70 ANOS DO TBC

Duas leituras cênicas muito especiais vão reunir mais de 30 artistas, entre atores, diretores e técnicos, no aniversário de São Paulo, dia 25, no Auditório da Biblioteca Mário de Andrade, para comemorar também os 70 anos do TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), completados em outubro último e lembrados em premiação recente da APCA.

As leituras serão precedidas de contextualizações históricas e de projeções de fotos, às 14h, apresentadas pela ATBC, sobre as montagens originais no célebre teatro do Bixiga.

Seis horas seguidas, a partir das 14h, serão dedicadas a dois dos maiores diretores do TBC em sua época áurea: o polonês Ziembinski e o paulista Flávio Rangel, com espetáculos emblemáticos que dirigiram, sucessos de crítica e público: “Volpone”, de Ben Jonson, em adaptação de Stefan Zweig; e “A Semente” de Gianfranceso Guarnieri, respectivamente.

A primeira leitura, às 14h30, é de VOLPONE, do autor inglês (elisabetano) BEN JONSON (1572-1637), em adaptação do escritor austríaco Stefan Zweig, com direção de JOHANA ALBUQUERQUE que presta especial homenagem ao diretor Ziembinski e à montagem TBC de 1955. No elenco: Daniel Alvim, Luciano Gatti, Joca Andreazza, Élcio Nogueira Seixas, Cacá Toledo e atores da Cia. Bendita Trupe.

 VOLPONE (termo emprestado da língua italiana, que significa “raposa velha”) foi adaptado em 1925 por Stefan Zweig, o escritor austríaco que viria a se exilar no Brasil durante a 2ª Guerra Mundial. Sua versão serviu como base a muitas das adaptações ocidentais modernas, fazendo muito sucesso na França e na Alemanha. Chegou em 1955 ao TBC por Ziembinski, o ator e diretor polonês que também veio para o Brasil fugido da guerra, em 1940.

Décio de Almeida Prado, crítico que ajudou a formar o público do TBC, assim descreve o texto: “‘Voltore’, ‘Corvino’, ‘Corbaccio – Ben Jonson não teria reunido assim esse bando de aves de rapina se não pretendesse escrever a mais estranha e inesperada das comédias: a comédia da morte”.

A trama é verdadeiramente diabólica: o usurário Volpone é um especialista na arrecadação de riquezas e, para mais amealhar, cria uma armadilha: finge estar agonizante e diverte-se com o desfile de bajuladores que, na expectativa de serem contemplados em seu testamento, o cumulam de favores e se prestam a todas as humilhações.

A montagem, de 1955, elevou Ziembinski a um dos mais prestigiados diretores dentro da cia, como também, foi a revelação de Walmor Chagas como um dos protagonistas do conjunto. De alguma forma, Volpone representou o sucesso e a superação cômica de fatos dramáticos que vinham ocorrendo dentro do TBC: o começo da debandada de suas estrelas, com a saída de Tônia Carrero e Paulo Autran para formarem sua própria companhia; além de um incêndio que destruíra parte das instalações do teatro, assim como o cenário da peça, antes da estreia.

A leitura que encerra as comemorações é de A SEMENTE, de Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006), às 17h,montada em 1961 no TBC.

“A Semente”, que Guarnieri considerava seu melhor texto teatral, marcou uma ocupação do prédio do TBC pelo diretor e pelo elenco, quando, em meio aos ensaios, o empresário Franco Zampari comunicou ao elenco que a legenda TBC estava encerrada. Os atores dormiram no prédio até conseguirem diversos apoios – do governo do Estado, de empresas e da Comissão Estadual de Teatro, bem como dos teatrólogos Décio de Almeida Prado e Alfredo Mesquita, que permitiram o TBC continuar por mais três anos. Foi um esforço conjunto da classe teatral para manterem atividades e mostrarem a peça, que detém um dos processos de censura mais volumosos e extensos do teatro brasileiro, por tratar de organização política e greves operárias e das muitas vezes conturbadas relações dos trabalhadores com o proscrito Partido Comunista Brasileiro. O espetáculo foi liberado diretamente pelo presidente Jânio Quadros, mas depois entravado de novo pela Censura Federal, até ser aprovado para maiores com algumas modificações.

