HOTEL TENNESSEE

Hotel Tennessee estreia em 16/08, uma peça para o público interagir com personagens criados pelo dramaturgo e escritor norte-americano Tennessee Williams. Um espetáculo interativo, imersivo e itinerante com cenas de trechos curtos de 12 peças do autor que ocorrem simultaneamente e se passam no lobby, salas e quartos da Casa Don’Anna, encravada na Rua Guaianazes, 1149.

As peças curtas de Tennessee escolhidas para esta montagem retratam o mesmo “tipo” de ser humano e embora tenham sido escritas em momentos diferentes de sua carreira, se referem aos seres incompreendidos, renegados, marginalizados, e que por muitas vezes sofrem preconceito e abuso da sociedade por não se enquadrarem nos padrões estabelecidos, restando a eles vagarem em busca de encontrar um lugar de pertencimento.

Por que montar peças curtas e esquecidas, peças escritas nos anos 1930 e 1940, antes do dramaturgo encontrar a sua glória? “Primeiramente falaríamos que Tennessee foi um grande escritor, dramaturgo, poeta e romancista que soube botar no papel a dor da alma humana dos pobres de espírito e dos derrotados. Foi ele quem deu voz a todos os incompreendidos, a todos os marginalizados, a todas as minorias, a todos os sem voz, sem lugar de fala, a todos os esquecidos da sociedade e do bem-estar social das democracias capitalistas”, diz Brian.

“Vivemos hoje no Brasil uma situação muito parecida a da América nos anos 1930 e 1940, entre a Grande Recessão, de 1929 e a II Guerra Mundial. Aqui, também, estamos vivendo uma brutal recessão, onde uma parcela significativa da população passa pelas mesmas privações, inconformidades e incompreensão’, acrescenta Ross.

A proposta deste pout-pourri de Tennesse Willians permite que o público retorne ao “Hotel” mais vezes para conhecer os outros desfechos das cenas, pagando meia-entrada mediante a apresentação do primeiro ingresso, e assim vivenciar diferentes personagens.

Um Portal de entrada nos anos 1930/1940

Há algo em comum entre uma mansão nos Campos Elísios, em São Paulo, e um hotel no French Quarter, em Nova Orleans? Construções magníficas feitas de encomenda por uma elite endinheirada de uma época áurea: lá por conta do algodão e aqui, pelo café, que entraram em declínio com a decadência dessas monoculturas.

Ao longo de sua vida Tennessee Williams morou em pensões e hotéis, até morrer por asfixia, engasgado pela tampa de um colírio, em 1983, aos 71 anos, no seu quarto no Hotel Elysee, em Nova York. Ele retratou suas peças os personagens incompreendidos, marginalizados, a quem não resta outra opção a não ser vagar pelo país, fugindo de um passado, buscando uma verdade própria. Transitando e vivendo por entre hotéis, pensões, quartos alugados, dependendo da bondade de estranhos, assim como a famosa personagem Blanche Dubois, de Um Bonde Chamado Desejo.

A encenação será diferenciada, saindo do tradicional palco italiano, para uma “visitação” a um espaço, pois teremos um “hotel”, uma recepção – bar, onde tudo se inicia e se comunica, um espaço em comum entre as diferentes histórias que serão apresentadas e que a partir dali serão direcionadas a outros ambientes dando continuidade às histórias previamente apresentadas, dando diferentes opções ao espectador.

O cenário será composto de dois ambientes de um hotel, o Hotel Tennessee, que irá mostrar seu ar decadente, porém com resquícios de uma época suntuosa, e apesar de ter uma decoração antiga e ultrapassada, e estar sem manutenção, ainda restam indícios de que um dia foi um lugar charmoso, e bem frequentado.

O primeiro ambiente, onde se passa a maior parte da peça, seria a reconstituição de um saguão de um hotel sulista americano. Dividido em recepção com front desk, sala de espera, com dois sofás e duas poltronas, bar com duas mesinhas e lojinha de souvenir. Tapetes desgastados cobrirão o chão e cortinas e sofás puídos e com alguns buracos, irão mostrar o tal ar decadente.

