A FOME

Entre revelações pouco palatáveis e a exposição de uma fome voraz pela vida, uma mulher sem nome incorpora circunstâncias míticas e críticas sobre o feminino a partir de uma performance-limite entre o ritual e o cyber. Dirigido por João de Ricardo e atuado por Sissi Betina Venturin, o monólogo cria reflexões sobre relações amorosas e sociais atordoantes. A fome nasce do caos e incorpora-se com a força de uma deusa pagã em uma mulher.

O público é recebido com fiapos de luz que cortam a escuridão volátil de névoas e ruídos, é o começo do universo. Aos poucos revela-se uma forma que não sabemos se é humana ou animal, uma boca flutuando na escuridão, antes de ser corpo a fome é uma boca ameaçadora. A personagem mostra-se em pedaços: boca, vagina, cabeça, uma mulher que fala sem parar, parente próxima dos personagens de Beckett.

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A Fome

Com Sissi Betina Venturin

SESC Belenzinho – Sala de Espetáculos I (R. Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo)

Duração 90 minutos

05 a 07/04

Sexta e Sábado – 21h30, Domingo – 18h30

$20

Classificação 18 anos

MACUMBA: UMA GIRA SOBRE PODER

A peça escrita e dirigida por Fernanda Júlia encerra a programação da mostra. A encenação é uma provocação sobre o que é o poder e como obtê-lo. É um espaço celebrativo e revelador de “afrografamento”. São peles escuramente acesas e memórias negras que precisam ser vistas na cena e fora dela.

A encenação é uma apresentação provocativa, celebrativa e reveladora sobre o empoderamento da mulher e do homem negro em prol da cultura afrobrasileira e sua pluralidade.  Empoderar-se significa, além de ter acesso a todos os direitos de cidadania, conhecer a sua história, ter consciência da sua cultura e identidade.

O elenco é formado apenas pelos atores negros Cleo Cavalcantty, Gide Ferreira, Tatiana Dias e Thiago Inácio.

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Macumba: Uma Gira Sobre Poder

Com Cleo Cavalcantty, Gide Ferreira, Tatiana Dias e Thiago Inácio

SESC Belenzinho – Sala de Espetáculos I (Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho – São Paulo)

Duração 75 minutos

12 a 14/04

Sexta e Sábado – 21h30, Domingo – 18h30

$20 ($6 – credencial plena)

Classificação 12 anos

LOLOUCAS

No espetáculo, as personagens, assíduas frequentadoras de teatro, chegam atrasadas a uma peça e, ao tentarem ir embora, de repente se veem em cima do palco e acabam ganhando a cena. E ali em cima falam, com muito humor, dos amigos, das realizações, das frustrações, dos sonhos realizados e não realizados, da inexorável passagem do tempo, enfim, da vida. A peça é apresentada pelo Circuito Cultural Bradesco Seguros.

Heloisa conta como nasceu a ideia do espetáculo: “Quando cheguei aos 50 anos, pensei: talvez eu não tenha mais 50 pela frente. Então, preciso canalizar minha  energia de uma forma sábia”, resume Heloísa, sobre seu momento de vida. “Pensei inicialmente em fazer um monólogo, mas minha personagem se referia o tempo todo a uma Ieda, Ieda, um belo dia, Ieda pulou do papel e ai percebi: Ieda quer ganhar vida! E como Domingos Oliveira sempre me disse, as melhores histórias são aquelas que os personagens escrevem, trouxe Ieda a existência!” E esse papel foi oferecido a MARIA CLARA GUEIROS, de quem ela é amiga há 30 anos.

Poderia ter feito as personagens com as nossas idades reais, mas achei melhor romper com o tempo e o espaço, afinal acredito que tudo realmente esteja acontecendo ao mesmo tempo. A criança que fomos ainda é viva dentro de nós, por vezes damos vazão ao nosso lado adolescente e quando chegamos a “melhor idade” teoricamente já passamos por tudo isso, então já está tudo ali, dentro de nós. É só acessarmos. E podemos brincar com tempo, ir e vir e descobrimos finalmente a liberdade da existência É realmente pra quem decide escolher assim, A MELHOR IDADE”.

