BRINCANDO EM CIMA DAQUILO

Depois de uma curta temporada de estreia, a obra dos italianos Dario Fo e Franca Rame, encenada no Brasil por grandes atrizes, como Marília Pêra, Denise Stoklos e Débora Bloch, chega ao Teatro Morumbi Shopping a partir do dia 29 de setembro.

Brincando em cima daquilo traz ator paulista Wilson de Santos dando vida a três mulheres mergulhadas em humor e poesia para desafiar as pequenas – e também gigantescas – repressões às quais estão sujeitas em suas relações cotidianas. A comédia fica em cartaz até o dia 26 de novembro, às sextas e sábados, às 21h, e aos domingos, às 19h.

Brincando em cima daquilo tem direção do ator e diretor Marcelo Médici e vem rendendo ótimos comentários juntos à imprensa paulistana. “Wilson de Santos é do tipo de ator que não teme grandes desafios. (…) Famoso por sua versatilidade justamente ao incorporar personagens femininas, Wilson dá conta do recado, divertindo e fazendo refletir a plateia do Teatro Renaissance, em São Paulo”, escreveu o crítico Miguel Arcanjo Prado em seu blog do portal UOL, depois da estreia na capital paulista. Já o crítico Dirceu Alves Jr. (Veja SP) escreveu: “Comediante de mão-cheia acostumado aos tipos femininos, o ator paulista Wilson de Santos é o primeiro homem a protagonizar os monólogos de Brincando em Cima Daquilo. (…) O protagonista acentua o caráter tragicômico dessas duas histórias e ganha o público pela identificação com as situações. Mas é na parte final, porém, como a dona de casa Maria, que o talento de Santos salta aos olhos do espectador”.

Três esquetes mesclam momentos de muito humor, retirados de rotinas identificáveis por cada um de nós, com a crítica contida no enfrentamento à violência e à educação repressora que insistem em recair sobre as mulheres, ainda hoje. Uma dona de casa é trancada no apartamento pelo marido, enquanto outra mulher enfrenta um ônibus cheio na volta do escritório. Já a operária acorda atrasada e tenta encontrar as chaves da porta de casa, numa luta contra o relógio e suas “obrigações” cotidianas. Ressignificadas pelo olhar, voz e corpo de Wilson, todas as cenas são capazes de nos fazer rir e se identificar com a força da peça de Fo e Rame, sempre ancorada na união da coloquialidade do texto e o desempenho dos artistas que decidem dar vida àquelas histórias.

A proximidade entre o ator e o público, utilizando a improvisação para manter um contato direto entre eles, é uma das características que não deixa Brincando em cima daquilo perder sua vitalidade. E essa é justamente uma das grandes características do trabalho de Wilson de Santos, que valoriza palavras, olhares e o timing em cena para estabelecer um diálogo íntimo – e sempre hilário – com quem se deixa contaminar pelo humor ácido com o qual constrói suas personagens. A autorização da peça – cujos textos foram encenados em cerca de 50 países e nunca antes haviam sido liberados para um ator – foi dada a Wilson por Jacopo Fo, filho do casal italiano e representante da obra, que se sentiu instigado com a novidade após analisar o currículo do ator. Nos últimos anos Wilson levou ao palco hilárias personagens femininas, como a freira Maria José, da comédia A Noviça Mais Rebelde, e a atriz Bette Davis, na peça Bette Davis e Eu. Essa nova versão de Brincando em cima daquilo, portanto, é uma oportunidade rara de viver através do teatro uma experiência emocionante e, sobretudo, divertidíssima.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Brincando em Cima Daquilo
Com Wilson de Santos
Teatro Morumbi Shopping (Av. Roque Petroni Júnior, 1089 – Jardim das Acacias, São Paulo)
Duração 60 minutos
29/09 até 26/11
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h
$60/$70
Classificação 14 anos

1 MELHOR QUE O OUTRO

Eles vão disputar a simpatia do público com o que sabem fazer de melhor. Marcinho Eiras toca duas guitarras ao mesmo tempo, Mauricio Dollenz faz números inusitados de mágica e mentalismo, Dinho Machado canta sobre relacionamentos amorosos e Paulinho Serra satiriza questões do seu cotidiano. Juntos, os parceiros de palco estreiam o show de humor 1 Melhor Que o Outro no Teatro MorumbiShopping dia 6 de setembro, quarta-feira, às 21 horas.

