OPUS XV

Um dos maiores coletivos teatrais de São Paulo, a Companhia Antropofágica de Teatro, realizou uma viagem no tempo e em sua história, através de um grande projeto que revisitou todas as suas criações e que agora chega à sua fase final com um novo espetáculo.

O projeto TRAM(A)NTROPOFÁGICA, contemplado na 28ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo, convidou o público para conhecer todo o repertório criado em 15 anos de Companhia. Toda esta jornada resultou na mais nova montagem do grupo chamada Opus XV, que estreia neste fim de semana no Espaço Pyndorama, atual sede do grupo.

O projeto iniciou em 2016 com uma temporada de  sua Trilogia sobre o Brasil, onde a Antropofágica apresentou três espetáculos diferentes por fim de semana, chegando a atingir a lotação máxima do Espaço Pyndorama. Na sequência, com o Programa I: Brazyleirinhas QI, apresentou quatro peças de curta duração por final de semana, todas de autoria exclusivamente brasileira. E encerrou o ano com apresentações do espetáculo “A Tragédia de João e Maria”, na sede da Companhia do Feijão. Já em 2017, abriu novamente as portas de sua sede para apresentar Prometeu Estudo 1.1, terceira montagem da Antropofágica. Com enorme sucesso de público, a temporada teve quase todas suas sessões com lotação máxima do espaço, o que se repetiu com a temporada realizada no Centro Cultural São Paulo, onde o grupo apresentou DESTERRADOS – UR EX DES MACHINE.

Após a temporada de Desterrados, o grupo voltou à sua sede, o Espaço Pyndorama, para apresentar o Programa Buñuel, constituído por duas peças inspiradas na obra de Luis Buñuel Portolés, que foi um dos maiores fazedores de cinema da Espanha e um dos grandes responsáveis por fazer com o que o surrealismo ganhasse o mundo do cinema.  Buñuel, que realizou vários trabalhos em parceria com Salvador Dalí, é também um dos grandes influenciadores da obra de Pedro Almodóvar. A temporada foi formada pelos espetáculos Vyridiana dos Desafortunados e Os Náufragos da Rua Constança. O grupo encerrou essa fase do projeto com uma temporada no Engenho Teatral de MAHAGONNY, MARRAGONI, espetáculo criado em 2014, com o qual o grupo envereda pelo universo fantástico e o teatro de feira, na busca por um teatro não realista.

Além das temporadas de espetáculos, o projeto promoveu os famosos Diálogos Antropofágicos, debates especiais com personalidades da cena artística abordando temas importantes do fazer teatral. Já estiveram presentes nomes como Marcelo Soler (Cia Teatro Documentário), Luciano Carvalho (Grupo Dolores Boca Aberta Mecatronica de Artes), Manoel Ochôa, o crítico teatral José Cetra, Ney Piacentini (Companhia do Latão), Maria Silvia Betti, Zernesto Pessoa (Companhia do Feijão), Rogério Guarapiran, Ana Souto e o professor e pesquisador polonês Michal Kobialka.

O projeto TRAM(A)NTROPOFÁGICA contemplou mais de 140 dias de ações realizadas de Setembro de 2016 a Agosto de 2017, que culmina com a estreia de um novo espetáculo. Após toda essa jornada o grupo convida a população para conhecer Opus XV, que propõe mais uma viagem pela trajetória de 15 anos de trabalho coletivo, com todos os desafios, percalços e contextos históricos inerentes a esse período.

Dona de um extenso processo de criação, estudo, experimentação e um significativo currículo com prêmios e indicações, a Companhia Antropofágica, é um grupo criado em 2002 que tem a antropofagia como princípio motivador de seu processo sócio-artístico. Em 15 anos de trabalho coletivo contínuo destaca-se uma clara opção por pesquisar procedimentos, gêneros, autores e textos ligados à tradição das formas híbridas, muito propícias ao ideal antropófago que nos move. Composta por mais de trinta integrantes – direção, atuação, música, pesquisa, produção, registro – o grupo realiza espetáculos, intervenções artísticas, oficinas e estudos, atuando tanto em sua sede quanto em espaços culturais, escolas públicas e ruas da cidade de São Paulo.

