EU OUTRO

No dia 30 de novembro, sexta, às 20 horas, o Sesc Belenzinho recebe única apresentação de Eu Outro, montagem da Cia. Fragmento de Dança.

O espetáculo tem direção e coreografia assinadas por Vanessa Macedo que também está em cena ao lado dos outros intérpretes: Chico Rosa, Daniela Moraes, Diego Hazan, Letícia Mantovani e Maitê Molnar.

O espetáculo de dança contemporânea parte da investigação de um procedimento que a companhia nomeia como ‘dança depoimento’, no qual invade, expõe e divide ambientes íntimos, não somente para falar de si, mas para tornar-se o outro. O espetáculo busca sondar o que arte e vida dizem uma sobre a outra e de que forma memórias não são propriedades exatamente privadas. Assuntos como sexualidade, gênero e instinto atravessaram o processo criativo numa perspectiva da alteridade – quem é o outro que olho e me olha? Quem é o outro de mim mesmo?

O processo Eu Outro é fruto do Projeto Atravessamentos, contemplado pelo Programa Municipal de Fomento à Dança de São Paulo. Estreou e ficou em cartaz na ocupação Encontros na Cena Depoimento, na Funarte SP, em dezembro de 2017.

Dirigida por Vanessa Macedo e sediada em São Paulo, a Cia. Fragmento de Dança desenvolve pesquisa e criação em dança contemporânea, desde 2002, já tendo 15 montagens em sua trajetória. Na busca por uma dança teatralizada, preocupa-se com a construção de uma dramaturgia do corpo e da cena coerente com os temas pesquisados. Suas criações são marcadas pela inspiração em artistas, obras e conteúdos, especialmente, confessionais. A partir do tema, discute as relações vividas pelo homem – ser social e ser solitário. A companhia constrói vocabulário de movimento próprio que visa uma estética dramatúrgica autoral.

Eu Outro

Com Chico Rosa, Daniela Moraes, Diego Hazan, Letícia Mantovani, Maitê Molnar e Vanessa Macedo – Cia Fragmento de Dança

SESC Belenzinho – Sala de Espetáculos II (Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo)

Duração 70 minutos

30/11

Sexta – 20h

$20 ($6 – credencial plena)

Classificação 16 anos

O LAGO DOS CISNES

Balé Teatro Guaíra (BTG) apresenta o espetáculo O Lago dos Cisnes, com direção e coreografia de Luiz Fernando Bongiovanni, nos dias 10 e 11 de novembro no Teatro Alfa. No palco, o público assistirá a performance de 23 bailarinos inspirada no folclore russo e germânico.

A montagem conta, com linguagem contemporânea, a história de amor entre o príncipe Siegfried e Odette, transformada em cisne por um bruxo. O Lago dos Cisnes tem direção de arte de William Pereira.  A história arquetípica de O Lago dos Cisnes, baseada originalmente em duas lendas medievais, fala do príncipe Siegfried, em uma terra distante, às vésperas das festividades de seu aniversário. Essa celebração marcará a passagem da juventude à vida adulta e, para isso, ele precisará escolher sua futura esposa. Todavia, tudo se altera quando o príncipe descobre seu grande amor por uma princesa aprisionada, na forma de um cisne, pelo feitiço de um mago tirano. O Lago dos Cisnes do Balé Guaíra é uma fábula a respeito da emancipação, um desejo manifesto em forma de dança, para que cada sujeito faça valer seu direito às próprias escolhas e para que elas sejam percebidas como necessidades fundamentais, e respeitadas a todo custo.

Em 1h30 de duração, a montagem – que estreou em junho deste ano no Guairão, em Curitiba – traz uma linguagem moderna para a coreografia clássica. De acordo com o coreógrafo Luiz Fernando Bongiovanni, há momentos de aproximação e afastamento da tradição. “Às vezes a tradição é pouco conectável com o mundo contemporâneo. Há uma série de pontos que criamos para nos aproximar do público, como o senso de humor e a interpretação dos bailarinos.