Cada comediante terá quinze minutos para registrar sua marca com o público e provar que é melhor do que o companheiro a se apresentar na sequência. “São quatro humoristas de universos bem diferentes mostrando o que têm de mais interessante em cena”, sintetiza Paulinho Serra, ressaltando que a competição não passa de uma brincadeira para promover um encontro de humor com o público. Paulinho irá vestir sua camisa de carioca e contar piadas sobre o período que morou no Rio de Janeiro, destacando as primeiras empreitadas como ator e comediante por lá.

O guitarrista Marcinho Eiras diz que rola uma afinidade grande entre os quatro no palco e que cada um se garante. Brincalhão, descobriu que suas apresentações encaixam-se no rótulo stand-up e agora investe na comédia. Empunhando duas guitarras que toca ao mesmo tempo, com pegada jazzista, o número de Marcinho ilustra casos do cotidiano com músicas. “Ele se intitula o melhor, o cara“, diz o artista sobre o espírito provocativo de seu personagem.

O mágico Maurício Dollenz entra e sai do palco durante o espetáculo, “um pouco como o garçom Alex, do Programa do Jô”, diz, explicando como será o formato de sua apresentação. “Vou fazer a plateia rir com números de mentalismo, quando adivinho o que passa na cabeça das pessoas“, adianta o artista chileno radicado no Brasil desde 2013.

Dinho Machado prefere surpreender a cada sessão. A surpresa, inclusive, é um prato cheio para o artista, que também é ator. “Na atuação profissional nós temos que pensar em cada atitude do personagem, já no humor tudo é imprevisível e vamos sentindo o retorno da plateia na hora”, conta. Conhecido por cantar músicas satíricas sobre relacionamentos amorosos, garante com esse recurso – normalmente ao ritmo de pop e sertanejo – um dos pontos altos das suas apresentações. “Canto sobre as três etapas: a de quem está procurando por um relacionamento, quem está em um e quem acabou de sair”, fala Dinho.

Todos os artistas já trabalharam juntos antes, seja participando dos shows dos colegas ou se encontrando em turnês pelo Brasil. Paulinho e Dinho, que se conhecem há pelo menos quinze anos, chegaram a se apresentar no mesmo período no Japão. A temporada do show de humor no Teatro MorumbiShopping vai até dia 22 de novembro e, repleto de improviso e diversão, é feito para se ver mais de uma vez.

image007.png

1 Melhor Que o Outro
Com Dinho Machado, Marcinho Eiras, Mauricio Dollenz e Paulinho Serra
Teatro MorumbiShopping (Av. Roque Petroni Junior, 1089 – Jardim das Acácias, São Paulo)
Duração 70 minutos
06/09 até 22/11
Quarta – 21h
$60
Classificação 12 anos

 

ALÔ ALÔ THEATRO MUSICAL BRAZILEIRO (OPINIÃO)

A atriz e cantora, Amanda Acosta, conta a trajetória do Teatro Musical do país no seu mais recente espetáculo – “Alô Alô Theatro Musical Brasileiro“, em cartaz, às terças feiras de abril, às 21 horas, no Teatro Morumbi Shopping.

Percorrendo de 1890 até 2016, Amanda canta 13 canções, e entre ela, conta em textos rápidos, como surgiu o Teatro de Revista no país, seu desenvolvimento e transformações ao decorrer dos anos até se tornar no nosso Teatro Musical Brasileiro.

É um show sobre as influências da identidade cultural do Brasil nos musicais. Um dos objetivos é reacender a interpretação de músicas maravilhosas que muitos ouvem sem saber que foram feitas para o teatro musical brasileiro”, diz a atriz.

Passam pelo palco, canções como “Feijoada do Brasil” e “Corta Jaca“, ambas composições de Chiquinha Gonzaga; os clássicos “Na Batucada da Vida” e “No Rancho Fundo“, além de “Tango de Nancy“, “Basta um Dia” e “Ode aos Ratos“, de Chico Buarque de Holanda, entre outras.

Além de interpretá-las de uma forma teatralizada, Amanda vai além. Ela emula os sotaques de cada época em que as canções foram compostas, situando o espectador antes de iniciar cada uma das faixas.

A atriz está bem acompanhada no palco pelos músicos Demian Pinto, pianista e que fez os arranjos do espetáculo, e Daniel Baraúna, na percussão.