Se programe para participar da fase de encerramento deste potente projeto e conheça a maneira Antropofágica de fazer teatro. Mais detalhes em: www.facebook.com/CiaAntropofagica ou www.antropofagica.com/

SINOPSE – OPUS XV

Máquina de Memória dos quinze anos da Companhia Antropofágica, que desafia a história do grupo na busca por responder aos mecanismos históricos que determinam a própria possibilidade de qualquer existência coletiva. Uma engrenagem teatral projetada para expor suas próprias entranhas, desafiando o individualismo crescente. Como forma de resistência à realidade degradada, a peça crava uma fresta de liberdade entre as determinações objetivas do passado social e as escolhas subjetivas do indivíduo, tornando o espaço do palco em uma plataforma onírica em meio às tensões históricas do tempo presente.​

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Opus XV
Com Cia Antropofagica
Espaço Pyndorama (Rua Turiassú, 481 – Perdizes, São Paulo)
15 a 17/09
Sexta – 20h e 23h, Sábado e Domingo – 15h, 18h e 20h
Entrada gratuita
Classificação 18 anos

BRASILEIRO, PROFISSÃO ESPERANÇA

A Casa do Saber SP apresenta sábado, 16/09, às 12h, grátis, um ciclo de leituras preparadas por grandes nomes do teatro nacional. Nesta edição o púbico vai conferir “Brasileiro, Profissão Esperança”, de Paulo Pontes, com a direção de Débora Dubois.

“Brasileiro, Profissão Esperança”, de Paulo Pontes

Escrita por Paulo Pontes, “Brasileiro, Profissão Esperança” remonta a aura do Rio de Janeiro dos anos 1950, capital brasileira, em todo o seu charme dos sambas-canção nas figuras da compositora e cantora Dolores Duran e do poeta Antonio Maria.

Entre a boemia e o cenário de profundos sentimentos dessa época, que calçou os “anos dourados” do país, Brasileiro, Profissão Esperança foi encenada sempre por grandes nomes do mundo artístico brasileiro – Maria Bethânia e Ítalo Rossi, Clara Nunes e Paulo Gracindo, com montagens de Bibi Ferreira – e faz um retrato doce da alma brasileira e, sobretudo, daquilo que tem sido seu motor desde sempre (e hoje tão em falta): a esperança.

Ciclo de Leituras Teatrais da Casa do Saber:

Idealizado por Maria Fernanda Cândido, atriz e sócia da Casa, cada encontro apresenta a visão e o estilo de cada diretor, buscando, na diversidade de textos e abordagens de interpretação, novos olhares sobre o ofício do teatro e da vida.

A cada encontro, o ciclo de leituras se apresenta também como uma demonstração não apenas da vivacidade e atualidade de cada texto, mas como um representante da força sempre presente da expressão teatral.

Em edições anteriores o Ciclo apresentou “A Lição”, de Eugène Ionesco, com Jô Soares e grande elenco, “Aqui, Fora”, do escritor e diretor Otavio Martins, contando com a interpretação da atriz Denise Del Vecchio, “Articulose”, de Gerald Thomas, “Eva Perón”, de Copi, com Lubi (Luiz Fernando Marques) e o Especial Mauro Rasi com “A Cerimônia do Adeus” e “A Dama do Cerrado”, “Dois Por Um Bordeaux”, de Ed Anderson com a  direção de Francisco Medeiros e no elenco Daniel Alvim, Helena Ranaldi e Tuna Dweck, e  “Quando os Deuses Voltarem”, texto e direção de Mauricio Guilherme e no elenco Fernando Pavão, Giovani Tozi, Rachel Ripani, Ricardo Gelli, e “De Braços Abertos”, de Maria Adelaide Amaral, com a direção de José Possi Neto. 

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Ciclo de Leituras
Brasileiro, Profissão Esperança”, de Paulo Pontes
Com Amanda Acosta e Zeca Balaeiro. Direção Débora Dubois
Casa do Saber (Rua Doutor Mário Ferraz, 414 – Itaim Bibi, São Paulo)
16/09
Sábado – 12h
Entrada gratuita (até 70 lugares)
 

CANTO PARA RINOCERONTES E HOMENS

Será que nós, seres humanos, gostaríamos de virar rinocerontes? Foi a partir desse e de outros questionamentos que o os atores do Teatro do Osso, sob a direção de Rogério Tarifa (Cia do Tijolo e Cia São Jorge de Variedades), iniciaram o processo do espetáculo Canto Para Rinocerontes e Homens, que começa sua temporada  quinta-feira, dia 21 de setembro, às 18h30, na CAIXA Cultural São Paulo.

Partindo da obra O Rinoceronte, de Eugene Ionesco, o ato-espetáculo musical traz para o palco temas como a brutalização do ser humano, a falta de sonhos e a extinção do homem. A montagem, que teve nove meses de ensaio, marca a parceria de Rogério Tarifa, William Guedes e Jonathan Silva, ambos da Cia do Tijolo e vencedores do Prêmio Shell de Teatro.

