bento Batuca é uma montagem para toda a família que, propõe, por meio da linguagem poética, teatral e musical, enaltecer os ritmos, sons e danças da cultura afro-brasileira. O espetáculo traz uma conscientização sobre a nossa própria história, com lições educativas sobre como enfrentar as dificuldades da vida com coragem.

O público poderá embarcar junto a viagem de Bento, de forma interativa. O espetáculo garante, ainda, um final contagiante, onde o público é convidado a cantar, dançar e tocar junto ao elenco.

 

 

 

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Bento Batuca
Com Sidney Santiago Kuanza; Lena Roque; Fernando Oliveira; Vitor Bassi
Teatro Jaraguá (Rua Martins Fontes, 71 – Centro, São Paulo)
Duração 60 minutos
07/04 até 13/05 (06/05 apresentação com interpretação em Libras)
Sábado – 16h, Domingo – 11h e 16h
$40
Classificação Livre

O ARQUITETO E O IMPERADOR DA ASSÍRIA

O diretor Léo Stefanini dá continuidade à sua pesquisa sobre o Teatro do Absurdo – iniciada em 2016 com a encenação de “Esperando Godot”, de Samuel Beckett – com a nova montagem de O Arquiteto e o Imperador da Assíria, do dramaturgo espanhol Fernando Arrabal. O espetáculo estreia no dia 13 de abril, no Teatro Jaraguá e segue em cartaz até 1º de julho.

As comédias absurdas de Arrabal e Beckett têm muitas semelhanças entre si, segundo Léo Stefanini. “As duas são as obras-primas desses autores, os escritores são considerados os maiores dramaturgos de seus países, os textos apresentam o encontro entre personagens em um universo pouco definido e elas necessitam da participação do espectador. As histórias só se fecham quando o público se torna cocriador das obras. Quando montamos ‘Godot’, por exemplo, notávamos que as pessoas saíam do teatro com as mais diversas interpretações. Esse universo multifacetado de possibilidades é o que me encanta”, diz.

A trama se passa em uma ilha deserta onde vive apenas o Arquiteto. Certo dia, depois de ouvir uma explosão do lado de fora de sua cabana, ele encontra o único sobrevivente de um acidente de avião, que diz ser o Imperador da Assíria.  Depois de anos de uma convivência claustrofóbica, os dois vivem uma maratona de emoções: ora se desafiam, ora se solidarizam com a situação do outro.

O cenário da montagem, assinado por Chris Aizner, é uma ilha absolutamente poluída, que serve para representar a real situação de nossos oceanos. “É uma praia preta, porque nós chegamos à conclusão de que esta é a verdade em que vivemos. Existe um estudo que diz que, em 2050, teremos mais plástico no mar do que peixes. E quisemos cutucar nessa ferida. O figurino de Marichilene Artisevskis também não poderia ser diferente, uma vez que esses homens devem estar imundos depois de tanto tempo longe da ‘civilização’”, explica Léo Stefanini. Completam a ficha técnica criativa o iluminador Wagner Pinto e o músico Raul Teixeira, que assina a trilha sonora.

Para inserir a plateia nesse universo, a trilha sonora, criada por Raul Teixeira, é composta por todos os ruídos da ilha (das ondas, da chuva, dos trovões, dos pássaros, etc.), como uma ambientação.

Ainda segundo o diretor, o texto de Arrabal traz uma comicidade que os artistas buscaram preservar ao máximo, sem infantilizar o espectador. Algumas das referências da encenação, além da obra de Samuel Beckett, são as linguagens do grupo inglês Monty Python, dos filmes do americano Buster Keaton, do seriado brasileiro TV Pirata e da peça “O Mistério de Irma Vap”, do americano Charles Ludlam.

SINOPSE

A história se passa em uma ilha selvagem, onde vive um único habitante. Certo dia, por causa de um acidente aéreo, o único sobrevivente da tragédia também vai parar na ilha. A partir desta situação, os dois personagens vivem uma maratona de emoções; ora se digladiam, ora se solidarizam, em uma convivência claustrofóbica, surpreendente e permeada por refinado humor.

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O Arquiteto e o Imperador da Assíria
Com Rubens Caribé e Eduardo Silva
Teatro Jaraguá (Rua Martins Fontes, 71 – Centro, São Paulo)
Duração 80 minutos
13/04 até 01/07
Sexta – 21h, Sábado – 21h, Domingo – 19h
$50
Classificação 12 anos