SPACE INVADERS

A adolescência é um período turbulento para quase todo mundo. Os sentimentos de solidão e inadequação são muito mais comuns do que pensa o inseguro Caio (Bruno Gavranic), um jovem deprimido de 14 anos que teve seu espaço invadido quando os três filhos adolescentes de seu padrasto se mudaram para a sua casa. Para aliviar o sofrimento, ele decide transformar a experiência na HQ Space Invaders, que, não por acaso, dá nome ao espetáculo jovem deFernanda Gama, da Cia. do Fubá. Isso porque a própria peça reproduz a graphic novel, ou romance em quadrinhos, escrita pelo protagonista – tudo o que vemos é sob o ponto de vista dele.

Como os alienígenas do jogo “Space Invaders”, que tentam invadir a tela do Atari (o videogame popular nos anos de 1980) e precisam ser combatidos por uma espaçonave, os irmãos Pedro (Mateus Monteiro) de 17 anos, Luca (Leonardo Devitto) de 11 anos e Vanessa (Paula Bega) de 14 anos ocupam o antigo quarto de Caio. Os três se mudaram para o apartamento do pai porque sua mãe está com uma depressão profunda e já não tem mais forças para cuidar dos filhos. Eles também sofrem com a saudade dos amigos, da antiga escola e de casa.

Fã de David Bowie, Caio retrata a si mesmo em sua HQ como o astronauta Major Tom, da música “Space Oddity” (1969), um homem que abandona a vida na Terra e acaba sozinho na imensidão do espaço. Caio evita ao máximo o encontro com os meios-irmãos e, no fundo, sofre com a indiferença deles. “Acho que a alternativa que ele encontra para o sofrimento, no fim das contas, é justamente esse prazer em escrever histórias, essa saída pelo caminho da arte e da autoexpressão”, comenta Gama.

À medida em que Caio passa a conviver mais com os meios-irmãos, descobre que eles não são esses monstros que ele retratou. “Ele percebe que ele não é o único que sofre ali. Os três também são humanos e têm problemas. E o que o alivia é que eles têm uns aos outros. Eles têm que se ajudar, ficarem vivos uns pelos outros”, esclarece a diretora.

O espetáculo surgiu de um desejo da Cia. do Fubá de desenvolver seu primeiro trabalho direcionado para o público jovem. O texto foi desenvolvido através do PROAC – Criação de Dramaturgia, em 2016, e contou com uma série de oficinas que tinham a proposta de transformar experiências e sentimentos dos adolescentes participantes em textos teatrais e depoimentos, materiais que também serviram como referências para a encenação. Em 2017, o grupo foi contemplado pelo PROAC – Montagens infanto-juvenis inéditas para a produção do espetáculo.

Ao fim, o projeto pretende trazer uma reflexão sobre como as pessoas aprendem a lidar com a crueldade do mundo. “Tem um pessimismo, que também aparece no material produzido pelos jovens nas oficinas. Quando passamos da infância para a adolescência, tomamos consciência sobre a maldade, o sofrimento, como as pessoas são terríveis, como a vida pode te passar para trás. É assustador. Na vida adulta, entendemos que os nossos problemas não são maiores do que os de ninguém, e não são eternos. É como um videogame, em que as coisas vão ficando mais difíceis a cada fase. Você quer avançar, mas tem saudades de quando as coisas eram mais simples. Ao mesmo tempo, essa é a graça do jogo. Não dá para voltar atrás”, comenta Gama.

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Space Invaders
Com Bruno Gavranic, Leonardo Devitto, Mateus Monteiro e Paula Bega
Espaço Elevador (Rua Treze de Maio, 222 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 75 minutos
04/11 até 10/12
Sábado e Domingo – 19h
$30
Classificação 12 anos

SALA DOS PROFESSORES

No cenário que dá título à tragicomédia, professores de um colégio particular se refugiam da turba estudantil nos horários de intervalo e trocam impressões sobre suas conturbadas vidas pessoais e sobre os massacrantes desafios impostos na rotina escolar.

A revolta contra a falta de reconhecimento e as imposições da Sociedade Mantenedora que administra o colégio são os pretextos para que um jogo de revelações seja deflagrado com desdobramentos trágicos.

A peça dirigida por Marcelo Lazzaratto faz nova temporada no Espaço Elevador de 5 de novembro a 11 de dezembro.

Com cenário e figurino assinados por Lu Bueno e luz de Marcelo Lazzaratto, a peça traz no elenco os atores da companhia Carolina Fabri, Pedro Haddad, Rodrigo Spina, Marina Vieira, Wallyson Motta e os atores convidados Leonardo Cortez e Laís Marques.

