NAÏFS

Inspirados no termo francês Naïf, criado para denominar a arte ingênua e espontânea, a marionetista Daiane Baumgartner e o compositor João Sobral unem suas experiências na performance Naïfs que acontece dia 6 de outubro, sábado, às 15h, no Sesc Parque Dom Pedro II.

Em cena os artistas contam o cotidiano de uma senhora e um músico inventor que toca com sua vassoura, construindo um ambiente poético e lúdico. Por meio da mistura de música, bonecos e dança, entram em cena as alegrias e dores, os anseios e vazios contidos na memória e nas histórias experimentadas pelos dois personagens nos propondo um convite a valorização do nosso dia a dia.

Naïfs é uma mistura poética de teatro de animação, artes plásticas, música e dança. Canções como Felicidade (Lupicínio Rodrigues),Meu Boi, Meu Boi (João Sobral), Juazeiro (Luiz Gonzaga), Leãozinho (Caetano Veloso), entre  outras, promove um emaranhado de sensações contemporâneas que resultam em dança, movimentos, ações e cenas transportando o público para uma viagem entre sonho e a realidade através das imagens construídas.

CARMEN

Naïfs 

Com Daiane Baumgartner e João Sobral

SESC Parque Dom Pedro II – Área de Exposição (Praça São Vito, s/n – Brás, São Paulo)

Duração 60 minutos

06/10

Sábado – 15h

Grátis

Classificação Livre

DOIS A DUAS

Com muita sensibilidade e sem pieguices, Dois a Duas, de Maria Fernanda de Barros Batalha, investiga a juventude contemporânea e a descoberta da homossexualidade. O espetáculo, dirigido por Erica Montanheiro e Mariá Guedes, estreia no dia 11 de outubro na Oficina Cultural Oswald de Andrade, e segue em cartaz até 17 de novembro, com entrada gratuita.

A trama narra a história de Lígia, uma adolescente que estuda em uma escola particular de São Paulo, onde sua mãe trabalha como bedel. Embora seja uma aluna dedicada e mantenha uma proximidade com a professora de literatura, ela não vê a hora de acabar o ensino médio. Seus melhores amigos, o casal Ana e Márcio, vivem uma conturbada relação. Uma descoberta sobre ela mesma fará com que Lígia tenha seus caminhos transformados.

O elenco é formado pelos atores Bia Toledo, Bruna Betito, Jhenifer Santine, Luis Seixas e Luzia Rosa e pelas musicistas Maria Fernanda de Barros Batalha, Monique Salustiano e Rayra Maciel.

A montagem do texto foi idealizada pela dramaturga Maria Fernanda de Barros Batalha, que convidou a atriz e diretora Erica Montanheiro para dirigir o espetáculo. A primeira leitura pública do texto, ainda em processo de escrita, foi realizada no Teatro Sérgio Cardoso, em 2014. Em 2017, o projeto foi contemplado pelo edital do Proac LGBT.

SOBRE A ENCENAÇÃO, POR ERICA MONTANHEIRO E MARIÁ GUEDES

Dois a Duas nasce, justamente, do desejo da dramaturga, uma mulher lésbica, em comunicar-se com o púbico jovem de forma direta e sem pieguices, conduzindo o espectador a uma verdadeira jornada pelas profundezas do mundo adolescente contemporâneo, levando em conta as intersecções de raça, classe e gênero.

Entendemos que era urgente a produção nacional de materiais artísticos que contemplem a temática jovem e LGBTT, levando em conta o conteúdo, é claro, mas também a pesquisa de formas artísticas e estéticas interessantes e estimulantes para os adolescentes, visando também à formação de público para o teatro. Sabemos que muitos jovens que começam a se descobrir homossexuais, bem como seus colegas heterossexuais, pais e professores que testemunham essas descobertas, crescem completamente sem referências saudáveis de homossexualidade, sem nem saber que existe a possibilidade do amor entre pessoas do mesmo sexo, ou enxergando essa possibilidade como algo antinatural, pois,  infelizmente, as referências artísticas que existem abordando o assunto de forma direta e natural ainda são muito escassas, e em sua maioria, estrangeiras, o que dificulta o acesso, o entendimento e uma real identificação com as questões expostas.

