NÚCLEO DE PESQUISAS 2017 – GRUPO XIX DE TEATRO

Como parte das ações para manutenção do trabalho e pesquisa do novo projeto, o Grupo XIX de Teatro promove abertura de processos do Núcleo de Pesquisas 2017. A programação com cinco peças inéditas acontece de 29 de Julho a 12 de setembro na,Vila Maria Zélia, com entrada gratuita.

Feminino Abjeto (direção de Janaina Leite), In Cômodos (direção de Juliana Sanches), Plantar Cavalos Para Colher Sementes(direção de Ronaldo Serruya), Invenção Do Eu (direção de Rodolfo Amorim) e A Palavra e o Abismo (direção de Luiz Fernando Marques) são resultado das oficinas ministradas pelos integrantes do grupo entre fevereiro e julho de 2017.

Os núcleos são coletivos formados a partir de seleções – que já chegaram a atingir o número de 600 inscritos-, que ao longo do ano e sob a orientação dos artistas do Grupo XIX de Teatro, desenvolvem pesquisas nas áreas de atuação, direção, dramaturgia, corpo e direção de arte. No total mais de mil artistas já participaram destas atividades e delas surgiram novos coletivos teatrais.

Desde 2005, o Grupo XIX de Teatro desenvolve projeto de oficinas gratuitas de longa duração que tem como objetivo o intercâmbio entre artistas de diversas formações, assim como estudantes de artes, e interessados em vivenciar uma experiência artística.

Programação dos espetáculos:

Feminino Abjeto_Mostra Núcleos de Pesquisa do Grupo XIX de Teatro 2017_Foto Jonatas Marques_95

FEMININO ABJETO

De 29 de julho a 6 de agosto – Sábados às 20h e domingos às 19h.

Com orientação de Janaina Leite, o núcleo se apoiou sobre a obra da artista espanhola Angélica Liddell e sobre o conceito de “abjeção” proposto por Julia Kristeva para investigar as representações do feminino hoje. Para essa abertura de processo, o grupo trabalhou a partir de quatro disparadores tomados de obras de Liddell: Minha Relação com a ComidaFuck You Mother,Eu Não Sou Bonita e O Que Farei Com Essa Espada?

Ficha técnica:

Direção: Janaina Leite. Assitência de direção: Tatiana Caltabiano. Dramaturgismo: Tatiana Ribeiro. Atrizes/performers/autoras: Ana Laís Azanha, Bruna Betito, Cibele Bissoli, Débora Rebecchi, Emilene Gutierrez, Florido,  Gilka Verana, Juliana Piesco, Letícia Bassit, Maíra Maciel, Olívia Lagua, Ramilla Souza e Sol Faganello. Duração: 80 minutos. Classificação etária: 18 anos.

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A Palavra e o Abismo_Mostra Núcleos de Pesquisa do Grupo XIX de Teatro 2017_Foto Jonatas Marques_52

A PALAVRA E O ABISMO

De 12 a 20 de agosto – Sábados e domingo às 16h.

Com orientação de Luiz Fernando Marques a partir do texto Destinos, de Paulo Emílio Salles Gomes (escrito e encenado na Vila Maria Zélia em 1936), o núcleo desenvolveu uma pesquisa que une esta dramaturgia pré-elaborada com uma dinâmica de improviso. No texto duas/dois e irmãs/irmãos discordam das questões políticas e comportamentais de seu tempo, aflitos com as escolhas, próprias e do outro,  influenciando em seus destinos.  No experimento, atrizes, atores e público se divertem entre a palavra e o abismo.

Ficha técnica:

Direção: Luiz Fernando Marques. Co-direção: Paulo Arcuri. Participantes: Alexandre Quintas, Ayiosha Avellar, Carlin Franco, Carlitos Tostes, Carol Kern, Eduardo Pires, Fernanda Stein, Joana Pegorari, Larissa Morais, Leticia Tavares, Luiz Rodrigues, Priscila Jácomo, Mariana Cordeiro Serra, Mariel Fernandes e Tatiana Vinhais. Duração: 70 minutos. Classificação etária: 16 anos.

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Invenção do Eu_Foto Jonatas Marques

INVENÇÃO DO EU

De 22 de agosto a 12 de setembro – Terças-feiras às 15h e 16h.

