ARQUITETURA EFÊMERA – CONSTRUÇÃO COLETIVA DE UM MONUMENTO DE PAPELÃO

A construção coletiva de um grande monumento arquitetônico da cidade, feita com caixas de papelão, sem ajuda de máquinas ou guindastes, apenas com energia humana e força muscular. Ao final, tudo é desfeito! Os habitantes da cidade têm a oportunidade de se reunir para realizar uma obra surpreendente, efêmera e sem utilidade.

Essa é a proposta do artista francês Olivier Grossetête em Arquitetura Efêmera – Construção Coletiva de um Monumento de Papelão que chega a São Paulo para reproduzir uma construção efêmera da catedral da Sé, a maior igreja da cidade de São Paulo e um dos cinco maiores templos góticos do mundo, no Sesc Parque Dom Pedro II.

O projeto acontece em três etapas: oficinas, construção e desconstrução. As oficinas ocorrem de 23 a 26 de outubro, em dois horários, às 10h30 e às 14h30, com duração de 3 horas cada. O público pode participar de todas ou de apenas uma oficina. Inscrições a partir do dia 03/10 pelo e-mail: oficinas@carmo.sescsp.org.br ou na Central de Atendimento da unidade.

A montagem da construção efêmera da Catedral da Sé acontece no dia 27 de outubro, sábado. Os participantes são convidados a se reunir às 10h para começar a subir a torre. São necessárias cerca de 150 pessoas para cumprir essa etapa. A torre fica em exposição até o dia 4 de novembro, domingo, quando todos podem participar da desmontagem.

O objetivo do projeto é tanto compartilhar a experiência de uma construção coletiva como o resultado final da obra. Ele nos permite recriar conexões uns com os outros, compartilhando momentos em comum. Podemos erguer montanhas ou pelo menos uma construção de um monumento medindo mais de 20 metros de altura e pesando mais de 1 tonelada. Este é um projeto universal que mobiliza jovens e idosos e permite que as pessoas se encontrem e construam alegremente”, fala Olivier Grossetête.

Durante os dias de oficinas, adultos, crianças a partir de 6 anos, idosos de todas as idades e origens são recebidos para preparar elementos específicos da construção. É um momento no qual a abordagem artística é compartilhada e as técnicas usadas para construir são colocadas em prática. As partes específicas são construídas e os elementos do monumento, como telhados, arcos, varandas, são pré-montados. A programação conta com o apoio do Institut Français.

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A construção

Os habitantes da cidade, visitantes e passantes são bem-vindos durante todo o dia para construir o edifício. Os elementos produzidos anteriormente nas oficinas são preparados, novas caixas para completar a torre são construídas e a estrutura vai sendo levantada, andar por andar, etapa por etapa e fixadas com fitas adesivas. “À medida que progredimos, a estrutura se torna mais pesada e demanda mais pessoas para levantá-la. É chegada a hora em que precisamos de todos em seus devidos lugares e o momento chave do projeto quando sentimos a força da energia coletiva”, explica o artista.

A desconstrução

Os participantes são convidados a ajudar na demolição da construção. Ao final, o público é incentivado a pisar e pular em todas as caixas, num momento simbólico de diversão. Participam assim de um evento artístico em que cada um encontra seu lugar, numa performance coletiva.

O fim do projeto também é um momento de festa e alegria. Porém, com reflexão sobre a imagem e simbolismo da arquitetura que explora espaços urbanos e permite trazer questionamentos políticos e sociais.

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Sobre Olivier Grossetête 

Nascido em Paris em 1973, vive em Marselha e trabalha no mundo todo. Estudou na École des Beaux-Arts, em Valence, e através do seu trabalho artístico tenta manter a poesia e os sonhos vivos em nossas vidas cotidianas. Utilizando brincadeiras com falsa ingenuidade, ele enfrenta um determinado contexto para questionar as leis, tanto físicas quanto sociais, que nos governam. Em 2002, criou colagens de documentos administrativos, como notas bancárias, multas de estacionamento e multas ou cartas de recusa com as quais ele invoca a realidade para inventar novas ficções.

