CANTOS DE COXIA E RIBALTA

O espetáculo musical original “Cantos de Coxia e Ribalta“, da Cia. de Teatro Lusco-Fusco, está de volta a São Paulo a partir de outubro de 2018, aos sábados às 20h e domingos às 19h, na Sala Carlos Miranda, dentro do Complexo Cultural Funarte SP. Os preços variam de R$ 25 a R$ 50, e os ingressos antecipados já podem ser adquiridos pelo site do espetáculo e da própria Cia.

Musical 100% autoral e brasileiro, “Cantos de Coxia e Ribalta” foi criado por Alef Barros e Gustavo Dittrichi, a partir do estudo de três vertentes artísticas: os personagens-tipos da commedia dell’arte, os ritmos musicais brasileiros e o teatro narrativo brasileiro; combinando esta nova abordagem com a bagagem de pesquisa cênica que a Cia. Lusco-Fusco já carrega; teatro e música (ou teatro musical).

Tanto o texto quanto as músicas são originais. O argumento (escrito por Gustavo Dittrichi) buscou livre inspiração na obra de Luis Alberto de Abreu; em especial no texto “O Auto da Paixão e da Alegria”. A linguagem cênica tem inspiração no musical “Godspell“, de Stephen Schwartz e John-Michael Tebelak. Já a música (escrita por Alef Barros) buscou referências na obra musical de Chico Buarque; nas composições de Baden Powell com Toquinho, em especial nos seus estudos e releituras dos cantos de terreiro e umbanda; e na bossa-nova em geral. Os arranjos musicais e composições gerais são de Dario Ricco, Hiago Guirra e Marco De Laet; e os arranjos vocais são de Joyce Roldan. A concepção cênica e estética é de Gustavo Dittrichi.

O espetáculo estreou em janeiro de 2018, e cumpriu sua primeira temporada até 4 de fevereiro. Em abril, foi convidado para participar do Festival de Teatro de Mauá 2018, encerrando a programação cultural do evento.

Para esta nova temporada, os arranjos vocais da peça foram revistos, números musicais foram alterados e pequenos detalhes foram incluídos para tornar a narrativa ainda mais poderosa – sem perder a característica que agradou ao público em sua temporada de estreia. Também foram selecionados novos artistas: Igor Patrocínio, que assume o papel do Jovem Ator; Yasmim Ribeiro, que alternará o papel de Dona da Cia. com Rodolfo Mozer, criando um novo jogo cênico para o espetáculo; Lucas Sansi (Ensemble e Swing) e Marcelo Fagundes (Ensemble). Eles se juntam aos artistas da primeira temporada: Gustavo Dittrichi (o Poeta), Marco De Laet (o Músico), Carolina Silveira (Jovem Atriz), Joyce Roldan (a Primadonna), Rodolfo Mozer (o Dono da Cia.), Beatriz Belintani (elenco de apoio), Isabella Costa (elenco de apoio) e Lais Helena (Ensemble e Swing). A volta do espetáculo prevê ainda participação de artistas convidados, que serão divulgados oportunamente.

O espetáculo cumpre temporada na Funarte até 28 de outubro; uma nova temporada em novembro também está prevista, a ser divulgada em breve.

O espetáculo tem patrocínio da Só Dança; apoio da ACENBI (Associação Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira do Imirim), da Poiesis, das Fábricas de Cultura, doGoverno do Estado de São Paulo, da Funarte e do Ministério da Cultura. A produção e realização é da Lusco-Fusco Produções Artísticas.