Com orientação de Rodolfo Amorim a proposta do núcleo foi a investigação em torno da ideia de um “eu” e de que como este pode ser revelado e/ou inventado a partir de nossas memórias. Por meio de questionários, observações, imersões, breves narrativas, entre outras experimentações, o grupo buscou desnudar-se e abrir-se para o contato com o outro, como um caminho para revelar-se a si mesmo.

O grupo formulou algumas estratégias para criar dispositivos cênicos que anseiam por fazer com que o público vivencie algumas dessas experiências e atue neste rito de descobrir e inventar quem é ou o que é este “eu” que nos define.

Ficha técnica:

Direção: Rodolfo Amorim. Participantes: Alberto Magno, Bruno Rocha, Camila Spinola, Érica Arnaldo, Fernanda Möller, Iago Índio do Brasil, Jean Le Guévellou, Julia Diniz, Kaline Barboza, Leo Braz, Manuel Fabrício, Marcella Piccin, Paula Medeiros, Paulo Maeda e Rafael Theophilo. Duração: 60 minutos. Classificação etária: 14 anos.

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Plantar cavalos para colher sementes_Mostra Núcleos de Pesquisa do Grupo XIX de Teatro 2017_Foto Jonatas Marques_289

PLANTAR CAVALOS PARA COLHER SEMENTES

De 24 a 28 de agosto – Quinta, sexta, sábado e segunda-feira às 21h e domingo às 20h.

Orientado por Ronaldo Serruya a performance é livremente inspirada no manifesto Falo Por Minha Diferença do ativista chileno Pedro Lemebel.  A ideia é criar uma peça-manifesto onde cada artista traduz em cena seu lugar de fala, revelando a vivência como algo que se inscreve no corpo e na carne, a experiência como discurso.

Ficha técnica:

Direção: Ronaldo Serruya. Assistência de direção: Bruno Canabarro. Participantes: Ailton Barros, Ana Vitória Prudente, Bruno Canabarro, Bruno Piva, Camila Couto, Carlos Jordão, Cristina Maluli, Gabi Costa, Gil Gobbato, Hebert Luz, Isabela Marioti, Jonathan Moreira, Lua Lucas, Mateus Menezes, Mayra Bertazzoni, Patrícia Cretti, Tatiana Ribeiro, Thaís Sanches Thiago Félix e Tomás Decina. Duração: 80 minutos. Classificação etária: 18 anos.

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In Cômodos_Mostra Núcleos de Pesquisa do Grupo XIX de Teatro 2017_Foto Jonatas Marques_59

IN CÔMODOS

De 26 de agosto a 3 de setembro – Sábados às 19h e domingos às 15h.

Com orientação de Juliana Sanches o núcleo foi estimulado por obras de Virginia Woolf, Clarice Lispector, Susan Sontag e em escritos das próprias artistas criadoras. O experimento apresenta uma casa e suas moradoras. As paredes que limitam o espaço, o chão que as suporta e acolhe, as divisões que são impostas, e uma busca constante em ser, só ser.

Ficha técnica:

Direção: Juliana Sanches. Assistência de direção: Evelyn Klein. Colaboradora do processo: Lucimar De Santana. Artistas criadoras: Bruna Iksalara, Camila Ferreira, Carol Andrade, Carol Gierwiatowski, Carol Vidotti, Carol Pitzer, Carolina Catelan, Caru Ramos, Elisete Santos, Ericka Leal, Gabi Gomes, Gabriela Segato, Giovana Siqueira, Ju Terra, Lidi Seabra, Natália Martins, Natasha Sonna, Patrícia Faria, Rita Damasceno, Samara Lacerda, Thaís Peixoto, Victoria Moliterno e Vivian Valente. Duração: 70 minutos. Classificação etária: 16 anos.

Vila Maria Zélia – Rua Mário Costa 13 (Entre as ruas Cachoeira e dos Prazeres) – Belém.

GRUPO XIX COMEMORA 15 ANOS DE HYSTERIA

A partir de 28 de maio, sábado, o Grupo XIX de Teatro apresenta mostra de repertório com os espetáculo Teorema 21 (a mais recente montagem), Hygiene e Hysteria que completa 15 anos.

