AGOSTO

O Sesc Consolação, recebe no Teatro Anchieta, de 12 de julho a 5 de agosto, o espetáculo Agosto, uma contundente e emocionante história sobre conflitos familiares. Uma peça sobre o inconfessável, sobre o que fica entalado na garganta e sufoca. A história de uma família desconectada, desfeita, cujos membros insistiram na união o quanto puderam, da forma que puderam, mas que chega finalmente ao limite da desistência. Apesar de se tratar de um texto denso, forte, há certa descontração na peça, uma divertida recusa em levar-se demasiado a sério, uma tendência a nos passar “rasteiras” cômicas justamente nos momentos que achamos que não há mais espaço para o riso.

Com adaptação e direção de André Paes Leme, elenco composto por Guida Vianna, Letícia Isnard, Alexandre Dantas, Claudia Ventura, Rubens Camelo, Eliane Costa, Guilherme Siman, Isaac Bernat, Julia Schaeffer, Lorena Comparato, Marianna Mac Niven e Isabelle Dionísio (que fará às duas últimas apresentações da temporada), Agosto é uma realização da Primeira Página Produções e Sarau Agência de Cultura.

Ainda que o autor americano Tracy Letts tenha construído todos os personagens da peça com complexidade e grande relevância para a trama, Violet (Guida Vianna) e Barbara (Letícia Isnard) são as suas protagonistas.

Violet é uma mulher que vive numa situação limite, literal e metaforicamente falando. Literal porque faz quimioterapia para um câncer de boca e talvez sua morte esteja anunciada. Metaforicamente, porque sua família está se desmantelando: o marido sumiu, as filhas só esperam o funeral para partir e a ela só restará permanecer sozinha aos cuidados de uma empregada que ela não conhece. Barbara é a filha preferida porque Violet a julga a mais inteligente e a mais parecida com ela. Os temperamentos parecidos levam as duas a embates frequentes. Violet guarda profunda mágoa de Barbara porque ela não voltou pra casa quando soube do seu câncer, mas voltou quando o pai desapareceu. A peça conta uma história familiar na extensão de seus conflitos e de seus afetos. E essa família pode servir como espelho reflexivo para qualquer indivíduo,” afirma Guida Vianna, vencedora dos Prêmios Cesgranrio e APTR de Melhor Atriz por sua extraordinária interpretação da protagonista.

Também vencedora do Prêmio APTR, como atriz coadjuvante, Letícia Isnard defende a ideia de que “Barbara é uma mulher forte, que está num momento de total desestabilização. Seu casamento está ruindo, vive em crescente conflito com a filha adolescente, está a muito afastada das irmãs, do pai e bate de frente com sua mãe, Violet. Ela luta para não ter o mesmo destino da mãe: a solidão, consequente de uma personalidade forte, acachapante e agressiva. A tendência de Barbara é ficar igualzinha a Violet. E romper com esse ciclo de infelicidade e violência é também um ato de amor”.

O diretor André Paes Leme divide o palco nos cômodos da casa para uma “múltipla espacialidade” que vai exigir uma visão ativa do espectador. Vivendo entre o Rio e Lisboa – onde realiza os estudos do Doutorado na Universidade de Lisboa e onde já montou 5 espetáculos, o mais recente no início de 2017 como coordenador artístico da Escola da Cia Chapitô, por conta de uma encenação de grandes dimensões realizada no Museu Nacional de Arte Antiga, que reuniu mais de 70 jovens artistas de circo –, André Paes Leme comenta a montagem dizendo que o primeiro cuidado que teve com a adaptação foi “suavizar o contexto norte-americano” da peça. O segundo foi em relação ao “realismo acentuado” proposto pelo autor: “Priorizei as situações de conflito e busquei não valorizar ao detalhe a construção do ambiente de cada cena”, explica. “Me interessa a complexidade das relações familiares, a intensidade com que depositamos no núcleo familiar tanto um amor inquestionável como também despejamos as angústias e inseguranças das nossas vidas”, diz o diretor. “Textos como esse revelam o quanto imprevisível é o comportamento humano”.