Uma outra faceta de seu trabalho se aproxima da escultura, apresentando “objetos poéticos” in loco. Esses funcionam cada um de sua própria maneira, indo e vindo entre sonhos, imagens poéticas e as leis que governam nosso mundo. Com as construções participativas de monumentos feitas de papelão, explora os espaços urbanos e nos permite vivenciá-los juntos.

Grossetête convida os habitantes de uma cidade a se unirem para erguer um prédio utópico, temporário e inútil, feito de papelão e fita adesiva. Para participar de uma experiência artística em que todos encontram seu lugar.

Seja com suas construções de monumentos de papelão usando energia coletiva em torno dele, ou com vias e pontes que desafiam a gravidade ou com seus cortes/colagens negando símbolos autoritários, tenta reverter, pelo menos simbolicamente, o equilíbrio de poder, que nos liga ao mundo, questionando o valor de nossas trocas e de nossos pertences.

 

Arquitetura Efêmera – Construção Coletiva de um Monumento de Papelão

Com Olivier Grossetête

SESC Parque Dom Pedro II (Praça São Vito, s/n – Brás, São Paulo)

23/10 a 04/11

Oficinas: dias 23, 24, 25 e 26/10. Terça a sexta – Inscrições a partir do dia 03/10.

e-mail: oficinas@carmo.sescsp.org.br

Grátis

UM PRESENTE PARA RAMIRO

A importância de se planejar e se organizar para concretizar os sonhos é a principal lição ensinada pelo espetáculo infantojuvenil Um Presente Para Ramiro, com texto e direção de Valdo Resende. Patrocinada pela Visa, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura e do Governo Federal, a peça estreia em uma temporada gratuita pelos CEUs e Fábricas de Cultura, com apresentações já agendadas entre 12 e 31 de outubro. O elenco é formado por Roberto Arduin, Conrado Sardinha, Isadora Petrin, Neusa de Souza e Rogério Barsan.

A trama narra as descobertas de Ramiro em seu aniversário de 12 anos. Na véspera desse dia, seu avô Miguel, que diz ter poderes especiais, entra nos sonhos do neto para descobrir quais são os desejos dele. Depois de perceber que o garoto não aceita ficar sem presentes caros, o avô decide ensiná-lo sobre o valor das coisas.

Com a ajuda da prima Valentina e de Fortuna, um cofre em forma de um porquinho falante, Miguel propõe uma viagem ao passado para apresentar a Ramiro os sonhos e a história de seus pais. A proposta da peça é mostrar o conflito entre o querer e o não poder – presente na realidade de muitas famílias brasileiras – e as possíveis saídas éticas para essa questão.

O trabalho partiu de uma pesquisa sobre como as crianças lidam com a realidade financeira da família, revela o diretor Valdo Resende. “Durante meses nós estudamos esse tema e somamos a isso a nossa experiência em falar com esse público infanto-juvenil e, consequentemente, com os pais, pois são eles que levam os filhos ao teatro. Usamos uma linguagem própria para a idade para mostrar que há um valor real e concreto para as coisas e que precisamos de planejamento, investimento e economia para consegui-las”, comenta.

A encenação evidencia a importância do valor real das coisas e não a importância do ter o que é caro, o que está na moda, o que dá status. Trata, ainda, do egoísmo em contraposição aos valores familiares. Dessa forma, apresenta e valoriza os brinquedos simples, antigos. “Resgatamos alguns brinquedos que estão desaparecidos, mas ainda permeiam o imaginário das pessoas. E a nossa cenografia (assinada por Djair Guilherme) é construída como um brinquedo que se monta e desmonta. Não temos um cenário na própria concepção da palavra, mas elementos cenográficos que vão compondo os ambientes onde as cenas ocorrem. A encenação se baseia em um teatro no qual as ações são construídas a partir do movimento dos atores, a partir da maneira com qual eles manipulam os elementos cenográficos”, explica Resende.