Sinopse do espetáculo

Sob os sussurros da coxia e as luzes de ribalta, um grupo de atores se reúne para contar uma história. Entre o corre-vida e as chegadas e partidas dos trilhos de uma estação de trem, o público é apresentado a uma trupe de teatro em crise financeira, que corre o risco de ter seu teatro tomado por conta da especulação imobiliária. Um Poeta então é encarregado de criar uma grande obra teatral a fim de trazer de volta aos artistas os tempos áureos: é a última chance do Teatro sobreviver. Neste cenário, personagens tipificados, inspirados pelos tipos commedia dell’arte – o Dono da Cia., um Poeta, um Músico, uma Primadonna, um Jovem Ator sonhador e uma linda e ambiciosa Jovem Atriz – passam a viver seus próprios conflitos, que misturam-se com a própria história da peça que estão montando. Enquanto tentam contar a história, a realidade mistura-se com a ficção até que se tornem uma coisa só. A abordagem poética da paixão, da desilusão, da entrega, da inveja e competição, da morte e, sobretudo, da sensação de estar sempre tentando permanecer “de pé” e superar os obstáculos impostos pelo destino – sensação tão comum ao Teatro e também à vida cotidiana – são os ingredientes para mover o espetáculo.

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Cantos de Coxia e Ribalta

Com Igor Patrocínio, Yasmim Ribeiro, Rodolfo Mozer, Lucas Sansi, Marcelo Fagundes, Gustavo Dittrichi, Marco De Laet, Carolina Silveira, Joyce Roldan, Beatriz Belintani, Isabella Costa e Lais Helena

Funarte – Sala Carlos Miranda (Al. Nothmann, 1058 – Campos Elíseos, São Paulo)

Duração 135 minutos

06 a 28/10

Sábado – 20h, Domingo – 19h

$50

Classificação 12 anos

SEU SILÊNCIO É UM BARULHO DO INFERNO

Inspirado em uma história realo espetáculo SEU SILÊNCIO É UM BARULHO DO INFERNO estreia dia 6 de outubro, sábado, às 21h, no TEATRO HANGAR. Texto inédito de Alberto Guiraldelli, peça é inspirada no caso de dois rapazes de 20 e 16 anos que foram forçados a saltar de um trem em movimento por um grupo de três skinheads em Mogi das Cruzes, em 2003. Com direção de Mônica Granndo, montagem da Cia do Ator Careca aborda questões relacionadas ao universo jovem.

Eu acompanhei bastante o caso e especialmente os comentários de pessoas na internet sobre o ocorrido. O que me fez pensar muito sobre esse fato foi que era composto de jovens que viviam de certa forma em um mesmo mundo. Eram todos de periferia, viajando em um trem, e que se encontraram por puro acaso. E esse encontro mudou tudo de forma radical para ambos os lados”, afirma o autor Alberto Guiraldelli.

Escrita em 2004, SEU SILÊNCIO É UM BARULHO DO INFERNO se passa na virada dos anos 80/90 e mostra dois grupos de personagens. Um grupo de jovens estudantes de um colégio técnico que se encontram em um domingo como outro qualquer depois de um show de rock. Primeiro emprego, sexualidade, relações familiares, amizades, ideologias, são temas presentes na peça, tendo como recortes os medos, as dúvidas, os anseios, as esperanças e os arroubos típicos da juventude.

Fugindo de uma abordagem documental, a dramaturgia procura ir além da simplificação que insiste em congelar a essências desses jovens no papel de vítimas ou agressores. O que existe é uma exploração das relações sociais e familiares em cada um dos personagens através da linguagem e das inseguranças próprias do adolescente. O episódio do trem descarrilha o futuro na linha da vida de cada um desses jovens.

A linguagem da encenação é contemporânea, apesar da peça ser ambientada na década de 80, trazendo expressões linguísticas da época. A concepção cênica define-se com os figurinos, músicas e objetos do período em que se passa a encenação. A luz desempenha um papel fundamental na montagem, pois por meio do jogo de luzes observam-se os recortes de cena que remetem às linhas de ação temporal, que não é contínua e acontece em dois tempos”, declara a diretora Mônica Granndo.

