DRAGS QUEEN EM CENA

Em outubro, drag queens tomam os palcos de São Paulo em dois espetáculos: Café com Trauma, da Cia Canastra, e As Bunytas da Rádio.

Café com Trauma, primeira encenação da Cia Canastra, é uma comédia dramática que reúne em cena as drag queens Alexia Twister, Athena Leto, Dinamyte Pangalática, Mercedez Vulcão e Thelores. Sua proposta é discutir os estereótipos de feminino e masculino enquanto trata de temas como os traumas causados pelos estigmas sociais, além de apresentar elementos da arte drag fundidos com elementos do teatro clássico.

Sob direção e dramaturgia coletiva, as artistas apresentam  temas de cunho pessoal. Algumas das questões abordadas são a dificuldade de adequação de Dinamyte Pangalática pelo fato de sua interprete ser uma mulher cisgênero; o processo de aceitação de Thelores quanto à sua sexualidade e relacionamentos no meio LGBTQ+, entre outros.

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As Bunytas do Rádio é um espetáculo que fala sobre as nuances do amor. Partindo da temática poética da Era de Ouro da Rádio, três drag queens – Jhenny (Renato Lima), Mercedez Vulcão (Pedro Machitte) e Thelores (Beto Souza) – constroem histórias românticas através das músicas de grandes divas brasileiras, como Dolores Duran, Dalva de Oliveira, Irmãs Galvão, Ângela Maria, Inesita Barroso, entre outras. A construção das cenas acontece inspirada por dramaturgia de radionovelas que culminam em um grande programa de auditório ao vivo, com a participação do público na evolução das cenas. Sendo assim, a cada dia o espetáculo ganha nuances diferentes.

Nesta peça, o universo drag queen impulsiona uma linguagem melodramática, exagerada e visceral que o grupo se apropria de forma saudosista para resgatar um período de grande importância histórica na cena artística brasileira. Na criação da obra, os três atores/drags pesquisaram os pilares da Era de Ouro da Rádio e relacionaram as temáticas às suas vivências pessoais que se conectam com o período, trazendo dessa forma a figura drag como interlocutora central dessas potências femininas. O espetáculo utiliza recursos cênicos como dublagem, canto, músicas tocadas ao vivo, coreografias e improvisação com o público.

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Café com Trauma

Com Alexia Twister, Athena Leto, Dinamyte Pangalática, Mercedez Vulcão e Thelores

Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158 – Consolação, São Paulo)

Duração 70 minutos

04 a 25/10

Sexta – 23h59

$40

Classificação 14 anos

As Bunytas da Rádio

Com Jhenny, Mercedez Vulcão e Thelores

Cabaret da Cecilia (R. Fortunato, 35 – Santa Cecilia, São Paulo)

Duração 50 minutos

09 a 30/10

Quarta – 21h30

Pague quanto puder

Classificação Livre

ESTE CORPO QUE NÃO TE PERTENCE

Cia. dos Bonitos estreia o espetáculo Este Corpo que Não Te Pertence no dia 24 de setembro (terça) no Espaço Parlapatões, às 21 horas. Com texto e direção de Djalma Lima, a comédia conta a hilária história de um militar idoso que planeja trocar de corpo com seu sobrinho jovem por meio de um beijo.

Um jogo ágil e divertido se estabelece entre atores Cleber ToliniEdson GonçalvezRick ConteVan Manga e Vânia Bowê. Todos interpretam todas as personagens de forma inesperada e surpreendente. A temporada de Este Corpo que Não Te Pertence segue até o dia 29 de outubro com sessões sempre às terças-feiras, às 21 horas.

Mascarenhas é um general aposentado e rico que pretende voltar a ser jovem. Para isso, ele planeja trocar de corpo com o ingênuo Henrique, seu jovem sobrinho, e contrata uma mãe de santo que tem o poder de fazer a troca de corpos por meio de um beijo. Paralelamente, a esposa infiel do militar se une ao médico da família para seduzir o rapaz, envenenar o marido e ficar com toda a fortuna. Sem saber dos planos, o sobrinho comparece a uma leitura do testamento do general, em vida, ignorando que seu corpo seja o objeto mais desejado da noite. Sem condições físicas de beijar o sobrinho à força, o general acaba trocando de corpo com outras pessoas, descobrindo seus segredos e verdadeiras intenções.

