DIÁLOGOS SOBRE A LOUCURA

O espetáculo ‘Diálogos Sobre a Loucura’, segundo trabalho do grupo Performatron, nasce a partir de um processo de pesquisa de dois anos realizado em instituições psiquiátricas do país. A peça estreia na próxima segunda-feira, 02 de julho, às 20h, na Oficina Cultural Oswald de Andrade em temporada até 15 de agosto, sempre às segundas, terças e quartas, às 20h. No espetáculo, um grupo de jovens médicos que atua em um hospital psiquiátrico no Rio de Janeiro em plena ditadura militar, vê-se obrigado a tomar uma atitude drástica quando são demitidos arbitrariamente de suas funções.

Contemplado pelo ProAC – Primeiras Obras de Teatro em 2017, o espetáculo busca refletir sobre a construção social da loucura, a partir da fricção entre materiais documentais e as experiências vividas pelos artistas do grupo durante o processo. Durante o período de pesquisas práticas, realizadas no Instituto Nise da Silveira, no Rio de Janeiro, e em unidades do CAPS na cidade de São Paulo, foram realizadas diversas conversas com portadores de transtornos psiquiátricos, profissionais da área da saúde e familiares, além do registro por meio de textos, vídeos e gravações das impressões dos atores, que participaram de oficinas de teatro, eventos institucionais e reuniões de equipe nessas instituições.

Desde sua formação, no ano de 2014, o grupo Performatron investiga as possibilidades de ampliação e ressignificação de material documental através da pesquisa em comunidades específicas. Em seu primeiro trabalho, São Paulo Refúgio, depoimentos, cartas e entrevistas concedidas por refugiados e imigrantes foram revisitados em ensaios colaborativos e confrontados com as experiências pessoais dos atores, que estiveram também durante dois anos imersos em ocupações, mesquitas e instituições de auxílio a imigrantes. A partir desses encontros com grupos em situação de vulnerabilidade, o grupo busca sempre estabelecer novas possibilidades desenvolver suas criações artísticas diretamente atreladas com questões sociais e políticas da sociedade atual.

Em ‘Diálogos Sobre a Loucura’, o amplo espectro da loucura é abordado pelo viés do sistema público de saúde mental do país. Durante a pesquisa prática, o grupo percebeu a necessidade de reflexão sobre as consequências sociais de modelos psiquiátricos que encarceram e desumanizam portadores de transtornos mentais. Foram explorados, ainda, elementos fundamentais que permeiam a discussão, como o papel da indústria farmacêutica, a reinserção social de pacientes advindos de longos períodos de internação e os impactos de decisões políticas nesses processos.

O desenvolvimento da dramaturgia e a ação ficcional do espetáculo tomou como uma base um acontecimento histórico conhecido como “Crise da DINSAM (Divisão Nacional de Saúde Mental)”, quando, em 1978, três jovens médicos decidem denunciar no livro de registro o que acontece no Centro Psiquiátrico Pedro II, no Rio de Janeiro. O psiquiatra Paulo Amarante, também entrevistado nesse processo, explica:

Em 1978, comecei a trabalhar na Dinsam e notei ausência de médicos nos plantões, deficiências nutricionais nos internos, violência (a maior parte das mortes causada por cortes, pauladas, não investigadas e atribuídas a outros pacientes). Investigamos, e as conclusões deram muito problema. Outra denúncia era da existência de presos políticos em hospitais psiquiátricos, inclusive David Capistrano, pai, um dos fundadores do Partido Comunista (Radis 143) – e existem fortes indícios de que era ele mesmo. Havia médicos psiquiatras envolvidos em tortura e desaparecimento de presos políticos – a Colônia Juliano Moreira [no Rio] tinha um pavilhão onde só entravam militares. Fui chamado na sede da Dinsam e demitido, com mais dois colegas. Oito pessoas, entre elas, Pedro Gabriel Delgado e Pedro Silva, organizaram um abaixo-assinado em solidariedade a nós. Depois, mais 263 pessoas foram demitidas. Isso caracterizou um movimento. Conseguimos manter a crise da Dinsam, como chamávamos, na imprensa por mais de seis meses.