A direção de “A Semente” é de CIBELE FORJAZ (diretora da Cia. Livre de SP, professora no Departamento de Teatro da ECA-USP). A leitura também marca os trinta anos de morte do diretor paulista Flávio Rangel (1934-1988). No elenco estarão Celso Frateschi, Denise Fraga, Lúcia Romano e atores e atrizes colaboradores da Cia. Livre.

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70 Anos do TBC – Leitura Cênica

Auditório da Biblioteca Mário de Andrade (R. da Consolação, 94 – República, São Paulo)

25/01

Sexta – Volpone (14h30) e A Semente (17h)

Grátis, com senhas distribuídas uma hora antes de cada espetáculo.

Classificação 14 anos

Volpone

Com Daniel Alvim, Luciano Gatti, Joca Andreazza, Sérgio Pardal, Elcio Nogueira Seixas, Vera Bonilha, Johana Albuquerque, Cacá Toledo, Luciano Schwab

A Semente

Com Atores-criadores da Cia. Livre e convidados:Adriano Salhab, Elcio Nogueira (à confirmar), Fernanda Haucke, Lucia Romano, Marcos Damigo, Raoni Garcia, Sergio Siviero, Denise Fraga e Celso Frateschi

ERA UMA VEZ UM REI

No próximo domingo, dia 09 de dezembro, às 14h, o Grupo Pandora de Teatro abre as portas de sua sede – a Ocupação Artística Canhoba – para receber uma apresentação especial de “Era uma Vez um Rei”, espetáculo do grupo Pombas Urbanas, que teve à sua frente o saudoso Lino Rojas (1942-2005) e que ao longo de sua trajetória de quase 30 anos ministra cursos de teatro em diversas regiões da periferia de São Paulo, transferindo o conhecimento produzido em sua pesquisa para jovens e adolescentes destas regiões.

O público de Perus poderá conferir a história de um grupo de mendigos que se encontram e acabam por construir, a partir de sucatas, um espaço de convivência onde nasce a brincadeira onde cada um deles vira um rei, um presidente e até um ditador. O jogo humano e imaginativo torna-se intenso e esses mendigos saem da realidade em que vivem para representar as relações de poder da mesma sociedade que os marginaliza.

A apresentação de Era uma Vez um Rei faz parte da ação “Teatro na Canhoba” que compõe as ações do projeto “Reminiscências” do Grupo Pandora de Teatro contemplado pela 30ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo.

A Ocupação Artística Canhoba é um espaço que atualmente é gerido pelo Grupo Pandora de Teatro. Foi construído em 2010 pela Prefeitura de São Paulo para abrigar um Ponto de Leitura da cidade, porém a obra foi paralisada e o espaço nunca chegou a cumprir função social. Abandonado e degradado, acabou virando ponto de encontro de usuários de drogas, trazendo medo e incômodo para a população local.

Em Fevereiro de 2016, com a colaboração dos moradores locais e com a ajuda de diversos coletivos, o Grupo Pandora realizou a revitalização do espaço e o transformou em um polo cultural que recebeu o nome de Ocupação Artística Canhoba – Cine Teatro Pandora.

A população do bairro, até então carente por opções de lazer e cultura na região, passou a ser frequentadora assídua do espaço e a usufruir de atividades como oficinas, debates, exibições de cinema e apresentações artísticas. Hoje, o espaço também é utilizado como sala de ensaio por diferentes coletivos.

Esse espaço vem da demanda de artistas locais e moradores que não aguentavam mais um espaço abandonado na frente de suas casas, sem cumprir nenhuma função social. É comum escutarmos dos moradores ‘Antes eu não passava nem na frente deste lugar, agora me sinto convidado a entrar e participar’”, conta Lucas Vitorino, do Grupo Pandora.

Desde a sua criação, o espaço estabeleceu uma grande conexão com o território que o cerca e com a população local, assim como o Grupo Pandora, formado predominantemente por moradores de Perus.