Desde 2005, a Cia. dos Bonitos se destaca pela produção de comédias. Suas montagens exploram todos os gêneros, desde a comédia de costumes às sátiras e aos experimentos inusitados, usando de referências pops e propondo à plateia um jogo vivo e participativo que valoriza o trabalho do ator e sua capacidade cômica. Seus espetáculos são: Smack! Foi um Beijo Tipo Assim…! (2008), Eu não matei P… Maluf! (2010), Como Adestrar um Chefe Selvagem (2013), Bom Dia Patrão (2016) e Este Corpo que Não Te Pertence (2019).

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Este Corpo Que Não Te Pertence

Com Cleber Tolini, Edson Gonçalvez, Rick Conte, Van Manga e Vânia Bow

Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158 – Consolação, São Paulo)

Duração 70 minutos

24/09 até 29/10

Terça – 21h

$50

Classificação 12 anos

CACIQUE RAINHA

Com dramaturgia e direção de Pedro Vicente, autor de peças como Banheiro, Disk Ofensa e Sem Memória, Cacique Rainha estreia no próximo 21 de setembro no Espaço Parlapatões. Traz Amanda Rocco e Anna Merici interpretando um casal contemporâneo numa aventura insone. Entre sonho e realidade, trocam revelações e refletem um encontro tragicômico entre europeus e ameríndios na origem do Brasil. Humor intimista sobre contradições ancestrais da alma nacional. Com cenário de Ricardo Van Steen e trilha Sonora de Antônio Pinto e Loro Bardot.

Sinopse:

Numa madrugada qualquer, Regina se vê sonâmbula, acreditando ser a rainha que invadiu Pindorama, sofrendo de culpa pela tragédia da humanidade. Sua companheira entra no jogo e encarna Cunhambebe, cacique da primeira revolta contra os invasores. Nas entrelinhas da intimidade, negociam o impacto dos sonhos nas raízes simbólicas de um povo. Quando a cacique devora o acordo impossível, a rainha revela seu prato no banquete antropofágico: está grávida de um futuro imprevisível.

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Cacique Rainha

Com Amanda Rocco e Anna Merici

Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158 – Consolação, São Paulo)

Duração 60 minutos

21/09 até 27/10

Sábado e Domingo – 20h

$40

Classificação 16 anos

HOMEM FAL(H)O

A desconstrução dos padrões machistas impostos para os homens é pauta do solo Homem Fal(H)o, escrito e interpretado por Gabriel Pernambuco, que estreia dia 2 de outubro no Espaço Parlapatões, onde segue em cartaz até 11 de dezembro. A peça tem direção de Marcio Macena e é inspirada em uma experiência pessoal do próprio autor, que precisou viajar à trabalho para uma das maiores zonas de prostituição da Ásia.

A trama retrata o universo desse lugar na Índia, a partir das crises psicológicas de um documentarista ocidental, cuja função é relatar a violência que cerca de 40 mil mulheres sofrem diariamente nas mãos dos homens. Esse prostíbulo a céu aberto fica em Calcutá, à beira do braço mais perigoso do rio Ganges, que inunda os quartos onde acontecem os atendimentos e traz lixo, fezes de animais e doenças para a população dali, formada exclusivamente por mulheres e crianças.

Diante desse cenário assustador, esse homem responsável por documentar a violência do local, passa a questionar a própria violência e tentar encontrar uma solução para suas fobias e relações pessoais traumáticas do passado. O texto trata da aceitação do lado feminino do homem na desconstrução do modelo de macho tradicional.

A montagem foi pensada para dialogar com a estrutura física do Espaço Parlapatões. Como a história se passa nas vielas de um prostíbulo todo em tons de vermelho e laranja que é inundado pelo rio Ganges, a escolha por transportar o espetáculo para a plateia e acomodar o público no palco se tornou quase obrigatória, já que as poltronas da sala possuem este tons indianos e a verticalidade desse espaço ajuda na compreensão do cenário verticalmente.