O grupo, inteiramente formado por jovens em torno dos 25 anos de idade, traz em seu discurso e no discurso de seus personagens, o dilema de uma geração que é incapaz de agir ativamente diante da catástrofe social e política que assola o país.

Principalmente depois da grave crise política atual, percebe-se que os dilemas de 1978 não estão tão distantes de nós e encontrar o modo de trazer isso para o espetáculo foi o grande desafio dessa criação. Encontrar os diálogos possíveis entre 1978 e 2018, jovens médicos e jovens artísticas, o hospício e o teatro, se mostrou um processo extremamente trabalhoso, porém gratificante, uma vez que hoje é possível enxergar no espetáculo não apenas as vozes dos artistas e de um jovem grupo de teatro da cidade de São Paulo, mas, sobretudo, das inúmeras vozes silenciadas em instituições psiquiátricas do país”, acrescenta Dess.

Ainda que a reforma psiquiátrica implantada em 2001 no Brasil objetive o fim dos manicômios, é notório que algumas instituições psiquiátricas ainda permanecem reproduzindo o mesmo modelo de encarceramento do século passado. “Durante o período de pesquisa para o desenvolvimento do espetáculo foi possível notar como alguns modelos enrijecidos de gestão são capazes fomentar a marginalização e estigmatização do paciente psiquiátrico. Buscando construir uma crítica a esses modelos, foi tomado como base um acontecimento histórico do passado, porém perfeitamente capaz de dialogar com os tempos atuais. Entende-se que para compreender os sistemas de regem o Brasil atual, é necessário olhar para como esses sistema foram construídos no passado e é isso que ‘Diálogos Sobre a Loucura’  e o Performatron buscam fazer, complementa o diretor.

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Diálogos Sobre a Loucura

Com André de Saboya, Augusto Caliman, Elise Garcia, Ériko Carvalho e Gabriela Moraes

Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro – São Paulo)

Duração 130 minutos

02/07 até 15/08

Segunda, Terça, Quarta – 20h

Ingressos gratuitos distribuídos 1h antes do início do espetáculo.

Classificação 14 anos

*30 e 31 de julho e 01 de agosto não haverá espetáculo

**2 e 16 de julho, às 21h, e 9 de julho, às 19h.

MORTE ACIDENTAL DE UM ANARQUISTA

A comédia ‘Morte Acidental de Um Anarquista’, que completa três anos em cartaz, tendo passado por 27 cidades, inicia nova fase nos palcos do Teatro Gazeta, em São Paulo, a partir de 30 de junho, desta vez, em temporada aos sábados, às 22h e aos domingos, às 20h. A montagem do texto de Dario Fo, prêmio Nobel de Literatura em 1997, que contou com Dan Stulbach no elenco ganha agora a participação do ator Marcelo Laham.

A peça parte de um caso verídico, uma controversa investigação de um caso ocorrido em Milão, em 1969, e tem como pano de fundo os ataques terroristas que feriram e mataram dezenas de pessoas e nas cidades de Milão e Roma. O mote é o suposto suicídio de um anarquista acusado pelos atentados que teria se jogado da janela do prédio da polícia durante o interrogatório. O caso ficou nebuloso com incoerências nos depoimentos dos policiais envolvidos, porém ninguém foi condenado por falta de provas.

Um ano após o episódio na história da Itália, Dario Fo estreou sua peça ficcional, uma comédia, que coloca dentro da delegacia naquele dia a figura de um louco revelando práticas de torturas física e psicológica nos interrogatórios policiais. Na dramaturgia, o louco é acusado de falsidade ideológica, por gostar de se passar por outras pessoas, porém se revela mais esperto que o delegado e, ali mesmo, engana a todos fingindo ser um juiz.

O que teria acontecido realmente naquele dia? O anarquista se jogou ou fora jogado do quarto andar?