Já os figurinos, assinados por Márcio Araújo, fazem referência a outras cidades e épocas e remetem o espectador a um mundo onírico. “Colocamos a cenografia, os figurinos, os adereços (de Renato Ribeiro) e a trilha sonora original (de Flávio Monteiro) em função do jogo lúdico para ajudar o Ramiro a perceber essa nova realidade em que ele precisa ir além como indivíduo”, acrescenta.

Sobre o projeto

A circulação pela cidade de São Paulo ocorrerá até março de 2019. Escolas públicas, instituições e equipamentos culturais com interesse em receber apresentações gratuitas do espetáculo podem entrar em contato pelos seguintes canais:  lilian@kavantan.com.br ou 11 3023-3040

@umpresentepararamiro (Facebook e Instagram)

Site: umpresentepararamiro.com.br

Sobre a Visa e seu apoio à educação financeira

A produção infantojuvenil Um Presente Para Ramiro é patrocinada pela Visa, reconhecida por desenvolver projetos voltados à educação financeira para crianças, jovens e adultos, por meio do Programa de impacto social Finanças Práticas. A empresa já patrocinou dois outros espetáculos do mesmo tema para crianças e empreendedores, além de ter sido reconhecida pelo selo ENEF (Estratégia Nacional de Educação Financeira) do Banco Central, que comprova a qualidade e a imparcialidade da empresa ao tratar do assunto.

Segundo Sabrina Sciama, diretora de comunicação corporativa da Visa, o espetáculo foi patrocinado pois, além de suas qualidades artísticas, está dentro do espírito do Programa. “Investimos na produção por compartilhar da opinião de que com uma melhor organização e planejamento de suas finanças, todos podem alcançar seus sonhos de uma maneira consciente e responsável”.  “As crianças têm um forte poder de influência dentro de sua casa e podem levar toda sua família a adotar fundamentos aprendidos na peça, como fazer um orçamento e poupar”, acrescenta Sciama.

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Um Presente Para Ramiro

Com Roberto Arduin, Conrado Sardinha, Isadora Petrin, Neusa de Souza e Rogério Barsan

Duração 60 minutos

Entrada Grátis (distribuição uma hora antes da sessão)

Classificação 8 anos

CEU PARAISÓPOLIS – Rua Dr. José Augusto de Souza e Silva, s/n – Jardim Parque Morumbi. Quando: 23 de outubro, às 11h e às 14h. Informações: (11) 3747-1963.

CEU PARQUE BRISTOL – Rua Prof. Artur Primavesi, S/N – Parque Bristol. Quando: 24 de outubro, às 10h30 e às 14h. Informações: (11) 2334-9151.

CEU VILA CURUÇÁ – Avenida Marechal Tito, 3452 – Jardim Miragaia. Quando: 25 de outubro, às 11h e às 14h. Informações: (11) 2563-6100.

CEU PARQUE ANHANGUERA – Rua Pedro José de Lima, 1020 – Anhanguera. Quando: 29 de outubro, às 9h e às 14h. Informações: (11) 3912-6020.

CEU ÁGUA AZUL – Avenida dos Metalúrgicos, 1262 – Cidade Tiradentes. Quando: 31 de outubro, às 10h30 e às 15h. Informações: (11) 3396-3534.

NAÏFS

Inspirados no termo francês Naïf, criado para denominar a arte ingênua e espontânea, a marionetista Daiane Baumgartner e o compositor João Sobral unem suas experiências na performance Naïfs que acontece dia 6 de outubro, sábado, às 15h, no Sesc Parque Dom Pedro II.

Em cena os artistas contam o cotidiano de uma senhora e um músico inventor que toca com sua vassoura, construindo um ambiente poético e lúdico. Por meio da mistura de música, bonecos e dança, entram em cena as alegrias e dores, os anseios e vazios contidos na memória e nas histórias experimentadas pelos dois personagens nos propondo um convite a valorização do nosso dia a dia.