O ator se apropriará dessas “vielas” formadas pelas fileiras de cadeiras como se estivesse realmente nos becos estreitos do lugar. Uma plataforma horizontal será montada por ele durante a peça, uma referência à sua busca por equilíbrio nesse estágio de quase pânico. Ao final da primeira cena, uma vara surgirá de entre as últimas fileiras, subindo até o teto, contendo os tecidos coloridos aos quais ele se refere, com luzes penduradas, adornos religiosos e muito lixo.

Esse lixo estará contido em todo o cenário que há na plateia, invadindo o palco, trazendo as margens do rio e seus entulhos até os pés dos espectadores. A trilha sonora, que virá de seus fones de ouvido, aparecerá nos momentos de reflexão do personagem, brindando o público com uma mistura inusitada das músicas que marcaram a vida deste personagem. Nas mãos de Gabriel, o celular aparecerá como elemento de cena e também como uma ferramenta de transmissão ao vivo que vai somar ao público do Parlapatões os seguidores de Instagram da peça – @ohomemfalho.

A ideia não é recriar por este canal uma experiência de se estar na plateia, mas sim oferecer uma forma diferente de assistir ao espetáculo. A luz na maior parte feita por gambiarras trará o clima essencial para contar esta estória.

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Homem Fal(h)o

Com Gabriel Pernambuco

Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158 – Consolação, São Paulo)

Duração 60 minutos

02/10 até 11/12

Quarta – 21h

$60

Classificação 16 anos

PISO MOLHADO

Depois de estrear no Teatro Cacilda Beker, o espetáculo Piso Molhado, com texto de Ed Anderson e direção de Mauro Baptista Vedia, ganha uma nova temporada no Espaço Parlapatões, entre 30 de julho e 11 de setembro. A peça cria uma reflexão sobre o lugar do outro e resgata um sentimento de brasilidade. A montagem foi contemplada pela 8ª Edição do Prêmio Zé Renato de Teatro para a Cidade de São Paulo — Secretaria Municipal de Cultura. O elenco conta com a participação de Patrícia Gasppar, Helio Cicero, Carlos Palma e Valéria Pedrassoli.

A trama apresenta encontro entre três personagens singulares: uma cantora, um pianista e um encanador.

Essas personagens não conseguem escapar do caos urbano e das próprias neuroses, mas apresentam doses ácidas de autocrítica. São elas: a cantora decadente Selma, que guarda uma coleção de aranhas em uma caixa de papelão; o velho pianista Tony, que vive desencantado com a realidade presente e tem saudade do passado; e o sarcástico encanador Osvaldo, que não tem um emprego fixo e, por isso, precisa enfrentar todos os obstáculos impostos pela cidade para conseguir sobreviver em seus bicos diversos.

Tentei transpor ao papel a urgência que sentia em abordar sentimentos de algumas minorias e friccionar as suas vozes com o momento atual que vivemos, proporcionando uma reflexão sobre o lugar do outro e de como a arte pode ser uma vitamina para fortalecer o cotidiano. Estão presentes nos diálogos as relações de sobrevivência; questões da memória afetiva e o humor ácido e melancólico dos personagens que transitam anonimamente pelo asfalto, com as suas mazelas e encantamentos tendo cuidado com os pisos molhados ao recordar as várias quedas sofridas”, comenta o autor Ed Anderson sobre o processo de escrita do texto.

Segundo o diretor Mauro Baptista Vedia, a peça busca referências no universo da cultura dos anos de 50 e 60, sobretudo em como essa década é retratada na música, na tv e no cinema. “Buscamos como referência cantores da MPB, como Dalva de Oliveira, Maysa, Dolores Duran, Nelson Gonçalves e Cartola”.

Esse apelo à cultura brasileira é uma característica marcante no espetáculo. “A peça é um cabaré, quase um musical, porque inserimos trechos de várias músicas. Procuramos resgatar uma Era de Ouro da Cultura Brasileira e a brasilidade justamente neste momento em que o país passa por um momento de baixa autoestima”, acrescenta o diretor.