A polícia afirma que o anarquista teria se jogado pela janela do quarto andar, a imprensa e a população acreditam que ele tenha sido jogado. O louco brincando com o que é ou não é real vai desmontando o poder e revelando a verdade ao assumir várias identidades médico cirurgião, psiquiatra, bispo, engenheiro naval, entre outras, além de juiz. Os espectadores se tornam aliados tanto do ator quanto do personagem e ao serem convidados a participar trazem à tona flashes do momento político atual do país para ajudá-lo na reconstituição do suposto crime.

Morte Acidental de Um Anarquista é a peça mais conhecida e premida de Dario Fo. Montada no mundo inteiro, recentemente, em Londres, foi encenada com referências ao caso Jean Charles (brasileiro que ficou conhecido após ser confundido e assassinado erroneamente pela Scotland Yard no Metrô de Londres). No Brasil, já foi montada com Antonio Fagundes e Sérgio Britto como protagonistas em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Nesta montagem, há três anos em cartaz, com direção de Hugo Coelho, o público é recebido pelo elenco do lado de fora, na entrada, com uma apresentação musical. Já no teatro, Marcelo Laham entra em cena para contar o que aconteceu na vida real e explicar o porquê de montar o espetáculo, seguindo a estratégia que Dario Fo de aproximação e reconhecimento. Em seguida, público é convidado a tirar dúvidas e, só depois de todos estarem prontos, o espetáculo começa.

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Morte Acidenta de Um Anarquista

Com Marcelo Laham, Henrique Stroeter, Riba Carlovich, Marcelo Castro, Maíra Chasseraux e Rodrigo Bella Dona

Teatro Gazeta (Avenida Paulista, 900 – Bela Vista, São Paulo)

Duração 90 minutos

30/06 até 14/10

Sábado – 22h, Domingo – 20h

$70/$80

Classificação 14 anos

DARIO FO EM DOSE DUPLA

O projeto DARIO FO EM DOSE DUPLA, do Santa Víscera Teatro, chega aos palcos da capital paulista com estreia dia 6 de julho, sexta-feira, às 21 horas, no Hangar Teatro, na Barra Funda. União dos solos O Primeiro Milagre e Sempre Aquela Velha História… ambos do italiano Dario Fo e sua esposa Franca Rame e dirigidos por Graciane Pires, o projeto traz os espetáculos apresentados na sequência.

O Primeiro Milagre, com o ator Marco Antonio Barreto, mostra um olhar cômico e diferente da saga do menino Jesus, desde seu nascimento até o dia em que realiza o seu primeiro milagre. Com uma linguagem provocativa, Sempre Aquela Velha História…, com Graciane Pires, leva à cena as dificuldades e prazeres do universo feminino vistos na perspectiva de uma mulher em situações limites do cotidiano.

Para a diretora e atriz Graciane Pires os solos, econômicos nos meios e ricos em expressividade, tem foco no trabalho dos atores. “Propomos a apresentação teatral em sua forma mais essencial com apenas um ator em cena, frente a frente com o público, utilizando toda a sua capacidade criativa e o mínimo de recursos cênicos para contar sua história”. A diretora também conta que a ideia de apresentar dois textos de Dario Fo na sequência é a oportunidade de juntar temáticas para reflexão. “Os textos do autor, embora sejam mais enxutos, sempre trazem margem para bons debates, pois tratam de forma ácida temas delicados”.

DARIO FO EM DOSE DUPLA dá continuidade ao trabalho do Santa Víscera Teatro voltado a autores clássicos, como Enquanto Você Dorme, inspirado em obras de Edgar Allan Poe, Guy de Maupassant e John Collier,que cumpriu em junho uma temporada no Sesc Tijuca, no Rio de Janeiro.

O Primeiro Milagre

Baseado no evangelho Apócrifo de São Mateus, o solo é uma parábola que revela os valores humanos da Sagrada Família e conta a história desde o nascimento do menino Jesus até o dia em que ele realiza o seu primeiro milagre. Uma curiosidade é que os evangelhos apócrifos retratam Jesus com uma série de superpoderes, ele aparece: voando, cuspindo fogo, se transformando em serpente, cavalo, leão. Desaparece um lugar e aparece em outro, uma infinidade de peripécias, que nas mãos de um excelente contador de histórias como Dario Fo, ganham colorido, emoção, certo exagero e muita inventividade.