Quem costura a trama é o experiente ator e diretor Otávio Muller, que optou por uma cena sóbria, elaborada pelo cenógrafo Dado Marietti, onde o foco é o trabalho das duas atrizes: “A coisa que mais me interessa é a comunicação, baseada em um texto vivo. Em geral, vou pelo caminho do que é mais simples, como fazia o Asdrúbal (Trouxe o Trombone), por exemplo, e como fiz n’A vida sexual da mulher feia e em Josephine Baker, duas experiências especiais que vivi como diretor”, explica Otávio.

A opção pela montagem despojada é percebida também na caracterização das personagens, sintetizada nos figurinos de Teca Fichinski, “O mais importante é o trabalho de corpo, voz e interpretação, em detrimento de suportes muito literais”, destaca o diretor, que conta ainda com a iluminação de Paulo Cesar Medeiros para acentuar os climas do espetáculo.

Autora do texto e também das letras musicadas por Max Viana, diretor musical e compositor da trilha sonora da peça, Heloísa analisa: “A grande conclusão é que a vida começa a acontecer na sua plenitude quando se perde o medo de perder. A partir de uma certa idade, podemos nos sentir mais livres de julgamentos. É um momento maravilhoso, onde, sem medo, se perde o telhado para ganhar as estrelas. E as duas personagens ensinam a envelhecer com muita alegria”.

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Loloucas

Com Heloísa Perissé e Maria Clara Gueiros. (Atriz stand -in da Maria Clara Gueiros às sextas-feiras – Márcia Manfredini)

Teatro Raul Cortez (Rua Doutor Plínio Barreto, 285, Bela Vista – São Paulo)

Duração 70 minutos

05/04 até 26/05

Sexta – 21h30, Sábado – 21h, Domingo – 18h

$90

Classificação 12 anos

ENTRE

Nova produção da Barracão Cultural conta um dia na vida de dois irmãos (Alexandre Cioletti e Cláudio Queiróz) e a irmã (Eloisa Elena) que se encontram para organizar a festa de bodas dos seus pais. Este encontro, aparentemente banal, vai sendo afetado por acontecimentos no apartamento vizinho. Apesar de ser um encontro superficialmente afetuoso, a relação dos irmãos já evidencia aspectos do patriarcado nessa relação familiar. Um olhar mais profundo sobre como somos afetados pelo entorno, o quanto nos alienamos e onde está nosso medo, permeiam este encontro familiar.

ENTRE é um espetáculo que pretende gerar uma reflexão sobre os processos que alimentam a nossa sociedade patriarcal. A dramaturgia de Eloisa Elena parte da diferença de papéis e representatividade de gênero na sociedade e como esta questão está presente, muitas vezes de forma extremamente sutil e adaptada ao cotidiano, para abordar a nossa cumplicidade e passividade diante dos mais diversos desdobramentos e consequências do histórico patriarcal que estrutura nossa formação.

Para a trilha sonora, que ao longo do espetáculo vai permeando a trama, Dr Morris gravou uma encenação real com os atores Lavinia Pannunzio e Joca Andreazza. A dramaturgia de Eloisa Elena propõe essa coexistência de histórias; a que está acontecendo na frente do público, e a que se ouve ao longe. Essa situação expressa pelo texto tem grande potencial para gerar discussões acerca do quanto nos permitimos afetar pelos fatos a nossa volta, o quanto estamos dispostos a assumir posicionamentos efetivos e arcar com as consequências disso.

A encenação de Carlos Gradim e Yara de Novaes propõe também um paralelo na interpretação dos atores, que ora narram, ora vivem a história. Um caleidoscópio de existências, pensamentos e realidade colocado na frente do público.

Entre trata da correlação entre afetação, alienação e medo. O quanto somos afetados pelo que ocorre ao nosso redor e as consequências desta afetação, são questões cada vez mais cotidianas para todos nós. Ao mesmo tempo que somos bombardeados por informações do que ocorre no mundo inteiro e estamos o tempo todo nos manifestando e nos posicionando nas redes sociais e nos nossos pequenos círculos, continuamos muitas vezes fechando os olhos e ignorando o que ocorre ao nosso lado. Violências acontecem dentro de casa, pessoas morrem na nossa esquina e por uma infinidade de razões, muitas vezes não nos damos conta disso e do que não fizemos para evitar.

