SENHORA DOS AFOGADOS

Jorge Farjalla volta a cena teatral paulistana com um novo ‘Nelson Rodrigues‘. Após a montagem de “Dorotéia“, que ficou em cartaz por dois anos, “Senhora dos Afogados” abre as cortinas do Teatro Porto Seguro, nesta sexta, 23 de fevereiro.

A montagem surgiu numa festa de aniversário da atriz Letícia Birheuer, que pediu ao diretor que a desconstruísse numa peça teatral. Foi quando surgiu a ideia de montar o texto de 1947. Letícia vive seu primeiro papel masculino: Paulo, filho do clã Drummond.

Os Drummond são uma família tradicional de três séculos, com mulheres que valorizam a fidelidade conjugal. Moema, a filha mais velha de Misael e D. Eduarda, guarda um amor pelo pai e resolve afogar suas irmãs mais novas, Clarinha e Dora, no mar para não dividir a atenção dele com elas.

A peça começa com a família chorando pela morte de Clarinha. Simultaneamente, as prostitutas do cais do porto, em homenagem a uma ex-colega que foi assassinada há 19 anos, deixam de trabalhar.

Dona Eduarda e Moema, além do irmão, Paulo, se digladiam em torno da questão do pudor e da honra da mulher, hostilizando-se devido a um ódio primordial. Para viver só com seu pai, Moema monta um plano para que a mãe o traia com o próprio noivo, um ex-oficial da marinha.

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Traição, famílias desfeitas, reviravoltas e morte.  Todos os ingredientes de uma tragédia grega, bem como de um texto rodriguiano. “Senhora dos Afogados” se assemelha a “Electra Enlutada“, de Eugene Oneill (1931) e “Orestíada” de Ésquilo.

Há a presença do ‘coro grego‘ –  personagens que comentam com uma voz coletiva a ação dramática que está a decorrer. Todos atores, além de seus personagens, interpretam o coro, seja dos vizinhos dos Drummonds, seja das prostitutas do local.

Farjalla trabalhou a montagem como um texto mítico, onde há uma linha bem tênue dividindo o sagrado do profano. A ação da peça foi transposta das ruas do Rio de Janeiro para um manguezal recifense, cidade natal de Nelson Rodrigues. Os personagens estão todos sujos de lama deste mangue, como se mostrando que não há ninguém limpo, sem um pecado.

Esta nova montagem de “Senhora dos Afogados” é cheia de simbologia, tanto que o último – e mais importante personagem – é o farol do porto. Uma construção que relembra o passado, marca o presente e ilumina o futuro. Mas como em toda tragédia – qual futuro?

Senhora dos Afogados
Com Alexia Dechamps, João Vitti, Karen Junqueira, Rafael Vitti, Letícia Birkheuer, Nadia Bambirra, Jaqueline Farias e Du Machado.
Teatro Porto Seguro (Alameda Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)
Duração 90 minutos
23/02 até 29/04
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h
$70/$90
Classificação 16 anos
Texto: Nelson Rodrigues
Direção e encenação: Jorge Farjalla
Dramaturgia: Jorge Farjalla
Direção musical e trilha original: João Paulo Mendonça
Direção de arte e espaço cênico: José Dias
Figurinos e adereços: Jorge Farjalla e Ana Castilho
Desenho de Luz: Vladimir Freire e Jacson Inácio
Preparação Corporal: Jorge Farjalla
Maquiagem e visagismo: Vavá Torres
Assistente de direção: Raphaela Tafuri
Preparação vocal: Patrícia Maia
Design Gráfico: Kalulu Design & Comunicação
Direção de Produção: Lu Klein

EIGENGRAU, NO ESCURO

Espetáculo indicado ao Prêmio Shell de Melhor Direção 2017, Eigengrau, No Escuro volta em cartaz para temporada de 28 de fevereiro a 29 de março, às quartas e quintas-feiras, às 21h, no Teatro Porto Seguro.