Em cena, o ator Marco Antonio Barreto se multiplica no palco fazendo mais de 25 personagens, que contracenam entre si e trazem ao público a infância de Jesus de maneira inusitada. “A proposta é abordar a paixão de Cristo olhando para seu lado mais humano. E assim, podemos ver a (des)construção da figura universalmente conhecida de Jesus Cristo, de forma a concretizar um espetáculo que satiriza sem ofender, que diverte sem escrachar. A figura de Jesus na montagem, não tem um caráter anti ou pró-religioso, pois aborda a ideia do mito, as mistificações e desmistificações em relação às pessoas e seus comportamentos”, conta a diretora.

Sempre Aquela Velha História…

Com criação e atuação de Graciane Pires, o espetáculo foi resultado da pesquisa pessoal da atriz e diretora, que propõe uma relação entre o autoconhecimento e o trabalho do ator. O espetáculo retrata a história de uma mulher sem nome. Esta “falta de identidade”, nos remete a um arquétipo, modelo que é proposto na encenação como “mulher-objeto”.

Elegeu-se então, a figura feminina da boneca como inspiração na criação cênica do cenário, figurino, maquiagem e adereços. A figura da boneca, nesse caso, é associada de duas formas diferentes e ambíguas: a boneca infantil frequentemente associada tanto à infantilidade, delicadeza, brincadeira, e a boneca inflável, associada ao fetiche, um objeto facilmente manipulado. “Busca-se, ao reunir essas duas imagens opostas, sublimar a crítica que o texto propõe deixando livre para que cada espectador, de sua própria maneira, uma identificação”, completa Graciane.

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Dario Fo Em Dose Dupla

Com Marco Antonio Barreto e Graciane Pires

Hangar Teatro (Rua Conselheiro Brotero, 305 – Barra Funda, São Paulo)

Duração 90 minutos

06/07 até 07/09

Sexta – 21h

$30

Classificação 16 anos

ZECA PAGODINHO – UMA HISTÓRIA DE AMOR AO SAMBA

O nome de batismo é Jessé Gomes da Silva Filho, mas o grande público o conhece mesmo como Zeca Pagodinho. Artista consagrado, que alcançou o sucesso sem perder suas origens. É o Zeca do subúrbio, de Xerém, dos amigos, do palco e das canções que todo brasileiro sabe um refrão. Essa é a história real de um homem que se apaixonou pelo o samba ainda criança e, desde então, vive um caso de amor com a música.

“Zeca Pagodinho – Uma história de amor ao samba” retrata a vida do cantor em dois atos. No primeiro, o público conhecerá os momentos que levaram a construir o sólido caráter do nosso herói suburbano, que nunca deixou de ser um homem do povo. Caberá a Peter Brandão dar vida ao protagonista Jessé nessa fase. No segundo momento, o espetáculo retrata o encontro do artista com a fama e sua popularidade. O ator e diretor Gustavo Gasparani assume o papel de Jessé em sua fase madura.

O musical estreia em São Paulo no dia 14 de julho e fica pela cidade, em curtíssima temporada popular somente até 05 de agosto. Com ingressos a partir de R$40, as sessões acontecerão às quintas-feiras (21h), sextas-feiras (21h), sábados (17h e 21h) e domingos (17h). Os ingressos podem ser adquiridos pela bilheteria oficial (Teatro Procópio Ferreira) e pelo site www.ingressorapido.com.br – ambas as formas sem taxa de conveniência.

A trilha sonora é destaque na construção da obra, compartilhando com nosso herói o protagonismo dessa história. Samba e narrativa se misturam nessa homenagem a Jessé. As canções evocam sua criação no subúrbio e potencializam o jeito carioca de ser, uma assinatura de Zeca Pagodinho e um jeito único de deixar a vida nos levar. Quatro músicos e um regente se unem aos 13 atores do elenco para juntos contarem, em texto e canção, a trajetória desse homem apaixonado pelo samba.