Pensar uma encenação para o público jovem parece uma das propostas mais desafiadoras do nosso momento histórico. O teatro, por ser uma manifestação cultural que é, em sua essência, artesanal, parece ir contra toda a tecnologia disponível ao alcance das mãos. E o universo jovem parece ser algo inatingível, pois as referências mudam com uma rapidez que parece contradizer o tempo mais moroso do fazer teatral. Partimos, assim, de um belo desafio, e nos sentimos Sísifo empurrando a pedra montanha acima, sabendo que ela vai rolar pra baixo no minuto seguinte. E justamente por tudo isso, topamos a empreitada proposta por Maria Fernanda Batalha – jovem dramaturga com qualidades de escrita muito refinadas e pensamento livre, não submissa às expectativas de um padrão heteronormativo patriarcal.

Para encenar esse texto, que possui características cinematográficas e diálogos naturalistas requintados, partimos justamente desta oposição: o arcaísmo do teatro somado aos recursos tecnológicos e ao universo ágil, efêmero e intenso da temática adolescente.  Acompanhando, assim, o ritmo frenético e acelerado da dramaturgia e suas rápidas e constantes mudanças de cenário e contexto e de estado das personagens. Toda a operação de projeções, sons e luz será executada pelos atores em cena, bem como as movimentações dos módulos que compõem o cenário, expondo aos jovens espectadores a teatralidade e simplicidade da linguagem teatral.

O protagonismo de duas mulheres negras e a temática lésbica são elementos que tornam a peça uma afirmação política de onde estamos hoje e de onde queremos estar. Em tempos de declarações fascistas, acreditamos ser necessário reafirmar nossa postura ética através da arte.

Vale reforçar que a equipe técnica de criação é composta essencialmente por mulheres, no intuito de articular coerentemente a temática e o texto as questões de produção hoje / ampliação dos espaços de trabalho as profissionais do teatro.

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Dois a Duas

Com Bia Toledo, Bruna Betito, Jhenifer Santine, Luis Seixas e Luzia Rosa

Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363, Bom Retiro – São Paulo)

11/10 até 17/11

Quinta e Sexta – 20h, Sábado – 18h

Entrada gratuita (distribuídos uma hora antes da sessão)

Classificação 14 anos

GESTA MULLIER

As mulheres que abriram caminho ao longo dos anos de escravidão, abusos e conquistas compõem a narrativa polifônica deste trabalho da Cia Casa da Tia SiréGesta Mullier está em cartaz na Oficina Cultural Oswald de Andrade, com sessões quartas, quintas e sextas-feiras, às 20h e sábados, às 18h. Ingressos grátis.

Com idealização e atuação de Andressa Ferrarezi, projeto vem sendo gestado pela atriz há cerca de seis anos, dentro das oficinas e ações da Cia Casa da Tia Siré. A iniciativa lançou uma provocação acerca dos arquétipos e estereótipos femininos com sete cenas dirigidas por sete diretores diferentes: Georgette FadelRenata ZhanetaNei Gomes, Osvaldo HortencioDaniela GiampietroVera Lamy e Dinho Lima Flor.

São histórias proibidas pela narrativa oficial que carregamos e herdamos. Um retorno ao obscuro útero doméstico que nos gerou e o vislumbre da concepção de um novo mundo. Passam por história que envolvem arquétipos como virgindade, casamento, mulheres subversivas, gravidez, entre outros,” explica Andressa.

Renata Zhaneta trabalhou com a questão da virgem, tratando desde a Virgem Maria até histórias sobre famílias que foram geradas por mulheres indígenas. Nei Gomes se debruçou com o tema da noiva e o que acontece com a mulher após o casamento. Uma das inspirações veio do quadro O Velório da Noiva, da pintora Maria Auxiliadora, e de entrevistas realizadas com outras mulheres. A cena se desenvolve com uma radionovela por meio de uma senhora contando todos os aspectos que a envolveram após o seu casamento, passando por solidão e abandono.

Osvaldo Hortencio ficou com o arquétipo da filha e sobre o sistema de regras que é introjetado na criança e reproduzido quando são adultas. Vera Lamy dirige uma cena que teve como propulsão a prostituição e o aborto. O texto A Infanticida Marie Farrar, de Bertolt Brecht, foi uma das inspirações.

