BOCA DO CÉU – ENCONTRO INTERNACIONAL DE CONTADORES DE HISTÓRIAS

Celebrando o encerramento da oitava edição do BOCA DO CÉU – ENCONTRO INTERNACIONAL DE CONTADORES DE HISTÓRIAS, o Auditório Ibirapuera recebe o espetáculo Todo Nó Cego Eu Desato, dia 25 de maio, sexta-feira, às 20h.
A noite de contos e música reúne artistas convidados, músicos e contadores de histórias. São eles: Ana Sofia Paiva (Portugal), Charlotte Blake Alston (EUA), Clara Morais (BA), Crianças da Oca Escola Cultural (SP), Gabi Guedes (BA), Gabriel Levy (SP), Paulo Freire (SP/BR)), Thomas Howard (SP), Valdeck de Garanhuns (PE/ SP), Vinicius Mazzon (PR) e Vitor Lopes (SP), sob a direção de Regina Machado.
As convidadas internacionais, representam respectivamente a narração oral em Portugal e a tradição narrativa afro americana dos EUA. As crianças da Oca Escola Cultural, de Carapicuíba, trazem seus tambores e a narração de um romance da cultura popular brasileira. A apresentação tem como objetivo apresentar diferentes manifestações da Arte da Palavra presentes na tradição popular brasileira e em outras culturas do mundo.
Criado em 2001, o Boca do Céu é considerado o maior encontro de contadores de histórias do Brasil. A última edição do evento bienal, que ocorreu em 2016, ofereceu atividades com mais de 80 artistas nacionais e 9 contadores estrangeiros, e recebeu 10,3 mil pessoas ao longo de oito dias de programação.
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Boca do Céu – Encontro Internacional de Contadores de Histórias
Com Todo Nó Cego Eu Desato
Auditório Ibirapuera (Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº – Parque do Ibirapuera)
25/05
Sexta – 20h.
Grátis (sujeito à lotação dos espaços)
Classificação Livre

PARA DUAS (ciclo de leituras dramáticas)

A Casa do Saber – São Paulo apresenta no seu Ciclo de Leituras Dramáticas, a peça “Para Duas“, texto de Ed Anderson, sob direção de Elias Andreato, com Chris Couto, Claudio Curi e Karin Rodrigues, no sábado, 26 de maio, a partir do meio dia.

Toda percepção é memória, escreveu Henri Bergson: “Nós só percebemos, praticamente, o passado; o presente puro sendo o inapreensível avanço do passado a roer o futuro”. Ainda que de maneira imperceptível, a vida de cada um é emoldurada por esses vestígios, e lidar com eles se torna uma tarefa ainda mais grave quando eles tomam forma e ressurgem.

Em “Para Duas”, um reencontro entre mãe e filha apresenta uma sensível reflexão sobre escolhas e (o lidar com as) consequências, amor e recusa, solidão e presença, mas também sobre a fragilidade da culpa e do perdão quando o que está em jogo, com a pressão do tempo (sempre escasso) são as verdades que emergem violentamente. Não menos importante, o texto demonstra como é preciso, para ir adiante, reconhecer e aceitar os vincos deixados no tecido da vida.

Casa do Saber apresenta um ciclo de leituras preparadas por grandes nomes do teatro nacional. Idealizado por Maria Fernanda Cândido, atriz e sócia da Casa do Saber, cada encontro apresenta a visão e o estilo de cada diretor, buscando, na diversidade de textos e abordagens de interpretação, novos olhares sobre o ofício do teatro e da vida. A cada encontro, o ciclo de leituras se apresenta também como uma demonstração não apenas da vivacidade e atualidade de cada texto, mas como um representante da força sempre presente da expressão teatral.