Naïfs é uma mistura poética de teatro de animação, artes plásticas, música e dança. Canções como Felicidade (Lupicínio Rodrigues),Meu Boi, Meu Boi (João Sobral), Juazeiro (Luiz Gonzaga), Leãozinho (Caetano Veloso), entre  outras, promove um emaranhado de sensações contemporâneas que resultam em dança, movimentos, ações e cenas transportando o público para uma viagem entre sonho e a realidade através das imagens construídas.

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Naïfs 

Com Daiane Baumgartner e João Sobral

SESC Parque Dom Pedro II – Área de Exposição (Praça São Vito, s/n – Brás, São Paulo)

Duração 60 minutos

06/10

Sábado – 15h

Grátis

Classificação Livre

DOIS A DUAS

Com muita sensibilidade e sem pieguices, Dois a Duas, de Maria Fernanda de Barros Batalha, investiga a juventude contemporânea e a descoberta da homossexualidade. O espetáculo, dirigido por Erica Montanheiro e Mariá Guedes, estreia no dia 11 de outubro na Oficina Cultural Oswald de Andrade, e segue em cartaz até 17 de novembro, com entrada gratuita.

A trama narra a história de Lígia, uma adolescente que estuda em uma escola particular de São Paulo, onde sua mãe trabalha como bedel. Embora seja uma aluna dedicada e mantenha uma proximidade com a professora de literatura, ela não vê a hora de acabar o ensino médio. Seus melhores amigos, o casal Ana e Márcio, vivem uma conturbada relação. Uma descoberta sobre ela mesma fará com que Lígia tenha seus caminhos transformados.

O elenco é formado pelos atores Bia Toledo, Bruna Betito, Jhenifer Santine, Luis Seixas e Luzia Rosa e pelas musicistas Maria Fernanda de Barros Batalha, Monique Salustiano e Rayra Maciel.

A montagem do texto foi idealizada pela dramaturga Maria Fernanda de Barros Batalha, que convidou a atriz e diretora Erica Montanheiro para dirigir o espetáculo. A primeira leitura pública do texto, ainda em processo de escrita, foi realizada no Teatro Sérgio Cardoso, em 2014. Em 2017, o projeto foi contemplado pelo edital do Proac LGBT.

SOBRE A ENCENAÇÃO, POR ERICA MONTANHEIRO E MARIÁ GUEDES

Dois a Duas nasce, justamente, do desejo da dramaturga, uma mulher lésbica, em comunicar-se com o púbico jovem de forma direta e sem pieguices, conduzindo o espectador a uma verdadeira jornada pelas profundezas do mundo adolescente contemporâneo, levando em conta as intersecções de raça, classe e gênero.

Entendemos que era urgente a produção nacional de materiais artísticos que contemplem a temática jovem e LGBTT, levando em conta o conteúdo, é claro, mas também a pesquisa de formas artísticas e estéticas interessantes e estimulantes para os adolescentes, visando também à formação de público para o teatro. Sabemos que muitos jovens que começam a se descobrir homossexuais, bem como seus colegas heterossexuais, pais e professores que testemunham essas descobertas, crescem completamente sem referências saudáveis de homossexualidade, sem nem saber que existe a possibilidade do amor entre pessoas do mesmo sexo, ou enxergando essa possibilidade como algo antinatural, pois,  infelizmente, as referências artísticas que existem abordando o assunto de forma direta e natural ainda são muito escassas, e em sua maioria, estrangeiras, o que dificulta o acesso, o entendimento e uma real identificação com as questões expostas.