Aos sábados acontece sessão de Hygiene, às 16h. No domingo tem Hysteria, às 13h30 e Teorema 21, às 16h. Os ingressos custam R$40,00 e podem ser adquiridos pelo site http://www.sympla.com.br/grupoxixdeteatro.

Sobre os espetáculos

Hysteria_2698 - crédito Jonatas Marques

Hysteria foi a primeira peça montada pelo grupo e estreou em 2001. Ganhou 5 prêmios, incluindo o de revelação teatral pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), além de ter sido indicada para o Prêmio Shell de Teatro.

A história de passa no final do século 19, nas dependências de um hospício feminino. Cinco personagens internadas como histéricas revelam seus desvios e contradições – reflexos diretos de uma sociedade em transição, na qual os valores burgueses tentavam adequar a mulher a um novo pacto social. Cenicamente, abdica-se do palco e dos recursos de sonoplastia e iluminação, optando-se por um espaço não convencional, onde a plateia masculina é separada da feminina que é convidada a interagir com as atrizes. Esta interação, aliada a textos previamente elaborados, gera uma dramaturgia híbrida e única a cada apresentação.

O espetáculo soma mais de 350 apresentações em mais de 80 cidades brasileiras e 14 cidades no exterior. Em 2005, o grupo cumpriu uma temporada de dois meses em 8 cidades francesas por ocasião do Ano do Brasil na França. Mais tarde, em 2008, embarcou para a Inglaterra, apresentando-se em Londres e Manchester a convite do Barbican Center e do Contact Theatre. Em 2009, participou do projeto Palco Giratório do SESC, realizando apresentações em 58 cidades das 5 regiões do Brasil.

Direção: Luiz Fernando Marques.
Criação, pesquisa de texto e figurinos: Grupo XIX de Teatro.
Elenco: Evelyn Klein, Mara Helleno, Janaina Leite, Juliana Sanches e Tatiana Caltabiano.
Produção Executiva: Vanessa Candela.
Produção: Grupo XIX de Teatro.
Duração: 70 minutos.
Classificação: 14 anos.
Capacidade: 120 lugares.

Teorema 21_332_crédito Cherri 

Teorema 21, com dramaturgia de Alexandre Dal Farra (Prêmio Shell de Melhor autor em 2012 pela peça Mateus, 10 e indicado ao Prêmio APCA em 2014) foi livremente inspirada na obra Teorema, do italiano Pier Paolo Pasolini (1922-1975). A direção é de Luiz Fernando Marques e Janaina Leite.

A peça gira em torno de uma família que retorna ao seu antigo lar. Ao buscar novas possibilidades de existência nesse ambiente antigo, recriam as suas relações e experimentam novas formas de contato. O núcleo familiar é constituído por um patriarca, a mãe, o filho e a filha. Vive na casa, ainda, a criada Emília. Tudo parece estável. Mais do que isso, estagnado. A chegada de um estrangeiro ameaça transformar a estrutura dessa família.

A trama se passa na casa onde a família morou há alguns anos e agora volta sem nenhum motivo aparente. A montagem é encenada ao entardecer na antiga escola de meninas, hoje desativada, localizada dentro da Vila Maria Zélia, um lugar quase sem teto, com as paredes em ruinas, em meio aos escombros. Ao entrar no espaço e ocupar as cadeiras giratórias dispostas aleatoriamente, o público é inserido na sala de estar e pode girar as cadeiras para escolher o melhor ângulo para cada cena.

O cineasta, escritor e poeta Pasolini é considerado um artista visionário e fazia duras críticas ao consumismo. Em 2015, muitas homenagens foram feitas pelos 40 anos de sua morte.

Realização Grupo XIX de Teatro.
Dramaturgia Alexandre Dal Farra.
Direção Luiz Fernando Marques e Janaina Leite.
Atuação Bruna Betito, Emilene Gutierrez, Janaina Leite, Juliana Sanches, Paulo Celestino, Rodolfo Amorim e Ronaldo Serruya.
Produção Executiva Vanessa Candela.
Cenografia Luiz Fernando Marques e Rodolfo Amorim.
Figurinos Juliana Sanches.
Vídeo Luiz Fernando Marques.
Contra-regra Luciano Morgado.
Preparação Corporal (parkour) Diogo Granato.
Assistência de Figurino e adereços Gabriela Costa.
Assistência de Produção Marilia Novaes.
Provocadores do processo Eleonora Fabião, Marcelo Caetano, Miwa Yanagizawa, Luis Fuganti e Bruno Jorge.
Participação no processo Mariza Junqueira.
Arte Gráfica, fotos e mídias sociais Jonatas Marques.
Duração: 75 minutos.
Classificação etária: 18 anos.
Capacidade: 40 lugares.

