QUEBRA-CABEÇA

Um imenso puzzle cheio de buracos e de peças que não se encaixam. Esta é a forma do monólogo autobiográfico e documental Quebra-Cabeça, da atriz e autora Camila dos Anjos, que estreia dia 8 de novembro no Itaú Cultural e, na sequência, segue para a Oficina Cultural Oswald de Andrade, onde fica em cartaz entre 13 de novembro e 19 de dezembro. Os ingressos no Itaú Cultural são gratuitos e as reservas online podem ser feitas 10 dias antes de cada apresentação.

Camila dos Anjos começou a trabalhar aos sete anos como atriz mirim e trafegou durante toda sua infância e adolescência pelas vias da indústria cultural. A atriz, que hoje concentra a sua atividade no teatro, expõe as frustrações, expectativas e as consequências por ter começado a trabalhar tão cedo. Essas lembranças autobiográficas se misturam com as memórias de personagens misteriosas do russo Anton Tchekhov e do norte-americano Tennessee Williams, com os quais a atriz se identifica desde os primeiros tempos de sua carreira.

Em cena, Camila abre os porões de sua própria vida, cercada de documentos que comprovam sua trajetória e reflexões sobre suas experiências mais profundas. Memórias, personagens e referências se cruzam e se confundem à procura de pistas. Cartas, vídeos, cadernos, roteiros, fotos e matérias compõem um arquivo que serviu como base para a criação dramatúrgica. Os textos escritos através das memórias tornam-se blocos, peças desse quebra-cabeça. Os registros são acompanhados de um esgotamento, de uma ausência e de uma sensação estranha de ser só atriz e mais nada.

O espaço onde a peça acontece é uma espécie de instalação cênica sob a forma de um porão de lembranças, de um lugar que remete ao passado. Nesse ambiente inacabado, documentos e memórias são fixados em um grande painel de cortiça, em uma tentativa de investigar e compreender a trajetória da artista.

Nelson Baskerville faz a orientação de encenação: “Vamos trabalhar uma forma de aparato cênico com todos os elementos cênicos à disposição. Uma instalação dentro de um museu, um museu de memórias, onde um cenário leve e etéreo, de véus esvoaçantes, mistura projeções de cenas da atriz nas novelas e séries relatadas, como a visita a um sótão familiar, repleto de cartas, baús e fotografias”.

SINOPSE

Um imenso quebra-cabeça cheio de buracos e de peças que não se encaixam. Uma atriz cercada de documentos que comprovam sua trajetória investiga sua tragédia pessoal. Memórias, personagens e referências se cruzam e se confundem à procura de pistas. Cartas, vídeos, cadernos, roteiros, fotos e matérias. Tantos registros e documentos acompanhados de um esgotamento, de uma ausência e de uma sensação estranha de ser só atriz e mais nada.

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Quebra-Cabeça

Com Camila dos Anjos

Duração 60 minutos

Classificação 16 anos

 

Itaú Cultural (Av. Paulista, 149 – Bela Vista, São Paulo)

08 a 10/11

Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 19h

 Grátis (Reserva online de ingressos pelo site www.itaucultural.org.br

Oficina Cultural Oswald de Andrade – Sala 7 (Rua Três Rios, 363, Bom Retiro, São Paulo)

13/11 até 19/12 (não haverá sessão 20/11)

Quarta, Quinta e Sexta – 20h, Sábado – 18h

Grátis (distribuídos uma hora antes de cada sessão)

ENTRE

Nova produção da Barracão Cultural conta um dia na vida de dois irmãos (Alexandre Cioletti e Cláudio Queiróz) e a irmã (Eloisa Elena) que se encontram para organizar a festa de bodas dos seus pais. Este encontro, aparentemente banal, vai sendo afetado por acontecimentos no apartamento vizinho. Apesar de ser um encontro superficialmente afetuoso, a relação dos irmãos já evidencia aspectos do patriarcado nessa relação familiar. Um olhar mais profundo sobre como somos afetados pelo entorno, o quanto nos alienamos e onde está nosso medo, permeiam este encontro familiar.

ENTRE é um espetáculo que pretende gerar uma reflexão sobre os processos que alimentam a nossa sociedade patriarcal. A dramaturgia de Eloisa Elena parte da diferença de papéis e representatividade de gênero na sociedade e como esta questão está presente, muitas vezes de forma extremamente sutil e adaptada ao cotidiano, para abordar a nossa cumplicidade e passividade diante dos mais diversos desdobramentos e consequências do histórico patriarcal que estrutura nossa formação.

Para a trilha sonora, que ao longo do espetáculo vai permeando a trama, Dr Morris gravou uma encenação real com os atores Lavinia Pannunzio e Joca Andreazza. A dramaturgia de Eloisa Elena propõe essa coexistência de histórias; a que está acontecendo na frente do público, e a que se ouve ao longe. Essa situação expressa pelo texto tem grande potencial para gerar discussões acerca do quanto nos permitimos afetar pelos fatos a nossa volta, o quanto estamos dispostos a assumir posicionamentos efetivos e arcar com as consequências disso.

A encenação de Carlos Gradim e Yara de Novaes propõe também um paralelo na interpretação dos atores, que ora narram, ora vivem a história. Um caleidoscópio de existências, pensamentos e realidade colocado na frente do público.

Entre trata da correlação entre afetação, alienação e medo. O quanto somos afetados pelo que ocorre ao nosso redor e as consequências desta afetação, são questões cada vez mais cotidianas para todos nós. Ao mesmo tempo que somos bombardeados por informações do que ocorre no mundo inteiro e estamos o tempo todo nos manifestando e nos posicionando nas redes sociais e nos nossos pequenos círculos, continuamos muitas vezes fechando os olhos e ignorando o que ocorre ao nosso lado. Violências acontecem dentro de casa, pessoas morrem na nossa esquina e por uma infinidade de razões, muitas vezes não nos damos conta disso e do que não fizemos para evitar.

A constituição de nossa sociedade patriarcal, o machismo estrutural no qual somos formados, nos fazem repetir grandes ou pequenos comportamentos de opressão, de diferenciação, de continuidade do que como disse Caetano Veloso é “o macho adulto branco, sempre no comando.” É neste lugar incômodo que nos colocamos neste espetáculo e estamos a cada dia nos perguntando: como saltar sobre isso?”, comenta Eloisa Elena.

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Entre

Com Alexandre Cioletti, Cláudio Queiroz e Eloisa Elena

Duração 55 minutos

Classificação 14 anos

Itaú Cultural (Av. Paulista, 149 – Bela Vista, São Paulo)

04 até 07/04

Quinta, Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 19h

Grátis (Retirar ingressos 1h antes do espetáculo)

Oficina Cultural Oswald de Andrade – Anexo (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)

11 a 20/04

Dias 11, 12 e 18 – quinta e sexta – 20h

Dia 13 – sábado – 18h

Dias  19 e 20 – sexta e sábado – 18h  (em função do feriado)