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Para Duas (Ciclo de Leituras Teatrais)
Com  Chris Couto, Claudio Curi e Karin Rodrigues
Casa do Saber (R. Dr. Mario Ferraz, 414 – Itaim Bibi, São Paulo)
26/05
Sábado – 12h
Grátis (Inscrições gratuitas pelo site – https://goo.gl/ubHggX , exclusivamente. Vagas limitadas e sujeitas à lotação do espaço)

PELO CANO

‘Pelo Cano’ é um espetáculo de palhaçaria criado a partir da paixão comum das atrizes Paola Musatti e Vera Abbud por esta linguagem. Duas palhaças vivem pequenas situações que revelam sua forma de interagir com o mundo, em geral de forma ridícula e catastrófica. Emily e Manela, chegam para tocar seus instrumentos em troca de moedas, como fazem os músicos e musicistas de rua. A partir daí, uma série de situações inusitadas envolve as palhaças. Elas tentam solucionar essas situações da melhor forma possível. Nem sempre conseguem!

Paola e Vera expõem os conflitos entre duas figuras antagônicas e, poeticamente, complementares. Neste sentido, apoiam-se na dramaturgia tradicional de palhaços. Mas em ‘Pelo Cano’ tais conflitos não se revelam por gags consagradas, típicas do repertório tradicional. No espetáculo, o recurso aos fundamentos clássicos não produz uma estética necessariamente clássica. A roupagem de ‘Pelo Cano’ é contemporânea. E suas gags, além de novas, buscam dialogar com questões também contemporâneas.

Toda a narrativa, que não é linear, é centrada na interação entre a dupla Emily e Manela, e também com o ambiente que as cerca. Através disto, as palhaças revelam suas formas de pensar o mundo, de estar no mundo. Utilizam objetos cotidianos: dinheiro, fita crepe, sifão de pia. Trabalham esses objetos sob formas que escapam da sua função cotidiana e utilitária.

‘Pelo Cano” começou com uma pequena cena de 15min em 2005. Participou de diversos festivais de cenas curtas como Cenas Curtas do Galpão Cine Horto de BH, onde ganhou vários prêmios. Isso motivou as atrizes a criar o espetáculo Pelo Cano. Ao longo desses anos, ‘Pelo Cano’ passou por muitas transformações. Desde sua estreia, cenas inteiras foram suprimidas, outras cenas inéditas entraram, outras ainda tiveram seus lugares mudados, e novas músicas foram acrescentadas à trilha.

Essas mudanças vêm da percepção interna das palhaças de que algo precisa mudar, ou vêm da resposta do público, ou de algum improviso que acontece durante alguma apresentação.

A dupla de palhaças Paola Musatti e Vera Abbud, trabalham juntas há mais de vinte anos, em projetos como Doutores da Alegria, Jogando no quintal, tendo como foco principal a linguagem do palhaço. Optaram neste espetáculo por uma vertente mais

poética do palhaço, com música ao vivo e poucas palavras. Sem dispensar a gargalhada que esta linguagem proporciona. É um espetáculo de palhaço que concebido para todas as faixas etárias, como no circo.

Muitas das cenas desse espetáculo surgiram no trabalho de palhaço em hospital que a dupla desenvolve. Nessas cenas utilizam objetos: dinheiro, fita crepe, sifão de pia.

Trabalham eles de diferentes formas que escapam da sua função cotidiana e utilitária.

Eles ajudam a revelar a inaptidão do palhaço com a vida, sua forma enviesada de resolver as situações e seu dom de transformar a realidade. Por vezes revelam novos espaços, emitem sons que são incorporados às músicas tocadas ao vivo pelas palhaças.

É um espetáculo de palhaço que proporciona poesia e gargalhada para todas as idades. Estão nos ingredientes do espetáculo o riso, a fragilidade, a brincadeira, músicas, mágicas, a liberdade, a transgressão do espaço, do tempo e um tanto de poesia.

 “Graças ao apoio do Fomento ao Circo, conseguimos criar e estruturar uma cena de mágica (quick-change) que fará parte desta temporada. ‘Pelo Cano’ contou com muitos colaboradores durante seus processos de criação e aprimoramento. Entre tais colaboradores encontram-se os palhaços e palhaças dos Doutores da Alegria, do Jogando no Quintal e, principalmente, o palhaço Fernando Sampaio. Esses são profissionais pelos quais nutrimos grande amor e admiração. São parceiros e parceiras com quem partilhamos nossa paixão: o ofício da palhaçaria. Dedicamos o espetáculo aos palhaços e às palhaças de ontem, de hoje, e de sempre!”, diz Paola.