Pensar uma encenação para o público jovem parece uma das propostas mais desafiadoras do nosso momento histórico. O teatro, por ser uma manifestação cultural que é, em sua essência, artesanal, parece ir contra toda a tecnologia disponível ao alcance das mãos. E o universo jovem parece ser algo inatingível, pois as referências mudam com uma rapidez que parece contradizer o tempo mais moroso do fazer teatral. Partimos, assim, de um belo desafio, e nos sentimos Sísifo empurrando a pedra montanha acima, sabendo que ela vai rolar pra baixo no minuto seguinte. E justamente por tudo isso, topamos a empreitada proposta por Maria Fernanda Batalha – jovem dramaturga com qualidades de escrita muito refinadas e pensamento livre, não submissa às expectativas de um padrão heteronormativo patriarcal.

Para encenar esse texto, que possui características cinematográficas e diálogos naturalistas requintados, partimos justamente desta oposição: o arcaísmo do teatro somado aos recursos tecnológicos e ao universo ágil, efêmero e intenso da temática adolescente.  Acompanhando, assim, o ritmo frenético e acelerado da dramaturgia e suas rápidas e constantes mudanças de cenário e contexto e de estado das personagens. Toda a operação de projeções, sons e luz será executada pelos atores em cena, bem como as movimentações dos módulos que compõem o cenário, expondo aos jovens espectadores a teatralidade e simplicidade da linguagem teatral.

O protagonismo de duas mulheres negras e a temática lésbica são elementos que tornam a peça uma afirmação política de onde estamos hoje e de onde queremos estar. Em tempos de declarações fascistas, acreditamos ser necessário reafirmar nossa postura ética através da arte.

Vale reforçar que a equipe técnica de criação é composta essencialmente por mulheres, no intuito de articular coerentemente a temática e o texto as questões de produção hoje / ampliação dos espaços de trabalho as profissionais do teatro.

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Dois a Duas

Com Bia Toledo, Bruna Betito, Jhenifer Santine, Luis Seixas e Luzia Rosa

Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363, Bom Retiro – São Paulo)

11/10 até 17/11

Quinta e Sexta – 20h, Sábado – 18h

Entrada gratuita (distribuídos uma hora antes da sessão)

Classificação 14 anos

GESTA MULLIER

As mulheres que abriram caminho ao longo dos anos de escravidão, abusos e conquistas compõem a narrativa polifônica deste trabalho da Cia Casa da Tia SiréGesta Mullier está em cartaz na Oficina Cultural Oswald de Andrade, com sessões quartas, quintas e sextas-feiras, às 20h e sábados, às 18h. Ingressos grátis.

Com idealização e atuação de Andressa Ferrarezi, projeto vem sendo gestado pela atriz há cerca de seis anos, dentro das oficinas e ações da Cia Casa da Tia Siré. A iniciativa lançou uma provocação acerca dos arquétipos e estereótipos femininos com sete cenas dirigidas por sete diretores diferentes: Georgette FadelRenata ZhanetaNei Gomes, Osvaldo HortencioDaniela GiampietroVera Lamy e Dinho Lima Flor.

São histórias proibidas pela narrativa oficial que carregamos e herdamos. Um retorno ao obscuro útero doméstico que nos gerou e o vislumbre da concepção de um novo mundo. Passam por história que envolvem arquétipos como virgindade, casamento, mulheres subversivas, gravidez, entre outros,” explica Andressa.

Renata Zhaneta trabalhou com a questão da virgem, tratando desde a Virgem Maria até histórias sobre famílias que foram geradas por mulheres indígenas. Nei Gomes se debruçou com o tema da noiva e o que acontece com a mulher após o casamento. Uma das inspirações veio do quadro O Velório da Noiva, da pintora Maria Auxiliadora, e de entrevistas realizadas com outras mulheres. A cena se desenvolve com uma radionovela por meio de uma senhora contando todos os aspectos que a envolveram após o seu casamento, passando por solidão e abandono.

Osvaldo Hortencio ficou com o arquétipo da filha e sobre o sistema de regras que é introjetado na criança e reproduzido quando são adultas. Vera Lamy dirige uma cena que teve como propulsão a prostituição e o aborto. O texto A Infanticida Marie Farrar, de Bertolt Brecht, foi uma das inspirações.