A encenação busca trabalhar com uma artesania da cena. “Tento trabalhar frase por frase, cena por cena, cada tempo. Nesse trabalho árduo cada momento é especial e temos uma marcação diferente para cada momento de revelação para o espectador. Vamos juntando pedacinho por pedacinho, como se fossem microcenas. A partir daí identificamos momentos dramáticos, épicos e líricos no texto. E juntamos com outras características mais permanentes do meu trabalho, como a minha obsessão pela composição plástica – enceno sempre como se tivesse uma câmera de cinema. Também tento não colocar os atores em linha no palco, mas em diagonais, usando a profundidade da cena e procuro fazer marcações suaves”, revela o diretor.

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Piso Molhado

Com Patrícia Gasppar, Helio Cicero, Carlos Palma e Valéria Pedrassoli

Espaço Parlapatões (Praça Roosevelt, 158, Consolação – São Paulo)

Duração 70 minutos

30/07 até 11/09

Terça e Quarta – 21h

$20

Classificação 12 anos

MANJAR DOS DEUSES

Ah, vamos falar sério…Quem liga pra mitologia grega hoje em dia? Bem, os Deuses Greco-romanos ligam! A história é deles, afinal de contas… E como será que está o Monte Olimpo nos dias de hoje? Bem… Como se não bastassem toda as confusões do mundo moderno, os doze olimpianos; comandados por Zeus, enfrentam um problema dos grandes: a chave dos portões do Olimpo sumiu e o ladrão está no meio dessa famosa família de imortais, que não hesita em armar o mais engraçado de todos os barracos mitológicos! Assim é “Manjar dos Deuses” – uma sincera homenagem à mitologia clássica, da maneira mais divertida e irreverente que você pode pensar.

O PROCESSO

“Manjar dos Deuses’” é uma comédia física de tom colaborativo e nessa temporada comemora dez anos de sucesso em São Paulo. Apesar de partir de um roteiro fixo, cada montagem foi diferente e surgiu através de meses e meses de estudo de atores comediantes que partiram da premissa da representação do panteão grego
em ritmo e cara de desenho animado. O roteiro é objetivamente simples: E se as chaves do Monte Olimpo estivessem sumidas? Como seria a reação de cada um desses deuses tão humanamente engraçados?

Não há uma estrela em Manjar dos Deuses. Existe a constelação, o grupo; e o engraçado é vê-lo junto. Cada ator construiu seu Deus com os traços marcantes da egrégora daquele Deus Greco-romano e sua metáfora e da personalidade mitologicamente atribuída com pitadas clown – criando uma família divertidíssima e uma acelerada comédia de perder o fôlego de tanto rir. Então pegue um prato pra quebrar e seja bem-vindo à nossa família!

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Manjar dos Deuses

Com Rafael Mallagutti, Victor Garbossa, Thais Coelho, Maíra Natássia, Mateus Polli, Letícia Navarro, Fernando Maia, Renan Rezende, Felipe Chevalier, Victória Rocha, Caio Baldin, Pedro Ruffo, Taís Orlandi, Nicholas Carrer Guerrero, Guilherme Brasil e Victória Vergamine

Espaço dos Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158 – Consolação, São Paulo)

Duração 90 minutos

15/06 até 27/07

Sábado – 24h

$60

Classificação 14 anos

57 MINUTOS – O TEMPO QUE DURA ESTA PEÇA

Radicado no Rio Grande do Sul, o premiado artista mineiro Anderson Moreira Sales desembarca em São Paulo para estrear o segundo texto escrito, dirigido e atuado por ele: 57 minutos – o tempo que dura esta peça. O monólogo cumpriu uma temporada em Porto Alegre em 2018 no formato work-in-progress, no qual ia sendo construído a cada apresentação; desta vez a encenação assume a forma definitiva. A peça tem uma curta temporada no Espaço Parlapatões, na Praça Roosevelt, entre 4 de junho e 10 de julho, com sessões às terças e quartas-feiras, às 21h, e ingressos vendidos por até R$30.