A dramaturgia recorre ao Teatro de Revista para narrar essa trajetória de sucesso e parceria com o público ao longo de mais de três décadas. Irreverência e bom humor marcam a narrativa, características que não poderiam faltar ao retratar o nosso herói suburbano. Com toda a liberdade que o teatro permite, a poesia também está presente no espetáculo. A peça inicia com Jessé embarcando no trem do samba rumo à “Estação Sucesso”. Essa é uma viagem sem paradas e que fará o espectador perder o fôlego, se emocionar e querer cantar.

“Zeca Pagodinho – Uma história de amor ao samba” estreou no Rio de Janeiro e agora, além de São Paulo, sai em turnê pelo Brasil, passando por Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Brasília, Vitória, Goiânia, Santos, Curitiba e Porto Alegre. O espetáculo é uma produção da Dannemann Entretenimento Chaim Produções. Realização do Governo do Estado de São Paulo e Secretaria da Cultura. Patrocínio SulAmérica. Transportadora oficial é a Avianca Brasil.

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Zeca Pagodinho – Uma história de amor ao samba

Com Ana Velloso, Beatriz Rabello, Douglas Vergueiro, Édio Nunes, Gustavo Gasparani, Hugo Kert, Lilian Walesca, Lucianna Vieira, Milton Filho, Peter Brandão, Psé Diminuta, Ricardo Souzedo e Wladimir Pinheiro

Teatro Procópio Ferreira (Rua Augusta, 2823 – Cerqueira César, São Paulo)

Duração 120 minutos

14/07 até 05/08

Quinta e Sexta – 21h, Sábado – 17h e 21h, Domingo – 17h

$80

Classificação Livre

ELES NÃO USAM BLACK-TIE

Um dos textos mais importantes da dramaturgia nacional volta aos palcos no dia 20 de julho no Teatro Aliança Francesa. Comemorando seus 60 anos, “Eles não usam Black-Tie”, de Gianfrancesco Guarnieri, foi montado pela primeira vez no Teatro de Arena, no mesmo ano de sua publicação, 1958.

Nesta obra, Gianfrancesco Guarnieri transcreve de maneira cotidiana questões sócio-políticas vividas por Tião, personagem que o próprio autor viveu na montagem do Arena.

A história revela, como primeira instância, a organização de uma greve com suas posições ideológicas, morais e divergentes para cada personagem, o que faz com que as discussões entre pai e filho sejam frequentes. Num plano abrangente estão apoiadas relações familiares como: gravidez, casamento, educação e religião.

A plateia poderá vivenciar no palco uma família comovente que sobrevive de maneira humilde, mas não menos digna, refletindo o espelho de uma camada social que abrange milhões de brasileiros. Além disso, a peça tem como pano de fundo reflexões sobre a frágil condição humana, sobre os homens e seus conflitos, trazendo um verdadeiro um debate entre a coletividade e o individualismo, simultaneamente cru e sensível.

Nessa montagem o elenco será composto Adilson Azevedo, Camila Brandão, Carolina Stofella, Kiko Pissolato, Pablo Diego Garcia, Paloma Bernardi, Paulo Gabriel, Samuel Carrasco, Teca Pereira e Tiago Real, com direção de Dan Rosseto.

SINOPSE: De um lado Otávio e outros operários estão organizando uma greve, em busca de melhores condições de trabalho. Do outro, Tião que não deseja participar desse motim e busca uma vida segura ao lado de sua noiva, Maria. No meio do fogo cruzado, está Romana, a mãe de Tião, uma mulher corajosa e massacrada pela vida.