Mulher diaba é o assunto que rege a direção de Daniela Giampietro. Foram pesquisadas as mulheres subversivas de vários tempos. São aquelas que se negaram ao trabalho doméstico, pediram divórcio, que desapareceram por lutar contra o sistema, até chegar a essas mulheres militantes que atuam hoje em movimentos como o Feminista, LGBTQI, Negro entre outros.

O modelo da parteira e da mulher grávida foi orquestrado por Dinho Lima Flor. Na trama, uma mulher decide pelo próprio corpo ao não se sujeitar ao estado ou plano de saúde para fazer suas próprias escolhas.

A cena final é realizada em uma grande árvore, feita pela artista plástica Bel Matos, que simboliza a sabedoria, ancestralidade, evocando conhecimento das curandeiras e benzedeiras, grávidas de conhecimento. Georgette Fadel utiliza esses significados para o prólogo e o epílogo do arquétipo da velha sábia.

A paisagem sonora mescla instrumentos como violoncelo, berimbau, guitarra, viola caipira, moringa. Todas as cenas acontecem dentro de um ninho, instalação de Caio Marinho, que faz uma alusão ao útero materno.

O espetáculo é a última etapa do projeto CompArte: Gestando Poéticas – 10 Anos de Cia. Casa da Tia Siré, contemplado com a 30ª. Edição do Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, que resultou nas montagens dos espetáculos DesPrincesa, Adoráveis Criaturas Repulsivas e Assombrosas.

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Gesta Mullier

Com Andressa Ferrarezi

Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)

Duração 100 minutos

26/09 até 06/10

Quarta, Quinta e Sexta – 20h, Sábado – 18h

Entrada Gratuita (retirar ingresso com 1 hora de antecedência)

Classificação 12 anos

ERA UMA VEZ UM REI

Pombas Urbanas apresenta Era Uma Vez Um Rei no Sesc Carmo/ Praça da Liberdade (14/9) e no SESC Parque Dom Pedro II (16/9).

Com texto de Oscar Castro e dedicada a Lino Rojas, dramaturgo peruano radicado em São Paulo, a montagem mostra a vida de três catadores de papelão, ferro e garrafas que se revezam na condução de seu carrinho. O trabalho vai se transformando numa brincadeira em que, a cada nova semana, um deles se torna rei, depois presidente e, finalmente, ditador.

Cada vez mais envolvidos no jogo, que também ganha intensidade, os catadores se afastam da realidade e entram num universo de fantasia em que o poder e a riqueza são tratados de forma lúdica. Abandonando seus escrúpulos, eles não poupam esforços para dominar e manterem-se no poder.Temas atuais como os 30 anos das “Diretas Já” e os 50 anos do Golpe Militar permeiam o espetáculo.

O grupo vem desenvolvendo uma ampla pesquisa sobre o ator, linguagem e dramaturgia desde 1989. Em sua trajetória contam 13 espetáculos que refletem seu estudo continuo sobre homem e seu meio.

Sinopse

Um grupo de mendigos se encontra num final de tarde da cidade. Com latas, plásticos e papelões criam o espaço onde vivem, descansam e fazem festa. De suas relações nasce uma brincadeira na qual, a cada semana, cada um deles será rei, depois presidente e em seguida ditador. O jogo humano e imaginativo torna-se intenso e esses mendigos saem da realidade em que vivem para representar as relações de poder da mesma sociedade que os marginaliza.

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Era Uma Vez Um Rei

Com Adriano Mauriz, Marcelo Palmares, Paulo Carvalho, Cinthia Arruda, Juliana Flory, Marcos Kaju, Ricardo Big, Natali Santos

Duração 60 minutos

Entrada Gratuita

Praça da Liberdade

Sexta-feira, 14 de setembro, das 15h às 16h

SESC Parque Dom Pedro II (Praça São Vito, s/n – Brás, São Paulo)

Domingo, 16 de setembro, às 15h

 

SENHORA X, SENHORITA Y

Tendo como ponto de partida o texto A mais Forte, de August Strindberg, o espetáculo Senhora X, Senhorita Y estreia dia 6 de setembro, quinta-feira, às 20 horas na Oficina Oswald de Andrade e se debruça sobre alguns dos papéis que a mulher desempenha na sociedade contemporânea.