“Esse projeto surgiu a partir da necessidade de expor o que é trabalhado e vivenciada nos grupos de estudos, que ocorrem permanentemente no galpão do grupo TAPA. O grupo de estudo de Tennessee Williams surgiu em 2009 e continua até hoje, onde os alunos leem, ensaiam, estudam, assistem palestras, documentários, e filmes. Esse estudo intensivo do autor culminou em traduções de 26 peças curtas dos livros: Mr. Paradise e Outras Peças em Um Ato e de 27 Carros de Algodão e Outras Peças em Um Ato, lançados pela Editora É Realizações, além de mais dois volumes etambém o espetáculo Alguns Blues do Tennessee — de 3 peças curtas — que estreou, no Viga Espaço Cênico em 2011.

Sinopse:

Peça interativa, imersiva e passeante por uma mansão nos Campos Elísios. Em um hotel de Nova Orleans, na década de 40, o público interage com personagens de 12 peças de Tennessee Williams. Entre eles, Blanche Dubois (Um Bonde Chamado Desejo) e Maggie (Gata em Telhado de Zinco Quente) as cenas serão exibidas no lobby, saguão, salas e quartos da Casa Don’Anna.

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Hotel Tennessee

Com Brian Penido Ross, Ana Lys, Augusto dos Santos, Suzana Muniz, Fernando Medeiros, Marcelo Schmidt, Alessandra Lia, Klever Ravanelli, Jéssica Monte, Suel Silva, Felipe Souza, Gabriela Westphal, Thiago Merlini, Laura Ishikawa, Jean Le Guévellou, Alyne Montenegro, Daniel Di Sevo, Edgar Pedro, Ewerton Novaes, Juliana Tolentino e Tony Filho

Casa Don’Anna (Rua Guaianazes, 1149; Campos Elísios – São Paulo)

Duração 70 minutos

16/08 até 30/09

Quinta – 20h, Sexta – 21h, Sábado – 19h e 21h, Domingo – 17h30 e 19h30

$30

Classificação 12 anos

  • Tel: 11 993868150 – Reservas pelo whatzap com a gerente Mrs Wire
  • Vallet na porta grátis e o estacionamento RS 10,00

MENOPAUSA, O MUSICAL

Quatro mulheres de meia-idade encontram-se no interior de uma loja de departamentos. Durante este dia, elas irão compartilhar suas experiências sobre mais um estágio na vida feminina, mas que é o pesadelo de 10 em 10 mulheres, a Menopausa.

Este fato foi transformado em musical por Jeanie Linders. Estreou em 2001 em Orlando, Florida. Por cerca de 90 minutos, acompanhamos um dia na vida de quatro personagens – a Atriz, a Hippie, a Executiva e a Dona de Casa do Interior, que, complementares, formam o quarteto disposto a lidar de forma bem-humorada com os detalhes e preciosidades de ser mulher entre os 45 e 55 anos de idade.

Durante o espetáculo são interpretadas 25 canções sobre o ‘fogacho’, o desejo por chocolate, a perda de memória, os suores noturnos e a dificuldade sexual. As letras são paródias de canções famosas como “What’s Love Got to Do With It”, “The Great Pretender”, “Stayin’ Alive“, “YMCA“, entre outras.

O musical foi um sucesso. Depois de Orlando, percorreu mais de 450 cidades nos Estados Unidos e diversos países. Está em cartaz há 12 anos na cidade de Las Vegas, atualmente no hotel cassino Harrah’s.

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Público feminino x masculino

Seth Greenleaf, diretor e sócio da GFour Productions, que detém os direitos do musical, ao ser questionado como é a reação do público masculino estrangeiro ao espetáculo, respondeu que “incentivamos ao público feminino trazerem seus parceiros, pois é algo educativo para eles. Eles chegam meio retraídos, mas durante o espetáculo, relaxam, aproveitam, riem bastante, e ao final, nos agradecem por poderem compreender um pouco sobre o que é a Menopausa. Pelo que pude ver durante as primeiras apresentações aqui no país, vi que o mesmo aconteceu com o público masculino brasileiro.

Menopausa em terras brasileiras

A montagem do espetáculo é um sonho do produtor Cássio Reis desde 2003, quando o assistiu pela primeira vez. Cerca de 15 anos foram necessários para colocar em pé o musical. E desde 10 de agosto, “Menopausa, o Musical” está em cartaz no palco do Teatro Gazeta, com sessões de sexta a domingo.