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Seu Silêncio é um Barulho do Inferno

Com Geovanna Portante, Luiz Hirschmann, Luciana Brunelli, Marcela Arruda, Marcelo Bosco, Mario Cesar, Pedro Pó, Rebeca Desan e Rogério Pérez

Teatro Hangar (Rua Conselheiro Brotero, 305 – Barra Funda, São Paulo)

Duração 75 minutos

06/10 até 11/11

Sábado – 21h, Domingo – 19h30

$40

Classificação 14 anos

RÉQUIEM PARA O DESEJO

Companhia da Memória cria uma leitura contemporânea para o clássico Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams (1911-1983), emRéquiem Para o Desejo, com dramaturgia de Alexandre Dal Farra e direção de Ruy Cortez. A peça estreia no dia 5 de outubro, no Sesc Ipiranga, onde segue em cartaz até 4 de novembro, com sessões às sextas e aos sábados às 21h, e aos domingos às 18h (uma apresentação extra acontece na quinta-feira, dia 1º de novembro, às 21h).

Essa releitura livre inverte completamente os papéis desempenhados pelos personagens no clássico norte-americano. Stella torna-se uma mulher extremamente dominadora que tortura constantemente sua irmã Blanche. Para isso, Stella conta com a ajuda de seu fracassado marido Stanley e do macho forte e dominador Mitch, pretendente da irmã.

A inversão é uma forma de repensar algumas dessas figuras, como o proletário másculo. Acho que há um declínio dessa figura, no entanto, a estrutura que dá sustentação para ela ainda não se desfez na sociedade, de maneira que ele simplesmente se vê incapacitado de encontrar outro caminho para encaminhar os seus desejos. Stella tampouco consegue lidar com tal situação. Blanche se introduz nesse ambiente menos estável do que o original. No entanto, as alterações e a instabilidade, longe de gerar possibilidade de mudança, tendem a tornar as relações ainda mais estagnadas”, conta o dramaturgo Alexandre Dal Farra.

Em um cenário de terra arrasada, essas figuras buscam maneiras de estruturar as suas relações, que quase sempre resultam em explosões e choques irracionais e sem explicação. A ideia é lançar um olhar negativo para as figuras e situações criadas por Williams para investigar onde e como se instauram as diversas relações de poder, controle e repressão em uma estrutura social contemporânea.

Com uma narrativa polifônica – que mostra o ponto de vista aprofundado dos personagens, a encenação toma como eixos temáticos principais as culturas do patriarcado (do machismo), do capitalismo (neoliberalismo), da misoginia, do racismo, do colonialismo (neocolonialismo), do sucesso (reconhecimento, espetáculo, celebridade, competição e meritocracia) e da violência.  “Creio que o espetáculo trate de um desejo que não encontra mais caminhos para ter vida, porque os caminhos de que se alimenta são autoritários e ele não consegue se estruturar de forma diversa com tanta facilidade”, revela Dal Farra.

Para fazer essa crítica à sociedade capitalista contemporânea, a encenação adota como referências os conceitos da graça e do destino trágico presentes nas obras do cineasta dinamarquês Lars von Tier (sobretudo em Ondas do Destino); e a manifestação da ideologia fascista e da violência contemporânea presentes nos filmes do diretor alemão Michael Haneke (em A Fita Branca e Violência Gratuita).

Assim como a obra original, a encenação parte de uma sobreposição de tempos-espaços narrativos: a casa branca – aristocrática, burguesa e latino-americana -, que é representada pela releitura de Alexandre Dal Farra; e a casa negra – presente na peça de Williams nas imagens do cabaré onde ecoa o piano blues e na residência da vizinha negra. Este segundo plano não ficcional é composto por uma intervenção poética e musical das cantoras/atrizes convidadas Roberta Estrela D’Alva (em vídeo) e Denise Assunção.

Pareceu-me fundamental abrir essa questão por meio do estudo das feministas negras e do filósofo camaronês Achille Mbembe, além da peça A Serpente, de Nelson Rodrigues, que fala da realidade brasileira. A Roberta fará uma intervenção poética em vídeo a partir do spoken word, sobre a presença do domínio da opressão dos corpos dentro da estrutura político-social humana. E a Denise vai cantar um repertório surpresa de canções piano blues, nas quais ressoam cantos negros de trabalho, de opressão, de dominação, de amor, de morte e de desejo”, revela o diretor Ruy Cortez.

O espetáculo é a terceira parte da Pentalogia do Feminino, um conjunto de peças concebidas por Ondina Clais e Ruy Cortez, sobre temas autônomos vistos sob a perspectiva do feminino.