Também tem a companhia de um dos mais importantes e criativos artistas do nosso Teatro/ Teatro Musical – Kleber Montanheiro. Em parceria com Amanda, Kleber assina a direção e roteiro, e também cuida do figurino e iluminação (realmente, um show a parte).

Em um país que não tem memória, “Alô Alô Theatro Musical Brasileiro” é quase um programa obrigatório. Além de se informar e se divertir, terá a oportunidade de (re)ver  Amanda Acosta, dona de uma linda voz e que prende a atenção do público em todos os minutos que está em cena.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Alô Alô Theatro Musical Brazileiro
Com Amanda Acosta
Teatro Morumbi Shopping (Av. Roque Petroni Junior, 1089 – Jardim das Acácias, São Paulo)
Duração 70 minutos
04 a 25/04
Terça – 21h
$50
Classificação 14 anos
Direção e Roteiro: Amanda Acosta e Kleber Montanheiro.
Figurino e Iluminação: Kleber Montanheiro.
Adereço de Cabeça: Paulo Bordhin.
Arranjos e Piano: Demian Pinto.
Percussão: Daniel Baraúna.
Designer de cabelo e Maquiagem: Anderson Bueno.
Produção: Waldir Terence e Amanda Acosta.
Realização: Acosta Produções Artísticas & Terence Produções.
Assessoria de Imprensa: Arteplural Comunicação

ALÔ ALÔ THEATRO MUSICAL BRAZILEIRO

Envolvida com a carreira artística desde os quatro anos, a cantora e atriz Amanda Acosta participou do grupo infantil Trem da Alegria, sucesso infantil nos anos 80, e em seguida consagrou sua carreira nos palcos, destacando-se em musicais como Grease, My Fair Lady e 4 Faces do Amor. Ao perceber a dificuldade do público em identificar as marcas de musicais criados no Brasil, a artista concebeu, ao lado de Kleber Montanheiro, o show Alô Alô Theatro Musical Brazileiro, que fará temporada no Teatro Morumbi Shopping entre os dias 4 e 25 de abril, sempre às terças-feiras, 21h.

Neste show, Amanda apresenta ao público treze canções que nasceram para os musicais desde 1890 até 2016. “Clássicos que se eternizaram fora dos palcos, como Na Batucada da Vida (Luis Peixoto e Ary Barroso) e No Rancho Fundo ( Ary Barros e Lamartine Babo) foram interpretados no teatro musical”, destaca Amanda. Especializada no gênero, a artista emula os sotaques de cada época, situando o espectador antes de iniciar cada uma das faixas.

No repertório, há músicas do início do século XX, como Feijoada do Brasil (Chiquinha Gonzaga) e Corta Jaca(Chiquinha Gonzaga e Machado Careca), o samba-canção Linda Flor (Henrique Vogeler, Marques Porto e Luiz Peixoto) e músicas do multiartista Chico Buarque de Hollanda, como Tango de Nancy, Basta um Dia e Ode Aos Ratos.

Amanda relata ao público, em textos simples e breves, como foi a inserção do teatro de revista no Brasil no final do século XIX, da retomada deste gênero já em 1965, dos traços dos musicais legitimamente brasileiros e como segue o cenário nos dias de hoje. Ela também dá informações sobre as canções e os compositores que interpreta, sempre conferindo dinamismo e agilidade ao show.

Sobre a potência dos musicais, Amanda afirma que o gênero pode falar sobre questões importantes e pesadas a partir de uma linguagem mais leve. “O espectador, ao mesmo tempo em que está relaxado, capta informações relevantes.”A artista completa que o gênero no Brasil passa por um problema de patrocínios. “Os musicais importados já vem com uma divulgação espontânea e com atrativos por terem sido apresentados na Broadway ou serem inspirados em filmes, mas os musicais feitos aqui, com a nossa linguagem, com o nosso jeito, com a nossa identidade, que se comunica diretamente com o nosso público, não têm as mesmas facilidades.” diz Amanda.

Amanda complementa que teve o apoio do diretor Kleber Montanheiro para a composição do espetáculo, tendo estreado esse show em outro formato pelo projeto Cabaret Solo, promovido pelo Espaço Cia da Revista, no Centro de São Paulo.