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Pelo Cano
Com Paola Musatti (Palhaça Manela) e Vera Abbud (Palhaça Emily)
Teatro Cacilda Becker (Rua Tito, 295 – Lapa, São Paulo)
Duração 60 minutos
04 a 27/05
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 20h
Grátis
Classificação 12 anos

ADORÁVEIS CRIATURAS REPULSIVAS

A Companhia Casa da Tia Siré estreia seu primeiro espetáculo juvenil, Adoráveis Criaturas Repulsivas no dia 1º de maio, terça-feira, às 18h, na Oficina Cultural Oswald de Andrade. A temporada segue até 23 de maio com sessões sempre às terças e quartas, às 20h, com ingressos gratuitos.

O texto e as músicas são de Juh Vieira, que também assina a direção musical e está em cena ao lado de Andressa FerrareziArthur ChaconBreno BarrosClara KokFelipe Pan Chacon e Glauber Pereira. A direção geral é de Rogério Tarifa.

Dentro de um circo decadente as atrações são criadas e executadas por uma banda de insetos, um corvo e dois palhaços. O jogo entre os palhaços, o Sr. Realejo Amargus (Glauber Pereira) e Tunico (Andressa Ferrarezi) são utilizados para deflagrar a opressão existente no mundo do trabalho.

A ideia para o espetáculo partiu do desejo da Companhia de levar ao palco uma reflexão sobre os vínculos de trabalho questionando esses modos de relação naturalizados na sociedade atual. Adoráveis Criaturas Repulsivas faz uso de bonecos e músicas autorais para tratar sobre as relações sociais estabelecidas e deformadas pelos conceitos neoliberais.  “É uma tentativa de questionamento e provocação sobre essa realidade através da metáfora de um circo decadente e sujo representando esse jogo e sem o apontamento de uma saída”, fala Juh Vieira.

Na trama, o circo Pantaleon está decadente mas o show não pode parar. Os números passam a ser executados por um palhaço desempregado que se oferece para trabalhar no circo em condições precárias. Ele traz em suas confusas memórias as lembranças seu parceiro Sequela, um palhaço que se perdeu no mundo por não caber mais nele.

A dramaturgia do grupo tem como propósito descortinar a tensa relação entre o desenvolvimento humano e esse atual contexto social hostil às práticas coletivas, criativas e lúdicas. Em tempos de forte individualismo, empreendedorismo e fortalecimento do capitalismo, falar de vínculo, afeto e cuidado tornou-se uma ponte para a aproximação do grupo com o público”, completa Andressa Ferrarezi.

Com cerca de 8 músicas compostas para o espetáculo a trilha sonora costura a dramaturgia fazendo a função de um narrador relacionando os temas abordados em cena.

A peça integra o projeto CompArte: Gestando Poéticas – 10 Anos de Cia. Casa da tia Siré, contemplada com a 30ª. Edição do Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, que resultou em duas novas montagens: DesPrincesa e Adoráveis Criaturas Repulsivas e prevê ainda as montagens de Gesta Mullier e Assombrosas – todas com dramaturgia própria. A proposta atual do grupo é dar continuidade a este intercâmbio ampliando as possibilidades de criação com estudos práticos e oficinas.

Sobre a Companhia Casa da Tia Siré

Em 2008, a Cia. Casa da Tia Siré montou o espetáculo Rua Florada, sem saída abordando jogos infantis e rituais de passagem, propondo uma reflexão acerca dos valores e das contradições de um mundo deformado pelos adultos, mas que ainda abriga possibilidades de transformação. O resultado percebido foi uma maior aproximação e uma crescente preocupação com o vínculo afetivo e o cuidado entre pais/mães e filhos/filhas, inclusive, durante as apresentações.

Nestes dez anos de existência da Companhia, alguns procedimentos mostraram-se bastante significativos dentro da proposta de interlocução com crianças, adolescentes e pais. Certas intervenções em espaços públicos e escolas – vivências de brincadeiras e piqueniques coletivos – foram potentes instrumentos de provocação ao reunir crianças e adolescentes no espaço de entrega e brincadeira.