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Réquiem Para o Desejo

Com Gilda Nomacce, Jorge Emil, Marcos Suchara, Ondina Clais e Denise Assunção

Sesc Ipiranga (R. Bom Pastor, 822 – Ipiranga, São Paulo

Duração 90 minutos

05/10 até 04/11

Sexta e Sábado – 21h, Domingo e Feriado – 18h

$30 ($8 – credencial plena)

Classificação 16 anos

SOMOS TÃO JOVENS

O universo de alegrias, dúvidas, angústias, medos, acertos e erros de seis jovens amigos são retratados em Somos Tão Jovens, espetáculo de Vinícius de Oliveira com direção de Ricardo Grasson que volta para sua segunda temporada com nova produção no Teatro Augusta.

O elenco conta os com jovens atores Danillo Branco, Júlio Oliveira, Gabriel Moura, Bruno Damásio, Fernando Burack e Luis Fernando Delalibera acompanhados por uma banda formada por Kelly Martins, Léo Rosso e Rozera Nunes.

Questões sobre preconceitos, sonhos, uso de drogas, relacionamentos e sexualidade, são trazidos à cena em situações que se desdobram em gravidez indesejada, a primeira vez, sonhos frustrados e homossexualidade, entre outros assuntos sempre presentes na passagem para a idade adulta. A banda conduz o desdobramento da encenação impulsionando o trabalho dos atores, embalados por canções ligadas a juventude durante as décadas de 1980 a 2000.

Para a criação do texto, Vinícius de Oliveira teve como inspiração o espetáculo Garotos, de Leandro Goulart, o filme Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro e o livro As Meninas, de Lygia Fagundes Telles. A música Tempo Perdido, do Legião Urbana, que toca durante a peça é uma das cenas mais nostálgicas para o público.

Na criação da dramaturgia, essas obras funcionaram como impulsionamento e uma forma de costurar a trama que estava sendo criada. Histórias que aconteceram comigo e com pessoas próximas também serviram como propulsores. É um espetáculo que cativa jovens que vivem essas cenas no dia a dia, e até de pessoas mais velhas, que passaram por esses momentos em algum ponto da vida”, conta o autor.

Para o diretor Ricardo Grasson, a montagem conversa muito bem com os dias atuais, aposta na simplicidade e na mensagem direta para o jovem. “A peça aborda temas que não são muito falados em casa; o teatro tem essa característica de mostrar a vida como ela é, ativa questionamentos sobre o mundo. Não importa se é um clássico ou contemporâneo, o bom do teatro é falar do ser humano e todas as camadas que o envolvem”.

Cenário e figurinos colocam os personagens inseridos no cotidiano como um apartamento, um bar, elementos de uma grande metrópole que poderia ser em qualquer lugar do mundo. “Todos esses recursos cênicos ajudam a exibir o cotidiano desses personagens e de todas as tramas dessa juventude. É uma forma de transportar o mundo para o palco e proporciona a empatia direta e rápida do público. Durante o processo, houve um diálogo com os atores em todos os aspectos, uma maneira de alimentar o trabalho da direção e atuação, os dois lados caminharam bem para trazer um novo frescor”, diz Grasson.

Somos Tão Jovens marca a volta, após mais de 20 anos, de Ricardo Grasson na direção, que se dedicou ultimamente na produção de espetáculos como Caesar – como construir um Império (Willian Shakespeare adaptado e dirigido por Roberto Alvim) com Caco Ciocler e Carmo Dalla Vecchia; Fantasmas (de Henrik Ibsen adaptado e dirigido por Roberto Alvim e Juliana Galdino) com Guilherme Weber, Pascoal da Conceição, Mário Bortolotto e Luisa Micheletti; 33 Variações (obra de Moisés Kaufman e direção de Wolf Maya) com Nathalia Timberg, Clara Sverner e grande elenco; entre outras.