Com direção de Nelson Baskerville, o texto da dramaturga britânica Penelope Skinner retrata com bom humor, as angústias da geração que está na faixa dos 30 anos a partir do relacionamento entre quatro personagens. Por meio deles, a autora fala sobre a crise desoladora que nos cerca, das relações efêmeras que se impõem em nosso cotidiano, de uma sociedade que permanece machista, do excesso de individualismo e competitividade, da ambiguidade dos discursos e da falência das ideologias.

 “Eigengrau, No Escuro é uma obra que lança questionamentos com a mesma urgência de seus diálogos rápidos e cortantes”, comenta o diretor Nelson Baskerville que, quando se deparou com o sobrenome da dramaturga, pensou imediatamente nas experiências com ratos encerrados em caixas de vidro, do cientista B.F.Skinner. “Em sua teoria do behaviorismo, ele afirmou que seres em contato com outros e estimulados por alguma experiência externa, que no teatro chamamos de circunstâncias, chocam-se e provocam atrito entre os encarcerados. É exatamente isso que vejo acontecer com estes quatro personagens.

A palavra que dá título à peça tem origem germânica e se refere à cor vista pelos olhos na completa escuridão.  Metaforicamente, é nesse espaço que parece não ter luz ou saídas que se encontram os personagens Carol (Andrea Dupré), Marcos (Daniel Tavares), Rosa (Renata Calmon) e Tomás Gordo (Tiago Real) na tentativa de entendimento de seus afetos, paixões e posicionamentos diante da vida.

Rosa acredita em tudo, do amor verdadeiro à numerologia. Ela aluga um quarto no pequeno apartamento de Carol, uma engajada ativista que luta contra a opressão da sociedade dominada pelos homens. Marcos aposta no poder do marketing – na vida pessoal e profissional. Ele, por sua vez, divide seu espaçoso imóvel com Tomás Gordo, que está vivendo um luto que parece não ter fim. Em uma cidade grande e massacrante, procurar pela pessoa certa e por um lugar no mundo pode levar esses quatro jovens a caminhos inesperados e, por vezes, surpreendentes.

Para Renata Calmon, responsável por encontrar o texto, o primeiro da autora a ser encenado no país, as personagens parecem não acreditar em mais nada enquanto vagam em uma cidade grande.  “Além de ir de encontro a um dos principais objetivos da nossa companhia que é o de produzir textos inéditos nacionais ou estrangeiros, o trabalho de Skinner proporciona uma reflexão sobre temas atuais relevantes, como as novas relações que se estabelecem nas grandes metrópoles e a competição nos dias de hoje, além de lançar um olhar sobre o feminismo, sem demagogia e panfletagem”, diz atriz, que também assina a tradução da obra.

O espetáculo, que estreou em 2016 no 20º festival da Cultura Inglesa, marca o primeiro trabalho Cia Delicatessen Teatral criada por Daniel Tavares, Tiago Real, Renata Calmon e Andrea Dupré com o objetivo de montar obras inéditas no Brasil.

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Eigengrau, No Escuro
Com Andrea Dupré, Daniel Tavares, Renata Calmon e Tiago Real
Teatro Porto Escuro (Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos – São Paulo)
Duração 80 minutos
28/02 até 29/03
Quarta e Quinta – 21h
$40/$50
Classificação 16 anos

É COMO DIZ O DITADO

Isabel e Joaquim são um casal de circenses. Ela, a mulher barbada e cigana. Ele, o versátil palhaço Coriza. Os dois, antigos artistas do grandioso Circo Vital. Um dia depois do casamento, por uma falha, o casal acorda e o circo não está mais lá. Abandonados, os dois descobrirão uma nova forma de viver com muita criatividade.

A narrativa passeia pelos ditados populares, tão presentes no nosso cotidiano, mas que muitas vezes nós nem nos damos conta de como eles resumem nossas situações mais corriqueiras. Assim, entrando numa saga repleta de aventura e emoção, os dois personagens vão nos mostrando suas histórias com muito humor, fazendo com que o público se identifique logo de cara.