Em 2018 o Grupo Pandora de Teatro comemora 14 anos de um trabalho contínuo de pesquisa e criação teatral no bairro de Perus, fortalecendo parcerias com polos culturais, artistas da região e com a própria população.

Compõe seu repertório também o espetáculo “Relicário de Concreto” (2013) inspirado nas memórias dos trabalhadores da Fábrica de Cimento Portland Perus e na Greve dos Queixadas, que ocorreu na Fábrica e durou sete anos. Além de ter lançado um livro chamado “Efêmero Concreto – Trajetória do Grupo Pandora de Teatro” organizado por Thalita Duarte e Lucas Vitorino, que destaca as ações do grupo fomentando a cultura no bairro e atuando em prol da revitalização da Fábrica de Cimento Portland Perus. Recentemente o grupo estreou sua nova montagem chamada COMUM, que teve um enorme sucesso de público e de crítica. O espetáculo tem como eixo norteador o período ditatorial brasileiro e a descoberta da vala clandestina do Cemitério Dom Bosco em 1990, local que fica a cerca de 2 quilômetros da sede do grupo em Perus – a Ocupação Artística Canhoba. Uma vala comum com mais de mil ossadas, onde foram identificados desaparecidos políticos e cidadãos mortos pela violência da ditadura militar.

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Era Uma Vez Um Rei

Com Pombas Urbanas

Ocupação Artística Canhoba – Cine Teatro Pandora (Rua Canhoba, 299 – Praça Canhoba, próx. à caixa d’água em Perus, São Paulo)

Duração não informada

09/12

Domingo – 14h

Grátis

A FABULOSA CHARANGA DOS EXCÊNTRICOS

A Fabulosa Charanga dos Excêntricos se apresenta no Sesc Parque Dom Pedro II!

É uma banda composta por palhaços e palhaças excêntricos que são responsáveis pela trilha musical e sonoplastia desse grande espetáculo. Os cômicos da Charanga tocam trombone, trompete, saxofone, surdo, repiques e instrumentos inusitados. Além da performance do sensacional homem-banda.

O espetáculo exalta a beleza e a simplicidade do palhaço, que tocam os instrumentos e o coração do público por meio de reprises tradicionais e números que integram a música como elemento principal, criando uma performance repleta de risos, sonoridades e poesias.

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A Fabulosa Charanga dos Excêntricos

Com Palombar Circo Teatro

SESC Parque Dom Pedro II – Tenda Arquibancada (Praça São Vito, s/n – Brás, São Paulo)

Duração não informada

16/12

Domingo – 16h

Grátis

Classificação Livre

ARQUITETURA EFÊMERA – CONSTRUÇÃO COLETIVA DE UM MONUMENTO DE PAPELÃO

A construção coletiva de um grande monumento arquitetônico da cidade, feita com caixas de papelão, sem ajuda de máquinas ou guindastes, apenas com energia humana e força muscular. Ao final, tudo é desfeito! Os habitantes da cidade têm a oportunidade de se reunir para realizar uma obra surpreendente, efêmera e sem utilidade.

Essa é a proposta do artista francês Olivier Grossetête em Arquitetura Efêmera – Construção Coletiva de um Monumento de Papelão que chega a São Paulo para reproduzir uma construção efêmera da catedral da Sé, a maior igreja da cidade de São Paulo e um dos cinco maiores templos góticos do mundo, no Sesc Parque Dom Pedro II.

O projeto acontece em três etapas: oficinas, construção e desconstrução. As oficinas ocorrem de 23 a 26 de outubro, em dois horários, às 10h30 e às 14h30, com duração de 3 horas cada. O público pode participar de todas ou de apenas uma oficina. Inscrições a partir do dia 03/10 pelo e-mail: oficinas@carmo.sescsp.org.br ou na Central de Atendimento da unidade.

A montagem da construção efêmera da Catedral da Sé acontece no dia 27 de outubro, sábado. Os participantes são convidados a se reunir às 10h para começar a subir a torre. São necessárias cerca de 150 pessoas para cumprir essa etapa. A torre fica em exposição até o dia 4 de novembro, domingo, quando todos podem participar da desmontagem.

