DAS RUAS, UM ORFEU DE MOCHILA

O dramático mito de Orfeu e Eurídice ganha vida nas periferias paulistanas. O herói grego entra em cena como o jovem mais desejado da região, enquanto a sua amada é uma visitante que atrairá olhares impiedosos na comunidade. Separados por um rio, eles lutarão pelo seu amor em um caminho cheio de pedras e obstáculos cruéis. É assim que a Tô Em Outra Cia. de Teatro apresenta o musical inédito “Das ruas, um Orfeu de mochila”.

Faz sua segunda temporada no Espaço INBOX Cultural em Pinheiros de 19 de maio à 09 de junho, todos os sábados às 16h. O ingresso custa R$30,00 que faz parte do projeto de formação de plateia da Cia. para descentralizar e tornar o espetáculo mais acessível para pessoas que não tem acesso ao teatro ou teatro musical.

O enredo original criado por Andreza Rodrigues e Thuane Campos aposta na mescla da fantasiosa mitologia grega com a dura realidade das periferias. As personagens da narrativa de Orfeu são representadas por moradores de uma comunidade carente de São Paulo. O musical é composto por 15 músicas com arranjos de Jorge Alves e Gabriel Hammer e tem uma hora e vinte de duração.

Mais do que uma trágica história de amor, a peça tem como fundo um importante diálogo sobre as relações e o estilo de vida dos jovens que vivem em regiões mais pobres da capital. A descoberta do amor, o início da vida profissional e as relações que eles estabelecem com o tráfico, com o poder público e com a imprensa são alguns dos pontos trabalhados no espetáculo.

O texto surgiu em 2012 e foi apresentado por dois anos em periferias e no interior do Estado com o apoio do projeto Vizinho Legal, ação social da Roche Brasil na comunidade do Jaguaré, e com o patrocínio do Programa Aprendiz Comgás (PAC), iniciativa da Comgás em parceria com a Associação Cidade Escola Aprendiz.

Em 2018 o espetáculo ganhou sete prêmios com voto popular nas categorias Melhor Ator e Atriz Codjuvante, Melhor Ensamble, Melhor Coreografia, Melhor Cenário e Figurino e Melhor Texto Adaptado no III Prêmio Márcia Papoti de Teatro Musical Independente.

Sinopse reduzida

Era um dia de festa. Dois amores se encontram. Orfeu e Eurídice, trazendo em suas mochilas seus encantos, músicas e alegrias. Ela com seus balões e ele com seu pandeiro encantado. Juntos encontram o amor, mas um acontecimento inesperado muda tudo. Orfeu terá que provar o quanto ama Eurídice, a “doidinha dos balões”. Texto baseado na mitologia grega (mito de Orfeu) e adaptado para os dias atuais.

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Das ruas, um Orfeu de mochila
Com Gabriel Hammer, Uédia Alves, Andreza Rodrigues, Renan Marques, Bárbara Jardim, Carlos Castro, Filipe Caldeira, Gabriel Hammer, Jorge Alves, Peu Morais, Thayna Rodrigues, Thuane Campos
InBox Cultural (Rua Teodoro Sampaio, Pinheiros, São Paulo)
19/05 até 09/06
Sábado – 16h
$30

 

ENTRE 4 PAREDES

Formado em 2017, pelo interesse comum dos artistas em explorar textos tradicionais do teatro sob uma ótica contemporânea e acessível, o​ Grupo Queda Livre tem se dedicado, desde sua formação, ao aprofundamento do estudo do texto ​Entre Quatro Paredes, de Jean-Paul Sartre.

Dirigida por Gilson Totti Dias, retrata o encontro póstumo entre Garcin (Rodrigo Odone), Inês (Beatriz Belintani) e Estelle (Maristella Pinheiro), que não se conheceram em vida, e agora são obrigados a conviver pelo resto da eternidade, em uma sala fechada, sem nada para fazer e sendo constantemente observados.

Conforme a trama se desenrola, essas personagens questionam a essência das identidades humanas, do que se considera civilizado e racional. O grupo coloca as inquietações humanas presentes no texto ​de forma palatável, trazendo uma linguagem contemporânea em texto e estética, de forma a aproximar o máximo possível a obra de Jean-Paul Sartre aos jovens e adultos da nossa época.