A concepção de cenário e sonoplastia também tem a cara do artista popular, aquele que vive no improviso. Com uma cortina pendurada num varal, e alguns e adereços, a cigana e o palhaço conseguem expandir os limites da imaginação, gerando interesse aos olhos dos pequenos espectadores.

A direção também traz a criatividade nos elementos sonoros. Como se o casal tivesse “perdido tudo” na partida do circo, até a sonoplastia é feita no improviso.

Com certeza a fantasia criada junto com a plateia, resgatando os elementos da nossa cultura popular e, ainda, trazendo toda a ambientação do circo, faz com que É como Diz o Ditado … seja uma obra tão simples, mas ao mesmo tempo, tão potente nos dias de hoje.

 

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É Como Diz o Ditado
Com Beatriz Gimenes e Rodrigo Inamos
Inbox Cultural (Rua Teodoro Sampaio, 2355 – Pinheiros, São Paulo)
Duração 50 minutos
24/02 até 17/03
Sábado – 16h
$40
Classificação Livre

TERRÁRIO – DANÇA PRIVÊ NUM PORTAL INTERDIMENSIONAL

Em TERRÁRIO – DANÇA PRIVÊ NUM PORTAL INTERDIMENSIONAL o artista curitibano Maikon K trabalha nas fronteiras entre performance e dança, teatro e ritual. A ação faz apresentações dias 23, 24 e 25 de fevereiro, sexta-feira e sábado às 21h30 e domingo às 18h30.

O foco da arte de Maikon K é o corpo como instaurador de realidades e os limites entre humano e não humano. A ação dá continuidade à pesquisa do artista também presente em DNA de DAN, selecionada pela artista Marina Abramovic para integrar a exposição Terra Comunal, em março de 2015, no Sesc Pompeia, em São Paulo.

Estruturada em duas partes distintas, a performance é sobre observar e ser observado, sem no entanto se deixar tocar. O nome da ação remete ao recipiente que recria as condições ambientais para a criação de animais ou plantas, fora do qual é possível observar o comportamento dos seres vivos em seu interior.

Cubo negro

Na primeira parte de TERRÁRIO – DANÇA PRIVÊ NUM PORTAL INTERDIMENSIONAL, Maikon K está em pé e aguarda a entrada do público. No chão à sua frente, uma superfície feita com pedaços de espelhos. Ao fundo da sala, um cubo negro de três metros de altura. O performer se ajoelha e, enquanto fala, tira sua roupa. Ele então executa uma dança sobre os espelhos: ilusionismo erótico, corpo estilhaçado, manipulação biológica, hipnose. “Nesta etapa, o foco está na relação com os espelhos, na luz que se reflete e na música”, explica ele.

Num segundo momento, Maikon K entra no cubo. Essa caixa preta é forrada com areia e espelhos cobrem as paredes. Um microfone está posicionado no teto e os sons produzidos no interior do cubo saem em caixas acústicas do lado de fora, manipulados pelo músico Beto Kloster. O público se coloca na posição de voyeur e assiste à performance através de pequenas janelas, podendo escolher para onde quer olhar, captando pedaços e reflexos do corpo que ali se move. O jogo de espelhos permite ao espectador criar diversas perspectivas. O artista se relaciona com a areia e desenterra peças de roupa: um arreio de couro e uma saia negra. “Neste peep show xamânico construo gradativamente uma persona, que emerge através da minha voz, respiração e movimentos. Um jogo de espelhos onde o público observa e também é observado. Contemplando o aparecimento e morte de sucessivos estados e imagens”, conta o artista.

Para Maikon K no mundo atual de webcams e fotos instantâneas, capturamos, selecionamos e oferecemos nossa imagem a uma multidão de olhos. Imagem que se alastra sem controle, viral. “Podemos nos comunicar com o mundo de dentro de nosso quarto, carro, banheiro, prisão. E o mundo vem até nós, fibra ótica, sorvido pelas retinas vidradas. Consumimos um mundo-imagem, e somos por ele consumidos”, acredita ele.

