VAN GOGH POR GAUGUIN

De outubro a dezembro de 1888, na pequena Arles, na França, dá-se um encontro explosivo entre aqueles que viriam a ser considerados, futuramente, como dois dos maiores artistas da história da humanidade: o holandês Vincent Van Gogh (1853-1890) e o francês Paul Gauguin (1848-1903).

Escrito por Thelma Guedes para o diretor Roberto Lage, o espetáculo Van Gogh por Gauguin é uma ficção na qual Gauguin, em um agonizante delírio, vive sob o peso de sua responsabilidade em relação ao final de vida trágico do amigo Vincent. A peça, que estreia no dia 22 de abril, segunda (às 20h), na Sala Paschoal Carlos Magno do Teatro Sérgio Cardoso, personifica de forma poética, simbólica e onírica os conflitos e a admiração incondicional entre os pintores.

Como não se trata de um espetáculo biográfico, mas de um encontro ficcional entre os artistas – vividos por Alex Morenno e Augusto Zacchi, respectivamente -, a direção priorizou o trabalho de interpretação para criar um universo cênico que remeta aos padrões cromáticos dos dois pintores, levando o espectador a refletir sobre o que levou essa grande amizade a um trágico fim. Tendo como apoio a pesquisa biográfica que traz à luz, sobretudo, os pensamentos artísticos divergentes de ambos, a peça privilegia questões humanas com a força de seu alcance na vida dos criadores.

Em um febril período de apenas dois meses, em que eles dividem a pequena Casa Amarela, em Arles, na isolada região rural francesa, vivendo e pintando juntos, as profundas diferenças de temperamento e de visão artística provocam embates, muitas vezes violentos, culminando no famoso e terrível desfecho no qual, após uma forte discussão, Paul decide partir de volta a Paris e Vincent reage, intempestivamente, decepando a própria orelha.

Em 1890, o atormentado Van Gogh tenta suicídio com um tiro na barriga, que o levaria à morte no dia seguinte. Gauguin, por sua vez, em 1891, depois de uma bem sucedida exposição, realiza o sonho de ir morar no Taiti. Lá, produz vigorosamente até que, abatido por uma sífilis não diagnosticada, vai sendo excluído da sociedade e abandonado pelos seus. É sobre esse episódio mal sucedido que se pauta o espetáculo Van Gogh por Gauguin. “A intenção é trazer para cena um Van Gogh espectral, fruto do inconsciente delirante de Gauguin que, sofrendo com as consequências da sífilis, acredita estar morrendo”, comenta o diretor Roberto Lage.

Por meio de um exercício dramatúrgico de imaginação, a encenação reinventa o momento em que o efeito delirante do arsênico sobre o pintor o leva a acreditar que Van Gogh está ao seu lado, acompanhando o instante de sua morte e, ao mesmo tempo, forçando-o a se lembrar dos momentos que passaram juntos. Em um ambiente decadente, deteriorado e sujo, ele sente fome e muita dor. E seus delírios colocam o público frente às diferenças entre eles, tanto no modo de ver a vida, de agir e de fazer arte, como na evidente admiração de um pelo outro – assumida por Van Gogh, mas dissimulada por Gauguin, numa mistura de inveja com incômoda admiração.

A culpa de Gauguin em relação ao amigo morto, que fora por ele magoado, abandonado e esquecido, e cuja presença e memória servem como acusação e sentença de morte, revela sua incapacidade de comunicação e afeto com aquele que tinha tanta coisa dele mesmo, mas que também seria o seu oposto, a sua sombra. Vive uma culpa sobre aquele que lhe causou, por fim, tantos sentimentos intensos, profundos e contraditórios, como o amor e a repulsa.