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Eles Não Usam Black-Tie

Com Adilson Azevedo, Camila Brandão, Carolina Stofella, Kiko Pissolato, Pablo Diego Garcia, Paloma Bernardi, Paulo Gabriel, Samuel Carrasco, Teca Pereira e Tiago Real

Teatro Aliança Francesa (Rua General Jardim, 182 – Vila Buarque, São Paulo)

Duração 90 minutos

20/07 até 16/09

Sexta e Sábado – 20h30, Domingo – 19h

$60

Classificação 12 anos

AVALON

A Cia London estreia no dia 20 de julho, no Teatro União Cultural, em São Paulo, o seu novo espetáculo: “Avalon“, conta a épica história de Rei Arthur e os cavaleiros da Távola redonda.
Avalon” é um texto original, baseado nas lendas inglesas medievais de Rei Arthur e nas crenças pagãs da época. Mostra, de maneira mística, a saga de um povo em busca de um rei que unifique a Bretanha política e religiosamente.
Quando Uther Pendragon tomou Merlin por seu conselheiro, ele não imaginava que teria, futuramente, que entregar seu filho Arthur para ser criado pelo mago, longe da corte. Ao morrer, Uther finca a clássica espada na pedra e apenas o herdeiro do trono seria digno de tirá-la de lá. Arthur o faz! Vira o grande e esperado rei e casa-se com Guinevere, uma donzela altamente católica e que não aceita a antiga religião.
As coisas parecem cada vez mais complicadas; a rainha não engravida, o relacionamento dos dois encontra um terceiro elemento em Sir. Lancelot e a meia irmã de Arthur, Morgana, a sacerdotisa da ilha sagrada de Avalon, espera um filho do Rei.
Com dois atos e um elenco de 28 artistas entre músicos, atores, dançarinos e cantores, “Avalon” é um espetáculo misterioso e questionador. De romances, intrigas, magia, reviravoltas, batalhas, mulheres fortes e que traz o público a reflexões sobre o homem, sua religião e seu caminho hoje e sempre.

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Avalon
Com Mateus Polli, Luna Milano, Hellen Kazan, Rafael Mallagutti, Carla Leandro, Maíra Natássia, Mariana Terreri, Jefferson Mascarenhas, Augusto Portes, Gustavo Martins, Taís Cristina Orlandi, Thais Coelho, Nina Vettá, Marcio Vidgóy, Renan Rezende, Bella Santos, Helena Magon, Elizabeth Clini, Barbara Trabasso, Mariana Terreri, João Pedro Uvo, Cleber Cley Braz, Otávio Santiago, Anthony Caio, Rhayssa Rodrigues Martins, Mariana Gimenes, Leonardo Malinowski, Gregory Pena, Alex Ramos, Lucas de Campos, Victor Garbossa, Dominic Mendonza, Adriano Klinglebt, Nicholas Carrer Guerreiro, Octavio Amado
Teatro União Cultural (R. Mario Amaral, 209 – Paraíso, São Paulo)
Duração 120 minutos
20/07 até 14/09
Sexta – 21h
$70
Classificação 14 anos

PEDRO CARDOSO SE APRESENTA NO TEATRO MORUMBI SHOPPING

Os atores Graziella Moretto e Pedro Cardoso vêm ao Brasil, diretamente de Lisboa, para apresentar três espetáculos no Teatro MorumbiShopping.

O Autofalante (27 de junho a 24 de agosto) é um monólogo escrito, interpretado e dirigido por Pedro Cardoso (Amir Haddad coassina a direção).

Uãnuêi – Esta Noite se Improvisa (7 de julho a 26 de agosto) é um espetáculo de improviso que conta com a colaboração da plateia.

Nem Sim, Nem Não – Uma Peça de Teatro Infantil que Ninguém Pediu é uma produção inédita que faz temporada de 7 de julho até 26 de agosto com temas que passam pelo autoritarismo, autoestima e educação – ambos os espetáculos são criados, dirigidos e interpretados por Graziella e Pedro.

Residentes de Portugal há três anos, os atores apresentam-se lá e também no Brasil, onde circulam frequentemente com as peças O Autofalante (1990), Uãnuêi – Esta Noite se Improvisa (2011) e a mais recenteO Homem Primitivo, que esteve em cartaz em São Paulo em 2015. Os artistas também estão em processo de criação da peça A Pessoa Honesta, com previsão de estreia para 2019 e com material de pesquisa baseado nas temporadas mais recentes que têm feito de Uãnuêi – Esta Noite se Improvisa.