A montagem divide o palco nos cômodos da casa em que se passa a história, avisa Paes Leme: “A ação passeia por todos os cômodos e a proposta do autor é que o espectador possa ver simultaneamente todos os ambientes. Na nossa concepção, as cenas são sobrepostas: a personagem que está num determinado ambiente estará exatamente ao lado de outra que ocupa outra área da casa. Gradativamente, as diferentes cenas vão convivendo no palco”.

Se o destino das personagens é inevitavelmente trágico, isso não faz de Agosto uma tragédia. Tracy Letts usa recursos do melodrama, da comédia de costumes, das sitcoms da televisão norte-americana e do vaudeville, mantendo a unidade formal, a coerência interna e estética da sua obra.

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AGOSTO

Com Guida Vianna, Letícia Isnard, Alexandre Dantas, Claudia Ventura, Rubens Camelo, Eliane Costa, Guilherme Siman, Isaac Bernat, Julia Schaeffer, Lorena Comparato, Marianna Mac Niven e Isabelle Dionísio

Teatro Anchieta – Sesc Consolação (Rua Doutor Vila Nova, 245 – Consolação, São Paulo)

12/07 até 05/08

Duração 130 minutos

Quinta, Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 18h

$40 ($12 – credencial plena)

Classificação 16 anos

 

O ÚLTIMO CAPÍTULO

Depois de uma turnê em 15 cidades e várias temporadas no Rio de Janeiro, chega a São Paulo a comédia O Último Capítulo, com os atores Mariana Xavier (que recentemente interpretou a personagem Biga em “A Força do Querer” e participou dos filmes “Minha Mãe é uma Peça I e II” e “Gostosas, Lindas e Sexies”, e das novelas “I Love Paraisópolis” e “Além do Horizonte”, além do programa “Vídeo Show”) e Paulo Mathias Jr. (ator do programa humorístico “Zorra” e ex-apresentador do programa infantil “TV Globinho”). O espetáculo fica em cartaz no Teatro Itália, entre 13 de julho e 2 de setembro, com sessões às sextas-feiras, às 21h; aos sábados, às 18h e às 21h; e aos domingos, às 18h.

SINOPSE

A peça conta a história de um casal em crise: Berenice, uma romântica e sonhadora diarista apaixonada por novelas, e Dagoberto, um desempregado crônico fanático por futebol. Berê chega do trabalho ansiosa para curtir o último capítulo de sua novela preferida, mas um repentino apagão acaba com seus planos de acompanhar o desfecho do folhetim. Nossa história se passa num tempo em que não há celular, nem internet: resta ao casal, então, conversar.

O público acompanha uma divertida e dramática DR (Discussão de relação) de um casal que se ama, mas que acha que chegou a hora de se separar. Por meio de flashbacks, Berenice e Dagoberto vão reavaliando sua relação e chegam à conclusão de que seu casamento também é uma grande novela, e que também pode estar no último capítulo.

Escrito por Alexandre Morcillo e Clóvis Corrêa e dirigido por Márcio Vieira (premiado pela direção do espetáculo “Favela” e assistente de direção de “Andança – Beth Carvalho – O musical”), O Último Capítulo comemora a oportunidade dos amigos Mariana e Paulo, declaradamente fãs um do outro, trabalharem juntos.

Mariana Xavier é idealizadora do projeto e assina a produção junto com Bruna Dornellas e Wesley Telles, da WB Produções. Apesar de ter se tornado conhecida do grande público por meio da TV e do cinema, o teatro é seu berço artístico e ela se diz muito feliz por voltar aos palcos, especialmente numa comédia para todas as idades e classes sociais: “tenho muito orgulho de fazer uma peça que não tem um mísero palavrão, não tem uma baixaria sequer, e ainda assim faz a platéia passar mal de rir”, diz.