Na versão de Rogério Tarifa a história é cantada pelos atores, que são acompanhados por um pianista e um percussionista. Para o diretor, o espetáculo é um grande musical com forte diálogo com as artes plásticas e a dança. “Os sete atores formam um grande coro para contar e cantar a história de transformação dos homens em rinocerontes”, explica Tarifa.

Rinocerontes urbanos

O conceito de rinocerontes urbanos marca a montagem de CANTO PARA RINOCERONTES E HOMENS. “Além do texto de Ionesco, outras dramaturgias se incorporaram ao espetáculo e com isso chegamos a esse conceito, onde atualmente as pessoas estão sempre ao ponto de explodir como uma verdadeira bomba”, conta o diretor.

Para isso, Rogério pediu para cada ator criar um solo, onde a transformação de homem em rinoceronte fosse mostrada, sendo que a transformação teria que ter um tema. Crimes de ódio, violência, ensino, trabalho e culto a beleza são alguns temas utilizados pelos atores para virarem, durante o espetáculo, em rinocerontes.

A montagem também abre novas faces em relação ao texto de Ionesco. “O espetáculo é uma livre adaptação da obra e por isso trazemos outros questionamentos, como a própria extinção dos rinocerontes, que acontece atualmente. No nosso final, além de um único homem também sobra um único rinoceronte”, adianta Tarifa.

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Canto para Rinocerontes e Homens
Com Guilherme Carrasco, Isadora Títto, Luísa Valente, Murillo Basso, Renan Ferreira, Rubens Alexandre e Viviane Almeida.
Caixa Cultural São Paulo (Praça da Sé, 111 – Sé, São Paulo)
Duração 200 minutos
21/09 até 01/10
Quinta, Sexta e Sábado – 18h30, Domingo – 17h30
Entrada gratuita (ingressos começam a ser distribuídos na Caixa Cultural a partir das 9h do dia da apresentação).
Classificação: 14 anos.

O 25º CONCURSO DE SOLETRAR

Inspirado na comédia musical norte americana “The 25th Annual Putnam County Spelling Bee“, o musical “O 25º Concurso de Soletrar” conta a história de seis crianças que participam de um concurso de soletrar na escola onde estudam. Apesar de cada um ter seu motivo particular para querer vencer o concurso, pode-se resumir que todos querem ser aceitos e reconhecidos no grupo escolar.

O musical foi inspirado no “Concurso Nacional de Scripps“, um concurso de soletrar americano que surgiu em 1925.

A peça, além de fazer parte da programação do “X Festival Fábrica de Óperas”, é resultado do Trabalho de Conclusão de Curso na Licenciatura em Arte – Teatro do diretor e ator, Caio Bichaff.

O maestro Abel Rocha é o responsável pelo Festival Fábrica de Óperas, que tem como objetivo estudar as intersecções entre o canto e o teatro e encenar óperas e mais recentemente obras de teatro musical.

A equipe criativa é composta por Caio Bichaff (UNESP, Sesi-SP), responsável peladireção geral e cênica. Caio Guimarães (60! Década de Arromba – Doc. Musical, Wicked, Castelo Rá Tim Bum, o Musical) é o diretor musical; e a cenografia é de Luísa Almeida ((Instituto de Artes). Fernanda Brito e Gabriel Boani auxiliam Caio Bichaff na tradução e versão do libreto e das canções.

No elenco estão Amanda Bamonte, Celo Carvalho, Heder Becker, Gustavo Mazzei, Lucas Bamonte, Luiza Arruda, Luiza Francabandiera, Pedro Faraldo e Natália Capucim.

As apresentações ocorrem nos dias 16, 17, 20, 23 e 24 de setembro no Teatro Reynúncio Lima, no Instituto de Artes (R. Dr Bento Teobaldo Ferraz, 271, Barra Funda, São Paulo) às 20hrs. Por ser um exercício teatral – e com isso, não ferir os direitos autorais originais da peça – a entrada é gratuita.

O grupo lançou uma campanha de financiamento coletivo no Catarse. A meta arrecadada cobrirá os gastos de cenografia, figurinos e aluguel de microfone. Você pode conhecer um pouco mais do projeto e colaborar com a campanha no link: http://bit.ly/2v12Mxe.

 

AMARELO DISTANTE

Com dramaturgia e direção de Kiko Rieser e atuação de Mateus Monteiro, o espetáculo solo Amarelo Distante, baseado em dois contos do escritor gaúcho Caio Fernando Abreu (“Lixo e purpurina” e “Anotações sobre um amor urbano”), fala de descobertas, solidão e dor através da história de um jovem e suas experiências em terras estrangeiras. 
 