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Processo de criação inovador

O diretor, que foi bailarino e dançou O Lago, revisitou o folclore e fez uma pesquisa iconográfica. “Esse é um dos balés mais icônicos da história da dança. Ele evoca arquétipos que são conhecidos do público e as pessoas conseguem se ver na história”.

O processo de criação da coreografia também foi inovador, partindo de uma metodologia criada pelo diretor durante um mestrado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). De forma colaborativa, os bailarinos se tornaram criadores e segundo a “caligrafia” individual deles o elenco foi definido. Além disso, a partitura musical da obra de Tchaikovsky foi o guia para a montagem. “Fiz uma curadoria da obra toda e partir disso fizemos o encadeamento das cenas. Estamos conectados e articulados com a música”, diz.

“Nosso Lago tem protagonistas mais próximos do mundo contemporâneo, e mesmo que totalmente fantásticos, são – pelas frestas – mais críveis e verossímeis. De uma Rainha-mãe superprotetora e um Rothbart-vilão infantil e carente, até uma Odette-Odile sedutora e apaixonante e um Siegfried-herói por quem torcemos para que encontre forças e coloque em curso sua necessária revolução”, afirma o coreógrafo. Para Bongiovanni, “trabalhar um tema clássico pode ser a possibilidade de reinvenção, gênese de significados, de atualização dos mitos, a oportunidade de trazer para o momento presente questões atemporais, do indivíduo e do coletivo. As lendas que inspiraram essa história são cheias de reviravoltas e enigmas. Há aqui uma simbologia sobre o amadurecimento, a busca pela autonomia e formação da personalidade. Inicialmente Sigfried é dominado pela mãe, mas encontra no amor forças para seguir seu próprio caminho”, afirma Bongiovanni.

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Clássico fecha trilogia

Os ensaios para a apresentação começaram em fevereiro de 2018 e mais de 200 profissionais participam da montagem do espetáculo. Para Mônica Rischbieter, diretora-presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra, O Lago dos Cisnes fecha uma trilogia, que se iniciou com Romeu e Julieta e Carmen. “A revisitação dos clássicos com uma linguagem moderna foi parte de um esforço conjunto para atrair o público mais jovem. Arrisco dizer que é o trabalho mais impressionante que já fizemos”, diz. Para o Balé Teatro Guaíra, a versão de O Lago dos Cisnes traz um valor inestimável. “Estamos falando de um grande clássico, o mais popular de todos os tempos, porém, recriado sob um ponto de vista atual. Trata-se de um encontro de dois importantes fatos que reafirmam o propósito desta companhia: tradição e contemporaneidade. É nisto que acredito e hoje me sinto feliz de poder juntamente com artistas e público apreciar a releitura contemporânea deste grande clássico”, completa Cintia Napoli, diretora do Balé Teatro Guaíra.

Segundo Cíntia Napoli, “os grandes clássicos têm uma potência muito grande porque tratam da existência humana. Trazendo-os para o nosso tempo, a gente consegue perceber o ser humano desde os seus primórdios. Vemos que ainda trazemos os mesmos conflitos e prazeres”.

O Lago dos Cisnes

Obra musical composta por Tchaikovsky em 1876, O Lago dos Cisnes foi encenado pela primeira vez no ano seguinte. Em seu aniversário de 21 anos, Siegfried precisa escolher uma esposa por ordem de sua mãe. Ele conhece Odette, uma princesa transformada em cisne pelo feiticeiro Von Rothbart, antagonista da história. O mago e sua filha, Odile, tentam separar o casal.

O Balé Teatro Guaíra

O Balé Teatro Guaíra foi criado em 1969 e é uma das principais companhias de balé do Brasil, com mais de 140 coreografias apresentadas e 23 bailarinos. Está sob a direção de Cíntia Napoli desde 2012.