As narrativas e experiências destes interlocutores contribuíram para a criação do pensamento, dos procedimentos e construção de cenas. Os espetáculos, oficinas e estudos do grupo propõe questões relacionadas à formação do individuo como o vínculo afetivo (Gesta Mullier), as questões de gênero (DesPrincesa), crenças e intolerância (Assombrosas), relações sociais (Adoráveis Criaturas Repulsivas) e diversidades culturais. E todo artista ou grupo convidado potencializa as vertentes do projeto com sua experiência artística e/ou militante.

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Adoráveis Criaturas Repulsivas
Com Andressa Ferrarezi, Arthur Chacon, Breno Barros, Clara Kok, Felipe Pan Chacon, Glauber Pereira e Juh Vieira. 
Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)
Duração 80 minutos
01 até 23/05
Terça e Quarta – 20h
Ingresso Grátis (Retirar com 1h de antecedência)
Classificação 12 anos
 
Agendamentos para escolas: Litta Mogoff – 11 99698-7620 e Thaís Campos – 11 99654-0474.

MOLIÈRE – UMA COMÉDIA MUSICAL DE SABINA BERMAN

Uma disputa bem-humorada entre a Comédia, representada por seu mais ilustre autor, Molière (vivido por Matheus Nachtergaele), e a Tragédia, personificada pelo poeta Jean Racine (Elcio Nogueira Seixas) estreia no Teatro do Sesi-SP a partir de 20 de abril. O espetáculo Molière – Uma Comédia Musical de Sabina Berman fica em cartaz até 29 de julho, com entrada gratuita.

Embalada por músicas de Caetano Veloso, executadas ao vivo e com arranjos originais do maestro Gilson Fukushima, montagem faz parte do projeto de intercâmbio cultural promovido pelo Sesi-SP e o Teatro Promíscuo para valorizar a dramaturgia latino-americana. A peça marca a estreia da obra teatral da renomada dramaturga mexicana Sabina Berman no Brasil. O espetáculo é dirigido por Diego Fortes, ganhador do Prêmio Shell em 2017 pelo espetáculo O Grande Sucesso.

Inspirada no próprio teatro de Molière, que fundia vários estilos em uma mesma obra (Commedia Dell’Arte; influências renascentistas e barrocas; humor satírico), a encenação busca integrar linguagens diversas em uma intensa dinâmica cênica.  “A fusão de linguagens de Molière e a autenticidade de suas criações nos possibilitaram misturar cores e texturas com extrema liberdade, procurando sempre uma encenação em que regras pudessem ser quebradas”, diz o diretor Diego Fortes.

Em cena, quatorze atores e músicos vão narrar o inusitado conflito entre formas opostas de pensar o mundo, expressas pelas famosas máscaras do Teatro: uma ri malandramente de tudo e de todos, a outra mostra reverência e temor diante da dor e da morte. O embate épico entre estas duas faces da vida tem como cenário a corte carnavalesca de Luis XIV, o Rei Sol (Nilton Bicudo), na França.

Amado pelo público e favorito do extravagante do rei, Molière trava uma luta tragicômica, com seu aprendiz Racine para manter a posição de dramaturgo mais prestigiado da corte. Enquanto isso, Arcebispo de Paris, grade entusiasta da guerra, Monsenhor Péréfixe (Renato Borghi), tentará se aproveitar do conflito para banir do reino o Teatro e seus artistas, endurecer a censura e lançar a França em uma era de conquistas, violência e sacrifício. É mais nobre fazer o público rir ou chorar? Os artistas devem mostrar o mundo como ele é ou como deveria ser? Porque proibir obras de arte e perseguir seus criadores? Até que ponto aqueles que criam devem submeter-se à vontade daqueles que pagam? Estas são algumas das grandes questões que permeiam o enredo do espetáculo inédito.