Nos anos 70, Caio F. se exilou em Londres, onde se deparou com a solidão, a sensação de estrangeirismo, a precariedade em decorrência da falta de dinheiro, sentimentos ambíguos e saudosos do Brasil, da família e dos amores do passado, do presente e possivelmente do futuro. A partir dessas angústias ele escreveu um diário (o conto “Lixo e purpurina”), mistura de ficção e realidade, que é o fio condutor desta história.
 
A peça retorna aos palcos dia 9 de setembro às 21h, no TUSP para temporada gratuita.
 
A DRAMATURGIA
Caio Fernando Abreu é conhecido por um estilo singular e facilmente reconhecível, tanto temática quanto formalmente. Os dois contos em que a peça se baseia, no entanto, são sutis exceções à homogeneidade formal da obra do escritor gaúcho, embora apresentem os mesmos temas que o consagraram. 
 
“Lixo e purpurina” é, talvez, o conto mais seco de Caio, quase exclusivamente narrativo, praticamente despido das fortes emoções que levaram Lígia Fagundes Telles a defini-lo como o escritor da paixão. Estruturado a partir do diário que Caio escreveu em Londres (aglutinando vários fragmentos que misturam ficção e realidade, segundo epígrafe do próprio autor), o conto narra as adversidades enfrentadas em terra estrangeira. Os reincidentes entreveros com policiais, a curta estada na cadeia por roubar um livro, os diversos tipos de trabalho e atividades a que tinha que se submeter para angariar algum dinheiro, os constantes despejos das casas que ocupava com inúmeros outros imigrantes de diferentes países e o enfrentamento do frio e da fome são descritos com objetividade, precisão e por vezes até certo distanciamento. 
 
“Anotações sobre um amor urbano”, por sua vez, é certamente um dos contos mais líricos de Caio. Sem nenhum enredo como base, é apenas a evocação de um amor do passado, constituída por uma sucessão de imagens poéticas que denunciam a solidão, o abandono, o inconciliável hiato entre alteridades, a incapacidade de afirmar plenamente uma identidade, a necessidade de represar desejos e o acúmulo de erros como consequência das inevitáveis escolhas.
A peça não se fixa nos contos, mas parte deles para construir uma fabulação própria. Tendo como fio condutor a estrutura fragmentada de diário, a dramaturgia narra os percalços e demais acontecimentos do auto-exílio em Londres, intercalando-os com evocações de diferentes amores – do presente, do passado e quiçá do futuro – surgidas como válvulas de escape, pequenas fugas psicológicas que tornam possível a sobrevivência em condições tão adversas e que enriquecem, ao menos um pouco, o imaginário desse personagem mergulhado na mais completa miséria material e emocional.
 
A ENCENAÇÃO
Não apenas para potencializar uma peça cujo motor principal é a palavra, mas também buscando expressar no palco a miséria, tanto emocional quanto material, a que é submetido o personagem da peça, foi criada uma encenação minimalista, centrada no trabalho do ator. Sem ações ou gestos cotidianos, passando ao largo do realismo, o espetáculo cria imagens que tentam reproduzir o universo mental do personagem, enquanto narra e revivifica o tempo passado no exílio. Com uma iluminação escura, trabalhando sobre contrastes e criando uma atmosfera brumosa, o palco foi sendo despido dos elementos do cenário criado inicialmente, até chegar ao completo esvaziamento do espaço cênico, apostando, assim, no essencial: o trabalho do ator, ressignificando a palavra dita e materializando-a espacialmente em seu corpo. 

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Amarelo Distante
Com Mateus Monteiro
TUSP – Teatro da Universidade de São Paulo (R. Maria Antônia, 294 – Vila Buarque, São Paulo)
Duração 60 minutos
09/09 até 01/10
Sábado – 20h, Domingo – 18h
Entrada gratuita
Classificação 14 anos
 

RELICÁRIO

Em seu trabalho inaugural, A Musa Heroica Companhia de Teatro apresenta novas possibilidades estéticas e dramatúrgicas para a improvisação. Ao contrário da maioria de espetáculos desse gênero, que geralmente usam jogos de desafios para provocar a risada na plateia, Relicário mostra que também é possível empregar a linguagem do improviso teatral para criar cenas dramáticas, cômicas, naturalistas, etc.