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O Autofalante

O monólogo de Pedro Cardoso conta a história de um homem que diz ter sido abordado por outro na rua, e que este outro afirmou que eles eram a mesma pessoa. Como num jogo de espelhos, o público lida com os questionamentos despertados por essa personalidade misteriosa.

Identidade, relação com o desemprego e um passado recente associado aos impasses de lidar com as tecnologias criadas no começo dos anos 1990 garantem a permanência da peça, que se mantém atual mesmo após 30 anos da primeira encenação.

Ainda não havia redes sociais e o telefone portátil era uma novidade. Mas os vícios das indústrias da comunicação – e suas mentiras e manipulações; e o uso abusivo que a publicidade faz de todo e qualquer meio – já estavam se anunciando. E, hoje, muito do que estava ainda se esboçando, fez-se presente na sociedade de modo ainda mais agressivo do que eu supus que seria quando escrevi”, diz Pedro.

Para o artista, o humor se produz na revelação do sentido oculto dos acontecimentos. “Ele nada tem a ver com a dramaticidade – ou a tristeza, ou a tragédia – do que se conta. Tem a ver com o distanciamento do narrador em relação ao que é contado”.

Pedro entende por esse distanciamento uma postura crítica, uma não aceitação do que é tido como já revelado, “uma postura crítica; uma não aceitação do que é tido como já revelado; uma busca pelo sentido que permanece escondido na trama da banalidade cotidiana. Ao propor-se esta atitude reflexiva, o ator encontrará, inevitavelmente, a comédia. Não porque ele a produza, exatamente. Mas porque o público a produzirá quando confrontado com a revelação do que, embora já fosse sabido, permanecia protegido de ser explicitado evidentemente pelos mecanismos de defesa e fuga da verdade, que são tão naturais ao ser humano”.

O artista ainda diz que “o riso é o resultado no corpo de acessão a consciência de um conteúdo inconsciente. Eu rio da soberba de Édipo e das simulações de loucura de Hamlet; e ambas são tidas como tragédias. Rio delas, mas não sei precisamente do que. E este rir de algo que, embora seja uma revelação, nunca saberemos muito bem precisar, é que faz a comédia tão fascinante, na minha opinião”, completa.

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Uãnuêi – Esta Noite Se Improvisa

A cada sessão, uma peça completamente diferente da anterior e criada na hora a partir de um tema proposto pela plateia: esse é o espetáculo Uãnuêi – Esta Noite se Improvisa, idealizado por Pedro Cardoso e Graziela Moretto em 2011.

O espetáculo de improviso long form (termo que designa uma peça longa improvisada a partir de um único tema) conta com uma relevante coautoria do público. A cada sessão, alguém dá um tema que serve de partida para a apresentação de Pedro e Graziela. “Em lugar de trazermos já decidido o assunto, que haveremos de ter recolhido em nossas próprias preocupações, nos decidimos a dispor a nossa criação a serviço do assunto que o público elege como prioritário. E permanecemos em conexão com essa escolha do outro, na tentativa de dizer algo sobre o assunto dele. É uma autêntica parceria. Dá-nos o mote que faremos o repente. Teatro popular, de forte raiz na cultura do povo brasileiro”, diz Graziella.

Atual por definição, o espetáculo de improviso é sempre o testemunho de um nascimento. Juntos, criaram uma analogia da peça com uma partida de futebol: “A graça do jogo é não saber quando a jogada vai dar certo e resultar no gol, que é sempre um acontecimento raro. Também no teatro de improviso é raro o momento em que a dramaturgia se conclui de forma perfeita e, em alguns casos, ela nem se conclui, mas a alegria que nos causa quando a jogada termina em gol é a mesma que nos assalta quando o improviso termina em uma fábula perfeita”.