Mulher diaba é o assunto que rege a direção de Daniela Giampietro. Foram pesquisadas as mulheres subversivas de vários tempos. São aquelas que se negaram ao trabalho doméstico, pediram divórcio, que desapareceram por lutar contra o sistema, até chegar a essas mulheres militantes que atuam hoje em movimentos como o Feminista, LGBTQI, Negro entre outros.

O modelo da parteira e da mulher grávida foi orquestrado por Dinho Lima Flor. Na trama, uma mulher decide pelo próprio corpo ao não se sujeitar ao estado ou plano de saúde para fazer suas próprias escolhas.

A cena final é realizada em uma grande árvore, feita pela artista plástica Bel Matos, que simboliza a sabedoria, ancestralidade, evocando conhecimento das curandeiras e benzedeiras, grávidas de conhecimento. Georgette Fadel utiliza esses significados para o prólogo e o epílogo do arquétipo da velha sábia.

A paisagem sonora mescla instrumentos como violoncelo, berimbau, guitarra, viola caipira, moringa. Todas as cenas acontecem dentro de um ninho, instalação de Caio Marinho, que faz uma alusão ao útero materno.

O espetáculo é a última etapa do projeto CompArte: Gestando Poéticas – 10 Anos de Cia. Casa da Tia Siré, contemplado com a 30ª. Edição do Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, que resultou nas montagens dos espetáculos DesPrincesa, Adoráveis Criaturas Repulsivas e Assombrosas.

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Gesta Mullier

Com Andressa Ferrarezi

Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)

Duração 100 minutos

26/09 até 06/10

Quarta, Quinta e Sexta – 20h, Sábado – 18h

Entrada Gratuita (retirar ingresso com 1 hora de antecedência)

Classificação 12 anos

ERA UMA VEZ UM REI

Pombas Urbanas apresenta Era Uma Vez Um Rei no Sesc Carmo/ Praça da Liberdade (14/9) e no SESC Parque Dom Pedro II (16/9).

Com texto de Oscar Castro e dedicada a Lino Rojas, dramaturgo peruano radicado em São Paulo, a montagem mostra a vida de três catadores de papelão, ferro e garrafas que se revezam na condução de seu carrinho. O trabalho vai se transformando numa brincadeira em que, a cada nova semana, um deles se torna rei, depois presidente e, finalmente, ditador.

Cada vez mais envolvidos no jogo, que também ganha intensidade, os catadores se afastam da realidade e entram num universo de fantasia em que o poder e a riqueza são tratados de forma lúdica. Abandonando seus escrúpulos, eles não poupam esforços para dominar e manterem-se no poder.Temas atuais como os 30 anos das “Diretas Já” e os 50 anos do Golpe Militar permeiam o espetáculo.

O grupo vem desenvolvendo uma ampla pesquisa sobre o ator, linguagem e dramaturgia desde 1989. Em sua trajetória contam 13 espetáculos que refletem seu estudo continuo sobre homem e seu meio.

Sinopse

Um grupo de mendigos se encontra num final de tarde da cidade. Com latas, plásticos e papelões criam o espaço onde vivem, descansam e fazem festa. De suas relações nasce uma brincadeira na qual, a cada semana, cada um deles será rei, depois presidente e em seguida ditador. O jogo humano e imaginativo torna-se intenso e esses mendigos saem da realidade em que vivem para representar as relações de poder da mesma sociedade que os marginaliza.

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Era Uma Vez Um Rei

Com Adriano Mauriz, Marcelo Palmares, Paulo Carvalho, Cinthia Arruda, Juliana Flory, Marcos Kaju, Ricardo Big, Natali Santos

Duração 60 minutos

Entrada Gratuita

Praça da Liberdade

Sexta-feira, 14 de setembro, das 15h às 16h

SESC Parque Dom Pedro II (Praça São Vito, s/n – Brás, São Paulo)

Domingo, 16 de setembro, às 15h

 

SENHORA X, SENHORITA Y

Tendo como ponto de partida o texto A mais Forte, de August Strindberg, o espetáculo Senhora X, Senhorita Y estreia dia 6 de setembro, quinta-feira, às 20 horas na Oficina Oswald de Andrade e se debruça sobre alguns dos papéis que a mulher desempenha na sociedade contemporânea.