A direção coube a Anderson Bueno, que debuta no cargo. “Assumi o papel de direção por ser atrevido e inquieto. Já tinha minha experiência com visagismo e produção, mas queria experimentar algo a mais“. Para ajudá-lo na tarefa de contar a história, ele chamou sua amiga, Maximiliana Reis. A ela, por sua experiência, coube o papel de dirigir as atrizes.

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Luciana Milano, Simone Gutierrez, Alessandra Vertamatti, Bibba Chuqui e Adriana Fonseca (crédito foto – Marco Máximo)

 

O elenco feminino brasileiro

Para compor o elenco, foram convidadas cinco atrizes. Adriana Fonseca, Alessandra Vertamatti, Bibba Chuqui e Simone Gutierrez dão vida, respectivamente, à Hippie, à Dona de Casa do Interior, à Executiva, e à Atriz. Luciana Milano assume o papel de stand-in.

Oficialmente, nós temos um elenco mais jovem do que o que é montado nos outros países. Porque, no Brasil, a menopausa atinge mulheres cada vez mais jovens. Então rejuvenescer estas personagens seria importante“, afirma Bueno.

Simone Gutierrez entende esta mudança como importante, afinal “o musical foi criado há 20 anos. A mulher de 50 anos atual é bem diferente daquela do início do século XXI. Ela é uma Claudia Raia, ela faz de tudo“. Já Alessandra Vertamatti vê o espetáculo como “uma forma de deixar mais leve esse ‘tabu’. Afinal, sobre menopausa só se ouve falar sobre a parte médica, algo pesado“.

Para ajudá-las a entrar nas personagens, foi contatada a endocrinologista Elaine Dias, que presta assessoria ao musical.

Abrasileirando o musical

Para trazer o espetáculo mais próximo do público brasileiro, mudanças foram feitas em algumas personagens. A Hippie mora nos bairros italianos de São Paulo, e a Dona de Casa, saiu do interior dos Estados Unidos e veio parar em Minas Gerais.

Outra mudança necessária foi a versão das canções para o português. Isto ficou a cargo do diretor musical, Thiago Gimenes – “É importante que a prosódia e a acentuação das palavras estejam corretas, mas estou me baseando principalmente nas fonéticas. As pessoas vão ouvir as músicas com o mesmo tipo de sonoridade que ouvem em inglês, mas com palavras em português“.

A única canção brasileira que foi permitida ser incluída pela pela produção americana é o clássico das Frenéticas, “Dancing Days“, inserida no encerramento do show.

A coreografia também foi algo estudado, afinal as personagens são senhoras de meia idade, que não tem mais o vigor de quando eram jovens. Para tanto a coreógrafa Ciça Simões e sua assistente Nina Sato Pires pensaram em algo mais natural, ouvindo o que as atrizes pensaram para compor seus personagens. “A coreografia é feita para contar a história. Tem que ser natural. Lógico que alguns movimentos muito clichês tem que ficar, como forma de homenagem, como no caso de “Saturday Night Fever”. Conseguimos encontrar um equilíbrio entre fazer movimentos que ficassem bons nos corpos das atrizes e que contassem bem a história“, disse Ciça.

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crédito foto – Opinião de Peso

Vídeos das cenas apresentadas durante a coletiva de imprensa.

 

Menopausa, o Musical
Com Adriana Fonseca, Alessandra Vertamatti, Bibba Chuqui, Simone Gutierrez e Luciana Milano (stand in) Fafy Siqueira (em off).
Teatro Gazeta (Av. Paulista, 900 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 80 minutos
10/08 até 21/10
Sexta – 21h, Sábado – 20h, Domingo – 16h
$80
Classificação 12 anos

NATASHA, PIERRE E O GRANDE COMETA DE 1812

Inspirado em uma passagem da obra-prima “Guerra e Paz“, de Leon Tolstói, “Natasha, Pierre e o Grande Cometa de 1812” é revolucionário e impulsionado pelo desejo de quebrar com os paradigmas do teatro musical tradicional por meio de uma trama permeada por amor, perdão e redenção, que alia o clássico a ares de modernidade.