Van Gogh foi considerado um artista maldito, louco; um homem incompreendido pelo seu tempo. Frente a todo o tipo de infortúnio – como miséria, fome, frio e solidão – ele conseguiu deixar um legado de pinturas e desenhos não compreendidos na época em que viveu, mas aclamado após a sua morte. Os vários episódios de sua vida construíram um artista ávido por um amor que nunca foi correspondido, fosse ele a prima que não o quis, o amigo Paul Gauguin por quem tinha profunda admiração ou mesmo a fé que durante muito tempo buscou, mas acabou se rendendo à arte como forma de expressão.

Do ponto de vista realista, a encenação se passa no atelier deteriorado de Paul, nas Ilhas Marquesas. O tratamento cênico busca, pelas nuances da luz (de Kleber Montanheiro), explorando a paleta de cores dos pintores, uma estética posterior ao impressionismo de Van Gogh ou ao pós-impressionismo de Gauguin. O cenário realista (de Paula De Paoli, também figurinista) é ambientado com moldura, cavaletes e tintas; estruturas de quadros e telas aparecem em outra dimensão, sem revelar as supostas obras. Os figurinos recebem o mesmo tratamento realista, sendo o de Van Gogh um pouco mais lúdico.

A ideia desse projeto partiu do desejo de Alex Morenno, Roberto Lage e da diretora assistente Joanah Rosa em retratá-lo no palco. “Acho que Van Gogh me escolheu”, confessa o ator Alex Morenno. “Já estive muito ruivo e as pessoas me associavam a ele. Isso despertou em mim o interesse por sua vida e obra”, completa. E resolveram, então, dar corpo a esse desejo, sendo Thelma Guedes convidada para criar o texto. “Van Gogh por Gauguin é um trabalho puramente emocional. Não passa pela ‘tese’ sociopolítica que sempre defendi no palco”, revela o diretor. Já Alex conta que sempre se interessou em falar sobre loucura, solidão e inquietação artística. “Quando penso em Van Gogh, essas três coisas me vêm à cabeça, assuntos tão pertinentes em tempos tão difíceis”, ele reflete.

Augusto Zacchi conta que não conhecia muito da história de seu personagem. Para ele, a entrega de Gauguin a uma busca incondicional pela arte é o que pauta sua composição. “Meu olhar é para o humano desse indivíduo que foi buscar sua razão de vida e pagou o preço. Ambos foram forjados na vida em função da busca, da obsessão e da paixão”, comenta o ator. E Roberto Lage finaliza: “essa é só mais uma história sobre os pintores, uma defesa do ‘homoternurismo’ (termo de Mário Prata), pois creio que o preconceito social da época seja responsável pela dificuldade que eles tiveram de se relacionarem em sociedade”.

FACE (2)

Van Gogh por Gauguin

Com Alex Morenno e Augusto Zacchi

Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno (Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo)

Duração 75 minutos

22/04 até 10/06

Sábado – 18h30, Domingo – 19h, Segunda – 20h

$50

Classificação 14 anos

DISNEY ON ICE – FESTIVAL MÁGICO NO GELO

Entrando em um mundo de maravilhas, em que os heróis e os corações saem triunfantes, Mickey e seus amigos guiam o público por um universo onde a imaginação ganha asas e tudo pode acontecer. Adaptar para o gelo tantos momentos de inspiração dos filmes foi um grande e interessante desafio para a equipe de criação. Cheia de novidades, esta nova edição do Disney On Ice está mais especial, e com muitos efeitos visuais e interatividade com os personagens mais queridos da Disney. “É isso que torna Festival Mágico no Gelo diferente: selecionamos cenas que nunca havíamos feito antes e dedicamos o nosso tempo para os detalhes, para torná-las realmente especiais”, diz a diretora Patty Vincent.

A apresentação de A Pequena Sereia será mágica com um número de tecido acrobático. A sereia Ariel se transforma em um ser humano ao emergir do caldeirão da Úrsula e fica suspensa a mais de 10 metros acima do gelo, exibindo suas pernas novinhas em folha.