O espetáculo é apresentado pelo Ministério da Cultura e patrocinado pela Marisa, a maior rede de moda feminina e lingerie doBrasil. Após várias temporadas no Rio, O Último Capítulo segue para São Paulo, no Teatro Itália, tudo sob a realização da Trampo Produções Culturais, da WB Produções e da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

CARMEN

O Último Capítulo

Com Mariana Xavier e Paulo Mathias Jr. Stand in Paulo Mathias: Cleber Salgado

Teatro Itália (Avenida Ipiranga, 344, Consolação – São Paulo)

Duração 70 minutos

13/07 até 02/09

Sexta – 21h, Sábado – 18h e 21h, Domingo – 18h

$50

Classificação 10 anos

*Aos sábados, após a apresentação das 18h, haverá bate-papo dos atores com o público!

**O espetáculo tem acessibilidade para a comunidade surda! Teremos intérprete de libras nas sessões de domingo às 18h!

PALHAÇOS

Um dos mais importantes textos de Timochenko Wehbi, Palhaços, reestreia dia 09 de junho, no Teatro Augusta em montagem estrelada pelo eterno trapalhão Déde Santana acompanhado do ator Fioravante de Almeida, sob a direção de Alexandre Borges.

A tragicomédia, escrita por Timochenko Wehbi na década de 1970, narra a história de um palhaço que tem a sua rotina alterada ao se deparar com um espectador em seu camarim. O encontro entre Careta (Dedé Santana), verdadeiro nome de José, e Benvindo (Fioravante Almeida), um vendedor de sapatos, faz com que ambos questionem a vida e a própria existência de uma maneira espirituosa, opondo o palhaço profissional ao palhaço da vida.

Durante a conversa, os personagens passam a se provocar, como em um jogo entre essas figuras opostas, desestabilizando crenças e valores, que se desnudam e refletem acerca de suas escolhas. A todo instante, um dos personagens parece dominar a cena quando, com um simples gesto, o outro rouba a atenção e o poder momentâneo do diálogo. As distâncias e as proximidades existentes entre Careta e Benvindo, remetem à metáfora dos homens que lhes assistem na plateia. Palhaços é um convite à reflexão sobre o verdadeiro papel do artista, o que faz com que o público ultrapasse o espaço da lona, do espaço cênico, para ver de perto o verdadeiro palhaço.

Um dos destaques dessa montagem está na presença de Dedé Santana nos palcos, um ícone do humor, com décadas de trajetória nas artes da interpretação. Um embaixador do circo que traz ao personagem que interpreta maestria para o seu habitat natural, o circo. Dedé é filho de artistas circenses e já aos três meses de idade era personagem nos picadeiros. Ele, que está no imaginário de gerações de brasileiros, em um novo papel, pronto para mais um jogo cênico, no qual a relação dos atores com a plateia, se torna o grande trunfo do espetáculo.

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PALHAÇOS

Com Dedé Santana e Fioravante Almeida

Teatro Augusta (Rua Augusta 943 – Consolação, São Paulo)

Duração 70 minutos

09/06 até 05/08

Sábado – 22h, Domingo – 18h

$60

Classificação 12 anos

 

DELÍRIOS DA MADRUGADA

Em cartaz no Espaço Parlapatões desde o início de março, o solo Delírios da Madrugada, com Zéu Britto, fará sessões todas as sextas de maio, também às 23h59.

 Agora os fãs do cantor, ator e compositor poderão conferir as histórias coletadas após longas madrugadas na internet  que Zéu passou “investigando” e se divertindo com chats e blogs de fatos surreais. Nessa comédia, o artista multimídia desabafa e faz de sua experiência um espetáculo performático que promete diversão e reflexão.

