DESTRUINDO AVELÃS

Cenas cortantes compõem o espetáculo noir Destruindo Avelãs.

Destruindo Avelãs é uma coletânea de sete cenas independentes que possuem em comum a investigação da contradição humana inserida numa estética inspirada no cinema noir. Personagens são enganados pelo mundo e por eles próprios, sempre em situações transformadoras. Guerrilha, incesto, hipocrisia, abuso, carência afetiva, maternidade e censura são alguns dos temas abordados no espetáculo.

Com a caixa cênica vazia, os espaços vão sendo desenhados pela iluminação e pelas projeções das ilustrações da artista plástica Alessa Menezes. A dramaturgia foi criada e desenvolvida pela direção e o elenco durante o período em que ficaram imersos no CPT – Centro de Pesquisa Teatral, coordenado pelo diretor Antunes Filho.

CARMEN

Destruindo Avelãs

Com Caio Menck, Camila Flores, Larissa Matheus e Vinícius Martins

Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158 – Consolação, São Paulo)

Duração 50 minutos

27/07 até 31/08

Sexta – 23h59

$40

Classificação 14 anos

O REI DA VELA

Símbolo do Movimento Antropofágico de Oswald de Andrade, O Rei da Vela ganhou em abril uma montagem hilária dos Parlapatões, em comemoração aos 27 anos da trupe. Com adaptação de Hugo Possolo e direção musical de Fernanda Maia, o 64º trabalho do grupo reestreia no Espaço Parlapatões, entre 26 de maio e 15 de julho, com sessões às sextas e sábados, às 21h, e aos domingos, às 19h.

O elenco é composto pelos atores: Hugo Possolo, Camila Turim, Alexandre Bamba, Nando Bolognesi, Fernanda Maia, Tadeu Pinheiro, Fernando Fecchio, Conrado Sardinha, Fernanda Zaborowsky, Renata Versolato, Daniel Lotoy.

A encenação enfatiza o caráter burlesco e festivo da obra, em clima de cabaré abrasileirado, com forte influência das linguagens do Teatro de Revista, do Circo e do Teatro Épico de Bertolt Brecht. “O Rei da Vela é também um projeto de encenação que recoloca o grupo diante da sua expressividade popular e cria um circo-teatro provocativo, desprendido do melodrama, para se lançar sobre um caráter épico que busca a festa e alegria como prova dos nove”, explica o diretor.

Como já é marca registrada dos Parlapatões, os atores saem de seus personagens e se comunicam diretamente com o público. Um narrador que representa o próprio Oswald (personagem do ator Nando Bolognesi), conduz a plateia pela poética do autor, deixando expostas algumas rubricas originais do texto e jogando com a narrativa.

O espetáculo narra a saga de Abelardo I (personagem de Hugo Possolo), um agiota inescrupuloso que ganhou muito dinheiro em vários segmentos, sobretudo comerciando velas em um país atrasado, onde a energia elétrica ficou tão cara que a população já não consegue mais pagar por ela. Ao lado de seu empregado-pupilo Abelardo II, ele se aproveita da crise econômica para emprestar dinheiro, com juros altíssimos, para o povo faminto.

Abelardo I tem um casamento convenientemente negociado com Heloísa de Lesbos (personagem de Camila Turin), filha de uma família falida e tradicional de latifundiários do café. Submisso ao capital internacional, o protagonista está disposto a fazer qualquer tipo de negócio com os americanos, sem pensar nas consequências dessas transações. Esse sistema de exploração que ele ajudou a construir acabará deglutindo-o no último ato da peça, quando ele é substituído por seu fiel criado.

A trama consegue traçar mais do que uma linha de tempo da transformação da sociedade brasileira no início do século passado – de um Brasil medieval e colonizado para um país urbano, dominado pelo capitalismo e pretensamente liberto. Ela perfaz um arco dramático que escancara as intenções sociais e políticas das personagens que percorrem os três atos da peça para revelar os meandros da alma humana submetida aos jogos de dominação do poder”, acrescenta Possolo.