É um show sobre as influências da identidade cultural do Brasil nos musicais. Um dos objetivos é reacender a interpretação de músicas maravilhosas que muitos ouvem sem saber que foram feitas para o teatro musical brasileiro”, finaliza Amanda.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Alô Alô Theatro Musical Brazileiro
Com Amanda Acosta
Teatro Morumbi Shopping (Av. Roque Petroni Junior, 1089 – Jardim das Acácias, São Paulo)
Duração 70 minutos
04 a 25/04
Terça – 21h
$50
Classificação 14 anos
 
Direção e Roteiro: Amanda Acosta e Kleber Montanheiro.
Figurino e Iluminação: Kleber Montanheiro.
Adereço de Cabeça: Paulo Bordhin.
Arranjos e Piano: Demian Pinto.
Percussão: Daniel Baraúna.
Designer de cabelo e Maquiagem: Anderson Bueno.
Produção: Waldir Terence e Amanda Acosta.
Realização: Acosta Produções Artísticas & Terence Produções.
Assessoria de Imprensa: Arteplural Comunicação

 

 

ATREVIDO

Já ouviu falar de Gustavo Mendes? Se você não frequenta o mundo do humor na Internet, talvez não. Mas é bom prestar atenção no ator e comediante que é bem conhecido por lá – tem mais de 300 mil pessoas inscritas em seu canal no Youtube e 469 mil curtidas em sua página oficial do Facebook. O mineiro de Guarani – que ficou famoso nas redes sociais por sua hilária interpretação da ex-presidente Dilma – apresenta seu o novo show Atrevido a partir de 17 de março no Teatro Morumbi Shopping.

Com experiência de palco e respaldado pelo recurso da projeção de vídeos em telão, o humorista pretende deixar a plateia à vontade no novo show. Gustavo – que assina os textos ao lado de Gueminho Bernardes – também vai interagir com outras entidades mais diretamente presentes na sua rotina: sua mãe, seu analista, alguns dos seus amores e pessoas comuns que querem saber da sua vida. Atrevido mostra um artista mais maduro, com uma carreira solidificada e novas histórias para contar.

Gustavo Mendes também interpreta sua galeria de tipos icônicos – os cantores Roberto Carlos, Maria Bethânia, Ana Carolina, Fagner, Belchior e Zé Ramalho e os apresentadores Xuxa e Sérgio Chapelin, além da personagem Dilma, responsável por cativar sua legião de fãs.

Eu amo TV e Teatro, guardo meus trunfos de comédia para esses ambientes (quem for assistir ao show irá se surpreender!). Caí na rede de paraquedas e lá fiz muito sucesso por conta da Dilma, mas aposto no teatro e faremos uma temporada histórica esse ano, primeiro aqui em São Paulo, depois viajando o Brasil!

Atuante na TV e nos palcos, em abril, o artista começa a gravar as novas temporadas das séries do Multishow – Treme Treme e Xilindró. Gustavo Mendes – que hoje coleciona mais de 20 milhões de visualizações no Youtube – começou profissionalmente no Show do Tom, na TV Record.

Depois passou pelo Casseta&Planeta – Vai Fundo, interpretou o colunista social Eloy di Marco na  novela Cheias de Charme e integrou o elenco de comediantes de Zorra Total (onde criou mais de 10 personagens), todos da Globo. Gustavo também integrou o elenco da Rede Bandeirantes de Televisão no programa Agora é Tarde, com o humorista Rafinha Bastos.

e847ff1c66_gustavomendes

Atrevido
Com Gustavo Mendes
Teatro Morumbi Shopping (Av. Roque Petroni Júnior, 1089 – Jardim das Acacias, São Paulo)
Duração 90 minutos
17/03 até 30/04
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
$70/$80
Classificação 14 anos

 

EMPREITADA – UMA OBRA IMPROVISADA

Premiada pelos espetáculos Jogando no Quintal (para adultos e crianças) e A Rainha Procura (infantil) e conhecida por seu trabalho unindo teatro, palhaço e improvisação, a Cia. do Quintal estreia seu mais novo espetáculo. Empreitada – uma Obra Improvisada abre o horário das quintas-feiras às 20 horas, do Teatro Morumbi Shopping, com temporada até 24 de novembro.

