GOTA D’ÁGUA [A SECO] (OPINIÃO)

A peça clássica de Chico Buarque e Paulo Pontes (1975) volta em cartaz na montagem de Rafael Gomes, com Laila Garin (“Elis, a Musical”, “O Beijo no Asfalto – o Musical”) e Alejandro Claveaux (“Clandestinos: O Sonho Começou”, “Alto Astral).

Rafael enxugou o texto original, cortando 12 personagens e centrando a ação somente em Joana e Jasão, os protagonistas da peça. A duração também ficou concentrada – passou das quase 3 horas para apenas 90 minutos.

A parte musical também foi alterada. A peça original só tinha quatro músicas (“Flor da Idade”, “Bem Querer”, “Gota D’Água” e “Basta Um Dia”) e oito monólogos (gravados em um disco, com a trilha sonora da peça). Então o diretor, Rafael Gomes, com o diretor musical, Pedro Luís, inseriram oito novas canções, como “Cálice” e “Caçada”, e pequenas citações de letras de Chico em algumas passagens do texto.

O musical estreou no final do ano passado no Rio de Janeiro, e recebeu 4 indicações ao Prêmio Cesgranrio e 2 ao Prêmio Shell. E tem tudo para receber mais indicações nos prêmios Aplauso Brasil, Arte e Qualidade, Bibi Ferreira e Reverência.

Sinopse

A peça já começa com Jasão tendo feito sucesso com seu samba, “Gota D’água“. Ele saiu da Vila do Meio Dia (“Flor da Idade”), a comunidade onde morava com Joana e seus filhos. Está com casamento acertado com Alma, filha de Creonte, dono da maior parte das casas da comunidade. Joana não aceita te sido abandonada, ainda mais por uma mulher mais nova. Começa a conclamar os moradores para não pagarem o aumento abusivo no aluguel. Creonte manda Jasão resolver a situação, pedindo que Joana saia de sua casa, leve as crianças, e que vão morar em um outro lugar. Ela pede um dia, não mais que um dia  para se mudar (“Basta um Dia”). Mas na verdade, prepara sua vingança. Faz uma oferenda aos Orixás pedindo para que eles a ajudem na sua tarefa – oferecer um prato envenenado, com todo seu ódio e rancor, para os noivos no dia da festa de núpcias. Joana manda seus filhos entregarem ‘o presente’, mas Creonte não aceita e expulsa as crianças. Elas voltam. E Joana decide então executar sua vingança de uma outra maneira.

 

Opinião

Um embate acontece no palco – entre os personagens Joana e Jasão, e também entre os atores Laila Garin e Alejandro Claveaux. Com direção de Rafael Gomes, os atores usam todo o cenário móvel, criado por André Cortez, para dar vazão a essa luta, entre uma mulher, de mais idade, que não aceita em ser abandonada por seu ex-parceiro, 10 anos mais novo, que a trocou pela filha da dona da maior parte das comunidades onde moram.

Se a peça original de Chico Buarque e Paulo Pontes tratava também da questão política pelo qual o país passava (ditadura política), agora 40 anos depois e condensada, a peça – a nosso ver – está centrada na questão de relacionamento humano. A mulher – que mesmo dona de si e com voz ativa – não aceita perder o seu marido para uma outra. Ela o ataca de todas as formas, mas quando ele aparece, ela amolece e se entrega. Para no minuto seguinte, voltar a si e atacá-lo novamente.

Laila e Alejandro oferecem seus corpos e vozes para extravasar toda gama de sentimentos dos personagens. É um teatro físico (os atores falaram que perdem peso fazendo a peça) – eles sobem, descem, modificam a estrutura metálica, projetada por André. Os sentimentos dos personagens vão de um extremo a outro. Enquanto isso, a plateia não pisca (na verdade, estamos atordoados com o que está acontecendo no palco. Em somente um número musical, conseguimos esboçar uma reação e aplaudir).

O figurino é outro fator a ser elogiado. Criado por Kika Lopes, permite a ampla movimentação dos atores. E tem o vestido de Joana! Uma saia, que Laila transforma em objetos de cena, tira, dança, roda, se abaixa,… é como se fosse uma extensão de seu corpo (e a forma com que é utilizada nas duas últimas cenas é de arrepiar! Com certeza, estas cenas ficarão na memória dos espectadores e na história das montagens da peça!)

A iluminação de Wagner Antonio mostra, esconde; trabalha com o jogo de luz e sombras (veja abaixo o trecho da canção Bem Querer). E a cena em que Joana faz oferenda para os seus orixás é algo fantástico.