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Hygiene, encenada à luz do dia, nos prédios históricos da Vila Operária Maria Zélia, é baseada em uma pesquisa sobre o processo de higienização urbana no Brasil do final do século 19, onde um grande contingente de culturas e ideias dividem o mesmo teto – o cortiço. Desse caldeirão de misturas surgem os embriões de importantes manifestações de nossa identidade, assim como as desigualdades sociais que marcam profundamente os nossos dilemas atuais.

Por esta peça o grupo foi indicado ao prêmio Shell de Teatro – 2005 e ao Prêmio Bravo! Prime de Cultura como um dos três melhores espetáculos do ano e foi premiado como melhor espetáculo no Prêmio Qualidade Brasil 2005 – São Paulo.

Direção: Luiz Fernando Marques.
Pesquisa e Criação: Grupo XIX de Teatro.
Elenco: Janaina Leite, Juliana Sanches, Paulo Celestino, Rodolfo Amorim, Ronaldo Serruya e Tatiana Caltabiano.
Figurinos: Renato Bolelli.
Contra-Regra: Luciano Morgado e Michel Fogaça
Produção Executiva: Vanessa Candela.
Produção: Grupo XIX de Teatro.
Duração: 80 minutos.
Classificação: Livre.
Capacidade: 80 lugares.
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Mostra REPERTÓRIO GRUPO XIX DE TEATRO
28/05 até 03/07
Teorema 21
Domingo – 16h
Hygiene
Sábado – 16h
Hysteria
Domingo- 13h30.
Vila Maria Zélia (Rua Mário Costa 13 – Belém, São Paulo)
$40 (cada peça)
Acesso para deficientes físicos.
Informações e reservas, de terça a sexta-feira das 14h às 18h.
Estacionamento gratuito.

GRUPO XIX DE TEATRO

Dia 15 de maio, domingo, a partir das 15h, o Grupo XIX de Teatro promove um grande evento com apresentação da peça Hysteria, shows de artistas convidados, brechó, comidinhas e um leilão, tudo com renda revertida para a reforma do telhado do Armazém XIX. Após a sessão da peça haverá shows com Dan Nakagawa, Fepa, Tarita de Souza, Gustavo Kurlat e Fabiano Augusto.

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A Vila Maria Zélia, que completa 99 anos este mês, localiza-se no bairro do Belenzinho. Trata-se do espaço onde, desde 2004, o Grupo XIX de Teatro desenvolve seu trabalho de residência artística em intenso processo de pesquisa, difusão e formação graças ao trabalho contínuo em colaboração com a comunidade.

Entre as apresentações e performances será realizado um grande leilão com itens doados ao grupo, como roupas, CDs, livros, ingressos para shows e espetáculos, jantar para duas pessoas em restaurantes como Carniceria e Riviera, entre outros.

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A peça Hysteria

No final do século XIX, nas dependências de um hospício feminino, cinco personagens internadas como histéricas revelam seus desvios e contradições – reflexos diretos de uma sociedade em transição, na qual os valores burgueses tentavam adequar a mulher a um novo pacto social. Cenicamente, abdica-se do palco e dos recursos de sonoplastia e iluminação, optando-se por um espaço não convencional, onde a plateia masculina é separada da feminina que é convidada a interagir com as atrizes. Esta interação, aliada a textos previamente elaborados, gera uma dramaturgia híbrida e única a cada apresentação.