O musical, criado pelo compositor norte-americano Dave Malloy, se tornou um grande sucesso logo em seu ano de estreia, com 12 indicações ao Tony Awards de 2017, justamente por misturar tantos estilos distintos.

Suas composições trazem uma história totalmente musicada com ritmos que misturam o “Broadway tradicional” ao pop, soul, folk e eletrônico. Seu enredo utiliza como cenário a Rússia do começo do século XIX assolada pelas guerras Napoleônicas, mas dentro de estética e linguagem contemporâneas.

Outro ponto fora do convencional é o formato em que o musical é montado, fora do teatro e dentro de um espaço localizado em uma das áreas mais charmosas de São Paulo, o 033 Rooftop, no topo do Teatro Santander. O local será todo adaptado e contará com cenografia especial para remontar um clube russo do início do século XIX, incluindo 11 luminárias Sputnik assinadas pela designer Ana Neute.

Envolvida nessa atmosfera moscovita, a plateia poderá, além de assistir à peça, desfrutar de serviço de bar e vivenciar uma saborosa experiência gastronômica comandada pelo Chef Mario Azevedo, do 033 Rooftop, com destaque para a receita do autêntico strogonoff russo.

O 033 RoofTop oferece uma excelente infraestrutura para eventos de qualquer natureza, com modernidade e flexibilidade. O local conta com lounge, terraço, salão principal, bar, varanda privada, sala de reunião VIP, camarim, cozinha industrial e salas técnicas e de apoio.

Para promover uma atmosfera extrovertida e inovadora, o elenco extravasa o ambiente do palco principal e corre para o público em passarelas que permeiam toda a plateia, composta por cadeiras, mesas e banquetas, em atuações interativas que promovem a imersão dos espectadores. A orquestra também faz parte dessa grande festa e fica disposta em um pit no centro da plateia. Alguns dos artistas também circulam pelas passarelas tocando instrumentos.

Em sua adaptação brasileira, o musical conta com direção geral de Zé Henrique de Paula e realização da Move Concerts, mediante acordo especial com a Samuel French, Inc. O trio de protagonistas será estrelado por Bruna Guerin (Natasha), André Frateschi (Pierre) e Gabriel Leone (Anatole), além de um grande elenco. “Natasha, Pierre e o Grande Cometa de 1812” é apresentado por Ministério da CulturaBanco Santander e Zurich Santander, e tem patrocínio de Santander Getnet.

Experiência gastronômica

Envolvida nessa atmosfera moscovita, a plateia poderá, além de assistir à peça, desfrutar de serviço de bar com variados drinks e vivenciar uma saborosa experiência gastronômica comandada pelo Chef Mario Azevedo, do 033 Rooftop. Com base na culinária russa, o destaque é a receita do autêntico strogonoff local. A outra opção de prato principal é o pelmeni, outro prato originário da Rússia, que pode ser pedido com carne ou queijo (versão vegetariana).

A entrada especial é a salada oliver, conhecida como “salada russa”, um clássico da culinária nativa. As sobremesas são as famosas pavlovas, de chocolate ou de frutas do bosque. O menu ainda tem os zakuski, tradicionais aperitivos de queijos e frutas secas e, também, porções mistas de pierogui, popular receita ucraniana incorporada a gastronomia russa. Clientes Santander tem 15% de desconto na compra antecipada, por meio do site www.ingressorapido.com.br, ou na bilheteria do Teatro Santander, da experiência gastronômica completa (1 entrada + 1 prato principal + 1 sobremesa).

O 033 Rooftop é um dos mais novos espaços de eventos de São Paulo, localizado no topo do Teatro Santander. Com uma área de 1.000m2, o terraço conta com estrutura moderna e contemporânea, que possibilita a realização dos mais diferentes tipos de eventos.