E por final, elogiar a escolha das canções (interpretadas por cinco músicos) e os arranjos feitos por Pedro Luís e por Rafael. Parece que foram compostas para a peça. Casam completamente com a história.

“Gota D’Água [A Seco]” tem que ser vista!

 

 

Gota D’Água [A Seco]
Com Laila Garin e Alejandro Claveaux
Teatro FAAP ( R. Alagoas, 903 – Higienópolis, São Paulo)
Duração 90 minutos
09/09 até 18/12
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 20h
$80/$100
Classificação: 14 anos
De Chico Buarque e Paulo Pontes
Adaptação e direção: Rafael Gomes
Músicos: Antônia Adnet, Dudu Oliveira, Elcio Cáfaro, Marcelo Müller e Pedro Silveira
Direção Musical: Pedro Luís
Cenografia: André Cortez
Iluminação: Wagner Antônio
Figurinos: Kika Lopes
Direção de Produção: Andréa Alves
Diretor assistente e direção de movimento: Fabrício Licursi
Assistente de direção: Daniel Carvalho Faria
Design de som: Gabriel D’Angelo
Preparação e arranjos vocais: Marcelo Rodolfo e Adriana Piccolo
Assistente de direção musical: Antônia Adnet
Assistente de cenografia: Rodrigo Abreu
Coordenação de Produção: Leila Maria Moreno
Produção Executiva: Monna Carneiro
Marketing Cultural: Ghéu Tibério
Assessoria de Imprensa: Factoria Comunicação

GOTA D’ÁGUA (A SECO)

A adaptação de Rafael Gomes, que também é diretor, para o clássico de Chico Buarque e Paulo PontesGota D’Água (a seco) – já tem data para estrear em São Paulo. Será no dia 09 de setembro no Teatro Faap. Atualmente, o musical está no Theatro Net Rio até o dia 26 de junho.

A peça foi secada em relação ao número de personagens – ficaram apenas os papéis de Joana e Jasão, interpretados por Laila Garin e Alejandro Claveaux Para compensar, Rafael em parceria com Pedro Luís – diretor musical, transbordaram nos números musicais. A peça original só tinha quatro canções. Então eles selecionaram outras canções de Chico Buarque para compor o espetáculo.

A história gira no embate entre Joana e Jasão, que foram casados e tiveram filhos, mas ela a abandonou. Então Joana parte para vingança, que chega até as últimas consequências.

A primeira montagem da peça foi em 1975 tendo a grande Dama do Teatro Brasileiro, Bibi Ferreira, vivendo Joana.

Veja abaixo o vídeo feito pela Sarau Agência de Cultura Brasileira (que é a produtora), onde Laila Garin, Alejandro Claveaux, Rafael Gomes e Pedro Luís falam sobre o espetáculo.

 

GOTA D’ÁGUA (A SECO)

Em dezembro de 1975, Bibi Ferreira subia ao palco do Teatro Tereza Rachel para estrear ‘Gota D’Água’, transposição da tragédia grega ‘Medeia’, de Eurípedes, para a realidade de um conjunto habitacional do subúrbio carioca. Com um arrojado texto em versos de Chico Buarque e Paulo Pontes e canções como ‘Basta um Dia’, o espetáculo marcou época e se tornou um clássico moderno do Teatro Brasileiro.

Mais de quatro décadas depois, a história voltará à cena no mesmo local em que estreou – agora Theatro Net Rio – com uma adaptação absolutamente inédita do diretor Rafael Gomes. Batizada de ‘Gota D’Água [a seco]’, a nova versão entra em cena a partir de 6 de maio, com apenas dois atores em cena, Laila Garin e Alejandro Claveaux, acompanhados de cinco músicos sob a direção musical de Pedro Luís.

Como ‘a seco’ do título já indica, a montagem busca chegar à essência da história, através dos embates entre os protagonistas, Joana e Jasão, ainda que outros personagens do original também apareçam na adaptação. Mesmo com parte da trama sociopolítica reduzida na versão, Rafael Gomes reitera que a sua leitura da peça é focada em sua natureza política, cruelmente atual:

‘A ‘Gota D’Água’ original possui uma trama política bastante latente em seu embate entre opressores e oprimidos. Ao concentrar a história em Joana e Jasão, em suas ideologias, ações e sentimentos, eu gostaria ainda assim de falar sobre essa política mais essencial da vida, do dia a dia, essa que a maioria das pessoas sublima, esquece ou finge que não é com elas, achando que ser político é somente saber apontar o dedo para o adversário e se manifestar eventualmente por aquilo que interessa, de forma um tanto o quanto individualista’, afirma o diretor, que manteve toda a estrutura formal da peça e inseriu novas canções e pequenas citações de letras de Chico em algumas passagens do texto.