Liberdade de expressão

Como campo de experiências sensíveis, a arte tem potência para dar forma a territórios poéticos heterogêneos, onde coexistem liberdades de expressão e expressões de liberdades diversas. Por meio da presente atividade, o Sesc reitera o seu compromisso com a cultura e com a educação, ao trazer à baila produções e processos artísticos que debatem a liberdade de expressão concretamente, em sua imbricação com a liberdade dos corpos – que precisa ser construída permanentemente.

Terrário – Dança Privê num Portal Interdimensional
Com Maikon K.
Sesc Belenzinho – Sala de Espetáculos I ( Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo)
Duração 60 minutos
23 a 25/02
Sexta e Sábado – 21h30, Domingo – 18h30
$20 ($6 – credencial plena)
Classificação 18 anos

DIA E NOITE

Dia e Noite” é o novo show do Grupo Triii e traz ao palco do Auditório IbirapueraOscar Niemeyer, no domingo, 25 de fevereiro, às 17h, o repertório do novo CD do grupo formado por Marina Pittier (voz), Fê Stok (guitarra e voz) e Ed Encarnação (bateria e voz), com músicas e brincadeiras em arranjos ricos e delicados, convidando o público a viajar musicalmente pelas nuances e contrastes presentes no dia e na noite.

Nesse show, o Grupo Triii é acompanhado por mais dois músicos, Daniel Doctors e Thiago Pitiá, que ampliam as possibilidades sonoras do espetáculo, acrescentando instrumentos como: baixo, ukulele, violão, marimba, guitarra slide, órgão, harmonium e percussões.

Esses elementos adicionais foram escolhidos tanto para incrementar os arranjos das canções, como para trazer aos ouvidos do público novos experimentos sonoros que retratam de forma mais rica os diferentes climas presentes entre o dia e a noite.

Um show musical, criativo e interativo – característica do Grupo Triii – com canções para dançar, cantar, brincar e até para ninar, “Dia e Noite” traz em seu repertório algumas músicas que o público já conhece dos shows – mas que foram gravadas em CD pela primeira vez – e que ganham novos arranjos, como “A E I O U”, “Plim Plim Plim” e “Viro Vira Virou”.

O espetáculo conta também com novidades, como a crônica romântica cantada em “O Chapéu a Sandália”, a divertida e suingada “Pra Dançar”, de Daniel Ayres (e participação especial do duo Badulaque), e a delicada “Dorme, Dorme”, composição de Marina Pittier e Fê Stok (que tem participação especial de Ricardo Herz nos violinos), em um novo arranjo de cordas.

A apresentação conta com interpretação na Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Dia e Noite
Com Grupo Triii (Ed Encarnação, Fê Stok, Marina Pittier, Daniel Doctors e Thiago Pitiá) 
Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer (Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº – Parque do Ibirapuera, São Paulo)
Duração 60 minutos
25/02
Domingo – 17h
$30
Classificação Livre

NAVEGAR

Desde de 2016 o Grupo Esparrama organizou “expedições poéticas” que percorreram regiões de São Paulo se aproximando do imaginário infantil sobre cidade. Vivências, oficinas e uma exposição deram subsídio para que a janela mais movimentada do Minhocão reabrisse esparramando arte e bom humor novamente.

No dia 25 de fevereiro, o público será convidado a embarcar na temporada do espetáculo Navegar, que para além do Minhocão, prevê apresentações nos CEUs Heliópolis, Butantã e Casa Blanca, ciclos de conversa sobre a relação da arte com a cidade e sobre o papel dos artistas como agentes da Cidade Educadora e conta com novidades. Desta vez, o grupo propõe uma interação ainda maior com a plateia, convidando crianças para pintar as bandeiras que formam a vela do navio das personagens do espetáculo e haverá um microfone aberto para as crianças que queiram se expressar.

A história se inicia com o retorno de Nina, a garotinha do espetáculo anterior, que ao voltar para contar como foi sua viagem pela cidade se depara com outro menino viajante, Samuel. Depois de se conhecerem, eles descobrem que a cidade foi dominada por Gatão (um misterioso gato que acha que é dono de tudo) e, juntos com seus amigos pássaros, tentam se libertar das garras desse gatuno.