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Somos Tão Jovens

Com Danillo Branco, Júlio Oliveira, Gabriel Moura, Bruno Damásio, Fernando Burack e Luis Fernando Delalibera

Teatro Augusta – Sala Paulo Goulart (Rua Augusta, 943. Consolação – São Paulo)

Duração 70 minutos

06/10 até 04/11

Sábado – 19h, Domingo – 18h

$40

Classificação 14 anos

AS BRASAS

Consagrada obra do escritor húngaro Sándor Márai (1900-1989), “As Brasas” ganha sua primeira adaptação para os palcos brasileiros em uma montagem que marca a estreia de Duca Rachid – autora conhecida por diversos sucessos na televisão brasileira – na dramaturgia teatral. A ideia de adaptar o romance surgiu há quase dez anos, quando Duca e o também novelista e dramaturgo Júlio Fischer estavam trabalhando juntos e leram o livro. Escrita em parceria pela dupla com o diretor da montagem, Pedro Brício, “As Brasas” estreia em 29 de setembro, no SESC Santana. O ator e empreendedor cultural Felipe Lima responde pela idealização do projeto, junto com a autora, além da produção ao lado da Tema Eventos.

Em seu primeiro trabalho no teatro, Duca Rachid enfrentou um grande desafio na adaptação de um prestigiado romance. “Quando li, de cara, pensei que daria uma peça incrível. O trabalho foi difícil porque o livro tem várias camadas. É um jeito de eu me aprofundar nessa linguagem, que exige outro tipo de imaginação. Quando você escreve para TV e para cinema, tem algo mais naturalista e imagético. Para o teatro, é muito mais abstrato”, diz.

Herson Capri e Genézio de Barros vivem, respectivamente, Henrik e Konrad, protagonistas de uma história visceral de amor e amizade, marcada pelo rancor e o ressentimento. Ainda meninos, eles se conheceram na escola militar, tornaram-se amigos inseparáveis e, ao longo dos anos, partilharam descobertas e experiências da infância, juventude e vida adulta. Eles não se veem há 41 anos, desde o dia em que Konrad desapareceu após uma caçada na floresta nos arredores do castelo de Henrik, em 1899, na Hungria. Entre os dois, há um segredo que ronda o dia da caçada e as lembranças de Kriztina – mulher de Henrik e amiga de infância de Konrad. Após quatro décadas, Henrik, agora general, recebe uma carta do amigo informando estar de volta à cidade, levando-o a se preparar para esse tão aguardado confronto final.

Acho que o que mais me impressionou no livro foi a relação entre esses dois amigos. É tão profunda, uma amizade tão forte que, como acontece às vezes na vida, se estabelece uma relação de poder. Existe uma tensão entre os dois que acaba sendo projetada naquela mulher (Kriztina, mulher do Henrik e amiga de Konrad). Eles a usam para projetar aquele amor que sentem um pelo outro e não conseguem realizar. Existe essa tensão erótica”, conta Duca.

Fortemente presente no romance, a música foi transportada para a cena através da trilha original criada por Marcelo Alonso Neves. “Como, no livro, a música aparece relacionada aos personagens femininos, a violoncelista Nana Carneiro da Cunha vai executar a trilha ao vivo, no palco, e também dizer as falas femininas”, conta Pedro Brício. “É um livro sobre afetividade, memória e decadência. Um encontro muito íntimo entre dois amigos durante a II Guerra Mundial. Isso é muito interessante, esse contraponto entre o momento histórico, o cotidiano e as relações afetivas. É uma constatação de uma certa tristeza e uma decadência dessa dureza masculina”, analisa o diretor.

Idealizador da montagem, Felipe Lima já conhecia a obra de Márai quando foi convidado por Duca para participar do projeto e ficou encantado com a ideia de transpor para os palcos a história de Henrik e Konrad. “É uma história que fala de algo muito forte na minha vida: a relação de amor e de amizade. Por isso, esse livro me toca profundamente”.