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O Lago dos Cisnes

Teatro Alfa (Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722 – Santo Amaro, São Paulo)

Duração 90 minutos

10 e 11/11

Sábado – 20h, Domingo – 18h

$80

Classificação Livre

A partir do dia 20 de setembro, quinta-feira, 21 horas, o Teatro Alfa apresenta a quarta atração da 15ª Temporada de Dança. A Cia de Dança Deborah Colker estreia uma nova versão do espetáculo Nó, criado em 2005 pela coreógrafa carioca.

Enquanto seu mais recente espetáculo, Cão sem Plumas (2017), viaja pelo Brasil e pelo mundo, Deborah Colker, cuja companhia conta com o patrocínio da Petrobras desde 1995, revisita uma coreografia lançada em 2005, na Alemanha, e que não remontava desde 2012. Nó é um marco na trajetória de Deborah. Foi quando ela “virou a esquina”, como diz. Interrompeu sua premiada investigação sobre movimento e espaço – que resultou em Velox (1995), Rota (1997) e Casa (1999) e 4 por 4 (2002) – para mergulhar naquilo que vê como “a tragédia e a complexidade dos impulsos humanos”. O tema de  é o desejo.

Cão sem Plumas me dilacerou, me esvaziou. Senti a necessidade de voltar ao Nó, rever o lugar onde minhas perguntas e angústias começaram a mudar. Eu tinha certeza de que não havia feito tudo o que precisava com Nó”, explica. A coreografia de Cão sem Plumas, baseada em poema de João Cabral de Melo Neto e executada por bailarinos cobertos de lama, valeu a Deborah o prêmio Benois de laDanse, tido como o Oscar da dança.

 volta completamente transformado. Há mudanças cenográficas, a trilha sonora ganha mais temas compostos por Berna Ceppas, e a música Carne e Osso, da banda Picassos Falsos. As modificações que Deborah realizou na coreografia são frutos de seu amadurecimento nos últimos 13 anos. “O corpo é o lugar do desejo. E o corpo erotiza quando dança. Nó tem essa liberdade, mas só agora, 13 anos depois da estreia, é que me sinto mais segura para tratar disso”, diz.

O primeiro ato começa com uma árvore no centro do palco. São 120 cordas, representando laços afetivos. Os bailarinos as soltam aos poucos, até que se assemelhem a uma floresta. Eles se valem de técnicas como a bondage (uso de cordas para controle da dor e do prazer).

No primeiro duo, o homem amarra a mulher por escolha dela. Dominação e submissão estão presentes na consciência plena de ambos. Não há liberdade sem dor, não há prazer sem consciência”, afirma Deborah.

No segundo ato, a companhia dança dentro e em torno de uma grande caixa transparente criada por Gringo Cardia, diretor de cenografia. Se as cordas apontam para a natureza, a caixa evoca o mundo urbano. “O desejo e os enigmas começam no corpo e saltam para fora da forma que conseguem”, diz Deborah.

Na trilha sonora da primeira parte, além de criações de Berna Ceppas, há trechos de Ravel e Alice Coltrane. Na segunda estão preciosidades como My One and Only Love, com Chet Baker;; e Preciso Aprender a Ser Só, de Marcos Valle e Paulo Sergio Valle, na voz de Elizeth Cardoso.

Os figurinos, que transmitem erotismo e também delicadeza, são do estilista Alexandre Herchcovitch. A iluminação é de Jorginho de Carvalho, parceiro de longa data de Deborah. A direção de produção é de João Elias, fundador da companhia.

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Com Cia de Dança Deborah Colker

Teatro Alfa (R. Bento Branco de Andrade Filho, 722 – Santo Amaro, São Paulo)

Duração 95 minutos

20 a 30/09

Quarta e Quinta – 21h, Sexta – 21h30, Sábado – 20h, Domingo – 18h

$75/$180

Classificação Livre

15ª TEMPORADA DE DANÇA – TEATRO ALFA

No dia 2 de julho, segunda-feira, o Teatro Alfa abre as vendas individuais dos espetáculos da 15ª Temporada de Dança (os pacotes para todos os espetáculos estavam à venda desde maio).

Conhecida por ser uma das mais representativas de São Paulo, a temporada traz um importante panorama da área da dança no Brasil e no mundo, selecionando grupos de expressão e relevância na atualidade.