A constituição de nossa sociedade patriarcal, o machismo estrutural no qual somos formados, nos fazem repetir grandes ou pequenos comportamentos de opressão, de diferenciação, de continuidade do que como disse Caetano Veloso é “o macho adulto branco, sempre no comando.” É neste lugar incômodo que nos colocamos neste espetáculo e estamos a cada dia nos perguntando: como saltar sobre isso?”, comenta Eloisa Elena.

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Entre

Com Alexandre Cioletti, Cláudio Queiroz e Eloisa Elena

Duração 55 minutos

Classificação 14 anos

Itaú Cultural (Av. Paulista, 149 – Bela Vista, São Paulo)

04 até 07/04

Quinta, Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 19h

Grátis (Retirar ingressos 1h antes do espetáculo)

Oficina Cultural Oswald de Andrade – Anexo (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)

11 a 20/04

Dias 11, 12 e 18 – quinta e sexta – 20h

Dia 13 – sábado – 18h

Dias  19 e 20 – sexta e sábado – 18h  (em função do feriado)

O SANTO DIALÉTICO

Teatro do Incêndio reestreia O Santo Dialético no dia 30 de março (sábado, às 20h), para uma curta temporada com apenas oito apresentações, até o dia 21 de abril.

Com texto e direção de Marcelo Marcus Fonseca, a montagem – resultante do processo de pesquisa do projeto A Teoria do Brasil – investiga os vestígios da essência ancestral do brasileiro por meio de pessoas que, vivendo em São Paulo, perderam o contato com suas origens, e passaram a habitar um mundo determinado por valores urbanos.

Dividida em dois atos, a montagem parte do ponto de vista de pessoas comuns, inquietadas pelo esquecimento e pela perda de fatos de sua própria história. Elas seguem, então, em busca de uma mitologia que possa explicá-la. A peça propõe o entendimento da descaracterização do negro, do índio e do próprio europeu (transformados em outra raça), indo à procura desse “novo povo”, o brasileiro, levando cada personagem numa espécie de voo interior rumo à própria raiz.

Com música ao vivo e trilha sonora original, a peça propõe uma paisagem diversa, levando o público por lugares do centro, periferia e interior do Brasil. No intervalo, pratos da culinária brasileira como baião de dois, galinhada, acarajé etc, preparados durante o primeiro ato pelo próprio diretor, são oferecidos ao público, por um valor à parte. “A ideia é que o teatro seja, além de um lugar de apresentações, um espaço de agradável permanência, mesmo depois da sessão”, diz Marcelo Marcus Fonseca, autor e diretor de O Santo Dialético, “um lugar de comunhão, principalmente nos dias de hoje, quando precisamos lembrar que temos uns aos outros”, completa.

O enredo traz seis histórias paralelas, entrecortadas, que criam um mosaico da mistura racial brasileira: um índio, tirado aos oito anos de sua tribo por padres, retorna do seminário para encontrar sua aldeia; uma moradora de rua acredita ter sido chamada para uma missão e encontra o sincretismo pelo caminho; um casal negro, evangélicos, vive o drama de não conseguir ter filhos, enquanto o marido é atormentado por sons antigos que ele não reconhece; e um publicitário não se encontra no próprio corpo, enquanto sua mulher sofre de uma doença terminal.

O Santo Dialético cumpriu temporada, durante quase todo o ano de 2016, na antiga sede do grupo. Agora retorna adaptado ao atual teatro, com pequenas alterações necessárias para atualização do diálogo frente à situação do país.

O Santo Dialético 1 - DNG

O Santo Dialético

Com Gabriela Morato, Francisco Silva, Elena Vago, Ágata Matos, Carlos Gomes, Marcelo Marcus Fonseca, Valcrez Siqueira, André Souza, Victor Castro, Yago Medeiros, Renato Silvestre, Laura de Rita, Guilherme Berkoff, Heloisa Feliciano, Isabela Madalena, Jade Buck e Pamela Cristina

Teatro do Incêndio (Rua 13 de Maio, 48 – Bela Vista, São Paulo)

Duração 150 minutos (com intervalo de 20 min e jantar opcional)

30/03 até 21/04

Sábado – 20h, Domingo – 19h

$60

Classificação 14 anos

 

CARMEN, A GRANDE PEQUENA NOTÁVEL

Depois de uma longa e bem-sucedida temporada no Centro Cultural Banco do Brasil, o musical Carmen, a Grande Pequena Notável, com direção de Kleber Montanheiro, reestreia no Teatro Itália, no dia 23 de março. O espetáculo é inspirado no livro homônimo de Heloísa Seixas e Julia Romeu, vencedor do Prêmio FNLIJ de Melhor Livro de Não Ficção (2015), e apresenta o universo artístico da diva Carmen Miranda (1909-1955) para o público de todas as idades.