Gota D’Água [a seco]’ é o primeiro espetáculo que Rafael Gomes dirige fora de sua companhia, a Empório de Teatro Sortido, de onde trouxe alguns colaboradores para esta montagem, como o cenógrafo André Cortez (Prêmio Shell por ‘Um Bonde Chamado Desejo’, 2015) e o iluminador Wagner Antônio. Rafael foi convidado pela produtora Andréa Alves, da Sarau Agência, e por Laila Garin para embarcar no projeto.

Estrela de ‘Elis – A Musical’, Laila experimentará um novo desafio em cena: além de interpretar a mítica personagem eternizada por Bibi Ferreira, dará voz a músicas que não faziam parte da peça original, como ‘Eu Te Amo’, ‘Sem Fantasia’ e ‘Cálice’. Revelado no projeto ‘Clandestinos’, Alejandro Claveauxinterpretará o personagem que já foi de Roberto Bonfim e Francisco Milani (na temporada paulistana, em 1977).

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Uma tragédia carioca, embates universais

Chico Buarque e Paulo Pontes começaram a trabalhar no texto original a partir de uma transposição que Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974) havia feito para a televisão. A feiticeira Medeia virou Joana, moradora do conjunto habitacional Vila do Meio-Dia, mãe de dois filhos, frutos de seu casamento com Jasão, alguns anos mais novo do que ela. Compositor popular, Jasão é cooptado pelo empresário Creonte, que o ajuda a fazer sucesso, e termina por largar Joana para se casar com a filha do milionário. A trama passional – que culmina na vingança de Joana –  tem como pano de fundo as injustiças sociais pelas quais os moradores do local passam, vítimas da exploração de Creonte, todo-poderoso da região.

Por conta deste acúmulo de tensões, Rafael elegeu o embate como o conceito central de sua montagem. Não somente o embate amoroso, que está no cerne da trama do casal, mas também o social, em um sentido mais amplo, e, principalmente, o íntimo. ‘São as batalhas internas a que as circunstâncias externas nos sujeitam. Jasão no conflito entre o que está ganhando e o que está deixando para trás, assim como Joana na decisão entre ir às últimas consequências para se vingar ou simplesmente seguir vivendo – o embate entre o humano e o divino, o terreno e o espiritual’, conclui o diretor.

Com esta nova e enxuta adaptação, as músicas que não estavam no original entram justamente para servir à dramaturgia, ao contar partes da história, revelar melhor o caráter e as contradições das personagens, além de amplificar alguns contextos e situações que precisaram ser sumarizados. A entrada de Pedro Luís na direção musical vem ao encontro da vontade de não fazer necessariamente um musical tradicional. ‘É um arejamento, um olhar diferente. Pedro fará com as canções, todas já tão conhecidas e consagradas, o que eu pretendo fazer com a dramaturgia: dar uma nova dimensão, jogar uma luz por um lado que não estamos acostumados a ver. Isso não implica em uma ambição de “melhorar” nada, apenas de tentar pensar e criar por um caminho menos óbvio’, ressalta Rafael.

Em cena durante todo o espetáculo, o quinteto de músicos será formado por Antônia Adnet, Dudu Oliveira, Elcio Cáfaro, Marcelo Muller e Pedro Silveira.

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Gota D’Água (A Seco)
Com Laila Garin e Alejandro Claveaux
Theatro Net Rio (Rua Siqueira Campos, 143 / 2º piso – Copacabana, Rio de Janeiro)
Duração 90 minutos
06/05 até 26/06
Quinta a Sábado, 21h; Domingo – 20h
Recomendação 14 anos
$50 / $150
De Chico Buarque e Paulo Pontes
Adaptação e direção: Rafael Gomes
Músicos: Antônia Adnet, Dudu Oliveira, Elcio Cáfaro, Marcelo Muller e Pedro Silveira
Direção Musical: Pedro Luís
Cenografia: André Cortez
Iluminação: Wagner Antônio
Figurinos: Kika Lopes
Direção de Produção: Andréa Alves
Design de som: Gabriel D’Angelo
Preparação e arranjos vocais: Marcelo Rodolfo e Adriana Piccolo
Direção de movimento: Fabrício Licursi
1º assistente de direção: Fabrício Licursi
2º assistente de direção: Daniel Carvalho Faria
Assistente de direção musical: Antônia Adnet
Assistente de cenografia: Rodrigo Abreu
Coordenação de Produção: Leila Maria Moreno
Produção Executiva: Monna Carneiro
Marketing Cultural: Ghéu Tibério
Assessoria de Imprensa: Factoria Comunicação