O objetivo do projeto é tanto compartilhar a experiência de uma construção coletiva como o resultado final da obra. Ele nos permite recriar conexões uns com os outros, compartilhando momentos em comum. Podemos erguer montanhas ou pelo menos uma construção de um monumento medindo mais de 20 metros de altura e pesando mais de 1 tonelada. Este é um projeto universal que mobiliza jovens e idosos e permite que as pessoas se encontrem e construam alegremente”, fala Olivier Grossetête.

Durante os dias de oficinas, adultos, crianças a partir de 6 anos, idosos de todas as idades e origens são recebidos para preparar elementos específicos da construção. É um momento no qual a abordagem artística é compartilhada e as técnicas usadas para construir são colocadas em prática. As partes específicas são construídas e os elementos do monumento, como telhados, arcos, varandas, são pré-montados. A programação conta com o apoio do Institut Français.

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A construção

Os habitantes da cidade, visitantes e passantes são bem-vindos durante todo o dia para construir o edifício. Os elementos produzidos anteriormente nas oficinas são preparados, novas caixas para completar a torre são construídas e a estrutura vai sendo levantada, andar por andar, etapa por etapa e fixadas com fitas adesivas. “À medida que progredimos, a estrutura se torna mais pesada e demanda mais pessoas para levantá-la. É chegada a hora em que precisamos de todos em seus devidos lugares e o momento chave do projeto quando sentimos a força da energia coletiva”, explica o artista.

A desconstrução

Os participantes são convidados a ajudar na demolição da construção. Ao final, o público é incentivado a pisar e pular em todas as caixas, num momento simbólico de diversão. Participam assim de um evento artístico em que cada um encontra seu lugar, numa performance coletiva.

O fim do projeto também é um momento de festa e alegria. Porém, com reflexão sobre a imagem e simbolismo da arquitetura que explora espaços urbanos e permite trazer questionamentos políticos e sociais.

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Sobre Olivier Grossetête 

Nascido em Paris em 1973, vive em Marselha e trabalha no mundo todo. Estudou na École des Beaux-Arts, em Valence, e através do seu trabalho artístico tenta manter a poesia e os sonhos vivos em nossas vidas cotidianas. Utilizando brincadeiras com falsa ingenuidade, ele enfrenta um determinado contexto para questionar as leis, tanto físicas quanto sociais, que nos governam. Em 2002, criou colagens de documentos administrativos, como notas bancárias, multas de estacionamento e multas ou cartas de recusa com as quais ele invoca a realidade para inventar novas ficções.

Uma outra faceta de seu trabalho se aproxima da escultura, apresentando “objetos poéticos” in loco. Esses funcionam cada um de sua própria maneira, indo e vindo entre sonhos, imagens poéticas e as leis que governam nosso mundo. Com as construções participativas de monumentos feitas de papelão, explora os espaços urbanos e nos permite vivenciá-los juntos.

Grossetête convida os habitantes de uma cidade a se unirem para erguer um prédio utópico, temporário e inútil, feito de papelão e fita adesiva. Para participar de uma experiência artística em que todos encontram seu lugar.

Seja com suas construções de monumentos de papelão usando energia coletiva em torno dele, ou com vias e pontes que desafiam a gravidade ou com seus cortes/colagens negando símbolos autoritários, tenta reverter, pelo menos simbolicamente, o equilíbrio de poder, que nos liga ao mundo, questionando o valor de nossas trocas e de nossos pertences.