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Natasha, Pierre e o Grande Cometa de 1812

Com André Frateschi, Bruna Guerin, Gabriel Leone, Guilherme Leal, Nani Porto, Adriana Del Claro, Miranda Kassin, Wilson Feitosa, Lola Fanucchi, Nábia Villela, Daniel Cabral, Natália Glanz, Andre Torquato, Fabiana Tolentino, Vitor Moresco, Carol Bezerra, Arthur Berges, Letícia Soares, Giovanna Moreira, Patrick Amstalden, Rafael Pucca e Thiago Perticarrari

033 Rooftop – Complexo Shopping JK Iguatemi (Av. Juscelino Kubitschek, 2041 – Itaim Bibi, SãoPaulo)

Duração 150 minutos

24/08 até 25/11

Sexta – 21h30, Sábado – 16h e 21h30, Domingo – 19h30

$130/$160

Classificação 12 anos

ADMIRÁVEL NINO NOVO

Ator e diretor de teatro, Cassio Scapin coleciona mais de 60 diferentes personagens em seu currículo, entre teatro, TV e cinema, dos mais variados tipos, como Ary Barroso, Jânio Quadros, Santos Dummont, Miriam Muniz na peça Eu não dava praquilo, Olavo Bilac, Brás Cubas na peça Memórias Póstumas, Urbano Madureira no Sítio do Pica Pau Amarelo, até um traficante chinês além dos vários personagens da peça O Mistérios de Irma Vap, entre tantos outros. Já recebeu 4 indicações ao Prêmio Shell, ganhando 1, e 4 indicações ao Prêmio APCA, ganhando 2. Além de ganhar também os prêmios Mambembe de teatro infantil, Arte Qualidade Brasil, Governador do Estado e 4 APETESP.

Para comemorar seus 36 anos de carreira, Cassio trouxe de volta aos palcos uma de suas mais importantes criações, depois de 20 anos sem interpretá-lo. O mais conhecido e querido personagem, do já legendário Castelo Rá Tim Bum, está de volta numa sensacional aventura inédita, com texto e direção de Mauricio Guilherme e produção de Rodrigo Velloni.

Numa arrojada iniciativa e acompanhado apenas do invisível Espírito da Aventura (na voz de Ney Matogrosso), o aprendiz de feiticeiro deixa o Castelo para cair na estrada e assim descobrir o sentido e a sensação do que é uma verdadeira aventura.

Como escolher para onde ir? Como se guiar? Que roupas levar? Com que meio de transporte? São tantas as perguntas para responder. E as possibilidades também. Sendo então nosso protagonista um jovem mágico, estas possibilidades se multiplicam em inúmeras outras.

Seja numa noite estrelada, num deserto escaldante, no alto do Monte Everest, no espaço sideral e até no fundo do mar, entre muitos outros lugares, explorar o desconhecido é o lema dessa viagem. Através de um novo olhar, Nino vai descobrindo o que é diferente no mundo e o que também pode vir a ser. Uma lição básica para todos que embarcam numa nova jornada, como a dele.

A montagem mostra um jeito completamente novo de reencontrar um velho amigo através de projeções arrojadas, truques cênicos, trilha especialmente composta e a presença do talento único de Cássio Scapin, o Nino original da série da TV Cultura que foi ao ar a partir de 1994, com inúmeras reprises até o dia de hoje, sendo considerado um dos melhores produtos audiovisuais da história da televisão brasileira.

Nino, o eterno menino de 300 anos, convida a todos para este reencontro nos palcos do Teatro das Artes. Crianças, jovens e (claro!) adultos também.

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Admirável Nino Novo

Com Cassio Scapin e Ney Matogrosso (off)

Teatro Sérgio Cardoso – Sala Sérgio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153. Bela Vista, São Paulo)

Duração 60 minutos

18/08 até 14/10

Sábado e Domingo – 12h

 

$30

Classificação Livre

**Atenção: Sessões extras nos feriados dos dias 07 de Setembro e 12 de Outubro, às 12h**

A VISITA DA VELHA SENHORA

Encenar a Visita depois de A Alma Boa e Galileu é quase como finalizar uma trilogia” – diz Denise Fraga.  “A trilogia de nosso eterno dilema entre a ética e o ganha pão.”

Em A Alma Boa de Setsuan, de Bertolt Brecht, espetáculo visto por mais de 220.000 pessoas, entre os anos de 2008 e 2010, a personagem principal perguntava: Como posso ser boa se eu tenho que pagar o aluguel? Como posso ser bom e sobreviver no mundo competitivo em que vivemos?

Em Galileu Galilei, também de Brecht, espetáculo que esteve um ano e oito meses em cartaz e foi visto por mais de 140.000 pessoas, o tema é revisitado: Como posso ser fiel ao que penso sem sucumbir ao poder econômico e político vigente? Como manter meus ideais comprando meu vinho bom?