O cenário de André Cortez evidencia o jogo de transições entre teatro e realidade ao mesmo tempo em que dissipa os limites entre palco e plateia. O público, enquanto assiste a uma encenação de Molière ou de Racine, também acompanha as reações do Rei Luís XIV e do Arcebispo Péréfixe ao espetáculo. Os figurinos de Karlla Girotto brincam com a ideia irreverente de uma “França Tropical”, ou melhor, de uma delirante “Tropicália Francesa” irrompendo em plena corte absolutista do século XVII.

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Molière – Uma Comédia Musical de Sabina Berman
Com Matheus Nachtergaele, Elcio Nogueira Seixas, Renato Borghi, Nilton Bicudo, Rafael Camargo, Luciana Borghi, Georgette Fadel, Regina França, Marco Bravo, Débora Veneziani, Edith de Camargo, Fábio Cardoso, Maria Fernanda e Beatriz Lima
Teatro do Sesi-SP – Centro Cultural Fiesp (Av. Paulista, 1313 – Jardins, São Paulo)
Duração 120 minutos
20/04 até 29/07
Quinta, Sexta, Sábado – 20h, Domingo – 19h
Grátis. Reserva de ingressos pelo site http://www.centroculturalfiesp.com.br ou remanescentes diretamente na bilheteria do teatro (quarta a sábado, das 13h às 20h30 e domingo, das 11h) nos dias da apresentação.
Classificação 16 anos

BESOURO MUTANTE

Encerrando o projeto de circulação em parques da cidade, o Grupo Namakaca apresenta o espetáculo Besouro Mutante no Parque Piqueri, na Rua Tuiuti, 515, no Tatuapé, Zona Leste, dia 29 de abril, domingo, às 11h, com entrada gratuita.

Formado pelos artistas circenses Cafi OttaDu Circo e Montanha Carvalho, o Grupo Namakaca  foi criado em 2004 com a proposta de ampliar, contribuir e preservar os horizontes da linguagem do palhaço e das artes do circo. Desde então, criaram 7 espetáculos:  É Nóis na XitaZé PreguiçaBesouro MutanteO OmeleteCarlos Felipe em ApurosQuebrando a Bacia e o mais recente espetáculo, O Pavão Misterioso.

Em Besouro Mutante, três vendedores charlatões rodam o mundo divulgando seu incrível produto: o Elixir Besouro Mutante, uma bebida milagrosa capaz de resolver todos os males, físicos e psíquicos. A prova da sua eficácia é a transformação do fusca 73, antes conhecido como Tétano, em uma máquina incrível.

Utilizando suas habilidades circenses, os três caixeiros viajantes tentam convencer a plateia dos poderes de seu produto, transformando até mesmo os próprios espectadores, que descobrirão habilidades que nem imaginavam ter.

Nosso estímulo para este projeto vem ao encontro com tudo de inusitado que podemos oferecer ao público, e também pelo desejo de interferir em locais onde, comumente, os frequentadores não encontram manifestações artísticas”, explica Cafi Otta.

Comemorando 14 anos de trabalho continuo de pesquisa, o trio foi contemplado com o Edital de Apoio a Criação Artística – Linguagem Circo, da Secretaria Municipal de Cultura. O espetáculo passou pelo Parque da Independência (Ipiranga), Parque da AclimaçãoParque Jardim da Luz (Bom Retiro); Parque Raul Seixas (José Bonifácio) e Parque Vila Guilherme (Vila Maria). Além da circulação, o grupo faz uma mostra de repertório no Circo do Beco (até 1º de maio) e diversas atividades formativas com oficinas de malabarismo e de iniciação circense para adultos e crianças.

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Besouro Mutante
Com Grupo Namakaca
Parque Piqueri (Rua Tuiuti, 515 – Tatuapé, São Paulo)
Duração 50 minutos
29/04
Domingo – 11h
Grátis
Classificação Livre

À ESPERA

Com direção de Hugo Coelho, o espetáculo À Espera, de Sérgio Roveri, estreia no dia 11 de maio (sexta, às 20h) na Oficina Cultural Oswald de Andrade.

Com elenco formado por Ella BellissoniJean Dandrah e Regina Maria Remencius, a história traz três personagens que podem estar em qualquer lugar, em qualquer tempo: duas mulheres, sem nenhum tipo de memória acordam todos os dias na mesma hora, à espera de algo – até que um dia recebem a visita inesperada de um homem que veio comemorar um aniversário.