Para o casal, não há um tema mais desafiador que o outro. “Não é o tema que pode tornar o improviso difícil – é a recusa que traz dificuldades”, explica Pedro, que diz receber todas sugestões com igual humildade. O formato ganhou até versão televisiva exibida pelo Fantástico, da Rede Globo, em 2014, alcançando grande sucesso na programação.

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Nem Sim Nem Não – Uma Peça de Teatro Infantil que Ninguém Pediu

Nem Sim, Nem Não é a primeira empreitada do casal em um trabalho dedicado ao público de todas as idades, isso porque “o que é para crianças, é para todos”, nas palavras dos criadores da peça.

O espetáculo conta a história de uma jovem que, como tantas no Brasil, tem que começar a trabalhar cedo como empregada doméstica para ajudar a família. Ela consegue dois empregos; o primeiro, numa casa em que tudo pode: a casa do Sim. Lá pode tudo. Até o que não pode, lá pode. A outra casa em que ela arruma emprego é a casa do Não, onde logicamente tudo é proibido, principalmente dizer sim. Por ter que cuidar de crianças, ela aprende a contar histórias.

Uma série de aventais irá cumprir a função de identificar personagens, ajudar a construir a narrativa e até terão parte na composição de uma cenografia cheia de mobilidade. Os adereços são assinados por Giovanna Moretto, figurinista de outros espetáculos da dupla, como a última remontagem de Os Ignorantes, O Homem Primitivo e Uãnuêi.

Nosso teatro é colado ao essencial; somos frutos de uma combinação entre o Teatro de Rua, o Teatro Antropológico, o Improviso e a Comédia. Nosso compromisso é com a liberdade, para o artista e para o público. Não construímos nossa dramaturgia à partir de formas estéticas, marcações, desenhos de cena. Todo nosso teatro nasce quando o público chega. Portanto o que estamos fazendo agora é reunir todas as nossas experiências e pesquisas sobre tradição oral, narrativas e contação de história, e buscando a teatralidade para essa fábula que criamos”, diz Graziella.

Seguindo a tendência de seus demais espetáculos, esse também será apoiado na presença do ator diante da audiência e na relação ali estabelecida. Com poucos elementos cênicos, o mais relevante no palco será o corpo em cena.

A peça busca falar sobre os defeitos e as consequências de todos os radicalismos; especialmente aos ligados à educação, em um tempo que dá pouca chance para hesitações e variações. “Nem sim nem não é a resposta pedagógica a ditadura do sim e do não. Nada é sim ou não, apenas. É sobre isso que pretendemos falar. Mas logicamente, do nosso jeito. É uma história, contada à moda antiga com dados novos. E, no que depender de nós, com muito humor”, diz Pedro

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O Autofalante – De Pedro Cardoso. Direção: Amir Haddad e Pedro Cardoso. Vídeos: Gringo Cardia e Marcelo Tas. Coordenação de produção e supervisão técnica: Hernane Cardoso. Temporada27 de junho a 24 de agosto, quarta, quinta e sexta-feira, 21 horas. Duração: 70 minutos. Classificação: 14 anos. Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia)

Uãnuêi – Esta Noite se Improvisa – De Graziella Moretto e Pedro Cardoso. Piano: Dudu Trentin. Percussão: Rodolfo Cardoso.Coordenação de produção e supervisão técnica: Hernane Cardoso. Figurinos: Giovanna Moretto. Temporada7 de julho a 26 de agosto, sábado às 21 horas, e domingo, às 19 horas. Duração: 70 minutos. Classificação: 14 anos. Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia)

Nem Sim Nem Não – Uma Peça de Teatro Infantil que Ninguém Pediu – De Graziella Moretto e Pedro Cardoso. Música ao vivo: Dudu Trentin e Rodolfo Cardoso. Direção técnica e de produção: Hernane Cardoso. Figurinos: Giovanna Moretto. Temporada7 de julho a 26 de agosto, sábado e domingo, às 16 horas. Duração: 50 minutos. Classificação: Livre. Ingressos: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)

Teatro MorumbiShopping (Av. Roque Petroni Junior, 1089 – Jardim das Acácias, São Paulo)