Primeira peça do grupo estreou em 2001 e ganhou 5 prêmios, incluindo  o de revelação teatral pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), além de ter sido indicada para o Prêmio Shell de Teatro. Soma mais de 350 apresentações em mais de 80 cidades brasileiras e 14 cidades no exterior. No ano de 2005, o grupo cumpriu uma temporada de dois meses em 8 cidades francesas por ocasião do Ano do Brasil na França. Em 2008, na Inglaterra, apresentou-se em Londres e Manchester a convite do Barbican Center e do Contact Theatre. Em 2009, participou do projeto Palco Giratório do SESC, realizando apresentações em 58 cidades das 5 regiões do Brasil.

LEILÃO REFORMA DO ARMAZÉM XIX
Vila Maria Zélia (Rua Mário Costa, 13 – Belém, São Paulo)
15/05
Domingo – 15h às 18h
 
15h – Espetáculo Hysteria com Grupo XIX de Teatro. Ingressos: R$100,00 e R$50,00. http://www.sympla.com.br
Com Com Evelyn Klein, Mara Helleno, Janaina Leite, Juliana Sanches e Tatiana Caltabiano
Duração 70 minutos
Recomendação 14 anos
 
16h30 – Shows com artistas convidados + leilão: Ingressos: grátis.
 
Direção: Luiz Fernando Marques.
Criação, pesquisa de texto e figurinos: Grupo XIX de Teatro.
Produção Executiva: Vanessa Candela.
Produção: Grupo XIX de Teatro.

 

Vídeo

Grupo XIX de Teatro

Conversamos com Juliana Sanches, que é atriz, coreógrafa e cofundadora do Grupo XIX de Teatro, durante a última Domingueira XIX (evento mensal que reúne peças de teatro, música, performance, exposições na Vila Maria Zélia – São Paulo).

Juliana falou sobre o porquê do nome do grupo; as origens; a mudança para a Vila Maria Zélia e o relacionamento com os moradores. Ao término da conversa, foi apresentado o novo trabalho do grupo – “Teorema”, que estreia no dia 19 de novembro, na Domingueira do mês, na Vila Maria Zélia.

Aproveitamos para colocar os links para as outras matérias já feitas sobre o grupo e a Vila.

Dois Grupos Teatrais e um pouco de História

Registro fotográfico sobre a Vila Maria Zélia

A história da Vila Maria Zélia

Dois Grupos Teatrais e um pouco de História

Neste domingo, 19 de julho, aconteceu a terceira edição do projeto “Domingueira XIX’. O evento é organizado pelo Grupo XIX de Teatro e acontece na Vila Maria Zélia, local de sua residência artística.
Durante o dia, aconteceu uma exposição de objetos com a temática do faz de conta; a peça “Eu Tenho Uma História”, do grupo convidado, Sobrevento; a apresentação da peça “Hysteria”, do acervo do grupo XIX de Teatro, e para encerrar o dia, o show da cantora Crikka Amorim. Todas as atrações são sempre gratuitas.

Veja na postagem algumas fotos sobre o evento e no nosso facebook e no site, todas as fotos do evento.

Leia abaixo sobre o grupo XIX de Teatro, o grupo Sobrevento e a Vila Maria Zélia

Grupo XIX de Teatro
Formado principalmente por ex-alunos da Escola de Arte Dramática (EAD) da ECA/USP, com o intuito de realizar pesquisa acadêmicas. A temática recorrente dos seus espetáculos é a realidade social e política de uma comunidade.
As características principais do trabalho do grupo são:
a) Processo de trabalho colaborativo, sem hierarquia e que tenha a participação do público. Há uma participação de todos os envolvidos na criação do trabalho – atores, dramaturgo, diretor, e por fim, o público quando assiste suas peças e participa, interagindo com os atores;
b) Recusa do palco italiano convencional. As montagens utilizam da cidade como palco, com isso podem viajar para outros lugares, sem ter que ficar compromissado com um palco específico. As montagens do grupo costumam acontecer em edifícios antigos – preferencialmente abandonados, onde a arquitetura e a luz natural façam o papel de cenário e iluminação;
c) Pesquisa sobre a história brasileira, principalmente sobre o seu cotidiano. As pesquisas feitas pelo grupo para a criação de um novo texto vão além da história oficial. O grupo procura conversar com as pessoas, ouvir seus depoimentos, ler diários, entre outros.
As duas primeiras peças foram Hysteria (2001) e Higiene (2005).
A partir de 2004, o grupo transforma o antigo boticário (farmácia) da Vila Maria Zélia, a primeira vila operária do país, em local de sua residência artística. Com o passar dos anos, o grupo ocupou também outros prédios antigos como o armazém e as escolas, além das praças e ruas da vila. Mas mais do que tudo, convive de uma forma harmoniosa com os moradores do local.
Para maiores informações, o site do grupo é http://www.grupoxix.com.br/