 Com mais de 20 anos de carreira nas artes cênicas e na música, Zéu cumpre temporada às sextas e sábados, às 23h59, mantendo todo seu carisma, humor e tom crítico. Acompanhado por seu inseparável violão, o ator e cantor faz do palco sua sala de estar num clima acolhedor e íntimo.

Sozinho no palco e vestindo apenas um pijama, Zéu interpreta um personagem que não consegue dormir e entre uma canção e outra, conta algumas histórias bem-humoradas que fazem parte do seu cotidiano.

Esse personagem é bem parecido comigo porque demoro muito para dormir. Não aceito dormir e deixar de ver alguma coisa que aconteceu. Sempre gostei muito de contar histórias, desde a época do colégio. São crônicas, não são piadas – conta Zéu.

A pauta? Um emaranhado de histórias, canções, poemas e o que a internet trouxer de novidade. Chamado carinhosamente de stand-up melody, as surpresas da semana e o contato com a plateia moldarão uma apresentação nova a cada dia. No repertório musical, sucessos do cantor como “Soraya Queimada”, “Hino em Louvor à Raspada” e “Lençol de Casal”. A direção do projeto é de Caio Bucker.

São Paulo é a mega cidade do entretenimento. A expectativa está muito boa. O Parlapatões é um espaço que frequento há muito tempo e onde já vi muitas coisas legais – diz Zéu.

Delírios da Madrugada
Com Zéu Britto
Espaço Parlapatões (Praça Roosevelt, 158 – Consolação, São Paulo)
Duração 70 minutos
17/03 até 26/05
Sexta e Sábado – 23h59
$40
Classificação 16 anos

BORDERLINE

Bipolaridade, esquizofrenia, desejos, loucura e lucidez. Esses são os temas de “Borderline”, monólogo de Junior Dalberto que estreia dia 13 de abril no Espaço Parlapatões, 21h. Destaque literário potiguar Troféu Cultura em 2014, montagem dirigida por Marcello Gonçalves é estrelada pelo ator potiguar Bruce Brandão.

Produzido pela Cia. de Arte Nova, o drama traz Rutras, numa linguagem metafórica, atemporal numa viagem mitológica acerca do personagem inspirado no livro O Cangaço e o Carcará Sanguinolento, posicionando-se diante de questões íntimas relacionadas à família, sexualidade homoafetiva, incesto,  HIV, mundo cibernético, dependência química e sua relação com a geração dos anos 90.

O desafio de dirigir proposto pelo ator Bruce Brandão, me acendeu em algo que é inerente a todos nós, homens da arte: a necessidade e o comprometimento de levar aos palcos uma obra singular e plural. Suponho que aonde quer que eu vá, levarei comigo os ventos das mudanças, eu estou na onda, no ritmo, marchando nele. O registro, a interpretação, a produção e a direção.” Marcello Gonçalves.

Para o ator Bruce Brandão, as leituras sobre o tema Borderline foram fruto do contato com o autor Junior Dalberto em Natal. Encantado com esse universo, fez suas pesquisas e se familiarizou com o tema.

No início eu pensava em visitar clínicas psiquiátricas, entrar em manicômios, mas percebi que o ”manicômio” estava dentro de cada indivíduo. O entendimento sobre o transtorno Borderline me fez galgar outros degraus: É o jeito de ser. Quem já não teve medo de rejeição, impulsividade, ciúmes, sensação de abandono? Porém quando se trata de um Border, o olhar é outro. Tudo tem intensidade! Olhar poeticamente a doença é mergulhar no desconhecido.

Sobre a Cia. de Arte Nova

A Cia. nasce do encontro entre os atores Marcello Gonçalves e Bruce Brandão, com a necessidade de gerar cultura, arte e o comprometimento com o trabalho de pesquisa, para criar novas formas de se pensar o teatro. Fomentando uma nova economia de gestão e transmissão de conhecimento, a Cia. criada em julho de 2014 pretende ser um centro integrado de arte onde os atores e as equipes formam e constroem um novo olhar sobre o teatro. Atualmente a Cia está em processo de montagem “O Senador”, baseada na obra de Victor Hugo.