O espetáculo está indicado ao Prêmio São Paulo para crianças e jovens de melhor figurino (Kleber Montanheiro), melhor texto adaptado (Heloisa Seixas e Julia Romeu), melhor direção musical (Ricardo Severo) e melhor atriz (Amanda Acosta).

Em 2019, Carmen completaria 110 anos. Portuguesa radicada no Brasil, ela se tornou um dos maiores símbolos da cultura brasileira para todo o mundo. Quem dá vida à diva é a atriz Amanda Acosta, que divide o palco com Daniela Cury, Luciana Ramanzini, Maria Bia, Samuel de Assis e Fabiano Augusto. Os músicos Maurício Maas, Betinho Sodré, Monique Salustiano e Marco França também estão em cena.

Para contar essa história, o espetáculo adota a estrutura, a estética e as convenções do Teatro de Revista Brasileiro, grande destaque na época, no qual Carmen Miranda também se destacou. “Utilizamos a divisão em quadros, o reconhecimento imediato de tipos brasileiros e a musicalidade presente, colaborando diretamente com o texto falado, não como um apêndice musical, mas sim como dramaturgia cantada”, explica o diretor Kleber Montanheiro.

Esse tradicional gênero popular faz parte da identidade cultural brasileira, mas, recentemente, está em processo de desaparecimento da cena teatral por falta de conhecimento, preconceito artístico e valorização de formas americanizadas e/ou industrializadas de musicais.

A encenação tem a proposta de preservar a memória sobre a pequena notável, como a cantora era conhecida, e a época em que ela fez sucesso tanto no Brasil como nos Estados Unidos, entre os anos de 1930 e 1950. Por isso, os figurinos da protagonista são inspirados nos desenhos originais das roupas usadas por Carmen Miranda; já as vestes dos demais personagens são baseadas na moda dessas décadas.

As interpretações dos atores obedecerão a prosódia de uma época, influenciada diretamente pelo modo de falar ‘aportuguesado’, o maneirismo de cantar proveniente do rádio, onde as emissões vocais traduzem um período e uma identidade específica”, revela Montanheiro.

A cenografia reproduz os principais ambientes propostos pelo livro. Esses espaços físicos são o porto do Rio de Janeiro, onde Carmen desembarca criança com seus pais; sua casa e as ruas da Cidade Maravilhosa; a loja de chapéus, onde Carmen trabalhou; o estúdio de rádio; os estúdios de Hollywood e as telas de cinema; e o céu, onde ela foi cantar em 5 de agosto de 1955. Cada cenário traz ao fundo uma palavra composta com as letras do nome da cantora em formatos grandes. Por exemplo, a palavra MAR aparece no porto, e MÃE, na casa dos pais da cantora.

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Carmen – A Grande Pequena Notável 

Com Amanda Acosta, Daniela Cury, Luciana Ramanzini, Maria Bia, Samuel de Assis e Fabiano Augusto, Maurício Maas, Betinho Sodré, Monique Salustiano e Marco França.

Teatro Itália – Sala Drogaria SP – Edifício Itália (Avenida Ipiranga, 344 – República, São Paulo)

Duração 70 minutos

23/03 até 28/04

Sábado e Domingo – 15h

$60

Classificação Livre

MOSTRA CENA SUL 2019

Criar um panorama do teatro autoral produzido nos três estados da região Sul do Brasil é a proposta da primeira edição da mostra Cena Sul, iniciativa do Sesc Belenzinho que reúne cinco peças entre os dias 15 de março e 14 de abril, com sessões de sexta a domingo. Os ingressos custam até R$20 (com venda limitada a 4 ingressos por pessoa).