Inspirada pelo livro “Ulisses”, do escritor irlandês James Joyce (1882-1941), a dramaturgia se arquiteta a partir de uma premissa simples: um morador do subúrbio de uma cidade grande sai de casa em busca de cumprir seus compromissos e retornar ao lar. A aparente banalidade da narrativa problematiza a realidade contemporânea brasileira em sua cruel complexidade ao reconhecer a grandeza escondida nas pequenas coisas para denunciar a pequenez escondida nas coisas grandes.

Os últimos anos no Brasil foram muito violentos de uma forma geral. Muito ódio foi sendo plantado, regado e agora o país está colhendo uma crueldade absurda. Isso tudo fomentou em mim uma revolta interna que foi expurgada da maneira mais inteligente e sensível que eu sei fazer que é transformar essa energia em texto e corpo em cena. É o lugar onde consigo me sentir mais forte para me vingar da maldade que me ronda”, comenta o artista.

A narrativa aborda também a questão de construção de identidade e transformação. ”O personagem central da história se oprime ao lidar direta ou indiretamente com as figuras masculinas que cruzam seu caminho e não se reconhece enquanto um ser que está no meio do caminho, rejeitando o estereótipo masculino e toda a sua construção cultural de opressão e ainda sem saber caminhar rumo a uma personalidade frágil e delicada. Reconhecer isso foi determinante para algumas escolhas da encenação”, acrescenta.

A montagem não é uma adaptação de “Ulisses”, mas se apropria de seu método de criação – Joyce escreveu cada capítulo a partir de elementos referenciais buscados na “Odisseia”, de Homero. “Li a ‘Odisseia’ e fui traçando os paralelos e as diferenças do Odisseu de Homero e do Ulisses de Joyce e entendendo que eu estava criando um personagem que também atravessava uma saga. Me interessava que houvesse a ponte com o mito, mas estivesse dentro do contexto brasileiro contemporâneo, que eu vivenciava diariamente: a crise política, os protestos nas ruas, os problemas no transporte público, a violência policial e estatal, os valores tradicionais em contraposição às liberdades individuais, o preconceito sendo escancarado”, revela.

Outro elemento incorporado da “Odisseia” de Homero é a aproximação da peça com a tradição oral. “Antes de ser registrada de forma escrita, essa oralidade da ‘Odisseia’ devia possuir uma sonoridade própria. Fiquei pensando sobre isso e quis preservar essa característica. Assim, fiz uma associação com o rap e o hip hop, como se estes fossem os trovadores contemporâneos. Então, há trechos do texto que remetem ao jeito de cantar do Russo Passapusso, vocalista do Baiana System, do Criolo, de quem sou muito fã, de um artista talentosíssimo de Guarulhos, o rapper Edgar, e por aí vai”, esclarece.

O cenário é composto por um balcão que abriga fogão, forno e outros utensílios que permitem o preparo de uma massa de pão de queijo. O preparo é como um acordo de troca do alimento pela atenção do público. Mas a ação de expor os ingredientes em seu formato original e uni-los para criar um outro alimento também passa por essa ideia de transformação. As camadas se constroem aos poucos. A iluminação também caminha junto com a mudança da narrativa a cada cena, inclusive a velocidade e o ritmo do texto estão em vários momentos em sintonia com o desenho da luz. Em certos pontos, ela assume funções diretas, presentificando personagens.

O primeiro trabalho escrito, dirigido e atuado por Anderson foi “Lujin”, livremente inspirado no livro “A Defesa Lujin”, do russo Vladimir Nabokov. O espetáculo estreou em Porto Alegre em 2015, e ganhou o Prêmio Açorianos, a principal premiação gaúcha, na categoria de melhor dramaturgia.

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57 minutos – O Tempo Que Dura Esta Peça

Com Anderson Moreira Sales

Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158 – Consolação, São Paulo)

Duração 70 minutos

04/06 até 10/07

Terça e Quarta – 21h

$30

Classificação 12 anos