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As Brasas

Com Herson Capri, Genézio de Barros e Nana Carneiro da Cunha (violoncelista)

SESC Santana (Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Santana, São Paulo)

Duração 70 minutos

28/09 até 04/11

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 18h

$30 ($9 = credencial plena)

Classificação 12 anos

SENHORA DOS AFOGADOS

Dirigido por Jorge Farjalla, o espetáculo “Senhora dos Afogados”, texto de Nelson Rodrigues, estreia no XP Investimento no dia 05 de outubro, sexta, depois de uma temporada de sucesso no Teatro Porto Seguro em São Paulo no primeiro semestre.

O elenco traz Alexia DechampsJoao VittiKaren JunqueiraRafael VittiFrancisco Vitti (que fará uma dobradinha com Rafael durante a temporada), Letícia BirkheuerNadia BambirraJaqueline Farias e Du Machado.

“Senhora dos Afogados” faz parte da saga mítica rodriguiana assim intitulada pelo crítico Sábato Magaldi. Escrita em 1947, segue a linha de“Álbum de Família” (1945), “Anjo Negro” (1946) e “Dorotéia” (1949) e traz uma forte simbologia que se aproxima das tragédias gregas, em que os clãs familiares se entre-devoram num inferno de culpas desmedidas. O projeto desta montagem nasceu de um desejo de Letícia Birkheuer de que Farjalla a desconstruísse num papel de teatro.

Os Drummond, uma família de três séculos, com mulheres que se gabam da fidelidade conjugal, choram a morte por afogamento de Clarinha, uma das filhas de Dona Eduarda e Misael Drummond, e, ao mesmo tempo, prostitutas do cais do porto interrompem suas atividades para lamentar a impunidade do assassinato de uma das suas que morrera há dezenove anos.

Nesta encenação, Jorge Farjalla – depois da ousada e elogiada versão de “Dorotéia” com Rosamaria Murtinho e Letícia Spiller e de “Vou deixar de ser feliz por medo de ficar triste?”, com Paula Burlamaqui, Vitor Thiré e Yuri Ribeiro, um dos espetáculos mais falados deste ano no RJ – leva outra vez Nelson Rodrigues ao extremo contemporâneo e destaca a singularidade da religião em suas obras, em que o sagrado se alimenta do profano, teatralizando ainda mais, através dos signos e símbolos, revisitando a obra numa estética que comunga cenário, figurino, desenho de luz, som e música original, em um contexto singular aos olhos do teatro pós-moderno, riscando nesta montagem, mais uma vez, sua visão própria e original do texto com a marca arrojada e diferente que imprime nas encenações que dirige.

É uma montagem feita não pra chocar e sim pra refletir. A sociedade está indo para um lugar retrógrado, confundindo liberdade de expressão com exibicionismo. Não quero que o meu modo de ver ou olhar para a obra de Nelson seja rotulado ou criticado sem embasamento. Ao contrário, vamos pensar juntos; não consigo desassociar  religião e rito de sua odisseia mítica”, explica Farjalla.

Os atores vivem todos os personagens em cena, brincando com os arquétipos, para contar e narrar trajetória da família Drummond – nome que tem em seu significado “vindo do mar” – alguns assumindo os ‘vizinhos’, uma espécie de coro da tragédia grega, assim como seus próprios personagens, com sotaque local, pois a peça se passa em Recife, que é o mar da infância de Nelson, onde ele nasceu.

Um farol, sempre presente em cena, teatralmente representado como uma espécie de lamparina que o próprio ator-narrador executará em cena, é cenário para a religiosidade dos nativos que vivem no mar e emergem do mangue, para Iemanjá como símbolo de todo o contexto da obra, assim como as canções do cancioneiro popular da beira do rio e do mar, fazendo da encenação única e teatralmente cheia de signos e apresentando um Nelson trágico, profundo, íntimo, patético e absurdo.

Alexia Dechamps, que participou da encenação de “Dorotéia”, agora divide este segundo projeto com Farjalla assumindo a protagonista Dona Eduarda, junto com Karen Junqueira (Moema, irmã do Paulo), que estará fazendo Rita Cadillac no cinema, com estreia prevista para o segundo semestre. “Dois projetos com o mesmo autor e diretor, um trabalho de identidade de companhia, me colocando num lugar de risco do início ao fim, me provocando e instigando é algo que preciso celebrar. Certamente um momento único, feliz!”, comemora Alexia.