Borderline
Com Bruce Brandão
Espaço Parlapatões (Praça Roosevelt, 158 – Consolação – São Paulo)
Duração 55 minutos
13/04 até 20/05
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 20h
$40
Classificação 16 anos

QUARENTA E DUAS

Com texto de Camila Damasceno, o espetáculo Quarenta e Duas – da Cia Artehúmus e do Núcleo Tumulto – estreia no dia 23 de março (sexta, às 21h) na SP Escola de Teatrocom direção conjunta de Daniel Ortega e Emerson Rossini.

O enredo aborda, de forma onírica, desde temas como a opressão do consumo à busca permanente do gozo como sinônimo de felicidade.

A encenação se dá a partir da perspectiva dos últimos momentos de vida de Robson, um adolescente compulsivo que morre após se masturbar 42 vezes. O mundo particular desse garoto é apresentado com suas idiossincrasias e seus desejos tão comuns quanto absurdos, convidando o público a adentrar nos conflitos de uma geração bombardeada por links, likes e imagens editadas.

Em cena, Cibele BissoliCristiano Sales e Daniel Ortega alternam-se nos vários papeis. Álvaro Francoassina os figurinos e divide com Daniel Ortega o cenário e os adereços. A iluminação é de Thatiana Moraes, e a trilha sonora é criação de Vinícius Árabe Penna.

Em ritmos de zapping, flashes de memória e imagens da vida de Robson (vivido por Sales e Ortega) vão expondo questões contemporâneas pelo viés desse adolescente. A relação com o pai ausente, as expectativas idealizadas da mãe, a relação com os padrões sociais e religiosos, o peso de ter que se encaixar em regras, os impulsos primários dos desejos e a solidão nas relações virtuais são como quadros que se alternam no subconsciente de Robson, transbordando tudo que lhe oprime, que lhe consome.

O exagero consumista – não só material, mas também humano e psicológico – aparece com dimensões também extremas em Quarenta e Duas: “a metáfora está nas mutilações presentes na encenação, apontando o quanto nos automutilamos diante do mundo, pois o autoconsumo é uma ferramenta para sobrevivermos”, argumenta Rossini.

Para trazer ao palco as reflexões levantadas no texto, os diretores fazem uso da linguagem da performance ao abordar o universo onírico que conduz a trajetória da personagem. A encenação não se propõe a responder as questões, mas ressaltar a relevância dos temas no contexto atual, quando a agilidade da informação e o descarte humano ocupam lugar de destaque no frenesi urbano. A distorção do tempo e a sobreposição de símbolos permitem que o espectador amplie sua percepção diante da cena e da poesia nesses momentos finais de Robson.

A encenação

A dramaturgia foi elaborada a partir de uma notícia veiculada em sites de fake news, em 2012, sobre a suposta morte de um adolescente, no interior de Goiás, após se masturbar 42 vezes, ininterruptamente.

As referências passam pela profusão de informações e pelo ritmo acelerado dos dias atuais. Cenas de filmes, animes, comerciais, redes sociais e situações cotidianas tecem um quadro denso desse “estranho mundo de Robson”, como Ortega costuma se referir, onde não é necessário definir o que é alucinação. “A internet é o universo fake onde se pode ser o que quiser assim como a falsa notícia sobre Robson”, reflete o diretor Emerson Rossini.

Quarenta e Duas quebra a linearidade do tempo onde fantasias e realidades se mesclam no universo das personagens. A opção pela narrativa zapping, pela descontinuidade e fragmentação de imagens e gestos ajuda a revelar o ponto de vista de Robson no momento de epifania diante da morte: uma zona turbulenta onde seu subconsciente se expande.