A catarinense Cia. La Vaca, que comemora 10 anos de carreira, abre a mostra com o espetáculo “Ilusões” (15 a 17/3), inspirado em texto do dramaturgo russo Ivan Viripaev, representante do movimento chamado de Novo Drama Russo. Dirigido por Fabio Salvatti, a peça propõe uma reflexão sobre os mitos a respeito do amor, das relações e da permanência, do envelhecimento e da lealdade a partir do relacionamento de dois velhos casais. Viripaev traz para a cena uma epicidade que não se confunde com o projeto político de Bertolt Brecht e nem com a oralidade dos contadores de histórias. Há uma desdramatização do material cênico, de forma que não há clareza sobre qual é a relação estabelecida entre os personagens e os atores que contam suas histórias.

Outra atração é “Fábrica de Calcinha” (22 a 24/3), com direção da gaúcha Marina Mendo, que surge da paisagem sonora das ruas do centro de Porto Alegre, onde vozes femininas gritam “Fábrica de Calcinha! Fábrica de Calcinha é no quinto andar! Calcinha a R$1,50!”. Esse grito mostra a expressão da mulher brasileira atual, perfurando estereótipos, exaltando seu lugar de fala e resistência a tantas formas de violência.

Trazido da cidade de Montenegro, também no Rio Grande do Sul, o Coletivo Errática encena “Ramal 340: Sobre a migração das sardinhas ou porque as pessoas simplesmente vão embora” (29 a 31/3). Dirigida por Jezebel De Carli, que narra seis histórias de pessoas espalhadas em diferentes tempos e espaços e conectadas por meio do movimento, do desejo, da falta ou da completa incompreensão sobre a própria experiência. A peça cria uma reflexão sobre um mundo no qual lugares, lados e identidades estão em constante movimento de construção-reconstrução.

Essas figuras são: um homem que espera pelo pai na plataforma da estação de trem; outro que arruma as malas enquanto sua companheira desarruma; um sujeito que caminha sem parar atrás da filha; um indivíduo que foge atormentado por uma imagem de 30 anos; uma mulher que não dorme por causa de um sonho; e uma mulher que segue para outro lado do mundo em busca de alguém que lhe escreveu uma carta.

Outra peça gaúcha da mostra é “A Fome” (5 a 7/4), da Cia. Espaço Em Branco, um solo dirigido por João de Ricardo e atuado por Sissi Betina Venturin. Entre revelações pouco palatáveis e a exposição de uma fome voraz pela vida, uma mulher sem nome incorpora circunstâncias míticas e críticas sobre o feminino a partir de uma performance-limite entre o ritual e o cyber. O monólogo cria reflexões sobre relações amorosas e sociais atordoantes.

Para encerrar a mostra, a paranaense Cia. Transitória apresenta “Macumba: Uma Gira Sobre Poder” (12 a 14/4), escrito e dirigido por Fernanda Júlia. Com um elenco formado apenas por atores negros, a encenação é uma provocação sobre o que é o poder e como obtê-lo. É um espaço celebrativo e revelador de “afrografamento”. São peles escuramente acesas e memórias negras que precisam ser vistas na cena e fora dela.

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Confira abaixo a programação completa da mostra Cena Sul 2019:

Ilusões, da Cia. La Vaca (Santa Catarina)

Sinopse: Inspirada em texto do dramaturgo russo Ivan Viripaev, a peça comemora os 10 anos de trajetória da Cia. La Vaca. Ao narrar o relacionamento de dois velhos casais, o autor do chamado Novo Drama Russo compõe uma reflexão aberta sobre os mitos a respeito do amor, relacionamentos e permanência. Afinal, será que o amor é mais do que uma complexa rede de histórias que contamos a nós mesmos e aos outros?

Quando: 15, 16 e 17 de março. Sexta, sábado e domingo, às 21h30.
Local: Sala de Espetáculos I
Classificação etária: 12 anos
Duração: 90 minutos
Venda de ingressos já disponível pelo portal Sesc SP (www.sescsp.org.br) e nas bilheterias das unidades do Sesc. Limite de 4 ingressos por pessoa

Fábrica de Calcinha, com direção de Marina Mendo (Rio Grande do Sul)

Sinopse: A peça destaca a paisagem sonora de Porto Alegre. Interpretar um dos mais memoráveis gritos de venda das ruas da capital gaúcha, “Fábrica de Calcinha! Fábrica de Calcinha é no quinto andar! Calcinha a R$1,50!”, revela a expressão da mulher brasileira contemporânea. Essas palavras são um signo desta paisagem sonora rica em afetividade e força. Dentre as camadas da realidade urbana que o trabalho revela está a expressão da mulher no Brasil contemporâneo, perfurando estereótipos, exaltando seu lugar de fala e resistência a tantas formas de violência.