Agora chega A Visita da Velha Senhora, nova parceria e patrocínio do Banco Bradesco, com 13 atores em cena, em que Friedrich Dürrenmatt expõe a fragilidade de nossos valores morais e de nossa noção de justiça quando a palavra é dinheiro. A protagonista da peça é quase a encarnação mítica do poder material, a milionária Claire Zachanassian, vivida por Denise Fraga, que com seu bilhão põe em xeque a cidade de Güllen.

O enredo é aparentemente simples. Os cidadãos de Güllen, uma cidade arruinada, esperam ansiosos a chegada da milionária que prometeu salvá-los da falência. No jantar de boas-vindas, Claire Zachanassian impõe a condição: doará um bilhão à cidade se alguém matar Alfred Krank, o homem por quem foi apaixonada na juventude e que a abandonou grávida por um casamento de interesse. Ouve-se um clamor de indignação e todos rejeitam a absurda proposta.  Claire, então, decide esperar, hospedando-se com seu séquito no hotel da cidade.

A partir dessa premissa, o suiço Friedrich Dürrenmatt nos premia com uma obra-prima da dramaturgia, construindo uma rede de cenas que se entrelaçam, cheias de humor e ironia, um desfile de personagens humanos e reconhecíveis que pouco a pouco, vão escancarando a nossa fragilidade diante do grande regente de nossas vidas: o dinheiro. Quem mata Krank?  Cairá Güllen na tentação de satisfazer o desejo de vingança da milionária?  Ou fará justiça?  O que é fazer justiça?  Até que ponto a linha ética se molda ao poder dinheiro?

Dürrenmatt caracteriza A Visita da Velha Senhora como uma comédia trágica e com seu humor cáustico nos pergunta: Até onde nos vendemos para poder comprar? Como o poder e o dinheiro vão descaracterizando os nossos ideais?   Por outro lado, quanto nos custa a não submissão?  O texto se desenrola abrindo ainda outros ramos de reflexão.  Dürrenmatt era completamente obcecado pela questão da justiça e as sutilezas de suas fronteiras. O que é justo? O que significa justiça em nossos tempos? Até que ponto o valor moral da justiça se adequa ao poder?  Reconhecível no Brasil nos dias de hoje? A Visita da Velha Senhora expõe questões que sempre estiveram em pauta na história da humanidade, mas que caem como uma luva em nossos tão tristes tempos.

Acredito no poder de transformação pela arte. Na formação do indivíduo pela arte. O teatro como espelho do mundo, nos fazendo rir para nos reconhecer, dando voz a nossa angústia, dando palavras àquilo que pensamos e não sabemos dizer. O humor e a poesia nos ajudando a elaborar o pensamento para agir, para transformar, para viver criativamente, para por a mão da massa da nossa história”, afirma Denise Fraga. “Depois de dois anos e meio de A Alma Boa de Setsuan, de Bertolt Brecht, e um ano e meio de Galileu Galilei, do mesmo gênio alemão, sou mais uma vez surpreendida pela potente atualidade de um clássico. Não foi por acaso que cheguei a Dürrenmatt. Foi discípulo, bebeu em Brecht. Lá está o mesmo fino humor, a mesma ironia e teatralidade. Dürrenmatt também se faz valer do entretenimento para arrebatar o público para a reflexão”.

É natural finalizar tal “trilogia” com a obra máxima de Dürrenmatt. Como Brecht, Dürrenmatt é mestre em dissecar as relações de poder e os conflitos morais em suas obras, em questionar o papel do herói e a sua necessidade para uma sociedade justa, em fazer uso do humor para gerar reflexão. Nas três peças: Alma Boa, Galileu Galilei e A Visita da Velha Senhora, tudo isso está explícito. A diferença é que Brecht prefere desconstruir as ilusões de que nos alimentamos e propor uma possível transformação, enquanto Dürrenmatt as mantém vivas e ri delas por serem apenas isso: ilusões, enganos pelos quais lutamos e sempre lutaremos.