O novo olhar para o texto modernista, que mostra como a colonização sem limites, escravagista e patriarcal marcou a nossa cultura e o comportamento social, possibilita que pensemos melhor em nosso futuro como nação. Para isso, a trupe estudou a fundo os movimentos antropófago e tropicalista.

SINOPSE

Conhecido como o Rei da Vela, o inescrupuloso empresário Abelardo I aproveita-se da crise econômica no país para emprestar dinheiro para a população faminta com juros altíssimos. Ele se casou com Heloísa de Lesbos, filha de latifundiários falidos do café, só para se aproveitar do nome da família quatrocentona. Submisso ao capital estrangeiro, Abelardo I topa qualquer negócio com os americanos para aumentar seu lucro, mas ele será engolido pelo próprio sistema que ajudou a criar e substituído pelo seu capacho empregado Abelardo II.

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O Rei da Vela
Com Hugo Possolo, Camila Turim, Alexandre Bamba, Nando Bolognesi, Fernanda Maia, Tadeu Pinheiro, Fernando Fecchio, Conrado Sardinha, Fernanda Zaborowsky, Renata Versolato, Daniel Lotoy
Espaço Parlapatões (Praça Roosevelt,  158, Centro, São Paulo)
Duração 85 minutos
26/05 até 15/07
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h
$30/$40
Classificação 14 anos

DELÍRIOS DA MADRUGADA

Em cartaz no Espaço Parlapatões desde o início de março, o solo Delírios da Madrugada, com Zéu Britto, fará sessões todas as sextas de maio, também às 23h59.

 Agora os fãs do cantor, ator e compositor poderão conferir as histórias coletadas após longas madrugadas na internet  que Zéu passou “investigando” e se divertindo com chats e blogs de fatos surreais. Nessa comédia, o artista multimídia desabafa e faz de sua experiência um espetáculo performático que promete diversão e reflexão.

 Com mais de 20 anos de carreira nas artes cênicas e na música, Zéu cumpre temporada às sextas e sábados, às 23h59, mantendo todo seu carisma, humor e tom crítico. Acompanhado por seu inseparável violão, o ator e cantor faz do palco sua sala de estar num clima acolhedor e íntimo.

Sozinho no palco e vestindo apenas um pijama, Zéu interpreta um personagem que não consegue dormir e entre uma canção e outra, conta algumas histórias bem-humoradas que fazem parte do seu cotidiano.

Esse personagem é bem parecido comigo porque demoro muito para dormir. Não aceito dormir e deixar de ver alguma coisa que aconteceu. Sempre gostei muito de contar histórias, desde a época do colégio. São crônicas, não são piadas – conta Zéu.

A pauta? Um emaranhado de histórias, canções, poemas e o que a internet trouxer de novidade. Chamado carinhosamente de stand-up melody, as surpresas da semana e o contato com a plateia moldarão uma apresentação nova a cada dia. No repertório musical, sucessos do cantor como “Soraya Queimada”, “Hino em Louvor à Raspada” e “Lençol de Casal”. A direção do projeto é de Caio Bucker.

São Paulo é a mega cidade do entretenimento. A expectativa está muito boa. O Parlapatões é um espaço que frequento há muito tempo e onde já vi muitas coisas legais – diz Zéu.

Delírios da Madrugada
Com Zéu Britto
Espaço Parlapatões (Praça Roosevelt, 158 – Consolação, São Paulo)
Duração 70 minutos
17/03 até 26/05
Sexta e Sábado – 23h59
$40
Classificação 16 anos

BORDERLINE

Bipolaridade, esquizofrenia, desejos, loucura e lucidez. Esses são os temas de “Borderline”, monólogo de Junior Dalberto que estreia dia 13 de abril no Espaço Parlapatões, 21h. Destaque literário potiguar Troféu Cultura em 2014, montagem dirigida por Marcello Gonçalves é estrelada pelo ator potiguar Bruce Brandão.

Produzido pela Cia. de Arte Nova, o drama traz Rutras, numa linguagem metafórica, atemporal numa viagem mitológica acerca do personagem inspirado no livro O Cangaço e o Carcará Sanguinolento, posicionando-se diante de questões íntimas relacionadas à família, sexualidade homoafetiva, incesto,  HIV, mundo cibernético, dependência química e sua relação com a geração dos anos 90.