Quando: 22, 23 e 24 de março. Sexta e sábado, às 21h30; e domingo, às 18h30.
Local: Sala de Espetáculos I.
Classificação etária: 18 anos.
Duração: 45 minutos.
Venda de ingressos disponível a partir de 12 de março, às 12h, pelo portal Sesc SP (www.sescsp.org.br) e nas bilheterias das unidades do Sesc a partir de 13 de março,  às 17h30. Limite de 4 ingressos por pessoa.

Ramal 340: Sobre a Migração das Sardinhas ou Porque as Pessoas Simplesmente Vão Embora, do Coletivo Errática (Rio Grande do Sul)

Sinopse: O espetáculo trama seis histórias envolvendo pessoas espalhadas no espaço e tempo, todas ligadas por meio do movimento, desejo, falta ou simplesmente pela completa incompreensão sobre a própria experiência. Um homem espera pelo pai na plataforma da estação de trem, outro arruma as malas enquanto sua companheira as desarruma, outra mulher não dorme por causa de um sonho, e ainda, uma mulher segue para outro lado do mundo em busca de alguém que lhe escreveu uma carta. Estas ações acontecem enquanto um homem caminha sem parar atrás da filha e outro foge atormentado por uma imagem de trinta anos atrás.

Quando: 29, 30 e 31 de março. Sexta e sábado, às 21h30; e domingo, às 18h30.
Local: Sala de Espetáculos I.
Classificação etária: 18 anos.
Duração: 80 minutos.
Venda de ingressos disponível a partir de 19 de março, às 12h, pelo portal Sesc SP (www.sescsp.org.br) e nas bilheterias das unidades do Sesc a partir de 20 de março, às 17h30. Limite de 4 ingressos por pessoa.

A Fome, da Cia. Espaço em Branco (Rio Grande do Sul)

Sinopse: Entre revelações pouco palatáveis e a exposição de uma fome voraz pela vida, a peça incorpora circunstâncias míticas e críticas sobre o feminino em uma performance-limite entre o ritual e o cyber. É o dia derradeiro, um rito de passagem que necessita ser concluído, custe o que custar. Refletindo sobre relações amorosas e sociais atordoantes, uma mulher sem nome nem espaço se dilata guiada por uma chama primitiva e implacável. Pelos dentes irá descobrir a forma mais intensa de consumir o amor, o outro e sua sombra.

Quando: 5, 6 e 7 de abril. Sexta e sábado, às 21h30; e domingo, às 18h30.
Local: Sala de Espetáculos I.
Classificação etária: 18 anos.
Duração: 90 minutos.
Venda de ingressos disponível a partir de 26 de março, às 12h, pelo portal Sesc SP (www.sescsp.org.br) e nas bilheterias das unidades do Sesc a partir de 27 de março, às 17h30. Limite de 4 ingressos por pessoa.

Macumba: Uma Gira Sobre Poder, da Cia. Transitória (Paraná)

Sinopse: Por meio de um espetáculo afrografado e afro centrado, a Companhia Transitória convida a todas e todos para uma reflexão e uma provocação: o que é poder?  Como se tem poder? É um espaço de afrografamento de poéticas cênicas e de discurso artístico, um espetáculo celebrativo e revelador. Peles escuramente acesas e memórias negras que precisam se ver e serem vistas na cena e fora dela.

Quando: 12, 13 e 14 de abril. Sexta e sábado, às 21h30; e domingo, às 18h30.
Local: Sala de Espetáculos I.
Classificação etária: 12 anos.
Duração: 75 minutos.

Venda de ingressos disponível a partir de 2 de abril, às 12h, pelo portal Sesc SP (www.sescsp.org.br) e nas bilheterias das unidades do Sesc a partir de 3 de abril, às 17h30. Limite de 4 ingressos por pessoa.