 

Sala dos Professores
Com Carolina Fabri, Marina Vieira,
 Pedro Haddad, Rodrigo Spina, Wallyson Mota, Laís Marques e Leonardo Cortez.
Espaço Elevador (R. Treze de Maio, 222 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 80 minutos
05/11 até 11/12
Sábado – 21h; Domingo – 18h
$30
Classificação 14 anos
 
Texto inédito: Leonardo Cortez.
Direção: Marcelo Lazzaratto.
Designer Gráfico: Fernando Bergamini.
Trilha Sonora/Sonoplastia/Música Original: Rafael Zenorini.
Figurino e Cenário: Luciana Bueno:
Iluminação: Marcelo Lazzaratto.
Fotos: João Caldas.
Sala de Dramaturgia: Alexandre Mate, João Roberto Faria, Marici Salomão, Leonardo Cortez.
Produção: Anayan Moretto.
Assistência de Produção: Verônica Jesus.
Realização: Cia. Elevador de Teatro Panorâmico.
Administração Espaço Elevador: Thaís Rossi.
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

SALA DOS PROFESSORES

No cenário que dá título à tragicomédia, professores de um colégio particular se refugiam da turba estudantil nos horários de intervalo e trocam impressões sobre suas conturbadas vidas pessoais e sobre os massacrantes desafios impostos na rotina escolar. A revolta contra a falta de reconhecimento e as imposições da Sociedade Mantenedora que administra o colégio são os pretextos para que um jogo de revelações seja deflagrado com desdobramentos trágicos.

Sala dos Professores 2 - DNG

© Joao Caldas Fº

O dramaturgo e ator Leonardo Cortez (indicado ao prêmio Shell de melhor texto em 2013) foi convidado pela companhia em 2012 para escrever um texto especialmente para eles. “O Marcelo Lazzaratto é o meu grande parceiro artístico desde 2008 quando ele dirigiu o meu texto ‘O Rei dos Urubus’. A maneira como ele traduz a minha obra em cena sempre me pareceu ideal e a prova disso é que “Sala dos Professores” é a nosso quarto espetáculo juntos. Sempre fui um professor e a minha pesquisa sobre o tema como autor vinha se desenhando desde 2010, quando desenvolvi a ideia de fazer uma série de televisão sobre o cotidiano dos professores de uma escola particular decadente. Os personagens surgiram a partir da série, mas ao colocá-los na ação dramática, tive em mente os atores da Cia Elevador, o que redefiniu características e imprimiu novas exigências.

Para o diretor Marcelo Lazzaratto esse texto traz um dos temas mais importantes e necessários, talvez o tema fundamental para nossa sociedade: a educação. “Para isso precisávamos de um autor como Leonardo Cortez, cuja maior qualidade está na precisa construção dos diálogos, de ritmo ágil e perspicácia irônica. Todos os objetivos, as circunstâncias, os personagens e suas relações são pouco a pouco desenvolvidos a partir dinâmica contundente estabelecida pelos diálogos, sua dramaturgia é completamente fundada no cotidiano, e por isso ela é cômica e por isso ela é trágica”, conta Lazzaratto.

Na Cia Elevador, a maioria dos atores e o diretor são professores, Leonardo Cortez também é professor além de ator e dramaturgo, sobre a relação entre ser ator e ser professor, o dramaturgo comenta: “Uma ótima aula dada me dá tanto prazer quanto um espetáculo onde eu, como intérprete ou dramaturgo, consegui estabelecer uma comunicação direta com o público. Em ambas as funções existe um componente comovente de entrega e generosidade, além do desejo às vezes utópico de contribuir para a melhoria do mundo através daquilo que é dito para os alunos e para a plateia naquele espaço de tempo. As duas funções são subestimadas no Brasil e professores e atores podem dialogar de maneira fluída intercalando experiências de não reconhecimento e frustração. No entanto, a esperança de dias melhores é algo sempre perene, porque ambas as profissões cobram o entusiasmo e o amor pelo recomeço e pela construção de novos mecanismos que estabeleçam a comunhão”.

A encenação

Sala dos Professores 2 - DNG

© Joao Caldas Fº

No palco veremos um cenário único, despojado, mas com linhas claras e precisas que revela uma típica sala de professores de uma escola particular. Paredes, piso e objetos serão na verdade lousas verdes. Toda a cenografia será composta por lousas escolares verdes. As cadeiras da sala dos professores também verdes serão o elemento central da encenação pois através de sua manipulação por parte dos atores espaço e tempo serão transformados a cada nova cena promovendo dinâmicas que irão ao encontro do jogo relacional que cresce de intensidade ao longo da peça. Essa visualidade básica abrirá espaço para o trabalho dos atores que serão os responsáveis por revelar o intrincado jogo de relações, em alta-velocidade, proposto pelo texto.

Sala de Dramaturgia Brasileira

Aos domingos, após a peça, o público é convidado a ficar para uma conversa sobre dramaturgia com Leonardo Cortez.

Sala dos Professores
Com Carolina Fabri, Marina Vieira,
Pedro Haddad, Rodrigo Spina,
Wallyson Mota, Laís Marques e Leonardo Cortez.
Espaço Elevador (Rua Treze de Maio, 222 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 60 minutos
11/03 até 29/05 (não haverá espetáculo 21/05)
Sábado – 21h; Domingo – 18h
Recomendação 14 anos
$20
 
Texto inédito: Leonardo Cortez.
Direção: Marcelo Lazzaratto.
Designer Gráfico: Fernando Bergamini.
Trilha Sonora/Sonoplastia/Música Original: Rafael Zenorini.
Figurino e Cenário: Luciana Bueno:
Iluminação: Marcelo Lazzaratto.
Fotos: João Caldas.
Produção: Anayan Moretto.
Assistência de Produção: Verônica Jesus.
Realização: Cia. Elevador de Teatro Panorâmico.
Administração Espaço Elevador: Thaís Rossi.
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio