NAVEGAR

Desde de 2016 o Grupo Esparrama organizou “expedições poéticas” que percorreram regiões de São Paulo se aproximando do imaginário infantil sobre cidade. Vivências, oficinas e uma exposição deram subsídio para que a janela mais movimentada do Minhocão reabrisse esparramando arte e bom humor novamente.

No dia 25 de fevereiro, o público será convidado a embarcar na temporada do espetáculo Navegar, que para além do Minhocão, prevê apresentações nos CEUs Heliópolis, Butantã e Casa Blanca, ciclos de conversa sobre a relação da arte com a cidade e sobre o papel dos artistas como agentes da Cidade Educadora e conta com novidades. Desta vez, o grupo propõe uma interação ainda maior com a plateia, convidando crianças para pintar as bandeiras que formam a vela do navio das personagens do espetáculo e haverá um microfone aberto para as crianças que queiram se expressar.

A história se inicia com o retorno de Nina, a garotinha do espetáculo anterior, que ao voltar para contar como foi sua viagem pela cidade se depara com outro menino viajante, Samuel. Depois de se conhecerem, eles descobrem que a cidade foi dominada por Gatão (um misterioso gato que acha que é dono de tudo) e, juntos com seus amigos pássaros, tentam se libertar das garras desse gatuno.

O Grupo Esparrama é reconhecido por surpreender as crianças com temas que geralmente são considerados complexos, mas que ao serem tratados em camadas simbólicas proporcionam diversos níveis de diálogo, envolvendo os públicos de todas as idades. Agora, com uma fábula sobre a disputa entre pássaros e gatos, além de discutir uma cidade que não leva em consideração a “fala” das infâncias o grupo reflete sobre os mecanismos sociais, políticos e urbanos que nos afastam do exercício democrático.

Por fim, o espetáculo discute a ideia apresentada na música inicial do espetáculo: “Cidade é bicho grande e solto que não cabe na gaiola…”.

“NAVEGAR” nasceu da necessidade de resposta à provocação que o grupo se lançou na obra anterior, Minhoca na Cabeça. Uma garotinha que veio do interior e precisa vencer seus medos para brincar na cidade grande, ao final convida a todos a desbravarem a cidade entoando em alto e bom som: “Navegar!”.

Mas é possível uma criança navegar pela cidade nos dias de hoje?

Para tentar responder a essa questão o grupo se jogou em grandes e audaciosas expedições por São Paulo. Orientados pela pedagoga Laila Sala, na primeira expedição do Projeto Navegar partiu para encontrar com as infâncias da EMEI Gabriel Prestes, da ocupação Lord Palace e do CEU Heliópolis, com a participação de Daniel Viana (poeta), Sissy Eiko (fotógrafa) e Marina Faria (Ilustradora) que fizeram registros poéticos contribuindo com o entendimento sobre como aquelas crianças pensam, vivem e sentem seus territórios.

Toda a materialidade criada foi organizada pelo cenógrafo Jaime Pinheiro na exposição interativa “Navegar – Uma Expedição por Imaginários”, que foi de encontro com infâncias de outros e que agora está na FUNARTE, em cartaz até 04 de março, com entrada gratuita.

O grupo trouxe na bagagem materiais incríveis que alimentaram os artistas do projeto a criar o novo espetáculo, que tem a orientação dramatúrgica de Solange Dias, figurino de Marcela Donato e cenografia de Carlos Mendes (mantendo a já conhecida janela azul criada por Jaime Pinheiro). Os bonecos criados por André Mello, referenciam as imagens modeladas em massinhas pelas crianças durante as pesquisas do grupo e complementam o tom do universo fantástico e poético necessário para contar sua história.

Neste espetáculo buscamos compartilhar com o público o que nós aprendemos com as crianças e com o Manoel de Barros durante as pesquisas: O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê. É preciso transver o mundo.” – comenta o diretor Iarlei Rangel.

Além dos atores do grupo (Kleber BrianezLígia Campos e Rani Guerra) foram convidados Gabi ZanolaGislaine Pereira,Renato RibeiroVinícius Ramos – integrantes da Trupe Dunavô e Weslley Nascimento que se revezam entre a janela e o próprio Minhocão, permitindo que a encenação ganhasse agilidade com jogos coreográficos criados pelo palhaço e bailarino Ronaldo Aguiar.  Fazem parte do elenco os músicos Adilson Camarão e Laruama Alves que, sob a direção musical de Joel Carozzi, criaram um ambiente sonoro com composições inéditas.

O Grupo Esparrama iniciou sua trajetória com o Teatro na Janela em 2013 e desde então atraiu os olhares da crítica especializada, imprensa nacional, internacional e ganhou o carinho dos paulistanos trazendo arte, cores e muito bom humor para um cenário de cinza de concreto: o Minhocão.

Esparrama pela Janela (primeiro espetáculo) ainda de forma independente, recebeu o Prêmio FEMSA de Teatro Infantil e Jovem (categoria Revelação – direção Iarlei Rangel e categoria Prêmio Crystal Eco de Sustentabilidade) e o Prêmio da Cooperativa Paulista de Teatro, categoria Melhor Ocupação de Espaço.

Em 2014, contemplado pelo Rumos Itaú Cultural com o projeto Janelas do Minhocão, criou o espetáculo Minhoca na Cabeça. Em 2015, com Prêmio Zé Renato realizou temporadas dos espetáculos no Minhocão.

Em 2016, foi contemplado com o Projeto Navegar na 29ª edição da Lei de Fomento ao Teatro da cidade de São Paulo (um dos mais importantes editais de fomento ao teatro da cidade), com o qual vem dando continuidade à sua pesquisa de linguagem e ampliando sua relação com a cidade.

Espetáculo Navegar

Durante suas viagens dois navegadores de cidade, Nina e Samuel, se conhecem e resolvem juntar suas embarcações para continuar transformando as ruas e vielas por onde passam, mas são surpreendidos por Gatão que se proclamou dono de todas as coisas do mundo e que agora quer o barco das crianças. Ele e seus capangas usarão de todos os disfarces para enganá-las, mas, com ajuda de pássaros amigos, as crianças descobrirão que para a imaginação não há limites. Se não for possível navegar pela cidade, sempre será possível voar por ela.

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Navegar
Com Adilson Camarão, Gabi Zanola, Gislaine Pereira, Kleber Brianez, Laruama Alves, Lígia Campos, Rani Guerra, Renato Ribeiro, Weslley Nascimento e Vinícius Ramos
Minhocão – (Elevado Presidente João Goulart), altura do número 158 da Avenida Amaral Gurgel. Entrada pelas alças de acesso do Minhocão no Metrô Santa Cecília ou Rua da Consolação.
Duração 50 minutos
25/02 até 25/03 (no caso de chuva, o espetáculo não acontece)
Domingo – 10h30 e 16h
Grátis
Classificação Livre
 
Apresentações nos CEU’s da cidade de São Paulo
 
CEU Heliópolis – 07 de Março – Horários 10h e 15h30 – Área externa
 
CEU Butantã – 14 de Março – Horários 10h e 15h30 – Ginásio de Esportes
 
CEU Casa Blanca – 21 de Março – Horários 10h e 15h30 –  Ginásio de Esportes.

CHUVA DE ANJOS

Teatro Kaus Cia Experimental realiza a leitura da peça CHUVA DE ANJOS, texto inédito do dramaturgo argentino Santiago Serrano, no dia 28 de fevereiro, quarta-feira, às 20h, na OFICINA CULTURAL OSWALD DE ANDRADE (instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, gerenciada pela Poiesis), com entrada franca. A leitura tem direção de Reginaldo Nascimento e reúne as atrizes Amália Pereira e Vera Monteiro.

Escrita em 2007, CHUVA DE ANJOS propõe uma reflexão sobre a solidão e o individualismo nas grandes cidades. A peça apresenta um diálogo improvável entre duas mulheres rodeadas de edifícios altos de onde se atiram alguns suicidas. Enquanto cada personagem se torna o cenário de sua própria tragédia, os males da contemporaneidade são apontados em um jogo de claro-escuro, de palavra e silêncio, de presença e ausência, e de caídas metafóricas.

Em um mundo louco, muitas vezes, a morte pode ser o ato mais vital. Em CHUVA DE ANJOS, duas mulheres velhas são testemunhas de uma sociedade em plena caída”, afirma o autor Santiago Serrano. “A peça tem um humor negro e um voo poético”, finaliza o autor.

Evento faz parte do projeto Teatro Kaus – Da América Latina À Espanha – Dez Anos de Dramaturgia Hispânica, contemplado pela 30ª Edição do Programa de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo da Secretaria Municipal de Cultura. Durante o projeto serão realizadas mais quatro leituras de peças, uma do dramaturgo cubano Reinaldo Montero e três do dramaturgo espanhol Esteve Soler, além de ciclo de debates, espetáculos e a publicação de um livro.

 Santiago Serrano - foto 1 Claudio Castro

Chuva de Anjos
Com Amália Pereira e Vera Monteiro
Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)
Duração 80 minutos
28/02
Quarta – 20h
Entrada gratuita
Classificação 14 anos

A FANTÁSTICA BALEIA ENGOLIDORA DE CIRCOS

Sem usar qualquer palavra falada, a carioca Cia. Frita apresenta para a criançada o universo mágico do circo em A Fantástica Baleia Engolidora de Circos, que ganha uma temporada na CAIXA Cultural São Paulo, entre 22 de fevereiro e 4 de março. O elenco conta com as atrizes Érika Freitas, Mariana Rabelo e Florencia Santángelo, e a direção e o roteiro são assinados por Alvaro Assad. Os ingressos são gratuitos e começam a ser distribuídos às 9h do dia da apresentação, na própria CAIXA Cultural.

O público conhece a hilária saga de três palhaças que foram engolidas por uma baleia junto com seu pequeno circo durante uma enchente que alagou a cidade. Enquanto o animal navega pelos sete mares do globo, as artistas precisam se adaptar àquele cotidiano surreal.

Elas esperam ansiosamente pelas surpresas que virão com a próxima mordida da baleia e sonham com o mundo externo. Durante cada tempestade no meio do mar, as palhaças se comportam de modo completamente nonsense.

Durante o processo criativo da peça, a trupe pesquisou o universo da pantomima e das reprises e gags (piadas) clássicas do circo. Como o espetáculo não tem falas, o elenco teve um treinamento corporal para a comédia física, em que os gestos são usados para provocar a comicidade e narrar de forma eficiente a história. A proposta da encenação é resgatar e difundir a arte da palhaçaria clássica.

Oficina de palhaçaria

Além do espetáculo, a trupe ministra uma oficina gratuita de Palhaçaria para Crianças, com Érika Freitas. A atividade pretende despertar o lúdico, o riso, a espontaneidade e a relação com o outro a partir de brincadeiras e jogos de improviso. A ideia é proporcionar aos participantes a oportunidade de ter um primeiro contato com o universo dos clowns.

A oficina acontece na própria CAIXA Cultural São Paulo, no dia 3 de março, das 10h às 12h, e oferece 20 vagas para crianças de 10 a 14 anos. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo telefone (11) 3321-4400. A seleção será a partir da ordem de inscrições.

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A Fantástica Baleia Engolidora de Circos
Com Érika Freitas, Mariana Rabelo, Raquel Theo e Florencia Santángelo
CAIXA Cultural São Paulo (Praça da Sé, 111 – Centro, São Paulo)
Duração 50 minutos
22/02 até 04/03
Quinta, Sexta, Sábado e Domingo – 15h
Entrada gratuita (ingressos distribuídos a partir das 9h do dia da apresentação)
Classificação 6 anos
 
Oficina: Oficina de Palhaçaria para Crianças
CAIXA Cultural São Paulo (Praça da Sé, 111 – Centro, São Paulo)
03/03
Sábado – 10h às 12h
Inscrições: gratuitas e feitas pelo telefone (11) 3321-4499 (por ordem de inscrição)
Vagas: 20 vagas
Público-alvo: crianças de 10 a 14 anos

APROXIMANDO-SE DE A FERA NA SELVA

A peça transita entre três núcleos que tem suas fronteiras borradas: “A Fera na Selva”, com os personagens John Marcher e May Bartran; as biografias dos escritores Henry James e Constance Fenimore Woolson e o núcleo composto por ator e atriz. Gabriel Miziara faz John, Henry e ator, e Helô Cintra interpreta Constance, May e atriz.

Henry James escreveu a Fera em 1903, quase dez anos após a morte da sua grande amiga Constance. A amizade entre os escritores tem muitos paralelos com a relação estabelecida entre os protagonistas dessa novela de Henry.

As personagens da peça são amarradas pelas convenções sociais, ao mesmo tempo muito solitárias e de uma sensibilidade extrema, busquei inspiração em alguns artistas plásticos, além das obras literárias, para adentrar neste universo. Edward Hopper, por exemplo nos traz a solidão impressa em suas obras, algumas telas de Monet e Magritte, além de uma tela pintada pelo dramaturgo Strindberg, me trazem de diferentes formas, uma existência velada e profunda”, comenta a diretora.

Para a construção da dramaturgia, Marina Corazza se pautou na novela “A Fera na Selva” de Henry James, em “O Mestre, romance de Colm Tóibín sobre a vida do escritor americano, na biografia de Constance, “Constance Fenimore Woolson: Portrait of a Lady Novelist”, escrita pela americana Anne Boyd Rioux, além de um livro de contos de Contance “Miss Grief and other stories”, organizado pela mesma escritora.

A encenação

A peça estará em cartaz no porão do Centro Cultural São Paulo, que foi reaberto em dezembro de 2017, depois de ficar fechado durante anos para uma reforma. A diretora optou por uma encenação limpa, com poucos elementos, mas que são fundamentais para o espetáculo.

O figurino assinado pelo estilista Mareu Nitschke traz linhas modernas e nada óbvias para os atores, em contraponto a algumas peças mais amplas que simbolizam o universo dos personagens. O cenário manipulado pelos atores, é uma parceria da diretora Malú Bazán com Renato Caldas. A assistência de direção é de Carolina Fabri. A luz é assinada por Miló Martins e a trilha sonora é de Daniel Maia. A produção do espetáculo é da Canto Produções.

Sinopse:

A peça aborda a relação de amizade entre os escritores Henry James e Constance Fenimore Woolson, a partir da investigação de suas biografias e da novela “A Fera na Selva” de Henry James, em que um homem espera pelo grande acontecimento de sua vida. Dois atores transitam entre as personagens reais e as personagens fictícias criadas pelos escritores, lançando um olhar particular sobre suas relações.

Aproximando-se de A fera na Selva_crédito Andreia Machado (5)

Aproximando-se de A Fera na Selva
Com Gabriel Miziara e Helô Cintra
Centro Cultural São Paulo – Espaço Cênico Ademar Guerra (Rua Vergueiro, 1000 – Liberdade, São Paulo)
Duração 60 minutos
02/02 até 11/03
Quinta, Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 20h
Entrada gratuita (ingressos retirados 1 hora antes nas bilheterias do CCSP)

A VISITA DA VELHA SENHORA

Clássico do suíço Friedrich Dürrenmatt, escrito em 1956, se mantém atual e apresenta um olhar irônico sobre a fragilidade dos valores morais, da justiça e da esperança

Texto do autor suíço Friedrich Dürrenmatt, A Visita da Velha Senhora volta ao palco do Teatro do SESI-SP sob a direção de Luiz Villaça. A montagem inédita, com Denise Fraga, Tuca Andrada, Ary França, Fábio Herford, Davi Taiyu, Maristela Chelala, Romis Ferreira, Renato Caldas, Eduardo Estrela, Beto Matos, Luiz Ramalho e Rafael Faustino, expõe a fragilidade dos valores morais e da noção de justiça quando a palavra é dinheiro. Em 2018, o espetáculo fica em cartaz de 24 de janeiro até 18 de fevereiro, com entrada gratuita

Na trama, os cidadãos da cidade de Güllen esperam ansiosos pela chegada da milionária Claire Zachanassian (vivida por Denise Fraga) – que promete salvá-los da falência. No jantar de boas-vindas, Claire impõe uma condição: doa um bilhão à cidade se alguém matar Alfred Krank, o homem por quem foi apaixonada na juventude e que a abandonou grávida por um casamento de interesse. Ouve-se um clamor de indignação e todos os habitantes de Güllen rejeitam a absurda proposta. Claire, então, decide esperar, hospedando-se com seu séquito no hotel da cidade.

A partir dessa premissa, Friedrich Dürrenmatt nos premia com uma obra-prima da dramaturgia, construindo uma rede de cenas que se entrelaçam, cheias de humor e ironia, onde os personagens vão, pouco a pouco, escancarando a fragilidade humana diante do grande regente de nossas vidas: o dinheiro.

A Visita da Velha Senhora é caracterizada por Dürrenmatt como uma comédia trágica. Seu texto faz uso do humor para a reflexão. Disseca os conflitos morais, as noções de ética, poder e justiça e as sutilezas de suas fronteiras. Até onde pode-se ir por dinheiro? O que significa justiça em nossos tempos? Até que ponto o valor moral da justiça se adequa ao poder econômico? Até que ponto a linha ética se molda ao poder? Até onde nos vendemos? E quanto nos custa a não submissão? Ao longo da história, o público se depara com questões que sempre estiveram em pauta na história da humanidade e que se apresentam agora mais atuais do que nunca.

Depois de dois anos e meio de A Alma Boa de Setsuan, de Bertolt Brecht, e um ano e meio de Galileu Galilei, do mesmo gênio alemão, sou mais uma vez surpreendida pela potente atualidade de um clássico. Não foi por acaso que cheguei a Dürrenmatt. Foi discípulo, bebeu em Brecht. Lá está o mesmo fino humor, a mesma ironia e teatralidade. Dürrenmatt também se faz valer do entretenimento para arrebatar o público para a reflexão”, afirma Denise Fraga.

Na peça Alma Boa de Setsuan, a personagem principal perguntava “como posso ser boa se eu tenho que pagar o aluguel? Como posso ser bom e sobreviver no mundo competitivo em que vivemos? ”. Em Galileu Galilei, o questionamento central era “como posso ser fiel ao que penso sem sucumbir ao poder econômico e político vigente? Como manter meus ideais comprando meu vinho bom?”. Para Denise Fraga, “encenar a Visita depois de A Alma Boa e Galileu é quase como completar uma trilogia. A trilogia de nosso eterno dilema entre a ética e o ganha pão”.

Em cada uma das peças – Alma Boa, Galileu Galilei e A Visita da Velha Senhora – as relações de poder e os conflitos morais vividos pelos personagens são explícitos. A diferença é que Brecht prefere desconstruir as ilusões de que nos alimentamos e propor uma possível transformação, enquanto Dürrenmatt as mantém vivas e ri delas por serem apenas isso: ilusões, enganos pelos quais lutamos e sempre lutaremos.

A Visita da Velha Senhora conta com direção do cineasta Luiz Villaça, que depois do sucesso de Sem Pensar, de Anya Reiss, e A Descida do Monte Morgan, de Arthur Miller, retorna ao teatro. A montagem ainda conta com a sofisticação dos cenários e figurinos de Ronaldo Fraga, a batuta do maestro Dimi Kireeff na direção musical, o desenho de Luz de Nadja Naira, da Companhia Brasileira de Teatro; Lucia Gayotto, na direção vocal; Keila Bueno, nas coreografias e preparação corporal, e Simone Batata, no visagismo.

“A tragédia do mundo moderno só é passível de representação no palco como comédia. A comédia é a expressão do desespero”.
(Friedrich Dürrenmatt)

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A Visita da Velha Senhora
Com Denise Fraga, Tuca Andrade, Ary França, Fábio Herford, Davi Taiyu, Romis Ferreira, Maristela Chelala, Renato Caldas, Eduardo Estrela, Beto Matos, Luiz Ramalho e Rafael Faustino
Teatro do Sesi-SP (Av. Paulista, 1313 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 120 minutos
24/01 até 18/02
Quarta, Quinta, Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 19h
Entrada Gratuita (Reservas antecipadas de ingressos online pelo portal http://www.sesisp.org.br/meu-sesi)
Classificação 14 anos

MICHEL III – UMA FARSA À BRASILEIRA

O espetáculo “Michel III – Uma Farsa à Brasileira” estreia dia 06 de janeiro no Teatro dos Arcos e ficará em cartaz aos sábados e domingos, às 19h, até 28 de janeiro, com entrada grátis. Escrita por Fabio Brandi Torres e dirigida por Marcelo Varzea, a montagem tem como personagem central Michel, um aspirante ao trono, cansado de viver em segundo plano, que resolve conspirar para assumir a coroa.

Esta é a última peça da primeira edição do projeto Berçário Teatral, que iniciou em agosto de 2017, e realizou seis montagens teatrais com o objetivo de revitalizar o Teatro dos Arcos. A ideia partiu do curador do projeto e diretor artístico do Teatro dos Arcos, Ian Soffredini, de criação um texto que tratasse da política brasileira, usando personagens das peças de William Shakespeare. Ele convidou o dramaturgo Fabio Brandi Torres para desenvolver o texto. O autor se inspirou em “Rei Lear”, “Macbeth”, “Ricardo III”, “Romeu e Julieta”, “Júlio César”, “Hamlet” e até “Sir Thomas More” (texto inédito em português), entre outras obras de Shakespeare, para revisitar o período histórico brasileiro do final do segundo mandato de Lula, passando pelo processo de impeachment de Dilma Rousseff, até o momento presente. O título Michel III remete a Michel Temer, o terceiro vice que se tornou presidente após a redemocratização.

Num ambiente de intrigas e obscuridades, cada personagem das cenas shakespeareanas tem o seu equivalente na política brasileira. Nesta sátira, os personagens fazem referência a figuras protagonistas do jogo político, além de Michel Temer: Lula,  Dilma Rousseff, Marta Suplicy, Marina Silva, Eduardo Cunha, Romero Jucá, Sergio Moro; empresários como Marcelo Odebrecht e Joesley Batista; e Janaína Paschoal, uma das autoras do pedido de impeachment.

“Michel III – Uma Farsa à Brasileira” usa a comédia como instrumento de crítica e observação do jogo de forças políticas que inclui acordos partidários e seus respectivos rachas de antigas alianças, políticos que são descartados na briga pelo poder, povo revoltado e dividido por posições extremistas. Áudios “vazados”, notícias falsas, memes na internet, delações premiadas, condenações de governantes, enfim, o que compõe o cenário político. “Foram necessários quatro meses de pesquisas sobre os fatos históricos para escrever a peça que fala de ambição e poder, fazendo a relação com os textos de Shakespeare”, explica Fabio Brandi Torres.

O autor acredita que a peça oferece diferentes níveis de leitura e compreensão, conforme o interesse na observação do jogo político e conhecimento da obra de Shakespeare. “Quem não conhece a obra de Shakespeare e não se atentou para os fatos políticos vai entender a trama porque a história que é contada trata de um assunto universal. Mas quem tem referências da dramaturgia e observou os fatos políticos vai perceber mais detalhes”, diz.

O diretor Marcelo Varzea conta que se interessou em participar do projeto porque considera importante preservar a democracia e o poder do voto. “A peça fala de um trono que foi usurpado. Nós, no nosso país, estamos cada vez mais  treinados  a desvendar o que há por trás dos discursos políticos. A peça também favorece este exercício. Faz rir e, principalmente, faz pensar. Este é meu propósito: insuflar a análise crítica, sem a presença de heróis”, diz o diretor.

O texto evita tomar partido por um dos lados da disputa política, fugindo da polarização. Mas expõe os fatos de maneira que o público possa tirar as suas conclusões. Um dos assuntos tratados é a pedalada fiscal, que foi a justificativa para o afastamento da ex-presidente Dilma. As pedaladas foram legalizas dois dias após o impeachment, quando o governo de Michel Temer sancionou mudanças na lei orçamentária. Este fato está parodiado no texto de Fabio como a Cavalgada dos Fiscais.

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Michel III – Uma Farsa à Brasileira
Com Marcelo Diaz, Amazyles de Almeida, Martha Meola, Fabiano Medeiros, Lena Roque e Michel Waisman
Teatro dos Arcos (Rua Jandaia, 218. Bela Vista, São Paulo)
Duração 70 minutos
06 a 28/01
Sábado e Domingo – 19h
Entrada gratuita (entrega de convites no local uma hora antes da sessão)
Classificação 12 anos

FORTES BATIDAS

Criada em 2015 em uma oficina aberta com nove meses de duração no Centro Cultural São Paulo (CCSP), Fortes Batidas conquistou os prêmios APCA (Melhor Espetáculo em Espaço Não Convencional) e São Paulo (Prêmio Especial pela Experimentação Cênica). Nesse longo processo criativo, o diretor Pedro Granato e um robusto time de atores pesquisaram como criar uma experiência imersiva de teatro. Depois de três anos de sucesso, o espetáculo retorna ao porão desse espaço para mais uma temporada entre os dias 23 de janeiro a 7 de fevereiro de 2018.

A montagem, que tem sua trilha sonora reformulada de tempos em tempos, já foi encenada em festivais, como o MIX Brasil de Diversidade Sexual e FIT São José do Rio Preto, e em vários equipamentos culturais, como unidades do Sesc (Pompeia, Sorocaba, Santo Amaro e Belenzinho), CEUs (Pera Marmelo, Três Lagos, Inácio Monteiro, Vila Atlântica, Perus, São Mateus), no Teatro Pequeno Ato, entre outros.

A peça acompanha a noite vivida por 15 jovens, cruzando desejos e entrando em conflitos embalados pelas “fortes batidas” das canções de Karol Conka, Beyoncé, Pablo Vittar e de outros artistas que costumam agitar as pistas da cidade. Amigos que apostam quem consegue ficar com mais meninas, um casal testando o relacionamento aberto e a dificuldade de um rapaz tímido ficar com alguém do mesmo sexo pela primeira vez. A explosiva mistura dos desejos de personagens em busca de sua identidade constrói uma rede de conflitos que envolve a plateia.

O público vive uma experiência que desenha um retrato pulsante dessa geração e coloca no foco questões importantes para toda a sociedade. A homofobia, machismo e intolerância sexual estão no centro do alvo dessas “Fortes Batidas”.

Os ambientes da balada são divididos em variados níveis de plataformas que possibilitam a visibili­dade para a plateia. Mas isso não impede que atores dancem ao lado público e se relacionem com ele criando uma experiência ativa, em que o espectador não “assiste” o espetáculo, está imerso nele.

Em 2017, o texto de “Fortes Batidas” foi lançado em livro pela editora Giostri. A nova temporada da peça é possível graças aos incentivos da 5ª edição do Prêmio Zé Renato de Incentivo ao Teatro.

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Fortes Batidas
Com Ariel Rodrigues, Beatriz Silvei­ra, Bianca Lopresti, Bruno Lourenço, Felipe Aidar, Fernando Vilela, Gabriela Andrade, Ga­briela Gama, Gal Goldwaser, Inês Bushatsky, Ingrid Man­tovan, Laura Vicente, Lia Maria, Mateus Menoni, Mau Ma­chado e Vitor DiCastro.
Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 100 – Paraíso, São Paulo)
Duração 70 minutos
23/01 até 07/02
Terça e Quarta – 20h
Entrada gratuita (distribuição de ingressos uma hora antes de cada apresentação)
Classificação 16 anos