O Grupo Esparrama é reconhecido por surpreender as crianças com temas que geralmente são considerados complexos, mas que ao serem tratados em camadas simbólicas proporcionam diversos níveis de diálogo, envolvendo os públicos de todas as idades. Agora, com uma fábula sobre a disputa entre pássaros e gatos, além de discutir uma cidade que não leva em consideração a “fala” das infâncias o grupo reflete sobre os mecanismos sociais, políticos e urbanos que nos afastam do exercício democrático.

Por fim, o espetáculo discute a ideia apresentada na música inicial do espetáculo: “Cidade é bicho grande e solto que não cabe na gaiola…”.

“NAVEGAR” nasceu da necessidade de resposta à provocação que o grupo se lançou na obra anterior, Minhoca na Cabeça. Uma garotinha que veio do interior e precisa vencer seus medos para brincar na cidade grande, ao final convida a todos a desbravarem a cidade entoando em alto e bom som: “Navegar!”.

Mas é possível uma criança navegar pela cidade nos dias de hoje?

Para tentar responder a essa questão o grupo se jogou em grandes e audaciosas expedições por São Paulo. Orientados pela pedagoga Laila Sala, na primeira expedição do Projeto Navegar partiu para encontrar com as infâncias da EMEI Gabriel Prestes, da ocupação Lord Palace e do CEU Heliópolis, com a participação de Daniel Viana (poeta), Sissy Eiko (fotógrafa) e Marina Faria (Ilustradora) que fizeram registros poéticos contribuindo com o entendimento sobre como aquelas crianças pensam, vivem e sentem seus territórios.

Toda a materialidade criada foi organizada pelo cenógrafo Jaime Pinheiro na exposição interativa “Navegar – Uma Expedição por Imaginários”, que foi de encontro com infâncias de outros e que agora está na FUNARTE, em cartaz até 04 de março, com entrada gratuita.

O grupo trouxe na bagagem materiais incríveis que alimentaram os artistas do projeto a criar o novo espetáculo, que tem a orientação dramatúrgica de Solange Dias, figurino de Marcela Donato e cenografia de Carlos Mendes (mantendo a já conhecida janela azul criada por Jaime Pinheiro). Os bonecos criados por André Mello, referenciam as imagens modeladas em massinhas pelas crianças durante as pesquisas do grupo e complementam o tom do universo fantástico e poético necessário para contar sua história.

Neste espetáculo buscamos compartilhar com o público o que nós aprendemos com as crianças e com o Manoel de Barros durante as pesquisas: O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê. É preciso transver o mundo.” – comenta o diretor Iarlei Rangel.

Além dos atores do grupo (Kleber BrianezLígia Campos e Rani Guerra) foram convidados Gabi ZanolaGislaine Pereira,Renato RibeiroVinícius Ramos – integrantes da Trupe Dunavô e Weslley Nascimento que se revezam entre a janela e o próprio Minhocão, permitindo que a encenação ganhasse agilidade com jogos coreográficos criados pelo palhaço e bailarino Ronaldo Aguiar.  Fazem parte do elenco os músicos Adilson Camarão e Laruama Alves que, sob a direção musical de Joel Carozzi, criaram um ambiente sonoro com composições inéditas.

O Grupo Esparrama iniciou sua trajetória com o Teatro na Janela em 2013 e desde então atraiu os olhares da crítica especializada, imprensa nacional, internacional e ganhou o carinho dos paulistanos trazendo arte, cores e muito bom humor para um cenário de cinza de concreto: o Minhocão.

Esparrama pela Janela (primeiro espetáculo) ainda de forma independente, recebeu o Prêmio FEMSA de Teatro Infantil e Jovem (categoria Revelação – direção Iarlei Rangel e categoria Prêmio Crystal Eco de Sustentabilidade) e o Prêmio da Cooperativa Paulista de Teatro, categoria Melhor Ocupação de Espaço.