O desafio de dirigir proposto pelo ator Bruce Brandão, me acendeu em algo que é inerente a todos nós, homens da arte: a necessidade e o comprometimento de levar aos palcos uma obra singular e plural. Suponho que aonde quer que eu vá, levarei comigo os ventos das mudanças, eu estou na onda, no ritmo, marchando nele. O registro, a interpretação, a produção e a direção.” Marcello Gonçalves.

Para o ator Bruce Brandão, as leituras sobre o tema Borderline foram fruto do contato com o autor Junior Dalberto em Natal. Encantado com esse universo, fez suas pesquisas e se familiarizou com o tema.

No início eu pensava em visitar clínicas psiquiátricas, entrar em manicômios, mas percebi que o ”manicômio” estava dentro de cada indivíduo. O entendimento sobre o transtorno Borderline me fez galgar outros degraus: É o jeito de ser. Quem já não teve medo de rejeição, impulsividade, ciúmes, sensação de abandono? Porém quando se trata de um Border, o olhar é outro. Tudo tem intensidade! Olhar poeticamente a doença é mergulhar no desconhecido.

Sobre a Cia. de Arte Nova

A Cia. nasce do encontro entre os atores Marcello Gonçalves e Bruce Brandão, com a necessidade de gerar cultura, arte e o comprometimento com o trabalho de pesquisa, para criar novas formas de se pensar o teatro. Fomentando uma nova economia de gestão e transmissão de conhecimento, a Cia. criada em julho de 2014 pretende ser um centro integrado de arte onde os atores e as equipes formam e constroem um novo olhar sobre o teatro. Atualmente a Cia está em processo de montagem “O Senador”, baseada na obra de Victor Hugo.

Borderline
Com Bruce Brandão
Espaço Parlapatões (Praça Roosevelt, 158 – Consolação – São Paulo)
Duração 55 minutos
13/04 até 20/05
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 20h
$40
Classificação 16 anos

NEFELIBATO

Após temporada de sucesso no Rio de Janeiro, o ator Luiz Machado chega a São Paulo com a peça NEFELIBATO, que comemora seus 20 anos de carreira. O texto é de Regiana Antonini, com direção de Fernando Philbert e  supervisão de Amir Haddad. A estreia acontece no dia 13 de janeiro de 2018, no Espaço Parlapatões.

Era o ano de 1990, e o país voltava a ter um governo eleito democraticamente. A inflação galopante exigia medidas drásticas. A saída da nova equipe econômica foi confiscar parte da caderneta de poupança da população. Tal medida levou milhares de brasileiros ao desespero e à bancarrota. Muitos enlouqueceram. Esse é o caso de Anderson, que amargou outras perdas em sua vida: seu negócio (uma agência de viagens), um ente querido e um grande amor. Isso tudo leva-o a perambular pelas ruas.

O quanto de loucura é necessário para o ser humano não perder a própria vida? O instinto de sobrevivência que o ser humano tem e que ele esquece que tem, chamar a atenção para um certo grau de consciência que o personagem tem em sua condição. Para não se matar ou matar alguém ele vai para a rua. Viver na rua é o caminho que ele encontrou para continuar vivo. Anderson é alguém que vive situações limite.  Um equilibrista no fio tênue entre lucidez e  loucura, vida e poesia.

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Nefelibato
Com Luiz Machado
Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158 – Consolação, São Paulo)
Duração 60 minutos
13/01 até 25/03
Sábado – 21h, Domingo – 20h
$40
Classificação 14 anos

A AUDIÇÃO

Diva dos musicais, Kiara Sasso continua a explorar novos palcos em “A Audição”, drama que marca sua estreia na Praça Roosevelt. Escrita pelo britânico James Johnson, o texto coloca frente a frente uma diretora e uma atriz em um encontro de tensões e desafios que questiona e debate este momento cotidiano de tantas pessoas no meio artístico.
 