Nesta edição, que também comemora os 20 anos do Teatro Alfa, foram selecionadas companhias fundamentais na trajetória do local. Do Brasil, dançam o Grupo Corpo, a São Paulo Companhia de Dança e a Cia. de Dança Deborah Colker. A programação internacional fica por conta da Cie. DCA – Philippe Decouflé, da França; Mats Ek e Ana Laguna, da Suécia e Espanha, respectivamente; e a Tanztheater Wuppertal, a mítica companhia alemã fundada por Pina Bausch (1940 – 2009). As atrações custam entre R$ 37,50 e R$ 225,00.

Programação Completa da Temporada de Dança 2018

Grupo Corpo – 3 a 5 e 8 a 12 de agosto / Gira (2017) e 21 (1992)

Ingressos: Plateia – R$ 180,00 (inteira) e R$ 90,00 (meia) / Plateia Superior – R$ 75,00 (inteira) e R$ 37,50 (meia)

Cie. DCA – Philippe Decouflé – 31 de agosto a 2 de setembro /Nouvelles Pièces Courtes (2017)

Ingressos: Plateia – R$ 200,00 (inteira) e R$ 100,00 (meia) / Plateia Superior – R$ 75,00 (inteira) e R$ 37,50 (meia)

São Paulo Companhia de Dança – 15 e 16 de setembro / Melhor Único Dia (2017), 14’20” (2002) e estreia de Joëlle Bouvier

Ingressos: Plateia – R$ 100,00 (inteira) e R$ 50,00 (meia) / Plateia Superior – R$ 75,00 (inteira) e R$ 37,50 (meia)

Cia. de Dança Deborah Colker – 21 a 23 de setembro e 25 a 30 de setembro / Nó (2005 – releitura)

Ingressos: Plateia – R$ 180,00 (inteira) e R$ 90,00 (meia) / Plateia Superior – R$ 75,00 (inteira) e R$ 37,50 (meia)

Mats Ek e Ana Laguna – 20 e 21 de outubro / Memory (2004), Axe (2015) e Old and Door (1991)

Ingressos: Plateia – R$ 200,00 (inteira) e R$ 100,00 (meia) / Plateia Superior – R$ 75,00 (inteira) e R$ 37,50 (meia)

Tanztheater Wuppertal/Pina Bausch – 29 de novembro a 2 de dezembro / Néfes (2003)

Ingressos: Plateia – R$ 225,00 (inteira) e R$ 112,50 (meia) / Plateia Superior – R$ 75,00 (inteira) e R$ 37,50 (meia)

QUIERO HACER EL AMOR

Criada e dirigida pela atriz e dramaturgaCarolina Bianchi,a performance Quiero Hacer El Amor ocupa áreas de convivência do Sesc Pinheiros entre 6 e 27 de julho. As apresentações acontecem todas as sextas-feiras e também no feriado (9 de julho, segunda-feira), às 13h30. Criada como um desdobramento dos estudos de Carolina sobre corpo e sexualidade, QuieroHacer El Amor conta com dez performers, todas mulheres.

O trabalho de Carolina pretende desierarquizar noções estabelecidas sobre sexo. Ao deslocar mulheres para ambientes públicos que, a princípio, nada tem de sexuais, a artista experimenta o poder da sexualidade de criar desvios no que está estabelecido. “Nós nos perdemos no espaço até que o corpo também vire parte da arquitetura que ocupamos”, diz Carolina.

As performers ocupam diferentes espaços e interagem com corrimão, chão, parapeito e outras superfícies que estiverem disponíveis. “É importante que esses locais estejam desprovidos de qualquer libido, pois isso é construído na cena. Já fizemos a ação na frente de um tribunal de contas, por exemplo”, explica a artista.