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A Visita da Velha Senhora

Com Denise Fraga, Tuca Andrada, Fábio Herford, Romis Ferreira, Eduardo Estrela, Maristela Chelala, Renato Caldas, Beto Matos, David Taiyu, Luiz Ramalho, Fernando Neves, Fábio Nassar e Rafael Faustino

Teatro Sergio Cardoso – Sala Sérgio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153. Bela Vista, São Paulo)

Duração 120 minutos

03/08 até 30/09

Sexta – 21h, Sábado – 17h e 21h, Domingo – 18h

$40/$80

Classificação 14 anos

*Todas as sessões de agosto às 17h terão disponíveis: áudio descrição e intérprete em libras*

O LOUCO E A CAMISA

Texto do argentino Nélson Valente, O Louco e a Camisa está em sua nona temporada na cidade de Buenos Aires, além de já ter ganhado os palcos de outros países como Chile, Espanha, França, Portugal e Estados Unidos.  Sucesso de público e crítica, a peça faz sua segunda temporada em São Paulo com direção de Elias Andreato.

O texto entrelaça temas como a loucura, a convivência familiar, a revelação da verdade e a violência doméstica, ao retratar um pai violento e severo. O público se depara com uma família distorcida e marcada pela convivência hipócrita entre eles, que se esforçam para esconder a existência de um “louco” (o filho) e suas ideias aparentemente malucas.

No decorrer do espetáculo, percebe-se que o “louco” é, na verdade, o mais são entre os integrantes da família, pois é fiel e íntegro aos seus valores. O único com percepção real e verdadeira. Desta forma, a comédia se dá em contraponto ao drama vivido com esses conflitos familiares, pois os personagens naturalmente se metem em situações cômicas para solucionar seus problemas.

É importante estar em constante discussão sobre as diferenças e estimular a tolerância e o respeito ao próximo. Neste espetáculo retratamos distúrbios de personalidades e relacionamentos, e isso serve para pôr uma lupa em nós mesmos e fazermos uma autoanálise do quanto somos permissivos e complacentes com certas situações”, comenta Priscilla Squeff, idealizadora do projeto no Brasil, ao lado dos sócios Leandro Luna e Danny Olliveira. Os produtores assistiram ao espetáculo em Buenos Aires e, cada vez mais, acreditam na importância deste intercâmbio cultural.

 

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O Louco e a Camisa

Com Rosi Campos, Rainer Cadete, Ricardo Dantas, Priscilla Squeff e Dudu Pelizzari

Teatro Renaissance (Alameda Santos, 2233 – Cerqueira César, São Paulo)

Duração 70 minutos

10/08 até 16/09

Sexta e Sábado – 21h30, Domingo – 18h

$80/$100

Classificação 12 anos

*Não haverá sessões no dia 17 de Agosto*

*Sessão com tradução de libras e audiodescrição dia 19 de agosto*

SUASSUNA – O AUTO DO REINO DO SOL

Suassuna – O Auto do Reino do Sol traz na essência uma série de características de seu homenageado. Ariano Suassuna (1927- 2014) – que teria completado 90 anos em junho de 2017 – defendeu incansavelmente a brasilidade e a valorização da cultura nacional, ao mesclar a arte popular e o universo erudito em todas as suas obras.

Em 2007, a Sarau Agência realizou uma grande programação para festejar os 80 anos de Ariano e, desde então, foi criado um vínculo do escritor com Andrea, responsável por todas as montagens da Barca dos Corações Partidos e por uma série de projetos que celebraram a arte brasileira nos últimos 25 anos. “Há algum tempo, Ariano me falou: ‘Não venha comemorar meus 85 anos, eu não vou morrer, quero que você festeje os meus 90!’. Naquele momento me senti condecorada e com uma grande missão pela frente”, conta a produtora.

A ideia inicial surgiu em conversas de Andrea com Ariano, que se confessava um palhaço frustrado e que elegeu o palhaço de O Auto da Compadecida como um dos seus personagens prediletos. “Assim, surgiu a ideia de uma grande homenagem ao palhaço de Ariano e pensei na reunião da Barca dos Corações Partidos com o que eu chamo de “trio paraibano”. Assim foi sendo criada esta peça inédita, com músicas e texto originais, mas totalmente inspirada no legado de Ariano”, resume Andrea.