A ação acontece no despertar do que deveria ser um sono profundo, Uma (Remencius) e Outra (Bellissoni) se deparam com o sol que insiste em nascer todos os dias, numa indecifrável realidade. Uma é a mais velha. Não anda, vive na cadeira de rodas, não dorme nunca, não sonha e gosta de falar. À noite, conta os pingos que caem de uma torneira e, durante o dia, ocupa-se ouvindo relatos dos sonhos de Outra. Uma não tem memória, nem lembrança do passado. Outra é jovem e cuida de Uma. Sente medo. Dorme, sonha e inventa sonhos para entreter Uma. Ela também não tem memória de quem foi. Ambas não sabem como foram parar ali e esperam que um dia haja explicação para tamanha espera.

Ele (Dandrah) chega sem avisar para uma festa de aniversário, trazendo duas garrafas de bebida, a promessa de um bolo e algumas histórias. Ele conta que em uma festa já foi capaz de cantar 137 vezes uma mesma canção. Logo após sua chegada, Outra aproveita para sair e conhecer o mundo lá fora, e volta com algumas respostas.

Sérgio Roveri diz que o texto, escrito há cerca de dois anos, foi inspirado em uma imagem do juízo final que sempre o perseguiu, desde criança. “Como seria acordar em um (não) lugar apocalíptico e nada acontecer? Embora não saibam exatamente o que estão fazendo ali, os personagens têm as mesmas inquietações, têm a consciência de que haja algum propósito. Estariam aguardando o tal dia do juízo final?”. Ele explica ainda que, nessa espera atemporal, o que os une talvez seja a esperança. “Eles podem representar o fim, mas nada impede que seja também um início. Ainda que o juízo final seja um conceito muito ligado à religião, não é esta particularidade que o texto aborda“, completa o autor”.

Ao contrário do que seria um espetáculo realista, À Espera coloca o espectador diante da intrigante historia dessas personagens que se encontram em lugar e tempo indefinidos. “Apesar de não terem qualquer pista que as remetam a alguma ideia de tempo e identidade, essas mulheres não se desesperam”, diz Bellissoni. “Ao levar uma existência misteriosamente rotineira, acreditam que algo maior está por acontecer, que alguma coisa pode alterar ou mesmo dar um sentido a um cotidiano tão vazio. Não é uma espera por acomodação. Não tem outra possibilidade”, diz Remencius.

Embora se encontrem em uma situação de contornos extremados, os três personagens podem ser uma metáfora do ser humano diante do risco, do perigo, do desconhecido e, principalmente, diante da necessidade de reconstrução. Abordando a impossibilidade de entendimento da vida, do significado da nossa existência, a peça questiona dois caminhos possíveis, o da desistência ou da possibilidade de enfrentá-la. Para o diretor Hugo Coelho, “À Espera é um texto que induz à reflexão. Não reafirma certezas, propõe questionamentos sobre nossos posicionamentos diante da vida, fazendo do teatro um espaço de reflexão crítica sobre a realidade. A falta de memória – dos personagens assim como da nossa história – nos impossibilita de construirmos uma identidade e decidirmos o nosso destino”.

Sobre a encenação, Sérgio Roveri diz que sua expectativa é estética: ver no palco o olhar do diretor e dos atores para algo que ele, talvez, nem enxergasse ao escrever a peça. “O que me surpreende sempre é a expansão do entendimento”, afirma ele. “À Espera pretende ser um espelho por vezes poético, por vezes trágico, por vezes comovente de um mundo onde aflição e conformismo travam um debate eterno”, finaliza o autor.

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À Espera
Com Ella Bellissoni, Jean Dandrah e Regina Maria Remencius. 
Oficina Cultural Oswald de Andrade – Sala 7 (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)
Duração 60 minutos
11/05 até 07/07 (entre 24/5 a 2/6 não haverá apresentação)
Quinta e Sexta – 20h, Sábado – 16h e 18h
Ingressos: Grátis (retirar com 1h de antecedência)
Classificação 14 anos