Em 2014, contemplado pelo Rumos Itaú Cultural com o projeto Janelas do Minhocão, criou o espetáculo Minhoca na Cabeça. Em 2015, com Prêmio Zé Renato realizou temporadas dos espetáculos no Minhocão.

Em 2016, foi contemplado com o Projeto Navegar na 29ª edição da Lei de Fomento ao Teatro da cidade de São Paulo (um dos mais importantes editais de fomento ao teatro da cidade), com o qual vem dando continuidade à sua pesquisa de linguagem e ampliando sua relação com a cidade.

Espetáculo Navegar

Durante suas viagens dois navegadores de cidade, Nina e Samuel, se conhecem e resolvem juntar suas embarcações para continuar transformando as ruas e vielas por onde passam, mas são surpreendidos por Gatão que se proclamou dono de todas as coisas do mundo e que agora quer o barco das crianças. Ele e seus capangas usarão de todos os disfarces para enganá-las, mas, com ajuda de pássaros amigos, as crianças descobrirão que para a imaginação não há limites. Se não for possível navegar pela cidade, sempre será possível voar por ela.

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Navegar
Com Adilson Camarão, Gabi Zanola, Gislaine Pereira, Kleber Brianez, Laruama Alves, Lígia Campos, Rani Guerra, Renato Ribeiro, Weslley Nascimento e Vinícius Ramos
Minhocão – (Elevado Presidente João Goulart), altura do número 158 da Avenida Amaral Gurgel. Entrada pelas alças de acesso do Minhocão no Metrô Santa Cecília ou Rua da Consolação.
Duração 50 minutos
25/02 até 25/03 (no caso de chuva, o espetáculo não acontece)
Domingo – 10h30 e 16h
Grátis
Classificação Livre
 
Apresentações nos CEU’s da cidade de São Paulo
 
CEU Heliópolis – 07 de Março – Horários 10h e 15h30 – Área externa
 
CEU Butantã – 14 de Março – Horários 10h e 15h30 – Ginásio de Esportes
 
CEU Casa Blanca – 21 de Março – Horários 10h e 15h30 –  Ginásio de Esportes.

SENHORA DOS AFOGADOS

Dirigido por Jorge Farjalla, o espetáculo Senhora dos Afogados, texto de Nelson Rodrigues, estreia no Teatro Porto Seguro, dia 23 de fevereiro, sexta-feira, às 21h. O elenco traz Alexia DechampsJoao VittiKaren JunqueiraRafael VittiLetícia BirkheuerNadia BambirraJaqueline Farias e Du Machado.

Senhora dos Afogados faz parte da saga mítica rodriguiana assim intitulada pelo crítico Sábato Magaldi. Escrita em 1947, segue a linha de Álbum de Família (1945), Anjo Negro (1946) e Dorotéia (1949) e traz uma forte simbologia que se aproxima das tragédias gregas, em que os clãs familiares se entre-devoram num inferno de culpas desmedidas.

O projeto desta montagem nasceu de um desejo de Letícia Birkheuer de que Farjalla a desconstruísse num papel de teatro.

Os Drummond, uma família de três séculos, com mulheres que se gabam da fidelidade conjugal, choram a morte por afogamento de Clarinha, uma das filhas de Dona Eduarda e Misael Drummond, e, ao mesmo tempo, prostitutas do cais do porto interrompem suas atividades para lamentar a impunidade do assassinato de uma das suas que morrera há dezenove anos.

Nesta encenação, Jorge Farjalla – depois da ousada e elogiada versão de Dorotéia com Rosamaria Murtinho e Letícia Spiller – leva outra vez Nelson Rodrigues ao extremo contemporâneo e destaca a singularidade da religião em suas obras, em que o sagrado se alimenta do profano, teatralizando ainda mais, através dos signos e símbolos, revisitando a obra numa estética que comunga cenário, figurino, desenho de luz, som e música original, em um contexto singular aos olhos do teatro pós-moderno, riscando nesta montagem, mais uma vez, sua visão própria e original do texto com a marca arrojada e diferente que imprime nas encenações que dirige.