Grupo Sobrevento
O grupo foi formado no final de 1986. Tem como temática a pesquisa – teórica e prática – sobre a animação de bonecos, formas e objetos. No espetáculo, eles usam esta técnica para contar suas histórias, onde muitas vezes, os objetos utilizados tem outros significados além dos seus originais. É considerado, internacionalmente, um dos maiores expoentes brasileiros do “Teatro de Animação”. Além dos espetáculos de diferentes temáticas, formas e técnicas de animação, realizam também cursos, oficinas e palestras pelo país e no exterior.
Para maiores informações, o site do grupo éhttp://www.sobrevento.com.br/

Vila Maria Zélia
Foi construída a partir de 1912, e inaugurada em 1917, pelo médico e industrial Jorge Street. A finalidade era abrigar os 2500 funcionários que trabalhavam na filial da tecelagem Cia. Nacional de Tecidos da Juta. A sede ficava no bairro de Santana.
O terreno escolhido foi no bairro do Belenzinho, onde já haviam outras indústrias. Ia da atual avenida Celso Garcia até as margens do Rio Tietê (que depois teve o seu trajeto retificado)
Houve uma preocupação desde o início com a qualidade de vida que os trabalhadores levariam. As casas – e a vila – foram projetadas pelo arquiteto francês Paul Pedraurrieux. Dentro de cada casa, haveria um banheiro privativo e um tanque para que as mulheres pudessem lavar suas roupas sem ter que ir até o rio (informação do sr. Dedé, neto de um dos moradores originais da Vila). Os preços seriam acessíveis.
O arquiteto inspirou-se em vilas europeias do início do século XX para a criação da Vila. Na entrada, colocou a rua comercial e que daria a vida a sociedade local – uma capela, uma botica, dois armazéns, duas escolas (separadas para meninos e para meninas), um coreto, uma praça, salão de festas, ambulatórios e consultórios médicos. As calçadas da Vila receberam o traçado do jogo de amarelinha, para que as crianças pudessem brincar. O único local que não se encontra esta característica, é no entorno da igreja, para que as crianças não atrapalhassem as missas com suas algazarras.
O Cardeal Arcebispo do estado, Dom Duarte Leopoldo e Silva foi responsável pela missa de inauguração.
A fábrica que ficava ao lado, tinha no seu interior, no início das atividades, cerca de 2.000 teares e 84 mil fusos, além de cerca de 3.000 motores elétricos. Trabalhavam cerca de 2.500 funcionários, que somados aos da matriz de Santana, dava um total de 6.000 funcionários.
A Vila recebeu o nome de Maria Zélia. Era para ter recebido outro nome, referente às atividades da fábrica. Mas os operários em peso solicitaram que fosse dado o nome em homenagem a filha do casal – Jorge e Zélia Street. Maria Zélia morreu muito jovem, aos 16 anos. Mas durante sua vida, dedicou-se a ajudar as mulheres dos empregados do pai, ensinando-as a ler. A menina faleceu de varíola. Está enterrada no Cemitério da Consolação. Logo após a morte dela,
Quando a família Street acumulou dívidas e não conseguindo mais honrar os pagamentos, decidiu-se vender a vila e a fábrica em 1924. Foi comprada pela família Scarpa, que mudou o nome do local para Vila Scarpa. O nome – a contragosto dos moradores – permaneceu até 1929, quando a família, também por causa de dívidas, repassou a propriedade para o Grupo Guinle. Foi quando voltou o nome original.
Mas nada foi tão drástico quanto na virada dos anos 30, que por causa de dívidas com o Governo Federal, a vila e a fábrica foram confiscadas como pagamento pelo IAPI (atual INSS). Em 1931, a fábrica é fechada e fica assim por 8 anos, até que foi comprada e reaberta como a Goodyear.
Durantes estes anos, os moradores ficaram sem pagar aluguel, já que seriam transferidos para outro terreno. Quando a fábrica passa para as mãos da Goodyear, os moradores pagam aluguel para o IAPI de 1939 até 1968, quando puderam então comprar suas residências pelo antigo sistema do BNH (Banco Nacional de Habitação.
Só os prédios funcionais que permanecem de propriedade do INSS. Por isso, não há uma restauração dos prédios. A capela é administrada pela Paróquia de São José do Belém, com funcionamento normal (já houve reforma do interior, faltando apenas a do exterior da capela).
Na vila já foram gravados filmes e novelas, incluindo o clássico “O País dos Tenentes”. Em 1992, a Vila Maria Zélia foi tombada pelo IPHAN por causa do seu raro traçado urbano. E em 2004, o grupo XIX de Teatro começa a utilizar da Vila como local de sua residência artística.