“​Nosso desafio é provar que, apesar de ter sido escrita em 1944, as questões tratadas pela obra permanecem atuais e pungentes, sendo assim capaz de alcançar todos os públicos até hoje”, explica Gilson Totti Dias, diretor de ​Entre 4 Paredes. “A libertação dos padrões estéticos impostos pelo texto centrismo clássico e a valorização da liberdade criativa norteiam a produção cultural do grupo que se lança sem resistências na experimentação de novos modos de encenação contemporâneos, como sugere o seu nome”, complementa Totti.

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Entre 4 Paredes
Com Beatriz Belintani, Maristella Pinheiro, Rodrigo Odone
InBox Cultural (Rua Teodoro Sampaio, 2355 – Pinheiros, São Paulo)
Duração 70 minutos
05/05 até 30/06
Sábado – 21h
$50
Classificação 16 anos

É COMO DIZ O DITADO

Isabel e Joaquim são um casal de circenses. Ela, a mulher barbada e cigana. Ele, o versátil palhaço Coriza. Os dois, antigos artistas do grandioso Circo Vital. Um dia depois do casamento, por uma falha, o casal acorda e o circo não está mais lá. Abandonados, os dois descobrirão uma nova forma de viver com muita criatividade.

A narrativa passeia pelos ditados populares, tão presentes no nosso cotidiano, mas que muitas vezes nós nem nos damos conta de como eles resumem nossas situações mais corriqueiras. Assim, entrando numa saga repleta de aventura e emoção, os dois personagens vão nos mostrando suas histórias com muito humor, fazendo com que o público se identifique logo de cara.

A concepção de cenário e sonoplastia também tem a cara do artista popular, aquele que vive no improviso. Com uma cortina pendurada num varal, e alguns e adereços, a cigana e o palhaço conseguem expandir os limites da imaginação, gerando interesse aos olhos dos pequenos espectadores.

A direção também traz a criatividade nos elementos sonoros. Como se o casal tivesse “perdido tudo” na partida do circo, até a sonoplastia é feita no improviso.

Com certeza a fantasia criada junto com a plateia, resgatando os elementos da nossa cultura popular e, ainda, trazendo toda a ambientação do circo, faz com que É como Diz o Ditado … seja uma obra tão simples, mas ao mesmo tempo, tão potente nos dias de hoje.

 

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É Como Diz o Ditado
Com Beatriz Gimenes e Rodrigo Inamos
Inbox Cultural (Rua Teodoro Sampaio, 2355 – Pinheiros, São Paulo)
Duração 50 minutos
24/02 até 17/03
Sábado – 16h
$40
Classificação Livre

OS ATINGIDOS OU TODA COISA QUE VIVE É UM RELÂMPAGO

Ordinária Companhia chega com nova temporada de Os Atingidos ou Toda Coisa que Vive é um Relâmpago a partir de quarta-feira, 4 de outubro, às 21h no Inbox Cultural. As apresentações acontecem sempre quartas e quintas, às 21h, até 26 de outubro. A montagem tem uma linguagem que permeia a relação entre teatro e cinema com direção e dramaturgia de José Fernando Peixoto de Azevedo.

Em cena, um jogo ficcional simula o suspense de um filme com o cotidiano de pessoas em luta por reparação e condenação dos criminosos. Esse é o mote do espetáculo gerado a partir da pesquisa sobre as consequências na vida de pessoas daquilo que é o Crime de Mariana. É menos que uma tragédia, resultado da ação criminosa ligada à exploração de minérios e o rompimento da barragem em que a lama encobriu distritos e rios de Minas ao Espírito Santo, chegando ao mar.

A peça procurou usar como propulsores para a construção os desdobramentos e os antecedentes da tragédia. Desde o histórico da rota do ouro e de minérios, além de deslizamentos menores que causaram morte ainda nos anos 80 nessa longínqua exploração da região.

Durante a pesquisa, o grupo foi a cidade de Mariana e nos pequenos distritos em busca de contato direto com os que sofreram e ainda sofrem com o rompimento da barragem. O encontro trouxe a oportunidade de ver de perto todas as camadas que envolvem a tragédia desde os aspectos sociais, econômicos e ambientais, além das rupturas e discriminações que se tornaram a vida dos atingidos. As pessoas foram pulverizadas e classificadas de acordo com a lama que sujou suas vidas na tragédia.

Todos esses elementos foram utilizados de maneira ficcional para criar uma montagem que constrói no palco uma espécie de filme ao vivo calcado pelo suspense. Uma linguagem que permeia o teatro e o cinema, característica que já foi trabalhada no espetáculo Zucco do grupo.

