A CARRUAGEM DE BERENICE

O diálogo entre o adulto e a criança é o tema do infantil A Carruagem de Berenice, com dramaturgia de Camila Appel e músicas originais de Zeca Baleiro. Traz aos palcos Luiza Micheletti e Thay Bergamin. Estreia no dia 11 de agosto, no MUBE Nova Cultural, onde segue em cartaz até dia 14 de outubro. Com direção de Márcio Macena e Hudson Senna, a peça levanta questões que são comuns ao universo infantil e pouco abordadas na dramaturgia brasileira. Berenice tem apenas oito anos mas já lida com situações difíceis, como toda criança dessa idade.

Ela escuta os pais brigando, ela sofre bullying na escola por querer fugir de estereótipos, vê seu grande amigo mudar de cidade e questiona conceitos de vida e a morte ao saber que seu animal de estimação morreu. Nada incomum ou improvável. Esse espetáculo traz para si o desafio de abordar questões que normalmente trariam constrangimento, com naturalidade e diversão. Afinal, são parte da vida. Essa mensagem é o mote desse espetáculo, idealizado para, justamente, mostrar que há leveza nos desafios. E que sofrer é um sentimento tão natural quanto se alegrar.

A trama conta a história da menina Berenice e a Moça da Carruagem. Berenice enfrenta suas primeiras situações difíceis e tem a ajuda da Moça da Carruagem, uma figura misteriosa que se espanta com a espontaneidade da criança. Juntas, partem em uma aventura que levanta noções de geografia, espaço, tempo e liberdade de expressão. No final, descobrimos que são a mesma pessoa. A carruagem é uma máquina do tempo e a moça  vem do futuro. Ela está em um processo de terapia representado nessas viagens ao passado. Em que as dificuldades são oportunidades de aprendizado.

As músicas de Zeca Baleiro traduzem esse lema com maestria. A criança, na sua essência, recebe a visita de uma mulher em uma carruagem. As visitas ocorrem em momentos tristes, mas anunciam um futuro onde tudo ficará bem. A adulta visita sua criança onde algo a marcou  Não existem opostos, mas sim momentos da vida. O espetáculo mostra que o tempo pode ser um caminho para compreender que a beleza da vida, é viver. Talvez, uma forma bonita de passar por essas experiências, seja mesmo brincando. E isso não tem idade.

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A Carruagem de Berenice

Com Luisa Micheletti Thay Bergamim

Teatro do MUBE (Av. Europa, 218 – Jardim Europa, São Paulo)

Duração 55 minutos

11/08 até 14/10

Sábado – 16h, Domingo – 11h

$40

Classificação Livre

SILÊNCIO.DOC

Escrito em 2007, o monólogo Silêncio.doc é o primeiro exercício de escrita dramatúrgica de Marcelo Varzea. A peça ficou engavetada por dez anos até que ele e o diretor Marcio Macena resolveram fazer uma leitura nas Satyrianas 2017. E, graças ao sucesso da apresentação nesse festival, eles decidiram estrear a peça no Auditório MuBE, no dia 20 de fevereiro.

Com tom trágico e cômico, o espetáculo dá voz a um homem desesperado que mergulha em seu universo íntimo para entender os enigmas de uma separação amorosa devastadora e repentina. Ele busca a catarse coletiva dos ideais românticos e a possibilidade de descobrir um novo modelo de homem.

O personagem revela seu fluxo de consciência compulsivo, descrevendo sua situação de forma ora patética, ora dolorosa. O público é convidado a assistir a isso tudo de forma ativa ou apenas como espectador.

A encenação é pautada basicamente no trabalho do ator, que brinca com a morfologia e etimologia das palavras, como se o personagem estivesse escrevendo um texto, ou ministrando uma aula sobre a dor de amor. Ele filosofa e constrói teses a partir de seus pensamentos mais profundos, alternando a quebra e/ou interposição da quarta parede para que o espectador olhe para a própria vida e sinta empatia.

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Silêncio.doc
Com Marcelo Varzea
Auditório MuBE (Rua Alemanha, 221 –  Jardim Europa, São Paulo)
Duração 60 minutos
20/02 até 26/06
Terça – 21h
$40
Classificação 14 anos

EU SEMPRE QUIS

Voltar para casa, reencontrar as próprias raízes, admitir erros do passado e do presente. Enxergar no próprio espelho o peso do passado dos familiares. Estes são os elementos da comédia “Eu Sempre Quis“. O texto é de Eduardo Ruiz e a direção de Luiz Mario Vicente. A iluminação é comandada por Wagner Pinto, vencedor do prêmio Shell 2016.

O espetáculo reestreia dia 28 de outubro no auditório do MUBE, mostra a jornada de duas filhas que, enredadas pelos tropeços da vida, voltam à casa da mãe e se confrontam com uma tia moralista de suposta vida exemplar. Apesar de aparentemente tão distintas, as histórias destas quatro mulheres se repetem de geração em geração.

A obra é calcada fundamentalmente na palavra. No espetáculo, o que essas quatro mulheres deixam de dizer e as consequências deste silêncio são tão importantes quanto aquilo que é pronunciado.

“Eu Sempre Quis” traz para o palco um tema provocante e atual. O texto atemporal conduz o público à reflexão de um problema contemporâneo: estaremos sempre presos numa espiral do silêncio? Dizemos tudo aquilo que queremos? Será que o que falamos realmente é entendido?

Neste jogo do dito e do não dito, um sufocante espaço de único (a casa da mãe) e de comunicação limitada faz com que as frustrações se espelhem e tendam a se perpetuar. Algo precisa ser dito para quebrar este ciclo.

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Eu Sempre Quis
Com Almara Mendes, Mirella Tronkos, Mônica Duarte e Priscila Castello Branco
Auditório do MUBE (Rua Alemanha 221 – Jardim Europa, São Paulo)
Duração 75 minutos
28/10 até 20/11
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 18h
$50
Classificação 14 anos
 
Texto: Eduardo Ruiz 
Direção: Luiz Mario Vicente
Cenário e Figurino: Telumi Hellen
Iluminação: Wagner Pinto
Assessoria de Imprensa: Fabio Camara