Será uma montagem feita não pra chocar e sim pra refletir. A sociedade está indo para um lugar retrógrado, confundindo liberdade de expressão com exibicionismo. Não quero que o meu modo de ver ou olhar para a obra de Nelson seja rotulado ou criticado sem embasamento. Ao contrário, vamos pensar juntos; não consigo desassociar religião e rito de sua odisseia mítica”, explica Farjalla.

Os atores estarão em cena vivendo todos os personagens, brincando com os arquétipos, para contar e narrar a trajetória da família Drummond – nome que tem em seu significado “vindo do mar” – alguns assumindo os ‘vizinhos’, uma espécie de coro da tragédia grega, assim como seus próprios personagens, com sotaque local, pois a peça se passa em Recife, que é o mar da infância de Nelson, onde ele nasceu.

Um farol, sempre presente em cena, teatralmente representado como uma espécie de lamparina que o próprio ator-narrador executará é cenário para a religiosidade dos nativos que vivem no mar, para Iemanjá como símbolo de todo o contexto da obra, assim como as canções do cancioneiro popular da beira do rio e do mar, fazendo da encenação única e teatralmente cheia de signos e apresentando um Nelson trágico, profundo, íntimo, patético e absurdo.

Alexia Dechamps, que participou da encenação de Dorotéia, agora divide este segundo projeto com Farjalla assumindo a protagonista Dona Eduarda, junto com Karen Junqueira (Moema, irmã do Paulo), que está fazendo Rita Cadillac no cinema. “Dois projetos com o mesmo autor e diretor, um trabalho de identidade de companhia, me colocando num lugar de risco do início ao fim, me provocando e instigando é algo que preciso celebrar. Certamente um momento único, feliz!”, comemora ela.

Já João Vitti e Rafael Vitti dividem pela primeira vez o palco e com personagens que remetem à vida real: pai e filho (Misael e o noivo, respectivamente). E um dos personagens masculinos será interpretado por Letícia Birkheuer, que viverá Paulo, filho do casal pescador, além de Du Machado, o vendedor de pentes. No elenco feminino também estão Nadia Bambirra (Dona Marianinha, a avó) e Jaqueline Farias, a prostituta morta, vizinha e outra prostituta do cais. Aqui vale uma observação: tanto os Vitti como Karen, Letícia e Nádia viverão pela primeira vez um texto de Nelson Rodrigues.

O cenário é assinado por José Dias e a trilha sonora por João Paulo Mendonça – ambos parceiros de Farjalla desde a montagem de Paraíso AGORA! Ou Prata Palomares, do roteiro do filme de André Faria, e Dorotéia – enquanto figurinos e adereços são de Jorge Farjalla em conjunto com Ana Castilho e a luz de Vladimir Freire e Jacson Inácio.

Sinopse

Ligações incestuosas, obsessões, pulsões arcaicas, conflitos entre o lógico e o irracional, todas as amarras são rompidas, os personagens se movem num tempo verdadeiramente mítico, do inconsciente. Senhora dos Afogados é uma peça que se aproxima das tragédias gregas, em que os clãs familiares se entre devoram num inferno de culpas desmedidas.

Dona Eduarda, esposa de Misael, e Moema, única filha mulher que restara, além do irmão, Paulo, se digladiam em torno da questão do pudor e da honra da mulher, hostilizando-se devido a um ódio primordial. Moema, que gostaria de viver sozinha com o pai, urde um plano para que a mãe o traia com o próprio noivo, um ex-oficial da marinha.

Senhora dos Afogados - João Vitti e Rafael Vitti HOR 3 - foto Carol Beiriz

Senhora dos Afogados
Com Alexia Dechamps, Joao Vitti, Karen Junqueira, Rafael Vitti, Letícia Birkheuer, Nadia Bambirra, Jaqueline Farias e Du Machado. 
Teatro Porto Seguro (Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)
Duração 90 minutos
23/02 até 29/04
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h
$70/$90
Classificação 16 anos