 

Arquitetura Efêmera – Construção Coletiva de um Monumento de Papelão

Com Olivier Grossetête

SESC Parque Dom Pedro II (Praça São Vito, s/n – Brás, São Paulo)

23/10 a 04/11

Oficinas: dias 23, 24, 25 e 26/10. Terça a sexta – Inscrições a partir do dia 03/10.

e-mail: oficinas@carmo.sescsp.org.br

Grátis

UM PRESENTE PARA RAMIRO

A importância de se planejar e se organizar para concretizar os sonhos é a principal lição ensinada pelo espetáculo infantojuvenil Um Presente Para Ramiro, com texto e direção de Valdo Resende. Patrocinada pela Visa, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura e do Governo Federal, a peça estreia em uma temporada gratuita pelos CEUs e Fábricas de Cultura, com apresentações já agendadas entre 12 e 31 de outubro. O elenco é formado por Roberto Arduin, Conrado Sardinha, Isadora Petrin, Neusa de Souza e Rogério Barsan.

A trama narra as descobertas de Ramiro em seu aniversário de 12 anos. Na véspera desse dia, seu avô Miguel, que diz ter poderes especiais, entra nos sonhos do neto para descobrir quais são os desejos dele. Depois de perceber que o garoto não aceita ficar sem presentes caros, o avô decide ensiná-lo sobre o valor das coisas.

Com a ajuda da prima Valentina e de Fortuna, um cofre em forma de um porquinho falante, Miguel propõe uma viagem ao passado para apresentar a Ramiro os sonhos e a história de seus pais. A proposta da peça é mostrar o conflito entre o querer e o não poder – presente na realidade de muitas famílias brasileiras – e as possíveis saídas éticas para essa questão.

O trabalho partiu de uma pesquisa sobre como as crianças lidam com a realidade financeira da família, revela o diretor Valdo Resende. “Durante meses nós estudamos esse tema e somamos a isso a nossa experiência em falar com esse público infanto-juvenil e, consequentemente, com os pais, pois são eles que levam os filhos ao teatro. Usamos uma linguagem própria para a idade para mostrar que há um valor real e concreto para as coisas e que precisamos de planejamento, investimento e economia para consegui-las”, comenta.

A encenação evidencia a importância do valor real das coisas e não a importância do ter o que é caro, o que está na moda, o que dá status. Trata, ainda, do egoísmo em contraposição aos valores familiares. Dessa forma, apresenta e valoriza os brinquedos simples, antigos. “Resgatamos alguns brinquedos que estão desaparecidos, mas ainda permeiam o imaginário das pessoas. E a nossa cenografia (assinada por Djair Guilherme) é construída como um brinquedo que se monta e desmonta. Não temos um cenário na própria concepção da palavra, mas elementos cenográficos que vão compondo os ambientes onde as cenas ocorrem. A encenação se baseia em um teatro no qual as ações são construídas a partir do movimento dos atores, a partir da maneira com qual eles manipulam os elementos cenográficos”, explica Resende.

Já os figurinos, assinados por Márcio Araújo, fazem referência a outras cidades e épocas e remetem o espectador a um mundo onírico. “Colocamos a cenografia, os figurinos, os adereços (de Renato Ribeiro) e a trilha sonora original (de Flávio Monteiro) em função do jogo lúdico para ajudar o Ramiro a perceber essa nova realidade em que ele precisa ir além como indivíduo”, acrescenta.

Sobre o projeto

A circulação pela cidade de São Paulo ocorrerá até março de 2019. Escolas públicas, instituições e equipamentos culturais com interesse em receber apresentações gratuitas do espetáculo podem entrar em contato pelos seguintes canais:  lilian@kavantan.com.br ou 11 3023-3040

@umpresentepararamiro (Facebook e Instagram)

Site: umpresentepararamiro.com.br

Sobre a Visa e seu apoio à educação financeira

A produção infantojuvenil Um Presente Para Ramiro é patrocinada pela Visa, reconhecida por desenvolver projetos voltados à educação financeira para crianças, jovens e adultos, por meio do Programa de impacto social Finanças Práticas. A empresa já patrocinou dois outros espetáculos do mesmo tema para crianças e empreendedores, além de ter sido reconhecida pelo selo ENEF (Estratégia Nacional de Educação Financeira) do Banco Central, que comprova a qualidade e a imparcialidade da empresa ao tratar do assunto.