Entre as principais referências de Carolina para os estudos sobre sexualidade, estão o filósofo francês Gilles Deleuze (1925 – 1995), que ao propor pensar a pele como uma superfície repleta de poros abre a percepção sobre outras possibilidades de prazer; o filósofo espanhol Paul B. Preciado (1970), que critica principalmente a cultura heterocentrada, que olha o corpo como algo que funciona a serviço da reprodução sexual e produção de prazer genital; e da americana Andrea Fraser (1965), performer e professora de novos gêneros de arte na Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

Desenvolvida ao longo de duas horas, a performance não tem o objetivo de que o público a assista do começo ao fim, mas sim a flagre em determinados momentos. “É uma experiência em trânsito, menos sobre ver e mais sobre perceber o que está acontecendo”, diz Carolina. Para ela, o trabalho desloca o prazer sexual da mulher para o ambiente público, espaço que culturalmente foi concedido apenas aos homens.

QuieroHacer El Amor por Carolina Bianchi

QuieroHacer El Amor é uma experiência em performance em que um grupo
de 10 a 20 artistas mulheres se relacionam sexualmente com diferentes superfícies/ matérias que configuram um espaço. Durante aproximadamente 120 minutos friccionamos toda a extensão do nosso corpo como possibilidade de prazer quando em contato com o chão, a arquitetura de um edifício, e os objetos que são encontrados pelo caminho.

Deslocar a erotização feminina para o espaço público, provocar a expansão das possibilidades deprazer em cada centímetro do nosso corpo. Desvio.
Descontextualizando hábitos, músculos afetivos altivos. Molhar o patrimônio
com nossos fluídos. Transar com o espaço e ser transada por ele. “A revolução é a sexualidade pisoteando a civilização”( The Motherfuckers).

Quiero Hacer El Amor

Com Joana Ferraz, Carolina Splendore, Michele Navarro, Carolina Bianchi, Marina Matheus, Danielli Mendes, Debora Rebecchi, Mariza Virgulino, Larissa Ballarotti e Mariana Mantovani.

Sesc Pinheiros – Área de Convivência ( R. Pais Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo)

Duração 120 minutos

06 a 27/07 (inclusive 09/07)

Sexta – 13h30

Grátis

Classificação Livre

A NOTÍCIA

Como uma notícia atravessa um corpo? Como um corpo reverbera um noticiário? Nos dias 02 e 03 de dezembro (sábado e domingo), o Caleidos Cia de Dança estreia o espetáculo “A Notícia”, 24º trabalho da companhia paulista que, mais uma vez, se volta sobre o tema da violência na cultura do macho.

Com solo do intérprete criador Nigel Anderson, em “A Notícia”, o noticiário de violência contra homossexuais no Brasil e no mudo se se desdobra numa rede de denúncias, afetos e ações no corpo múltiplo do ator dançarino, revelando e discutindo narrativas pessoais do não-macho na sociedade atual.

“A Notícia” é uma extensão do espetáculo “Mairto” – Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2013, criado a partir da notícia do assassinato de um homossexual em São Paulo. E, assim como “Mairto”, “A Notícia” é resultado do Projeto Rosa Azul, que ocupou papel central nos processos de pesquisa do Caleidos Cia durante todo o ano de 2014. O foco de Rosa Azul é a questão da violência na cultura do macho e os espetáculos ligados a esse projeto tematizam os principais alvos dessa violência: homossexuais, mulheres e crianças.

O espetáculo “A Notícia” é dividido em três atos e notícias distintas. O primeiro ato refere-se a uma notícia de agressão gratuita e motivada pela homofobia, ocorrida em 2010, quando três jovens homossexuais foram agredidos com uma lâmpada fluorescente na avenida Paulista.

O segundo ato trata da patologização da homossexualidade representada pela notícia da aprovação este ano, pelo STF, da cura gay, além de matérias sobre pessoas que foram submetidas a tratamentos de reversão sexual ou de expulsão de demônios.

O terceiro ato aborda a criminalização dos gays, com notícias internacionais sobre campos de concentração para extermínio gay, lista de homossexuais procurados pela polícia em Uganda, enforcamento e apedrejamento no Irã e Arabia Saudita.