Curiosidade: O dono do jornal “Folha de São Paulo”, do UOL, do jornal “Agora São Paulo”, do Instituto Datafolha, da editora Publifolha, do selo “Três Estrelas” e da gráfica Plural, Octavio Frias de Oliveira, morou na sua primeira infância, com os pais e oito irmãos na Vila Maria Zélia. Seu pai tornou-se administrador da vila até quando a Companhia Nacional do Tecido de Juta foi vendida para os Scarpa, quando perdeu seu emprego e mudou-se para a rua Bela Cintra.

Para maiores informações, há vários sites e vídeos no canal youtube. Ou o que recomendamos, é ir durante um final de semana, em que esteja acontecendo atividades do grupo XIX de Teatro, e realize sua visita. Quando não há atividades do grupo, até que é permitido visitação. Mas lembre-se, você está entrando em lugar particular e poderá ser abordado, a qualquer momento, por algum morador.

Vila Maria Zélia (R. dos Prazeres, 362 – Belenzinho, São Paulo)

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(Todas as fotos são de autoria de Rodrigo Araújo Alcobia – se reproduzir, citar a fonte)

Galeria

VILA MARIA ZÉLIA e a DOMINGUEIRA XIX

A VIla Maria Zélia foi fundada em 1917, por Jorge Street, para receber os trabalhadores, e suas famílias, da fábrica – Cia. Nacional de Tecidos da Juta. Leia a matéria sobre a Domingueira XIX, que aconteceu neste domingo dia 19 de julho.

Vila Maria Zélia (R. dos Prazeres, 362 – Belenzinho, São Paulo)

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(Todas as fotos são de autoria de Rodrigo Araújo Alcobia – se reproduzir, citar a fonte)