Kiara Sasso divide o palco com a atriz Manu Littiéry (O Príncipe Desencantado) e é dirigida por Lázaro Menezes, com quem encara o desafio de realizar o quarto projeto da própria produtora, O Alto Mar Produções
 
“A Audição” estreia dia 24 de outubro no Espaço Parlapatões e se destaca entre as opções teatrais de terças e quartas na cidade de São Paulo.
 
A peça, que faz metalinguagem com o mundo do teatro, apresenta ao público uma audição não muito comum, conduzida pela diretora Stella (Kiara Sasso). Sarcástica e provocadora, ela desafia a atriz Laura (Manu Littiéry) a todo o momento a embarcar no auto conhecimento. Do lado oposto, a atriz sob constante análise se perturba em seu lugar vulnerável ao obedecer comandos cada vez mais absurdos daquela que parece ser sua maior ponte com a oportunidade certa. Enquanto Estela afirma que o ator por excelência precisa estar preparado para dar a alma ao seu diretor, Laura começa a questionar os métodos e objetivos da diretora, levando a trama para rumos inesperados. 
 
Os limites dessa relação são postos a prova ao longo da peça entre questionamentos como “O que você realmente está fazendo aqui?” e provocações que instigam o espectador e revelam verdades escondidas em cada lado da mesa. As perguntas e suas respostas ressoam pelo palco e plateia, abrindo múltiplas possibilidades e interpretações. O público pode, então, descobrir mais sobre o passado destas duas mulheres e suas reais intenções através de jogos de azar, toques de perversidade e constantes desafios.
 
Em “A Audição”, a realidade do cotidiano de artistas que passam por olhares indiferentes e obscuros de bancas de diretores e produtores como parte de seu ofício é colocada em cena, discutida e aprofundada.  O autor James Johnson convida todos a entrar neste diálogo tenso e tentar compreender seus polos opostos. Afinal, o que a diretora procura? O que a atriz quer? A única certeza é a dinâmica repleta de egos e segundas intenções que impulsiona não apenas Stella e Laura, mas também o espectador, que a cada cena percebe novas motivações e emoções, descobrindo aos poucos o que leva diretora e atriz até A Audição.
A Audição
Com Kiara Sasso e Manu Littiéry
Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158 – Consolação, São Paulo)
Duração 90 minutos
24/10 até 06/12
Terça e Quarta – 21h
$40
Classificação 16 anos

CERBERA

Uma classe média sem coragem de assumir suas doenças esconde sua perversão atrás de discursos libertários. Esse é o mote de Cerbera, que encerra a trilogia de peças escritas pela atriz e dramaturga Carol Rainatto, ainda composta pelos espetáculos “Oito Balas” (2016) e “Meia-Noite, Feliz Natal” (2016).
Com direção de Elias Andreato, o novo trabalho adota uma narrativa fragmentada em vários tempos, espaços e sensações para abordar diversas formas de morte (de gênero, sexo ou ideais). O enredo narra a história dos amigos Martin e Cecília, que estudam no mesmo colégio. Ele acredita que a amiga é a solução para todos os seus problemas.
 
A mãe de Martin é alcoólatra e vítima da fúria de um homem incontrolável. Além disso, o menino precisa lidar com o abuso sexual que sofre de sua professora de piano. O espectador assiste a tudo isso como se olhasse pelo buraco de uma fechadura.
 
O intenso jogo psicológico entre todos esses personagens é ofuscado pela sedução, o que revela a deformação máxima da sociedade contemporânea, sempre no limite entre a loucura e a morte.
 
Além de Rainatto, o elenco conta com a participação de Rodrigo de Castro, Rodrigo Frampton, Victoria Blat e Ynara Marson. Carolina Rossi assina a assistência de direção; Yan Montenegro, a trilha sonora; Diogo Monteiro, a cenografia; e Ananda Sueyoshi, o figurino.

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Cerbera
Com Carol Rainatto, Rodrigo de Castro, Rodrigo Frampton, Victoria Blat e Ynara Marson
Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158, Consolação – São Paulo)
Duração 80 minutos
14/09 até 10/11
Quinta e Sexta – 21h
$40
Classificação 18 anos