Se em Jogando no Quintal palhaços competem para se divertir, em Empreitada a diversão está no próprio ato de improvisar. Num canteiro de obras, improvisadores e músicos assumem a função de operários, cuja tarefa não é construir um prédio ou uma casa, mas sim histórias. Tudo por meio de jogos de improvisação e a partir de sugestões da plateia.

O público participa na medida em que fornece os materiais (histórias, sugestões de temas, de lugares etc) para a construção cênica e compartilha da mesma brincadeira, de criar e de imaginar. Assim, o cenário, as ferramentas e os objetos dessa obra ganham novas formas: uma escada vira um barco, uma cerca se transforma em uma floresta e uma placa de aviso, em um jacaré.

O espetáculo celebra a capacidade que juntos temos de realizar no palco tudo aquilo que a imaginação (nossa e do público) permitir”, conta César Gouvêa, diretor da Cia. do Quintal, que está no elenco ao lado  de  Álvaro Lages, Caio Juliano, Filipe Bregantim, Leandro Costa e Rafael Pimenta.

Seja na atuação ou na música, uma pergunta guia as improvisações: “E se…?”. Essa provocação – que permite mudar o passado e presente, que permite abrir outras possibilidades e traçar o futuro, que permite duvidar daquilo que está estabelecido e que permite enxergar-se no lugar do outro – é o grande estímulo para que a obra ganhe corpo.

Sobre a Cia. do Quintal

Pioneira no teatro de improviso no Brasil, a Companhia do Quintal – dirigida por César Gouvêa, dedica-se, desde 2002, à pesquisa e ao diálogo entre as técnicas da Improvisação e do Palhaço.

Ao longo dos anos, tornou-se fonte de inspiração e influenciou o movimento de Improvisação no País, além de ser o principal representante brasileiro em diversos festivais da América Latina e Europa. Entre as principais criações do seu repertório destacam-se o espetáculo Jogando no Quintal (visto por mais de 500 mil pessoas no Brasil) e A Rainha Procura (aclamado por público e crítica, tendo recebido os prêmios FEMSA, APCA e Guia da Folha como melhor espetáculo de 2013). Em sua sede há 10 anos funciona uma escola de referência em São Paulo onde compartilha a pesquisa do grupo.

Empreitada – Uma Obra Improvisada
Com Cia do Quintal (César Gouvêa, Álvaro Lages, Caio Juliano, Filipe Bregantim, Leandro Costa e Rafael Pimenta)
Teatro Morumbi Shopping (Av. Roque Petroni Júnior, 1089 – Jardim das Acacias, São Paulo)
Duração 70 minutos
27/10 até 24/11
Quinta – 20h
$50
Classificação 12 anos

 

 

INUTILEZAS

É preciso desinventar os objetos. O pente, por exemplo. É preciso dar ao pente funções de não pentear. Até que ele fique à disposição de ser uma begônia.” A frase, adaptada do livro Uma Didática da Invenção, de Manoel de Barros, é um dos muitos trechos da obra do poeta mato-grossense que estão na peça Inutilezas, um roteiro escrito em 2002 pela jornalista e atriz Bianca Ramoneda (apresentadora do programa Ofício em Cena, da Globonews) e reconhecido pelo próprio poeta como um trabalho “do maior acerto e do maior bom gosto”. No palco estão Bianca e Gabriel Braga Nunes dirigidos por Moacir Chaves.

O espetáculo conta a possível história das memórias de um casal de irmãos que passou a infância num lugar chamado de “lacuna de gente”. Protegidos pelo abandono, fizeram da invenção suas ferramentas de pensar e brincar. E do que não serve para nada, sua matéria de poesia. A peça pode contar também a possível história de uma dupla de atores que se reúne para transformar poesia em teatro, num jogo de cena que aposta na força da palavra e no espírito lúdico. Experiente em levar à cena textos que não foram originalmente escritos para o teatro, o director Moacir Chaves concebeu uma montagem enxuta. No palco, dois atores interpretam o texto de diferentes ângulos, lembrando ora dois irmãos, ora um casal, ora o poeta.

Manoel de Barros tem uma escrita inteligente, crítica e lúdica, ao mesmo tempo. É um prazer ouvir diariamente suas construções sonoras. (…) Temos, agora, basicamente, uma maior concentração na sonoridade do espetáculo, diz o diretor.