Em cena, a situação é a de um “estúdio”, ao menos em dois sentidos simultâneos, justapostos: estúdio de gravação (atores e técnicos que, diante do público, gravam e editam materiais que são projetados, e este trabalho é também cena), mas também espaço de estudo da cena (atores atuam suas figuras em situação, diante do público).

O resultado é um teatro-filme com um deslizamento entre os pontos de vista e perspectivas. Durante a pesquisa, filme de Alfred Hitchcock, David Lynch e o recente Corra!, de Jordan Peele, serviram para absorver os artifícios de suspense inseridos na encenação.

A Ordinária Companhia surgiu em 2013, resultando do percurso de uma turma de alunos da Escola de Arte Dramática, a EAD, da ECA-USP, que naquele ano estreia seu trabalho de conclusão de curso, ZUCCO, uma adaptação do texto de Bernard Marie-Koltès, dirigida pelo também professor da Escola, José Fernando de Azevedo. O espetáculo fez temporadas em São Paulo – na EAD (2013), no TUSP e no CIT-ECUM (2014) – e o grupo foi indicado ao Prêmio Cooperativa Paulista de Teatro (2014), na categoria revelação. 

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Os Atingidos ou Toda Coisa que Vive é um Relâmpago
Com Áurea Maranhão, Conrado Caputo, Juliana Belmonte, Paulo Balistrieri e Rafael Lozano
Inbox Cultural (R. Teodoro Sampaio, 2355 – Pinheiros, São Paulo)
Duração 90 minutos
04 a 26/10
Quarta e Quinta – 21h
$30
Classificação 14 anos

NEM ROMEU, NEM JULIETA

Com música ao vivo e uma nova roupagem para uma das histórias mais conhecidas de William Shakespeare (1564-1616), a comédia Nem Romeu, Nem Julieta dialoga e reflete com o público jovem ao focar na trama sob o ponto de vista de Rosalina, prima de Julieta Capuleto e o primeiro amor de Romeu Montéquio. A estreia é sábado, 1 de julho às 15h no Inbox Cultural, as sessões são sempre sábados e domingos, às 15h, até 23 de julho.

A direção é de Gabriela Lemos e dramaturgia de Julia Fovitzky. O elenco conta com Alexandre Menezes (Mercucio), Ana Carolina Raymundo (Julieta), Guilherme Barroso Rodrigues (Romeu), Louise Helène (Rosalina) e Yorran Furtado (Conde Páris).

No espetáculo, a personagem Rosalina é apresentada como uma moça que não se interessa por envolvimento romântico. A jovem busca encontrar seu lugar em uma sociedade de padrões estreitos. A peça traça a mesma linha do cânone de Romeu e Julieta, entretanto, procura revelar gatilhos inusitados para acontecimentos familiares.

A personagem Rosalina é pincelada pelo dramaturgo na história original, procuramos trazer uma nova perspectiva sobre essa trama já conhecida. A montagem lida com questões inerentes ao mundo dos jovens como o amadurecimento, a percepção como parte ativa no mundo, o tédio, a falta de motivação, depressão, o empoderamento da mulher”, conta Gabriela Lemos.

O cinema teve papel importante durante o processo de criação. O filme Romeu + Julieta – (Direção de Baz Luhrmann, protagonizado por Leonardo DiCaprio e Claire Danes, de 2006) e Submarino (Direção de Richard Ayoade, 2010) contribuíram como impulsionadores para a concepção.

A direção de arte procurou uma multiplicidade na palheta de cores para acrescentar um tom lúdico e colorido nos recursos cênicos. O figurino mescla moda dos anos 70 e 80 com a contemporaneidade, fato que deixa a cidade de Verona, onde se passa a história, situada em um lugar anacrônico no tempo e espaço. O elenco fica em cena durante toda a encenação e também é responsável pela execução de música ao vivo com violão e instrumentos de percussão como o cajon. São reproduzidos trechos de músicas de artistas como Liniker.

A dramaturgia tem uma comédia afiada com a ironia e o tempo. O universo rápido das redes sociais serviu como influência para deixar o humor certeiro e fresco na pegada do texto. É a linguagem utilizada atualmente na internet, presente no dia a dia, fator que vai criar uma identificação e reconhecimento do público. Todos os seus questionamentos serão colocados em cena”, concluí a diretora.