Segundo Sabrina Sciama, diretora de comunicação corporativa da Visa, o espetáculo foi patrocinado pois, além de suas qualidades artísticas, está dentro do espírito do Programa. “Investimos na produção por compartilhar da opinião de que com uma melhor organização e planejamento de suas finanças, todos podem alcançar seus sonhos de uma maneira consciente e responsável”.  “As crianças têm um forte poder de influência dentro de sua casa e podem levar toda sua família a adotar fundamentos aprendidos na peça, como fazer um orçamento e poupar”, acrescenta Sciama.

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Um Presente Para Ramiro

Com Roberto Arduin, Conrado Sardinha, Isadora Petrin, Neusa de Souza e Rogério Barsan

Duração 60 minutos

Entrada Grátis (distribuição uma hora antes da sessão)

Classificação 8 anos

CEU PARAISÓPOLIS – Rua Dr. José Augusto de Souza e Silva, s/n – Jardim Parque Morumbi. Quando: 23 de outubro, às 11h e às 14h. Informações: (11) 3747-1963.

CEU PARQUE BRISTOL – Rua Prof. Artur Primavesi, S/N – Parque Bristol. Quando: 24 de outubro, às 10h30 e às 14h. Informações: (11) 2334-9151.

CEU VILA CURUÇÁ – Avenida Marechal Tito, 3452 – Jardim Miragaia. Quando: 25 de outubro, às 11h e às 14h. Informações: (11) 2563-6100.

CEU PARQUE ANHANGUERA – Rua Pedro José de Lima, 1020 – Anhanguera. Quando: 29 de outubro, às 9h e às 14h. Informações: (11) 3912-6020.

CEU ÁGUA AZUL – Avenida dos Metalúrgicos, 1262 – Cidade Tiradentes. Quando: 31 de outubro, às 10h30 e às 15h. Informações: (11) 3396-3534.

NAÏFS

Inspirados no termo francês Naïf, criado para denominar a arte ingênua e espontânea, a marionetista Daiane Baumgartner e o compositor João Sobral unem suas experiências na performance Naïfs que acontece dia 6 de outubro, sábado, às 15h, no Sesc Parque Dom Pedro II.

Em cena os artistas contam o cotidiano de uma senhora e um músico inventor que toca com sua vassoura, construindo um ambiente poético e lúdico. Por meio da mistura de música, bonecos e dança, entram em cena as alegrias e dores, os anseios e vazios contidos na memória e nas histórias experimentadas pelos dois personagens nos propondo um convite a valorização do nosso dia a dia.

Naïfs é uma mistura poética de teatro de animação, artes plásticas, música e dança. Canções como Felicidade (Lupicínio Rodrigues),Meu Boi, Meu Boi (João Sobral), Juazeiro (Luiz Gonzaga), Leãozinho (Caetano Veloso), entre  outras, promove um emaranhado de sensações contemporâneas que resultam em dança, movimentos, ações e cenas transportando o público para uma viagem entre sonho e a realidade através das imagens construídas.

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Naïfs 

Com Daiane Baumgartner e João Sobral

SESC Parque Dom Pedro II – Área de Exposição (Praça São Vito, s/n – Brás, São Paulo)

Duração 60 minutos

06/10

Sábado – 15h

Grátis

Classificação Livre

DOIS A DUAS

Com muita sensibilidade e sem pieguices, Dois a Duas, de Maria Fernanda de Barros Batalha, investiga a juventude contemporânea e a descoberta da homossexualidade. O espetáculo, dirigido por Erica Montanheiro e Mariá Guedes, estreia no dia 11 de outubro na Oficina Cultural Oswald de Andrade, e segue em cartaz até 17 de novembro, com entrada gratuita.

A trama narra a história de Lígia, uma adolescente que estuda em uma escola particular de São Paulo, onde sua mãe trabalha como bedel. Embora seja uma aluna dedicada e mantenha uma proximidade com a professora de literatura, ela não vê a hora de acabar o ensino médio. Seus melhores amigos, o casal Ana e Márcio, vivem uma conturbada relação. Uma descoberta sobre ela mesma fará com que Lígia tenha seus caminhos transformados.