Os figurinos, objetos de cena e a presença do látex, aplicados sobre algumas peças, trazem a reflexão sobre esse mundo fake em que estamos inseridos. O figurino é composto por peças brancas que fogem ao cotidiano e permitem uma integração maior entre os atores. Com ares nonsense, as personagens vestem saias com tule, reportando ao tutu das bailarinas clássicas. “O contraponto está no figurino e nos traz a leveza do momento onírico, a doçura para essa abordagem densa”, comenta Daniel Ortega.

O cenário segue a linha onírica da encenação. De uma armação suspensa em forma de guarda-chuva surge um emaranhado de fios pretos que envolvem o espaço. Luvas pretas flutuam. Os adereços – máscaras de animais, regadores de plantas, partes de bonecas, moedor de carnes, martelo, serrote, refrigerante – são resignificados e transformados em símbolos para a linha narrativa. Esses elementos dialogam entre si e a cenografia.

A iluminação recortada desenha poeticamente as linhas do caminho de Robson. A trilha sonora criada com base no mundo virtual – é uma referência pop e também é texto. Ela potencializa nossa dependência do consumo enraizado e pincela um quadro cruel de uma realidade quase distópica. Para os diretores, o expectador irá presenciar em Quarenta e Duas um mundo paralelo e individualista, síntese de um aspecto degenerativo da sociedade moderna.

Quarenta e Duas -Cristiano Sales e Daniel Ortega -foto de Cacá Bernardes -b

Quarenta e Duas
Com Cibele Bissoli, Cristiano Sales e Daniel Ortega.
SP Escola de Teatro (Praça Franklin Roosevelt, 210 – Consolação, São Paulo)
Duração 70 minutos
23/03 até 23/04
Sexta, Sábado – 21h, Domingo – 19h, Segunda – 21h
$30
Classificação 14 anos

MOGLI – O LIVRO DA SELVA

Mogli – O Livro da Selva” é uma adaptação de Fabio Brandi Torres para a obra de Rudyard Kipling, que narra a história e as aventuras vividas por um menino criado por lobos. A encenação dirigida por Eduardo Leão bebe na fonte do teatro oriental e no universo mágico indiano.

Com movimentos de animais inspirados em “Rei Leão” e “Cats”, a história de “Mogli – O Livro da Selva” não abre mão do humor  e apresenta a agilidade vista nas animações Disney. A produção da montagem escolheu os atores mirins Chico Sanches de Melo e Pedro Estevam – que estreiam no teatro, ambos com 8 anos de idade – para se revezarem no papel principal. Com a  inclusão dos atores mirins, a encenação busca a autenticidade do olhar de criança.

O diretor Eduardo Leão diz que o processo de criação da montagem contou com a espontaneidade dos atores mirins e a vontade de jogar, típica da faixa etária deles. “Além da disposição para o jogo lúdico, a diferença de tamanho entre os atores adultos e crianças reforça a leitura de que Mogli é um menino pequeno num ambiente hostil, que é a floresta”.

A encenação faz referência ao teatro oriental, o que é revelado principalmente pelas músicas criadas especialmente para o espetáculo por André Abujamra, e nos figurinos desenhados por Olintho Malaquias. “Também trabalhei com o elenco detalhes da atuação. Atores fazem personagens animais em pé, com movimentações, posturas e energias que lembram a vida selvagem. Mas nunca fazem animais em quatro patas”, detalha o diretor.

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Mogli – O Livro da Selva
Com Ivy Souza, Lia Canineu, Thiago Andreuccetti, Everton Granado, Leo Romanno, Chico Sanches de Melo e Pedro Estevam
Teatro Folha – Shopping Pátio Higienópolis (Av. Higienópolis, 618 – Consolação, São Paulo)
Duração 50 minutos
03/02 até 01/06 (sessões extras nos feriados e emendas de feriados 12 e 13/02, 30/03, 30/04, 01 e 31/05, 01/06.
Sábado e Domingo – 16h
$25
Classificação 04 anos