Já João Vitti e Rafael Vitti dividem pela primeira vez o palco e com personagens que remetem à vida real: pai e filho (Misael e o noivo, respectivamente) – que aqui no Rio ganha a dobradinha do Francisco com Rafael, durante a temporada. E um dos personagens masculinos será interpretado por Letícia Birkheuer, que viverá Paulo, filho do casal pescador, além de Du Machado, o vendedor de pentes. No elenco feminino também estão Nadia Bambirra (Dona Marianinha, a avó) e Jaqueline Farias, a prostituta morta, vizinha e outra prostituta do cais. Aqui vale uma observação: tanto os Vitti como Karen, Letícia e Nádia vivem pela primeira vez um texto de Nelson Rodrigues.

O cenário é assinado por José Dias e a trilha sonora por João Paulo Mendonça – ambos parceiros de Farjalla desde a montagem de “Paraíso AGORA! Ou Prata Palomares”, do roteiro do filme de André Faria, e “Dorotéia” – enquanto figurinos e adereços são de Jorge Farjalla em conjunto com Ana Castilho e a luz de Vladimir Freire e Jacson Inácio.

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Senhora dos Afogados

Com Alexia Dechamps, Joao Vitti, Karen Junqueira, Rafael Vitti, Francisco Vitti, Letícia Birkheuer, Nadia Bambirra, Jaqueline Farias e Du Machado

Teatro XP Investimentos – Jockey Club Brasileiro (Av. Bartolomeu Mitre, 1110 – Leblon, Rio de Janeiro)

Duração 90 minutos

05/10 até 25/11

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$60

Classificação 16 anos

FRIDA, FRIDA, FRIDA

A artista Frida Kahlo serve como base para o novo musical da ARINA Entretenimento, “Frida, Frida, Frida”, que estreia dia 29 de setembro no Teatro XP Investimentos (RJ). Em cena, seis atores (três crianças e três adultos) dão vida a personagens inéditos, com texto e música autorais.

A intenção do musical é colocar o público infanto-juvenil em contato com o universo da artista. São três esquetes, interpretadas por três crianças, que, com diferentes pontos de vista, apresentam as cores e a ludicidade da obra da pintora mexicana e abordam questões sobre diversidade e superação.

O espetáculo nasce da necessidade de abordar no teatro temas que afetam as crianças atualmente e que não são habitualmente discutidos no seu cotidiano. A peça procura apresentar uma história real, de uma heroína real, ampliando assim o horizonte da criança e a relação com seus ideais – diz Kau Swaelen, uma das idealizadoras e fundadora da ARINA.

A peça tem texto e composição das canções de Tauã Delmiro, reconhecido por seu trabalho em “O edredom” e recém-premiado no Prêmio do Humor na categoria Especial e Melhor espetáculo pela direção de “O nome do espetáculo”. A direção é dividida por Fabiana Tolentino (“Natasha, Pierre e o Grande Cometa de 1812” e “Bibi, o musical”), Erika Affonso (“60! Doc. Musical”, “Mister Brau”, “Cia Encanto” e “Cordel do Amor sem Fim”) e Gustavo Klein (Os Produtores, Avenida Q, Matilda). A direção musical é de Maíra Garrido (“Eu Quase Morri Afogada Várias Vezes”), bacharel em canto pela UNIRIO com experiência em diversos corais e musicais.

“Frida, Frida, Frida” fica em cartaz até dia 4 de novembro no Teatro XP Investimentos, Leblon (RJ), com sessões aos sábados e domingos, às 16h.

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Frida, Frida, Frida 

Com Laura Rabello, JF Barreiro, Manu Oliveira, Déborah Cecília, Kau Swaelen e Mateus Penna Firme

Teatro XP Investimentos – Jockey Club do Rio de Janeiro (Av. Bartolomeu Mitre, 1.110 – Leblon, Rio de Janeiro)

Duração 50 minutos

29/09 até 04/11

Sábado e Domingo – 16h

$60

Classificação Livre