Cada aspecto de A Bela e a Fera é incrivelmente fora dos limites para estimular a imaginação do público a entrar na história. Gaston lidera uma multidão de aldeões com tochas com fogo de verdade para perseguir a Fera. Já os habitantes encantados do castelo ganham roupas com tecidos que se desdobram à medida que os artistas erguem os braços, acrescentando peças que ampliam as fantasias.

A icônica rosa vermelha é um espetáculo à parte. A flor é superdimensionada, com pétalas que caem de verdade. O cenário do castelo ganha uma forma caprichada, que dá a sensação de que ele é realmente vivo. Esses elementos de cenário, além de muitos outros, como o deslumbrante lustre que se ilumina à medida que desce; foram criados pelo designer de cenários Walt Spangler, nessa que é sua primeira produção Disney On Ice.

Spangler desenhou diversas peças que se apoiam no gelo para criar um cenário tridimensional, permitindo que os personagens interajam com ele, escalando e patinando sob os elementos. “O cenário não só precisa se destacar no gelo, mas também precisa criar um pano de fundo para cada uma das histórias”, argumenta Spangler. “Conseguimos fazer isso desenhando uma cortina austríaca que mascara o fundo e pode se erguer em seções, recolhendo o tecido a partir da ponta inferior.

Ao ser erguida e descida em seções, a cortina acrescenta uma presença de palco ao espetáculo no gelo. Ela pode ser aberta ou fechada a partir de qualquer uma das pontas para os personagens individuais, sem interromper a cena como um todo. Ela também amplia a tela em branco do gelo e assume os desenhos de iluminação do espetáculo. Isso fica especialmente evidente quando Rapunzel recebe calorosas boas-vindas em seu reino natal.

O cavalo Maximus trota para frente e para o centro à medida que todos se reúnem para saudar Rapunzel e Flynn com um grandioso número com bandeiras e lanternas. As luzes das lanternas flutuantes se refletem tanto no gelo quanto na cortina, que serve como pano de fundo para a cena. A combinação da cortina e do design da iluminação acrescenta profundidade à cena ao multiplicar as lanternas e fazê-las aparecer à distância no céu noturno.

A iluminação também tem um papel fundamental ao dar à produção uma sensação realmente mágica. Além de selecionar cuidadosamente os tons para colorir cada uma das histórias no gelo e na cortina, o designer de iluminação Sam Doty escolheu padrões de luz que empolgarão a plateia. “As cores realmente levam o público aos diferentes mundos das princesas, mas é o modo como as luzes são organizadas que comanda a atenção do público quando os personagens estão se apresentando”, explica Doty. “Por exemplo, quando as Filhas de Tritão são apresentadas, a iluminação destaca cada uma delas individualmente. Os olhos da plateia seguem os holofotes.”

Apesar de todo o aparato visual, a essência das histórias permanece a mesma. Os sonhos de Ariel são libertos do fundo do mar e, em um momento de magia, o Príncipe Eric quebra o encanto submarino de Úrsula para conquistar o seu verdadeiro e único amor. Rapunzel realiza o seu sonho de fugir da torre e ver as luzes flutuantes. Tiana comemora as suas ambições de ter um restaurante em Nova Orleans. Jasmine descobre um mundo totalmente novo com Aladdin. Branca de Neve encontra o seu verdadeiro e eterno amor. Esta linda apresentação também revela os desejos mais profundos de Cinderela e Bela.

Disney On Ice – Festival Mágico no Gelo” se encerra com um número de bastões de luz, com as estrelas da Disney reaparecendo para uma emocionante despedida.

Veja abaixo cenas de três números apresentados durante a coletiva de imprensa.

“Disney On Ice – Festival Mágico no Gelo”
Ginásio do Ibirapuera (Rua Manoel da Nóbrega, 1361 – São Paulo)
31/05 a 08/06
$70/$320
Quarta – 19h30; Quinta – 15h30 e 19h30; Sexta – 10h30, 15h30 e 19h30; Sábado e Domingo 11h, 15h e 19h
Classificação: Livre