Todas as notícias são dançadas e as danças são atravessadas por memórias de vida do intérprete-criador, além de falas científicas e elementos de cênicos documentais numa narrativa caótica e não-linear que costura texto e dança. Após a estreia em São Paulo, ainda em dezembro o espetáculo “A Notícia” segue em temporada em Belém (PA), terra natal do ator e dançarino Nigel Anderson.

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A Notícia
Com Nigel Anderson
Caleidos Cia. de Dança (Rua Mota Pais, 213, Lapa, São Paulo)
Duração 45 minutos
02 e 03/12
Sábado e Domingo – 20h
$20
Classificação 16 anos

CIRANDANÇA – 20 ANOS

O Cirandança, tradicional evento na cidade de Diadema, comemora 20 anos em 2017 com apresentações nos dias 8, 9 e 10 de dezembro – sexta-feira (às 20h), sábado e domingo (às 19h) – no Centro Cultural Diadema (Teatro Clara Nunes). A cada dia acontece um espetáculo diferente, com entrada franca.

O evento encerra as atividades do Programa de Oficinas de Dança desenvolvido, durante ano de 2017, pela Secretaria Municipal de Cultura de Diadema, e ministradas pelos bailarinos educadores da Companhia de Danças de Diadema. “O desejo de reunir os participantes desse projeto nasceu 20 anos atrás e vem se concretizando, anualmente, com a realização do Cirandança”, comenta a diretora da Companhia de Danças de Diadema, Ana Bottosso.

20º Cirandança envolve cerca de 750 pessoas – alunos de todas as faixas etárias – crianças com mais de seis anos, jovens, adultos e idosos (todos participantes das oficinas), artistas orientadores da Companhia e agentes os centros culturais da cidade -, além de centenas de familiares e amigos dos alunos que lotam a plateia em todas as apresentações.

A cada edição, um assunto é eleito para o desenvolvimento das coreografias: cada turma mostra no palco, pelos movimentos da dança, o resultado da inspiração ou leitura feita do tema adotado. Muitos temas nortearam o Cirandança nessas duas décadas. “Dançamos Villa Lobos, Luiz Gonzaga e Monteiro Lobato, voamos com Santos Dumont, brincamos com o Menino Maluquinho, embrenhamo-nos nas lendas brasileiras, rimos e nos emocionamos com Charlie Chaplin. Enfim, viajamos pelo universo por meio da dança”, relembra Ana Bottosso.

A diretora conta que a celebração dos 20 anos faz um passeio pelos temas já explorados, além de conter novidades. “Este espetáculo comemora o aniversário do Cirandança, e também faz uma reverência às artes, em especial à dança, registrando a alegria que é a possibilidade de dançar e de poder inserir a dança na educação e na vida das pessoas”, completa Ana.

Tanto a concepção quanto a criação dos espetáculos contam com a participação de todos os integrantes, de forma integrativa e colaborativa, reafirmando a importância da troca de experiências que contribui para o crescimento pessoal e para o aprendizado de vida de cada um. Durante as oficinas de dança, eles também recebem outras orientações sobre o universo de um espetáculo, noções de iluminação, trilha sonora, posicionamento no palco, figurino, acessórios cênicos, contato com a plateia. Com o evento os alunos têm a oportunidade de mostrar o resultado das oficinas de dança com o requinte de ocuparem o palco mais importante de Diadema, o Teatro Clara Nunes.

A realização do Cirandança é da Secretaria Municipal de Cultura de Diadema, Associação Projeto Brasileiro de Dança e Companhia de Danças de Diadema. O projeto conta também com o apoio cultural da Waelzholz Brasmetal, Fisio&Forma e Capézio.

Cirandança – 20 anos
Com alunos do Programa de Oficinas de Danças de Diadema e Companhia de Danças de Diadema
Teatro Clara Nunes – Centro Cultural Diadema (Rua Graciosa, 300. Centro, Diadema – São Paulo)
08 a 10/12
Sexta – 20h, Sábado e Domingo – 19h
Entrada gratuita (ingresso distribuído com 1 hora de antecedência)
Classificação Livre