Com direção geral e dramaturgia de Silvana Garcia e interpretação das atrizes Ana Paula Lopez, Sol Faganello e a performer sonora Camila Couto, que assinam o texto com a encenadora, Senhora X, Senhorita Y é o embate entre duas mulheres, duas atrizes que se enfrentam, se acolhem, se estranham, tendo como enredo as questões que conformam e definem a mulher nos dias de hoje. A peça investiga aspectos muitas vezes contraditórios de inserção social e política feminina, de seus investimentos afetivos e dos agenciamentos simbólicos que a cercam. O foco é a construção do feminino do modo como ele se revela por meio da relação entre mulheres.

Sinopse

Senhora X e Senhorita Y encontram-se em uma casa de chá e entram em conflito ao confrontarem suas vidas. Esse encontro se repete, com variações de humor e grotesco, em outros tempos e em outras circunstâncias, revelando novas possibilidades de compreensão do lugar que cada uma ocupa em relação à outra e em relação à sociedade. A dominante é o humor, o rir de si mesmas, o que, no entanto, não impede que venham à tona os aspectos problemáticos da feminidade e do feminismo. Da competição entre as mulheres à violência doméstica e à orientação de gênero, os temas contemporâneos da experiência de ser mulher atravessam as relações entre as duas atrizes em cena. Não há moldura temporal, nem personagens fixas: no jogo permanente que mantêm entre si, elas estão o tempo todo em movimento, intercambiando papéis, entrando e saindo do jogo, brincando com a plateia, voltando ao texto que deu origem ao espetáculo.

Sobre a peça

A ideia de Senhora X, Senhorita Y nasceu de um estudo sobre A mais forte, de Strindberg. Nessa peça, datada de 1889, o autor sueco dispõe frente à frente uma mulher e sua rival, e faz sucederem temas que as dispõem em lados opostos, acentuando o contraste entre a vida de uma e de outra. Embora seja um monólogo, Strindberg estrutura as falas da Senhora X com maestria tal que podemos “escutar” os argumentos de sua contraparte. Quisemos tornar audível essa contraparte, fazendo falar a Senhorita Y, dando-lhe status de co-protagonista. A partir daí, a sequência de imagens e motivos se sucederam com facilidade.  É o jogo entre as personagens e alguns dos temas de A mais forte que, atualizados, constituem Senhora X, Senhorita Y. Não se trata da peça de Strindberg, mas de uma paráfrase dela. A situação é similar, um possível mesmo cenário, mas, desta vez, as duas figuras debatem, se relacionam, ora são cúmplices, ora se provocam mutuamente, falam delas na intimidade, mas também delas no mundo.

O processo de criação da peça valoriza as criações das atrizes, e partes do texto final ainda preservam improvisos verbais, afiados nos jogos de espelhamento, repetições e precipitações de fala. Nesse sentido, Senhora X, Senhorita Y é um trabalho que exige das atrizes requinte e precisão de desempenho, ao que elas correspondem com a maturidade de intérpretes experientes. Também a serviço do jogo das atrizes, a trilha propõe a investigação de possibilidades sonoras e performáticas a partir da utilização e ressignificação de objetos socialmente relacionados à mulher, elementos que serão explorados ao vivo em cena para a construção das sonoridades.

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Senhora X, Senhorita Y

Com Ana Paula Lopez, Sol Faganello e Camila Couto

Oficina Cultural Oswald de Andrade – sala 07 (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)

Duração  70 minutos

06 a 29/09

Quinta e Sexta – 20h, Sábado – 18h (exceto feriado: dia 7/9 – sexta-feira – 18h)

Entrada Gratuita (ingressos distribuídos com 1 hora de antecedência)

Classificação 14 anos

VERSÃO NA PRAÇA

Nos dias 4 e 5 de agosto, o Espaço Cultural Porto Seguro apresenta a nova edição do projeto Versão na Praça. O evento traz artistas da cena contemporânea cantando sucessos de seus ídolos. São dois shows no período da tarde e um show infantil pela manhã, além da feira itinerante Mercado Buenos Artes, com uma seleção especial de designers, artistas, estilistas, ilustradores e produtores de comidas e bebidas artesanais, durante todo o dia e muita música com o Dj Formiga. A entrada é gratuita.