A escolha de Ariano Suassuna foi também coerente com toda a trajetória da Barca dos Corações Partidos, fiel defensora de um repertório nacional e de um teatro que privilegia o intercâmbio de linguagens.

O grupo se formou no processo de Gonzagão – A Lenda (2012), celebração de outro ícone nordestino, Luiz Gonzaga, e logo em seguida reviveu um clássico de Chico Buarque (Ópera do Malandro, 2014), ambos com direção de João Falcão. A Cia. Barca dos Corações Partidos tem 4 espetáculos no repertório, 45 prêmios agraciados e um público de mais de 500 mil espectadores.

Chico César, Braulio Tavares e Luís Carlos Vasconcelos assistiram aos dois primeiros trabalhos e aceitaram na mesma hora o convite para se unir nesta nova empreitada.  “Além de ser um espetáculo que homenageia os 90 anos de Ariano Suassuna, quero falar do meu fascínio com essa trupe. Sempre trabalho com meus atores, com o meu grupo. Sempre tive receio de pegar um trabalho de outra companhia, mas tudo se dissipou em nosso primeiro encontro. É fascinante observar todas as possibilidades que estes atores tem como músicos, cantores, atores e palhaços”, diz Luís Carlos, fundador do celebrado grupo Piollin e  diretor de montagens emblemáticas, como Vau da Sarapalha, em repertório desde a estreia, em 1992.

O texto e as canções do musical foram produzidos ao longo do processo de ensaios, que começou ainda no ano passado, quando o elenco fez uma série de oficinas circenses e também excursionou pelo Nordeste brasileiro no que foi chamado de Circuito Ariano Suassuna. Guiados por Dantas Suassuna, filho de homenageado, a trupe esteve em Casa Forte (Recife), conheceu a famosa Pedra do Ingá e visitou a fazenda de Taperoá (Paraíba).

Entre muitas palestras e oficinas, o grupo se preparou para o intenso processo criativo, em que se reuniram por oito horas diárias e apenas uma folga semanal nos últimos quatro meses.

Neste período, Braulio Tavares idealizou a história central da montagem, centrada em uma trupe de circo-teatro e nos acontecimentos de uma noite de apresentação do grupo. O picadeiro de um circo é o cenário perfeito para aparecerem personagens de Ariano, como João Grilo e Chicó (‘O Auto da Compadecida’) e outros conhecidos tipos da Literatura Clássica, além de servir como pano de fundo para as histórias dos integrantes da companhia fictícia.

O projeto sempre quis falar de Ariano sem, no entanto, apresentar um espetáculo biográfico ou mesmo uma adaptação de suas obras. “Quando entrei na história, já estava decidido que não seria um espetáculo Armorial e que teríamos a liberdade de subverter, de trazer o Ariano de outras formas. A criação foi toda impregnada de Ariano, de seus personagens e de seu universo”, relata Luís Carlos Vasconcelos, que trouxe toda a sua imensa bagagem como palhaço para o processo. “É uma homenagem ao Ariano palhaço. O público é guiado por uma espécie de Palhaço Mestre de Cerimônias, como era habitual em seu teatro”, diz.

A parte musical seguiu pelo mesmo caminho. Os textos poéticos e as letras das músicas usam as formas tradicionais de poesia popular que foram cultivadas por Ariano, como a sextilha, a décima, o martelo e o galope. Chico César, Beto Lemos e Alfredo Del Penho, mostravam as melodias e algumas letras surgiam de improviso, outras cabiam exatamente em alguns trechos do texto. A maioria das letras ficou a cargo de Braulio Tavares, mas também tem canções de outros integrantes da companhia, como Adrén Alves e Renato Luciano. “Contaminação é a palavra que define todo este projeto. As melodias foram contaminadas pelas letras e vice-versa. Criamos algo novo, mas totalmente contaminado por Ariano”, analisa Chico, a quem o escritor chegou a dedicar um livro de poesias.

Suassuna – O Auto do Reino do Sol

Com Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Beto Lemos, Fábio Enriquez, Eduardo Rios, Renato Luciano e Ricca Barros. Atores convidados Rebeca Jamir, Chris Mourão e Pedro Aune

Teatro Porto Seguro (Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elísios, São Paulo)

Duração 120 minutos

17/08 até 23/09

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$50/$80

Classificação 14 anos