No cenário de Fernando Mello da Costa, duas poltronas e gaiolas de passarinho sobre o chão de madeira. Pontuando os versos, entram intervenções sonoras criadas por Pedro Luís, um dos fundadores do grupo Monobloco e da banda Pedro Luís & A Parede, executadas ao vivo pelo músico Chico Oliveira.

A peça, segundo Bianca Ramoneda, é uma ode às coisas “que não servem para nada”, supostamente inúteis no nosso cotidiano e que, ressignificadas, transformam-se em matéria-prima da poesia, em beleza e alimento para o espírito. Essa “inutilidade” é também metáfora para falar do ofício do artista. Tanto o poeta quanto a peça propõem a inversão de uma chave: a de que tudo o que fazemos precisa ter um sentido utilitário.

Ao estudar a produção do poeta há 14 anos, a autora percebeu que havia uma espécie de diálogo entre um livro e outro. O roteiro criado por ela foi encenado na época e visto pelo poeta, que deu sua bênção, escrevendo: “Não estou acreditando no que vi! Um teatro verdadeiro. Não é declamação de versos. É uma representação da palavra. Com os personagens vivos e as suas contradições“.

O encontro da escritora com Manoel de Barros aconteceu em uma edição do extinto Prêmio Nestlé de Literatura Brasileira em 1998, quando Bianca era estreante na literatura e o poeta estava sendo homenageado. Ela deu o livro de presente a ele e os dois passaram a trocar cartas.

À medida que lia os livros do Manoel, ficava com a sensação de estar ouvindo uma conversa, como se os diálogos existissem, mas estivessem espalhados em vários livros diferentes. Marquei com inúmeros papeizinhos as páginas que endereçavam para outras páginas e assim sucessivamente. (…) Trabalhamos arduamente para fazer o desnecessário, como diria o poeta. E erguemos a peça”, conta Bianca.

A dramaturga e atriz ressalta que os poemas de Manoel são atemporais, universais e de qualidade inquestionáveis, capazes de renovar o sentido a cada leitura e criar novas conexões. “Num mundo desesperançado como o nosso, pautado pela economia, pela política, pela ciência e pelo pragmatismo, acho que é nosso dever puxar para a arte o lugar do encontro onde podemos perceber a realidade de outra forma. Mais lúdica, mas nem por isso mais frouxa”, diz Bianca.

Gabriel Braga Nunes também conta de suas impressões ao interpretar depois de 14 anos os diversos personagens possibilitados pela poesia do mato-grossense: “Manoel partiu, nós envelhecemos, mas os textos não. Revisitá-los agora é perceber diferente (…) Além disso, a peça não tem personagens definidos, então pode ser feita por qualquer pessoa em qualquer momento. Manoel situa a gente. Tem que olhar de tempos em tempos pra não sair da rota. Me animou a ideia de revisitar o tema tanto tempo depois. Afinal, 14 anos é a idade em que se deve assumir as irresponsabilidades.”.

Sobre a morte do poeta, ocorrida em 2014, aos 97 anos, Bianca o homenageia: “Existem muitas peças dentro de Inutilezas e é por isso que estamos aqui, nos reencontrando. A mesma equipe de 14 anos atrás, com uma integrante a mais: a saudade do poeta. Repetir, repetir, até ficar diferente’, Manoel ensinou. Ao repetir, percebemos que somos outros e nossa peça também. Inutilezas, hoje, conta a possível história do reencontro de artistas que um dia montaram uma peça e precisam testar seus deslimites por receio de amanhecerem normais”, finaliza.

image001

 

Inutilezas
Com Bianca Ramoneda e Gabriel Braga Nunes
Teatro Morumbi Shopping – Shopping Morumbi (Av. Roque Petroni Júnior, 1089 – Jardim das Acacias, São Paulo)
Duração 50 minutos
29/10 até 27/11
Sábado – 20h; Domingo – 18h
$60
Classificação 12 anos
 
Texto: Manoel De Barros.
Direção: Moacir Chaves.
Roteiro: Bianca Ramoneda.
Músico Convidado: Chico Oliveira.
Direção Musical: Pedro Luís.
Cenário: Fernando Mello Da Costa.
Iluminação: Aurelio De Simoni.
Figurino: Bia Salgado.
Fotos: Marco Terranova.
Ilustrações: Eduarda De Aquino.
Direção de Produção: Jaqueline Roversi
Assessoria de Imprensa: Arteplural Comunicação