No sábado (4/8), às 11h, a Banda Mirim apresenta o novo show “Música para Criança?”, com canções de todos os espetáculos da trupe. Às 14h, o grupo vocal Cantrix, formado por Renata Ricci, Luciana Bollina, Livia Graciano e Yael Pecarovich, cantam composições de Gilberto Gil. Às 16h, a cantora e atriz Laura Lobo (que integrou o elenco de musicais como “Les Miserables”, “A Família Addams”, “O Despertar da Primavera” e “Cats”) interpreta sucessos de Christina Aguilera, inspirada em performances e trabalhos de destaque na carreira da norte-americana.

No domingo (5/8), quem abre a programação, às 11h, é Carlos Navas com as músicas que Chico Buarque e Vinicius de Moraes dedicaram às crianças. Elis Regina ganha homenagem da atriz Carol Bezerra, às 14h. Carol interpretou a Pimentinha, apelido dado a Elis por Vinicius de Moraes, no espetáculo musical “Jair Em Disparada” (2012). Às 16h, é a vez da atriz Thalita Pertuzatti fazer seu tributo a Whitney Houston, encerrando a programação do fim de semana. Thalita foi finalista da primeira edição do programa “The Voice Brasil”, em 2012, e campeã do programa Raul Gil, em 2009.

O evento é para toda a família, inclusive o seu bichinho de estimação. Quem vier de transporte coletivo pode usar vans gratuitamente, tanto para chegar ao Espaço Cultural quanto para voltar. Elas saem da Estação da Luz, acesso pela saída da Rua José Paulino/Parque da Luz.

CARMEN

Versão na Praça
Dias 4 e 5 de agosto – sábado e domingo – das 10h às 18h
Na praça do Espaço Cultural Porto Seguro (Alameda Barão de Piracicaba, 610 – Campos Elíseos, São Paulo).
Entrada gratuita, não é necessária retirada de ingressos.
Classificação etária: livre.

4 de agosto – sábado
11h – Banda Mirim – Música para Criança?
14h – Cantrix canta Gilberto Gil
16h – Laura Lobo canta Cristina Aguilera

5 de agosto – domingo
11h – Chico e Vinicius para Crianças – Carlos Navas
14h – Carol Bezerra canta Elis Regina
16h – Thalita Pertuzatti canta Whitney Houston

DIÁLOGOS SOBRE A LOUCURA

O espetáculo ‘Diálogos Sobre a Loucura’, segundo trabalho do grupo Performatron, nasce a partir de um processo de pesquisa de dois anos realizado em instituições psiquiátricas do país. A peça estreia na próxima segunda-feira, 02 de julho, às 20h, na Oficina Cultural Oswald de Andrade em temporada até 15 de agosto, sempre às segundas, terças e quartas, às 20h. No espetáculo, um grupo de jovens médicos que atua em um hospital psiquiátrico no Rio de Janeiro em plena ditadura militar, vê-se obrigado a tomar uma atitude drástica quando são demitidos arbitrariamente de suas funções.

Contemplado pelo ProAC – Primeiras Obras de Teatro em 2017, o espetáculo busca refletir sobre a construção social da loucura, a partir da fricção entre materiais documentais e as experiências vividas pelos artistas do grupo durante o processo. Durante o período de pesquisas práticas, realizadas no Instituto Nise da Silveira, no Rio de Janeiro, e em unidades do CAPS na cidade de São Paulo, foram realizadas diversas conversas com portadores de transtornos psiquiátricos, profissionais da área da saúde e familiares, além do registro por meio de textos, vídeos e gravações das impressões dos atores, que participaram de oficinas de teatro, eventos institucionais e reuniões de equipe nessas instituições.

Desde sua formação, no ano de 2014, o grupo Performatron investiga as possibilidades de ampliação e ressignificação de material documental através da pesquisa em comunidades específicas. Em seu primeiro trabalho, São Paulo Refúgio, depoimentos, cartas e entrevistas concedidas por refugiados e imigrantes foram revisitados em ensaios colaborativos e confrontados com as experiências pessoais dos atores, que estiveram também durante dois anos imersos em ocupações, mesquitas e instituições de auxílio a imigrantes. A partir desses encontros com grupos em situação de vulnerabilidade, o grupo busca sempre estabelecer novas possibilidades desenvolver suas criações artísticas diretamente atreladas com questões sociais e políticas da sociedade atual.