“DOMINGUEIRA XIX” – UMA VOLTA AO PASSADO

Neste domingo, 19 de julho, aconteceu a terceira edição do projeto “Domingueira XIX’. O evento é organizado pelo Grupo XIX de Teatro e acontece na Vila Maria Zélia, local de sua residência artística.
Durante o dia, aconteceu uma exposição de objetos com a temática do faz de conta; a peça “Eu Tenho Uma História”, do grupo convidado, Sobrevento; a apresentação da peça “Hysteria”, do acervo do grupo XIX de Teatro, e para encerrar o dia, o show da cantora Crikka Amorim.
Foi a nossa primeira visita à Vila Maria Zélia e o contato com o grupo XIX de Teatro. Já era algo que tínhamos vontade há tempo de realizar, mas sempre apareciam as “velhas desculpas”, principalmente a distância. Mas que ledo engano, antes tivéssemos ido já há alguns anos.
O dia estava lindo, um domingo ensolarado – mesmo sendo inverno – o que convidava a sair de casa. Seguindo pelos caminhos que nos levavam até o local, nada nos alertava a surpresa ao se deparar com a entrada da vila (e a distância foi vencida em pouco mais de quinze minutos de carro, saindo do bairro dos Jardins).
Estávamos contra o sol e ao chegar na última curva do trajeto, os raios solares incidiam entre as árvores, parecendo transformar aquele lugar em algo especial (desculpe a licença poética, mas depois de você conhecer a Vila Maria Zélia também terá essa opinião). Você atravessa a cancela (pode-se estacionar dentro, quando vai participar de algum evento do grupo), e parece que a relação tempo/espaço ficou para trás. Apesar de ter moradores vivendo nas suas casas, é como se voltasse no tempo, para o início do século XX.
A rua de entrada é onde ficam os prédios públicos – armazém, botica, casa do prefeito da vila, a igreja. Então, o seu primeiro contato é com esta parte histórica. Apesar de não estar preservada completamente (pelos órgãos públicos), só de você vê-los, traz uma sensação de uma cidade antiga. E lá dentro, você ouve o canto dos pássaros (sim, como a vila é habitada, tem-se os ruídos da sociedade), parece que a cidade grande ficou para além da cancela.
Vimos algumas tendas sendo armadas em uma de suas praças. Enquanto não começavam as atividades, fomos andar pelo seu interior. Tomar contato e desbravá-la. Pode-se entrar na antiga farmácia (local de show e uma comedoria – preços justos); o antigo armazém (onde mais tarde aconteceria a peça “Hysteria”); a antiga casa do prefeito da vila; os prédios abandonados das duas escolas que a Vila teve (uma para meninos e outra para meninas); o galpão; a igreja de 1917 (chegue até as 11 horas que dá para ver o seu interior); e as casas dos moradores.
Ao andar pela hora do almoço, há uma profusão de aromas e ruídos. Familiares que chegam para almoçar, crianças correndo pelas ruas (sim, é seguro, você tem que tomar cuidado, porque parece que ficamos bestificados e deixamos de perceber que os moradores precisam passar com seus automóveis ou motocicletas).
Mas o melhor de andar pelas suas ruas é poder conversar com os moradores, que já acostumados há mais de 10 anos com o grupo, interagem nas atividades e conversam com os visitantes. As conversas são mais uma das atrações da Domingueira.
As atrações da Domingueira XIX são todas gratuitas.
A primeira peça apresentada foi a “Eu Tenho Uma História”, do grupo Sobrevento. Eles também tem sua residência artística no bairro. Em quatro tendas armadas, grupos de 10 pessoas entravam, e por cerca de 10 minutos, assistiam uma história de alguém que teve uma relação com o bairro do Brás de outrora – Luís Gama, ex-escravo, que se tornou advogado e um dos principais abolicionistas da nossa história; Francisco Alves, o cantor mais conhecido do país das décadas de 20 a 50, que fez seu último show no Largo do Glicério, um dia antes de sua morte; Ricardo Mendes Gonçalves, que era o poeta das flores; e sobre uma família de imigrantes que os avós faziam objetos de vidro; a filha, vendia frutas; e a neta, voltou a trabalhar jateando os vidros.
Após a peça, foi encenada a primeira peça do grupo XIX de Teatro – Hysteria. Antes de entrar no antigo armazém da Vila, separam-se os homens e as mulheres. Os homens são direcionados para uma arquibancada, de onde assistirão ao espetáculo. As mulheres, sentam junto das atrizes, em bancos no centro do prédio. A história se passa no final do século XIX, nas dependências de um hospício feminino, onde cinco-personagens internadas como histéricas (mais a plateia feminina), revelam seus desvios e contradições. É interessante procurar ler sobre o que era, e como era tratada, as pacientes “histéricas” deste período, para se ter uma compreensão mais aprofundada sobre o texto (e principalmente, ver os horrores aos quais elas eram submetidas em instituições de saúde da época).
No final da tarde, o show da cantora Crikka Amorim, integrante do grupo “Samba de Rainha”, mostrou músicas de seus dois álbuns – “No Ponto” (2004) e “Pirataria – Rita Lee por Crikka Amorim” (2008). O show aconteceu dentro da antiga botica, mas pelo visual externo, pelo dia bonito que estava, o público aproveitou e ficou pela rua e praças da Vila, ouvindo as composições.
Até que chegou a hora de ir embora, e voltar para a realidade. Passamos pela cancela da entrada e voltamos aos afazeres normais de um final de domingo.
Agora é aguardar as atrações da 4ª edição da “Domingueira XIX”. Nos vemos lá!

Leia também a postagem sobre o grupo XIX de Teatro, o grupo
Sobrevento e a Vila Maria Zélia. Confira o álbum inteiro aqui no Facebook ou no nosso site.

Vila Maria Zélia (R. dos Prazeres, 362 – Belenzinho, São Paulo)

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