Com direção geral e dramaturgia de Silvana Garcia e interpretação das atrizes Ana Paula Lopez, Sol Faganello e a performer sonora Camila Couto, que assinam o texto com a encenadora, Senhora X, Senhorita Y é o embate entre duas mulheres, duas atrizes que se enfrentam, se acolhem, se estranham, tendo como enredo as questões que conformam e definem a mulher nos dias de hoje. A peça investiga aspectos muitas vezes contraditórios de inserção social e política feminina, de seus investimentos afetivos e dos agenciamentos simbólicos que a cercam. O foco é a construção do feminino do modo como ele se revela por meio da relação entre mulheres.

Sinopse

Senhora X e Senhorita Y encontram-se em uma casa de chá e entram em conflito ao confrontarem suas vidas. Esse encontro se repete, com variações de humor e grotesco, em outros tempos e em outras circunstâncias, revelando novas possibilidades de compreensão do lugar que cada uma ocupa em relação à outra e em relação à sociedade. A dominante é o humor, o rir de si mesmas, o que, no entanto, não impede que venham à tona os aspectos problemáticos da feminidade e do feminismo. Da competição entre as mulheres à violência doméstica e à orientação de gênero, os temas contemporâneos da experiência de ser mulher atravessam as relações entre as duas atrizes em cena. Não há moldura temporal, nem personagens fixas: no jogo permanente que mantêm entre si, elas estão o tempo todo em movimento, intercambiando papéis, entrando e saindo do jogo, brincando com a plateia, voltando ao texto que deu origem ao espetáculo.

Sobre a peça

A ideia de Senhora X, Senhorita Y nasceu de um estudo sobre A mais forte, de Strindberg. Nessa peça, datada de 1889, o autor sueco dispõe frente à frente uma mulher e sua rival, e faz sucederem temas que as dispõem em lados opostos, acentuando o contraste entre a vida de uma e de outra. Embora seja um monólogo, Strindberg estrutura as falas da Senhora X com maestria tal que podemos “escutar” os argumentos de sua contraparte. Quisemos tornar audível essa contraparte, fazendo falar a Senhorita Y, dando-lhe status de co-protagonista. A partir daí, a sequência de imagens e motivos se sucederam com facilidade.  É o jogo entre as personagens e alguns dos temas de A mais forte que, atualizados, constituem Senhora X, Senhorita Y. Não se trata da peça de Strindberg, mas de uma paráfrase dela. A situação é similar, um possível mesmo cenário, mas, desta vez, as duas figuras debatem, se relacionam, ora são cúmplices, ora se provocam mutuamente, falam delas na intimidade, mas também delas no mundo.

O processo de criação da peça valoriza as criações das atrizes, e partes do texto final ainda preservam improvisos verbais, afiados nos jogos de espelhamento, repetições e precipitações de fala. Nesse sentido, Senhora X, Senhorita Y é um trabalho que exige das atrizes requinte e precisão de desempenho, ao que elas correspondem com a maturidade de intérpretes experientes. Também a serviço do jogo das atrizes, a trilha propõe a investigação de possibilidades sonoras e performáticas a partir da utilização e ressignificação de objetos socialmente relacionados à mulher, elementos que serão explorados ao vivo em cena para a construção das sonoridades.

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Senhora X, Senhorita Y

Com Ana Paula Lopez, Sol Faganello e Camila Couto

Oficina Cultural Oswald de Andrade – sala 07 (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)

Duração  70 minutos

06 a 29/09

Quinta e Sexta – 20h, Sábado – 18h (exceto feriado: dia 7/9 – sexta-feira – 18h)

Entrada Gratuita (ingressos distribuídos com 1 hora de antecedência)

Classificação 14 anos