Em ‘Diálogos Sobre a Loucura’, o amplo espectro da loucura é abordado pelo viés do sistema público de saúde mental do país. Durante a pesquisa prática, o grupo percebeu a necessidade de reflexão sobre as consequências sociais de modelos psiquiátricos que encarceram e desumanizam portadores de transtornos mentais. Foram explorados, ainda, elementos fundamentais que permeiam a discussão, como o papel da indústria farmacêutica, a reinserção social de pacientes advindos de longos períodos de internação e os impactos de decisões políticas nesses processos.

O desenvolvimento da dramaturgia e a ação ficcional do espetáculo tomou como uma base um acontecimento histórico conhecido como “Crise da DINSAM (Divisão Nacional de Saúde Mental)”, quando, em 1978, três jovens médicos decidem denunciar no livro de registro o que acontece no Centro Psiquiátrico Pedro II, no Rio de Janeiro. O psiquiatra Paulo Amarante, também entrevistado nesse processo, explica:

Em 1978, comecei a trabalhar na Dinsam e notei ausência de médicos nos plantões, deficiências nutricionais nos internos, violência (a maior parte das mortes causada por cortes, pauladas, não investigadas e atribuídas a outros pacientes). Investigamos, e as conclusões deram muito problema. Outra denúncia era da existência de presos políticos em hospitais psiquiátricos, inclusive David Capistrano, pai, um dos fundadores do Partido Comunista (Radis 143) – e existem fortes indícios de que era ele mesmo. Havia médicos psiquiatras envolvidos em tortura e desaparecimento de presos políticos – a Colônia Juliano Moreira [no Rio] tinha um pavilhão onde só entravam militares. Fui chamado na sede da Dinsam e demitido, com mais dois colegas. Oito pessoas, entre elas, Pedro Gabriel Delgado e Pedro Silva, organizaram um abaixo-assinado em solidariedade a nós. Depois, mais 263 pessoas foram demitidas. Isso caracterizou um movimento. Conseguimos manter a crise da Dinsam, como chamávamos, na imprensa por mais de seis meses.

O grupo, inteiramente formado por jovens em torno dos 25 anos de idade, traz em seu discurso e no discurso de seus personagens, o dilema de uma geração que é incapaz de agir ativamente diante da catástrofe social e política que assola o país.

Principalmente depois da grave crise política atual, percebe-se que os dilemas de 1978 não estão tão distantes de nós e encontrar o modo de trazer isso para o espetáculo foi o grande desafio dessa criação. Encontrar os diálogos possíveis entre 1978 e 2018, jovens médicos e jovens artísticas, o hospício e o teatro, se mostrou um processo extremamente trabalhoso, porém gratificante, uma vez que hoje é possível enxergar no espetáculo não apenas as vozes dos artistas e de um jovem grupo de teatro da cidade de São Paulo, mas, sobretudo, das inúmeras vozes silenciadas em instituições psiquiátricas do país”, acrescenta Dess.

Ainda que a reforma psiquiátrica implantada em 2001 no Brasil objetive o fim dos manicômios, é notório que algumas instituições psiquiátricas ainda permanecem reproduzindo o mesmo modelo de encarceramento do século passado. “Durante o período de pesquisa para o desenvolvimento do espetáculo foi possível notar como alguns modelos enrijecidos de gestão são capazes fomentar a marginalização e estigmatização do paciente psiquiátrico. Buscando construir uma crítica a esses modelos, foi tomado como base um acontecimento histórico do passado, porém perfeitamente capaz de dialogar com os tempos atuais. Entende-se que para compreender os sistemas de regem o Brasil atual, é necessário olhar para como esses sistema foram construídos no passado e é isso que ‘Diálogos Sobre a Loucura’  e o Performatron buscam fazer, complementa o diretor.

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Diálogos Sobre a Loucura

Com André de Saboya, Augusto Caliman, Elise Garcia, Ériko Carvalho e Gabriela Moraes

Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro – São Paulo)

Duração 130 minutos

02/07 até 15/08

Segunda, Terça, Quarta – 20h

Ingressos gratuitos distribuídos 1h antes do início do espetáculo.

Classificação 14 anos

*30 e 31 de julho e 01 de agosto não haverá espetáculo

**2 e 16 de julho, às 21h, e 9 de julho, às 19h.