O elenco é formado pelos atores Bia Toledo, Bruna Betito, Jhenifer Santine, Luis Seixas e Luzia Rosa e pelas musicistas Maria Fernanda de Barros Batalha, Monique Salustiano e Rayra Maciel.

A montagem do texto foi idealizada pela dramaturga Maria Fernanda de Barros Batalha, que convidou a atriz e diretora Erica Montanheiro para dirigir o espetáculo. A primeira leitura pública do texto, ainda em processo de escrita, foi realizada no Teatro Sérgio Cardoso, em 2014. Em 2017, o projeto foi contemplado pelo edital do Proac LGBT.

SOBRE A ENCENAÇÃO, POR ERICA MONTANHEIRO E MARIÁ GUEDES

Dois a Duas nasce, justamente, do desejo da dramaturga, uma mulher lésbica, em comunicar-se com o púbico jovem de forma direta e sem pieguices, conduzindo o espectador a uma verdadeira jornada pelas profundezas do mundo adolescente contemporâneo, levando em conta as intersecções de raça, classe e gênero.

Entendemos que era urgente a produção nacional de materiais artísticos que contemplem a temática jovem e LGBTT, levando em conta o conteúdo, é claro, mas também a pesquisa de formas artísticas e estéticas interessantes e estimulantes para os adolescentes, visando também à formação de público para o teatro. Sabemos que muitos jovens que começam a se descobrir homossexuais, bem como seus colegas heterossexuais, pais e professores que testemunham essas descobertas, crescem completamente sem referências saudáveis de homossexualidade, sem nem saber que existe a possibilidade do amor entre pessoas do mesmo sexo, ou enxergando essa possibilidade como algo antinatural, pois,  infelizmente, as referências artísticas que existem abordando o assunto de forma direta e natural ainda são muito escassas, e em sua maioria, estrangeiras, o que dificulta o acesso, o entendimento e uma real identificação com as questões expostas.

Pensar uma encenação para o público jovem parece uma das propostas mais desafiadoras do nosso momento histórico. O teatro, por ser uma manifestação cultural que é, em sua essência, artesanal, parece ir contra toda a tecnologia disponível ao alcance das mãos. E o universo jovem parece ser algo inatingível, pois as referências mudam com uma rapidez que parece contradizer o tempo mais moroso do fazer teatral. Partimos, assim, de um belo desafio, e nos sentimos Sísifo empurrando a pedra montanha acima, sabendo que ela vai rolar pra baixo no minuto seguinte. E justamente por tudo isso, topamos a empreitada proposta por Maria Fernanda Batalha – jovem dramaturga com qualidades de escrita muito refinadas e pensamento livre, não submissa às expectativas de um padrão heteronormativo patriarcal.

Para encenar esse texto, que possui características cinematográficas e diálogos naturalistas requintados, partimos justamente desta oposição: o arcaísmo do teatro somado aos recursos tecnológicos e ao universo ágil, efêmero e intenso da temática adolescente.  Acompanhando, assim, o ritmo frenético e acelerado da dramaturgia e suas rápidas e constantes mudanças de cenário e contexto e de estado das personagens. Toda a operação de projeções, sons e luz será executada pelos atores em cena, bem como as movimentações dos módulos que compõem o cenário, expondo aos jovens espectadores a teatralidade e simplicidade da linguagem teatral.

O protagonismo de duas mulheres negras e a temática lésbica são elementos que tornam a peça uma afirmação política de onde estamos hoje e de onde queremos estar. Em tempos de declarações fascistas, acreditamos ser necessário reafirmar nossa postura ética através da arte.

Vale reforçar que a equipe técnica de criação é composta essencialmente por mulheres, no intuito de articular coerentemente a temática e o texto as questões de produção hoje / ampliação dos espaços de trabalho as profissionais do teatro.

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Dois a Duas

Com Bia Toledo, Bruna Betito, Jhenifer Santine, Luis Seixas e Luzia Rosa

Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363, Bom Retiro – São Paulo)

11/10 até 17/11

Quinta e Sexta – 20h, Sábado – 18h

Entrada gratuita (distribuídos uma hora antes da sessão)

Classificação 14 anos