NemRomeuNemJulieta

Nem Romeu, Nem Julieta
Com Alexandre Menezes, Ana Carolina Raymundo, Guilherme Barroso Rodrigues, Louise Helène e Yorran Furtado.
Inbox Cultural (Rua Teodoro Sampaio 2355, Pinheiros, São Paulo)
Duração 70 minutos
01 até 23/07
Sábado e Domingo – 15h
$40
Classificação 12 anos

 

O COMPOSITOR DELIRANTE

Inspirado na vida e obra do compositor austríaco Ludwig van Beethoven, O Compositor Delirante, solo escrito e interpretado por Daniel Kronenberg, estreia no dia 29 de junho (quinta-feira), no InBox Cultural, às 21 horas.

Com provocação cênica de Gabriel Bodstein, o monólogo coloca em foco o artista com seus questionamentos. Numa tentativa enlouquecida de organizar sua trajetória, a personagem Beethoven trava discussões políticas, filosóficas e de ordem artística com Mozart, Haydn, Goethe e com o próprio pai, além de outras pessoas imaginárias.

A surdez, a loucura e a necessidade de quebra de paradigmas são as tônicas do espetáculo, costurado pela música do compositor, que permeia toda a encenação, dando cadência e ritmo às argumentações da personagem.

Segundo Daniel Kronenberg, a escolha da música clássica e especialmente a de Beethoven como tema da montagem tem relação com a potência de sua obra e o seu impacto transformador, aliada à sua própria necessidade, como artista, de trazer para o palco apontamentos e questionamentos sobre o artista na sociedade contemporânea. “O espetáculo estabelece uma relação intensa entre os impulsos desse artista, a exemplo de sua inadequação aos padrões socialmente aceitos, mas é importante frisar que ele foi a inspiração. Suas palavras foram alimento para meu discurso autoral”, comenta o ator.

Em meio à solidão e ao escasso traquejo social, a surdez da personagem impede seu contato com o mundo exterior, mas não impede o chamado para exteriorizar a si mesmo: um telefone não para de tocar e o convoca a conversar com outros compositores clássicos e até mesmo com suas amantes. Com seu pai, ele questiona o excesso de rigor de sua criação; com Haydn, indaga sobre uma nova possibilidade de se viver a arte; com Goethe, critica a apatia e a falta de espírito criador, com Mozart, confessa sua inaptidão como compositor; e com suas amantes – Josefina, Julieta e Antonia -, adota seu lado mais romântico, no sentido mais óbvio da expressão. O telefone é um elemento cênico importante que caracteriza a subjetividade da loucura, enclausurada pela surdez.

O espetáculo privilegia o discurso que funde a manifestação artística autoral com a possibilidade de rever condutas e experiências revolucionárias na mudança do pensamento ocidental – o romantismo. O Compositor Delirante mostra que o caráter revolucionário e transgressor do artista permeia um universo onde o romantismo predomina à lógica, a razão perde terreno para a intuição. A encenação é carregada de elementos românticos, seja na figura de Beethoven, com sua insurgência contra as doutrinas retóricas e tradicionais, seja no tom do discurso que adota com suas amantes, seja no argumento revolucionário com que defende o espírito criador do artista, uma lida pacífica com seus próprios demônios.

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O Compositor Delirante
Com Daniel Kronenberg
InBox Cultural (Rua Teodoro Sampaio, 2355. Pinheiros, São Paulo)
Duração 50 minutos
29/06 até 27/07
Quinta – 21h
$40
Classificação 12 anos

 

 

O COMPOSITOR DELIRANTE

O ator Daniel Kronenberg apresenta o seu monólogo, “O Compositor Delirante“, no dia 18 de julho, segunda feira às 20h30, no Inbox Cultural.

A peça é inspirada na vida e na obra do compositor alemão Ludwig van Beethoven. Ela propõe uma discussão sobre os questionamentos que todos artistas devem fazer.

O resumo de sua obra é a liberdade“, observou o crítico alemão Paul Bekker (1882-1937), “a liberdade política, a liberdade artística do indivíduo, sua liberdade de escolha, de credo e a liberdade individual em todos os aspectos da vida“.

Esta liberdade, aliada a sua surdez e loucura, fazem com que o personagem trave discussões políticas, filosóficas e de opiniões artísticas com pessoas imaginárias na peça “O Compositor Delirante“.

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O Compositor Delirante
Com Daniel Kronenberg
Inbox Cultural (Rua Teodoro Sampaio, 2355 – Pinheiros, São Paulo)
Duração 50 minutos
18/07
Segunda – 20h30
$15