A partir de inspirações fornecidas pelos espectadores de cada sessão, a trupe cria oito histórias curtas sobre o relacionamento entre várias mulheres – mães, filhas, amigas, irmã, colegas de trabalho, vizinhas, amantes – em diferentes situações cotidianas.

As 12 atrizes do elenco se revezam em cena (em trios, quartetos, duplas ou outras combinações) de acordo com as demandas de cada contexto proposto. Elas só sobem ao palco juntas no último quadro, um desafio maior em termos técnicos.

De acordo com a diretora Rhena de Faria, a ideia da peça é lançar um olhar feminino – sem pretensão panfletária ou sexista – sobre a arte de improvisar, que, na América Latina, é majoritariamente dominada por homens. “É ano de quebrarmos paradigmas e abrimos o leque de possibilidades na linguagem improvisacional. Felizmente há muita gente boa em São Paulo trabalhando duramente para que isto aconteça”, diz.

Como não há qualquer script pré-estabelecido, os gestos, as palavras e as mínimas ações das personagens são usados para criar uma dramaturgia totalmente espontânea. Até a iluminação precisa corresponder ao que está sendo representado ou mesmo propor algo que auxilie o elenco no desenvolvimento da narrativa. Por isso, o grupo convidou o iluminador-improvisador Diego Rocha, que já operou a luz de vários espetáculos do gênero, como “Improvável”, da Cia Barbixas de Humor.

Relicário foi contemplado pela 5ª edição do Prêmio Zé Renato de apoio à produção e desenvolvimento da atividade teatral para a cidade de São Paulo.

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Relicário
Com Anah Laise, Carolina Holly, Cimara Fróis, Cintia Portella, Juliana Mesquita, Luciana Esposito, Maíra De Grandi, Michelle Gallindo, Paula Silvestre, Priscila Muniz, Tamara Borges e Vanessa Corrêa
Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)
Duração 55 minutos
01 a 30/09
Sexta – 20h, Sábado – 18h
Entrada grátis (distribuição de ingressos uma hora antes de cada sessão)
Classificação 14 anos

NOITES ÁRABES

“Noites Árabes” é como chamam os ingleses aos contos d´“As Mil e Uma Noites” e dá título também ao primeiro espetáculo do Vila 8, coletivo de pesquisas teatrais criado em 2013 pelo ator, diretor e professor de Artes Cênicas da Unicamp, Eduardo Okamoto. Depois da estreia em Campinas, onde o coletivo é radicado, a temporada paulistana terá início em 28 de agosto, segunda-feira, na Oficina Cultural Oswald de Andrade.

A peça evoca a ancestral necessidade humana de contar histórias. Para isso, fricciona materiais retirados das espantosas histórias contadas por Sahrazad para se manter viva na coletânea d’ “As Mil e Uma Noites” e relatos contemporâneos de guerra de palestinos na Faixa de Gaza. Com isso, o espetáculo reconhece que palestinos parecem atualizar a tradição árabe da narração. Assim, mais que denunciar crimes de guerra, no processo de criação, o Vila 8  procurou entender a ficção como potência: estratégia de combate e sobrevivência. “Esperamos, desta maneira, que nossa cena esteja alicerçada para além do horror das histórias de guerra”, diz Okamoto.

A dramaturgia é da também docente de Artes Cênicas da UNICAMP Isa Kopelman, que equilibra a pesquisa do grupo (improvisações, materiais jornalísticos, histórias em quadrinhos, filmes etc.) com textos retirados da tradição árabe, inclusive o Alcorão.  

Na encenação, os atores-narradores permanecem a peça inteira sobre um tapete de 3mX2m, sem entradas nem saídas. Assim, revezam-se nas tarefas de narrar histórias fantásticas, relatar fatos reais e compor personagens. A cenografia bastante reduzida (econômica em dimensões e no uso de recursos) procura enfatizar a tríade corpo/espaço/palavra como elementos de jogo. 

O músico Marcelo Onofri, que igualmente leciona na UNICAMP, assina a composição da trilha sonora inédita. 

O espetáculo acaba de ser selecionado para o Festival Internacional de Teatro de Tânger, no Marrocos, onde se apresenta em outubro. 

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Noites Árabes
Com Cadu Ramos, Lucas Marcondes, Tess Amorim, Vanessa Petroncari e Virgílio Guasco
Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)
Duração 75 minutos
28/08 até 18/10
Segunda, Terça e Quarta – 20h
Entrada gratuita (retirada de ingressos com uma hora de antecedência)
Classificação 14 anos
 
(12 e 13 de setembro não haverá apresentação – Sessões extras nos dias 21 e 28 de setembro, quintas-feiras, às 20h)